Corpus Christi: A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja (Canto da Paz)

Fonte: Canto da Paz (Franciscanos e Clarissas)

Corpus Christi: o que significa?

Como sabemos em que dia vai ser Corpus Christi? Bem, com o domingo da Solenidade de Pentecostes, ou do Espírito Santo, termina o Tempo Pascal, ou seja, o período em que comemoramos a Ressurreição (Páscoa) de Jesus. Após o domingo de Pentecostes vem o domingo da Solenidade da Santíssima Trindade e na quinta-feira, após o domingo da Santíssima Trindade, acontece a comemoração de Corpus Christi ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para que a Santa Hóstia seja adorada de uma forma visível pelos fiéis – pois é o próprio Jesus Vivo em Corpo e Sangue, Alma e Divindade – a Igreja a coloca dentro de um ostensório (veja a figura acima) e a leva em procissão pelas ruas das cidades. É por isso que acontece a procissão de Corpus Christi, onde se dá um destaque especial à Eucaristia.

(…)

“Qual é o significado da festa de Corpus Christi?

(Texto de Fr. Evaldo César de Sousa, C.Ss.R. Fonte: http://www.redemptor.com.br)

1. O sentido da celebração

Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs. Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.

Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.

2. Origem da solenidade

Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados de diversas significações. Na Idade Média, o costume que invadiu a liturgia católica de celebrar a missa com as costas voltadas para o povo, foi criando certo mistério em torno da Ceia Eucarística. Todos queriam saber o que acontecia no altar, entre o padre e a hóstia. Para evitar interpretações de ordem mágica e sobrenatural da liturgia, a Igreja foi introduzindo o costume de elevar as partículas consagradas para que os fiéis pudessem olhá-la. Este gesto foi testemunhado pela primeira vez em Paris, no ano de 1200.

Entretanto, foram as visões de uma freira agostiniana, chamada Juliana, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento. Em 1209, na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começa ter visões eucarísticas, que se vão suceder por um período de quase trinta anos. Nas suas visões ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse festivamente o sacramento da Eucaristia.

3. Nasce a festa do Corpus Christi

Quando as idéias de Juliana chegaram ao bispo, ele acabou por acatá-las, e em 1246, na sua diocese, celebra-se pela primeira vez uma festa do Corpo de Cristo. Seja coincidência ou providência, o bispo de Juliana vem a tornar-se o Papa Urbano IV, que estende a festa de Corpus Christi para toda Igreja, no ano de 1264.

Mas a difusão desta festa litúrgica só será completa no pontificado de Clemente V, que reafirma sua significação no Concilio de Viena (1311-1313). Alguns anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão, pelas vias da cidade, com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume testemunhado desde 1274 em algumas dioceses da Alemanha.

O Concílio de Trento (1545-1563) vai insistir na exposição pública da Eucaristia, tornando obrigatória a procissão pelas ruas da cidade. Este gesto, além de manifestar publicamente a fé no Cristo Eucarístico, era uma forma de lutar contra a tese protestante, que negava a presença real de Cristo na hóstia consagrada.

Atualmente a Igreja conserva a festa de Corpus Christi como momento litúrgico e devocional do Povo de Deus. O Código de Direito Canônico confirma a validade das exposições publicas da Eucaristia e diz que principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, haja procissão pelas vias públicas (cân. 944).

4. A celebração do Corpo de Cristo

Santo Tomás de Aquino, o chamado doutor angélico, destacava três aspectos teológicos centrais do sacramento da Eucaristia. Primeiro, a Eucaristia faz o memorial de Jesus Cristo, que passou no meio dos homens fazendo o bem (passado). Depois, a Eucaristia celebra a unidade fundamental entre Cristo com sua Igreja e com todos os homens de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo, no Reino dos Céus (futuro).

A Igreja, ao celebrar este mistério, revive estas três dimensões do sacramento. Por isso envolve com muita solenidade a festa do Corpo de Cristo. Não raro, o dia de Corpus Christi é um dia de liturgia solene e participada por um número considerável de fiéis (sobretudo nos lugares onde este dia é feriado). As leituras evangélicas deste dia lembram-nos a promessa da Eucaristia como Pão do Céu (Jo 6, 51-59 – ano A), a última Ceia e a instituição da Eucaristia (Mc 14, 12-16.22-26 – ano B) e a multiplicação dos pães para os famintos (Lc 9,11b-17 – ano C).

5. A devoção popular

Porém, precisamos destacar que muito mais do que uma festa litúrgica, a Solenidade de Corpus Christi assume um caráter devocional popular. O momento ápice da festa é certamente a procissão pelas ruas da cidade, momento em que os fiéis podem pedir as bênçãos de Jesus Eucarístico para suas casas e famílias. O costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicor, ainda é muito comum em vários lugares. Algumas cidades tornam-se atração turística neste dia, devido à beleza e expressividade de seus tapetes. Ainda é possível encontrar cristãos que enfeitam suas casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo, que passa por aquela rua.

A procissão de Corpus Christi conheceu seu apogeu no período barroco. O estilo da procissão adotado no Brasil veio de Portugal, e carrega um estilo popular muito característico. Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo. Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística, adaptando ao contexto urbano a visibilidade pública da Eucaristia. O importante é valorizar este momento afetivo da vida dos fiéis.”

(fonte: http://www.bispadobauru.org.br)

Publicado em Canto da Paz.

Bento XVI na Croácia: “A qualidade da vida social e civil, a qualidade da democracia dependem em grande parte deste ponto «crítico» que é a consciência, de como a mesma é entendida e de quanto se investe na sua formação. ” – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Portugal

Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – SNPC – Portugal

Celebração na Croácia

Bento XVI deslocou-se este sábado e domingo à Croácia, para celebrar a 1.ª Jornada Nacional das Famílias Católicas Croatas.

Com as fotografias da viagem, apresentamos excertos do discurso do Papa no encontro com expoentes da sociedade civil, do mundo político, académico, cultural e empresarial, com o corpo diplomático e com os líderes religiosos, realizado a 4 de junho no Teatro Nacional Croata, em Zagreb, capital do país. (….)

……

Excertos do discurso de Bento XVI no início de junho, na Croácia

(…) E aqui queria introduzir o tema central desta minha breve reflexão: a consciência. Transversal aos diferentes campos onde estais empenhados, este tema é fundamental para uma sociedade livre e justa, tanto a nível nacional como supranacional. Aqui penso naturalmente na Europa, de que a Croácia faz parte desde sempre no plano histórico-cultural, ao passo que, no plano político-institucional, está em vias de entrar na União.

Pois bem, as grandes conquistas da idade moderna, ou seja, o reconhecimento e a garantia da liberdade de consciência, dos direitos humanos, da liberdade da ciência e, consequentemente, de uma sociedade livre, há que confirmá-las e desenvolvê-las mas mantendo a racionalidade e a liberdade abertas ao seu fundamento transcendente, para evitar que tais conquistas se autodestruam, como infelizmente temos de constatar em não poucos casos. A qualidade da vida social e civil, a qualidade da democracia dependem em grande parte deste ponto «crítico» que é a consciência, de como a mesma é entendida e de quanto se investe na sua formação.

Se a consciência se reduz, segundo o pensamento moderno predominante, ao âmbito da subjetividade, para o qual se relegam a religião e a moral, a crise do Ocidente não tem remédio e a Europa está destinada à involução. Pelo contrário, se a consciência é descoberta novamente como lugar da escuta da verdade e do bem, lugar da responsabilidade diante de Deus e dos irmãos em humanidade – que é a força contra toda a ditadura – então há esperança para o futuro.

Estou grato ao Prof. Zurak por ter lembrado as raízes cristãs de numerosas instituições culturais e científicas deste país, como aliás aconteceu em todo o continente europeu. O lembrar estas origens é necessário inclusive para a verdade histórica, mas é importante saber lê-las em profundidade a fim de que possam animar também os dias de hoje. Por outras palavras, é decisivo captar o dinamismo que está dentro do acontecimento, por exemplo, da criação duma universidade, ou dum movimento artístico, ou dum hospital. É preciso compreender o porquê e o como de isso ter acontecido, para se valorizar nos dias de hoje tal dinamismo, que é uma realidade espiritual que se torna cultural e, consequentemente, social.

Na base de tudo, encontram-se homens e mulheres, encontram-se pessoas, consciências, movidas pela força da verdade e do bem. Foram citados alguns dos filhos ilustres desta terra. Gostaria de deter-me no Padre jesuíta Ruđer Josip Bošković, que nasceu em Dubrovnik há trezentos anos, no dia 18 de maio de 1711. Ele personifica muito bem o consórcio feliz entre a fé e a ciência, que se estimulam reciprocamente a uma pesquisa ao mesmo tempo aberta, diversificada e capaz de síntese. A sua obra mais importante, Theoria philosophiae naturalis, publicada em Viena e depois em Veneza a meados do século XVIII, tem um subtítulo muito significativo: redacta ad unicam legem virium in natura existentium, ou seja, «segundo a única lei das forças existentes na natureza». Em Bošković, temos a análise, o estudo de múltiplos ramos do saber, mas temos também a paixão pela unidade. E isto é típico da cultura católica. (…)

Contudo, para além da homenagem, é preciso aproveitar o método, a abertura mental destes grandes homens. Voltemos, pois, à consciência como chave mestra para a elaboração cultural e a construção do bem comum. É na formação das consciências que a Igreja oferece à sociedade a sua contribuição mais específica e preciosa. Uma contribuição que começa na família e que encontra um reforço importante na paróquia, onde as crianças e adolescentes e, depois, os jovens aprendem a aprofundar as Sagradas Escrituras, que são o «grande códice» da cultura europeia; e, ao mesmo tempo, aprendem o sentido da comunidade fundada no dom: não no interesse económico ou na ideologia, mas no amor, que é «a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira» (Caritas in veritate, 1).


Aprendida na infância e na adolescência, esta lógica da gratuidade é, depois, vivida nos diversos âmbitos, no jogo e no desporto, nas relações interpessoais, na arte, no serviço voluntário aos pobres e aos doentes, e, uma vez assimilada, pode-se concretizar nos âmbitos mais complexos da política e da economia, colaborando para uma polis que seja acolhedora e hospitaleira, e que ao mesmo tempo não seja vazia, nem falsamente neutra, mas rica de conteúdos humanos, com uma forte consistência ética. É aqui que os christifideles laici estão chamados a fazer render generosamente a sua formação, guiados pelos princípios da Doutrina Social da Igreja, por uma autêntica laicidade, a justiça social, a defesa da vida e da família, a liberdade religiosa e educativa.

Ilustres amigos, a vossa presença e a tradição cultural croata sugeriram-me estas breves reflexões. Deixo-vo-las como sinal da minha estima e sobretudo da vontade que tem a Igreja de caminhar com a luz do Evangelho no meio deste povo. (…)»

Bento XVI

Publicado em SNPC.

Leitura espiritual do poema “Nada te perturbe” – Lugar de Partilha

Leitura espiritual do poema “Nada te perturbe”

Em homenagem ao aniversário de nascimento de Santa Madre, publicamos a tradução de um texto de Tomás Alvares (Fonte: Revista “Teresa de Jesús”, n. 109).

Parece quase supérfluo fazer a apresentação do poema da Santa. Quem não o conhece? Nós o lemos de sua própria letra, catamo-lo, sussurrando sua música de seda. Tantas vezes repetimos seus versos em grupos de oração, abrindo espaço ao silêncio de todos. Em momentos difíceis o oferecemos ao amigo: veja que tudo passa! Nada te perturbe, dizia Santa Teresa. Deus está acima de tudo…

É tão breve o poema que apenas ocupa espaço. O reproduzimos uma vez mais, para lê-lo pausadamente e debulhar um a um a espiga de seus versos:

Nada te perturbe,

nada te espante,

tudo passa,

Deus não muda,

a paciência

tudo alcança.

Quem a Deus tem,

nada lhe falta.

Só Deus basta!

Como ler o poema? Como entendê-lo e apropriarmo-nos dele? Será um salmo sapiencial, de corte gnômico, como pretendem os entendidos? Ou um salmo íntimo, como certos poemas do saltério bíblico, que convidam a própria alma a prorromper em determinados sentimentos? Por exemplo, “Louva, minh’alma o Senhor, e todo meu seu ser Santo Nome”.

Se é um breve salmo sapiencial, deve ser lido deixando-o flechar-nos na alma como um dardo de cada verso, carregado de ressonâncias, que a partir de cada sentença, nos devolvem às sendas da própria vida, sendas às vezes tortuosas, às vezes encrespadas ou espinhosas.

Se, ao invés, é um salmo íntimo, nos introduz na alma da autora, que vai dizendo a si mesma: “Teresa, que nada te perturbe”…

São duas leituras possíveis, ou dois ensaios de escuta diante da melodia de cada verso. Pessoalmente, prefiro a segunda.

O “nada te perturbe” é uma fineza em solidão. Teresa escreve seu poema a sós. Como fazem sempre ou quase sempre os poetas líricos e os místicos. É certo de que ela não compõe estes versos como um bilhete de envio para convertê-los em missiva espiritual para alguns de seus amigos. Mas os compõe como uma vivência a mais, ou como um simples balbucio da alma.

Em primeiro lugar, Teresa não costuma dirigir-se a seus amigos com o “tu”. Nem sequer à sua irmã Juana ou à sua sobrinha Teresita. Basta ler as cartas que lhes dirige. A Teresita, por exemplo: “… filha minha, muito me alegrei com sua carta e de que lhe deem contento as minhas.” A Teresa, trata-a com o “tu” a voz interior: “Teresa, não tenhas medo”; “não te metas nisso”, etc. Porém, nesse diálogo, ela é a destinatária do “tuteio”.

Ela, por sua vez, só usa a segunda pessoa falando consigo mesma. Ou melhor, quando ela fala à Teresa profunda: “tu, alma minha, por que estás triste?”

Teresa é capaz desse estranho desdobramento de personalidade que lhe permite falar com o tu de si mesma. Exatamente com seu tu interior. Ela tem densa interioridade. Falando do “castelo de sua alma”, não diz ela que se parecia com um castelo cheio de moradas? Está convencida de que, nessa densidade da alma, é-lhe possível enviar mensagens (ou clamores) a partir das moradas superficiais até a morada central do castelo. Porque o tu mais identificado com ela reside aí, no centro do castelo. Pois bem, aí, no fundo, nasce seu poema: “Teresa, que nada te perturbe”.

À parte essa chave literária ou estilística, há também outra razão puramente espiritual, para propor a leitura do poema como um murmúrio da intimidade. Teresa já tinha vivido muitas coisas na vida. Em seu drama interior, porém, aconteceu-lhe algo tremendo, que a tomou de sobressalto. Foi o encontro repentino com uma Presença interior que a transpassa e a desborda. Essa Presença novidadeira a desconcerta de tal sorte, que prontamente surge, em seu interior, uma voz capaz de sedar toda a onda. A voz interior lhe diz: “Não tenhas medo, Teresa”. Referendado pelo tremendo “Eu sou” da Bíblia. Exatamente estas três palavras: “Não tenhas medo, filha, que Eu sou, e não te desampararei” (Vida 25,18).

Esse “não tenhas medo, filha” não seria o ponto de arranque de sua inspiração poética e mística? No Livro da Vida, Teresa o comenta assim: “Parece-me que, segundo estava, eram mister muitas horas para persuadir-me a que me sossegasse, e que não bastaria ninguém. Hei-me aqui sossegada só com estas palavras, com fortaleza, com ânimo, com segurança, com uma quietude e luz, que em um segundo vi minha alma transformada… Oh, que bom Deus!” (ib).

Pois bem. Sabemos que os autênticos poemas líricos, uma vez criados, tornam-se autônomos, têm vida própria, independentes da vontade do autor que os compôs. E que por isso, são polivalentes ou polissêmicos. Cada leitor pode escutá-los livremente: ou como uma voz em que Teresa excepcionalmente o chama de tu: “a ti, leitor, que nada te perturbe”… ou pode sentir-se convocado a esse misterioso ambiente em que sucedem muitas coisas à autora, e ele a escutará dizendo-se a si mesma: “Teresa, que nada te perturbe! ‘Eu sou’ está contigo!”

Não esqueçamos. Teresa é uma contemplativa. Nutre-se de palavra bíblica. Através de suas meditações, tantas palavras bíblicas ficaram presas às cordas da harpa interior.

Em nosso poema, o certo é que cada verso resulta ser um anel enfeitado de palavras bíblicas que ela passou tantas vezes do livro aos olhos, dos olhos à alma.

Nós, leitores de seu poema, podemos rastrear o eco dessas vibrações. Sem pretensões de erudita busca literária. Senão como prolongações de onda na vivência espiritual de Teresa orante ou de Teresa poeta.

O primeiro verso – nada te perturbe – é claro eco da palavra de Jesus ao amedrontados discípulos, momentos antes da Paixão: “Que o vosso coração não se perturbe” (Jo. 14,1).

O segundo verso – “nada te espante”: não fala de susto, senão de assombro. Basta recordar qualquer outra passagem teresiana: comovia-se-lhe de gozo a alma, “espantada da grande bondade e magnificência e misericórdia de Deus” (V. 4,10). Também é ressonância do assombro dos discípulos diante dos gestos taumatúrgicos de Jesus: “Isto vos amedronta? Como estareis admirados quando vereis o Filho do Homem subir para onde antes residia!” (Jo. 6,63).

O verso “tudo passa”, que materialmente remete á consigna do filósofo grego, também é eco da palavra de Paulo: “passa este mundo” (1Cor. 7,31), ou as palavras de Jesus: “céu e terra passarão” (Mt. 34,25), seguidas da eterna vigência da palavra de Jesus – “minhas palavras não passarão” -, que dá passo à sentença do verso seguinte.

“Deus não muda”. Sim, o Senhor e sua verdade permanecem para sempre (Sl. 116,2). Para Teresa, a fidelidade de Deus na amizade (“ele é amigo verdadeiro”) contrasta com a versatilidade das amizades humanas: “Vós sois o amigo verdadeiro. Todas as coisas faltam. Vós, Senhor de todas elas, nunca faltais…, que já tenho experiência da ganância com que atraís a quem só em Vós confia” (V. 25,17). Trata-se de uma antecipação do último verso do poema.

“A paciência tudo alcança”… Jesus dizia aos discípulos anunciando-lhes as perseguições: “com vossa paciência possuireis vossa vida” (Lc. 21,19). O versículo final – “só Deus basta” – é a palavra lema dos contemplativos. Trata-se do “só Deus” de São Bernardo ou do irmão Rafael. “A sós com O só” será o lema teresiano para as jovens pioneiras do Carmelo de São José.

Os três absolutos do poema são estes:

nada, nada, nada

tudo, tudo

só Deus!

Três nadas, dois tudos, um único só Deus.

É possível que a dose balsâmica e sedante que do poema impregna o leitor, deva-se à cadência dos dois versos finais, com sua assonância em a-a: “nada lhe falta / só Deus basta”. Assonância suavemente introduzida nos versos anteriores: “tudo passa – tudo alcança”.

Porém, sem dúvida, mais forte que essa cadência musical, é o medular e absoluto da mensagem que nos chega através do poema, com sua alternância de tudos – nadas – só Deus. Três vezes nada. Duas vezes tudo. E uma só vez, porém fechando o poema, no verso final: “Só Deus!” e ponto O “só Deus” e basta. Se o poema era um sedante psicológico, acima da psicologia prevalece a teologia da contemplativa e mística que é Teresa.

Postado por Rose Piotto, em 7 de abril de 2011.

Publicado em Lugar de Partilha.

Leia mais…

Lugar de Partilha – Lendo juntos os livros de Santa Teresa deJesus  – Quartas Moradas: Capítulos 3, 1-14.

Deus, pastor dos homens – Salmos – Carmelo Online – Regiões Sul e Centro-Oeste

Fonte: Carmelo Online- Salmos – Ordem dos Carmelitas Descalços – Província Nossa Senhora do Carmo – Regiões Sul e Centro-Oeste

Salmos, 23

Deus, pastor dos homens

1. Salmo de Davi. O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
2. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,
3. restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.
4. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
5. Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.
6. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.

“O Cristo ressuscitado dos mortos, que espalha sobre os homens sua luz e sua paz. Ele que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.” (…) Vigília Pascal – Santo Agostinho (Flos Carmeli)

Fonte/imagem: Rádio Aparecida AM

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Fonte: Flos Carmeli

Canto do Exultet

Exulte de alegria a multidão dos anjos,

Exultem de Deus os ministros;
Soe a triunfal trombeta,
Esta vitória de um tão grande Rei!

Alegra-te também, ó terra nossa
Que em tantas luzes agora resplandeces,
Vê como foge do universo a treva,
Enquanto fulge a luz do eterno Rei!

Alegra-te também, ó Mãe Igreja,
Ornada inteira de esplendor divino,
Escuta como vibra neste templo
A aclamação do povo!

Prefácio:  

Na verdade é nosso dever e salvação
cantar de coração e a plena voz
Ó Pai todo-poderoso, Deus invisível,
E seu único Filho, Jesus Cristo Senhor nosso.
Foi Ele quem pagou por nós ao Pai eterno,
O preço da dívida de Adão,
E foi quem apagou só por amor, no sangue derramado,
A condenação da antiga culpa.
Eis, pois a festa da Páscoa,
Na qual foi posto à morte o verdadeiro Cordeiro,
Cujo sangue consagrou
As portas dos fiéis.
Eis a noite, em que tirastes do Egito
Os nossos pais, os filhos de Israel,
A quem fizestes transpor
O Mar Vermelho a pé enxuto.
Eis a noite em que a coluna luminosa
Dissipou as trevas do pecado.
Eis a noite que arranca ao mundo corrompido, cego pelo mal,
Os que hoje, em toda a terra, puseram a sua fé no Cristo.
Noite em que os devolve à graça
E os introduz na comunhão dos santos.
Eis a noite em que o Cristo, quebrando os vínculos da morte,
Sai vitorioso do sepulcro.
Oh! imensa comiseração da vossa graça,
Imprevisível amor para conosco:
A fim de resgatar o escravo,
Entregais vosso Filho.
Ó pecado de Adão sem dúvida necesário,
Pois a morte do Cristo o destrói!
Bendita culpa,
Que nos vale um semelhante Redentor!
Pois o poder santificante desta noite
Expulsa o crime e lava as culpas,
Devolve a inocência aos pecadores,
A alegria aos aflitos,
Dissipa o ódio, prepara a concórdia,
Desarma os impérios.
Noite em que o céu se une à terra,
E o homem com Deus se encontra.
Na graça desta noite, acolhei, Pai Santo,
Como sacrifício de louvor vespertino,
A chama que sobe desta coluna de cera
Que a igreja, por nossas mãos Vos oferece.
Por isto, Senhor, Vos pedimos:
Fazei que este círio pascal
Consagrado ao Vosso nome,
Brilhe sem declínio e afugente as trevas desta noite.
Que o astro da manhã
O encontre ainda aceso,
Aquele que não conhece ocaso:
O Cristo ressuscitado dos mortos,
Que espalha sobre os homens sua luz e sua paz.
Ele que convosco vive e reina
Na unidade do Espírito Santo.
Por todos os séculos dos séculos
Amén.

Sermão de Santo Agostinho – Vigília Pascal

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Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities

Publicado em Flos Carmeli.

“A tarde de Sexta-Feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário” – ACI Digital

Fonte/imagem/texto: Reflexões de Espiritualidade Franciscana: “Sexta Feira da Paixão do Senhor”

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Fonte: ACI Digital

Sexta-feira Santa

A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloquente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.

A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

(….)

Publicado em ACI Digital.

“Ele nunca desiste de nós” – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Portugal

Fonte/imagem/texto: Reflexões de Espiritualidade Franciscana: “Sexta Feira da Paixão do Senhor”

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Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Portugal 

Ele nunca desiste de nós

À medida que a Última Ceia se aproximava inexoravelmente do fim, Jesus disse aos seus apóstolos: “Um de vós vai trair-me”. Teria sido muito mais preciso se dissesse “Todos vós vão trair-me”.

Judas vendeu o seu mestre por 30 moedas de prata e identificou-o perante os soldados, beijando-o. Mas os outros também não fizeram melhor, fugindo e deixando Jesus sozinho nas horas mais terríveis da sua vida. E Pedro, no meio de muitas imprecações, negou por três vezes conhecer Jesus.

Muitos de nós diriam que não mereciam que alguém morresse por eles, mas Jesus não pensou assim. Desde o início conheceu-os inteiramente e não teve ilusões a seu respeito. Mas também viu mais do que eles viam em si próprios. Viu a sua capacidade para crescer em grandeza. E como derradeiro amigo fiel, estava determinado a permanecer com eles até ao fim e ver nascer essa grandiosidade.

Deus nunca desiste de cada um de nós. Nunca! Tudo o que pede em troca é que não desistamos de nós ou dos outros. Ele tem o poder de nos fazer crescer, e quer dar-nos esse poder. Abramos-lhe o coração e confiemos nele.

Mons. Dennis Clark
In Catholic Exhange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) | 19.04.11

“Quem não te ama vive atado,e da liberdade alheio;quem te abraça sem receio,não toma caminho errado.” – Poema “A Cruz” – Santa Teresa de Ávila (Flos Carmeli)

Fonte/imagem: http://pequenoscarmelitas.blogspot.com/

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Fonte: Flos Carmeli

A Cruz

Ó bandeira que amparaste o fraco e o fizeste forte!

Ó vida da nossa morte,quão bem a ressuscitaste!O Leão de Judá domaste,pois por ti perdeu a vida.Sê bem-vinda, cruz querida.

Quem não te ama vive atado,e da liberdade alheio;quem te abraça sem receio não toma caminho errado.

Oh! ditoso o teu reinado,onde o mal não tem cabida!Sê bem-vinda, cruz querida.

Do cativeiro do inferno,ó cruz, foste a liberdade;aos males da humanidade deste o remédio mais terno.

Deu-nos, por ti, Deus Eterna alegria sem medida. Sê bem-vinda, cruz querida.

(Santa Teresa de Ávila)

Publicado em Flos Carmeli.

Papa: “Trabalho nos aproxima de Deus” (Rádio do Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

PAPA: “TRABALHO NOS APROXIMA DE DEUS”

Cidade do Vaticano, 26 mar (RV) – O papa recebeu esta manhã um grupo de peregrinos da Diocese de Terni-Narni-Amelia, que comemoram 30 anos da visita do Papa João Paulo II às siderúrgicos da cidade.

Bento XVI saudou o grupo, liderado pelo Arcebispo Dom Vincenzo Paglia, recordando o amor especial que João Paulo II nutria pelo mundo do trabalho; seu encorajamento, solidariedade, amizade e carinho pelos operários. O Pontífice recordou que no dia de sua eleição, ele mesmo se definiu um “humilde trabalhador na vinha do Senhor”.

No discurso, o Papa falou sobre a crise de hoje, que está colocando a cidade da usina e suas famílias numa situação difícil. Ele disse sentir a preocupação que os operários trazem em seu coração, e demonstrou estar a par da responsabilidade e da participação da Igreja diocesana, comunicando a esperança do Evangelho e a força para edificar uma sociedade mais justa e digna do homem.

Neste sentido, ressaltou a importância da Eucaristia que salva o mundo, fazendo-o viver a alegria da fé e a paixão por melhorá-lo. A Eucaristia do Domingo é o fulcro da ação pastoral da Diocese, “viver de modo eucarístico significa viver como uma família, um único Corpo, uma sociedade de amor”.

“Neste horizonte – disse o Papa – insere-se o tema do trabalho e de seus problemas, como o que mais preocupa hoje: o desemprego. O trabalho é um dos elementos básicos da pessoa e da sociedade. Condições precárias de trabalho dificultam as condições da própria sociedade, as condições de uma vida ordenada segundo as exigências do bem comum”.

Outro problema tocado por Bento XVI foi a segurança no trabalho, uma realidade à qual é preciso estar atentos, para que a trágica série de incidentes seja interrompida. Em seguida, foi abordado também o problema da precariedade profissional entre os jovens.

O papa se disse muito próximo das preocupações e ansiedades dos operários, auspiciando que na lógica da gratuidade e da solidariedade, os momentos difíceis possam ser superados e seja garantido um emprego seguro, digno e estável para todos.

Enfim, recordou que o trabalho ajuda a sentirmo-nos mais perto de Deus e dos outros, e lembrou que Jesus foi um operário, tendo passado grande parte de sua vida terrena em Nazaré, na marcenaria de José.

Em sua visita à Terni, João Paulo II falou do “Evangelho do trabalho”, afirmando que o Filho de Deus, tornando-se homem, trabalhou com as próprias mãos. A sua foi uma verdadeira fatiga física, ocupou a maior parte de sua vida nesta terra, e assim, entrou na obra de redenção do homem e do mundo.

“O trabalho deve ser entendido na perspectiva cristã, ao invés de ser visto apenas como um meio de ganho, ou de exploração, como em muitas partes do mundo, onde é ofendida a própria dignidade da pessoa. Em relação ao trabalho aos domingos, o Papa acenou para o risco de que o ritmo do consumo possa subtrair-nos o sentido da festividade e do Domingo como dia do Senhor e da comunidade.
(CM)

Publicado em Rádio do Vaticano.

A Campanha da Fraternidade de 2011 (CF-2011) propõe uma questão de evidente atualidade: fraternidade e a vida no nosso Planeta (CNBB, in Canto da Paz)

Fonte: Canto da Paz – Clarissas e Franciscanos

(fonte da imagem: http://www.stellaroid.co.cc)

Quaresma: Creio em Deus, Pai Criador

Campanha da Fraternidade 2011: Creio em Deus, Pai Criador

A Campanha da Fraternidade de 2011 (CF-2011) propõe uma questão de evidente atualidade: fraternidade e a vida no nosso Planeta. Nem é preciso argumentar muito para justificar a escolha desse tema pela CNBB: Já faz tempo que estudiosos estão alertando para o fenômeno do aquecimento global e suas consequências para o clima e para o equilíbrio ecológico.

As Conferências mundiais sobre o clima, que congregam as maiores autoridades científicas da área, deixam sempre mais evidente que o sistema produtivo da economia moderna e contemporânea desencadeia intervenções inadequadas do homem na natureza e se constitui numa ameaça real para o equilíbrio ecológico e até mesmo para o futuro da vida na terra. Em contraste com tais constatações, nas mesmas movimentadas Conferências sobre o clima, as principais autoridades políticas e econômicas do Planeta não conseguem chegar a um acordo sobre as medidas a serem adotadas para sanar o problema e prevenir os riscos. È difícil redimensionar o desenvolvimento econômico, quando a receita é renunciar a certo padrão de consumo dos recursos naturais, que equivale à depredação e depauperamento da natureza. Exigimos da natureza mais do que ela pode oferecer, sem comprometer a sua sustentabilidade.

A CF-2011 convida a encarar seriamente a responsabilidade humana em relação ao futuro da vida no planeta Terra, o “ninho da vida” no universo, a casa comum da grande e diversificada família humana. O Texto Base, que apresenta a proposta da CF, traz argumentos e reflexões sobre o fenômeno do aquecimento global e os motivos que deveriam levar todos a pensar sobre o que é possível fazer e o que não se deveria fazer, para evitar a deterioração do ambiente da vida na terra. Argumentos bíblicos e teológicos deveriam motivar os cristãos e todos os crentes em Deus a uma verdadeira conversão nos modos de viver e de se relacionar com a natureza, quando ficam comprometidas a qualidade da vida e a fraternidade na família humana. Todos são convidados a se envolverem na CF-2011.

Destaco dois motivos de fundo religioso, que deveriam ser levados em conta por todas as pessoas de fé no tocante à questão ecológica. Primeiramente, tratar bem a natureza e cuidar do pedaço do Planeta que ocupamos está implicado na nossa fé no Deus Criador. Professamos a fé no Deus, Criador do céu e da terra, não importa como, ou quando isso aconteceu. A ciência pode continuar a pesquisar sobre a origem do universo e da vida na terra e isso não contradiz a nossa fé no Deus Criador. O certo é que não fomos nós que demos origem a toda essa beleza e grandiosidade. Dizer que tudo isso surgiu por si mesmo é um grande absurdo.

Mas também aprendemos da nossa fé que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, confiando-lhe o cuidado do “jardim da vida”. Embora pequeninos entre as criaturas do grande universo, somos importantes e Deus nos trata com predileção especial. O poeta do Salmo tem consciência disso, quando exclama, admirando o céu numa noite estrelada: “Que é o homem, Senhor, para que dele te ocupes?! No entanto, Tu o fizeste pouco menor que um deus… Tu o colocaste à frente da obra de tuas mãos!” (cf Salmo8). Sim, Deus colocou o mundo à disposição do homem; não para que acabe com ele, e sim, para que dele viva e usufrua, mas também para que zele por ele, qual bom administrador. Cuidar bem da natureza é sinal de fé e de gratidão para com o Deus Criador. Avançar sobre a natureza com a vontade de possuir e dominar, é cair novamente na tentação de “ser deuses”, como Adão e Eva no paraíso (cf Gn 3). Quando o homem resolve assumir o lugar de Deus, desprezando seu desígnio, a desordem e o caos entram no mundo, com seus frutos de injustiça, violência e morte.

O outro motivo, relacionado com o primeiro, é de fundo ético e moral: Cuidar bem da Terra, nossa casa comum, é questão de responsabilidade e solidariedade. Os bens da criação foram colocados por Deus à disposição de todas as suas criaturas; descuidar da natureza, ou estragá-la, é falta de respeito e de justiça para com o próximo e para com as futuras gerações. Não somos os únicos a ocupar esta casa, nem seremos os últimos; e é moralmente correto pensar nos outros, quando nos relacionamos com a natureza. Não ficará bem deixar atrás de nós um paraíso depredado, o mundo cheio de lixo, as terras desertificadas, as águas contaminadas, o ar irrespirável, o equilíbrio ecológico comprometido… A CF-2011 é um convite a refletir, para formar uma consciência comum sobre nossa responsabilidade e para tomar decisões eficazes sobre os cuidados que a Terra merece. É nossa casa comum. E ainda será a casa dos que viverão depois de nós.

(fonte: http://www.cnbb.org.br  –  autor: Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo)

Publicado em Canto da Paz.

Na audiência geral Bento XVI aponta exemplo de oração e serviço à paz de São Lourenço de Brindes, salientando que o mundo precisa de homens e mulheres pacíficos e pacificadores (Rádio Vaticano)

Fonte/imagem: Pope Benedict XVI Blog

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Fonte: Rádio Vaticano

Na audiência geral Bento XVI aponta exemplo de oração e serviço à paz de São Lourenço de Brindes, salientando que o mundo precisa de homens e mulheres pacíficos e pacificadores

(23/3/2011) Depois da fase invernal o encontro semanal do Papa com os fiéis e peregrinos que se deslocam a Roma voltou nesta quarta feira a efectuar-se na Praça de S. Pedro, onde segundo a prefeitura da Casa pontifícia se encontravam cerca de 10 mil pessoas
Bento XVI dedicou a audiência geral desta quarta feira à figura do santo italiano Lourenço de Brindes, que morreu em Lisboa no ano de 1619, tendo sublinhado que a oração é o primeiro serviço que os padres devem oferecer à comunidade que servem.
“Os momentos de oração devem ter na nossa vida uma verdadeira prioridade”, afirmou o Papa, acrescentando que cada presbítero só “pode evitar o perigo do activismo” e do esquecimento das “motivações profundas” da sua identidade se cuidar da sua “vida interior”.
Depois de lembrar “o acolhimento festivo” que teve na cidade italiana de Brindes, em 2008, Bento XVI lembrou o papel desempenhado pelo frade da congregação dos Franciscanos Capuchinhos na oposição às ideias veiculadas pelas correntes teológicas protestantes.
“Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja [sacerdotes que viveram até ao século VIII], era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero”, recordou.
A actividade de Lourenço, nascido no ano de 1559, permite compreender que o “confronto” com a Bíblia, lida na Tradição da Igreja, constitui um elemento irrenunciável e de importância fundamental” para o diálogo ecuménico e para a união a Deus, apontou o Papa.
“São Lourenço de Brindes ensina-nos a amar a Sagrada Escritura, a crescer na familiaridade com ela, a cultivar diariamente a relação de amizade com o Senhor na oração, porque toda a nossa acção, toda a nossa actividade tem n’ Ele o seu início e cumprimento”, afirmou.
O Papa evocou igualmente o conhecimento que o religioso adquiriu de línguas antigas como o hebraico, grego, siríaco e latim e destacou as suas qualidades oratórias: “Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada”.
A fluência em francês, italiano e alemão permitiu-lhe transmitir a mensagem cristã a “diversas categorias de pessoas” e contribuiu para promover a “paz e reconciliação entre as nações e povos da Europa”, testemunho que constitui “um excelente exemplo” para a actualidade, “tão cheia de violência, relativismo ético e indiferença religiosa”.
Hoje o mundo precisa muito de paz, precisa de homens e de mulheres pacíficos e pacificadores; afirmou Bento XVI salientando que todos aqueles que acreditam em Deus devem ser sempre fonte e agentes de paz.
Foi ao serviço da paz que o religioso morreu em Lisboa, então sob domínio castelhano, onde se tinha deslocado para interceder junto do rei Filipe III (Filipe II de Portugal) pelos súbditos napolitanos, oprimidos pelas autoridades locais.
“A nova evangelização precisa de apóstolos bem preparados, zelosos e corajosos como São Lourenço”, frisou Bento XVI, lembrando que o santo recebeu em 1959 o título de ‘Doutor Apostólico’.
Referindo-se à Quaresma, o Papa realçou que este tempo de preparação para a Páscoa iniciado a 9 de Março apela à “luta contra o egoísmo”, assim como “à mortificação e penitência”.
Estas as palavras de Bento XVI falando em português

Queridos irmãos e irmãs,
São Lourenço de Brindes, padre capuchinho, nascido em 1559, era dotado de eminentes qualidades intelectuais e grande facilidade de aprender línguas, o que havia de lhe permitir desenvolver um fecundo apostolado com várias categorias de pessoas. Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero. Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada. Outro elemento característico do nosso santo foi a sua acção em prol da paz, tendo sido encarregado de importantes missões diplomáticas, para dirimir controvérsias e favorecer a concórdia entre as nações. Mas, acima de tudo, era um homem de oração, bem ciente de que esta é o primeiro serviço que o sacerdote deve oferecer à Comunidade. Autor de numerosas obras, evidenciou, nos seus escritos, a acção do Espírito Santo na existência do fiel. O Papa Beato João XXIII deu-lhe o título de «Doutor Apostólico».
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Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos saúdo e dou as boas-vindas a esta Audiência! São Lourenço de Brindes nos ensina como a familiaridade com a Bíblia e a oração são essenciais para que todas as nossas acções tenham o seu início e cumprimento em Deus. Possa este ser o fundamento do vosso testemunho cristão no mundo de hoje. Que Deus vos abençoe!

Publicado em Rádio Vaticano.

O Papa no Angelus: “que um horizonte de paz e de concórdia surja rapidamente na Líbia em toda a região do norte africano” (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

21.03.2011

VATICANO – O Papa no Angelus: “que um horizonte de paz e de concórdia surja rapidamente na Líbia em toda a região do norte africano”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – O Santo Padre Bento XVI, depois da oração do Angelus, domingo, 20 de março, lançou um apelo para que sejam garantidas a incolumidade e a segurança dos cidadãos líbios e o acesso às ajudas humanitárias. “Nos últimos dias, as preocupantes notícias que chegaram da Líbia suscitaram viva trepidação e temores em mim – disse o Pontífice. Já havia rezado particularmente ao Senhor durante a semana dos Exercícios Espirituais. Agora, acompanho os últimos eventos com grande apreensão, rezo por aqueles que estão envolvidos na dramática situação daquele país e dirijo um apelo às pessoas que têm responsabilidades políticas e militares para que tenham em seus corações antes de tudo a incolumidade e a segurança dos cidadãos e garantam o acesso aos socorros humanitários. À população, desejo assegurar a minha comovida solidariedade, enquanto peço a Deus que um horizonte de paz e de concórdia surja rapidamente na Líbia e em toda a região do norte africano”. “No discurso proferido antes do Angelus, o Santo Padre se centrou no Evangelho do segundo domingo da Quaresma, dedicado ao mistério da Transfiguração de Cristo: “Segundo os sentidos, a luz do sol é a mais intensa conhecida na natureza, mas segundo o espírito, os discípulos viram, por um breve tempo, um esplendor ainda maior, a glória divina da salvação”. A Transfiguração não é uma mudança de Jesus, que ilumina toda a história da salvação, mas é a revelação de sua divindade” – explicou ainda o Pontífice, destacando que “Pedro, Tiago e João, contemplando a divindade do Senhor, foram preparados para enfrentar o escândalo da cruz”. Enfim, o Papa convidou a dar espaço à oração, à escuta da Palavra de Deus, e especialmente neste tempo de Quaresma, à penitência”. (SL) (Agência Fides 21/03/2011)

“Quaresma…Pensando em vida. Algumas considerações…” – Frei Pierino Orlandini (OCDS – Província São José)

Fonte: OCDS -Província São José

Quaresma…Pensando em vida. Algumas considerações…

“Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar”.

“Tu amas, Senhor, todas as coisas que existem e nada desprezas do que criaste; se odiasses alguma coisa, não a terias criado… Tu conservas todas as coisas, porque todas são tuas, Senhor, amante da vida” (Sab 11,24-26).

“Ó morte, onde está a tua vitória?”.

Em tempo de quaresma, que começa com o sugestivo (para alguns) e mágico (para outros) rito das cinzas, pensemos na vida, pois o fim do caminho da quaresma (símbolo da caminhada de nossa vida humana) é a celebração da vitória da Vida sobre a morte em Cristo Jesus.

“Tu és pó!”. O homem, então, é pó? Que tipo de homem seria esse?

Com certeza, é o homem que se afastou de Deus, rejeitou o diálogo, foi expulso de sua casa, repeliu o dinamismo do amor, para enveredar numa trajetória de dissolução e de morte. Ou o homem que se opõe a Deus, vira as costas ao seu próprio ser, rejeita sua identidade de filho e condena a si mesmo ao nada. É o homem que se afasta da vontade do Criador.

Felizmente, nesse itinerário de afastamento, existe a possibilidade de uma volta. É possível mudar de direção e voltar à origem. É possível não caminhar para a morte, mas voltar à Fonte. E a FONTE, “ que mana e corre, mesmo de noite”, é Deus, AMANTE DA VIDA.

Eis a conversão! “Lembra-te que és pó, e como pó voltarás….a Deus”. Basta querer. Desde já. É preciso somente tornar-se terra e entregar-se novamente ao Construtor, ao Criador. E aceitar que Ele nos faça de novo. O Artista Divino é capaz de refazer-nos conforme seu projeto original e quer que sejamos sua obra-prima.

Se por acaso erramos, perdemos o caminho da vida ou o sentido do Reino e envolvemos outros em nossa culpa, aceitando nossa realidade, isto é, que somos pó, Ele inclinar-se-á sobre nós para soprar seu sopro de vida.

Assim nosso “nada” será transformado no “tudo” pela plenitude divina. E se ainda nos rebelamos, não aceitando seu projeto e quebrando nossa identidade divina, mesmo em pedaços, gritando de dor e com saudade da casa paterna, Ele saberá reconhecer-nos e, com mão delicada, recolherá os pedaços e nos recriará. Pois, nenhum artista – tanto menos o Artista Divino – dá por perdida qualquer uma de suas obras.

Todo ser humano é fruto do amor transbordante de Deus. Se prestarmos atenção, este amor de Deus se manifesta em tudo. Uma menina que procurava ansiosamente por Deus, depois de fazer a descoberta de sua presença na vida, em qualquer tipo de vida, escreveu atrás de uma fotografia de um prado florido: “Esta é uma fotografia tirada antes de descobrir que Deus nos sorri, nos ama e fala do seu amor  nas flores, nas árvores, nas estrelas, em cada gota de vida”.Nunca poderemos entender verdadeiramente quanto Deus seja Deus-para-nós.

O segredo da felicidade é uma vida com Deus. Longe Dele, ser feliz é praticamente inconcebível. “Nossa vida nasce, vive, amadurece e chega ao fim em relação existencial e moral com Deus. Aqui está toda a esperança da vida, aqui a filosofia da verdade, aqui a teologia do nosso destino… O homem não pode ser entendido sem esta referência essencial com Deus, que incumbe sobre nós, que nos conhece, observa-nos, penetra-nos, conserva-nos continuamente. Ele é o Pai de nossa vida”(Paulo VI).

Deus Pai nos ama, sustenta-nos, acaricia-nos, torna-nos felizes, seja que estejamos num leito de dor, seja que estejamos num prado de flores.

Pensando em cinzas, em quaresma, é bom pensar na vida: a vida que surge e ressurge do pó, das cinzas, da conversão, do sopro do Espírito. E nada: nem cinzas, nem lama, nem poeira, nem pecado algum será empecilho para reconhecermos em nós e nos outros o resplendor do rosto de um filho de Deus.

Pensemos não nas cinzas do túmulo, da morte, mas num punhado de terra na mão do Artífice Divino, no momento solene da Criação; um punhado de terra pronto a receber o “sopro” e tornar-se, assim, “vivente”.

Pensemos no Senhor que “trata com indulgência todas as coisas, porque todas são suas, do Senhor, amante da vida” (Sab 11, 26). Conversão, afinal, é abraçar a vida!

Frei Pierino Orlandini

Postado por Rose.

Publicado em OCDS Província São José.

A Caritas do Japão, com o apoio da rede da Caritas Internacional, está pronta para trabalhar junto com o Governo japonês em favor da emergência e a reabilitação das populações atingidas pelo terremoto e pelo tsunami (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

17.03.2011

ÁSIA/JAPÃO – A Caritas: “Pronta para trabalhar junto com o Governo em favor da emergência e da reconstrução”

Roma (Agência Fides ) – A Caritas do Japão, com o apoio da rede da Caritas Internacional, está pronta para trabalhar junto com o Governo japonês em favor da emergência e a reabilitação das populações atingidas pelo terremoto e pelo tsunami: foi o que disse à Agência Fides Pe. Bonnie Mendes, Diretor do Departamento Ásia da Caritas Internacional, que em Bangcoc está desempenhando uma função de coordenação entre o Governo, a rede internacional e os escritórios centrais. “A obra da Caritas no Japão – explica à Fides – agora é a de se preparar para responder às necessidades que o Governo irá solicitar no campo das ajudas humanitárias. Por isto, instituímos um Centro de Emergência em Sendai. As operações de resgate são realizadas por pessoas da proteção civil nipônica, altamente qualificadas, no campo dos recursos e de tecnologias. Neste caso, onde o desastre atingiu uma sociedade muito bem organizada, não é necessária a presença de voluntários armados somente de boa vontade, mas servem ajudas miradas. A Caritas é uma das organizações que, se chamada para ajudar, estará pronta para entrar em campo para ajudar nas emergências”. Pe. Mendes ressalta ambém que “o problema da possibilidade de contaminação nuclear, impõe máxima prudência e pessoas especializadas também na equipe de resgate”. “O nosso trabalho – ressalta o Diretor da Caritas Ásia – será mais útil, amplo e intenso na segunda fase, relativa à reabilitação pós-emergência. Então teremos que fazer o máximo esforço”. Pe. Mendes disse que “está muito contente com as respostas que chegam dos países asiáticos: as Caritas de Cingapura, Macau, Taiwan, Mianmar e Vietnã, país muito pobre e com dificuldade internas, arrecadaram fundos. Muito ativa está sendo também a Caritas Coreia que, com outros grupos cristãos, está se ativando para ajudar com recursos humanos e tecnológicos a Caritas no Japão. Também na Índia e no Paquistão as comunidades católicas iniciaram coletas e estão acompanhando o povo japonês com a oração. É uma grande manifestação de solidariedade que nos conforta muito”. Sobre o comportamento que hoje vivem os católicos e todo o povo japonês, Pe. Mendes cita as palavras do Salmo 50: “Um coração contrito e humilde tu não o despreza”. “Estou certo de que Deus ouvirá o grito e as orações deste povo que sofre neste momento”. (PA) (Agência Fides 17/3/2011)

Bento XVI deseja uma Quaresma marcada pela atenção aos pobres (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

11/03/2011

Bento XVI deseja uma Quaresma marcada pela atenção aos pobres

(11/3/2011) Bento XVI recebeu em audiência nesta sexta feira 45 membros da associação caritativa Pro Petri Sede.
Temos uma responsabilidade em relação aos pobres do nosso tempo disse o Papa ,dirigindo-se aos membros desta associação agradecendo-lhes pela sua ajuda ás populações tão duramente provadas nos últimos tempos e em particular as populações de Haiti, atingidas pelo terramoto nos meses passados.
Bento XVI recordou que a esmola é um dos empenhos centrais da Quaresma e sublinhou como, contribuindo a lutar contra a pobreza, esmola e partilha aproximam-nos dos outros.
“ Verdadeiramente nós precisamos de nos deixar iluminar pela luz de Cristo, para que, do nosso lado, sentindo a urgência da nossa responsabilidade em relação aos pobres do nosso tempo, possamos dirigir sobre eles o nosso olhar que restitui confiança.
Bento XVI afirmou que o “serviço da caridade” pertence à “própria natureza da Igreja” e que esta deve oferecer tanto a “indispensável assistência material” como a “atenção do coração e do amor de que as pessoas em dificuldade tanto precisam”.

Publicado em Rádio do Vaticano.