“Acreditando na Providência Divina, juntamente com a contribuição do Povo de Deus, construiremos este novo Mosteiro.” – Nova fundação do Carmelo Santa Teresa em Brusque(SC) – Irmãzinhas Carmelitas Descalças

Fonte: Carmelo Santa Teresa – Irmãzinhas Carmelitas Descalças – Itajaí(SC)

Após completar 22 anos de história, o Carmelo Santa Teresa inicia os preparativos para as obras do novo Carmelo Santa Teresa, na cidade de Brusque/SC, na obediência das regras do claustro, pois a obra de Itajaí, foi realizada (adaptada) em construção já existente, não obedecendo suas estruturas as formas gerais pré-estabelecidas para um mosteiro carmelita.

Desejou-se adaptar na cidade de Itajaí as formas obrigatórias de construção, mas em virtude do crescimento da cidade e das casas noturnas na praia Brava, o som provenientes das mesmas e da própria praia devido ao turismo, não oferece o silêncio e a paz, tão necessárias à vida da comunidade Carmelita,  cuja raiz principal é: A vida contemplativa.

Com aprovação das monjas e da Arquidiocese de Florianópolis, foi escolhida a cidade de Brusque/SC, onde a vida é pacata e o local oferece um ambiente próprio e ideal à escuta da Palavra de Deus.

Acreditando na Providência Divina, juntamente com a contribuição do Povo de Deus, construiremos este novo Mosteiro.  As obras de terraplanagem na iniciaram e seu andamento, agora, depende sobretudo, das orações da comunidade e da sua generosidade.

Contribua também, especialmente com as suas orações. Caso queira colaborar com as Irmãzinhas com qualquer quantia, a fim de socorrê-las também em suas necessidades cotidianas, poderá colaborar com qualquer valor através depósito bancário. Nossa conta corrente é: 28.620-6, agência 0401-4 (Banco do Brasil – Brusque/SC),  de titularidade da S. B. Carmelita Santa Teresa.

Qualquer oração ou valor, por menor que seja, representa para nós uma grande ajuda, seja no campo espiritual, seja no material. E desde já agradecemos, pedindo ao Senhor que conceda a todos os visitantes deste portal, copiosas bênçãos, paz na família e sucesso nas suas tribulações e necessidades, sobretudo no campo espiritual. Acompanhe conosco a seguir, as fotos do andamento das obras do novo Mosteiro:

SERVIÇO DE TERRAPLANAGEM PARA O NOVO MOSTEIRO EM BRUSQUE/SC (…)

Postado por Carmelo Santa Teresa (Itajaí-SC).

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(*) Grifo meu.
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Escapulario entregue por Nossa Senhora a São Simão Stock

Se considerarmos que o mundo é a casa onde Deus habita, poderíamos dizer que o Carmelo é este espaço que Ele reserva só para si; a divisão que Ele não mostra aos de “fora”, porque o que está lá dentro Lhe pertence só a Ele”. (Santa Teresa)

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CARMELO SANTA TERESA
Irmãzinhas Carmelitas Descalças  – Carmelo Santa Teresa (Itajaí-SC)

Republicado… (LBN)

Saiba mais sobre o “segredo” que existe na clausura, de acordo com as palavras das irmãs carmelitas descalças, no singelo e interessante site do Carmelo Santa Teresa.

Podem me chamar do que quiserem (os inconvenientes, é claro!):  elas têm um espaço com “velas virtuais”! Adoro ambientes de quietude, em que a chama de uma vela parece iluminar nosso interior. Ela nos lembra a Luz que é Cristo – Aquele que ilumina as nossas trevas, para que as conheçamos, e as que nos circundam – as do mundo. Não acho isto antigo, carola ou “beatice”. Infelizmente, há milhares, milhões de pessoas (mesmo cristãs) fascinadas pelos falsos “brilhos” do mundo…

Deus  criou o  éter… Há uma singela beleza em uma vela acesa dentro de uma pequena igreja; nas catedrais há dezenas, em algumas, centenas. Há muita luz artificial, e pouca lucidez… As velas iluminam o suficiente quando queremos refletir…  A oração pede recolhimento. Mas estamos saturados de imagens e inflacionados por informações desencontradas nas programações televisivas, na internet. Há  letreiros em neon  nas avenidas, luzes que piscam para chamar atenção de qualquer coisa, e por aí vai.  Luminosidades e obscuridades se interseccionando, o tempo todo. Por isto, gosto de velas e castiçais… Dão uma visão poética à vida. Lembram que a vida é um mistério, que a paz pode nos envolver, que temos vida interior…

Em geral, nós, do lado de fora destas grades, ainda que “aprisionados” no deserto desta verdadeira “Babel high-tech”, temos a pretensão de considerar a vida reclusa “um tanto estranha”. Eu penso diferente. Talvez por ter tido o privilégio de ser bisneta de uma aspirante ao noviciado carmelita, no RS. Conheci a intensidade, bondade e serenidade  de sua pessoa, e soube da profunda e sofrida história de vida dessa queridíssima bisavó (materna) – ela faleceu quando eu tinha 17 anos. Além disso, meu avô (aliás, seu filho mais velho), foi seminarista da Companhia de Jesus, também no RS. O fato de serem ambos, mãe e filho “ex-postulantes” nos indica que Deus sussurra em nosso coração um “chamado” especial. No entanto, nos deixa livres quanto à decisão, tal como se dá em todos os âmbitos de nossas vidas. Não há predestinação, e, para mim, esta é a Sua maior prova de amor: a  liberdade. Somos suas criaturas frágeis, miseráveis, e em geral, em meio aos inúmeros afazeres, isto se nos afigura apenas em lampejos. Ainda assim, apesar de nosso reiterado  desinteresse pelo sagrado – as atividades, as preocupações, enfim, o contínuo “fazer” mundano – acredito que Ele cuida de “tudo” suave e discretamente , na tentativa de evitar que nos extraviemos… Por isto acredito em Anjos, sempre prontos, segundo a Vontade de Deus, a nos auxiliar em situações especiais, sem esquecer, é claro, de nosso amado Anjo da Guarda individual, que nos acompanhará até o último sopro de vida (e não sei muito bem), talvez até um pouco mais adiante…

O mundo tem enganado a muitos que associam “fragilidade e miséria humanas” à infelicidade… Esta negação, esta “auto-suficiência” atrelada a uma vida de exterioridades têm levado muitos à perda de si próprios… Estamos todos reclusos dentro do mundo; nossas “celas” são bem diferentes das habitadas pelas  irmãs consagradas… Mas Deus, não nos quis sós, erráticos, sem amparo depois da queda: temos o Espírito Santo, que nos defende, por misericórdia de nosso Salvador e Senhor , Cristo Jesus. Ele que venceu o mundo, sempre ouvirá nossas súplicas. Amém.

No site do Carmelo Santa Teresa elas afirmam convictas: [As Carmelitas estão “escondidas com Cristo em Deus”.]

“Para nós, cristãos, é olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o nosso destino é a vida em Deus – por Cristo fomos chamados a viver na comunhão Trinitária por toda a eternidade! Viemos de Deus e para Ele retornamos! Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia em que nascemos para a vida eterna.” – Dom Orani João Tempesta (Celebração de “Todos os Santos” e dos “Finados”)

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Origem: "Turn bak to God"

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"Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação." 2 Timóteo 1:7 (Bíblia - Novo Testamento - CNBB)

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Fonte: CNBB – Artigos dos Bispos

O dia do nascimento

Dom Orani João Tempesta

[Neste] final de semana teremos a oportunidade de refletir sobre o nosso fim último, pois estaremos celebrando o Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos, ou como costumamos chamar, Dia dos “finados”.

Para nós, cristãos, é olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o nosso destino é a vida em Deus – por Cristo fomos chamados a viver na comunhão Trinitária por toda a eternidade! Viemos de Deus e para Ele retornamos! Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia em que nascemos para a vida eterna.

A Igreja se sente unida aos santos que estão junto do Pai e também àqueles que já partiram e estão necessitados de nossa oração.

Também diante dessas celebrações temos a oportunidade de refletir sobre o sentido de nossa vida e os valores para os quais vivemos. Um dia viemos a este mundo, e um dia sairemos dele!

Nesse tempo que nos foi dado o que foi que construímos?

Toda vida que começa alcança o seu objetivo e depois se finda, se acaba. Apenas o homem, com sua inteligência, é que fica entristecido com o fato de ter que morrer.

Isso se dá, em primeiro lugar porque, quer queiramos ou não, existe em nós a sede do infinito, e por isso o “ter que morrer” nos causa tristeza.

Entretanto, para nós, cristãos, a morte, embora ponha fim à nossa existência neste mundo, é o início da vida sem fim, quando estaremos em Deus.

Além disso, pela fé sabemos que nosso corpo, embora desintegrado, será ressuscitado. Interessante neste contexto termos em mente que a Igreja Católica comemora seus santos pelo dia de sua morte e não pelo dia em que nasceram.

A morte e ressurreição é um mistério de fé, que proclamamos no CREDO: “Creio na ressurreição da carne, na vida eterna…”

São Paulo, na Epístola aos Tessalonicenses, diz palavras confortadoras sobre a ressurreição dos mortos: “Não queremos, irmãos, que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim precisamos crer também que Deus levará, por Jesus e com Jesus, os que morreram.” “Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras” (cf. I Tessalonicenses, 4,13 a 15 e 18).

Assim, sustentados pela fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos, é muito salutar recordarmos os nossos parentes e amigos que foram trasladados da vida terrena para a vida eterna.

No dia dedicado aos mortos, muitos vão aos cemitérios orar pelos seus falecidos. Os gestos (orações, velas, flores, celebrações) tão belos são uma afirmação de que cremos que a morte não é o fim e que nossos mortos, hoje vivem, estão em Deus e um dia ressuscitarão.

No dia em que nos recordamos dos que nos precedem na comunhão dos santos, diante da necessária reflexão acerca da irmã morte, as palavras de Salomão, no Capitulo 3,1-9 do livro da Sabedoria, nos colocam diante do mistério da vida plena: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos pareceram morrer; sua partida foi tida como uma desgraça, sua viagem para longe de nós como um aniquilamento, mas eles estão em paz. Aos olhos humanos pareciam cumprir uma pena, mas sua esperança estava cheia de imortalidade, por um pequeno castigo receberão grandes favores. Deus os submeteu à prova e os achou dignos de si. Examinou-os como o ouro no crisol e aceitou-os como perfeito holocausto. No tempo de sua visita resplandecerão e correrão como fagulhas no meio da palha. Julgarão as nações, dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que são fiéis permanecerão junto a ele no amor, pois graça e misericórdia são para seus santos, e sua visita é para seus eleitos”.

Neste dia, quando tantas celebrações ocorrerão em todos os cemitérios de nossa Arquidiocese, podemos fazer ser um momento muito importante para que, além de rezarmos pelos nossos falecidos, anunciemos às pessoas a nossa fé, aquela fé que acredita na vida que não termina com a morte e que nos convida a aproveitar o tempo que temos para viver bem como bons cristãos.

Que o Senhor da vida dê o descanso eterno a todos os fiéis! E que os que vivem sejam alcançados pela paz e confortados pela esperança de que nossa morte não será o fim de tudo, mas o começo da vida sem tempo e que nós, que cremos em Cristo, com Ele ressuscitaremos! Amém.

(CNBB – 29.10.2009)

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Observação: Modificado o termo “No próximo final de semana…” para “Neste…), em decorrência de ter sido postado hoje, dia 01.11.2009, enquanto a publicação pela CNBB se deu em 29.10.2009. Conto com a compreensão de V. Revma. Dom Orani João Tempesta.

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

 

Virgem do Rosário

Domingo, 04 de outubro de 2009

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa ‘Coroa de Rosas’. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.

O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal

No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe. A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário. A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados. (Fonte: ACI Digital)

“Quem persevera na meditação, mesmo que o demônio a tente de muitas maneiras, tenho certeza que Senhor a levará ao porto da salvação…Quem não pára no caminho da meditação, chegará ainda que tarde”. Também dizia que: “O demônio se esforça muito em afastar a pessoa da meditação porque ele sabe que as pessoas perseverantes na oração estão perdidas para ele”. Santa Teresa de Ávila

Postado por Flos Carmeli às 13:46.

“São Pedro de Alcântara, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição.” – Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (19 de outubro)

São Pedro de Alcântara, monge e prior franciscano, confessor, diretor espiritual, e idoso amigo de Santa Teresa de Jesus. Co-Padroeiro do Brasil.

Fonte:  Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

SÃO PEDRO DE ALCÃNTARA

Dados biográficos

Atualidade de São Pedro de Alcântara

O Padroeiro do Brasil

Sobre São Pedro

Oração

“Para dentro e para fora da Ordem”

Sua vida tem duas vertentes bem diferenciadas e, ao mesmo tempo, complementares: para dentro e para fora da Ordem. Para dentro, foi homem de governo, desempenhando o ofício de guardião, mestre de noviços, definidor provincial e ministro provincial; e reformador da vida franciscana em seus aspectos fundamentais. Para fora, foi homem de conselho e de discernimento, acompanhando espiritualmente homens e mulheres que, sabedores de sua santidade e vida espiritual, a ele recorriam: Carlos V, que o chamou a Yuste para falar de sua alma; reis e infantes de Portugal; condes de Oropesa; Rodrigo de Chaves, a quem dedicou seu “Tratado da Oração e Meditação”; Santa Teresa de Ávila e São Francisco Borja.

Frei Pedro viveu um momento histórico, um tempo marcado por intensa inquietude espiritual e grande desejo de renovação de vida. Tempo, como diz um cronista da época, “em que todo o mundo queria entrar no paraíso”. Eram tempos carregados de intensa vida eclesial: celebração de dois Concílios ecumênicos: o Latrão V e o de Trento; três anos santos: o de 1500, com Alexandre VI, o de 1525, com Clemente VII, e o de 1550, com Júlio III; nascimento de numerosas Ordens religiosas: mínimos, barnabitas, teatinos, jesuítas, irmãos de São João de Deus, ursulinas. Tempos de grandes iniciativas missionárias, particularmente na América por obra dos mendicantes, e na Ásia, pelos jesuítas. Eram tempos também de grandes reformas ao interno da Igreja, particularmente a reforma teresiana, e de muitas outras reformas contra a Igreja: a de Martinho Lutero, na Alemanha; a de Henrique VIII, na Inglaterra e Irlanda; a de Calvino, na Escócia; a da igreja nacional na Holanda.

A Ordem dos Frades Menores participou plenamente dessas ânsias de profunda renovação e de dinamismo missionário: início da reforma capuchinha; fortaleceu-se o trabalho missionário da Ordem no Novo Mundo, iniciado pelos chamados “XII Apóstolos”, que saíram para o México em 1523, renovou-se e cresceu com a chegada de mais 150 missionários; na Espanha consolidou-se a reforma dos descalços, iniciada por Frei Juan de Puebla e Frei Juan de Guadalupe e estruturada definitivamente por Frei Pedro de Alcântara com suas Ordenações. Uma reforma que logo se estendeu pela Espanha inteira, Portugal, Brasil, México e Filipinas e que tinha como motor a “estreitíssima observância” da Regra Bulada de São Francisco, lida à luz do Testamento, sem glosas nem comentários acomodatícios.

Como Provincial, Frei Pedro entregou-se aos ofícios humildes, dedicou-se com carinho aos irmãos leigos. Cuidou dos doentes e adotou como lema de sua vida o pensamento de São Pascoal Bailón: “É preciso ter para com Deus um coração de menino, para com o próximo um coração de mãe, e para consigo mesmo um coração de juiz.”

A espiritualidade de São Pedro de Alcântara era de uma profundidade tão grande, que sem interromper a contemplação dedicava-se  aos seus deveres de estado. Acima de todos os êxtases ele colocava as obras de misericórdias, o servir Cristo na pessoa dos pobres. Frei Pedro escreveu o “Tratado da Oração e Meditação”.

Frei Pedro foi testemunha privilegiada de todos esses acontecimentos e participou ativamente em muitos deles. Apesar de seu gosto pela solidão e pela oração, não se recusou aos pedidos de conselho e orientação que pequenos e grandes, nobres e plebeus, santos e pecadores lhe faziam para se sentirem seguros nos caminhos da santidade.

São Pedro, consciente de que no seguimento de Cristo nunca se pode dizer que se tenha alcançado a meta e que sempre se pode bater o próprio recorde, se lançou atrás da mais alta santidade, sem olhar o preço que isso lhe pudesse custar, atraindo a si os que, como ele, se sentiam inquietos e desejosos de alcançar a perfeição. No momento em que muitos de seus conterrâneos se lançavam à descoberta e conquista de novos mundos e glórias humanas, Frei Pedro de Alcântara, como um dia fizeram Paulo de Tarso e Francisco de Assis, deixou tudo para ganhar Cristo e viver nele (cf. Fl 3,8).

Sua memória histórica continua viva por onde passou: El Palancar (Cáceres), lugar despojado, rico de solidão e recolhimento, pedra angular de sua reforma, modelo e referência de todas as outras fundações. Frei Pedro, que considerava a alegria espiritual “remo sem o qual não se pode navegar”, começou aqui a última etapa de sua vida; Arrábida, em Portugal, experiência de vida penitente e contemplativa, na qual o importante era manter vivo o “espírito de oração e devoção” com gestos concretos, com a busca intensa da presença de Deus, com “a mente e o coração voltados para o Senhor” (Rnb 22,19); Solitudine, em Piedimonte Matese (Itália), lugar de rigoroso silêncio, de intensa oração e penitência; Arenas de San Pedro (Ávila), com suas ermidas e capelas para recolhimento e solidão orante, onde repousam os restos mortais deste homem que, apesar de sua “áspera penitência – no dizer de Santa Teresa era muito afável… e de privilegiada inteligência”.

Frei Giacomo Bini, então Ministro Geral da OFM,  em outubro de 1999, por ocasião do V Centenário de Nascimento de São Pedro de Alcântara.

“A dimensão apostólica da vida contemplativa é « amar e fazer amar o Amor!»” – Santa Teresa de Jesus (Solenidade – 15 de outubro – Carmelo Santa Teresa-Coimbra)

Fonte: Carmelo de Santa Teresa – Coimbra

“Vossa sou para Vós nasci, que quereis Senhor de mim?” teresa_carmelocoimbra

Santa Teresa de Jesus

No dia 15 de Outubro, o Carmelo celebra
a Solenidade de Santa Teresa de Jesus.

No Carmelo de Santa Teresa
a Eucaristia será às 18.00 horas,
presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.

Convidamos todos os nossos amigos a unirem-se à
nossa alegria e gratidão a esta grande Carmelita.

VIDA

NASCIMENTO E PRIMEIROS ANOS

Teresa, quando e onde nasceste?

Nasci em Ávila, Espanha, no dia 28 de Março de 1515. O meu pai chamava-se António Sánches de Cepeda e a minha mãe Beatriz de Ahumada.

Quantos irmãos eram?

Eramos três raparigas e nove rapazes. Do primeiro casamento do meu pai nasceu: o João, a Maria e o Pedro. Ficando viúvo muito cedo voltou a casar com a minha mãe de cujo casamento nasceram: o Fernando, o Rodrigo, eu, o Lorenço António, o Pedro, o Jerónimo, o Agostinho e a Joana. A todos estimava muito e era muito querida de todos, mas o meu companheiro preferido nas brincadeiras era o Rodrigo, com o qual tinha várias aventuras!

Podias contar-nos alguma?

Sim! Juntamente com Rodrigo lia muitas vidas de Santos e um dia, quando eu tinha 7 anos de idade, despertou em nós o desejo de ganhar depressa o céu, então, os dois juntos, decidimos fugir para terra de mouros à procura do martírio. Não conseguimos, porque o meu tio, D. Francisco, nos encontrou à saída de Ávila  e arrastou-nos para casa!

Quantos anos tinhas quando ficaste sem a tua mãe?

Tinha então 14 anos, quando me apercebi do que tinha acontecido a minha primeira reacção foi ir junto de uma imagem de Nossa Senhora e pedir-lhe que daí em diante fosse a minha Mãe. Parece-me que embora o tenha feito com ingenuidade valeu-me de muito, porque sempre encontrei ajuda junto dela.

COLEGIAL E CARMELITA

Quando entraste no Colégio das Irmã Agostinhas?

Quando tinha 16 anos o meu pai, receando que me entregasse demasiado às vaidades próprias da sociedade de então, decidiu meter-me neste Colégio a fim de que aí recebesse a boa educação e formação que minha mãe já não me podia dar.

Então o teu pai queria que fosses Religiosa?

Não, pelo contrário! Quando eu, aos 20 anos, decidi optar pela vida religiosa o meu pai negou-se terminantemente a dar-me licença, o que me forçou a fugir de casa na madrugada do dia 2 de Novembro de 1935, para entrar no Convento das Carmelitas da Encarnação em Ávila.

Como foram os primeiros tempos de Carmelita?

Como se sabe no Convento da Encarnação viviam mais de cento e cinquenta monjas, foi no meio delas que comecei o meu Noviciado precisamente um ano depois de entrar e fiz a Profissão a 3 de Novembro de 1537. Foi um tempo vivido com muito fervor e alegria, até que fiquei doente… O meu pai levou-me a Bacedas para me curar, mas voltei a Ávila ainda pior!

É verdade que foste considerada como morta durante três dias?

Por incrível que pareça, é verdade! Chegaram a pôr-me cera nos olhos, como então se fazia aos cadáveres. O meu estado era grave e os médicos davam-me por perdida. Como me vi paralisada com tão pouca idade e no que haviam dado comigo os médicos da terra, determinei-me a recorrer aos do Céu, para que me sarassem, pois desejava a saúde, embora sofresse com muito alegria a sua falta. Pensava algumas vezes que, se estando boa me havia de condenar, melhor seria estar assim. Pensava, no entanto que serviria muito mais a Deus com saúde. Tomei por advogado S. José e encomendei-me muito a ele. Vi claramente que, desta necessidade, como de outras maiores, este pai me tirou com maior bem do que lhe sabia pedir. Embora tenha ficado ainda três anos paralisada e sempre mais ou menos doente, o que é isto comparado com a alegria de continuar a servir o Senhor!

Durante a viagem que fizeste a Bacedas para te curares aconteceu algo importante…

Sim, o meu tio deu-me um livro “O terceiro abecedário” que ensinava a praticar a oração de recolhimento; eu sempre fui muito amiga de livros, mas este devorei-o com especial predilecção e posso dizer que influenciou muito na minha espiritualidade e nas decisões futuras. Outro acontecimento importante foi a morte do meu pai, em 1543. Fui prestar-lhe assistência durante alguns dias e aí conheci o P. Barrón, O. P., que me ajudou a regressar à prática da oração e dos Sacramentos, de que andava um pouco distraída.

REFORMADORA E ESCRITORA

Quando começaste a reforma do Carmelo?

O primeiro Carmelo, de S. José, foi fundado em Ávila no dia 24 de Agosto de 1562, tinha então 47 anos. Aí passei os cinco anos mais tranquilos da minha vida na companhia das Irmãs que partilhavam o mesmo ideal de vida e santidade que eu.

Como surgiu a «ideia» de reformar a Ordem do Carmo?

Ao saber das rupturas na Igreja deste séc. XVI, ao ter notícias de tantos povos sem Evangelho no «novo mundo», comecei a pensar o que poderia fazer por todos eles… depois, numa conversa entre amigas, uma jovem lançou a pergunta: « E porque não fazer uma fundação, com poucas monjas, de vida mais solitária?» Não o tinha pensado, mas o Senhor mandou-me muito que o fizesse.

Quais foram as características principais que desejas-te incutir nas Carmelitas Descalças ou Reformadas?

Quis que o Convento de S. José, assim como os que lhe seguiram, fosse uma fiel IMITAÇÃO DO COLÉGIO DE CRISTO, apenas 12 Irmãs e a Prioresa, favorecendo assim o espírito fraterno, o clima familiar e a ajuda mutua. Aqui todas hão-de ser amigas, todas se hão-de amar no amor d’ Aquele que aqui nos juntou. Ao contrário da maioria dos Convento então existentes que viviam de rendas fixas, quis fundar este Convento em POBREZA, para que as que nele vivessem esperassem tudo, espiritual e material, apenas do Senhor, que nunca falta a quem O ama. Outra característica foi o clima de SILÊNCIO alternado com tempos de CONVÍVIO ENTRE AS IRMÃS, para assim favorecer a oração, a intimidade com o Senhor e alcançarmos melhor o fim para o qual o Senhor nos juntou aqui.

Foram muitas as contradições?

Sim! Quase todos se opuseram, o povo de Ávila que não queria ver-se obrigado a dar esmolas a mais um Convento, nessa altura eram às dezenas naquela cidade, alguns Sacerdotes e até as próprias freiras do Convento da Encarnação, que queriam continuar com a vida mitigada e achavam que o facto de eu querer mais radicalidade era uma injúria para elas, embora algumas me tivessem acompanhado na fundação do Convento de S. José.

Quantos Conventos fundaste em vida?

Com a ajuda e a graça do Senhor e apesar da minha fraca saúde, fundei 16 Conventos de Carmelitas Descalças em Espanha.

Fundou-se mais algum em que não tenhas ido pessoalmente?

Sim. O de Granada, que não podendo ir eu pessoalmente foi a Madre Ana de Jesus com um grupo de Irmãs e Fr. João da Cruz, primeiro Padre Carmelita Descalço.

Como se realizavam as fundações?

Com inumeráveis trabalhos e sacrifícios, cruzando os caminhos de Espanha juntamente com as Irmãs fundadoras, sempre em carros de cavalos. Por vezes o frio ou o calor eram em demasia, outras vezes os caminhos eram péssimos,… Enfim, tudo se passava com ânimo e confiança, pois tínhamos os olhos postos n’ Aquele que nos enviava e que esperava por nós no destino.

Por quem rezam as Carmelitas?

A nossa oração deve abraçar toda a humanidade, todos aqueles que pelo mundo fora mais precisam dela e aqueles que diariamente se dirigem aos Carmelos pedindo a oração das Irmãs, no entanto, temos especialmente presente duas grandes intenções: a conversão dos pecadores (aqueles que andam mais afastados de Deus, que mais O ofendem e se condenam pelos seus próprios actos) e  a santificação dos Sacerdotes. Estas intenções que o Senhor, no séc. XVI, me inspirou a pedir às Carmelitas que tivessem presentes na oração continuam a ser de maior importância, urgência e necessidade no séc. XXI.

Foi por estas alturas que começaste a escrever…

Comecei a escrever ainda estava em S. José, a pedido das Irmãs e por vontade dos meus confessores. Não foi sem algum sacrifício que o fiz entre as canseiras das fundações, o peso da doença e a falta de tempo, mas fi-lo para cumprir a vontade de Deus e sempre com o desejo de, com a minha experiência de vida, poder ajudar quem os lesse.

Sem contar as poesias, as muitas cartas e outras pequenas obras, escreveste vários livros, podias enumerá-los?

O primeiro foi o «Livro da Vida», a minha autobiografia;

depois o «Caminho de Perfeição» especialmente dedicado às minhas Irmãs que me pediam continuamente que lhes escrevesse sobre a oração;
o «Livro das Fundações» onde conto o que nelas de mais notável acontecia;
o «Castelo Interior» que eu considero uma das maiores “luzes” que o Senhor me deu; entre outros…

No final da fundação de Burgos, talvez a mais difícil de todas, Teresa chega a Alba de Tormes esgotada. A 4 de Outubro de 1582 (que passará a ser 15 pela reforma do calendário ocorrida nesse dia) ela entra definitivamente na vida para desfrutar de todo o trabalho que teve pela expansão do Reino e principalmente pelo bem da Ordem do Carmelo e da igreja. Depois de passar com valentia por aventuras, obstáculos, negociações, difamações, ameaças a si própria e à reforma iniciada, ela parte feliz exclamando:

Enfim, morro filha da Igreja!”

SANTA E DOUTORA DA IGREJA

Onde se conserva o corpo de Teresa?

Os seus restos mortais encontram-se à veneração dos fieis no Convento das Carmelitas Descalças de Alba de Tormes, onde morreu.

Quando foi beatificada?

No dia 24 de Abril de 1614, por Paulo V.

Quando foi canonizada?

No dia 12 de Março de 1622, pelo Papa Gregório XV.

Quando e porquê foi, S. Teresa de Jesus, proclamada Doutora da Igreja?

No dia 27 de Setembro de 1970, por Paulo VI. Foi a primeira mulher  a quem a Igreja atribuiu este título, porque reconheceu na sua vida um modelo exemplar e os seus escritos alcançaram um lugar eminente na literatura universal da Igreja. Assim,  a doutrina de Teresa passa a ser, não só do Carmelo, mas de toda a Igreja, que pode e deve encontrar nela ajuda e luz.

MISSÃO

“A Carmelita não tem um lugar para viver,

ela vive pelo mundo.”

«A vocação das Carmelitas  é essencialmente eclesial e apostólica.
O apostolado a que S. Teresa quis que se dedicassem suas filhas  é puramente contemplativo e consiste na oração e na imolação com a Igreja e pela Igreja” ( Const. 126 )

« Iluminados pelo testemunho de S. Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, todos os Carmelos procurarão fomentar o espírito missionário , que deve animar a sua vida contemplativa. » ( Const. 127 )

O Carmelo define assim a sua missão:

Buscar e viver neste mundo a presença do Deus vivo e verdadeiro que,

na pessoa de Cristo, habitou entre nós. Mediante a nossa vida esforçamo-nos por ser

testemunhas desta verdade escatológica,

sensibilizando os outros para descobrirem

a presença de Deus nas suas Vidas.

A dimensão apostólica da vida contemplativa é

« amar e fazer amar o Amor!»

(S. Teresa do Menino Jesus)

As Carmelitas apresentam a Deus na oração “as alegrias e as esperanças, as tristezas e angústias da humanidade actual.” ( G.S. )

A Carmelita é missionária, porque  tem o coração no mundo inteiro,
porque sabe que existe para os outros.

Ser Carmelita é ser Igreja com a Igreja é ter o coração aberto a todas a humanidade!

CARISMA

ESCUTA DA PALAVRA

Os primeiros ermitas do Monte Carmelo
identificaram-se como grupo ou fraternidade,
quando se uniram por um ideal comum:
Viver em obséquio de Jesus Cristo”. velinha

Tinham que realizá-lo adquirindo uma
docilidade especial ao Espírito
que se manifesta na Palavra
e que transmite a mensagem
radical do Evangelho.

Para que a palavra seja eficaz
e se converta em acção
há que aceitá-la e encarná-la.

IRMANDADE MARIANA

Quando foi exigido aos Carmelitas um nome ou

uma identificação que os distinguisse dos outros

religiosos, eles definiram-se como

“Irmãos da Bem-Aventurada Virgem

Maria do Monte Carmelo” .

Esta eleição, que vem praticamente das origens,

foi escolhida, não como distintivo honorífico,

mas como conteúdo espiritual definido,

tendo como ideal a perfeição evangélica em comunhão

com a Santa Mãe de Deus.

EM ESPÍRITO E VIRTUDE DE ELIAS

O  «eleanismo» juntamente com o marianismo definem e qualificam todos os Carmelitas.

O começo histórico da Ordem na montanha bíblica do
profeta cria uma espécie de enlace entre o Carmelo e Elias.

« Ardo de zelo pela glória do Senhor, Deus do Universo »

Deus não está nem no furacão , nem no terramoto :

o Profeta Elias encontrou-O na brisa suave.

ENCONTRO DOS IRMÃOS

A Palavra aceite com docilidade na Contemplação

traduz-se necessariamente em acção.

O Carmelo existe em favor da Igreja e dos Irmãos,  por isso projecta a sua vida de maneira a que o contacto com Deus se converta em busca do bem do próximo.

“Porque aos seus anjos ele mandou que te guarde em todos os teus caminhos, eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra” (Sl 90,11-12) – 29 de Setembro-Santos Arcanjos Miguel, Gabriel, Rafael (Flos Carmeli)

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São Gabriel Arcanjo, São Miguel Arcanjo e São Rafael Arcanjo

Fonte:Flos Carmeli

“O anjos levam as nossas orações à bondade misericordiosa do Altíssimo e de informar-nos se elas foram atendidas. Assim sendo, as graças que recebemos nos são dadas por Deus, que é o princípio e o fim de nossa vida, através da intercessão de nosso Anjo Bom.” ( São Francisco de Sales)

“Deus, que criou todas as coisas, criou também os anjos, para que o louvem, obedeçam e atendam. Criou-os para serem eternamente felizes e para que nos ajudem e guiem, especialmente toda a sua Igreja. Entretanto uma grande parte desses anjos cometeu o grave pecado da soberba, desejando tornar-se iguais ao próprio Criador. Por isso Deus os condenou e os precipitou no inferno, onde permanecerão para todo o sempre. Esses anjos rebeldes são chamados espíritos maus, diabos ou demônios, e têm como chefe Satanás.

Os anjos que ficaram fiéis a Deus são os chamados anjos bons ou simplesmente: anjos. Dentre esses é que Deus escolhe nosso Anjo da Guarda, que é pessoal e exclusivo, cuja função é proteger-nos até o retorno da nossa alma à eternidade. Ele nos ampara e nos defende das dos perigos com que os espíritos maus nos tentam, na nossa vida terrena. “Porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos, eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra” (Sl 90,11-12).

Os Anjos da Guarda estão repletos de dons e privilégios especiais, com uma missão insubstituível ao longo da criação. Eles possuem a natureza angélica espiritual, que é a síntese de toda a beleza e de todas as virtudes de Deus, por isso impossível de ser representada.

Deus confiou cada criatura a um Anjo da Guarda. Esta é uma verdade que está em várias páginas da Sagrada Escritura e na história das tradições da humanidade, sendo um dogma da Igreja Católica, atualmente também confirmado pelos teólogos. A devoção dos anjos é mais antiga até que a dos próprios santos, ganhando maior vigor na Idade Média, quando os monges solitários receberam a companhia dessas invisíveis criaturas, cuja presença era sentida nas suas vidas de silenciosa contemplação e íntima comunhão espiritual com Deus-Pai.

Todavia o Eterno Guardião, como o Anjo da Guarda também é chamado, tão solicitado e cuidado durante a infância, está totalmente esquecido no cotidiano do adulto, que, descuidando de sua exclusiva e própria companhia, não se apercebe mais de sua angélica presença. Mas este espírito puro continua vigilante, constante dos pensamentos e de todas as ações humanas.

O Anjo da Guarda é um ser mais perfeito e digno do que nós, criaturas humanas. Não podemos ignorá-lo. Devemos amá-lo, respeitá-lo e segui-lo, pois está sempre pronto a proteger-nos, animar e orientar, para cumprirmos a missão da vida terrena, trilhando o caminho de Cristo e, assim, ingressarmos na glória eterna.

O Catecismo da Igreja Católica nos orienta:

Quem são os anjos?

“Os anjos são criaturas puramente espirituais, incorpóreas, invisíveis e imortais, seres pessoais dotados de inteligência e de vontade. Estes, contemplando incessantemente a Deus face a face, glorificam-no, servem-no e são os seus mensageiros no cumprimento da missão de salvação, em prol de todos os homens”.

Como é que os anjos estão presentes na vida da Igreja?

“A Igreja une-se aos anjos para adorar a Deus, invoca a sua assistência e celebra liturgicamente a memória de alguns”.

São Pio de Pietrelcina nos ensina que:

“Que o teu anjo da guarda vele sempre por ti, seja o condutor que te guia pelo áspero caminho da vida. Que te proteja sempre na graça de Jesus, que te ampare com suas mãos. Que te proteja sob suas asas de todos os assédios do mundo, do demônio e da carne.

Deves muita devoção a esse bondoso anjo. Como é bom pensar que temos um espírito perto de nós, um espírito que, do berço até o túmulo, não nos deixa um só instante, nem mesmo quando ousamos pecar! Esse espírito celeste nos guia, nos protege, como um amigo, como um irmão.

Também é bom saber que esse anjo ora por nós sem cessar, oferece a Deus todas as boas ações e obras que fazemos, nossos pensamentos, nossos desejos, quando estão puros.

Não devemos nos esquecer desse companheiro invisível, sempre presente, sempre pronto a nos ouvir, e mais pronto ainda a nos consolar. Ó, sublime intimidade, ó bem-aventurada companhia, se soubéssemos compreendê-la! Deves conservá-lo sempre diante dos olhos da mente: lembra-te com freqüência da presença desse anjo, agradece-lhe, dirige a ele as tuas orações, sê para ele um bom companheiro. Abre-te e confia a ele os teus sofrimentos, tem receio de ofender a pureza do seu olhar. Tem consciência de sua presença e guarda-a bem na mente. Ele é tão delicado, tão sensível. Volta-te para ele nas horas de suprema angústia e experimentarás seus efeitos benéficos.

Nunca digas que estás sozinho na luta contra nossos inimigos. Nunca digas que não tens uma alma à qual podes te abrir e confiar-te. Seria um grande erro contra esse mensageiro celeste.”

(Pe. Pio, 1915)

São Miguel Arcanjo

“Miguel” que significa: “Quem como Deus?” é o defensor do Povo de Deus no tempo de angústia. É o padroeiro da Igreja universal e aquele que acompanha as almas dos mortos até o céu.

São Gabriel Arcanjo

“Gabriel” – que significa “Deus é forte” ou “aquele que está na presença de Deus” – aparece no assim chamado evangelho da infância como mensageiro da Boa Nova do Reino de Deus, que já está presente na pessoa de Jesus de Nazaré, nascido de Maria. É ele quem anuncia o nascimento de João Baptista e de Jesus.

Arcanjo São Rafael

“Rafael”- que quer dizer “medicina dos deuses” ou “Deus cura” – foi o companheiro de viagem de Tobias. É o anjo benfazejo que acompanha o jovem Tobias desde Nínive até à Média; quem o defende dos perigos e patrocina o seu casamento com Sara. É ele quem tira da cegueira o velho Tobias.

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças, porque ouvistes as palavras da minha boca. Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo. ( sl 137 )

Postado por Flos Carmeli às 18:56

CNBB divulga Declaração sobre o direito à objeção de consciência (CNBB – Documento publicado em 24.09.2009)

Acredito que devemos estar preparados para certos enfrentamentos que se avizinham nos âmbitos político e legal, que exigirão uma firme resolução a respeito de nossas convicções morais e religiosas.

A Itália, que há alguns anos aprovou a legalização da prática do aborto, vive atualmente em meio ao combate sistemático de grupos contrários aos postulados dos abortistas. Os grupos pró-vida italianos não aceitam  a pílula abortiva “RU486”, denominada por eles com termos radicais (na minha ótica, corretos) tais como “pesticida humano” ou pílula homicida”.  Por aqui, ainda não conseguimos levar a sério temas que envolvem dilemas morais, que inegavelmente têm por base princípios religiosos.

Como pano de fundo, a cultura atual, auto-denominada “pós-moderna”, relativista, quer a todo custo por abaixo o edifício dos valores universais. Os mesmos valores que fundaram e continuam fundamentando a cultura ocidental, aliás cristã. Esta, é bom lembrarmos,  não ignorou o legado da cultura grega – com seus três mil ou mais anos anteriores à vinda de Cristo. Temos, assim, Aristóteles, um pensador grego, que foi incorporado à cultura religiosa cristã-católica. Fala das virtudes –  as consequências quanto ao excesso ou falta de qualquer uma delas: amizade, caridade, coragem, etc. Portanto, a meu ver, não será porque chegamos ao século XXI que deixaremos todo este legado na convivência entre casais (com ou sem filhos), ou entre os demais familiares. Do mesmo modo, seria desastroso, se nós brasileiros aceitássemos essa desintegração ou diluição de valores (amor, ternura, compaixão, perdão, etc.) também em nosso convívio social, em nossas atividades profissionais, de renda, na formação das crianças, adolescentes e de jovens.

Percebo que há há alguns anos as universidades (inclusive algumas públicas) passaram a ser aqui em nosso País,  apenas  “fornecedoras” de diplomas… E o compromisso humano de uns para com os outros? O resultado prático é a selvagem realidade da saúde pública: médicos formados para o próprio enriquecimento, enfermeiras, admisnistradores de hospitais, e políticos de carreira que em punham um diploma universitário, que em nada, leva em conta o sofrimento humano…

Quanto aos endereços eletrônicos abaixo, por favor, ignorem os anúncios de publicidade. Sou contra a fertilização in-vitro (apesar de ser portadora de uma doença crônica “enigmática”, segundo especialistas, chamada Endometriose. No meu caso, foi causa de infertilidade – tenho 49 anos.

Quanto ao blog abaixo (que agrega elementos para  o temor justificadíssimo da CNBB, bem como o dos católicos pró-vida e dos demais cristãos brasileiros),  é admiravelmente completo e amplo a respeito do que expus sucintamente acima – a campanha pró-legalização do aborto (pró-escolha), e outros elementos fragilizadores de nossa humanidade. Não é  um site católico, ainda que, no segundo endereço do blog, apresentem  um artigo em que é mencionada a visão da psiquiatria e os danos provocados pela prática do aborto.  Neste, fazem menção inclusive a passagens da Bíblia. Em um todo, acredito que acrescentará, já que há temas paralelos sutis sobre questões que envolvem família e amor. A ênfase é dada ao aspecto da falta do último e o quanto é  desintegradora para o grupo familiar. Falam, por exemplo, o que me surpreendeu – na importância da reconciliação conjugal, quanto aos aspectos impactantes sobre o casal e os filhos, e a contra-partida, isto é, o crescimento pessoal individual que se dá através do perdão. Tenho lido pouco a respeito deste aspecto na web… Aqui, a meu ver, novamente temos a visão “pós-moderna” tentando solapar o que, por dois mil anos, foi a fonte da paz, da felicidade humana (pelo menos a que é possível alcançarmos na Terra…): o amor. O diferencial na abordagem é que apontam saídas práticas e simples para inúmeros problemas de nível afetivo, sentimental..

http://aborto.aaldeia.net/metodos-aborto-ru-486/

http://familia.aaldeia.net/

http://familia.aaldeia.net/remedios-para-o-desamor/

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Notícias  – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB  (texto integral)

Fonte: CNBB

24/09/2009 13:46:01

A Presidência da CNBB divulgou hoje uma declaração a respeito do direito à objeção de consciência afirmando que é direito de toda pessoa “manifestar sua objeção de consciência frente a tudo o que contraria as exigências da ordem moral, os princípios e valores éticos e a fé professada, de modo que ninguém, por tal motivo, possa ser punido ou forçado a agir de modo contrário àquilo que a consciência o move a fazer”.

A Declaração foi divulgada após a reunião do Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (Consep), que terminou no final da manhã desta quinta-feira.

Leia a íntegra da Declaração.

Declaração sobre o direito à objeção de Consciência

A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (Gaudium et Spes 16).

Em nome dos Bispos do Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB, reunidos em Brasília, nos dias 22 a 24 de setembro de 2009, desejamos expressamos nossa solidariedade a todas as pessoas que se empenham na defesa e promoção da vida humana em todas as fases de seu desenvolvimento, sobretudo, daqueles seres sem nenhuma possibilidade de defesa.

Em nossa sociedade, marcada por tantas e tão contrastantes concepções acerca do ser humano e de sua dignidade, todos os que se propõem a assumir o compromisso de promover a justiça e defender a vida, certamente, enfrentarão muitas resistências e objeções. Movidos pelos ideais cristãos e empenhados na nobre e grave causa da defesa da vida, não nos é permitido ceder a qualquer tipo de pressão ou arrefecer nosso ânimo frente às dificuldades que continuamente enfrentamos.

É direito de toda pessoa manifestar sua objeção de consciência frente a tudo o que contraria as exigências da ordem moral, os princípios e valores éticos e a fé professada, de modo que ninguém, por tal motivo, possa ser punido ou forçado a agir de modo contrário àquilo que a consciência o move a fazer. Em certas ocasiões, com destemida firmeza, é necessário dizer: “É preciso obedecer antes a Deus que aos homens” (At 5,29).

Brasília – DF, 24 de setembro de 2009

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Presidente da CNBB

Arcebispo de Mariana

Dom Luiz Soares Vieira

Vice-Presidente da CNBB

Arcebispo de Manaus

Dom Dimas Lara Barbosa

Secretário Geral da CNBB

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

“Suplicamos também a Deus que vos fortifique com todo vigor pelo poder glorioso, para que vos firmeis na constância e na paciência.” Carta aos Colossenses 1, 9-23 (Tradução do Novo Testamento – CNBB -1997)

São Paulo, o Apóstolo das Nações (Catequese - Papa Bento XVI)
São Paulo, o Apóstolo das Nações (Catequese - Papa Bento XVI)

O link da imagem dá acesso ao site da Diocese de União da Vitória, no Paraná. A seção “Notícias”, apresenta a primeira alocução do Sumo Pontífice Bento XVI, nas quartas-feiras. Ela foi proferida dia 02.07.2008, dentro de uma série de Catequeses sobre São Paulo.

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CARTA AOS COLOSSENSES

(1, 9-23)

SÚPLICA PELA COMUNIDADE E HINO

“Quanto a nós, desde que tivemos conhecimento dessas coisas, não cessamos de orar por vós e de suplicar para que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus, com toda a sabedoria e discernimento espiritual. Assim levareis uma vida digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus. Suplicamos também a Deus que vos fortifique com todo vigor pelo poder glorioso, para que vos firmeis na constância e na paciência. E, com alegria,

dai graças ao Pai que vos tornou dignos

de participar da herança dos santos*, na luz.

Foi ele que nos livrou do poder das trevas,

transferindo-nos para o reino de seu Filho amado,

no qual temos a redenção, o perdão dos pecados.

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação,

pois é nele que foram criadas todas as coisas, no céu e na terra,

os seres visíveis e invisíveis,

tronos, dominações, principados, potestades,

tudo foi criado através dele e para ele.

Ele existe antes de todas as coisas

e nele todas as coisas têm consistência.

Ele é a Cabeça do corpo, que é a Igreja;

é o princípio, Primogênito dentre os mortos,

de sorte que em tudo tem primazia.

Pois Deus quis fazer habitar nele toda a plenitude

e, por ele, reconciliar consigo todos os seres,

tanto na terra como no céu,

estabelecendo a paz por meio dele, por seu sangue derramado na cruz.

Também a vós que, outrora, vivíeis afastados e éreis inimigos, só pensando em obras más, agora, no tempo presente, ele vos reconciliou pelo corpo carnal de seu Filho, entregue à morte, a fim de que possais comparecer diante dele como santos, íntegros e irrepreensíveis… 23 Isso, enquanto permaneceis bem fundados na fé, sem vos desviardes da esperança dada pelo evangelho que ouvistes, pregado a toda criatura debaixo do céu e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.” (Carta aos Colossenses)

*(12) A herança do povo de Deus, agora também aberta aos não-israelitas.

……..

Fonte: CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – 1997. Novo Testamento: co-edição de Editora Vozes e Editora Santuário.

“Eu sou a Conceptio Immaculata”: Nossa Senhora responde à jovenzinha Bernadete (Santa), em Lourdes (1858-França).

Fonte: Paróquia Nossa Senhora de Lourdes (Paróquia do Carmelo Santa Teresa)

Pároco: Pe. Sérgio José de Souza

Nossa Senhora de Lourdes "Dogma da Imaculada Conceição" (8 de dezembro de 1854 ) - Natividade (8 de setembro)

EVANGELHO DO DIA

Quarta-Feira, 09 de Setembro de 2009, às 08:56 hs

Evangelho (Lucas 6,20-26)

23ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 20 Jesus, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! 21 Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque havereis de rir! 22 Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! 23 Alegrai-vos, nesse dia, e exultai pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24 Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! 25 Ai de vós que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! 26 Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas.   – Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

“Só podemos continuar a lutar contra o mal e as trevas se acreditarmos no bem; e podemos acreditar no bem sobretudo se o experimentarmos e vivermos como realidade. Nesta hora sondamos o bem e o belo com nosso coração” – Papa Bento XVI, comenta concerto a ele oferecido pela Orquestra da Baviera – Bach, Mozart e Britten (Zenit.org)

Zenit.org (Fonte) Musica Sacra 2009-2010 - The 21st Season

Música permite vivenciar a beleza e o bem da criação, diz Papa

Concerto oferecido ao pontífice ontem apresentou Bach, Mozart e Britten

CASTEL GANDOLFO, segunda-feira, 3 agosto de 2009 (ZENIT.org). – Bento XVI afirmou nesse domingo que a música permite sondar o Paraíso e vivenciar a beleza e o bem da criação.

No início da noite de ontem, no pátio interno da residência apostólica de Castel Gandolfo, foi oferecido ao pontífice um concerto. A orquestra de câmara de Bad Bruchenau (Baviera) executou peças de Bach, Mozart e Benjamin Britten.

As peças escolhidas, direcionadas para oboé, tiveram a execução “magistral”, no comentário do Papa, do músico Albrecht Mayer.

Após o concerto, em um breve discurso, o Papa lamentou não poder aplaudir com vigor os músicos, devido à lesão no punho.

Ele afirmou que foi comovente observar como o fluxo de todo universo da música pode ressoar através de um pequeno instrumento como o oboé. “O insondável e o jubiloso, a gravidade e o espirituoso, o grandioso e o simples, o diálogo interior da melodia”, disse.

“Eu pensei no quanto é magnífico que uma pequena peça criativa esconda tal promessa, que o músico pode libertar. Isso significa que toda criação está cheia de promessas e que ao homem é dado o dom de folhear este livro de promessas ao menos por um instante”, afirmou.

O Papa recordou que se celebrava o dia da Porciúncula e da milagrosa visão de São Francisco, em que o Senhor permite-lhe levar o perdão a casa. Francisco, em seguida, expressa aos seus amigos: o Senhor quer que todos tenham o Céu.

“Hoje penso que pudemos transcorrer este momento como uma hora do Céu, observar e ouvir o Paraíso e a beleza incorruptível e a bondade da criação”, disse.

Segundo o Papa, não se trata de uma fuga da miséria deste mundo e da vida quotidiana. “Só podemos continuar a lutar contra o mal e as trevas se acreditarmos no bem; e podemos acreditar no bem sobretudo se o experimentarmos e vivermos como realidade. Nesta hora sondamos o bem e o belo com nosso coração”, afirmou.

Postado por Agência Zenit, 3 de agosto de 2009.

Novena a São Rafael Arcanjo (Fraternidade Sacerdotal São Pio X)

 

 

Fonte: Fraternidade Sacerdotal São Pio X

São Rafael Arcanjo

NOVENA

A São Rafael Arcanjo

Médico de Deus, Guia dos viajantes, Consolador das famílias atribuladas, Mediador do matrimônio cristão, Modelo dos verdadeiros adoradores de Deus, Caridoso protetor das almas.

Festa: 24 de Outubro.

Explicação

Conhecemos o Arcanjo São Rafael pelo livro de Tobias. O seu papel de maravilhoso médico e de companheiro de viagem do jovem Tobias faz que seja invocado nas viagens e nos momentos difíceis da vida. A missa, ao mesmo tempo que canta a intervenção providencial dos anjos na nossa vida, convida-nos a ver igualmente neles perpétuos adoradores que vivem continuamente na presença da majestade de Deus.

****

Novena
(ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS)

Oh! Glorioso Arcanjo São Rafael, que estais presente ante o trono do Altíssimo. Eu, vosso indigno devoto, me humilho em vossa presença. Conhecendo por uma parte minha indignidade, e por outra vossa ardente caridade, vos suplico do íntimo do coração, que digneis escutar os meus humildes rogos e apresente-os ante o Senhor para obter por vossa mediação os favores que solicito nesta novena. Mas se minha súplica não há de contribuir para maior glória de Deus e salvação da minha alma, rogo-vos, oh! Meu Celestial protetor, mostrai a graça que me há de conduzir com mais segurança à eterna salvação. Não olheis tanto para os meus desejos, quanto ao bem de minha alma. Cheio de inteira confiança em Vós; espero alcançar o que solicito pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

Pedir as graças que se desejam.

INVOCAÇÃO

Oh! Glorioso Arcanjo São Rafael, lembra-te de seus devotos, em todas as partes e sempre peça por nós, ao Filho de Deus.

(Rezar nove vezes Glória ao Pai, em honra dos nove coros angélicos).

ORAÇÃO FINAL

Glorioso Arcanjo São Rafael, celeste mensageiro destinado por Deus para nos servir de guia na peregrinação desta vida, para nos defender contra as ciladas do demônio e para curar as enfermidades da nossa alma e do nosso corpo. Nós invocamos vossa poderosa intercessão, seguros de que alcançareis por nós e nossas famílias aquelas graças singulares que dispensastes na santa casa de Tobias.

Bem sabeis piedoso Arcanjo, que nossa viagem do tempo à eternidade, está cercada de perigos, e que o demônio, como leão rugindo, nos persegue para causar profundas feridas em nossas almas, até apagar nelas, se for possível, a luz salvadora da fé. Vinde, pois, em nosso auxílio, e dignais ser nosso inseparável companheiro. Dirigi nossos passos ao caminho dos mandamentos divinos fazendo que nossos olhos estejam sempre abertos ao sol da verdade; procurando os remédios mais eficazes para curar e encher de fervor nosso espírito. Ensina-nos, oh! Poderoso arcanjo, a vencer a Satanás com as armas poderosas da oração, da vigilância e da mortificação dos nossos sentidos.

Consolide em nossas famílias o reinado da fé, a prática constante da piedade, o espírito de união e o exercício da santa caridade em favor dos pobres e dos nossos queridos mortos, a fim de que eles recebam do céu abundantes bênçãos que, por mediação vossa derramou Deus sobre o lar de Tobias.

Não nos abandoneis, pois, oh! Santo Arcanjo! Vigiai sempre ao nosso lado para que nossos passos sejam sustentados por vós, todas as vezes que sintamos desfalecidos na penosa e difícil jornada da vida. Nosso Senhor, Deus Todo-poderoso, que estais nos céus, e que é também o vosso, nos há confiado a vossa terna solicitude para que seja nosso guia neste desterro, nosso consultor nas dúvidas e nosso médico nas enfermidades. Coroais vossa obra de amigo fiel e condutor seguro, acompanhando nossas almas até as deixar nos braços de seu criador para amar-lhe e bendizer-lhe com vós eternamente. Assim seja.

Bendito e adorado seja o Santíssimo Sacramento do Altar e a Puríssima e Imaculada Conceição de Maria Santíssima, Senhora Nossa, concebida sem mancha de pecado original desde o primeiro instante de seu ser natural. Amém.

 

São Pedro Crisólogo: “Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si.” Memória – 30 de julho (Spe Deus)

Fonte: Spe Deus

São Pedro Crisólogo nasceu em Ímola no ano 380 e mereceu o apelido de Crisólogo, isto é, “Palavra de Ouro”, por ser autor de estupendos sermões, ricos de doutrina, que lhe deram também o título de doutor da Igreja, decretado no ano 1729 pelo Papa Bento XIII. Dele se conservam cerca de 200 sermões. Numa homilia define o avarento como “escravo do dinheiro, mas o dinheiro – acrescenta – é o escravo do misericordioso. ” É fácil entender o significado desta prédica. Sua pregação colocava insistentemente em evidência o amor paternal de Deus: “Deus prefere ser amado a ser temido”. Humildes e poderosos escutava-os ele com igual condescendência e caridade. A imperatriz Gala Placídia teve-o como conselheiro e amigo.
Eleito Bispo de Ravena no ano 424, Pedro Crisólogo mostrou-se bom pastor, prudente e sem ambiguidades doutrinais. Sua autoridade era reconhecida em largo raio da Igreja. São Pedro Crisólogo disse certa vez: “Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si” (op.cit.p.407).

São Pedro Crisólogo morreu no dia 31 de Julho do ano 451, em Ímola.

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Fonte: ROSA BÍBLICA

S. Pedro Crisólogo

(c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

Sermão 99

“Até que tudo tenha levedado”

Busquemos o sentido profundo desta parábola. A mulher que tomou o
fermento é a Igreja; o fermento que ela tomou é a revelação da doutrina
celeste; as três medidas em que misturou o fermento são a Lei, os Profetas
e os Evangelhos, onde o sentido divino mergulha e se esconde sob termos
simbólicos, a fim de ser agarrado pelo fiel e escapar ao infiel. Quanto às
palavras “até que tudo tenha levedado”, dizem respeito ao que diz o
apóstolo Paulo: “Imperfeita é a nossa ciência, imperfeita também a nossa
profecia. Quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito” (1
Co 13,9). O conhecimento de Deus está agora na massa: espalha-se nos
sentidos, enche os corações, aumenta as inteligências e, tal como todo o
ensinamento, alarga-os, eleva-os e desenvolve-os até às dimensões da
sabedoria celeste. Tudo será levedado em breve. Quando? Na segunda vinda de
Cristo.

S. Pedro Crisólogo

(c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

Sermão 80

“Não temais”

“Eu sei que procurais Jesus, o crucificado. Não está aqui”. Assim falava o
anjo às mulheres, ele que tinha aberto o túmulo por essa razão. Não tinha
sido para fazer sair Cristo, que já não estava lá, mas para lhes fazer
saber que Cristo já não estava lá. “Ressuscitou, tal como tinha dito…
Vinde ver o lugar onde o Senhor tinha sido depositado” (Mt 28,5-6). Vinde,
mulheres, vinde. Vede o lugar onde tínheis depositado Adão, onde o género
humano tinha sido sepultado. Compreendei que o seu perdão foi tão grande
quão grande tinha sido a injustiça feita ao Senhor… Quando as mulheres
entram no sepulcro, tomam parte no acto de sepultar Jesus, tornam-se
participantes da própria Paixão. Ao saírem do sepulcro, erguem-se na fé
antes de ressuscitarem na cerne. “Deixaram o túmulo, trémulas e cheias de
alegria”… A Escritura diz: “Servi o Senhor com temor e estremecei de
júbilo por ele” (Sl 2,11).

“E Jesus veio ao seu encontro e disse-lhes: ‘Salve!'” Cristo vem ao
encontro daquelas que correm com fé, para que reconheçam com os seus olhos
Aquele em quem tinham acreditado pela fé. Quer confortar com a sua presença
aquelas que tinham ficado a tremer pelo que lhes tinha sido dito… Vem ao
seu encontro como um mestre, saúda-as como um familiar, devolve-lhes a vida
por amor, guarda-as pelo temor. Saúda-as para que o sirvam amorosamente,
para que o receio não as faça fugir. “Salve!” “Elas aproximaram-se e
agarraram-lhe os pés”… “Salve!”, quer dizer: Toquem-me. Quis ser
agarrado, Ele que suportou que o amarrassem…

Diz-lhes: “Não temais”. O que o anjo tinha dito, o Senhor di-lo também. O
anjo tinha-as confirmado, Cristo vai torná-las mais fortes ainda. “Não
temais. Ide anunciar aos meus irmãos que devem ir para a Galileia. Lá me
verão”. Erguendo-se de entre os mortos, Cristo tomou consigo o homem, não o
abandonou. Chama-lhes, por isso, seus irmãos, àqueles que pelo corpo tinha
tornado seus irmãos de sangue; chama-lhes irmãos, àqueles que adoptou como
filhos de Seu Pai. Chama-lhes irmãos, àqueles que, como herdeiro pleno de
bondade, quis tornar seus co-herdeiros.

Fonte: www.evangelhoquotidiano.org (texto integral)

“Como é de lamentar um padre quando diz missa como coisa banal… Oh!, como é infeliz um padre a quem falte interioridade!” – São João Maria Vianney (Cura d’Ars), in Flos Carmeli – Ano Sacerdotal

Vale a pena conferir no Blog Flos Carmeli, as informações acerca do Ano Sacerdotal, instituído pelo papa Bento XVI, e cujo patrono é São João Maria Vianney – o Cura D’ Ars. A meu ver, ele foi um sacerdote – e santo – extraordinário! A propósito, foi criado um selo especial no “Flos Carmeli” – “Celebrando o Ano Sacerdotal”.

Ao lado, no Blogroll, está disponível o link de acesso para o site criado pelo Vaticano, intitulado “Annus Sacerdotalis”.

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Fonte: FLOS CARMELI  (ANO SACERDOTAL)

18.7.09

São João Maria Vianey

O jovem pároco João Maria Batista Vianney não prometia sucessos retumbantes, mas ao ser nomeado para o vilarejo perdido de Ars, o seu imenso amor a Deus transformou a fundo não apenas os seus paroquianos, mas milhões de peregrinos da França inteira.

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Era ao entardecer de 9 de fevereiro de 1818, uma terça-feira. Um pastorinho de dezesseis anos, Antoine Givre, que guardava as ovelhas na lande das Dombes, teve um encontro estranho, que havia de recordar durante toda a vida. Ia cair a noite. Já as luzes se acendiam nas janelas das casas, agrupadas a algumas centenas de metros, para além de um valado. Do lado da estrada de Lyon, o rapaz ouviu um barulho e olhou: era um padre que avançava a grandes passadas de camponês; a seu lado, uma velha de touca na cabeça; atrás deles, uma carriola vacilante, carregada de fardos e de uma misturada de coisas, no meio das quais se via uma cama de madeira. O padre saudou o pequeno e perguntou-lhe se ainda estava longe de uma aldeia chamada Ars. Antoine indicou com a mão o humílimo povoado que já se ocultava no crepúsculo. “Como é pequeno!”, murmurou o padre. E ajoelhou-se. Em silêncio, durante muito tempo, rezou, de olhos postos nas casas. Rezou com um fervor e uma atenção extraordinários. Dir-se-ia que via coisas de que os outros não faziam a menor idéia. Ao levantar-se, olhou para o rapaz e, com voz muito simples, disse: “Tu mostraste-me o caminho de Ars… Um dia hei de mostrar-te o caminho do Céu”. Em seguida, retomou a marcha. A capelania de Ars-en-Dombes – que não tinha mais de duzentas almas e estava subordinada à paróquia de Misérieux, da diocese de Lyon – recebia o seu novo encarregado.

Chamava-se Jean-Marie Vianney. Nascera trinta e dois anos antes (1786), numa aldeia situada a umas dez léguas, Dardilly, onde os pais eram gente dedicada ao campo; e gente piedosa, como ainda havia tantos na França. Por curiosa coincidência, um dia sentara-se à mesa deles São Bento Labre, “o anjo andrajoso”, no decurso da sua grande peregrinação. Já aos sete anos, o pequeno Jean-Marie mostrara uma inclinação tão evidente para a oração que se falara de fazer dele frade ou padre. Levava para os campos onde guardava algumas vacas uma imagenzinha de Nossa Senhora, que colocava no buraco de um salgueiro para se ajoelhar diante dela. Com a Revolução, viera a grande caça aos padres. O pequeno tivera de aprender o catecismo às escondidas e de fazer a primeira comunhão clandestinamente, numa casa com a porta e as janelas fechadas. E o espetáculo da resistência do clero francês à perseguição acabara de enraizar nele a vocação religiosa. Mais ainda: uma vocação para o heroísmo, o sacrifício, a grandeza espiritual.

Infelizmente, para ser padre e ter o direito e os meios de “ganhar almas para Deus”, não basta a boa vontade, não basta o impulso do coração: é preciso estudar, aprender latim, liturgia, teologia e tantas coisas mais! Nesse campo, Jean-Marie Vianney mostrara-se muito decepcionante. O seu cérebro, maravilhosamente capaz de fixar os fatos da vida prática e de penetrar nos seres, era radicalmente incapaz de armazenar as declinações latinas e as mais elementares noções de dogmática! Se não tivesse encontrado no seu caminho um homem para o compreender, não há dúvida de que nunca teria chegado a vencer os sucessivos obstáculos que o separavam do sacerdócio. Nos seminários de Verrières e, depois, no de Santo Ireneu, perto de Lyon, que fraca figura tinha feito o pobre pequeno! Mas M. Belley velara por ele, M. Belley, pároco de Ecully, abelha operária de uma dessas equipes de missionários que, em pleno Terror, o pe. Linsolas, vigário geral de Lyon, tivera a audácia de fundar. Graças a Belley, Jean-Marie conseguira receber o diaconado, em 1814, e, no ano seguinte (a 13 de agosto), a ordenação sacerdotal, na capela do Seminário Menor de Grenoble, algumas semanas depois da queda do Império. Coadjutor em Ecully, acabara de se preparar junto do seu mestre para uma existência sacerdotal inteiramente devotada às almas e também cheia de práticas de piedade e ascese: flagelações, jejuns, cilício. Era de Ecully que chegava, nesse entardecer brumoso de 9 de fevereiro de 1818, à minúscula aldeia de Ars. E lá iria ficar durante quarenta e um anos…

Fisicamente, era um corpanzil rústico, de andar pesado, rosto alongado e magro, cujas “maçãs” se iam adelgaçando até ao queixo esguio, e em que o nariz ossudo despontava sobre uns lábios finos. O único dado apreciável dos seus traços sem graça eram os olhos, olhos de um azul-cinzento, de uma limpidez e uma capacidade de concentração igualmente extraordinárias. Mais tarde, quando estiver no auge da sua celebridade, uma toleirona burguesa, vinda expressamente de Paris para admirar o grande homem, vendo-o assim, exclamará: “É só isto, o Cura d´Ars?!” Pois só isso, esse camponês bronco, mal vestido, com uma batina remendada e esverdeada à força de uso, esse homenzinho facilmente brincalhão e que se chamava a si próprio o burrinho ou o idiota da aldeia?! Como não deixar desconcertada uma parisiense! E essa reputação de ignorante, de caranguejo com orelhas de burro, que o seguia desde o seminário e que ele mesmo parecia cultivar com prazer…

Mas a verdade desse homem não estava aí. É óbvio que era exatamente o contrário desse minus habens, desse “primário intelectual” de que falariam os redatores da Idée libre. A inteligência não se mede só pela dose de conhecimentos livrescos que pode assimilar, e, quanto a tudo o que pertencia à vida e não ao impresso, Jean-Marie Vianney era uma inteligência fora de série. E, sobretudo, havia nele alguma coisa superior à inteligência: uma forma de “ver as coisas do alto”, como disse o cardeal de Bonald, um dom de intuição que escapava a toda a lógica, mas que se revelava quase infalível, uma grandeza que se impunha ao interlocutor mais obtuso ou mais hostil: numa palavra, uma força soberana, a par da simplicidade mais natural e da mais autêntica humildade. “Para crer na presença do Sobrenatural – pôde alguém dizer dele -, basta olhá-lo”. Todos os que o viram deram o mesmo testemunho da sua irradiação espiritual, da misteriosa “aura” que rodeava o seu corpo sem prestígio. Uma palavra resume tudo sobre a realidade profunda que o sustentava. Foi dita pelo bispo de Belley, num dia em que alguns padres deploravam diante dele, cheios de compaixão, a ignorância do seu confrade, a nulidade que era em matéria de teologia e de casuística: “Não sei se ele é instruído; sei que é iluminado”.

Assim era, pois, aquele que Ars-en-Dombes ia guardar durante quarenta e um anos seguidos, aquele que viria a identificar-se tão totalmente, tão plenamente, com essa ínfima aldeia, que iria como que ser absorvido por ela, perder até o nome de família a favor do seu pobre título, não ficando a ser, “tanto no futuro como no Céu”, nada mais que o Cura d´Ars. Quarenta e um anos, “e sempre contra vontade” – diz a excelente Catherine Lassagne, que o acompanhou no seu presbitério. Porque, torturado pela angústia de não ser digno da pesada missão de padre, esse humilde diante de Deus há de fugir da paróquia pelo menos três vezes, decidido a deixar o lugar “a alguém menos ignorante”, e serão os próprios paroquianos que o reterão, à custa de mil e uma astúcias. Quarenta e um anos de uma vida que, aparentemente, parecerá a mais banal, a mais monótona que se possa imaginar, mas na qual se desenrolará, num plano que já não pertence à terra, a aventura mística mais espantosa da sua época.

Quando Jean-Marie chegou, Ars não passava da mais morna das comunidades cristãs. “Lá, não gostavam muito de Deus”. Mas, logo que viram como vivia o novo cura, os paroquianos compreenderam que alguma coisa tinha mudado. Começou por mandar restituir ao castelo os móveis confortáveis que a piedosa Mme. des Garets tinha emprestado ao presbitério. Depois, pôs-se a restaurar a igreja, que estava caindo aos pedaços, fazendo por suas próprias mãos “o trabalho doméstico de Deus”. A seguir, só se falava na aldeia de que o novo encarregado da capelania de Ars tinha um modo singularíssimo de alimentar-se: umas tantas côdeas de pão seco, uma panela de batatas, que mandava coser cada três semanas e que ia comendo frias. Por último, as boas mulheres que, de tempos a tempos, conseguiam penetrar na casa paroquial para cuidar dos trabalhos domésticos, contavam que encontravam roupa ensangüentada, manchas vermelhas nas paredes… E compreendeu-se então para que serviam as correntes que o padre mandara forjar na oficina do ferreiro. Esses jejuns, essas penitências – que o Cura d´Ars conservará durante toda a vida – fizeram tanto maior impressão quanto a verdade é que essa terrível ascese não impedia M. Vianney de ser de uma delicadeza, de uma mansidão perfeitas, sem querer impor a ninguém os golpes de disciplina que a si mesmo infligia – e que nem uma só vez deixou transparecer. Quando, porém, este ou aquele se permitia aludir aos rigores que ele aplicava ao seu corpo, respondia com o melhor dos sorrisos que era coisa muito apropriada para “o velho Adão” ou “o cadáver”…

Poder do exemplo: foi, indubitavelmente, por aí que Jean-Marie Vianney se impôs: primeiro, às suas ovelhas; depois, a outras. Pouco a pouco, a paróquia transformou-se. Homens, mulheres, crianças foram agrupados em confrarias ou obras. Abriu-se uma escola gratuita, a “Casa da Providência”, aonde afluíram as meninas, incluindo as órfãs, as abandonadas, as desafortunadas. Os maus hábitos, como o do baile e da taberna, contra os quais o padre era severo, foram desaparecendo da paróquia. Para não o desgostarem, os moços e as moças menos recatados refreavam o seu comportamento. “O respeito humano voltou-se do avesso”, e passou a ser tão vergonhoso apanhar uma bebedeira como o era, na véspera, não beber com os outros. A igreja, ainda ontem meio vazia, encheu-se e, como a gente dos arredores ganhou o costume de a freqüentar, passou a ser pequena. Quem havia de prever semelhante mudança, quando, meia dúzia de anos antes, o arcebispo encarara seriamente a hipótese de suprimir a paróquia?

E, no entanto, Jean-Marie Vianney não era grande orador; o que servia aos seus ouvintes não eram grandes trechos de eloqüência. Tinha a voz gutural; tendia a gritar; muitas vezes perdia o fio do discurso, parava e depois retomava a palavra fosse lá como fosse; por fim, como não sabia como acabar, cortava o sermão e descia do púlpito subitamente. Quanto à matéria dos sermões, nada tinha de original. O mesmo se diga da catequese, que dava a crianças e adultos várias vezes por semana. Não tinha escrúpulo em ir buscar material às coletâneas de Bonnardel, de Joly, de Billot, do pe. Lejeune, sermonários de largo uso na época, assim como ao catecismo do campo. Copiava um parágrafo aqui, outro acolá, harmonizava-os conforme podia; mas, sobre todo esse mosaico, punha a sua marca, transformando as frases excessivamente bem construídas em fórmulas simples, populares, com comparações e imagens que impressionavam o ouvinte. Por exemplo: para mostrar a ação do pecado na alma, comparava-o a uma mancha de azeite num pano de lã: mesmo que a lavemos dez vezes, não sai! E, ao passarem pelos seus lábios – todos os que o ouviram concordam nisto –, esses pobres sermões ganhavam um poder de sugestão extraordinário. Podia anunciar os castigos do Juízo Final, ou falar interminavelmente do amor de Deus pelos homens, da sua infinita misericórdia, que encontrava sempre, como por instinto, as palavras que iam até ao fundo das almas. E que dom de descobrir fórmulas! Pelo menos uma delas ficou a pertencer ao mais raro florilégio do pensamento cristão. Ouvindo certo dia uma viúva que estava angustiada porque o marido se tinha lançado ao rio e se afogara, e que tremia convencida de que ele se condenara, que lhe respondeu o Cura de Ars? Simplesmente isto: “Entre a ponte e a água, houve tempo para o arrependimento e o perdão”. Entre a ponte e a água…

Era assim o padre que a aldeia de Ars conservou por quarenta e um anos. O padre. E esta única palavra diz tudo. Porque Jean-Marie Vianney não foi senão um padre, um simples padre, todo ele entregue às almas, devorado pela sua missão, integralmente fiel à sua vocação. Nada mais que isso; nada menos que isso. Mas esse sacerdócio, que estivera a ponto de lhe ser recusado, fê-lo ele subir a um nível tão alto que se revelou inigualável. Nunca ninguém falou melhor que ele acerca do padre, da grandeza da sua função, do seu papel sobrenatural. “Ah! Como o padre é qualquer coisa de grande! O padre só poderá ser compreendido no Céu. Se o compreendêssemos neste mundo, morreríamos – não de terror, mas de amor… Depois de Deus, o padre é tudo! Deixai uma paróquia vinte anos sem padre: hão de adorar os animais!

Mas também ninguém disse melhor que ele o que há de terrível para um homem em ser depositário do poder de Deus, em ter o direito de absolver e o de fazer o próprio Deus descer à hóstia. “Como é terrível ser padre!” – repetia muitas vezes –, e o seu rosto inundava-se de lágrimas. “Como é de lamentar um padre quando diz missa como coisa banal… Oh!, como é infeliz um padre a quem falte interioridade!” Um padre. Apenas padre. Aí reside o caráter extraordinário da sua aventura. Foi só por não ter sido nada mais que padre que Jean-Marie Vianney se tornou uma glória da terra, antes de ser um santo.

Sim. Pouco a pouco, ou melhor, bem depressa, o renome do Cura d´Ars transbordou do quadro estreito da sua minúscula paróquia. Chamavam-no aqui, ali, acolá, para falar, para confessar. E, sobretudo, espontaneamente, havia homens e mulheres que se lançavam à estrada, por terem ouvido dizer que, algures nos Dombes, numa aldeia perdida, havia um padre que falava de Deus, confessava, confortava. Menos de dez anos depois de ter chegado, a corrente de peregrinos que afluía a Ars tomara a força de um acontecimento, não somente regional, mas nacional e internacional. Calcula-se em 80.000, em média, os peregrinos que, ano após ano, e durante trinta anos, se sucederam em Ars. No último ano, que foi o da morte do santo, foram para cima de 100.000. A aldeia mais que duplicou. À volta da igreja, conforme se vê nas gravuras da época, multiplicaram-se as “pensões burguesas” e as lojas onde se vendiam objetos de devoção.

Quem eram esses que acorriam a Ars? Vinham de todos os países, pertenciam a todas as classes sociais. Aquele a quem os companheiros de seminário chamavam pobre de espírito, aquele de quem alguns colegas de sacerdócio troçavam por ser intelectualmente nulo, era procurado por homens notáveis que o vinham consultar: intelectuais de alto nível, almas comprovadamente espirituais, como, por exemplo, o pe. Lacordaire, preocupado com o futuro da sua Ordem, ou o pe. Chevrier, fundador, em Lyon, do Prado, ou o pe. Muard, que iria fundar os beneditinos da Pierre-qui-Vire, ou mons. Ségur, o bispo cego, ou mons. Ullathorne, inglês convertido, discípulo de Wiseman, por este enviado a Roma para resolver a questão do restabelecimento da Hierarquia na Inglaterra e que parou em Ars e chegou a pensar em nunca mais sair de lá… Não havia ninguém que não se retirasse consolado, encorajado, guiado. Ninguém que não pudesse dizer, como certo humilde vinhateiro do Mâcon: “Vi Deus num homem”.

Esse prodigioso afluxo teve, para o Cura d´Ars, uma conseqüência penosa. A sua vida tornou-se a vida de um forçado de Cristo, noite e dia preso a uma tarefa cuja amplitude ia além das forças humanas. É certo que lhe tinham dado um auxiliar, que, de resto, pelo seu temperamento, foi para ele, muita vez, ocasião de penitências suplementares… E até se constituiu um grupo de missionários destinado a ajudá-lo. Mas era ele, só ele, quem os inúmeros fiéis queriam ver; só a ele queriam confiar as suas misérias; só dele esperavam esperança e paz.

Então, devorado pelo zelo das almas, Jean-Marie Vianney fez-se escravo do confessionário. Nessa pequena caixa de madeira em que no inverno gelava e no verão abafava, passava horas, dias, meses, anos inteiros… Chegou a ficar lá dezoito horas seguidas! Também chegou a desmaiar, sufocado com a falta de ar e o mau cheiro. Os dias eram para ele “regulados como uma pauta de música”. Pouco depois da meia noite, ia para a igreja, de lanterna na mão. Já a multidão o esperava à porta e logo começava o desfile. Foi preciso organizar um serviço de ordem! As mulheres eram atendidas no confessionário, que ficava numa capela lateral. Os homens que não gostavam de ser vistos iam à sacristia. Os padres – o próprio bispo de Belley – ajoelhavam-se por trás do altar-mor. Quer a confissão fosse longa ou curta, a exortação do padre era sempre breve, mas bastava para que o penitente ficasse transtornado e, muitas vezes, se retirasse de rosto banhado em lágrimas. Nesse desenrolar atrozmente monótono de feios pecados, de impurezas grandes ou pequenas, só duas interrupções: uma, para a missa, pelas quatro da manhã; outra, para o catecismo, às onze. E isso durou mais de trinta anos…

Semelhante heroísmo seria ainda deste mundo? À volta desse homem de Deus, o sobrenatural surgia em tudo. Uma coisa era certa: ele tinha o dom de ler nos corações. Bem o descobriam à sua custa aqueles que tentavam trapacear com Deus, calar pesadas faltas, diminuir um pouco a conta dos anos em que não se tinham confessado: com um olhar, o padre trespassava-os como um raio de luz, e, em duas palavras, situava-os diante da triste verdade da sua miséria.

Veria ele ainda mais alguma coisa, outras realidades? Ferozmente mudo sobre este ponto, fugindo a todas as perguntas, recusava-se a dizer se era verdade que tivera visões de Nossa Senhora, de São João Batista, de alguns outros santos talvez, como insistentemente se dizia. “Uma impressão que tive muitas vezes – diz um dos seus íntimos, que freqüentemente o ajudava à missa – é que ele via aquilo que adorava”. Mas havia outro capítulo sobre o qual o santo era um pouco mais loquaz: o da luta terrível, que, por mais de trinta anos, sustentou com o adversário, o próprio Satanás, a quem chamava, com um termo saboroso, “le grappin” [“a fisga”], e que reconhecia ter encontrado tanta vez que eram “como dois velhos camaradas”. Quanto aos seus milagres, dos quais o processo de canonização consideraria uns trinta, todos eles tinham um ar de simplicidade que devemos dizer evangélica: multiplicação do pão para o orfanato da paróquia, cura de enfermos, leituras do futuro. Em todos eles se encontrava, como diziam os cristãos da primitiva Igreja, “o bom odor de Cristo”.

A glória humana acompanhou essa glória celeste, singularmente manifestada na terra. Os peregrinos de Ars difundiam-na ao longe e ao largo, de modo que vinham pelas estradas das Dombes curiosos, até descrentes, que, na maior parte dos casos, de lá voltavam adivinhados, confusos, demudados. A imprensa falava. Nas lojas próximas da igreja, vendiam-se estampas com a figura do santo cura, o que bastava para o fazer zangar-se: “É o meu carnaval”, dizia ele, mostrando-as. Pôs no olho da rua o escultor que teve a imprudente audácia de lhe pedir licença para fazer a sua estátua. Quando o bispo lhe enviou a murça de cônego honorário, o santo agradeceu-lhe muito amavelmente, mas logo vendeu o inútil ornamento e pôs o dinheiro ao serviço dos pobres. Quanto à Legião de Honra que o sub-prefeito de Trévoux conseguiu para ele, recusou-se evidentemente a colocá-la ao peito e imediatamente a deu de presente, visto que era um objeto sem valor comercial e inútil para as suas obras de caridade. Nada lhe iria faltar para entrar na lenda em vida. Nada: nem sequer a ácida inveja de alguns dos seus confrades, ou a gritaria daqueles a quem incomodava, ou até as cartas anônimas e as injúrias. A todos os ataques respondia afirmando que os piores tratamentos eram ainda suaves demais para um asno e um pecador da sua laia, o que deixava envergonhados os cínicos.

Nos últimos dias de julho de 1859, a morte, cuja chegada anunciara, veio arrancá-lo por fim à sua tarefa sem medida. Morreu na noite de 3 de agosto, de olhos voltados para o Céu, “com uma expressão extraordinária de fé e de felicidade”, no dizer de uma testemunha. E logo acorreram multidões, massas imensas de gente, em que se misturavam os ricos e os pobres, entre eles o novo bispo de Belley, que se deslocou a pé desde Meximieux, a quarenta quilômetros, “sem fôlego, comovido, rezando em voz alta”. Ars bem sabia que tinha acabado de perder um santo.

Fonte : Eclesia Una

Postado por Flos Carmeli às Sábado, Julho 18, 2009

«A Santa Missa atrai por si mesma, pela sua sacralidade e seu mistério» (Dom Fernando Arêas Rifan – Administração Apostólica São João Maria Vianney) – Zenit

Chapel  of Servants of the Holy Family
Chapel of Servants of the Holy Family

Traditional Catholic Carmelite Convent
Carmelite Monastery of the Sacred Hearts (Traditional Catholic Carmelite Convent)

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Entrevista realizada pela Agência de Notícias  ZENIT – Roma, e publicada em PIME.Net – Pontifício Instituto de Missões no Exterior

BRASIL: 24/03/2008

Liturgia

Falta de espiritualidade séria leva a abusos

Entrevista com o bispo brasileiro responsável por comunidade que celebra missa antiga

Por Alexandre Ribeiro

O bispo de uma comunidade brasileira que celebra a missa antiga (forma litúrgica extraordinária do Rito Romano, liturgia chamada Tridentina ou de São Pio V) considera que os abusos na liturgia são ocasionados pela «falta de uma espiritualidade séria». «A Santa Missa atrai por si mesma, pela sua sacralidade e seu mistério», afirma Dom Fernando Arêas Rifan, Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Nesta entrevista a Zenit, o bispo fala, entre outros temas, sobre a beleza e riqueza da missa antiga, cuja faculdade de celebrar Bento XVI estende a toda a Igreja pelo Motu Próprio “Summorum Pontificum”, de 7 de julho de 2007.

Gostaríamos primeiramente que o senhor explicasse, para aqueles que não conhecem, o que é a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney?

Dom Fernando Rifan: A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, situada no Norte do Estado do Rio de Janeiro, com os mesmos limites da Diocese de Campos, é uma circunscrição eclesiástica equiparada pelo Direito às Dioceses imediatamente sujeitas à Santa Sé (cânon 368 e Decreto “Animarum Bonum”), uma porção do povo de Deus, portanto, cujo cuidado pastoral é confiado a um Bispo Administrador Apostólico, que a governa em nome do Sumo Pontífice (cânon 371§2). A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney foi criada pelo Decreto “Animarum bonum”, da Sagrada Congregação para os Bispos, de 18 de janeiro de 2002, oficializando juridicamente a vontade de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, expressa na carta autógrafa “Ecclesiae unitas”, de 25 de dezembro de 2001. Funciona como uma diocese normal, mas de caráter pessoal não territorial, como as Prelazias Pessoais, as Eparquias e Exarcados Orientais e os Ordinariatos Militares, tendo seu Bispo próprio, o Administrador Apostólico, Cúria, Seminário, Sacerdotes, Paróquias, Igrejas e Institutos de Vida Consagrada, como qualquer outra diocese. Essa “Diocese pessoal” foi criada com a finalidade de conservar na unidade eclesial os sacerdotes e fiéis ligados à forma litúrgica extraordinária do Rito Romano (Liturgia chamada Tridentina ou de São Pio V), que eram e são numerosos nessa região.

Na Administração Apostólica se celebra a missa antiga do Rito Romano (anterior à reforma de 1970). Qual é a riqueza e a beleza desse tipo de missa?

Dom Fernando Rifan: O decreto de criação da Administração Apostólica (“Animarum Bonum”, “O Bem das Almas”) assim diz: “É atribuída à Administração Apostólica a faculdade de celebrar a Sagrada Eucaristia, os demais sacramentos, a Liturgia das Horas e outras ações litúrgicas segundo o rito e a disciplina litúrgica, conforme as prescrições de São Pio V, juntamente com as adaptações introduzidas por seus sucessores até o Bem-aventurado João XXIII” (item III). E esse privilégio o Santo Padre Bento XVI agora o estendeu a toda a Igreja pelo Motu Próprio “Summorum Pontificum”, de 7 de julho de 2007.

São várias as razões desse amor, preferência e conservação da forma extraordinária da Liturgia Romana. O então cardeal Joseph Ratzinger, nosso atual Papa, em conferência aos Bispos chilenos, em Santiago, em 13/7/1988, assim as sintetizou: “Se bem que haja numerosos motivos que possam ter levado um grande número de fiéis a encontrar refúgio na liturgia tradicional, o mais importante dentre eles é que eles aí encontram preservada a dignidade do sagrado”. De fato, pela sua riqueza, beleza, elevação, nobreza e solenidade das cerimônias, pelo seu senso de sacralidade e reverência, pelo seu sentido de mistério, por sua maior precisão e rigor nas rubricas, apresentando assim mais segurança e proteção contra abusos, não dando espaço a “ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações” (como lamentava o Papa João Paulo II na encíclica “Ecclesia de Eucaristia”) e por ser, para nós, melhor expressão litúrgica dos dogmas eucarísticos e sólido alimento espiritual, ela vem a ser uma das riquezas da Liturgia católica, pela qual exprimimos o nosso amor e nossa comunhão para com a Santa Igreja. E a Santa Sé reconhece essa nossa adesão como perfeitamente legítima.

Como são os cantos é qual é o cuidado que se tem com eles na missa antiga?

Dom Fernando Rifan: Na Missa antiga, procura-se pôr em prática as normas dadas pelo Papa João Paulo II no “Quirógrafo pelo centenário do Motu Próprio “Tra Le Sollecitudini”, de São Pio X, onde ele recorda as regras desse santo Papa, de seus sucessores e do Concílio Vaticano II sobre a música sacra. O Papa ensina a necessidade de “purificar o culto de dispersões de estilos, das formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do ato que se celebra”. O Papa recorda a diferença, infelizmente hoje pouco percebida, entre o profano e o sagrado, especialmente na música das Igrejas, e ele lamenta que a música na Igreja hoje chegue “a ponto de incluir repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as normas da mesma liturgia”, afirmando ele que “nem todas as formas musicais podem ser consideradas aptas para as celebrações litúrgicas.”

E como paradigma da verdadeira música sacra, o Papa ensina que “entre as expressões musicais que mais correspondem à qualidade requerida pela noção de música sacra, particularmente a litúrgica, o canto gregoriano ocupa um lugar particular”.

É claro que em nossas missas, segundo as mesmas normas da Santa Sé, usamos também a polifonia clássica e moderna e o canto popular em português, tão amado do nosso povo simples, sempre os sintonizando com o espírito e o momento litúrgico.

A missa antiga poderia ser mais promovida na vida da Igreja, mesmo que de forma extraordinária, como assinala e permite o Motu Proprio “Summorum Pontificum”? Que benefícios isso traria?

Dom Fernando Rifan: Esse já era o desejo do Santo Padre João Paulo II, quando afirmou no seu Motu Próprio “Ecclesia Dei adflicta” de 2/7/1988: “É preciso que todos os Pastores e os demais fiéis tomem nova consciência, não só da legitimidade mas também da riqueza que representa para a Igreja a diversidade de carismas e de tradições de espiritualidade e de apostolado, o que constitui a beleza da unidade na variedade… A todos estes fiéis católicos, que se sentem vinculados a algumas formas litúrgicas e disciplinares precedentes da tradição latina, desejo manifestar também a minha vontade – à qual peço que se associem a dos Bispos e a de todos aqueles que desempenham na Igreja o ministério pastoral – de lhes facilitar a comunhão eclesial, mediante as medidas necessárias para garantir o respeito das suas justas aspirações… além disso, em toda a parte deverá ser respeitado o espírito de todos aqueles que se sentem ligados à tradição litúrgica latina, mediante uma ampla e generosa aplicação das diretrizes, já há tempos emanadas pela Sé Apostólica, para o uso do Missal Romano segundo a edição típica de 1962.”

Esse desejo foi agora reforçado e ampliado ao mundo inteiro pelo Papa Bento XVI pelo Motu Próprio “Summorum Pontificum”.

E os benefícios da reintrodução e propagação na vida da Igreja dessa forma extraordinária do Rito Romano foram já mencionados pelo Papa atual no seu Motu Próprio: “Na celebração da Missa segundo Missal de Paulo VI, poder-se-á manifestar, de maneira mais intensa do que freqüentemente tem acontecido até agora, aquela sacralidade que atrai muitos para o uso antigo.” Foi exatamente o que ressaltou o Cardeal George, de Chicago: “…O Santo Padre mesmo, há algum tempo, chamou nossa atenção para a beleza e a profundidade do missal de São Pio V… a liturgia de 1962 é um rito autorizado da Igreja Católica e uma fonte preciosa de compreensão litúrgica para todos os outros ritos… Esta liturgia pertence à Igreja inteira como um veículo do espírito que deve se irradiar também na celebração da terceira edição típica do missal romano atual…” (Cardeal Francis George, Arcebispo de Chicago, Estados Unidos, no prefácio às Atas do Colóquio 2002, intituladas A Liturgia e o Sagrado, do CIEL, Centro Internacional de Estudos Litúrgicos”).

Quando participei, em agosto de 2007, do Congresso de Oxford reunido para ensinar a celebração da Missa na forma extraordinária aos mais de 60 padres diocesanos do Reino Unido ali presentes, o Arcebispo de Birminghan, Dom Vincent Nichols, na Missa Solene de abertura ressaltou aos padres participantes que eles, após aprenderem a Missa na forma antiga, mesmo quando nas suas paróquias celebrassem a Missa no rito atual de Paulo VI, a celebrariam muito melhor.

Creio ser o benefício querido pelo Papa no Motu Próprio “Summorum Pontificum”.

Na Agência Zenit nós recebemos muitos e-mails de leitores comentando do descuidado com a liturgia em suas comunidades. Que indicações o senhor dá para frear a banalização e o descuidado com a liturgia?

Dom Fernando Rifan: Falando dos abusos conseqüentes à Reforma Litúrgica, o então Cardeal Joseph Ratzinger lamentava: a “Liturgia se degenera em ‘show’, onde se tenta tornar a religião interessante com a ajuda de asneiras em moda… com sucessos momentâneos no grupo dos fabricantes litúrgicos” (Introdução ao livro La Réforme Liturgique, de Mgr. Klaus Gamber, pag. 6 e 8).

E o Cardeal Eduardo Gagnon era da mesma opinião: “Não se pode entretanto ignorar que a reforma (litúrgica) deu origem a muitos abusos e conduziu em certa medida ao desaparecimento do respeito devido ao sagrado. Esse fato deve ser infelizmente admitido e desculpa bom número dessas pessoas que se afastaram de nossa Igreja ou de sua antiga comunidade paroquial” (…) (“Integrismo e conservatismo” – Entrevista com o Cardeal Gagnon, “Offerten Zitung – Römisches”, nov.dez. 1993, p.35).

Creio que o ponto central dos abusos foi detectado pelo próprio Cardeal Raztinger: a porta aberta que foi deixada a uma falsa criatividade dos celebrantes (entrevista ao L’homme Nouveau, nº 7, outubro de 2001).

Por trás disso, está a falta de uma espiritualidade séria, que pensa que para atrair o povo se deve inventar novidades. A Santa Missa atrai por si mesma, pela sua sacralidade e seu mistério. No fundo, trata-se de diminuição da Fé nos mistérios eucarísticos, procurando supri-la por novidades e criatividades. Quando o Celebrante quer se tornar o protagonista da ação litúrgica, começam os abusos. Ele se esquece de que o centro da Missa é Jesus Cristo.

O atual secretário da Congregação para o Culto Divino, Dom Albert Malcolm Ranjith, lamenta: “A Santa Missa é sacrifício, dom, mistério, independentemente do sacerdote que a celebra. É importante, mesmo fundamental, que o sacerdote se coloque de lado: o protagonista da Missa é Cristo. Não compreendo, portanto, as celebrações eucarísticas transformadas em espetáculo com danças, cantos ou aplausos, como infelizmente muitas vezes ocorre com o Novus Ordo”.

A solução para os abusos está nas normas dadas pelo Magistério, especialmente no documento “Redemptionis Sacramentum”, de 25 de março de 2004, que preceitua que “todos procurem, segundo seus meios, que o Santíssimo Sacramento da Eucaristia seja defendido de toda irreverência e deformação, e todos os abusos sejam completamente corrigidos. Isto, portanto, é uma tarefa gravíssima para todos e cada um, e, excluída toda acepção de pessoas, todos estão obrigados a este trabalho” (183).

Mas, como diz Dom Ranjith, “existem tantos documentos (contra esses abusos) que lamentavelmente ficaram letra morta, deixados em estantes cheias de poeira ou, pior ainda, no cesto de lixo”.  (Zenit)

BRASIL: 24/03/2008

“Elias era sobretudo o inspirador da vida de oração. Ele exorta a se praticar a plenitude do amor divino.(…)” in Institutum Carmelitanum (Roma, 1972) – Tradução Frei Wilmar Santin (0.Carm.) – Ecclesia Brasil

Fonte: Ecclesia Brasil

O Profeta Elias

Tradução: (…) Frei WILMAR SANTIN

  1. A figura de Elias
  2. Elias na tradição Judaica
  3. Elias nas obras dos Padres
  4. Elias no Islão
  5. Elias e o ideal monástico
  6. Elias como inspirador da vida eremítica
  7. A pureza de coração
  8. A vida de oração
  9. Elias e os carmelitas
  10. Culto a Elias
  11. Iconografia sobre Elias
  12. Folclore sobre Elias

Título original: Elia Profeta, em Santi del Carmelo, Institutum Carmelitanum, Roma 1972, p. 136-153)

(…)

No dia 20 de julho se reúne no Monte Carmelo uma grande multidão de devotos de Elias: cristãos de vários ritos, judeus e muçulmanos. Todos sobem ali com os mais variados meios de locomoção ou a pé, para cumprir seus votos, para apresentar suas crianças ao batismo e principalmente para cantar e dançar em honra do profeta. Do interior do monastério se escuta o rumor de uma grande feira: toda aquela gente tão diferenciada se reúne ali cada ano em nome de Elias, o qual continua exercendo sua fascinação e sua notável influência na vida e nas crenças daqueles povos. (Parágrafo final)

Francesco Spadafora

A figura de Elias

próprio nome Elias, que significa “Yahweh é Deus” ou “Yahweh é meu Deus”, já expressa seu caráter e sua função na história bíblica. Ele foi um campeão do monoteísmo de Yahweh. É ele quem mantém a fé em Yahweh entre o povo e quem luta com vigor pelos Seus direitos. Sua árdua luta contra todo sincretismo religioso faz deste profeta, que “surgiu como fogo e cuja palavra queimava como uma tocha”, uma figura de primeira linha na sucessão das duas Alianças. Enquanto o livro do Eclesiástico (48,1-11) canta suas glórias, os livros dos Reis nos contam sua vida de forma ampla. Nesta narração distinguem-se dois ciclos: “o ciclo de Elias” (1Rs 17 – 2Rs 1,18), que se centra na atividade do profeta, e o “ciclo de Eliseu” (2Rs 2-13), que começa com o arrebatamento de Elias, momento em que Eliseu o sucede.

Originário de Tesbi, Elias exerceu seu ministério no reino do Norte, no século IX a. C., em tempos de Acab e de Ocozias.

Primeiro descendente da família de Amri, Acab, que subiu ao trono no ano de 874 a. C., havia desposado Jezabel, filha de Etbaal, rei de Tiro e grande sacerdote de Astarté (1Rs 16,31). Acab pagou as vantagens políticas dessa união submetendo-se à vontade de Jezabel, que demonstrou dominar seu marido impondo-lhe violentamente o culto à Baal e fazendo-o matar a Nabot, que o impedia de estender suas propriedades na zona de Jezrael (1Rs 21,1-16).

Nestas circunstâncias chega Elias, enviado pelo Senhor, para anunciar a Acab a lei do talião (1Rs 21,21-24), lei que depois, por causa da penitência pública do rei, foi aplicada somente à sua mulher e aos seus filhos (1Rs 21,29; 2Rs 9,7-10.26.36-37). A ira de Jezabel contra Elias se desencadeia com a matança dos profetas de Yahweh (1Rs 18,4.13; 19,10). Elias respondeu anunciando uma seca de três anos, durante os quais ele se refugiou primeiro na torrente de Carit, na Transjordânia, onde os corvos o alimentaram, e depois em Sarepta, 15 quilômetros ao sul de Sidônia, onde uma viúva lhe deu de comer; Elias multiplicou milagrosamente o azeite e a farinha dessa viúva e também ressuscitou seu filho (1Rs 17).

A prova indiscutível de que “o Senhor é o verdadeiro Deus” acontece no confronto que Elias estabelece com Baal de Jezabel, em um lugar que uma antiga tradição situa em El-Muhraqah, a sudeste do monte Carmelo. No momento em que Elias rezava, um raio queima o holocausto oferecido a Yahweh, enquanto que os gritos, as danças e as mutilações dos 450 profetas de Baal não obtinham resultado algum. Como conseqüência disto os profetas do ídolo são degolados junto à torrente Quison (1Rs 18). Para evitar a vingança de Jezabel, Elias deve fugir para o sul, onde é milagrosamente alimentado por um anjo e alcança o monte Horeb. Já no cume de Gebel Musa, numa teofania recebe uma tríplice missão: a de investir Hazael como rei de Damasco, a Jeú como rei de Israel e a Eliseu como profeta (1Rs 19). Morto Acab (852 a. C.) num combate em Ramot de Galaad, (1Rs 22,1-40), lhe sucede seu filho Ocozias. E quando este, após sofrer um grave acidente, envia mensageiros para que consultem a Baal-Zebub, deus de Acaron, se irá sarar, Elias intervém novamente e lhes anuncia a morte do rei (2Rs 1,2-4).

Chegando ao fim de sua vida, Elias deixa Gálgala, acompanhado por Eliseu e um grupo de profetas, faz paradas em Betel e Jericó. Ao rio Jordão atravessa a pé enxuto, dividindo as águas com seu manto. Apenas Eliseu, destinado a sucedê-lo, é quem o segue. O fim misterioso de Elias é descrito como um arrebatamento por um carro de fogo (2Rs 2,2-13). Desta descrição se originou a antiga crença hebraica de que o profeta haveria de regressar antes do “Grande dia de Yahweh” ou da “parusia” do Messias, crença que encontrou eco inclusive entre os Padres da Igreja e entre escritores eclesiásticos (Mc 6,14-16; 9,11; Lc 9,7ss.; Jo 1,21; Enoc etíope 89,52; 90,31; IV Esdras 6,26; Justino, Dial. 8,4; 49,1).

O prudente parecer expressado por Flávio Josefo (Ant. IX, 2, 2): “Elias desapareceu dentre os homens e, até o dia de hoje, nada se sabe sobre sua morte”, e sobre tudo a atitude de Jesus, relatada nos Evangelhos, nos leva a considerar a descrição do arrebatamento de Elias como um caso de êxtase profético de Eliseu para significar a especial assistência divina na morte do profeta. Na realidade, o fim de Elias está descrito tal como apareceu aos olhos de Eliseu (cf. 1Mac 2,58) que foi o único que presenciou: Elias desapareceu em um turbilhão. O mesmo verbo laqah (=tomar), usado para indicar o arrebatamento de Elias, expressa em outros lugares a intervenção de Deus na morte serena do justo (Gn 5,24; Salmo 49,16; Is 53,8). Os demais elementos são simbólicos: pensa-se, por exemplo, na visão que teve S. Bento da alma de sua irmã, Santa Escolástica, que voava ao céu como uma pomba, no mesmo dia de sua morte.

Em Malaquias 3,1-24 (hebr. 4,5ss) se diz que Elias virá como precursor do Messias. Esta profecia se realiza em João Batista (Lc 1,17), que é o precursor profetizado (Mt 11,10; 17,10-13). Ele encarnou o “caráter forte” de Elias, o qual foi tão só sua figura. Também Jeremias (23,5) e Ezequiel (34,23) preanunciaram o Messias chamando-o “meu servo (de Yahweh), Davi”.

Na transfiguração de Jesus no Tabor, Elias aparece junto com Moisés (Mc 9,2-8; Mt 17,1-8; Lc 9,28-36), também favorecido por uma teofania no Sinai. Elias permanece ligado a Moisés na Antiga Aliança, da qual um é o legislador que a conclui, e o outro é o profeta que a conserva intacta e pura. A presença de ambos no Tabor é destinada a testemunhar, na antecipada exaltação de Jesus, que a nova Aliança é o coroamento da Antiga.

Elias, finalmente, é apresentado também no NT como modelo de oração eficaz. (Tg 5,17).

Tarcisio Stramare.

Elias como inspirador da vida eremítica

Se Elias não é o fundador, em sentido estrito, da vida monástica, pode ser considerado como seu autêntico precursor. É um mestre, diz Santo Ambrósio, e os monges são seus discípulos (Ep. 63, 82, PL 16, 1211b). Sobre esta primazia escreve São Jerônimo: “Os nossos príncipes Elias e Eliseu e nossos chefes os filhos dos profetas, que habitavam no campo e na solidão, construíam suas tendas perto do rio Jordão” (Ep. 58, ad Paulinum, PL 22, col. 583). E na Vita sancti Pauli ele apresenta, como opinião de alguns, a origem profética da vida monástica:

“Com freqüência muitos se perguntam qual foi o monge que morou por primeiro num ermo. E alguns, remontando-se mais longe, encontraram seu começo no beato Elias e em João Batista” (PL 23, col. 17a). A mesma idéia nos repete Sozomeno como opinião corrente: “Os mestres desta excelente filosofia foram, como dizem alguns, Elias profeta e São João Batista” (l. c., I, 12, PG 67, col. 894a). São Nilo de Ancira chamará a Elias “iniciador de toda vida ascética” (Ep. 181, PG 79, col. 152c). “Eles estabeleceram as primeiras bases desta profissão”, disse Cassiano falando de Elias e de Eliseu, que colocaram os seus fundamentos iniciais” (De institutis coenobiorum, I, 2, PL 49, col. 61a; cf. o comentário de Hervé da Encarnação, loco cit., p. 194-195).

A pureza do coração

A pureza do coração é o ideal monástico. Seguindo uma tradição hebraica, desde o princípio a virgindade é atribuída a Elias. Santo Ambrósio o faz na fé (PL 16, col. 192a). São Jerônimo atribui a virgindade também aos filhos dos profetas: “Virgens foram Elias, Eliseu e muitos dos filhos dos profetas” (Ep. 22, 21, ad Eustochium, PL 22, col. 408). São Gregório Magno (Hom. in Evangelia II, 29, 6, PL 76, col. 1217b) e São Nilo (Ep. 181, PG 79, col. 152c) vêem no arrebatamento de Elias a recompensa de sua pureza. De outro lado, esta deve ser entendida no sentido da pureza monástica, da “apátheia”. Elias, amando “os segredos da solidão e a pureza do coração”, realizou o ideal de um monge: “sabemos que ele se uniu familiarissimamante a Deus pelo silêncio da solidão”. (Cassiano, Collationes 14, 4, PL 49, col. 957a). A respeito desta plena disposição de um coração puro remetemos ao belíssimo texto de Afraates, de inspiração eliana, citado em Élie (t. I, p. 165-166). Além do mais, na vida de Elias se encontram os principais exercícios atléticos do eremita: a solidão, o jejum (cf. S. Ambrósio, De Elia et ieiunio, PL 14, cols. 697-728) e a oração.

A vida de oração

Elias era sobretudo o inspirador da vida de oração. Ele exorta a se praticar a plenitude do amor divino. “Até quando vais estar mancando?”, com estas palavras do profeta, Orsiesio exorta a seus monges (Doctrina de institutione monachorum 28, PG 40, col. 882c). A oração de Elias, um homem como nós, foi poderosíssima, por isso, sob este aspecto, se constitui num exemplo completo. O vidente do Horeb e do Tabor é também o exemplo de grande intimidade com o Senhor. Para Máximo, o Confessor, a visão do glorioso Elias na sua gruta é um símbolo da mística apofática:

O Horeb representa… um exercício habitual das virtudes num espírito de graça. A caverna é o mistério da sabedoria escondida na alma, e seu santuário. Quem nela penetra terá a intuição profunda e mística do saber “que supera toda ciência” e na qual se manifesta a presença de Deus. Pois se alguém, como o grande profeta Elias, busca verdadeiramente a Deus, deve não somente “subir ao Horeb” (e é evidente que quem se consagrou à ação deve também aplicar-se à virtude), como também “penetrar no interior da caverna” situada sobre o Horeb, isto é, estar completamente dedicado à contemplação, na obscuridade e no mistério mais profundo da sabedoria, fundada sobre uma prática habitual da virtude” (2 Centuria, citado por François de Sainte-Marie, em Les plus vieux textes du Carmel, 47ss). Convém também citar um famoso texto místico de São Gregório Magno (In Ezechielem, II, 1, 17, PL 76, col. 948a).

A mística hesicasta, que vê o lugar místico na luz do Tabor (cf. art. Contemplation, DS, II, cols. 1851-1854), pode igualmente refazer-se no exemplo de Elias. Pedro o Atonita (séc. VIII) é, talvez, o primeiro dos hesicastas a quem se elogia com estas palavras: “Tu decidiste habitar no monte Athos como Elias no Carmelo, para buscar a Deus no silêncio” (citado por Théodosy Spasky, Le culte de prophète Élie et sa figure dans la tradition orientale, em Élie, I, 222).

No Oriente, na celebração litúrgica, é aplicado a Elias o título dos santos monges: “anjo terrestre e homem celestial” (ibid., p. 221). No Ocidente se encontra apenas algum rastro de um culto litúrgico tributado ao Santo Elias (B. Botte, Le culte du prophète Élie dans l’Église chrétienne, em Élie, I, 213-6). Entre os próprios Carmelitas a festa de Elias é bastante tardia (Pascal Kallenberg, Le culte liturgique d’Élie dans l’Ordre du Carmel, em Élie, II, p. 138). O prefácio próprio da festa de Santo Elias cantava (até a última reforma litúrgica): “coloquei os fundamentos da vida monástica”.

Elias e os Carmelitas

No tempo das cruzadas, alguns soldados se retiraram ao Monte Carmelo, atraídos pela beleza do lugar, pela sua posição geográfica e também pela lembrança do profeta. Tiago de Vitry, a princípios do século XIII, traçou um quadro retrospectivo do renascimento espiritual da Terra Santa depois das cruzadas dos séculos XI e XII:

“Devotos peregrinos e homens santos de diversas partes do mundo, compareciam a Terra Santa… Varões santos, renunciando ao século, impulsionados por vários sentimentos, desejos e tomados pelo fervor religioso, escolhiam os lugares mais aptos para seu santo propósito e devoção… Alguns, a exemplo e imitação do santo e solitário varão Elias profeta, no Monte Carmelo e particularmente naquela parte que domina a cidade de Porfiria que hoje se chama Haifa, junto à fonte chamada de Elias e não longe do monastério da virgem Santa Margarida, levavam uma vida solitária em alvéolos de pequenas celas, elaborando qual abelhas do Senhor o mel da doçura espiritual” (Historia orientalis sive hierosolymitana, I, caps. 51-52; ed. J. Bongars, Gesta Dei per Francos, Hanoviae 1611, p. 1075).

Entre os anos 1206-1214, um grupo de monges latinos, que viviam “junto à fonte no Monte Carmelo”, receberam das mãos de Alberto, patriarca de Jerusalém, uma “norma de vida”, confirmada depois pelo papa Honório III em 1226. Estes viriam a ser os Carmelitas, os irmãos de Nossa Senhora do Carmelo e os filhos de Elias. Não é certo que fora a veneração do profeta Elias o que atraiu estes eremitas ao Monte Carmelo. A Regra não fala de uma inspiração eliana da vida carmelitana. Mais tarde, Nicolau Gálico, ao expressar seu desejo de que os Carmelitas recobrassem a pureza da vida eremítica, não invoca em sua Ignea sagitta o exemplo do grande solitário do AT. É mais provável que o nascimento e desenvolvimento da devoção a Santo Elias tenha surgido do fato de habitarem o Monte Carmelo e, mais tarde, a lembrança conservada. Só ao longo da história é que o tema de Elias se tornou “parte integrante” da espiritualidade carmelitana. Alguma alusão à lenda sobre uma vida eremítica ininterrupta no Monte Carmelo desde o tempo de Elias até as Cruzadas, se encontra na rúbrica prima das Constituições do Capítulo de Londres do ano 1281:

“E assim dizemos, dando testemunho da verdade, que a partir dos profetas Elias e Eliseu, devotos habitantes do Monte Carmelo, alguns santos padres, tanto do Velho como do Novo Testamento, realmente apaixonados pela solidão deste monte, tão adequado à contemplação das coisas celestiais, viveram ali, sem dúvida, de modo digno de louvor, junto à fonte de Elias, em santa penitência, praticada sem interrupção com santos resultados. E nos tempos de Inocêncio III, Alberto patriarca da igreja de Jerusalém reuniu numa comunidade (“collegium”) os seus sucessores e lhes escreveu uma regra, que o Papa Honório, sucessor de Inocêncio, e numerosos outros depois dele, aprovando esta Ordem a confirmaram tão devotamente, como o atestam suas bulas. E nesta profissão que nós, seus discípulos, servimos ao Senhor até o dia de hoje nas diversas partes do mundo” (texto latino em AnalOC, XV [1950], p. 208).

Se havia ainda uma diferença entre os primeiros eremitas do Antigo e do Novo Testamento e seus sucessores da época de Inocêncio III, na primeira rubrica das Constituições de 1324, os sucessores aparecem já nos tempos de Cristo. É assim que se forma a idéia da ininterrupta sucessão hereditária da Ordem do Carmelo. Esta convicção desembocará no tão penoso litígio entre os Carmelitas e Daniel Papenbroek. Entretanto, a figura de Elias foi se tornando cada vez mais significativa na espiritualidade da Ordem. No século XV Tomás Waldense escreve, sem ulteriores correções: “nossa profissão religiosa nos estimula a viver segundo sua inspiração” (Mhc, p. 446).

Tudo indica que foi João Baconthorp, morto em 1346, quem pela primeira vez uniu a devoção mariana da Ordem do Carmelo com a lembrança do profeta Elias:

“Segundo os profetas (as profecias?), os Frades do Carmelo nasceram especialmente para venerar à Santíssima Virgem Maria… E posto que [a Virgem Maria] é honrada e pregada através do Carmelo, convém que no Carmelo, dado a ela, exista os carmelitas que a venerem de um modo especial. E assim foi na antiguidade. Na realidade as profecias se compreendem à luz dos acontecimentos… Quantos profetas e reis estiveram no Carmelo rendendo honras à Senhora do lugar, a bem-aventurada Maria! Para continuar o culto à Virgem Maria em seu Carmelo, nasceu a Ordem dos Irmãos do Carmelo. Porque o culto celebrado nos lugares dos santos é tributado primeiro a Deus e depois aos próprios santos… Mas também se todos aqueles que deveriam ser salvos na época dos profetas honraram ao futuro Filho da Virgem Maria…, com muito maior razão os religiosos do Carmelo, venerando no tempo de Elias e Eliseu aquele que havia de vir, instauraram no Carmelo sua Ordem da bem-aventurada Maria… Consequentemente é para este culto que tiveram origem” (Speculum de institutione Ordinis, cap. I; texto latino também em Élie, II, p. 42-43).

A forma mais completa desta espiritualidade eliana e profética encontra-se num escrito do séc. XIV, o Liber de institutione primorum monachorum (texto também em AnalOC, II [1914-16], p. 347-49).

Cosmas Peters

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Postado em Ecclesia Brasil.

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Imagem: Província Carmelitana de Santo Elias