“Foi um momento em que minha incredulidade abalou-se. O judaísmo obscureceu-se e Cristo levantou-se luminoso diante de meus olhos: Cristo no mistério da Cruz” – Edith Stein – Revista Mundo e Missão

Fonte: http://www.pimenet.org.br/mundoemissao/espiritmissaoedith.htm

Revista ” Mundo e Missão”
Espiritualidade e Missão

Edith Stein 

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

TRAJETÓRIA

Edith Stein, de família judia, nasce em 1891, em Breslau (Alemanha), hoje Wroclau (Polônia). Órfã de pai aos dois anos, Edith herda da mãe a austera formação judaica e a paixão pelos estudos. Cursa filosofia em Breslau e em Gottinga na Alemanha. Em 1915, integra a Cruz Vermelha para tratar de feridos da Primeira Guerra Mundial. Os campos de guerra da Moravia lançam-lhe a semente da cruz.

Ela escreverá: “Foi um momento em que minha incredulidade abalou-se. O judaísmo obscureceu-se e Cristo levantou-se luminoso diante de meus olhos: Cristo no mistério da Cruz”. No ano seguinte, passa a ser assistente de Edmund Husserl, cujo pensamento fenomenológico a influencia profundamente. Em 1921, a leitura da Autobiografia de Teresa D’Ávila é a água que lhe faz germinar na alma a semente cristã, semeada em Moravia. É batizada no início do ano seguinte, rompendo com a família, que passou a considerá-la infiel a seus irmãos perseguidos.

Para ela, porém, a perseguição aos judeus era a perseguição à humanidade de Jesus. Imitando-o, ela via a possibilidade de vencer o mal pelo bem. Tal vitória não seria a fuga do sofrimento, mas – aceitando-o na força da cruz – a solidariedade com os que sofrem. Leciona filosofia em Speyer e em Münster até 1933, quando Hitler proíbe os judeus de lecionar. No mesmo ano, ingressa no Carmelo, em Colônia. Em 1938, faz os votos perpétuos e transfere-se para Echt, na Holanda. Os alemães ocupam a Holanda em 1940 e, no dia 2 de agosto de 1942, os judeus católicos são de lá deportados.

Com eles, seguem Edith e sua irmã Rosa, da ordem terceira do Carmelo. Na rápida passagem pelo campo de concentração de Westerbork (norte da Holanda), Edith escreve à priora: “Estou feliz por tudo. Só podemos adquirir a ciência da cruz, experimentando a cruz até o fim… repito no meu coração: ave, ó cruz, única esperança”. De lá, as irmãs são levadas, em 7 de agosto, para Auschwitz, na Polônia. Dois ou três dias depois, morrem na câmara de gás, com outros prisioneiros, cujos corpos são cremados.

A CIÊNCIA DA CRUZ

Sempre mergulhada nos livros, Edith descobre, no Carmelo, que “não é a atividade humana que pode nos salvar, mas só a paixão de Cristo. Participar da paixão do Senhor: eis o desejo”. E escreve: “O caminho da fé nos dá mais que o caminho do pensamento filosófico: nos dá Deus, tão próximo como uma pessoa que nos ama e se compadece de nós, e nos dá esta segurança que não é própria de nenhum outro conhecimento natural. Porém, o caminho da fé é obscuro”.

Seu caminho espiritual é a mística de Teresa D’Ávila e João da Cruz, o pai espiritual das Carmelitas Descalças. Não à toa, ela recebe, no Carmelo de Colônia, o nome de Teresa Benedita da Cruz. E lá surge, entre outros escritos, o seu testamento espiritual: A Ciência da Cruz – Um estudo sobre São João da Cruz, no qual explora a essência da pessoa humana: o eu, a liberdade e a pessoa, de um lado; o espírito, a fé e a contemplação, do outro.

Valem para ela as palavras com que descreve seu guia espiritual: “para aquele místico… a alma está unida a Cristo, e viverá a vida de Cristo, ao conseguir entregar-se completamente a ele, seguindo-lhe inteiramente o caminho da cruz” (A Ciência da Cruz). “Também nós, somente com santa reverência poderemos nos aproximar dos segredos divinos que se passam no íntimo da alma recolhida. Uma vez levantado o véu, não é permitido continuar em silêncio; eis diante de nós… a união beatificante da alma que terminou a via crucis”. Os últimos capítulos do livro não são escritos; são vividos no calvário de Auschwitz.

Frei Romeu Leuven, OCD, é sucinto: “Sua obra, centro de sua vida e lugar de união mística, radica em Deus o princípio e a finalidade da vida de todas as pessoas”. Edith Stein é canonizada em 10 de outubro de 1998, pelo papa João Paulo II, no Vaticano.

Publicado em “Revista Mundo e Missão“.

“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas” – Papa Bento XVI em Audiência Geral (Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano

16/02/2011

São João da Cruz – tema da audiência geral desta quarta-feira

(16/2/2011) Bento XVI apelou hoje à “purificação” da humanidade, afirmando que a santidade não é “privilégio” de poucas pessoas.
Na audiência publica semanal, realizada na manhã desta quarta feira o Papa apresentou uma reflexão sobre São João da Cruz, espanhol nascido em 1542 e falecido em 1591, religioso carmelita que é visto como uma das referências da história da espiritualidade da Igreja Católica
O Papa destacou o facto deste santo ser “um dos mais importantes poetas líricos espanhóis” e disse que as suas obras propõem “um caminho de purificação da alma pela acção misteriosa do Espírito Santo até à união do amor com Deus”.
“São João da Cruz, cantor do Amor divino, exorta-nos a empreender resolutamente o caminho de purificação do nosso coração e da nossa vida, para reencontrar a luz de Cristo para além das nossas obscuridades humanas”, prosseguiu.
Para Bento XVI, “a santidade não é um privilégio de alguns, é a vocação a que cada cristão é chamado”.
Escutemos Bento XVI falando em português:
“Queridos irmãos e irmãs,
Há duas semanas apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus; hoje gostaria de falar de São João da Cruz, reformador junto com ela da Ordem Carmelita. Nasceu em uma família pobre, tendo ficado órfão de pai ainda jovem. Devido às suas qualidades humanas e resultados no estudo, foi admitido no Colégio dos Jesuítas em Medina do Campo. Terminada a sua formação, decidiu fazer-se Carmelita. Após ter sido ordenado sacerdote, conheceu Santa Teresa, a qual lhe expôs o plano reformador para a sua ordem religiosa, que daria origem aos Carmelitas Descalços. Contudo, a sua adesão à reforma, devido a injustiças e incompreensões, causou-lhe muito sofrimento. Por fim, depois de fazer parte do governo geral da família teresiana, morreu em 1591 [mil quinhentos e noventa e um], dizendo aos seus confrades que recitavam o Ofício Matutino: “Hoje vou cantar o Ofício no céu”. Suas principais obras, nas quais apresenta a sua profunda doutrina mística, são: Subida ao Monte Carmelo; Noite Escura; Cântico Espiritual e Chama viva de Amor.

Amados peregrinos de língua portuguesa: a todos saúdo cordialmente e recordo, com São João da Cruz, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação a qual todo cristão é chamado. Por isso, exorto-vos a entrardes de modo sempre mais decidido no caminho de purificação do coração e da vida, para irdes ao encontro de Cristo. Somente nele jaz a verdadeira felicidade. Ide em paz!”
Após a catequese, Bento XVI saudou as Missionárias da Caridade, congregação religiosa fundada pela “inesquecível” Madre Teresa de Calcutá, agradecendo-lhes pelo seu “alegre testemunho cristão”.
Presentes na grande aula das audiências do Vaticano, com capacidade para mais de seis mil pessoas, estavam também os coordenadores regionais do chamado «Apostolado do Mar», a quem o Papa encorajou a “encontrar respostas pastorais adequadas aos problemas dos marítimos e das suas famílias”.
Ainda nas saudações em italiano, Bento XVI dirigiu-se aos representantes de uma instituição bancária, pedindo “um compromisso cada vez maior ao serviço das verdadeiras necessidades sociais”.

Publicado em Rádio Vaticano.

“Teresa de Jesus… Como poder chamar-te ‘Madre’?” – Irmã Maria Elizabeth da Trindade, OCD (Testemunho – OCDS – Província São José – Sudeste)

Fonte: Ordem dos Camelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José

TESTEMUNHO

domingo, 13 de fevereiro de 2011

TERESA DE JESUS…COMO PODER CHAMAR-TE “MADRE”?

Irmã Maria Elizabeth da Trindade, ocd – Carmelo São José, Passos, Brasil

Quando entrei para o Carmelo, há cerca de 30 anos atrás, me admirei com que carinho as Irmãs chamavam Santa Teresa de “nossa Santa Madre”. Contudo os meses foram passando e eu não conseguia me sentir “sua filha”, pois além de não a conhecer, achava seus livros muito difíceis de serem entendidos, confusos com tantas digressões e me causavam medo suas graças místicas. Interessava-me grandemente por Santa Teresinha e Santo Padre João da Cruz e neles encontrava meu deleite e o alimento necessário para minha caminhada como formanda. Os primeiros anos foram de luta para tentar entender e amar a Santa Madre.

Um dia, em plena novena em preparação à sua solenidade, pedi-lhe a graça de a conhecer e amar. Fui atendida com tanta eficácia que fiquei impressionada. Naqueles dias nos chegou um dos primeiros números da Revista “Teresa de Jesus”, vinda diretamente da Espanha, e nela me deparei com o comentário ao Caminho de Perfeição, feito pelo Padre Tomaz Alvarez. Comecei a ler e a acompanhar em cada número da Revista esta seção. Imediatamente se me abriu o horizonte de compreensão da vida e doutrina da Santa Madre. Comecei a compreendê-la e a me identificar com ela de tal forma que já não queria ler outros livros. Quando chegava a Revista Teresa de Jesus eu a devorava, assim como os bons livros – quase todos em espanhol – que tínhamos na nossa biblioteca. Foi uma paixão que mudou minha vida.

Santa Madre passou a ser para mim uma verdadeira “mãe e mestra”. Suas lutas, seu dinamismo, sua força, sua coragem e todo o seu jeito de ser me encantaram e me marcaram. Ela tornou-se para mim um referencial de conduta no caminho, uma amiga com quem eu posso contar e que vai soprando aos meus ouvidos as respostas que procuro em minha vida e missão. Contudo, o que mais me faz próxima desta “tão boa Mãe” é a contemplação de sua oração. Vê-la tão absorta em Deus e tão apaixonada pela Igreja me faz sentir que estou no caminho certo e aumenta em mim o desejo de trilhar por estas sendas de amor e de serviço. Sua fé no impossível que se faz possível, seu próprio esquecimento para haurir forças no interior e realizar a vontade de Deus, sua alegria e bom humor, enfim sua vida vibrante ultrapassou os séculos e se tornou paradigma para todas as mulheres de todos os tempos, especialmente para suas filhas.

Penso que nestes tempos de relativismo, quando tantos contra-valores insistem em penetrar na vida de nossos mosteiros, a Santa Madre Teresa tem seu lugar privilegiado e insubstituível em nossas vidas. Sem seu testemunho e sua presença entre nós será muito difícil descobrirmos caminhos para vencer os obstáculos e sermos fiéis.

Que a Santa Madre nos alcance de Deus esta determinação e dinamismo, esta profundidade e fé, mas sobretudo, este abrasado amor que nos faz caminhar! Amém!

Publicado em OCDS – Província São José.

Papa pede para incrementar “as vocações sacerdotais e religiosas, especialmente as missionárias” e a garantir “uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo” (Agência Fides)

Fonte/imagem: paroquiadamatriz.org

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Fonte: Agência Fides

12.02.2011

VATICANO – Vocações: o Papa pede para incrementar “as vocações sacerdotais e religiosas, especialmente as missionárias” e a garantir “uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Faço um apelo especial a vós, queridos Irmãos no Episcopado. Para dar continuidade e difundir a sua missão de salvação em Cristo é importante “incrementar como é possível as vocações sacerdotais e religiosas, e de modo particular as missionárias’ (Decreto Christus Dominus, 15)”: foi o convite que o Papa Bento XVI fez aos bispos do mundo em sua mensagem para o XLVIII Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será comemorado em 15 de maio de 2011, IV Domingo de Páscoa, sobre o tema: “Propor as vocações na Igreja local”. O Papa continua sua exortação: “Gostaria também de lembrar, amados Irmãos no Episcopado, a solicitude da Igreja universal em favor da distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo. “A sua disponibilidade para com as dioceses com a escassez de vocações, torna-se uma bênção de Deus para as suas comunidades e sendo para os fiéis o testemunho de um serviço sacerdotal que se abre generosamente às necessidades de toda a Igreja”. Em sua mensagem o Santo Padre recorda a “instituição, setenta anos atrás, da Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais, seguido pelo nascimento de obras similares em muitas dioceses no mundo, e sublinha que “as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada são principalmente fruto de um contato constante com o Deus vivo e de uma insistente oração que se eleva ao “Dono da messe” tanto nas comunidades paroquiais, tanto nas famílias cristãs, quanto nos cenáculos vocacionais”. Depois de citar as passagens do Evangelho, onde o Senhor nos chama para seguir Jesus, Bento XVI disse que “ainda hoje, é difícil a sequela de Cristo”, mas “o Senhor não deixa de chamar em todas as estações da vida, a compartilhar sua missão e a servir a Igreja no ministério ordenado e na vida consagrada”. Em seguida, afirma: “É importante incentivar e apoiar aqueles que mostram sinais claros do chamado ao sacerdócio e à consagração religiosa, para que sintam o calor de toda a comunidade para dizer seu “sim” a Deus e à Igreja. Ilustrando o tema do próximo dia de oração – “Propor as vocações na Igreja local” – Papa Bento XVI disse que “significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente da sequela de Cristo, que, enquanto rico de sentido, é capaz de mudar toda a sua vida”. (SL) (Agência Fides 12/02/2011)

* O texto integral da mensagem do Santo Padre, em várias línguas

Publicado em Agência Fides.

“Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila” – Catequese do Papa Bento XVI para a audiência geral (Flos Carmeli)

Fonte: Flos Carmeli

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Catequese do Santo Padre Bento XVI – Tema : Santa Teresa de Jesus

Perfeição Cristã segundo Santa Teresa de Ávila

Queridos irmãos e irmãs:

Ao longo das catequeses que eu quis dedicar aos Padres da Igreja e a grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade Média, pude falar sobre alguns santos e santas que foram proclamados Doutores da Igreja por sua eminente doutrina. Hoje, eu gostaria de começar com uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja.

E iniciamos com uma santa que representa um dos cumes da espiritualidade cristã de todos os tempos: Santa Teresa de Jesus. Ela nasceu em Ávila, Espanha, em 1515, com o nome de Teresa de Ahumada. Em sua autobiografia, ela menciona alguns detalhes da sua infância: o nascimento “de pais virtuosos e tementes a Deus”, em uma grande família, com nove irmãos e três irmãs. Ainda jovem, com pelo menos 9 anos, leu a vida dos mártires, que inspiram nela o desejo de martírio, tanto que chegou a improvisar uma breve fuga de casa para morrer como mártir e ir para o céu (cf. Vida 1, 4): “Eu quero ver Deus”, disse a pequena aos seus pais.

Alguns anos mais tarde, Teresa falou de suas leituras da infância e afirmou ter descoberto a verdade, que se resume em dois princípios fundamentais: por um lado, que “tudo o que pertence a este mundo passa”; por outro, que só Deus é para “sempre, sempre, sempre”, tema que recupera em seu famoso poema: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem a Deus, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Ficando órfã aos 12 anos, pediu à Virgem Santíssima que fosse sua mãe (cf. Vida 1,7).

Se, na adolescência, a leitura de livros profanos a levou às distrações da vida mundana, a experiência como aluna das freiras agostinianas de Santa Maria das Graças, de Ávila, e a leitura de livros espirituais, em sua maioria clássicos da espiritualidade franciscana, ensinaram-lhe o recolhimento e a oração. Aos 20 anos de idade, entrou para o convento carmelita da Encarnação, sempre em Ávila.

Três anos depois, ela ficou gravemente doente, tanto que permaneceu por quatro dias em coma, aparentemente morta (cf. Vida 5, 9). Também na luta contra suas próprias doenças, a santa vê o combate contra as fraquezas e resistências ao chamado de Deus. Escreve: “Eu desejava viver porque compreendia bem que não estava vivendo, mas estava lutando com uma sombra de morte, e não tinha ninguém para me dar vida, e nem eu poderia tomá-la, e Aquele que podia dá-la a mim, estava certo em não me socorrer, dado que tantas vezes me voltei contra Ele, e eu o havia abandonado” (Vida 8, 2). Em 1543, ela perdeu a proximidade da sua família: o pai morre e todos os seus irmãos, um após o outro, migram para a América. Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa chega o topo de sua luta contra suas próprias fraquezas. A descoberta fortuita de “um Cristo muito ferido” marcou profundamente a sua vida (cf. Vida 9).

A santa, que naquele momento sente profunda consonância com o Santo Agostinho das “Confissões”, descreve assim a jornada decisiva da sua experiência mística: “Aconteceu que…de repente, experimentei um sentimento da presença de Deus, que não havia como duvidar de que estivesse dentro de mim ou de que eu estivesse toda absorvida n’Ele” (Vida 10, 1). Paralelamente ao amadurecimento da sua própria interioridade, a santa começa a desenvolver, de forma concreta, o ideal de reforma da Ordem Carmelita: em 1562, funda, em Ávila, com o apoio do bispo da cidade, Dom Álvaro de Mendoza, o primeiro Carmelo reformado, e logo depois recebe também a aprovação do superior geral da Ordem, Giovanni Battista Rossi. Nos anos seguintes, continuou a fundação de novos Carmelos, um total de dezessete. Foi fundamental seu encontro com São João da Cruz, com quem, em 1568, constituiu, em Duruelo, perto de Ávila, o primeiro convento das Carmelitas Descalças. Em 1580, recebe de Roma a ereção a Província Autônoma para seus Carmelos reformados, ponto de partida da Ordem Religiosa dos Carmelitas Descalços. Teresa termina sua vida terrena justamente enquanto está se ocupando com a fundação.

Em 1582, de fato, tendo criado o Carmelo de Burgos e enquanto fazia a viagem de volta a Ávila, ela morreu, na noite de 15 de outubro, em Alba de Tormes, repetindo humildemente duas frases: “No final, morro como filha da Igreja” e “Chegou a hora, Esposo meu, de nos encontrarmos”. Uma existência consumada dentro da Espanha, mas empenhada por toda a Igreja. Beatificada pelo Papa Paulo V, em 1614, e canonizada por Gregório XV, em 1622, foi proclamada “Doutora da Igreja” pelo Servo de Deus Paulo VI, em 1970. Teresa de Jesus não tinha formação acadêmica, mas sempre entesourou ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Como escritora, sempre se ateve ao que tinha experimentado pessoalmente ou visto na experiência de outros (cf. Prefácio do “Caminho de Perfeição”), ou seja, a partir da experiência. Teresa consegue tecer relações de amizade espiritual com muitos santos, especialmente com São João da Cruz. Ao mesmo tempo, é alimentada com a leitura dos Padres da Igreja, São Jerônimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho. Entre suas principais obras, deve ser lembrada, acima de tudo, sua autobiografia, intitulada “Livro da Vida”, que ela chama de “Livro das Misericórdias do Senhor”. Escrito no Carmelo de Ávila, em 1565, conta o percurso biográfico e espiritual, por escrito, como diz a própria Teresa, para submeter a sua alma ao discernimento do “Mestre dos espirituais”, São João de Ávila. O objetivo é manifestar a presença e a ação de um Deus misericordioso em sua vida: Para isso, a obra muitas vezes inclui o diálogo de oração com o Senhor.

É uma leitura fascinante, porque a santa não apenas narra, mas mostra reviver a profunda experiência do seu amor com Deus. Em 1566, Teresa escreveu o “Caminho da perfeição”, chamado por ela de “Admoestações e conselhos” que dava às suas religiosas. As destinatárias são as doze noviças do Carmelo de São José, em Ávila. Teresa lhes propõe um intenso programa de vida contemplativa ao serviço da Igreja, em cuja base estão as virtudes evangélicas e a oração. Entre os trechos mais importantes, destaca-se o comentário sobre o Pai Nosso, modelo de oração.

A obra mística mais famosa de Santa Teresa é o “Castelo Interior”, escrito em 1577, em plena maturidade. É uma releitura do seu próprio caminho de vida espiritual e, ao mesmo tempo, uma codificação do possível desenvolvimento da vida cristã rumo à sua plenitude, a santidade, sob a ação do Espírito Santo. Teresa refere-se à estrutura de um castelo com sete “moradas”, como imagens da interioridade do homem, introduzindo, ao mesmo tempo, o símbolo do bicho da seda que renasce em uma borboleta, para expressar a passagem do natural ao sobrenatural. A santa se inspira na Sagrada Escritura, especialmente no “Cântico dos Cânticos”, para o símbolo final dos “dois esposos”, que permite descrever, na sétima “morada”, o ápice da vida cristã em seus quatro aspectos: trinitário, cristológico, antropológico e eclesial. À sua atividade fundadora dos Carmelos reformados, Teresa dedica o “Livro das fundações”, escrito entre 1573 e 1582, no qual fala da vida do nascente grupo religioso. Como na autobiografia, a história é dedicada principalmente a evidenciar a ação de Deus na fundação dos novos mosteiros.

Não é fácil resumir em poucas palavras a profunda e complexa espiritualidade teresiana. Podemos citar alguns pontos-chave. Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virtudes evangélicas como base da vida cristã e humana: em particular, o desapego dos bens ou a pobreza evangélica (e isso diz respeito a todos nós); o amor de uns aos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade e o amor à verdade; a determinação como resultado da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer das virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modéstia, cortesia, alegria, cultura. Em segundo lugar, Santa Teresa propõe uma profunda sintonia com os grandes personagens bíblicos e a escuta viva da Palavra de Deus. Ela se sente em consonância sobretudo com a esposa do “Cântico dos Cânticos”, com o apóstolo Paulo, além de com o Cristo da Paixão e com Jesus Eucarístico.

A santa enfatiza, depois, quão essencial é a oração: rezar significa “tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Vida 8, 5). A ideia de Santa Teresa coincide com a definição que São Tomás Aquino dá da caridade teologal, como amicitia quaedam hominis ad Deum, uma espécie de amizade entre o homem e Deus, quem primeiro ofereceu sua amizade ao homem (Summa Theologiae II-ΙI, 23, 1). A iniciativa vem de Deus. A oração é vida e se desenvolve gradualmente, em sintonia com o crescimento da vida cristã: começa com a oração vocal, passa pela interiorização, através da meditação e do recolhimento, até chegar à união de amor com Cristo e com a Santíssima Trindade. Obviamente, este não é um desenvolvimento no qual subir degraus significa abandonar o tipo de oração anterior, mas um gradual aprofundamento da relação com Deus, que envolve toda a vida. Mais que uma pedagogia da oração, a de Teresa é uma verdadeira “mistagogia”: ela ensina o leitor de suas obras a rezar, rezando ela mesma com ele; frequentemente, de fato, interrompe o relato ou a exposição para fazer uma oração.

Outro tema caro à santa é a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por amor e por imitação. Daí a importância que ela atribui à meditação da Paixão e à Eucaristia, como presença de Cristo na Igreja, para a vida de cada crente e como coração da liturgia. Santa Teresa vive um amor incondicional à Igreja: ela manifesta um vivo sensus Ecclesiae frente a episódios de divisão e conflito na Igreja do seu tempo. Reforma a Ordem Carmelita com a intenção de servir e defender melhor a “Santa Igreja Católica Romana” e está disposta a dar sua vida por ela (cf. Vida 33, 5).

Um último aspecto fundamental da doutrina de Teresa que eu gostaria de sublinhar é a perfeição, como aspiração de toda vida cristã e sua meta final. A Santa tem uma ideia muito clara da “plenitude” de Cristo, revivida pelo cristão. No final do percurso do “Castelo Interior”, na última “morada”, Teresa descreve a plenitude, realizada na inabitação da Trindade, na união com Cristo mediante o mistério da sua humanidade.

Queridos irmãos e irmãs, Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos os tempos. Em nossa sociedade, muitas vezes desprovida de valores espirituais,

Santa Teresa nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença e da sua ação; ensina-nos a sentir realmente essa sede de Deus que existe em nosso coração, esse desejo de ver Deus, de buscá-lo, de ter uma conversa com Ele e de ser seus amigos. Esta é a amizade necessária para todos e que devemos buscar, dia após dia, novamente.

Que o exemplo desta santa, profundamente contemplativa e eficazmente laboriosa, também nos encoraje a dedicar a cada dia o tempo adequado à oração, a esta abertura a Deus, a este caminho de busca de Deus, para vê-lo, para encontrar a sua amizade e, por conseguinte, a vida verdadeira; porque muitos de nós deveríamos dizer: “Eu não vivo, não vivo realmente, porque não vivo a essência da minha vida”. Porque este tempo de oração não é um tempo perdido, é um tempo no qual se abre o caminho da vida; abre-se o caminho para aprender de Deus um amor ardente a Ele e à sua Igreja; e uma caridade concreta com nossos irmãos. Obrigado.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs,

Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação acadêmica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: “O livro da Vida”; “Caminho da perfeição”; “Castelo Interior” e “O Livro das Fundações”. Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada na inabitação da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade.

Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta audiência! Que o exemplo e a intercessão de Santa Teresa de Jesus vos ajudem a ser, através da oração e da caridade aos irmãos, testemunhas incansáveis de Deus em uma sociedade carente de valores espirituais. Com estes votos, de bom grado, a todos abençoo.

CIDADE DO VATICANO, 02 Fev, 2011 – catequese dirigida aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana

Publicado em Flos Carmeli.

São Pedro Canísio, modelo de pregador e testemunha cristã : tema da catequese do Papa na audiência geral (Rádio Vaticano)

 

Fonte/imagem: Congregação das Irmãs de São Pedro Canísio – Biografia

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Fonte: Rádio Vaticano

09/02/2011 12.08.49

São Pedro Canísio, modelo de pregador e testemunha cristã : tema da catequese do Papa na audiência geral

O anúncio cristão, e o ministério dos padres e fiéis, “é incisivo e produz nos corações frutos de salvação, só se o pregador for testemunha pessoal de Jesus e souber ser instrumento de vida moral, através da oração incessante e do amor; isto vale para qualquer cristão que queira viver com empenho e fidelidade a sua adesão a Cristo”. Considerações de Bento XVI, na audiência geral desta quarta-feira, dedicada a São Pedro Canísio (1521-1597), “doutor da Igreja”, jesuíta holandês que actuou sobretudo na Alemanha, nos tempos da Reforma protestante.
“A vida cristã não cresce – sublinhou o Papa – se não for alimentada pela participação na liturgia e pela oração pessoal quotidiana, pelo contacto pessoal com Deus: no meio das mil actividades e dos múltiplos estímulos do dia a dia, é necessário encontrar cada dia momentos de recolhimento perante o Senhor, para O escutar e falar com Ele” – recomendou.
Bento XVI explicou as características de pregador de São Pedro Canísio, cujos catecismos formaram gerações e gerações de católicos, ao longo de séculos. “Em tempos de fortes contrastes confessionais (observou), ele evitava asperezas e a retórica da ira”, expondo a doutrina o mais possível numa linguagem bíblica e sem tons polémicos. Revelando um amplo e penetrante conhecimento da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, as obras de São Pedro Canísio, de uma austera espiritualidade, visavam propor simplesmente os conteúdos da fé católica, revitalizando a fé da Igreja.

Mas ouçamos o resumo que desta catequese Bento XVI pronunciou em português e a saudação dirigida aos peregrinos lusófonos:

“Queridos irmãos e irmãs,
São Pedro Canísio, sacerdote jesuíta e doutor da Igreja, nasceu em Nimega, na Holanda, no ano 1521. Interveio em acontecimentos decisivos do seu tempo, como o Concílio de Trento, e exerceu uma influência especial com os seus escritos. A sua obra mais difundida é o Catecismo, onde aparece a doutrina exposta sob a forma de breves perguntas e respostas, elaboradas em termos bíblicos e sem tons polêmicos. E dele preparou três versões: uma para pessoas com elementares noções de teologia; outra para crianças sem escolaridade; e a terceira para estudantes liceais ou universitários. Nisto se revela uma das características de Pedro Canísio: sabia harmonizar a fidelidade aos princípios dogmáticos com o respeito devido a cada pessoa.

“Amados peregrinos de língua portuguesa, para todos a minha saudação amiga e encorajadora! Antes de vós, veio peregrino a Roma Pedro Canísio para invocar a intercessão dos Apóstolos São Pedro e São Paulo sobre a missão que lhe fora confiada na Alemanha, o seu campo de apostolado mais longo. No seu diário, descreve como aqui sentiu a graça divina que fazia dele um continuador da missão dos Apóstolos. Como ele, todos nós, cristãos, somos enviados a evangelizar, mas para isso precisamos de permanecer unidos com Jesus e com a Igreja. Sobre vós e a vossa família, desça a minha Bênção.”

No final da audiência, após as variadas saudações aos mais de cinco mil peregrinos presentes na Aula Paulo VI, do Vaticano, Bento XVI dirigiu-se particularmente os bispos participantes no encontro promovido pelo Movimento dos Focolares: congratulando-se com “esta oportunidade” de “confrontarem experiências eclesiais de diversas zonas do mundo”, o Papa fez votos de que “estas jornadas de oração e reflexão possam produzir abundantes frutos” para as respectivas comunidades.
Bento XVI saudou também os membros da Associação “Novos Horizontes”, recentemente reconhecida pelo Pontifício Conselho para os Leigos como associação internacional de fiéis.

Publicado em Rádio Vaticano.

Mensagem do Papa: “A grande obra da evangelização requer um número cada vez maior de pessoas que respondam generosamente ao chamado de Deus” (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

02.02.2011

VATICANO – Mensagem do Papa: “A grande obra da evangelização requer um número cada vez maior de pessoas que respondam generosamente ao chamado de Deus”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “A Igreja, no profundo de si, tem uma dimensão vocacional implícita em seu significado etimológico: «assembleia convocada» por Deus. A vida cristã participa, por sua vez, desta mesma dimensão vocacional que caracteriza a Igreja. No fundo de cada cristão, ecoa sempre e novamente o “siga-me” de Jesus aos apóstolos, que mudou para sempre suas vidas”. É o que ressalta o Santo Padre Bento XVI em sua mensagem enviada aos participantes do II Congresso Continental Latino-americano sobre as Vocações, promovido pelo Departamento para as Vocações e os Ministérios do Conselho Episcopal Latino-americano, em andamento em Cartago (Costa Rica) de 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2011 (veja Fides 13/1/2011).
Depois de recordar que a iniciativa se insere “no contexto do grande impulso missionário promovido pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Aparecida”, o Papa evidencia que “a grande obra da evangelização requer um número sempre maior de pessoas que respondam generosamente ao chamado de Deus e se dediquem por toda a vida à causa do Evangelho. Uma ação missionária mais incisiva traz como frutos preciosos o fortalecimento da vida cristã em geral e o aumento das vocações de consagração especial. Todavia, a abundância das vocações é um sinal eloquente de vitalidade eclesial e da forte experiência de fé por parte de todos os membros do povo de Deus”.
Em sua mensagem, Bento XVI evidencia também que “a pastoral vocacional deve ser plenamente inserida no conjunto da pastoral geral, com uma presença capilar em todos os âmbitos pastorais concretos”, e dentre os muitos aspectos a ser considerados para cultivar as vocações, destaca a vida espiritual, pois “a vocação não é fruto de um projeto humano ou de uma hábil estratégia organizativa” e, portanto, “é preciso ter sempre presente a primazia da vida do espírito como base de qualquer programação pastoral”. “Devemos vencer a nossa auto-suficiência – prossegue o Pontífice – e ir com humildade ao Senhor, suplicando-lhe para continuar a chamar muitos. Ao mesmo tempo, o fortalecimento de nossa vida espiritual nos deve levar a identificar-nos sempre mais com o desejo de Deus e a oferecer um testemunho mais nítido e transparente de fé, esperança e caridade”. Na parte conclusiva, o Santo Padre reitera a importância do “testemunho pessoal e comunitário de uma vida de amizade e de intimidade com Cristo, de total e feliz dom de si a Deus” na promoção vocacional, pois “foi e é um meio privilegiado para despertar nos jovens o desejo de seguir os passos de Cristo, como também a coragem de propor com delicadeza e respeito a possibilidade que Deus também os chame”.
(SL) (Agência Fides 2/02/2011)

* O texto integral da mensagem do Santo Padre, em espanhol, está em:

Publicado em Agência Fides.

“Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar” – Artigo – Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)

Fonte:  http://teresadejesus.carmelitas.pt/

Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar

Caminhar está na moda e é saudável. E o mundo está sulcado de caminhos que cruzam como chicotadas a pele do planeta. Caminham os que emigram procurando melhores condições de vida; caminhamos peregrinos por diferentes motivos; caminhamos para mantermos a linha; caminhamos ao passear pelos nossos parques e cidades.

E no dia em que temos de pegar na bengala, damo-nos conta de que caminhar é aprendizagem da vida, um sinal de liberdade e todo um sofrimento ou prazer, dependendo de que lado o vejamos.

Teresa gostava de caminhar. A sua vida abre-se aos nossos olhos com o episódio infantil da escapada a terras de mouros. Um episódio real e simbólico, do Caminho que Teresa fará ao andar (viver); ao morrer (ouvem-na dizer: “já chegou a hora desejada, já é tempo de que nos vejamos, Senhor meu, já é tempo de caminhar”).

Mulher andarilha por todos os caminhos, nunca vai só. Na infância, o companheiro foi seu irmão Rodrigo; em adulta, serão seus irmãs e irmãs que lhe seguem os passos, e, finalmente, quando morre, será esse Senhor, que a Si próprio Se definiu como Caminho, quem Se vai converter para ela em companheiro de viagem – na própria viagem e meta.

Um belo dia, brotará da sua ágil pena um “Caminho”, procurando o ideal da infância, porque nos recordará, ao Carmelo, que “viemos para morrer por Cristo”, e nele nos fará a grande confidência da sua vida: que a oração é um caminho, que este caminho é a vida e que esta vida é a verdade.

A imagem teresiana de um caminho que nos aperfeiçoa e que é, ao mesmo tempo, perfeito, torna-se acessível e atractiva para os que compreendemos que a oração é esse Caminho, e que orar é viver em companhia amorosa, lado a lado com os irmãos e com Jesus, sendo este “um caminho real para o Céu”. Cada passo que damos aproxima-nos um pouco mais da meta, a de ganhar um grande tesouro: Deus. Um Deus que “basta”, um “mar de maravilhas sem fim”, “uma formosura que contém em si todas as formosuras” …

E embora este caminho tenha os seus perigos e custe caminhar, “não parar até chegar à meta (o fim da vida), aconteça o que acontecer, custe o que custar, pareça bem ou mal aos outros, ainda que morramos no empenho, ainda que nos cansemos e… ainda que o mundo se afunde”, merece a pena suportar os incómodos e peripécias que nele se encontram.
A bagagem é leve, poucas coisas são precisas: “amor de umas para com as outras, despojamento das coisas criadas (liberdade) e verdadeira humildade”. O amor é-nos necessário a todos nós que caminhamos, para atenuar os choques inevitáveis e deixar que brote a amizade. O estar apaixonados por Deus e olhar o afecto pelas coisas com distância e respeito dá-nos uma grande liberdade. E a humildade, que é a verdade, ou seja, o reconhecimento de que não somos nem melhores nem superiores aos outros. Não precisamos de muito mais na mochila. É questão de convicções, desejos e propósitos.

O caminho é longo, árduo, custoso e “quem caminha, caminhará pouco e com trabalho se não tiver bons pés e coragem e ousadia nisso mesmo”, dirá João da Cruz. E o mesmo santo sentenciará que, para chegar ao cume, “é necessário estar apaixonado por Deus”.

Ambos, como guias experimentados descrevem-nos a meta, o cume, em termos de beleza irresistível: “só Deus basta” – dirá Teresa, e João responderá: “Por toda a formosura, nunca eu me perderei senão por um não sei quê que se alcança por ventura”.

E, enquanto caminhamos (vivemos), vamos trilhando a rota do Pai-Nosso, aproximando-nos cada vez mais da última paragem, essa que na petição orante soa como “livrai-nos de todo o mal”, essa que é sinónimo de felicidade, de bem-aventurança, de felicidade, de gozo. Essa que é encontro e abraço, e descanso e festa. Essa que é “chegar a casa”.
Teresa, andarilha por todos os caminhos, a ti que seguiste o Caminho e gostavas de caminhar, concede-nos um pouco da tua coragem para seguir o Mestre como tu fizeste.

Eusébio Gómez Navarro, OCD (Salamanca)

2010-12-18

Publicado em  Santa Teresa de Jesus -“Para Vós Nasci”

“O Evangelho não é uma propriedade exclusiva de quem o recebeu, mas um dom a ser partilhado e comunicado” – Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Missões 2011 (Rádio Vaticano)

Fonte/imagem:Clicapiaui

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Fonte: Rádio Vaticano

26/01/2011

MENSAGEM DO PAPA PARA DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2011

Cidade do Vaticano, 26 jan (RV) – Foi publicada, nesta terça-feira, a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Missões 2011, que se realizará em 23 de outubro próximo.

O Papa reitera na mensagem que a evangelização é uma dimensão essencial da Igreja e uma tarefa urgente hoje, pois a secularização faz com que muitas pessoas vivam como se Deus não existisse.

“O Evangelho não é uma propriedade exclusiva de quem o recebeu, mas um dom a ser partilhado e comunicado” – sublinha o Papa, reiterando que todo batizado é chamado a levar a todos a Boa Nova do Evangelho.

Bento XVI ressalta que aumenta o número de pessoas que tendo recebido o anúncio do Evangelho o esqueceram e abandonaram. “Esta em andamento uma mudança cultural, alimentada pela globalização e pelo relativismo, uma mudança que leva a um estilo de vida que exclui a mensagem do Evangelho e exalta a busca do bem-estar, do dinheiro fácil, da carreira e do sucesso como objetivo de vida, mesmo em detrimento dos valores morais” – disse ainda o Papa.

O Santo Padre convida os fiéis a responderem à vocação missionária resposta essencial para a vida da Igreja. “A obra evangelizadora é essencial para a Igreja e não pode ser considerada simplesmente como uma das várias atividades pastorais” – sublinha Bento XVI.

Referindo-se a Paulo VI, a mensagem ressalta que a animação missionária dá uma atenção particular à solidariedade. “É inaceitável que a evangelização transcure as questões relativas à promoção humana, justiça e libertação de todas as formas de opressão, obviamente, respeitando a autonomia da esfera política. Ignorar os problemas temporais da humanidade significa esquecer a lição que vem do Evangelho sobre o amor ao próximo que está sofrendo” – frisa Bento XVI.

O Dia Mundial das Missões “é um chamado a revigorar em cada pessoa o desejo e a alegria de ir ao encontro da humanidade levando a todos, Cristo” – conclui a mensagem. (MJ)

Publicado em Rádio Vaticano.

“Estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e todas as pessoas que crêem em Cristo estão convidadas a rezar pelo dom da plena comunhão” – Papa Bento XVI (Rádio Vaticano – 19.01.2011)

Fonte/imagem /artigo: Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (CONIC) – “18/01/2011 – Igrejas cristãs se unem em oração pela unidade

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Fonte: Rádio Vaticano

19.01.2011

CATEQUESE DO PAPA SOBRE SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Cidade do Vaticano, 19 jan (RV) – Bento XVI acolheu na Sala Paulo VI, no Vaticano, na manhã desta quarta-feira, dia de Audiência Geral, vários fiéis e peregrinos.

Na catequese de hoje, o Papa falou sobre a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, atualmente celebrada em vários países do mundo. A Igreja no Brasil celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos entre o Domingo da Ascensão e o Domingo de Pentecostes.

“Estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e todas as pessoas que crêem em Cristo estão convidadas a rezar pelo dom da plena comunhão” – frisou Bento XVI.

“A comunidade estava unida na escuta dos ensinamentos dos apóstolos, na comunhão, no partir o pão e na oração. Estes quatro elementos ainda são os pilares da vida de cada comunidade cristã e formam a base sobre a qual construir a unidade, progresso visível da Igreja” – disse ainda o Santo Padre.

O Papa frisou que “como discípulos de Cristo, todos nós devemos testemunhar ao mundo o Deus que se revelou a nós em Jesus Cristo, que nos trouxe a mensagem que orienta e ilumina o caminho das pessoas de todos os tempos”.

Bento XVI ressaltou a “importância de crescer a cada dia no amor recíproco a fim de superar as barreiras que ainda existem entre os cristãos”.

A seguir, o Pontífice fez um resumo de sua catequese em português, saudou os fiéis lusófonos presentes na audiência e concedeu a todos a sua bênção apostólica.

Queridos irmãos e irmãs,

Estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, cujo tema, neste ano, refere-se à experiência da primeira comunidade cristã, descrita nos Atos dos Apóstolos: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2, 42). Aqui encontramos quatro características que definem a primeira comunidade e que constituem uma sólida base para a construção da unidade visível da Igreja: “Escutar o ensinamento dos apóstolos”, ou seja, o testemunho da missão, vida, morte e ressurreição do Senhor; “a comunhão fraterna”, isto é, dividir os próprios bens, materiais e espirituais; “a fração do pão” – a eucaristia – o ápice da nossa união com Deus e que representa a plenitude da unidade; e, finalmente, “a oração”, que deve ser a atitude constante dos discípulos de Cristo. Com efeito, o caminho para a construção da unidade entre os cristãos deve manter no centro a oração: isso nos lembra que a unidade não é um simples fruto da ação humana, mas é, acima de tudo, um dom de Deus.

Amados peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos saúdo com grande afeto e alegria, exortando-vos a perseverar na oração, pedindo a Deus o dom da unidade, a fim de que se cumpra no mundo inteiro o seu desígnio de salvação! Ide em paz!

Publicado em Rádio Vaticano.

“Traços da vida secular de Santa Teresa de Jesus” – OCDS – Textos Carmelitanos

Fonte: OCDS – Província São José – Sudeste – Brasil

TRAÇOS DA VIDA SECULAR DE SANTA TERESA DE JESUS

Introdução

A proposta de levar ao conhecimento, dos interessados, sobre a vida dos Santos Carmelitas constitui um desafio deveras agradável. O Carmelo é um jardim com muitas e variadas flores, com matizes e perfumes diferentes, o que o torna atraente. Particularizando-se uma a uma, principalmente naquilo que mais requer ação de um jardineiro habilidoso, mergulha-se, então, num mistério que somente a ação divina pode elaborar. A riqueza espiritual de cada uma, as podas, as securas, a aridez, a irrigação, convidam, aos admiradores, a contemplar as belezas operadas pelo Bom Jardineiro numa alma que se deixa tocar. Assim aconteceu com esta belíssima flor chamada Teresa de Ahumada y Cepeda, ou melhor, Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja.

Santa Teresa de Jesus. Nasceu em Ávila, na Espanha, Desde os seis anos de idade já sabia ler, foi muito influenciada pela leitura da vida dos Santos, e dominada pelo desejo do martírio . Aos 18 anos entrou no Carmelo da Encarnação (Ávila) que reformou, não obstante as dificuldades sem conta que teve de superar. Coadjuvada por São João da Cruz, empreendeu depois a reforma das demais casas da Ordem, que de modo geral responderam ao seu apelo. No arroubo de amor divino, que constituía a atmosfera permanente em que vivia, impôs-se o voto de fazer sempre o que julgasse mais perfeito. “Como a alma sente no corpo o cativeiro e a miséria da vida! Sente-se uma escrava vendida para um país estrangeiro”– escrevia ela. Elevou-se pela oração ao mais alto grau da vida mística e era nesse exercício que hauria particulares luzes sobre a ciência católica, a ponto de ser com freqüência equiparada, pelos Sumos Pontífices, aos mais renomados Doutores da Igreja. “A oração mais bem feita e mais agradável a Deus é a que deixa na alma efeitos mais salutares, que se conhecem pelos frutos que dão e não pelos sentimentos que despertam.” A ação desta humilde virgem, que só por si converteu milhares de almas, basta para demonstrar o papel preponderante que à vida contemplativa cabe na reintegração do nosso tempo..

Ela não nasceu totalmente acabada e emoldurada pela santidade. Foi o longo caminho da perfeição que contribuiu para que tal façanha acontecesse. Vamos, pois, particularizar alguns aspectos de sua vida até o momento em que entra para o convento.

Cenários da Espanha no Século XVI

O século dezesseis, caracterizou-se fortemente pelo rompimento e reformas das estruturas, então vigentes em toda a Europa, que se desenvolveram ao longo dos séculos anteriores.
No final do século XV, Cristóvão Colombo descobriu o novo mundo e Vasco da Gama, o caminho marítimo para as Índias, abrindo, assim, a ação da Igreja, novas e vastas regiões que a compensaram das perdas sofridas na Europa pela Reforma Protestante.
Ao longo do século XVI, a Igreja sofreu profunda e dolorosamente este impacto.. O paganismo renascente, o protestantismo e o jansenismo arrastavam como um flagelo muitos de seus filhos, enquanto o Islão lançava, dos minaretes de Constantinopla para as bandas da Itália, o olhar cada vez mais ávido. Entre os numerosos mártires que morreram nas mãos dos hereges, lembramos aqui os de Gorcum nos Países-Baixos e São João Fisher e São Tomás More na Inglaterra. Para combater o espírito do mal que ameaçava subverter a sociedade, Deus suscitou S. Inácio de Loyola, o primeiro geral da Companhia de Jesus,
Santo Inácio, nobre espanhol, converteu-se aos 30 anos de idade, depois de uma breve mas brilhante carreira nas armas, fundou a Companhia de Jesus. Alma profundamente militar, quis dotar a Igreja de uma milícia nova, aguerrida para a defesa da glória de Deus e a conquista das almas. No século em que o protestantismo arrebatou à verdadeira Religião um terço da Europa, Santo Inácio foi, sem dúvida, o lutador requerido pela Providência para atender , de modo pleno, às necessidades da Igreja e que foi, para esse tempo, e continua a sê-lo ainda a mais terrível milícia da Igreja e de Cristo. Santo Inácio e São Francisco Xavier e São Francisco de Borja são nobres florões espanhóis que honraram, neste século, as suas fileiras.
São Francisco Xavier foi um dos primeiros discípulos arregimentados por Santo Inácio de Loyola, e estava entre os fundadores da Companhia de Jesus. Pregou na Índia, no Japão e em outras nações do Oriente. Converteu e batizou muitos milhares de pagãos e praticou milagres portentosos. Faleceu aos 46 anos de idade, no momento em que se aproximava das costas da China, que pretendia conquistar para Nosso Senhor Jesus Cristo..
São Francisco de Borja pertencia a uma das famílias mais nobres da Espanha. Era duque de Gandia e exerceu elevadas funções de vice-rei da Catalunha. Certa ocasião, foi incumbido de acompanhar o transporte do cadáver da imperatriz Isabel, que falecera em Toledo, até Granada, onde se faria o sepultamento. O transporte foi lento e durou quinze dias. No momento de sepultar a imperatriz, o protocolo exigia que fosse aberto o caixão para ser reconhecido o cadáver; aquela que fora admirada por sua beleza deslumbrante estava reduzida a um amontoado de podridão. Tocado pela graça a propósito daquela cena chocante, Francisco compreendeu a vaidade de toda a glória mundana, e decidiu que se algum dia enviuvasse, se consagraria inteiramente a Deus. Assim de fato aconteceu. Enviuvou aos 40 anos de idade, renunciou a todos os seus títulos e bens e ingressou na Companhia de Jesus como filho espiritual de Santo Inácio de Loyola,
Santo Inácio, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja são nobres valores espanhóis jesuítas que honraram, naquele século, as fileiras da Igreja.
São Pedro de Alcântara, rigoroso no espírito de pobreza e mortificação, reformou os frades menores, dando-lhes nova vida à então decadente espiritualidade franciscana. Dormia apenas duas horas por noite, comia somente um dia sim outro não, e costumava colocar cinza sobre a comida para não sentir nenhum prazer no alimento. Pregou na Espanha e em Portugal. Assistiu aos últimos momentos do piedoso rei D. João III, de Portugal, e muitas vezes respondeu a consultas que lhe fez o imperador Carlos V. À hora de morrer, ardendo em febre, recusou um copo de água que lhe ofereciam porque Jesus Cristo também sofrera sede. Pouco depois expirou e Santa Teresa, de quem tinha sido amigo e confidente, teve uma visão de sua alma subindo ao Céu. É padroeiro principal do Brasil. A Família Real portuguesa e a Imperial brasileira sempre tiveram grande devoção por esse Santo admirável. Lembre-se, de passagem, que o imperador D. Pedro II tinha o nome de Pedro de Alcântara em homenagem a ele.
São João de Deus – Português natural do Alentejo, fundou, em Granada, a Ordem da Caridade, que depois ficou mais conhecida como Ordem dos Irmãos Hospitalários de São João de Deus. É patrono dos enfermeiros e dos hospitais católicos. A oração da Missa alude ao milagre do incêndio dum hospital, em que o Santo, atravessando imunemente as chamas, salvou todos os doentes.
São Pascoal Bailão – Nascido no Reino de Aragão, era irmão leigo franciscano e se destacou pela humildade, pela obediência e sobretudo pela devoção ao Santíssimo Sacramento, diante do qual permanecia longas horas em adoração. É padroeiro dos Congressos Eucarísticos.

Cenário Musical

É interessante notar que também a música tenha contribuído também para a formação de sensibilidade de Teresa, pois como freqüentadora da corte palaciana dos reis católicos, tentou mesmos algumas pequenos versos. Irá, mais tarde, estimular sua verve poética , nas recreações conventuais.
A “zarzuela” é a irmã espanhola da opereta francesa e vienense; nas suas formas mais exigentes se aproxima evidentemente da ópera cômica, tal qual em Paris e Viena. Mas a sua história, quase desconhecida fora da península ibérica, é muito mais velha que a de suas irmãs francesa e vienense. Talvez se inicie com as famosas “’Eglogas” de Juan del Encina, que viveu durante o reinado dos soberanos católicos e foi, por conseguinte, contemporâneo de Colombo e Magalhães.
A “zarzuela” adotou como característico o número de dois atos, só passando muito depois para o de três; como a opereta, mistura figuras sérias e jocosas, canções e danças, palavras faladas e cantadas. Mas as cenas que a opereta prefere fazer desenrolar em países estrangeiros, desenrolam-se sempre na Espanha. Com a progressiva popularização, envereda a “zarzuela” por mau caminho, e passa por um período de decadência que dura até boa parte do século XIX.
O século XVI é um século de transição para a música: lado a lado, deparam-se-nos o antigo e o moderno. Mas cada vez mais nítido se esboça o futuro desenvolvimento. A música deixa de escravizar-se a outras idéias e ergue-se à altura de arte, repleta de individualismo e nacionalismo; o religioso e o profano separam-se e, enquanto a música litúrgica cada vez mais se retira, conquista a profana posição definida na vida artística, substituindo as artes plásticas, até então fiel expressão do espírito da época e do sentimento popular.
É preciso reconhecer que a genial invenção de Guttenberg exerceu influência decisiva no desenvolvimento musical. Foi Petrucci, em Veneza, em 1500, quem pela primeira vez imprimiu notas musicais.
Também a Espanha conheceu uma época de florescimento. Ao lado do grande Cervantes, vivem músicos de extraordinária reputação: Tomás Luís de Victoria ((1548?-1611), colega de escola de Palestrina, e Antonio de Cabezón (1510-1566), organista cego e tocador de clavicórdio na corte de Carlos V e Filipe II, verdadeiro Bach do século XVI e hoje injustamente esquecido…

Pintura

Muito embora El Greco tenha nascido em 1541 na ilha de Creta, e depois se transferido para a Espanha, os nobres já se deixavam retratar por pintores. El Greco aparece bem depois da vida secular de Teresa, numa época de transição, em que se mesclam as culturas bizantina, italiana e espanhola. Domenikos Theotokopoulos, conhecido como El Greco, amadurece seu talento pictórico na Espanha, reduto da Contra Reforma e do poder sagrado, sede da reação às transformações que se processavam na Europa. Quando, mais tarde, já no mosteiro, Teresa é retratada por Frei Miséria e critica-o por pintá-la “feia e remelenta.”

A Família de Teresa

Toledo, centro comercial de incomparável beleza, tinha a fama e a virtude de embelezar a pele e de transluzir os rostos lavados com a água do rio. Era também celebrada a formosura de suas mulheres juntamente com a castidade e honestidade. Não menos era admirável a sua religiosidade.
Nesta cidade, nasceu, por volta de 1440, Juan Sánchez de Toledo, filho de um mercador, judeu converso e casado com Dona Inés de Cepeda, oriunda das Tordesilhas Negociava ele tecidos e sedas. Teve, durante muitos anos, concessão de direitos reais e eclesiásticos que eram reservados aos fidalgos.
Por motivos religiosos, após cumprir penitência, imposta pela Inquisição, muda-se com sua família para Ávila. Dela são conhecidos os nomes de Alvaro, Pedro, Elvira, Lorenzo e Francisco, Hernando morava em Salamanca e Alvaro que ficou em Toledo. Estes toledanos eram considerados como “filhos de bons fidalgos e parentes de bons cavaleiros”.
O pai de Teresa chamado Alonso Sánchez, antes conhecido Pyna, teve dois filhos do casamento com Catalina del Peso y Henao, falecida em 1507, e que eram Maria de Cepeda (1506) e Juan Vásquez de Cepeda (1507). Após a morte da primeira mulher casou-se com Beatriz de Ahumada, mulher singular, quinze anos mais moça e prima terceira da falecida, com quem teve os filhos: Hernando de Ahumada (1510), Rodrigo de Cepeda (1513), Teresa de Ahumada, na madrugada primaveril de 28 de março de 1515, quinta-feira Santa, Lourenzo de Cepeda (1519), Antonio de Ahumada (1521), Jerônimo de Cepeda (1522), Agustin de Ahumada (1527) e Juana de Ahumada (1528). Dona Beatriz morreu em 1543.

O caráter de Teresa

Conforme Ana da Encarnação testemunha nos Processos, Teresa “foi criada e doutrinada pelos pais com grande virtude e recolhimento.”
De seu pai Alonso, Teresa herdou a honradez, a honestidade, a dignidade pessoal, a união familiar e a bondade, retidão moral, finas maneiras docilidade e determinação.
Dona Beatriz de Ahumada, mãe de Teresa, casou-se aos quatorze anos de idade. Era uma bela mulher, frágil, de traços finos e quase infantis, educação discreta, dedicada às leituras excessivas de romances de cavalaria para aliviar seu espírito. Religiosa e devota do rosário educava os filhos com mais liberdade. Graças à corrente cultural promovida pela Rainha, acumulava uma discreta cultura. Dela, Teresa, “a mais querida do pai”, herdou a formosura, a devoção ao rosário e o prazer de ler os romances de cavalaria, escondida do pai. Levou também consigo as enfermidades e enxaquecas. da mãe.
Do avó paterno, Teresa herdou um temperamento aberto, vivência e praticidade de vida, caráter empreendedor e extrovertido, de presença marcante em qualquer negócio e em toda a família. De sua avó materna, o nome Teresa.
O caráter de Teresa formou-se, portanto, de uma mescla de amplitude e de austeridade, de carinho extremo, até mesmo no empreendimento da fuga para o martírio, com seu irmão Rodrigo, e para o convento com o auxílio de outro irmão, Antonio Ahumada, Era devota de Nossa Senhora e outros Santos também, tais como: São José, Santo Alberto, São Cirilo, Todos os Santos , Santos Anjos, Anjo da Guarda, Santos Patriarcas, São Domingos, São Jerônimo, Rei Davi, Santa Maria Madalena, Santo André, O dez mil Mártires, São João Batista, São João Evangelista, São Pedro e São Paulo, Santo Agostinho, São Sebastião, Santa Ana, São Francisco, Santa Clara, São Gregório, São Bartolomeu, Jó, Santa Maria Egípcia, Santa Catarina Mártir, Santa Catarina de Sena, Santo Estêvão, Santo Hilário, Santa Úrsula, Santa Isabel da Hungria, São Miguel Arcanjo, São Martinho, e São Joaquim. Suas devoções advinham da leitura do Flos Sanctorum (Vida dos Santos) que lia com seu irmão Rodrigo. Foi ele o seu maior incentivador nas brincadeira de ermidas, nas leituras ouvidas, nos entretenimentos piedosos, nas cruzes e altares, nos santíssimos nomes de Jesus e de Maria.

cont./

Características físicas

A educação

As amizades

Relacionamento com os irmãos

A morte de Dona Beatriz

A vocação de Teresa

Resumo

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA:

OBRAS COMPLETAS – Teresa de Jesus – Edições Loyola – 1995
TIEMPO Y VIDA DE SANTA TERESA – Efrén de la Madre de Dios y Otger Steggink
Biblioteca de Autores Cristianos – Madrid – 1996
(Tradução livre e não autorizada, mas sem fins lucrativos)

(Pesquisa elaborada por Dyonísio da Silva para o curso de formação da Comunidade Maria, Mãe e Rainha do Carmelo – São Paulo, Jabaquara)

Postado por Luciano Dídimo.

Publicado em OCDS -Província São José – Sudeste – Brasil.

“Desejo encorajar todos os fiéis a redescobrirem a beleza de ser batizados e de pertencer à família de Deus, e a dar feliz testemunho de sua fé, para que ela gere frutos de bem e de concórdia” – Exortação do Papa Bento XVI durante a oração do Angelus, domingo , dia 9 de janeiro (Agência Fides)

Apresentação de Jesus no Templo

 

Fonte/imagem: Blog do Padre Isaías

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Fonte: Agência Fides

10.01.2011
VATICANO – O Papa encoraja os católicos a “redescobrirem a beleza de ser batizados” e recorda o terremoto do Haiti e o empenho pela liberdade religiosa

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “Desejo encorajar todos os fiéis a redescobrirem a beleza de ser batizados e de pertencer à família de Deus, e a dar feliz testemunho de sua fé, para que ela gere frutos de bem e de concórdia”: esta foi a exortação dirigida pelo Santo Padre Bento XVI durante a oração do Angelus, domingo, 9 de janeiro. Na festividade do Batismo do Senhor, o Papa administrou o sacramento do Batismo a 21 recém-nascidos, na Capela Sistina. “Este mistério da vida de Cristo – explicou o Papa – demonstra visivelmente que sua vinda na carne é o ato sublime de amor das Três Pessoas divinas. Podemos dizer que a partir deste solene evento, a ação criadora, redentora e santificadora da Santíssima Trindade ficou sempre mais manifesta na missão pública de Jesus, em seu ensinamento, nos milagres, em sua paixão, morte e ressurreição”. Em seguida, Bento XVI recordou que o Messias, Filho do Altíssimo, “ao sair das águas do Jordão, estabeleceu a regeneração no Espírito e abriu àqueles que o querem, a possibilidade de se tornar filhos de Deus. Com efeito, todo batizado adquire o caráter de filho a partir no nome cristão, sinal inconfundível de que o Espírito Santo faz nascer ‘de novo’ o homem do ventre da Igreja”. Enfim, o Papa evidenciou que “o Batismo é o início da vida espiritual, que encontra sua plenitude por meio da Igreja”.
Após a oração do Angelus, o Santo Padre recordou o Haiti, o empenho pela liberdade religiosa, e dirigiu uma saudação aos fiéis coptas com as seguintes palavras: “No contexto da oração mariana, desejo dedicar uma recordação especial à população do Haiti, um ano depois do terrível terremoto ao qual infelizmente, seguiu-se uma grave epidemia de cólera. O Cardeal Robert Sarah, Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, vai hoje à Ilha caribenha expressar a minha constante solidariedade e a de toda a Igreja. Saúdo o grupo de Parlamentares italianos aqui presentes e lhes agradeço, assim como a seus colegas, por seu empenho em favor da liberdade religiosa. Saúdo também os fiéis coptas aqui presentes, a quem renovo a minha amizade”. (SL) (Agência Fides 10/1/2011)

* Links: O texto integral das palavras do Santo Padre no Angelus está em:

Publicado em Agência Fides.

“De acordo com o evangelista Lucas seriam pastores que visitaram o Divino Infante Jesus na manjedoura. Assim perdura o mistério da época exata da adoração dos Três Reis Magos ao Menino Jesus.(…)” – Solenidade dos Três Reis Magos

A Tradição do Natal (o presépio de São Francisco, por exemplo…) nos trouxe até aqui, mesmo que o mundo insista, com todas as forças, em fazer do período natalino, nada mais que uma data de confraternizações. Este é o nosso lastimável tempo. Em todo caso, lembremos da visitação dos Três Reis Magos, que, metaforicamente falando, foram aqueles que acreditaram na poesia que a vinda de um Redentor representaria para o mundo. Vieram inspirados pelos Espírito Santo, e hoje  nos inspiram a ver a vida com simplicidade e grandeza de espírito.

Lembremos por um instante como foi que o Menino Jesus foi recebido por estranhos cheios de esperança e amor…

(LBN)

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Os Três Reis Magos

Também chamados dos Três Homens SábiosTrês homens sábios vindos do Leste, chamados de Magos os quais seguiram a estrela para Belém, em Israel para encontrar Jesus. Eles eram provavelmente Medes da “clã” de Magnus da antiga Babilônia ( moderno Iraque) e eram excepcionais astrônomos. Os Reis Magos anunciaram a sua presença ao Rei Herodes antes seguirem para o local do nascimento de Jesus e oferecerem presentes de ouro, incenso e mirra ao Divino Infante. Avisados por um anjo, em sonhos durante os sono ele retornaram ao seu país por uma rota diferente de modo a evitar o Rei Herodes que suspeitavam de suas intenções malignas. No sexto século, devido a pesquisas mais acuradas, passaram a serem considerados reis de três diferentes raças.

Seus nomes Baltazar, Gaspar e Belchior (em alguns países este ultimo é chamado de Melchior) foram atribuídos a eles no século oitavo, segundo alguns estudiosos, devido a uma visão de um santo. Suas relíquias estão em um santuário em Colonha, na Alemanha.

Desde o século sétimo que os reis magos foram identificados como Gaspar, Melchior e Balthazar. O venerável São Bede (735DC) escreveu:

Os Magos eram aqueles que trouxeram presentes para Senhor: O primeiro Melchior, um velho homem com cabelos brancos e longos que ofereceu ouro como para um Rei. O segundo Gaspar jovem sem barba de complexão rude honrou a Jesus como Deus com o presente de incenso, um presente digno da Divindade. O terceiro um homem de pele escura, muito barbudo de nome Balthazar pelo seu presente de mirra, testemunhou que o Filho do Homem teria que morrer.

Um escrito do calendário dos santos da época medieval impresso no Colégio de Colônia lê : “Tendo passado muitos problemas e muito cansados os três homens sábios se encontraram em Sewa (Sebaste em Armênio) no ano de 54 DC para celebrar a festa do Natal. Assim após a celebração da missa eles morreram: São Melchior com 116 anos em 11 de janeiro, São Baltazar em 6 de jan com 112 anos e São Gaspar em 11 de janeiro com 109 anos. A Martirologia Romana também lista estas datas como as respectivas festas dos magos”.

Sua festa é celebrada no dia 6 de janeiro.

NR:

As relíquias dos três homens sábios ou três reis magos, foram dados ao Arcebispo Von Dassel em 1165 que as levou para Colonha, Alemanha e construiu um santuário para elas. O santuário tornou-se local de peregrinação desde então. Estariam hoje na Catedral de Colonha, Alemanha.

Estudos mais acurados mostram que eles eram astrônomos e sem dúvida sábios (“magos” significava homens de grande sabedoria) e eram de origem real. Provavelmente vierem da Pérsia ou da Arábia visto que a Mirra e Frankincenso eram plantas originárias daquela região.Alem disso quando se falava “homens do oriente ou homens do leste” siginificava vindos da Arábia.

Na viagem de ida, depois do encontro com o Rei Herodes( que deve ter acontecido no seu palácio) eles devem ter tomado o rumo norte e depois de uns 8 km, mudaram o rumo para Belém. Depois de adorarem Jesus teriam, provavelmente, retornado para Sheba, na Pérsia.

Estudos mais recentes indicam que provavelmente eles visitaram Jesus já no seu segundo ano de vida em sua casa. Isto que vem de encontro ao Evangelho de Matheus 2:11 que diz: “E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.” ou seja Ele não era mais um bebê e sim uma criança, e não estava na manjedoura e sim em sua casa.

Alguns estudiosos ainda pensam que era 4 os Reis Magos.Na Catacumba de Domitila foram encontradas relíquias de 4, dois de cada lado e ainda pinturas de mestres famosos como Velasques e Boticcelli, mostram 4 pessoas em vez de três. Mas, como foram dados apenas três presentes é de se presumir que eram três.

De acordo com o evangelista Lucas seriam pastores que visitaram o Divino Infante Jesus na manjedoura. Assim perdura o mistério da época exata da adoração dos Três Reis Magos ao Menino Jesus.

Alem disto o Evangelho de Matheus, 2:11 diz:

“Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.
E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.”

O que leva a crer que Jesus já se encontrava em uma casa em Belém.

Postado por Ivson de Moraes Alexandre.

Publicado em: Curiosidades Católicas – “Os Três Reis Magos.

Bento XVI, em seu discurso à Cúria Romana por ocasião das felicitações de Natal afirmou: “A fé não é coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora”

Imagem:Wikimedia Commons

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VATICANO – “A fé não é coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora”: Bento XVI à Cúria Romana

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Em seu discurso à Cúria Romana por ocasião das felicitações de Natal, em 20 de dezembro, o Santo Padre Bento XVI recordou, como de costume, nesta ocasião, os principais acontecimentos do ano passado. Em primeiro lugar, o Papa citou o Ano Sacerdotal que renovou nos sacerdotes e leigos “a consciência do dom que representa o sacerdócio da Igreja Católica, que nos foi confiado pelo Senhor”. No entanto, destacou o Santo Padre, “ficamos chocados quando este ano e numa dimensão para nós inimaginável, tivemos conhecimento de abusos contra menores cometidos por sacerdotes, que desvirtuam o Sacramento, sob o manto do sagrado ferem profundamente a pessoa humana na sua infância, prejudicando-a por toda a vida”. Citando uma visão de Santa Hildegarda de Bingen, o Papa disse: “Na visão de Santa Hildegarda, o rosto da Igreja está coberto de poeira, e é assim que nós, o temos visto. A sua roupa está rasgada – por causa da culpa dos sacerdotes. Assim como ela viu e expressou, o vimos este ano. Devemos aceitar essa humilhação como um chamado à verdade e um chamado à renovação”. Após reiterar que “estamos conscientes da especial gravidade deste pecado cometido por sacerdotes e de nossa co-responsabilidade”, o Santo Padre convidou a olhar para o contexto do nosso tempo: “existe um mercado da pornografia concernente às crianças, que de alguma forma parece ser considerado sempre mais pela sociedade como uma coisa normal. Dos bispos de países do Terceiro Mundo ouço sempre de novo como turismo sexual ameaça toda uma geração e a danifica em sua liberdade e em sua dignidade humana … Neste contexto, se coloca o problema da droga, que com força crescente estende seus tentáculos de polvo ao redor do globo terrestre”. “O segundo tema de reflexão em causa foi o da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, que começou com a viagem a Chipre para a entrega do Instrumentum Laboris aos bispos dos países que se reuniram ali. “No Sínodo o olhar se deteve sobre todo o Oriente Médio – disse o Papa -, onde convivem fiéis pertencentes a diferentes religiões e também muitos ritos e tradições… Nos acontecimentos dos últimos anos foi abalada a história de partilha, as tensões e as divisões aumentaram de modo que sempre de novo com espanto somos testemunhas de atos de violência que já não respeita o que para o outro é sagrado, no qual aliás caem as elementares regras da humanidade. Na situação atual, os cristãos são a minoria mais oprimida e atormentada… Com base no espírito de fé e na racionalidade, o Sínodo desenvolveu um grande conceito do diálogo, perdão e aceitação mútua, um conceito que agora quero gritar ao mundo. O ser humano é um e a humanidade é uma só. O que em qualquer lugar é feito contra o homem, no final prejudica a todos. Assim, as palavras e os pensamentos do Sínodo devem ser um grito forte às pessoas com a responsabilidade política ou religiosa para que acabem com a cristãofobia; para que se levantem para defender os refugiados e os que sofrem e revitalizar o espírito de reconciliação. Em última análise, a cura pode vir somente de uma fé profunda no amor reconciliador de Deus. “Dar força a esta fé, nutri-la e deixá-la brilhar é a principal tarefa da Igreja nesta hora”. Enfim, Bento XVI falou de sua viagem no Reino Unido, recordando o encontro com o mundo da cultura na Westminster Hall, e a beatificação do Cardeal John Henry Newman. Além disso, mencionou a viagem a Malta, Portugal e Espanha, onde “se tornou visível novamente que a fé não é uma coisa do passado, mas um encontro com o Deus que vive e age agora. “Ele nos chama em questão e se opõe à nossa preguiça, e nos abre o caminho para a verdadeira alegria”. (SL) (Agência Fides 21/12/2010)

Link relacionado

“«Pôs os olhos na humildade da Sua serva» (Lc 1, 48)” – Comentário ao Evangelho por Ludolfo de Saxe (c. 1300-1374) – (SpeDeus – 23 de dezembro)

 

Imagem/texto: Infância e Adolescência Missionária – “Uma Historinha de Natal” – São João del Rei

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Fonte: SpeDeus

Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Ludolfo de Saxe (c. 1300-1374), dominicano, mais tarde cartuxo em Estrasburgo

A Vida de Jesus Cristo (a partir da trad. Au Commencement, Parole et Silence 2004, pp. 81ss. rev.)

«Pôs os olhos na humildade da Sua serva» (Lc 1, 48)

A concepção de Nosso Senhor foi prefigurada pelo arbusto a arder que se queimava sem perder o viço (Ex 3, 2), tal como Maria concebeu o seu divino Filho sem perder a virgindade. O Senhor, que morava nesse arbusto a arder, habitou igualmente no seio de Maria. Do mesmo modo que desceu ao arbusto para libertar os hebreus e tirá-los do Egipto, Ele também desceu a Maria para resgatar os homens e arrancá-los ao inferno.

A escolha de Maria, feita por Deus entre todas as mulheres para Se revestir da nossa carne, foi também prefigurada pelo velo de Gedeão (Jz 6, 36 ss.). Com efeito, do mesmo modo que só aquele velo acolheu o orvalho celeste enquanto toda a terra à sua volta estava seca, assim apenas Maria ficou cheia desse orvalho divino do qual no mundo inteiro se mostrou digna mais nenhuma criatura. A Virgem Maria é este velo com o qual Jesus fez para Si uma túnica. O velo de Gedeão recebeu o orvalho do céu sem ficar adulterado; Maria concebeu o Homem-Deus sem alterar a sua virgindade.

Jesus, Filho de Deus vivo, que pela vontade do Pai celeste e a cooperação do Espírito Santo saíste do seio de Deus Pai assim como o rio manou do Paraíso de delícias (Gn 2, 10), e visitaste as profundidades dos nossos vales ao olhar para a humildade da Tua serva, descendo assim ao seio duma virgem no qual, por inefável concepção, foste revestido de carne mortal, suplico-Te, misericordioso Jesus, pelos méritos desta Virgem, Tua Mãe, que espalhes a Tua graça sobre mim, indigníssimo servo, a fim de que Te deseje com ardor, e pelo Teu amor Te conceba no meu coração para que, com o auxílio dessa graça, possa produzir o fruto salutar das boas obras. Amen.

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(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Publicado em SpeDeus.