Mensagem para a Quaresma de 2010: “A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo” – Papa Bento XVI (OCDS – Província N.Sra. do Carmo – Sul – Brasil)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Comunidade Santa Teresa – Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil

MENSAGEM PARA A QUARESMA

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE,  O PAPA BENTO XVI, PARA A QUARESMA DE 2010

A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo”
(cf. Rom 3, 21–22 )

Queridos irmãos e irmãs,

“Todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida á luz dos ensinamentos evangélicos . Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cf. Rom 3,21 – 22 ).

Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romana do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado à sua imagem e semelhança. (…)

De onde vem a injustiça?

O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de então acerca do que é puro e impuro: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14-15.20-21). Para além da questão imediata relativo ao alimento, podemos entrever nas reações dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior.

Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua atuação: Esta maneira de pensar – admoesta Jesus – é ingênua e míope. A injustiça, fruto do mal , não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista:”Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl. 51,7). Sim, o homem torna-se frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro.

Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto–suficiência , daquele estado profundo de fechamento, que á a própria origem da injustiça. Por outras palavras, é necessário um “êxodo” mais profundo do que aquele que Deus efetuou com Moisés, uma libertação do coração, que a palavra da Lei, sozinha, é impotente a realizar. (…)

Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O fato de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cf. Gal 3,13-14). (…)

Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.

Compreende-se então como a fé não é um fato natural, cômodo, obvio: é  necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitencia e da Eucaristia. Graças á ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é aquela do amor (cf. Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.

Precisamente fortalecido por esta experiência, o cristão é levado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.

Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma culmina no Tríduo Pascal, no qual também este ano celebraremos a justiça divina, que é plenitude de caridade, de dom, de salvação. Que este tempo penitencial seja para cada cristão tempo de autentica conversão e de conhecimento intenso do mistério de Cristo, que veio para realizar a justiça. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração, a Bênção Apostólica.”

BENEDICTUS PP. XVI

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Leia a mensagem completa no site da Comunidade Santa Teresa.

Postado por Comunidade Santa Teresa – OCDS – Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil.

Papa Bento XVI em mensagem na reza do Angelus salienta a atuação de São Francisco de Sales, no dia de sua memória litúrgica- 24 de janeiro: “Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja.” (Agência ZENIT – Roma)

São Francisco de Sales, doutor da Igreja

Fonte/imagem/biografia: Franciscanos – Província Franciscana da Imaculada Conceição – São Paulo

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Transcrevo excerto da mensagem proferida durante a reza do Angelus pelo Papa Bento XVI, por ocasião do 44º Dia das Comunicações Sociais, em que fala de São Francisco de Sales e sua relevância no contexto do revigoramento da evangelização católica entre meados de 1590 até seu falecimento em 1622. A mensagem papal é proferida a cada ano no dia 24 de Janeiro, quando celebramos a memória litúrgica de São Francisco de Sales – santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

A bênção final de Bento XVI também revigora nossa atuação como jornalistas católicos, através dos meios que dispomos, tal como o fez nosso protetor São Francisco de Sales à sua época. Este, através de  “panfletinhos” conquistou milhares de cristãos que, há quase cem anos estavam afastados da fé católica.

São Francisco de Sales interceda junto a Nosso Jenhor Jesus Cristo para que tenhamos a coragem de dar nosso testemunho, através de nossas atividades, tendo o Bem em vista em todas as circunstâncias, e decididamente, evitando a propagação, ou seja, a banalização do mal. Amém.

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Fonte/imagem: Província Capuchinha Nossa Senhora do Carmo (OFMCap) - MA, PA, AP

Papa Bento XVI: “(…)Por fim, queridos amigos, gostaria de recordar a figura de São Francisco de Sales, cuja memória litúrgica é celebrada em 24 de janeiro. Nascido em Sabóia, em 1567, estudou direito em Pádua e em Paris e, chamado pelo Senhor, tornou-se sacerdote. Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja. São Francisco de Sales é o santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

À sua assistência espiritual, confio a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que assino todos os anos nesta ocasião, e que foi há pouco divulgada no Vaticano.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, permita-nos a progredir sempre em comunhão, para transmitir a beleza de ser algo único, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (24.01.2010)

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Fonte: Agência ZENIT http://zenit.org/article-23892?l=portuguese

Bento XVI: Igreja, organismo rico e vital, não uniforme

Intervenção com motivo do Angelus

CIDADE DO VATICANO, domingo, 24 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI dirigiu este domingo, ao rezar o Angelus com os peregrinos na Praça de São Pedro.

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“Caros irmãos e irmãs!

Dentre as leituras bíblicas da liturgia de hoje, há o célebre texto da Primeira Carta aos Coríntios, na qual São Paulo compara a Igreja ao corpo humano. Assim escreve o apóstolo: “Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1 Cor 12,12-13). A Igreja é concebida como um corpo, do qual Cristo é a cabeça, e que com Ele constitui um todo. Todavia, o que o apóstolo pretende comunicar é a ideia de unidade na multiplicidade dos carismas, que são os dons do Espírito Santo. Graças a estes, a Igreja se apresenta como um organismo rico e vital, não uniforme, fruto do único Espírito que conduz a todos a uma unidade profunda, assumindo a diversidade sem a abolir, e realizando assim um conjunto harmonioso. Ela prolonga através da história a presença do Senhor ressuscitado, em particular por meio dos sacramentos, da Palavra de Deus, dos carismas e ministérios distribuídos pela comunidade. Portanto, é precisamente em Cristo e no Espírito que a Igreja é una e santa, isto é, numa comunhão íntima que transcende as capacidades humanas e as sustenta.

Gosto de sublinhar este aspecto no momento em que vivemos a “Semana de oração pela unidade dos cristãos”, que se conclui amanhã, ocasião da Festa de Conversão de São Paulo. Seguindo a tradição, celebrarei, durante a tarde, a Oração das Vésperas do lado de fora da Basílica de São Paulo, com a participação de representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais de Roma.

Invocaremos ao Senhor o dom da plena unidade entre todos os discípulos de Cristo, e em particular, de acordo com o tema deste ano, renovaremos nosso empenho em sermos, conjuntamente, testemunhas do Cristo crucificado e ressuscitado (cfr Lc 24,48). A comunhão dos cristãos, de fato, confere credibilidade e torna mais eficaz o anúncio do Evangelho, conforme afirmou o próprio Jesus, ao orar ao Pai na vigília de sua morte: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia” (Gv 17,21).

Por fim, queridos amigos, gostaria de recordar a figura de São Francisco de Sales, cuja memória litúrgica é celebrada em 24 de janeiro. Nascido em Sabóia, em 1567, estudou direito em Pádua e em Paris e, chamado pelo Senhor, tornou-se sacerdote. Dedicou-se com grande fruto à pregação e formação espiritual dos fiéis, ensinando que o chamado à santidade é para todos e que cada um – como diz São Paulo em sua comparação com o corpo – tem seu lugar na Igreja. São Francisco de Sales é o santo padroeiro dos jornalistas e da imprensa católica.

À sua assistência espiritual, confio a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que assino todos os anos nesta ocasião, e que foi há pouco divulgada no Vaticano.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, permita-nos a progredir sempre em comunhão, para transmitir a beleza de ser algo único, na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

[Traduzido por ZENIT

© Libreria Editrice Vaticana]

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Fonte: Agência Ecclesia (Agência de Notícias da Igreja Católica em Portugal) – http://agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=77039

Vaticano lembra «Igreja que não é notícia»

Um editorial do jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, questiona o motivo pelo qual a imprensa não eclesial ignorou o assassinato de 37 missionários em 2009.

“Nos últimos dez anos nunca foi alcançado um número assim tão alto, e a cifra não é definitiva porque provavelmente outras mortes não tiveram repercussão”, escreve o jornal na edição de 4-5 de Janeiro.

De acordo com o editorial, a notícia não teve relevo porque contradiz a imagem dominante da Igreja nos meios de comunicação social: “uma estrutura rica e potente, que quer impor as suas leis também a quem não se sente parte do universo católico, uma oligarquia que é incapaz de entender como o mundo mudou”.

A generalidade dos media considera que a Igreja é uma instituição antiga e rígida, ignorando ou esquecendo que é composta por pessoas seriamente comprometidas com uma missão difícil, e muitas vezes perigosa, “que perdem a vida por causa dessa escolha de caridade corajosa”, lê-se no artigo assinado pela professora Lucetta Scaraffia, docente de História Contemporânea da Universidade La Sapienza, de Roma.

”Sem armas, e frequentemente com pouquíssimos meios, os missionários mártires testemunham que outro mundo é possível, um mundo de solidariedade e verdade, de amor gratuito. E isso já é suficiente para torná-los um alvo mortal”, destaca o Osservatore Romano, citando as histórias dos padres mortos por morarem e actuarem sem protecção em regiões violentas.

Tratam-se de “locais pouco visitados e que poderiam ser definidos como estando abandonados por Deus, mas onde os missionários estão presentes para provar que Deus jamais abandona alguém”, assinala o jornal. “Esta é a verdadeira Igreja, aquela que não faz notícia”, conclui o editorial.

Com Rádio Vaticano
Internacional | Agência Ecclesia | 2010-01-05 | 13:58:53 | Santa Sé

«Fazei, Senhor – reza Hilário, movido pela inspiração – que me mantenha sempre fiel ao que professei no símbolo de minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Que eu vos adore, Pai nosso, e junto a vós, o vosso Filho; que seja merecedor do vosso Espírito Santo, que procede de vós através do vosso Unigênito… Amém» («De Trinitate» 12, 57) – Santo Hilário de Poitiers (Catequese – +367 d.C) – Homilia do Papa Bento XVI – Memória litúrgica – 13 de janeiro

Santo Hilário de Poitiers, Bispo, confessor e doutor da Igreja (+ 367)
Lutou tenazmente contra os hereges arianos, que negavam a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi por isso chamado “o Atanásio do Ocidente”. Como Santo Atanásio foi perseguido e exilado. Escreveu numerosos livros sobre a Santíssima Trindade.

Fonte: http://www.pastoraldafamilia.com.br/temas/santosesantas/janeiro.htm

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Fonte: Apostolado Veritatis Splendor

SANTO HILÁRIO DE POITIERS

Por Papa Bento XVI

Tradução: Zenit

Fonte: Vaticano/Zenit

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje quero falar de um grande padre da Igreja do Ocidente, Santo Hilário de Poitiers, uma das grandes figuras de bispos do século IV. Ante os arianos, que consideravam o Filho de Deus como uma criatura, ainda que excelente, mas só uma criatura, Hilário consagrou toda sua vida à defesa da fé na divindade de Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus como o Pai, que o gerou desde a eternidade.

Não contamos com dados seguros sobre a maior parte da vida de Hilário. As fontes antigas dizem que nasceu em Poitiers, provavelmente por volta do ano 310. De família acomodada, recebeu uma formação literária, que pode reconhecer-se com clareza em seus escritos. Parece que não foi criado em um ambiente cristão. Ele mesmo nos fala de um caminho de busca da verdade, que o levou pouco a pouco ao reconhecimento do Deus criador e do Deus encarnado, morto para dar-nos a vida eterna. Batizado por volta do ano 345, foi eleito bispo de sua cidade natal em torno de 353-354.

Nos anos seguintes, Hilário escreveu sua primeira obra, o «Comentário ao Evangelho de Mateus». Trata-se do comentário mais antigo em latim que nos chegou desse Evangelho. No ano 356, ele assistiu como bispo ao sínodo de Béziers, no sul da França, o «sínodo dos falsos apóstolos», como ele mesmo o chama, pois a assembléia estava dominada por bispos filoarianos, que negavam a divindade de Jesus Cristo. Estes «falsos apóstolos» pediram ao imperador Constâncio que condenasse ao exílio o bispo de Poitiers. Dessa forma, Hilário se viu obrigado a abandonar a Gália no verão do ano 356.

Exilado na Frígia, na atual Turquia, Hilário entrou em contato com um contexto religioso totalmente dominado pelo arianismo. Também lá sua solicitude como pastor o levou a trabalhar sem descanso a favor do restabelecimento da unidade da Igreja, baseando-se na reta fé formulada pelo Concílio de Nicéia. Com este objetivo, empreendeu a redação de sua obra dogmática mais importante e conhecida: o «De Trinitate» (sobre a Trindade).

Nela, Hilário expõe seu caminho pessoal para o conhecimento de Deus e se preocupa por mostrar que a Escritura testifica claramente a divindade do Filho e sua igualdade com o Pai não só no Novo Testamento, mas também em muitas páginas do Antigo Testamento, nas quais já se apresenta o mistério de Cristo. Ante os arianos, insiste na verdade dos nomes do Pai e do Filho e desenvolve toda sua teologia trinitária partindo da fórmula do Batismo que o próprio Senhor nos entregou: «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».

O Pai e o Filho são da mesma natureza. E ainda que algumas passagens do Novo Testamento poderiam levar a pensar que o Filho é inferior ao Pai, Hilário oferece regras precisas para evitar interpretações equívocas: alguns textos da Escritura falam de Jesus como Deus, outros sublinham sua humanidade. Alguns se referem a Ele em sua pré-existência junto ao Pai; outros levam em consideração o estado de abaixamento («kénosis»), sua descida até a morte; outros, por último, o contemplam na glória da ressurreição.

Nos anos de seu exílio, Hilário escreveu também o «Livro dos Sínodos», no qual reproduz e comenta para os irmãos bispos da Gália as confissões de fé e outros documentos de sínodos reunidos no Oriente ao redor da metade do século IV. Sempre firme na oposição aos arianos radicais, Santo Hilário se assemelha ao Pai na essência, naturalmente tentando levá-los sempre para a plena fé, segundo a qual não se dá só uma semelhança, mas uma verdadeira igualdade entre o Pai e o Filho na divindade.

Isso também nos parece característico: seu espírito de conciliação trata de compreender quem ainda não chegou à verdade plena e os ajuda, com grande inteligência teológica, a alcançar a plena fé na verdadeira divindade do Senhor Jesus Cristo.

No ano 360 ou 361, Hilário pôde finalmente regressar do exílio à sua pátria e imediatamente voltou a empreender a atividade pastoral em sua Igreja, mas o influxo de seu magistério se estendeu, de fato, muito além dos confins da mesma.

Um sínodo celebrado em Paris no ano 360 ou 361 retomou a linguagem do Concílio de Nicéia. Alguns autores antigos consideram que esta mudança antiariana do episcopado da Gália se deveu em boa parte à fortaleza e mansidão do bispo de Poitiers.

Esta era precisamente sua qualidade: conjugar a fortaleza na fé com a mansidão na relação interpessoal. Nos últimos anos de sua vida, ele compôs os «Tratados sobre os Salmos», um comentário a 58 salmos, interpretados segundo o princípio sublinhado na introdução: «Não cabe dúvida de que todas as coisas que se dizem nos salmos devem ser entendidas segundo o anúncio evangélico, de forma que, independentemente da voz com a qual o espírito profético falou, tudo se refere ao conhecimento da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, encarnação, paixão e reino, e à glória e potência de nossa ressurreição» («Instructio Psalmorum» 5).

Ele vê em todos os salmos esta transparência do mistério de Cristo e de seu Corpo, que é a Igreja. Em várias ocasiões, Hilário se encontrou com São Martinho: precisamente o futuro bispo de Tours fundou um mosteiro perto de Poitiers, que ainda existe hoje. Hilário faleceu no ano 367. Sua memória litúrgica é celebrada em 13 de janeiro. Em 1851, o beato Pio IX o proclamou doutor da Igreja.

Para resumir o essencial de sua doutrina, quero dizer que o ponto de partida da reflexão teológica de Hilário é a fé batismal. Em «De Trinitate», Hilário escreve: Jesus «mandou batizar ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ (cf. Mateus 28, 19), ou seja, confessando o Autor, o Unigênito e o Dom. Só há um Autor de todas as coisas, pois só há um Deus Pai, de quem tudo procede. E um só Senhor nosso, Jesus Cristo, por quem tudo foi feito (I Coríntios 8, 6), e um só Espírito (Efésios 4, 4), dom em todos… Não se pode encontrar nada que falte a uma plenitude tão grande, na qual convergem no Pai, no Filho e no Espírito Santo a imensidão no Eterno, a revelação na Imagem, a alegria no Dom» («De Trinitate» 2, 1).

Deus Pai, sendo todo amor, é capaz de comunicar em plenitude sua divindade ao Filho. Considero particularmente bela esta formulação de Santo Hilário: «Deus só sabe ser amor, e só sabe ser Pai. E quem ama não é invejoso, e quem é Pai o é totalmente. Este nome não admite compromissos, como se Deus só fosse Pai em certos aspectos e em outros não» (ibidem 9, 61).

Por este motivo, o Filho é plenamente Deus sem falta ou diminuição alguma: «Quem procede do perfeito é perfeito, porque quem tem tudo lhe deu tudo» (ibidem 2, 8). Só em Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, a humanidade encontra a salvação. Assumindo a natureza humana, uniu consigo todo homem; Ele «se tornou a carne de todos nós» («Tractatus in Psalmos» 54, 9); «assumiu a natureza de toda carne e, convertido assim na videira verdadeira, é a raiz de todo ramo» (ibidem 51, 16).

Precisamente por este motivo o caminho para Cristo está aberto a todos, porque Ele atraiu todos em seu ser homem, ainda que sempre seja necessária a conversão pessoal: «Através da relação com sua carne, o acesso a Cristo está aberto a todos, com a condição de que deixem para trás o homem velho (cf. Efésios 4, 22) e o encravem em sua cruz (cf. Colossenses 2, 14); com a condição de que abandonem as obras de antes e se convertam para ficar sepultados com Ele em seu batismo, frente à vida (cf. Colossenses 1, 12; Romanos 6, 4)» (Ibidem 91, 9).

A fidelidade a Deus é um dom de sua graça. Por isso, Santo Hilário pede ao final de seu tratado sobre a Trindade poder manter-se sempre fiel à fé do batismo. É uma característica deste livro: a reflexão se transforma em oração e a oração se torna reflexão. Todo o livro é um diálogo com Deus. Quero concluir a catequese de hoje com uma dessas orações, que se converte também em oração nossa: «Fazei, Senhor – reza Hilário, movido pela inspiração – que me mantenha sempre fiel ao que professei no símbolo de minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Que eu vos adore, Pai nosso, e junto a vós, o vosso Filho; que seja merecedor do vosso Espírito Santo, que procede de vós através do vosso Unigênito… Amém» («De Trinitate» 12, 57).

Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).

Para citar este artigo:

PAPA, Bento XVI. Apostolado Veritatis Splendor: SANTO HILÁRIO DE POITIERS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4999. Desde 23/06/2008.

“As crianças encontram novos caminhos” é o lema da campanha deste ano, que nas dioceses alemãs, verá novamente cerca de meio milhão de jovens alemães de porta em porta vestindo trajes dos Reis Magos, levando consigo a estrela cometa.(…) O país símbolo desde ano é o Senegal.” – Pontifícias Obras da Infância Missionária (Agência Fides – Cidade do Vaticano – 04.01.2010)

Fonte/imagem/artigo: Jesus abraçava as crianças… – Evangelho Comentado http://www.cantodapaz.com.br/blog/2009/10/02/jesus-criancas-evangelho-comentado/ .Site franciscano, dedicado a Santa Clara e São Franscisco  e temas católicos (esclarecem que os “anúncios Google” são de empresas externas ao site). Confira também: Peça orações às Clarissas, no mesmo site.

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Fonte: Agência Internacional FIDES – News

EUROPA/ALEMANHA Os Cantores da Estrela da Infância Missionária alemã participam da missa de Ano Novo com Bento XVI Aachen (Agência Fides – 04/01/2010)

Uma delegação de 22 crianças e jovens provenientes da Arquidiocese de Colônia, membros dos “Cantores da Estrela” da Infância Missionária alemã, participou, em 1º de janeiro, da missa de Ano Novo com o Santo Padre Bento XVI na basílica de São Pedro. A direção nacional alemã das Pontifícias Obras Missionárias o comunicou à Agência Fides. Durante o ofertório, três jovens da delegação, vestidos com os trajes dos Reis Magos, levaram dons ao altar. A delegação das paróquias de Santo Estevão e São Pancrácio, da arquidiocese de Colônia, estavam acompanhados, em sua permanência em Roma, pelo diretor nacional da Infância Missionária, Mons. Winfrid Pilz.
Esta é a sexta vez, desde 2001, que uma delegação de crianças alemãs participa da missa de Ano Novo com o papa. Nesta ocasião, eles comunicam ao Santo Padre o valor de sua coleta em favor de seus coetâneos mais carentes em todo o mundo. As crianças também participarão da audiência geral com o papa. Vestindo os trajes dos Reis Magos, com sua estrela cometa e cantos, no tempo natalino e nos primeiros dias do ano novo os “Cantores da Estrela” batem às portas das casas alemãs. Cerca de meio milhão de crianças nas paróquias católicas da Alemanha levarão às famílias, nestes dias, a benção “C+M+B” (“Christus mansionem benedicat – Cristo abençoe esta casa”= às benedica questa casa”), recolhendo ofertas para seus coetâneos que sofrem em todo o mundo. A coleta “Cantores da Estrela” tornou-se a maior iniciativa de solidariedade realizada por crianças em prol de crianças, em todo o mundo. (MS) (Agência Fides, 04/01/2010)

EUROPA/ALEMANHA – “As crianças encontram novos caminhos: o Senegal é o país símbolo da 52ª Campanha dos “Cantores da Estrela” (Sternsinger) Aachen (Agência Fides – 04/01/2010)

Pela 52ª vez, nos dias que antecedem e sucedem a Epifania, os “Cantores da Estrela” (Sternsinger) da Infância Missionária Alemã, estão nas ruas do país com seus cantos natalinos. “As crianças encontram novos caminhos” é o lema da campanha deste ano, que nas dioceses alemãs, verá novamente cerca de meio milhão de jovens alemães de porta em porta vestindo trajes dos Reis Magos, levando consigo a estrela cometa. O país símbolo da coleta deste ano, que envolve as crianças alemãs empenhadas por seus coetâneos que sofrem, é o Senegal. Com o lema “Utub yoon bu bees – As crianças encontram novos caminhos”, a campanha de 2010 quer recordar que sobretudo as crianças dos chamados países em vias de desenvolvimento devem encontrar sempre novos caminhos para seu progresso, para construir seu futuro e tomar suas vidas em suas mãos. Graças ao empenho dos “Cantores da Estrela”, em muitas partes do mundo, crianças podem ter a chance de encontrar um caminho de formação escolar e profissional. No Senegal, país símbolo da campanha de 2010, elas tem que percorrer um longo caminho desde as áreas rurais às cidades, onde estão as escolas. Junto a parceiros locais, a Pontifícia Obra da Infância Missionária alemã atua também para garantir que crianças dos países da África Ocidental tenham acesso às novas formas de comunicação, como internet e e-mail. Para preparar a campanha e apoiar a iniciativa, de 15 de setembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010, uma van típica colorida, senegalesa, está rodando pela Alemanha. Parando em praças e ruas de várias cidades alemãs, os colaboradores da Missio informam sobre a vida das crianças no Senegal. A coleta “Cantores da Estrela” tornou-se a maior iniciativa de solidariedade realizada por crianças em prol de crianças, em todo o mundo. (MS) (Agência Fides 4/01/2010)

Links: 
Para mais informações e subsídios, visite
 www.kindermissionswerk.de

Postado por Agência Internacional Fides – Cidade do Vaticano.

*Grifos meus.

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“DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS”

Fonte/imagem/artigo: Dicionário da Fé
http://www.dicionariodafe.com.br/artigos/comunhao_7anos.htm: “A Primeira Comunhão aos sete anos ou mesmo antes” – Cardeal Darío Castrillón Hoyos -Prefeito da Congregação do Clero – janeiro de 2005

Carl Vogel von Vogelstein – Galeria de Arte Moderna, Florença

A propósito das Missões e das Pontifícias Obras da Infância Missionária, agrego a vida de São Judas Tadeu, irmão de de São Simão (que é posterior à linha dos doze Apóstolos). Foi um verdadeiro missionário porque pregou o Evangelho de Jesus Cristo em vários países do Oriente, da Pérsia à Mesopotâmia. A íntegra do artigo está contida no Blog da OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares).

Uma “historinha” pessoal: quando criança, por sugestão de minha mãe, roguei a São Judas Tadeu, que dizem ser o santo das “causas impossíveis”.. Minha professora, bastante “alterada”, não tinha paciência comigo porque eu, com 11 anos, começava a chorar quando não conseguia resolver (creio que por timidez, nervosismo) uma “quilométrica” conta de divisão… Isto aconteceu várias vezes. Aos meus pés ficava um círculo de lágrimas, e logo que ela me mandava sentar, me via obrigada a pedir para ir para casa devido à dores de barriga, que não cessavam… A vice-diretora, certa vez, irrompeu na sala devido aos seu descontrole… Afinal, tínhamos uma ditadura nos anos 70 no Brasil… Explica mas não justifica, não?

Foi minha professora na 5ª série, e somente falo deste recorte de minha história de vida porque está ligado, por milagre, a São Judas Tadeu e à minha infância, além, é claro, de uma experiência de sofrimento muito marcante. Certamente, segundo a sabedoria divina, deve ter me fortalecido. Creio que me deu um “choque de realidade”. Simples assim. No passado da Humanidade criança não contava… Aliás, isto ainda é comum, infelizmente em nossos dias: as crianças: ou elas passam fome ou são indigentes afetivas, e na pior das hipóteses são expostas a tormentos que lhes tiram a dignidade em mercados que se utilizam até da internet. É o caos. É nosso dever combater estas trevas por todos os meios que dispomos!

No caso de minha professora, compreendi que ela não sabia lidar com sua pesada cruz … A perdoei com a facilidade própria da criança que eu era, já que estava com 11 anos. O evento ficou registrado somente em minha memória. Nada ficou em meu coração sobre sua ação. Explico: era mãe de duas filhas (gêmeas). elas possuíam algum atraso mental, usavam óculos pesados, creio que aos 13, 14 anos, e apresentavam  dificuldades de locomoção. Talvez por este quadro pessoal, tenha projetado o mal-estar que sentia com sua vida… Casualmente, era evangélica: ela mantinha um rabo de cavalo que lhe descia à cintura e sempre vestia saias. enquanto isto, eu apresentava o visual típico dos anos 60, à la “Rita Pavone”, ou seja, bem curtinho… Não guardo mágoa porque quando ela chegava em seu “DKW” com as duas filhas, quase maiores que ela, observava que ela não tinha uma vida “normal”. Possuía compleição física forte – ainda bem… Mas parecia bem difícil sua missão como mãe. Sei lá. Eu era ainda uma criança, mas não tinha raiva dela, e sabia como seria minha tarde se ele me chamasse ao quadro. Me resignava a observar, ao longe, o sofrimento dela… Penso que ela jamais percebeu este fato. O estranho é que, não a vi pedir ajuda e, em contrapartida, ninguém a ajudava… Tenho a imagem quase fotográfica da dificuldade que enfrentava para tirá-las de dentro do carro e levá-las à secretaria. Creio que estudavam em outra escola pela manhã.

Conclusão: a diretora chamou minha mãe pelas dores de barriga frequentes, e principalmente, pelo fato de que minhas notas poderiam impedir-me de passar, no final do ano que estava próximo, para o nível fundamental. Fiz a oração a São Judas Tadeu com fervor, no caso, infantil! Consegui a nota necessária: nem um décimo a mais, nem um décimo a menos! Mesmo assim, a diretora, querida Dona Yolanda não queria me liberar porque acreditava que não conseguiria acompanhar o conteúdo da 6ª série na outra escola. Minha mãe apelou, e ela pelos boletins dos anos anteriores, me liberou! Tem mais: o “milagre” que São Judas Tadeu me concedeu se estendeu à 6ª série: o professor, pai de dois adolescentes, muito brincalhão, por incrível que possa parecer, fez o gesto contrário ao dela: eu me saí tão bem na matemática da 6ª série que ele me chamava ao quadro para “ensinar” os colegas… Nunca esqueci de seu nome: Prof. Cavalcante. Que Deus o abençoe sempre (deve estar com uns 75 anos), e que São Judas Tadeu rogue sempre por ele e sua família! Amém.

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Fonte: OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares)

Liturgia – 18 de outubro
29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia Mundial das Missões e das Pontifícias Obras da Infância Missionária

(…)

Leituras : Is 53, 10-11 – Sl 32(33) – Hb 4,14-16 – Mc 10, 35-45
“Mestre, queremos que nos conceda tudo o que te pedimos.”

É nosso dever reconhecer todo dia quanto bem Deus nos faz.

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Liturgia – 28 de outubro – Ss. SIMÃO E JUDAS TADEU

Leituras próprias: Ef 2,19-22 – Sl 18(19) – Lc 6, 12-19
“Ao amanhecer, chamou seus discípulos e entre eles escolheu doze.”
O grupo dos doze constitui o núcleo inicial do novo povo de Deus e nos relembra as doze tribos de Israel.

Festa dos Santos Apóstolos Simão e Judas. Simão é chamado “o Zelota” por São Lucas, pois provavelmente pertencia ao partido que tinha este nome, muito ligado à idéia teocrática e messiânica de Israel. Judas, com o sobrenome de Tadeu, foi o que perguntou a Cristo por que ele se tinha manifestado aos Apóstolos e não ao mundo, e recebeu em resposta a garantia da manifestação divina àqueles que O amam (cf. Jo 14,23).
Simão e Judas aparecem juntos nas diversas listas dos “doze”. Na lista dos doze, Simão vem no undécimo lugar em Marcos e Mateus e no décimo em Lucas; Judas no undécimo em Lucas e no décimo em Marcos e Mateus. Dão a este o cognome de Tadeu. O lugar no fim da lista leva a pensar nos trabalhadores contratados às cinco horas da tarde. (Mt 20,6). “São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, também chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, o filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu …” (Mateus 10,1ss.). A respeito de Simão, apenas sabemos que era originário de Caná e era chamado Zelota. Certamente Simão teria pertencido ao partido radical e nacionalista dos zelotas, opositores intransigentes do domínio romano na Palestina. Quanto a Judas, chamado Tadeu, sabemos pelo Evangelho que, na Última Ceia, perguntou a Jesus: “‘Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?’ Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará, e a ele viremos e nele estabeleceremos morada. Quem não me ama não guarda minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou”.Segundo S. Jerónimo, Judas pregara em Osroene (região de Edessa). Teria evangelizado a Mesopotâmia. S. Paulino de Nola tinha-o como apóstolo na Líbia. Fortunato de Poitiers julgava-o enterrado na Pérsia. Os martirológios latinos conservam esta notícia, utilizando uma narração que o reúne a Simão.

Postado por OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares).

Memória: Santos Inocentes – Mártires – 28 de dezembro – in “Catolicismo”

Fonte/imagem/matéria: Campanha “Nascer é um Direito”

Matéria – Entrevista com Padre Luiz Lodi da Cruz: “Aborto, jamais. Nenhuma circunstância o justifica”. Aconselhamento.
9/6/2008 – Revista Catolicismo

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Hoje, 30 de dezembro, ante-véspera das comemorações do “Final de Ano”, que se darão no mundo inteiro, é um bom dia para pensarmos nas crianças que nascem sob a égide da injustiça. Há cinco dias comemoramos o Natal (onde o “papai-noel” foi o centro da festa”…), e recordamos a “saga” do Menino Jesus, da concepção à fuga para o Egito. No final das contas, Jesus Menino era um “refugiado” já no ventre da Virgem Maria, acompanha de seu esposo, São José. Estes, certamente são protetores especiais de todos que por eles clamam, porque estão em trânsito, de um país a outro, tanto por perigo de extermínio, quanto, por melhores condições de vida.

Sob outro aspecto, os bebês, as crianças pobres de nosso tempo terão uma heróica mãe subnutrida, desnutrida para os amamentar. E, isto vem se espalhando pelos quatro cantos do planeta, em meio ao prometido e alardeado progresso do binômio “Ciência&Tecnologia”, de fato, não cumprido. é quase um clichê na boca dos tecnocratas e dos burocratas políticos. Não se restringe portanto tão somente aos chamados “Terceiro” e Quarto” Mundos. O “problema”, ou seja, povos itinerantes, trazido pela “ambígua” globalização (ambiguidadade proposital, sem dúvida) começa a minar suas próprias economias nacionais – as do “Primeiro”. Efeito reverso…

Tudo se passa com um indiferença brutal em bairros paupérrimos, na África, na Ásia, e mais recentemente em redutos de pessoas que fogem da miséria de seu país. Nestes guetos, situados em países ricos, não há mais compaixão pela situação em que vivem, salvo exceções. É graça divina o fato de existirem (sem desistência) – iniciativas individuais, de organismos não governamentais sérios, da Igreja Católica e outras igrejas cristãs.

No caso, dos guetos do “Primeiro Mundo”, ao final e ao cabo, por não serem brancos, estes bebês se tornarão trabalhadores “escravos” de pessoas abastadas… São por elas exploradas devido à sua condição de ilegalidade, que remonta a seus pais, avós, tios, etc.. Moram em antros, abandonados pelo poder público que não os legaliza, perseguindo-os como animais, desde os jovens aos mais velhos. Enquanto bebês e crianças não têm direito à assistência pública ampla do país em que são chamados “apátridas”, isto é, sem país. A contradição é que seus pais e familiares lá residem há décadas… Eu diria que os governos fazem “vista grossa” porque, geração após geração, se tornam mão-de-obra barata… Quem vai recolher o lixo, varrer as ruas, limpar prédios turísticos antigos, servir e preparar os jantares, com requintes mantidos há séculos?

O texto abaixo também menciona a naturalização ou banalização, por parte das autoridades públicas, em âmbito mundial, que se dá a partir de propaganda e iniciativas a favor da legalização do aborto. No mundo, a partir desta realidade mais recente (porque, ao que parece, orquestrada…), milhões de bebês-embriões, em clínicas, legais ou ilegais, afora os ambientes sem quaisquer condições de higiene são privados do direito mais elementar: nascer!

Levam faixas e nas ruas gritam suas teorias “pró-escolha”, mas diariamente, de fato, dizem um silencioso e nefasto NÃO à VIDA!

Lembro então que, tudo, desde o início dos tempos, está sendo escrito no Livro da Vida, tanto o bem que fazemos, quanto o mal que perpetramos e não nos arrependemos diante de Deus, o Criador de tudo, de todas as vidas…

Pensando bem, a Humanidade há muito não tem o que comemorar. Esqueceu deliberadamente de praticar o bem que é possível, do amor e de sua partilha…

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Dia dos SANTOS INOCENTES – MÁRTIRES

28 de dezembro

Neste dia a Igreja recorda os meninos inocentes de Belém e arredores, de idade inferior a dois anos, os quais, conforme o relato do Evangelho, foram arrancados de suas mães e assassinados cruelmente, por ordem de Herodes. Embora não tivessem uso da razão, morreram por Cristo Jesus, e por isso a Igreja os honra com o título de mártires.

Em nossos dias, assistimos a uma nova matança dos inocentes, desta vez – é triste reconhecê-lo – tantas e tantas vezes perpetrada pelas próprias mães desnaturadas! De fato, em que consiste o aborto voluntariamente provocado? Consiste, pura e simplesmente, no assassinato do filho pela própria mãe. O feto, ou seja, o ser humano desde o momento da concepção até o do nascimento, é um ser distinto de sua mãe. Eliminar o embrião, seja em que fase for de seu desenvolvimento, é um assassinato que viola os direitos humanos. Ora, com toda a naturalidade se vai disseminando a prática pecaminosa do aborto, consagrada e protegida pelas legislações! E em alguns casos são legalmente punidos médicos ou enfermeiras católicos que em consciência se recusam a participar desses crimes!

Fonte: “Cada dia tem seu Santo”, de A. de França Andrade.

“AO NASCIMENTO DE JESUS”, “PARA A NATIVIDADE”, “AO NASCIMENTO DO MENINO JESUS” – Poesias XI-XIII-XIV – Santa Teresa de Jesus

NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
A caminho de Belém..

Fonte/imagens: Blog da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares – Província São José (Liturgia)

“Deus se faz um Menino indefeso a fim de vencer a soberba, a violência, o ímpeto de possuir do homem.”

(Bento XVI – 23/12/2009)

Frase extraída do Blog da OCDS.
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Fonte: Obras Completas – Santa Teresa de Jesus – Edição brasileira estabelecida a partir de texto revisado e anotado por Frei Tomas de La Cruz O.C.D.  Editorial Monte carmelo, Burgos, 1997. Edições Loyola,  2002 (2ª edição), São Paulo, Brasil.

Nota 1 (pg.983) – Poesia XI Nas poesias que tratam do nascimento do Menino Deus, Santa Teresa figura os pastores (Gil, Vicente, Pascoal, Brás, Menga, etc.) falando entre si.

XI

AO NASCIMENTO DE JESUS

Ò pastores que velais,

A guardar vosso rebanho, Eis que vos nasce um Cordeiro,

Filho de Deus soberano.

Vem pobre, vem desprezado,

Tratai logo de o guardar.

Porque o lobo o há de levar

sem que o tenhamos gozado.

– Gil, dá-me aquele cajado.

Vou tê-lo nas mãos todo o ano,

Não se nos leve o Cordeiro:

Não vês que é Deus Soberano?

Sinto-me todo aturdido

De gozo e pena. e pergunto:

– Se é Deus o que hoje é nascido,

Como pode ser defunto?

É que é homem e Deus junto;

governa o destino humano;

Olha que o nosso Cordeiro

Filho é Deus Soberano.

Não sei para que é que o pedem,

Pois lhe dão depois tal guerra.

-Olha, Gil melhor será

Que se torne à sua terra…

Mas se todo o bem encerra,

E apaga o pecado humano,

Já que é nascido, padeça

Este Deus tão soberano.

Pouco te dói sua pena!

Tanto é certo que esquecemos

O que os outros por nós sofrem,

Se proveito recebemos!

No vês que um dia o teremos

Pastor do gênero humano?

Contudo é coisa tremenda

Que morra Deus soberano.

****

XIII

PARA A NATIVIDADE

Já Deus nos há dado

O amor: assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

Seu Único Filho

O Pai nos envia:

Nasce hoje na lapa,

Da Virgem Maria.

O homem – que alegria!

É Deus: assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

– Olha bem, Viente:

Que amor! e que brio!

Vem Deus, inocente,

A padecer de frio;

Deixa o senhorio

Que tem; assim, pois,

Não há que temer,

Morramos os dois.

– Mas como Pascoal,

tem tanta franqueza,

Que veste saial,

Deixando riqueza?

Mais quer a pobreza!

Sigamo-lo pois:

Se já vem feito homem,

Morramos os dois.

Mas qual sua paga

Por tanta grandeza?

– Só grandes açoites

Com muita crueza.

– Que imensa tristeza

Teremos depois!

Ah! se isto é verdade,

Morramos os dois.

– Mas como se atrevem,

sendo Onipotente?

– Será morto um dia

Por perversa gente.

–  Se assim é, Vicente,

Furtemo-lo pois:

-Não vês que o deseja?

Morramos os dois!

****

XIV

AO NASCIMENTO DO MENINO JESUS

Galego, quem chama aí fora?

– São Anjos, à luz da aurora.

– Grande rumos ouço ao longe

Que parece cantilena,

– vamos ver, Brás, – que amanhece –

A Zagala tão serena.

–  Galego, quem chama aí fora?

– São Anjos, à luz da aurora.

Será do alcaide parenta?

Ou quem é esta donzela?

É Filha do Eterno Padre

E reluz como uma estrela.

Galego, quem chama aí fora?

São Anjos, à luz da aurora.

São João da Cruz, o “Doutor Místico” – 14 de dezembro (memória) – Site “Igrejas Católicas Orientais”

Fonte/imagem-textos: Igrejas Católicas Orientais http://www.igrejascatolicasorientais.com/ : “Una, Santa, Católica e Apostólica – A Igreja de Jesus Cristo)   –  http://www.igrejascatolicasorientais.com/artigos/SAO_JOAO_DA_CRUZ.htm

….

SÃO JOÃO DA CRUZ: O DOUTOR MÍSTICO

Conheçamos mais um dos baluartes da gloriosa Ordem Carmelita Descalça: seu fundador, São João da Cruz. Ele nasceu em 1542, talvez no dia 24 de junho, em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.  Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina Del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina Del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina Del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.

Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da “Noite Escura da alma”, da “Subida do monte Carmelo”, do “Cântico Espiritual” e da “Chama de amor viva”.

A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena ““.Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor “, disse o Santo”.Fomos feitos para o amor ““.O único instrumento do qual Deus se serve é o amor ““.Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus ““.

O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.

Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, à meia-noite do dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes.  Seu corpo foi trasladado para Segovia em maio de 1593. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado em 27 de dezembro de 1726 e declarado Doutor da Igreja em 1926 por Pio XI. Em 1952 foi proclamado “Patrono dos Poetas Espanhóis”.

Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: “Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal”.Santa Teresa de Jesus o considerava “uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência”. Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz. Santa Teresinha conheceu João da Cruz quando ainda vivia nos Buissonnets. Ela, em seus escritos, refere-se ao Santo Fundador cento e seis vezes, direta ou indiretamente, e confessa a forte influência que dele recebeu: “Ah, que luzes hauri nas obras de Nosso Pai São João da Cruz!… Com a idade de 17 a 18 anos, não tinha outro alimento espiritual…” (MA 83r).

PENSAMENTOS DE SÃO JOÃO DA CRUZ

Extraídos do livro “O Amor não cansa nem se cansa”, seleção de textos feita por Frei Patrício Scidiani, ocd, Editora Paulus, 2a. ed.

Dizem assim:

Para chegares a saborear tudo,

Não queiras ter gosto em coisa alguma.

Para chegares a possuir tudo,

Não queiras possuir coisa alguma.

Para chegares a ser tudo,

Não queiras ser coisa alguma.

Para chegares, a saber, tudo,

Não queiras saber coisa alguma.

Para chegares ao que não gostas,

Hás de ir por onde não gostas.

Para chegares ao que não sabes,

Hás de ir por onde não sabes.

Para vires ao que não possuis,

Hás de ir por onde não possuis.

Para chegares ao que não és,

Hás de ir por onde não és.

Modo de não impedir o tudo:

Quando reparas em alguma coisa,

Deixas de arrojar-te ao tudo.

Porque para vir de todo ao tudo,

Hás de negar-te de todo em tudo.

E quando vieres a tudo ter,

Hás de tê-lo sem nada querer.

Porque se queres ter alguma coisa em tudo,

Não tens puramente em Deus teu tesouro.

Que mais queres, ó alma, e que mais buscas fora de ti,

se encontras em teu próprio ser a riqueza, a satisfação,

a fartura e o reino, que é teu Amado a quem procuras e desejas?

….

Em teu recolhimento interior, regozija-te com ele, pois ele está muito perto de ti.

A alma que verdadeiramente ama a Deus não deixa de fazer o que pode para achar o Filho de Deus, seu Amado. Mesmo depois de haver empregado todos os esforços, não se contenta e julga não ter feito nada.

Ó Senhor, Deus meu! Quem te buscará com amor tão puro e singelo que deixe de te encontrar, conforme o desejo de sua vontade, se és tu o primeiro a mostrar-te e a sair ao encontro daqueles que te desejam?

A alma que busca a Deus e permanece em seus desejos e comodismo, busca-o de noite, e, portanto, não o encontrará. Mas quem o busca através das obras e exercícios da virtude, deixando de lado seus gostos e prazeres, certamente o encontrará, pois o busca de dia.

Quando a pessoa abre e se liberta de todo condicionamento, e une perfeitamente sua vontade à de Deus, transforma-se naquele que lhe comunica o ser sobrenatural, de tal maneira que se parece com o próprio Deus e se deixa possuir totalmente por ele.

O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é ele.

A pessoa, cujo estado de perfeição não corresponde à sua própria capacidade, jamais gozará da verdadeira paz e satisfação, porque, em suas faculdades, não chegou ainda àquele grau de despojamento, que se requer para a simples união.

O centro da alma é Deus. Quando a pessoa se encontra com ele, em todas as suas faculdades, energias e desejos, terá atingido o cerne e a raiz mais profunda de si mesma, que é Deus.

Nesta desnudez acha o espírito sua quietação e descanso, pois nada cobiçando, nada o fatiga para cima e nada o oprime para baixo, por estar no centro de sua humildade. Porque quando alguma coisa cobiça, nisto mesmo se cansa e atormenta.

Quanto mais a pessoa se aproxima de Deus, mais profundas são as trevas que sente, e maior a escuridão, por causa de sua própria fraqueza. Assim, quanto mais alguém se aproxima do sol, sentirá, com seu grande resplendor, maior obscuridade e sofrimento, em razão da fraqueza e incapacidade de seus olhos.

Quem não procura senão a Deus não anda nas trevas, por mais fraco e pobre que seja.

Todo poder e liberdade do mundo, comparados com a soberania e a independência do espírito de Deus, são completa servidão, angústia e cativeiro.

Deus é inacessível. Não repares, portanto, no que as tuas faculdades podem compreender, nem teus sentidos experimentar, para que não te satisfaças com menos e assim perderes a presteza necessária para chegar a ele.

As visões e apreensões dos sentidos não têm proporção alguma com Deus: não podem servir de meio para a união com ele.

Quando a pessoa ama alguma coisa fora de Deus, torna-se incapaz de se transformar nele e de se unir a ele.
A criatura atormenta, e o espírito de Deus gera alegria.
A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer sente-se impedida em sua liberdade e contemplação.
O caminho da vida é de muito pouco ativismo e barulho. Requer mais mortificação da vontade do que muito saber. Caminhará mais quem carregar consigo menos coisas e desejos.
Quem souber morrer a tudo terá vida em tudo.
A fé e o amor são os dois guias de cego que te conduzirão, através de caminhos desconhecidos, até os segredos de Deus.
O caminho que conduz a vós, Senhor, é caminho santo que se percorre na pureza da fé.
A esperança em Deus só pode ser perfeita quando se afasta da memória tudo o que se contrapõe a Deus.
O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado.
Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos.
Criatura alguma merece amor senão pelo bem que nela há. Amar desse modo é amar segundo a vontade de Deus e com grande liberdade; e se este amor nos une à criatura, mais fortemente ainda nos une ao Criador.
Quanto mais se acredita em Deus e se serve a ele sem testemunhos e sinais, tanto mais ele é exaltado pelo homem.
O amor não cansa nem se cansa.
Onde não há amor, põe amor e colherás amor.
Para quem ama, a morte não pode ser amarga, pois nela se encontram todas as doçuras e alegrias do amor. Sua lembrança não é triste, mas traz alegria. Não apavora nem causa sofrimento, pois é o término de todas as dores e o início de todo bem.
Para se progredir, o que mais se necessita é saber calar diante de Deus… A linguagem que ele melhor ouve é a do silêncio de amor.
No ocaso da vida serás examinado sobre o amor. Aprende a amar a Deus como ele quer ser amado.
Quando tiveres teus desejos apagados, tuas afeições na aridez e angústias, e tuas faculdades incapazes de qualquer exercício interior, não sofras por isso; considera-te feliz por estares assim. É Deus que te vai livrando de ti mesmo, e tirando-te das mãos todas as coisas que possuis.
O progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber.
À medida que Deus prova o espírito e o sentido, a pessoa vai adquirindo, com sofrimento, virtudes, forças e perfeição.
Enquanto a pessoa não se despojar de tudo, não terá capacidade para receber o espírito de Deus em pura transformação.
O que busca satisfação em alguma coisa não está livre para que Deus o plenifique de seu inefável sabor.
Ainda que estejas no sofrimento, não queiras fazer a tua vontade, pois terás assim o dobro de sofrimento.
Quanto mais Deus quer-se dar, tanto mais desperta em nós o desejo dele, até deixar-nos vazios para encher-nos de seus bens.
A amplidão do deserto ajuda muito o espírito e o corpo. O Senhor se compraz quando também o espírito tem o seu deserto.
Sofrer por Deus é melhor que fazer milagres.
É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.
Põe a atenção amorosamente em Deus, sem ambição de querer sentir ou entender coisa particular a seu respeito.
Quando a alma deseja a Deus com toda a sinceridade, já possui o seu Amado.
Abandone-se a alma nas mãos de Deus e não queira ficar em suas próprias mãos; fazendo assim e deixando livres as potências, caminhará segura.
Quem não busca a cruz de Cristo não busca a glória de Cristo.
Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala.
Queres alguma palavra de consolação? Olha o meu Filho, submisso, humilhado, por meu amor, e verás quantas palavras te responde.
Não é bem orientado o espírito que quer caminhar por doçuras e facilidades, fugindo de imitar a Cristo.
A pessoa crucificada interior e exteriormente com Cristo viverá feliz e satisfeita e, na paciência, possuirá a sua alma.
Se quiseres chegar a possuir Cristo, jamais o busques sem a cruz.
Não te detenhas em coisas mesquinhas, nem repares nas migalhas que caem da mesa de teu Pai. Sai, e gloria-te em tua glória; esconde-te nela e aí goza, e alcançarás os pedidos de teu coração.
O amor é a união do Pai e do Filho: e assim é a união da alma com Deus.

Embora a alma tenha altíssimas revelações divinas, a mais elevada contemplação, a ciência de todos os mistérios… Se lhe falta amor, de nada lhe servirá para unir-se a Deus.

Deus só coloca sua graça e predileção numa alma, na medida da vontade e do amor da mesma alma.

O olhar de Deus é amar e conceder favores.

Quando a alma se acha livre e purificada de tudo, em união com Deus, nenhuma coisa poderá aborrecê-la. Daqui se origina para ela, neste estado, o gozo de uma contínua suavidade e tranqüilidade, que ela nunca perde nem jamais lhe falta.

Como a alma já possui, enfim, perfeito amor, é chamada Esposa do Filho de Deus.

Tal é a alma que está enamorada de Deus. Não pretende vantagem ou prêmio algum a não ser perder tudo e a si mesma, voluntariamente, por Deus, e nisto encontra todo o seu lucro.

Não basta que Deus que nos ame para dar-nos virtudes; é preciso que, de nossa parte, também o amemos, a fim de podermos recebê-las e conservá-las.

É próprio do perfeito amor nada querer admitir ou tomar para si, nem se atribuir coisa alguma, mas tudo referir ao Amado. Se nos amores da terra é assim, quanto mais no amor de Deus.

Para Deus, amar a alma é, de certa maneiram integrá-la em si mesmo, igualando-a consigo; ama, então, essa alma, nele e com ele, com o próprio amor com que se ama.

O olhar de Deus produz na alma quatro bens, isto é, a purificam, a favorecem, a enriquecem e a iluminam. É como o sol que, dardejando na terra os seus raios, seca, aquece, embeleza e faz resplandecer os objetos.

Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde.

Amado meu, tudo o que é difícil e trabalhoso o quero para mim, e tudo o que é suave e saboroso o quero para ti.

Na união com o Amado, à alma verdadeiramente se rejubila e louva a Deus, com o mesmo Deus, e assim este louvor é perfeitíssimo e muito agradável a ele.

Oh, que bens serão aqueles que gozaremos com o olhar da SANTÍSSIMA TRINDADE!

Deus quer mais de ti um mínimo de obediência e docilidade do que todas as ações que realizas por ele.

O falar distrai e o silêncio na ação leva ao recolhimento e dá força ao espírito.

Nenhuma representação ou imaginação serve de meio próximo para a união com Deus; portanto, deve a alma despojar-se de todas elas.

Aprendam a permanecer em Deus, com atenção amorosa, com calma, sem se preocuparem com a imaginação e com as imagens que ela forma. Assim, as faculdades descansam e não atuam; recebem passivamente a ação divina.

Grande mal é olhar mais para os bens de Deus do que para o próprio Deus. Ele pede oração e despojamento.

Ao que está desprendido, não lhe pesam cuidados, na hora da oração ou fora dela.

Para entrar no caminho do espírito (que é a contemplação) deve a pessoa espiritual deixar o caminho da imaginação e da meditação sensível.

O Senhor se comunica passivamente ao espírito, assim como a luz se comunica passivamente a quem não faz mais que abrir os olhos para recebê-la.

É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.

(São João da Cruz)

SÃO JOÃO DA CRUZ – ” O ROUXINOL DO CARMELO”, CRONOLOGIA, OBRAS E SÍNTESE ESPIRITUAL

a) CRONOLOGIA
1542: Nasce em Fontiveros (Ávila), talvez no dia 24 de junho, filho do casal Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez.

1548: Vai residir em Arévalo.

1551: Muda com a família para Medina Del Campo.

1559-63: Cursa humanidades com os Jesuítas de Medina.

1563: Veste o hábito carmelitano, recebendo o nome de Fr. Juan de San Matias, em Medina Del Campo.

1564-68: Professa os votos e estuda em Salamanca na Universidade e no Colégio de San Andrés.

1567: Ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa em Medina.

1567: Em setembro se encontra com a Santa Madre Teresa, que lhe fala sobre o projeto da Reforma da Ordem, também entre os religiosos.

1568.28.11: Em Duruelo começa a Reforma com o PE Antonio de Jesús Heredia.

1568-71: Mestre dos noviços em Duruelo, Mancera e Pastrana.

1569: Abre-se o convento de Pastrana e o Santo vai para lá, a fim de suavizar a excessiva dureza de sua vida.

1570: A comunidade de Duruelo se transfere para Mancera

1571: Abril.  Nomeado Reitor do Colégio de Alcalá.

1572-77: Confessor e Vigário na Encarnação, em Ávila.

1577: Na noite de três para 4 de dezembro é levado para o cárcere de Toledo, onde ficará até 15 de agosto de 1578.

Outubro. Prior de Calvano (Jaén).

1579. Reitor do colégio de Baeza.

1581: Março. No Capítulo de Alcalá é nomeado terceiro Definidor, Provincial e Prior de Granada.

1583: Maio. Reeleito Prior de Granada.

1585: Maio. Em Lisboa foi eleito segundo Definidor e em outubro o nomeiam Vigário Provincial de Andaluzia.

1586: Faz a fundação dos padres em Córdoba, Manchuela e Caravaca.

1587: No Capítulo de Valladolid o nomeiam pela terceira vez Prior de Granada.

1588: Junho. No Primeiro Capítulo Geral celebrado em Madrid é nomeado Primeiro Definidor Geral, Prior de Segóvia e Terceiro Conselheiro de consulta.

1591: Junho. Assiste ao Capítulo Geral em Madri e terminam todos os seus cargos.

1591.14.12: Morre em Ubeda (Jaén), à meia-noite, aos 49 anos.

1593: Maio.  Seu corpo é trasladado para Segóvia.Segóvia

1618: Primeira edição de suas obras em Alcalá.

1675.25.1: Beatificado por Clemente X.

1726.27.12: Canonizado por Bento XIII.

1926.24.8: Declarado Doutor Místico da Igreja por Pio Xl.

1952.21.3: Proclamado patrono dos poetas espanhóis.

b) RETRATO DO SANTO
Parece que não se conserva nenhum retrato pessoal, feito a pincel, nenhum desenho.

Mas se conservam maravilhosas descrições de muitos que conviveram com ele e apresentaram depoimentos para o seu processo de beatificação.

Certamente a mais bela e completa descrição foi-nos deixada pelo PE Eliseu dos Mártires, que conviveu com o santo no Colégio de Baeza. Ele nos diz:

“Tinha estatura média, dono de rosto sério e venerável, um pouco moreno e de boa fisionomia; bom no trato e de boa conversação, agradável, homem muito espiritual que trazia muito proveito para os que o ouviam e com ele se comunicavam. E isto o fez tão de modo tão especial e singular, que todos que o procuravam, homens e mulheres, saiam espiritualizados, piedosos e cheios de virtudes.”

Viveu intensamente a oração como trato com Deus. Todas as questões que lhe eram apresentadas sobre estas questões eram respondidas com alta sabedoria, deixando àqueles que o consultavam muitos satisfeitos.

Foi amigo da vida em recolhimento e do pouco falar. Seu riso não era muito freqüente. Era uma pessoa compenetrada.

Quando Superior, o que foi muitas vezes, quando precisava repreender, o fazia com doce severidade, exortando com amor paternal, movido por admirável serenidade e seriedade.

c) PINCELADAS DE SANTA TERESA

* O padre Frei João da Cruz é uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celeste.

* Ainda criança, tornou-se grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque toda sua vida foi de grande penitência. Muito me animou a virtude e o espírito que o Senhor lhe deu. Tem uma vida farta em oração e um bom entendimento das coisas de Deus.

* Todos têm Frei João da Cruz como santo.

* “Os ossos daquele pequeno corpo farão milagres”.

d) SUAS OBRAS
Poucos falaram dos mistérios sublimes de Deus na alma e da alma em Deus como este angelical Carmelita de Fontiveros.

Sua prosa e sua poesia são divinas e, como muito bem disse Menéndez y Pelayo, “não se podem avaliar com critérios literários, porque o espírito de Deus embelezou-lhe tudo”.

I. -OBRAS MAIORES:

1. Subida ao Monte Carmelo: É sua obra fundamental. É quase uma única obra com a Noite Escura, começada no Calvário de Jaén, em 1578, e depois continuada em Baeza e Granada.

2. Noite Escura da alma:
A) Livro primeiro, Noite passiva do sentido; consta de 14 cap.
B) Libro segundo: Noite passiva do espírito, consta de 25 cap.

3. Cântico Espiritual. É a mais bela obra do santo. 30 estrofes foram escritas no cárcere. Trata da união com Deus. Consta de 40 estrofes e se divide em três partes.

4. Chama Viva de Amor. Escrita em Granada entre 1585 e 1587, em quinze dias. É o livro mais ardente de todos. Consta de quatro canções com seis versos cada uma.

II. OBRAS MENORES:

1. Avisos: Conselhos que dava às monjas de Beas, quando era seu Confessor.
2. Cautelas: Escreveu-as para as mesmas monjas.
3. Quatro conselhos a um religioso.
4. Cartas: Conservam-se apenas 32 cartas. Devido ao processo que abriram contra ele, muitas cartas foram destruídas.
5. Poesias: As principais são as que aparecem nos grandes tratados: Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama.
É sem dúvida o que melhor se escreveu em espanhol.

6. DITOS DE LUZ E AMOR:

Frases de direção para suas carmelitas, que o Santo escrevia ocasionalmente.

A obra sanjuanista – escreveu um ilustre teresianista – se divide em duas partes: “A ensinar os métodos para se conseguir o vazio dos sentidos e as potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os dois primeiros tratados de profunda doutrina espiritual e forte consistência: A Subida e a Noite.

Ninguém cantou melhor os amores divinos que o rouxinol do Carmelo. Algumas poesias imediatamente inflamam a alma no mesmo amor em que Deus se abrasa. Sobre seu inspirado lirismo, sobrevoa seu profundo sentido místico.

7) SUA ESPIRITUALIDADE
Impossível sintetizar o maravilhoso magistério vivo e ensinado pelo Doutor Místico em tão breves linhas. O Doutor é a máxima figura mística do Carmelo. À vida ele une a doutrina e a ciência. A santa vida e a ciência sagrada ou a teologia mística são uma só realidade, como o provam suas magníficas obras. Pio XI, que lhe deu o título de Doutor Místico da Igreja, batizou suas obras como “Código e escola da alma fiel que se propõe a empreender uma vida mais perfeita”.  Aqui seguem algumas observações sobre sua rica espiritualidade:

O Santo, em seus escritos, tem sempre presente o fim da vida espiritual, ou seja, Deus, levar as almas a Deus. E subjetivamente uni-las a ele por amor, quer dizer, deseja levar a transformação perfeita em Deus por amor o quanto é possível nesta vida seguindo-se a Jesus Cristo.

Em sua admirável obra recorda a seus leitores freqüentemente o cume daquela montanha e deseja que todos a subam. Ela é a sublime perfeição à qual os encaminha com suas palavras e exemplos convincentes.

Seu raciocínio demonstra que esta subida é necessária porque é um meio indispensável para se despojar de todas as outras coisas, obstáculos para a suprema transformação da alma em Deus.

João da Cruz era um profundo conhecedor do coração humano. Por isso, “como o amor de Deus e o amor da criatura são opostos, é preciso ir limpando a alma do amor das criaturas para que a graça a invista e encha de amor divino”.

E tanto maior será este investimento e plenitude, quanto maior for o vazio da criatura que acha na alma: “Olvido do que é criado, memória do criador, atenção ao interior, e estás amando o Amado”.

Ao ensino os métodos para conseguir este vazio nos sentidos e potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os tratados “Subida ao Monte Carmelo” e “Noite Escura da Alma”, ambos de profunda doutrina espiritual e de forte liame lógico.

No Cântico Espiritual e na Chama Viva do Amor, entre metáforas e comparações esplêndidas, tomadas da natureza, vai-se descortinando pouco a pouco as excelências do amor divino nas almas desde os graus inferiores aos mais altos do esposamento e matrimônio espiritual.

Em síntese, pode-se dizer que a grande originalidade do magistério espiritual sanjuanista e o segredo de sua vitalidade encontra-se precisamente na íntima relação entre abnegação e união na vida sobrenatural e, para usar sua terminologia clássica, entre o nada o tudo, que se fundem um no outro.

São João da Cruz, o Doutor Místico, influenciou grandemente a espiritualidade cristã. Alimentou, quando vivo, através de sua direção espiritual e depois de falecido com seus escritos imortais.

Especialmente depois que foi declarado Doutor da Igreja Universal em 1926, suas obras são lidas e citadas por todos os autores espirituais.

Inclusive nossos irmãos da Igreja Anglicana, da Comunidade de Taizé e da Igreja Ortodoxa confessam sua predileção pelo carmelita de Fontiveros.

Literatos, poetas, cientistas e até não-crentes ficam admirados ante a profundidade e a beleza que brotam dos escritos sanjuanistas.

Sua Mensagem

Que Descubramos o tesouro da Cruz;

Que a oração e o silêncio nos levem a descobrir a Deus;

Que sejamos dóceis às inspirações do alto;

Que saibamos perdoar a todos os que nos ofendem.

….

NOITE ESCURA

São João da Cruz

Em uma Noite escura,
com ânsias em amores inflamada,
ó ditosa ventura!,
Saí sem ser notada.
estando minha casa sossegada.

A ocultas, e segura,
pela secreta escada, disfarçada,
ó ditosa ventura!
A ocultas, embuçada,
estando minha casa sossegada.

Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma coisa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!
Ó Noite amável mais do que a alvorada!
Ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

….

Tradução de Jorge de Sena [poema].

Postado por “Igrejas Católicas Orientais” – http://www.igrejascatolicasorientais.com/artigos/SAO_JOAO_DA_CRUZ.htm

“Tu que a preservaste de toda a mancha na previsão da morte do Teu Filho…” – Prece de celebração litúrgica – Festividade da Imaculada Conceição da Virgem Maria (Spe Deus – 8 de dezembro)

PREPARAÇÃO AO ADVENTO – 23 DE NOVEMBRO (ÚLTIMA SEMANA DO TEMPO COMUM) – ‘A ANUNCIAÇÃO DO SENHOR”

Fonte: SERVOS DE CRISTO SACERDOTE

A Santa Igreja vive nesta semana a última do Tempo Comum, prefiguração da  Escatologia Final, quando o Senhor vier no fim dos tempos para dar a cada um segundo as suas obras. Os Servos de Cristo Sacerdote propõem a audição de obras solenes e graves, que servirão de ajuda à meditação na brevidade da vida e contemplação na Omnipotência Divina, intercaladas com o canto em gregoriano do «Dies Irae», cujo texto aparece em baixo em latim e português, Dies Irae (“Dia de Ira”) é um famoso hino, em latim, do século XIII. Pensa-se que foi escrito por Tomás de Celano. Sua inspiração parece vir da Vulgata, tradução de Sofonias 1:15–16. Originalmente era a  sequência da Missa de Defuntos, depois da Reforma Conciliar, a Igreja propõe-o para a celebração da Liturgia das Horas precisamente na Última Semana do Tempo Comum.

ESCATOLOGIA
SEGUNDO O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

§676 Esta impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realizar-se para além dela, por meio do juízo escatológico: mesmo em sua forma mitigada, a Igreja rejeitou esta falsificação do Reino vindouro sob o nome de milenarismo, sobretudo sob a forma política de um messianismo secularizado, “intrinsecamente perverso”.

§1186 Finalmente, a igreja tem um significado escatológico. Para entrar na casa de Deus, é preciso atravessar um limiar, símbolo da passagem do mundo ferido pelo pecado para o mundo da vida nova ao qual todos os homens são chamados. A igreja visível simboliza a casa paterna para a qual o povo de Deus está a caminho e na qual o Pai “enxugará toda lágrima de seus olhos” (Ap 21,4). Por isso, a igreja também é a casa de todos os filhos de Deus, amplamente aberta e acolhedora.

§2771 Na Eucaristia, a Oração do Senhor manifesta também o caráter escatológico de seus pedidos. E a oração própria dos “últimos tempos”, dos tempos da salvação que começaram com a efusão do Espírito Santo e que terminarão com a Vinda do Senhor. Os pedidos ao nosso Pai, ao contrário das orações da Antiga Aliança, apoiam-se sobre o mistério da salvação já realizada, uma vez por todas, em Cristo crucificado e ressuscitado.

§2776 A Oração dominical é a oração da Igreja por excelência. É parte integrante das grandes Horas do Oficio Divino e dos sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. Integrada na Eucaristia, ela manifesta o caráter “escatológico” de seus pedidos, na esperança do Senhor, “até que Ele venha” (1 Cor 11,26)
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"A Mãe de Cristo estava junto à cruz" - São Bernardo, abade (Sermão séc. XIi)

Fonte/imagens e textos adicionais:  http://servosdecristosacerdote.blogspot.com/

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"Mater Dolorosa" - Carlo Dolci

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Fonte: Spe Deus «Creio para compreender e compreendo para crer melhor» (Santo Agostinho, Sermão 43, 7, 9) – http://spedeus.blogspot.com/

Imaculada Conceição de Nossa Senhora*

O pecado original é uma realidade misteriosa e pouco evidente para nós enquanto comporta um prolongamento da culpa dos progenitores até todos nós. Neste dia, nós o consideramos na sua conspícua excepção ou melhor no singular privilégio concedido a Maria, que foi dele preservada desde o primeiro instante da sua concepção, da sua existência humana. O valor doutrinal desta festividade é manifesto na prece da celebração litúrgica, que sublinha o privilégio concedido à futura Mãe de Deus; “Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparaste ao teu Filho uma morada digna dele…”, e a própria natureza deste privilégio, enquanto não subtrai Maria à Redenção universal efectuada por Cristo: “Tu que a preservaste de toda a mancha na previsão da morte do teu Filho…”

Antes que Pio IX, com a bula Ineffabilis Deus em 1854, definisse solenemente o dogma da Imaculada Conceição, não obstante as hesitações de alguns teólogos, que podiam apelar para o próprio São Tomás de Aquino, tinha-se chegado a um desenvolvimento não só da devoção popular para com a Imaculada mas também nas intervenções dos papas a favor desta celebração. Antes que o calendário romano incluísse a festa em 1476, esta já havia aparecido no Oriente no século sétimo, e contemporaneamente na Itália meridional dominada pelos bizantinos.

Em 1570, Pio V publicou o novo Ofício e finalmente em 1708 Clemente XI estendeu a festa, tornando-a obrigatória, a toda a cristandade. Mas desde a origem do cristianismo Maria foi venerada pelos fiéis como a TODA SANTA. No primeiro esboço da festa litúrgica da Conceição, anterior ao século sétimo, nota-se, se não a profissão explícita da isenção da culpa original, pelo menos uma persuasão teologicamente equivalente. “Potuit, decuit, ergo fecit”, havia argumentado um brilhante teólogo medieval: “Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, portanto o fez.” Do infinito amor de Cristo para com a Mãe, que a pré-redimiu e a cumulou do Espírito Santo desde o primeiro instante da sua existência, derivou este singular privilégio, que a Igreja hoje celebra para nos fazer meditar sobre a beleza de toda alma santificada pela graça redentora de Cristo.

Quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a Virgem apareceu a Santa Bernadette Soubirous. Para a menina que, timidamente, perguntava: “Senhora, quer ter a bondade de me dizer o seu nome?”, Maria respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição.”

(*)Padroeira de Portugal e de Moçambique

(Fonte: Evangelho Quotidiano)
Publicada por JPR em Terça-feira, Dezembro 08, 2009.

“Temos que amar verdadeiramente Deus para poder conhecê-lo” – Papa Bento XVI – Cidade do Vaticano – Audiência Geral na Praça de São Pedro (03.12.2009-RV)

"Finding Faith" - Encontrando a Fé...

Fonte/imagem: http://www.efecrete.gr/index.php?lid=2&mid=0&main_cat=2&efid=39&cid=4

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Fonte: Rádio do Vaticano (na íntegra)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TEMOS QUE AMAR VERDADEIRAMENTE DEUS PARA PODER CONHECÊ-LO

PAPA: NÃO É POSSÍVEL CONHECER DEUS SEM AMÁ-LO

Cidade do Vaticano (RV) – Ontem, quarta-feira, Bento XVI recebeu milhares de peregrinos e turistas, na Praça S. Pedro, para a Audiência Geral. Em sua catequese, o papa falou de Guilherme de Saint-Thierry, abade nascido em Lieja por volta do ano 1080.Dotado de grande inteligência e de um amor inato pelo estudo, freqüentou uma das escolas mais famosas de seu tempo, como a de sua cidade natal, Reims, na França.

Amigo e biógrafo de São Bernardo de Claraval, Guilherme de Saint-Thierry, após ter sido abade em um mosteiro beneditino, decidiu fazer-se cisterciense, dedicando-se à contemplação orante dos mistérios de Deus e à composição de escritos de literatura espiritual.

Para o papa, podemos considerá-lo como o “Cantor do amor, da caridade”, pois, segundo ele, a força principal que move o espírito humano é o amor.

A natureza humana, na sua mais profunda essência, é feita para amar, recordou Bento XVI. Porém, o homem só consegue realizar este objetivo, sincera, autêntica e gratuitamente, aprendendo na escola de Deus, que é Amor.

“A vocação do homem é tornar-se como Deus, que o criou a sua imagem e semelhança. Por sua vez, o amor ilumina a inteligência e permite conhecer melhor e de um modo mais profundo a Deus e, em Deus, as pessoas e os acontecimentos. Assim, nós conhecemos realmente apenas as pessoas e as coisas que amamos.

A Deus, O conheceremos se O amarmos” – afirmou. Após a catequese, o papa recordou que hoje se celebram os 25 anos da promulgação da Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, que chamou à atenção a importância do sacramento da penitência na vida da Igreja. Nesta significativa data, Bento XVI citou algumas figuras extraordinárias de “apóstolos do confessional”, incansáveis dispensadores da misericórdia divina: São João Maria Vianney, São José Cafasso, São Leopoldo Mandić, São Pio da Pietrelcina.

“Que o testemunho de fé e de caridade encoraje vocês, caros jovens, a fugirem do pecado e a projetarem seu futuro como um generoso serviço a Deus e ao próximo.

Que ajude vocês, queridos enfermos, a experimentarem no sofrimento a misericórdia de Cristo crucificado. E peço a vocês, queridos noivos, a criarem na família um clima constante de fé e de recíproca compreensão” – afirmou o pontífice.

Por fim, aos sacerdotes, especialmente neste Ano Sacerdotal, o papa faz votos de que o exemplo desses santos, seja para eles e para todos os cristãos um convite a confiar sempre na bondade de Deus, aproximando-se e celebrando com confiança o Sacramento da Reconciliação. (BF)

Fonte: Rádio do Vaticano

Nossa Senhora responde a Santa Catarina Labouré, irmã vicentina: “Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens.” – Nossa Senhora da Medalha Milagrosa – 27 de novembro de 1830 (SSVP – Conferência Vicentina Nossa Senhora das Graças – Criciúma-SC)

Fonte: Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) – Criciúma-SC

Nossa Senhora das Graças

Também conhecida como Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Em uma tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.

Santa Catarina Labouré relatou assim sua visão: “A Virgem Santíssima baixou para mim os olhos e me disse no íntimo de meu coração: ‘Este globo que vês representa o mundo inteiro (…) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem.’ Desapareceu, então, o globo que tinha nas mãos e, como se estas não pudessem já com o peso das graças, inclinaram-se para a terra em atitude amorosa.

Formou-se em volta da Santíssima Virgem um quadro oval, no qual em letras de ouro se liam estas palavras que cercavam a mesma Senhora: Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Ouvi, então, uma voz que me dizia: ‘Faça cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem no pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem com confiança.’

“Então o quadro se virou, e no verso apareceu a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo da letra M estavam os corações de Jesus e sua Mãe Santíssima. O primeiro cercado por uma coroa de espinhos, e o segundo atravessado por uma espada. Contornando o quadro havia uma coroa de doze estrelas.

A mesma visão se repetiu várias vezes, sobre o sacrário do altar-mor; ali aparecia Nossa Senhora, sempre com as mãos cheias de graças, estendidas para a terra, e a invocação já referida a envolvê-la.

O Arcebispo de Paris, Dom Quelen, autorizou a cunhagem da medalha e instaurou um inquérito oficial sobre a origem e os efeitos da medalha, a que a piedade do povo deu o nome de Medalha Milagrosa, ou Medalha de Nossa Senhora das Graças. A conclusão do inquérito foi a seguinte: “A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, os admiráveis benefícios e graças singulares obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha”.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, por ter Santa Catarina Labouré ouvido, no princípio da visão, as palavras: “Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens.”

Oração à Nossa Senhora das Graças

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. Amém.

Rezar 3 Ave Marias. Depois: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Nossa Senhora das Graças rogai por nós!

Fonte: http://www.nsconceicaonil.com.br

Postado por Sociedade São Vicente de Paulo – Criciúma-SC:

http://www.vicentinoscriciuma.org/nsg.htm

http://www.vicentinoscriciuma.org/

 

 

 

“Como já foi recordado, ministro com capacidade de celebrar in persona Christi o sacramento da Eucaristia é somente o sacerdote validamente ordenado. Por isso, o nome “ministro da Eucaristia” cabe propriamente somente ao sacerdote. Também por causa da sagrada Ordenação, os ministros ordinários da santa comunhão são os Bispos, os Sacerdotes e os Diáconos, aos quais, portanto, cabe distribuir a santa Comunhão aos fiéis leigos na celebração da Santa Missa.” (Artigo 154) – Decretos do Documento Redemptionis Sacramentum publicados pelo Papa Bento XVI – Encíclica Ecclesia de Eucharistia – Papa João Paulo II

“A quem iremos” – A Palavra de Deus no Domingo

Paróquia Santa Teresa D’Ávila – Salvador – Bahia

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Leiam abaixo o que encontrei a respeito. As referência incluem o Papa João Paulo II e Bento XVI.
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Fonte: Associação Cultural Monfort

DOUTRINA

Ministros Extraordinários da Eucaristia

PERGUNTA

Nome:     Marcos
Enviada em:     12/03/2004
Local:     São Paulo – SP,
Religião:     Católica

Olá, teremos em breve um “Curso para Ministros Extraordinários da Eucaristia”, mas infelizmente o padre é progressista e totalmente heterodoxo em relação as doutrinas da Igreja. Por isso gostaria de esclarecer alguns temas e pedir a sua ajuda para me indicar que argumentos podemos usar caso ele diga coisas contrárias ao que a Igreja ensina.

Alguns pontos controversos:

1- Idade mínima para se tornar Ministro (e demais requisitos, se precisa ser crismado, etc).

2- Sobre as vestes do Ministro (no momento usamos túnicas e estão querendo substituir por aquele jaleco ou avental).

3- Sobre o papel do ministro durante a Missa -temos o costume de purificar os dedos antes e depois de distribuirmos a Eucaristia no purificador que fica na mesa do altar e enxugamos as mãos no manustérgio (agora estão falando que os ministros não podem purificar seus dedos junto ao altar mas que temos que trazer o purificador para a Credência para purificarmos os dedos, o que não é nem um pouco prático).

4- Ao buscarmos as âmbulas no Sacrário, ao abrirmos as portas fazemos uma genuflexão e ficamos alguns segundos em silêncio e oração (agora nos disseram que não devemos nos ajoelhar pois isso se torna um “ritualzinho particular”.)

5- Qual é o certo: trazer todas as âmbulas que estão no Sacrário para o altar no momento do Cordeiro, evitando assim dividir a Adoração ao Senhor Sacramentado ou apenas as que vão ser usadas deixando as outras lá? Durante a comunhão as portas do sacrário devem ser fechadas ou pemanecer abertas?

6- O padre nunca purifica os vasos, dando essa atribuição aos Ministros. Isso é correto?

Se é correto onde devemos purificá-los? Nós purificávamos junto ao altar, agora dizem que temos que purificar na credência.

E nesse caso como proceder? Levar o Sangue consagrado de Jesus de qualquer jeito para a Credência, ou consumi-lo antes junto ao altar? E as partículas e fragmentos? Onde são consumidas no altar ou na credência?

Peço sua ajuda e na medida do possível que nos cite a fonte de onde tal regra é tirada, pois estão dizendo que exite uma nova Instrução sobre o missal romano que modifica para essa forma que eles estão impondo, isso procede?

Como posso ter acesso a essa nova Instrução?

Desde já agradeço a atenção e peço ao Senhor Jesus que os abençoe!

Marcos

RESPOSTA

Muito prezado Marcos, salve Maria !

Após o Concílio Vaticano II e a infeliz e errada reforma da Liturgia de Paulo VI surgiram muitos abusos, que o Papa atual, agora, graças a Deus, procura coibir.

Um desses abusos foi a invenção desastrosa dos “Ministros da Eucaristia”.

Para que você compreenda bem essa questão, recomendo que você leia atentamente a encíclica Ecclesia de Eucharistia do Papa João Paulo II, e os decretos que o Papa acaba de publicar no documento Redemptionis Sacramentum, documentos nos quais ele trata desse problema, sobre o qual você me questiona.

O Papa João Paulo II proíbe que se use a expressão “Ministro da Eucaristia” por ser ambígua, pois que Ministro da Eucaristia é só o Padre ordenado, jamais um leigo. Diz o Papa que a Expressão Ministro da Eucaristia pode levar a erro, julgando-se que o leigo pode exercer funções próprias do sacerdote.

O artigo 154 do Redemptionis Sacramentum diz textualmente:

“Como já foi recordado, ministro com capacidade de celebrar in persona Christi o sacramento da Eucaristia é somente o sacerdote validamente ordenado. Por isso, o nome “ministro da Eucaristia” cabe propriamente somente ao sacerdote. Também por causa da sagrada Ordenação, os ministros ordinários da santa comunhão são os Bispos, os Sacerdotes e os Diáconos, aos quais, portanto, cabe distribuir a santa Comunhão aos fiéis leigos na celebração da santa Missa. Manifeste-se, assim, corretamente e com plenitude o seu múnus ministerial na Igreja, e se cumpra o sinal sacramental”.

O artigo 155 afirma que o Bispo Diocesano, por razão de “autêntica necessidade” pode delegar a um leigo como “ministro extraordinário da comunhão” — não da Eucaristia — e que “Somente em casos particulares e imprevistos, pode ser dada permissão por um sacerdote, a um leigo, para dar a Comunhão, só para uma ocasião concreta” ( não para sempre).

Que essa permissão não deve ser para sempre, ou habitualmente, é afirmado no artigo 156 que diz:

“Este ofício — [de distribuir a comunhão extraordinariamente] — seja entendido em sentido estrito conforme sua denominação de ministro extraordinário da santa Comunhão, e não “ministro especial da santa Comunhão” ou “ministro extraordinário da Eucaristia” ou “ministro especial da Eucaristia” definições que ampliam indevidamente e impropriamente o alcance dessa denominação”. [O negrito é meu].

Como você vê, então, caro Marcos, a distribuição da Comunhão não pode ser delegada para sempre, definitivamente, pelo sacerdote. Esse é um dos abusos que o Papa determinou extirpar.

O artigo 157 do decreto papal afirma que havendo Padre, é ele quem deve distribuir a sagrada Comunhão e não delegar essa função a um leigo.

Veja o que determinou o Papa a quem você — e todos os católicos, inclusive o padre –devem obedecer:

“157. Se costumeiramente está presente um número suficiente de ministros sacros também para a distribuição da santa Comunhão, não se podem deputar para essa função os ministros extraordinários da santa Comunhão. Em tais circunstâncias, aqueles que fossem deputados a tal ministério, não o exercitem.

É reprovável o costume daqueles sacerdotes que, se bem que estejam presentes à celebração, se abstém normalmente de distribuir a Comunhão, encarregando os leigos para tal dever” (O sublinhado e o negrito são meus).

Como você vê, prezado Marcos, nunca distribua a comunhão, havendo um padre presente.

E o artigo 158 prossegue explicando:

“158. O ministro extraordinário da Santa Comunhão, de fato, poderá administrar a Comunhão somente quando faltem o Sacerdote e o Diácono, quando o Sacerdote estiver impedido por doença, velhice ou outro motivo sério, ou quando o número de fiéis que acedem à Comunhão é tão grande que a própria celebração da Missa se prolongaria por demais. Todavia, isto se compreenda no sentido de que um breve prolongamento da Missa, conforme a cultura e os hábitos locais, será considerado motivo totalmente insuficiente [para delegar a distribuição a leigos]” (Negrito e sublinhado meus].

Desse modo, a desculpa de que há muita gente para comungar não é, de si, suficiente para delegar que a Comunhão seja distribuída por leigos. Isso vale só se há multidão excessiva, e não apenas muita gente.

Você me informa que o vigário de sua paróquia é “progressista e totalmente heterodoxo”.

E o que você me conta que é feito em sua paróquia coincide exatamente com os abusos que o Papa quer extirpar. É então completamente proibido pelos novos decretos fazer o que vocês costumam fazer, em sua paróquia, e de modo habitual.

Sendo assim, ele muito provavelmente não vai obedecer aos decretos do Papa. Ou então, pelo menos, vai tentar “dar um jeitinho”. Vai tentar “driblar” os decretos. O que é desobediência pior, pois envolve malícia.

Que fazer, então?

Não vejo outra saída senão obedecer ao Papa e não ao vigário modernista.

Mostre o próprio texto dos decretos ao vigário, e pergunte-lhe, respeitosamente, se ele vai acatar ou não o que o Papa mandou.

Caso ele acate, tudo bem.

Caso ele desobedeça ao Papa, diga-lhe que você já não irá mais distribuir a Comunhão. Depois, denuncie essa desobediência dele ao Bispo, e mesmo ao Papa, como manda o artigo 184 do decreto Redemptionis Sacramentum.

Aceitar o que o vigário mandar contra os decretos pontifícios seria grave desobediência ao Papa . E como essa desobediência envolve coisas sagradas, incorreria em sacrilégio.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Assoicação Cultural Monfort.
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TESTEMUNHO – “Devemos buscar, com humildade, a elevação espiritual, que nos leva Deus, e não pretender que a sacralidade cristã desça à altura de nossa capacidade de transcendência…” . (LBN)

Gostaria de esclarecer que não faço parte da Associação Cultural Monfort, portanto não me sinto obrigada a concordar com todas as exposições do Prof. Orlando Fedeli (é do tipo “frio ou quente” – tal como Deus Pai aprova…), no que diz respeito aos muitos  “combates da fé” (pacíficos, é claro…) No entanto, como historiador católico, ele apresenta os fundamentos canônicos de algumas visões chamadas “conservadoras”,  que acabam por  entrar em  “rota de colisão” com os que veem no Concílio Vaticano II a renovação do catolicismo no Brasil, e no mundo. Cá comigo, penso que o Papa Bento XVI valoriza a importância de alguns dos “novos ares” trazidos por este Concílio, ocorrido em torno de 1962. Entretanto, não está disposto a fazer concessões quanto ao que entra em conflito, por exemplo, com Concílio Ecumênico de Trento (1545-1563). Este, historicamente, foi uma resposta à Reforma Protestante, Bento XVI não admite nada que entre em conflito com a doutrina católica. A propósito, venho aprendendo que tudo que a Igreja afirma como dogma tem rigoroso vínculo com as Sagradas Escrituras.

Assim, ao tempo do Concílio II, também ecumênico, mas em conformidade com os “novos tempos”, nos quais os leigos passaram a fazer forte pressão para que houvesse mudança, segundo os fatos, este transcorreu também dentro da esfera interno ao Vaticano, mas com abertura a instituições externas leigas, com extensão às denominações cristãs protestantes. Portanto, diferiu do status, por exemplo, dos demais Concílio, ainda que ecumênicos. Nestes, que todas as discussões foram realizadas em caráter privado, sem objeções ou sugestões externas dirigidas aos ao Papa Cardeais e Bispos. Todas as decisões tiveram caráter irrevogável porque amplamente discutidas, e por fim, acordadas entre todos.  “Quem vos fala” tinha dois “aninhos”nesta época…  No colo de minha mãe acompanhei a missa pelo rito antigo, mas não deve ter passado dos meus cinco anos, em 1965, Lembro que meu pai, apesar de pequena ainda, ao chegarmos em casa falava que como seria possível alguma concentração com ao “ritmo” de guitarras… Não gostava de crianças correndo, gritando, desde os corredores até o entorno do altar… Ou fotógrafos atrás do altar para os “melhores ângulos” do casamento,  ou em volta do padre, na pia batismal… Lá pelos meus oito anos, pouco antes de minha Primeira Comunhão comecei a compreender que aquilo me incomodava também. Desde meus 14 nos, passei a não ir aos domingos pela manhã à missa, e sim, à tardinha. Tudo era calmo… Meus pais continuaram a ir aos domingos porque no sábado havia muito o que fazer, ou seja, supermercado, reparos e outros compromissos. quando entrei no mundo do trabalho, aos 17 anos, continuei indo à missa aos sábados, agora com minhas duas irmãs pré-adolescentes.

Há uma lacuna nesta fase inicial de minha vida espiritual e católica: quando chegou o momento de minha preparação para o sacramento da Crisma: não quis me inscrever de jeito nenhum. Até hoje não sei se foi porque não gostava da agitação da Missa, e, por essa razão, quando a catequista, já no final de nossa  preparação para a Primeira Eucaristia afirmou que teríamos de fazer um “juramento” na Crisma: sempre seríamos católicos. Ela teve a melhor das intenções, tenho certeza. Lembro o nome dela. Eu e meu irmão, chegamos à conclusão que seríamos sempre “amigos” de Jesus Cristo, mas não poderíamos jurar em falso; e se mudássemos de idéia no futuro quanto à Igreja?  Crianças com 10 e 11 anos… Deve ter havido nesta decisão (por medo de “mentir para Deus”),  a influência de outras opções (ou denominações?), que, aliás,  vieram no bojo do Concílio II. Ou seja, na mídia, na cultura, as demais denominações, sem maiores análises –  as reformadas e até mesmo as que beiravam o pentecostalismo (em geral, sem nenhuma Liturgia) foram assimiladas tão somente por serem cristãs.  Atualmente, isto mudou um pouco, já que o papa Bento XVI dialoga, mas pede que voltem ao rebanho original…

Estranho é que ao entrar na adolescência jamais pensei na possibilidade de sair do catolicismo. Pelo contrário, não via sentido na divisão decorrente do protestantismo, ainda que não tivesse qualquer preconceito com relação  a outras denominações. O curioso é que, nos anos 80, logo descobri o contrário: não havia, de fato, a aceitação da doutrina católica, criada há dois mil anos, nem mesmo pelos reformados. Pelo que pesquisei, os votos de castidade, pobreza e obediência (no caso, ao Papa, bispo de Roma) tem sido um entrave para que a Igreja Católica volte a ser Una, Santa e Apostólica.

Sempre estranhei essa nossa “excentricidade” porque meus pais vieram de famílias católicas – geração após geração. Quanto à liberdade que nos deram de não nos crismarmos. penso que os “novos ares” do Concílio II deram a conhecer midiaticamente “novas opções” dentro da Liturgia Católica. a celebração ficou parecida com a dos reformados. No Concílio II, os bispos foram instruídos a adequarem a Liturgia, em conformidade com a cultura dos países das Américas. Provavelmente, isto criou um “caldo” propício para os pais entenderem que seus filhos poderiam naturalmente aderir aos cultos reformados e até calvinistas. Por quê? Pela ênfase” no conceito de ecumenismo: ou seja: a idéia de Jesus de que “Pedro – sobre ti erguerei a minha Igreja” admitia que Cristo Jesus não se importaria com as milhares de divisões que temos hoje, mesmo depois de Santa Teresa de Ávila, São Francisco de Sales, entre outros contra-reformadores. O Cardeal Newmann,  teólogo e estudioso anglicano, convertido ao catolicismo. Foi beatificado.

Todos sabemos que a Liturgia católica atual  replica o altar das Igrejas da Reforma, incluindo outras inovações. Algumas são aceitáveis, outras, a meu ver, são execráveis. Em uma delas, por exemplo, antes do padre tomar assento, em uma celebração católica nos Estados Unidos bailava entre os corredores super-iluminados, em veste branca, discreta, uma mulher magra, madura, alta e esguia. Parecia ser uma bailarina clássica. Logo após adentra um bailarino negro, “fora de forma”, e baila também no mesmo estilo (não coloquei som). Não compreendi o que veio depois: dois bonecos (aqueles sobre pernas-de-pau), com visual afro (mas havia muitos brancos na igreja; acredito que eram maioria). Os bonecos, enormes, lentos, bailavam também… Saíram de cena. a “bailarina cinquentona apanha uma toalha branca, e ajudada pelo outro bailarino a coloca sobre a mesa do altar. Tudo parece normal, menos para mim e meu marido… Logo em seguida, “aparece” o sacerdote, vestido como tal, ou seja, com veste longa, e bordaduras amarelo-douradas. Ele atravessa o altar (devia estar sentado ao fundo, ao lado), e, paradoxalmente, desce o altar, se assentando em uma das cadeiras. Paramos ali. Penso que esperou  que ambos “bailarinos” (Davi dançava e tocava instrumentos – talvez seja esta a razão…) dessem por acabada a performance… Certamente, tudo depois transcorreu aos moldes da missa que conhecemos. Certamente, por Cristo Jesus foi celebrada pelo sacerdote, e ajudado por ministros e mistras da Eucaristia. em nossa região as Ministras vão até os que querem receber a Santa Comunhão. Para mim, particularmente, se queremos comungar devemos ir até o Corpo de Cristo, e pelas mãos do sacerdote e diácono.

Não tenho nenhuma pretensão a não ser refletir sobre o excesso de “criatividade”, em detrimento do que nos aponta o bom senso dos papas, bispos, sacerdotes e  teólogos em relação a  um respeitoso, suave e transcendente culto, tal como Cristo Jesus, no Novo Testamento,  e Deus-Pai, lá no Êxodo, por exemplo. Um rito sagrado não pode conter “caprichos” profanos. Empobrece nossa vida espiritual.  Por que a cerimônia religiosa do matrimônio é realizada do mesmo modo desde a Igreja Primitiva? Afora, obviamente, os holofotes… É o que penso. (L.B.N)

Na audiência geral Bento XVI fala sobre teologia monástica e teologia escolástica – L’Osservatore Romano(Vaticano) – 31.10.2009

VATICANO  –  L’Osservatore Romano

31.10.2009

Na audiência geral Bento XVI fala sobre teologia monástica e teologia escolástica

Amizade natural entre fé e razão

Valores e dinamismo dos povos africanos “Entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação”, afirmou o Papa na audiência geral de quarta-feira, 28 de Outubro, na Praça de São Pedro, falando sobre teologia monástica e teologia escolástica que floresceram no século XII.

Queridos irmãos e irmãs!
Detenho-me hoje a falar sobre uma interessante página de história, relativa ao florescimento da teologia latina no século xii, que se verificou devido a uma série providencial de coincidências. Nos países da Europa ocidental reinava então uma paz relativa, que garantia à sociedade desenvolvimento económico e consolidação das estruturas políticas, e favorecia uma vivaz actividade cultural graças também aos contactos com o Oriente. No interior da Igreja sentiam-se os benefícios da vasta acção conhecida como “reforma gregoriana”, a qual, promovida vigorosamente no século precedente, tinha contribuído com uma maior pureza evangélica para a vida da comunidade eclesial, sobretudo no clero, e tinha restituído à Igreja e ao Papado uma autêntica liberdade de acção. Além disso ia-se difundindo uma vasta renovação espiritual, apoiada pelo vigoroso desenvolvimento da vida consagrada:  nasciam e expandiam-se novas Ordens religiosas, enquanto que as que já existiam conheciam uma retomada prometedora.

Refloresceu trambém a teologia adquirindo maior consciência da própria natureza:  apurou o método, enfrentou problemas novos, progrediu na contemplação dos Mistérios de Deus, produziu obras fundamentais, inspirou iniciativas importantes da cultura, da arte e da literatura, e preparou as obras-primas do século seguinte, o século de Tomás de Aquino e de Boaventura de Bagnoregio. Foram dois os ambientes nos quais se desenvolveram esta fervorosa actividade teológica:  os mosteiros e as escolas das cidades, as scholae, algumas das quais deram depressa vida às Universidades, que constituem uma das “invenções” típicas da Idade Média cristã. Precisamente a partir destes dois ambientes, os mosteiros e as scholae, pode-se falar de dois modelos diferentes de teologia:  a “teologia monástica” e a “teologia escolástica”. Os representantes da teologia monástica eram monges, em geral Abades, dotados de sabedoria e de fervor evangélico, dedicados essencialmente a suscitar e a alimentar o desejo amoroso de Deus. Os representantes da teologia escolástica eram homens cultos, apaixonados pela pesquisa; magistri desejosos de mostrar a racionalidade e o fundamento dos Mistérios de Deus e do homem, acreditados com a fé, sem dúvida, mas compreendidos também pela razão. A finalidade diversa explica a diferença do seu método e do seu modo de fazer teologia.

Nos mosteiros do século xii o método teológico estava ligado principalmente à explicação da Sagrada Escritura, da sacra pagina para nos expressar como os autores daquele período; praticava-se especialmente a teologia bíblica. Isto é, os monges eram todos devotos ouvintes e leitores das Sagradas Escrituras, e uma das suas principais ocupações consistia na lectio divina, ou seja, na leitura pregada da Bíblia. Para eles a simples leitura do Texto sagrado não era suficiente para compreender o seu sentido profundo, a sua unidade interior e a sua mensagem transcendente. Portanto, era preciso praticar uma “leitura espiritual”, guiada com docilidade ao Espírito Santo. Na escola dos Padres, a Bíblia era assim  interpretada  alegoricamente,  para  descobrir  em  cada  página, quer do Antigo quer do Novo Testamento, o que diz de Cristo e da sua obra de salvação.

O Sínodo dos Bispos do ano passado sobre a “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” recordou a importância da abordagem espiritual das Sagradas Escrituras. Com esta finalidade, é útil valorizar a teologia monástica, uma ininterrupta exegese bíblica, assim como as obras compostas pelos seus representantes, preciosos comentários ascéticos aos livros da Bíblia. Portanto, a teologia monástica unia a preparação literária à espiritual. Estava portanto consciente de que uma leitura meramente teórica e profana não era suficiente:  para entrar no coração da Sagrada Escritura, ela deve ser lida no espírito com o qual foi escrita e criada. A preparação literária era necessária para conhecer o significado exacto das palavras e facilitar a compreensão do texto, afinando a sensibilidade gramatical e filológica. O estudioso beneditino do século passado Jean Leclercq intitulou do seguinte modo o ensaio com o qual apresenta as características da teologia monástica:  L’amour des lettres et le désir de Dieu (O amor às letras e o desejo de Deus). De facto, o desejo de conhecer e de amar a Deus, que vem ao nosso encontro através da sua Palavra que deve ser acolhida, meditada e praticada, leva a procurar aprofundar os textos bíblicos em todas as suas dimensões. Há depois outra aptidão sobre a qual insistem quantos praticam a teologia monástica, isto é, uma profunda atitude orante, que deve preceder, acompanhar e completar o estudo da Sagrada Escritura. Dado que, em última análise, a teologia monástica é escuta da Palavra de Deus, não se pode deixar de purificar o coração para a acolher e, sobretudo, não se pode deixar de estimular nele o fervor para encontrar o Senhor. A teologia torna-se portanto meditação, oração, canto de louvor e chama a uma conversão sincera. Não poucos representantes da teologia monástica chegaram, por este caminho, às metas mais altas da experiência mística, e constituem um convite também para nós a alimentar a nossa existência com a Palavra de Deus, por exemplo, mediante a escuta mais atenta das leituras e do Evangelho, sobretudo na Missa dominical. É importante, além disso, dedicar todos os dias um certo tempo à meditação da Bíblia, para que a Palavra de Deus seja lâmpada que ilumina o nosso caminho quotidiano sobre a terra.

Pelo contrário, a teologia escolástica como disse era praticada nas scholae, que surgiram ao lado das grandes catedrais da época, para a preparação do clero, ou em volta de um mestre de teologia e dos seus discípulos, para formar profissionais da cultura, numa época na qual o saber era cada vez mais apreciado. No método dos escolásticos era central a quaestio, ou seja, o problema que se apresenta ao leitor ao enfrentar as palavras da Escritura e da Tradição. Face ao problema que estes textos influentes apresentam, levantam-se questões e nasce o debate entre o mestre e os estudantes. Neste debate surgem por um lado os argumentos da autoridade, por outro os da razão e o debate desenvolve-se no sentido de encontrar, no final, uma síntese mais profunda da palavra de Deus. A este propósito, São Boaventura diz que a teologia é “per additionem” (cf. Commentaria in quatuor libros sententiarum, i, proem., q. 1, concl.), ou seja, a teologia acrescenta a dimensão da razão à palavra de Deus e assim cria uma fé mais profunda, mais pessoal e, por conseguinte, também mais concreta na vida do homem. Neste sentido, encontravam-se diversas soluções e formavam-se conclusões que começavam a construir um sistema de teologia. A organização das quaestiones levava à compilação de sínteses cada vez mais extensas, ou seja, compunham-se as diversas quaestiones com as respostas que surgiam, criando assim uma síntese, as chamadas summae, que eram, na realidade, amplos tratados teológico-dogmáticos nascidos do confronto da razão humana com a palavra de Deus. A teologia escolástica tinha como objectivo apresentar a unidade e a harmonia da Revelação cristã com um método, chamado precisamente “escolástico”, da escola, que concede confiança à razão humana:  a gramática e a filologia estão ao serviço do saber teológico, mas ainda mais está a lógica, que é a disciplina que estuda o “funcionamento” do raciocínio humano, de modo que sobressaia a verdade de uma proposição. Ainda hoje, lendo as summae escolásticas permanecemos admirados com a ordem, a clareza, o nexo lógico dos argumentos e a profundidade de algumas intuições. Com linguagem técnica é atribuído a cada palavra um significado claro e, entre o crer e o compreender, estabelece-se um recíproco movimento de esclarecimento.

Queridos irmãos e irmãs, fazendo eco ao convite da Primeira Carta de Pedro, a teologia escolástica estimula-nos a estar sempre prontos a responder a quem quer que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. 3, 15). Ao ouvir as perguntas como se fossem nossas e assim ser capazes também de dar uma resposta. Recorda-nos que entre fé e razão existe uma amizade natural, fundada na própria ordem da criação. O Servo de Deus João Paulo ii, no incipit da Encíclica Fides et ratio escreve:  “A fé e a razão são como duas asas, com as quais o espírito humano se eleva rumo à contemplação da verdade”. A fé está aberta ao esforço de compreensão da parte da razão; a razão, por sua vez, reconhece que a fé não a mortifica, aliás, estimula-a para horizontes mais amplos e elevados. Insere-se aqui a perene lição da teologia monástica. Fé e razão, em recíproco diálogo, vibram de alegria quando ambas estão animadas pela busca da união íntima com Deus. Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido pela razão, alarga-se. A verdade é procurada com humildade, acolhida com estupefacção e gratidão:  numa palavra, o conhecimento cresce unicamente se ama a verdade. O amor torna-se inteligência e a teologia, autêntica sabedoria do coração, que orienta e ampara a fé e a vida dos crentes. Rezemos portanto para que o caminho do conhecimento e do aprofundamento dos Mistérios de Deus seja sempre iluminado pelo amor divino.

Também em português a catequese do Papa

Novidade na audiência geral:  pela primeira vez Bento XVI pronunciou também em português a síntese da catequese. Até agora era feita só em francês, inglês, alemão e espanhol. A novidade foi acolhida com entusiasmo pelos grupos que falam esta língua sobretudo pelo coro juvenil da arquidiocese brasileira de Maringá aos quais o Papa dirigiu a seguinte saudação:

Amados peregrinos do Porto e demais pessoas de língua portuguesa, sede bem-vindos! Uma saudação particular ao coro infanto-juvenil de Maringá e aos grupos paroquais de Santa Cruz, em Belém, e de nossa Senhora do Carmo, no Rio de Janeiro. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade de Deus. Procurai iluminar o vosso caminho com a Palavra divina, ouvindo-a atentamente na Eucaristia do domingo e reservando alguns momentos em cada dia para a sua meditação. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.

Publicado por L’Osservatore Romano – 31 de Outubro de 2009.

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OPINIÃO

O que eu penso sobre um rito que me permita elevar minha alma às alturas, tenho plena certeza que a poucos  interessa… Entretanto, faço questão que saibam, aqui neste espaço virtual,  o que acho mais adequado em termos “formais e espirituais” em relação ao rituais, toda a Liturgia que envolve a Santa Missa. Entendo agora o que certo comentário publicado no l”Osservatore procura dar a saber sobre o Papa Bento XVI, que  pedia em abril deste ano: “Rezem por mim…”, em seu quinto ano de Pontificado. Certamente, os “lobos” mencionados no artigo,  são os grupos que se opõem a missas austeras, além de afrontas de outros grupos, os quais são mais “liberalizantes” que católicos… Assim,  Papa Bento XVI menciona a pressão midiática contra os valores cristãos, mas sabemos que há adversários internos. Entretanto,  o Papa é sagaz e político, e além disso, rezamos por ele, não? Ele precisa: dentro da própria Igreja Católica há quem não tenha outro objetivo a não ser que tudo corra sem controle algum…  A propósito, penso que devemos nos conformar (sem subserviência) à tradição apostólica, que representa a sabedoria acumulada por séculos, iluminados pelo Espírito Santo. Este termo “tradição “apostólica”,  para mim, é emblemático para o Catolicismo, já que sempre se baseou em indicações bíblicas, e estudos aprofundados por teólogos, sacerdotes estudiosos (p.ex., São Tomás de Aquino),  bispos, papas, alguns santificados. Todos operavam em nível de excelência. Em contrapartida, se assim não for, cada um interpreta o significado dos Dez Mandamentos, ao bel prazer, entre outros temas polêmicos, sem ao menos procurar informações sobre o que os “antigos” nos legaram. além disso, há fundamentação bíblica em cada dogma anunciado pela Igreja Católica… Por esta razão, já que não há explicações ou tentativas de explicar o sentido de um dogma, acabamos lendo por aí que “isto é dogmático”… Ora, dogma é uma expressão religiosa, portanto, na medida em que ela surge fora do mundo religioso, deve haver o devido esclarecimento da inadequação de seu uso. Por uma simples razão: acusação de obscurantismo… Não esperemos que o ramo protestante parta em busca desta pesquisa, que tem por base dois mil anos de Cristianismo… Dos seminários católicos saíram sacerdotes  que deixaram bulas papais, encíclicas, documentos orientadores para nós, o rebanho de Cristo Jesus…

A absurda adesão católica à festa de Halloweenn no Brasil e no mundo

Pasmem: nos Estados Unidos a atual visão da Liturgia “multicultural” adaptou a “missa” à “festa de halloween”, que se deu há três dias… Meu Deus! Não penso como muita gente estar “update” com a fé católica, com a vontade de Deus… Pelo contrário, comungo espiritualmente porque sou casada há 24 anos com um ex-ateu (quando o conheci), que depois se revelou protestante (por parte de pai), e que, devido à mãe foi batizado no catolicismo. Há quatro anos é ex-protestante, leitor e devoto de Francisco de Sales e Santa Joanna de Chantal. O problema reside agora no rito, que ambos temos dificuldade em nos sentir à vontade, dada a superficialidade. Desculpem a sinceridade. Simplificando: vocês não acham que há muita invenção e pouca devoção?

Cliquem nas fotos (algumas, pois há links nos títulos) e terão informações adicionais sobre o “Rito Gregoriano”. Entre elas, a de que o Brasil não possui um grupo firmado “frontal e corajosamente” a favor do rito romano. O grupo, fundado por leigos na Espanha, é apoiado pelo Papa Bento XVI , que sugeriu aos bispos que autorizassem grupos de leigos que quisessem missas celebradas segundo o “Rito Gregoriano” ou “Tridentino”. Obviamente que, para cada país há a especificidade da cultura em que este rito “básico” seria  inserido. O grupo leigo espanhol, que leva à frente a iniciativa de divulgação do “Rito Tridentino” se chama “Una Voce”.

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Fonte: Una Voce en España

Con el objetivo de coordinar esfuerzos y unir a distintas asociaciones de laicos vinculados a la Misa Gregoriana, llamada por el Santo Padre Benedicto XVI Forma Extraordinaria del Rito Romano, nace la Federación Una Voce Hispania. Una Voce Hispania es el capítulo español de la Federación Internacional Una Voce y su objetivo es el de reunir en este mismo capítulo a todas las asociaciones afines que vayan surgiendo en España, para mejor cumplir los fines de todas y cada una que pueden resumirse en el mantenimiento, defensa y difusión de la liturgia romana extraordinaria en todas sus expresiones y, particularmente, la Misa Gregoriana, así como de todo el entorno artístico y musical que la rodea.

La primera asociación que hubo en España vinculada a Una Voce Internacional fue la asociación Roma Aeterna, de Barcelona, a la que siguieron Una Voce Sevilla, Una Voce Madrid, Una Voce Málaga, Una Voce La Coruña y Una Voce Reino de Castilla. La promulgación del Motu Proprio Summorum Pontificum por el Santo Padre Benedicto XVI ha supuesto el renacimiento en España de un interés renovado por la Forma Extraordinaria de la Misa, lo que ha propiciado el nacimiento de asociaciones similares por diversos puntos de nuestra geografía.

Una Voce Hispania, ahora que se cumple un año de la entrada en vigor de Summorum Pontificum, nace además con vocación de estimular la creación de nuevas asociaciones que quieran promover la liturgia tradicional, y también para velar por la correcta aplicación de Summorum Pontificum en nuestro país, tratando de aunar la voz de distintos grupos de fieles españoles interesados en la herencia latina de la Iglesia Católica y sirviendo, mediante el diálogo, de vehículo para su expresión ante nuestros pastores y la sociedad en general.

El 14 de septiembre de 2008, Festividad de la Exaltación de la Santa Cruz y primer aniversario de la entrada en vigor del Motu Proprio Summorum Pontificum, las seis primeras asociaciones miembros del capítulo español de Una Voce decidimos lanzar a la Red esta sencilla página, que en el dominio de unavoce.es, irá creciendo con el tiempo, D. m., dotándose de contenidos y que esperamos que produzca buenos y abundantes frutos, para mayor gloria de Dios, en España.

UNA VOCE en el mundo

EN ESPAÑA

UNA VOCE HISPANIA. Federación de Una Voce para España.
UNA VOCE CÁDIZ.
UNA VOCE CÓRDOBA.
UNA VOCE LA CORUÑA.
UNA VOCE MADRID.
UNA VOCE MÁLAGA.
UNA VOCE REINO DE CASTILLA.
UNA VOCE SEVILLA.
ROMA AETERNA “UNA VOCE”, en Barcelona.

EN EUROPA

Una Voce Austria, en Austria.
Una Voce Czech Republic, en la República Checa.
Una Voce Deutschland, en Alemania.
Una Voce Estonia, en Estonia.
Una Voce Finlandia, en Finlandia.
Una Voce France, en Francia.
Una Voce Helvetica – Deutchsprachig, en Suiza.
Una Voce Helvetica – Francophone, en Suiza.
Una Voce Italia, en Italia.
Una Voce Norge, en Noruega.
Una Voce Polonia, en Polonia.
Una Voce Russia, en Rusia.
Una Voce Scotland, en Escocia.
Una Voce Venetia, en Venecia.
Una Voce Vlaanderen, en Bélgica.
Ecclesia Dei Delft. Asociación holandesa afiliada a Una Voce Internacional.
Cumann an Aifrinn Laidinigh – Latin Mass Society of Ireland. Afiliada de Irlanda.
Grupo San Carlos Borromeo. Asociación danesa, afiliada a Una Voce internacional.
Inter Multiplices Una Vox. Asociación de Una Voce en Italia.
Pro Missa Tridentina. Afiliada de Alemania.
St. Conleth’s Catholic Heritage Association. Afiliada de Irlanda.
The Latin Mass Society. Afiliada para Inglaterra y Gales.
Verein Mariae Namen. Afiliada de Suiza.

EN AMÉRICA

Asociación Una Voce América. Federación de Una Voce para los Estados Unidos de América.
Una Voce Central Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Northern Alabama, en Alabama (USA)
Una Voce Albany: Kateri Tekakwitha, en New York (USA)
Una Voce Altoona/Johnstown, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Los Ángeles, en California (USA)
Una Voce Ann Arbor/Ypsilanti, en Michigan (USA)
Una Voce Argentina. Asociación Una Voce de Argentina.
Una Voce Northwest Arkansas, en Arkansas (USA)
Una Voce Ashtabula, en Ohio (USA)
Una Voce Berkshire County, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston, en Massachusetts (USA)
Una Voce Boston: St. Patrick, en Massachusetts (USA)
Una Voce Bridgeport, en Connecticut (USA)
Una Voce Brighton, en Michigan (USA)
Una Voce Bronx, en New York (USA)
Una Voce Brooklyn, en New York (USA)
Una Voce Buffalo, en New York (USA)
Una Voce Central Coast of California, en California (USA)
Una Voce Cape Cod, en Massachusetts (USA)
Una Voce Carmel, en Indiana (USA)
Una Voce Cedar Rapids, en Iowa (USA)
Una Voce Charlotte, en North Carolina (USA)
Una Voce Chesapeake, en Virginia (USA)
Una Voce Chicago, en Illinois (USA)
Una Voce Columbus, en Ohio (USA)
Una Voce Metro Detroit East, en Michigan (USA)
Una Voce Metro Detroit West, en Michigan (USA)
Una Voce del Noreste de Florida, en Florida (USA)
Una Voce Fresno, en California (USA)
Una Voce Gallatin Valley, en Montana (USA)
Una Voce Georgia, en Georgia (USA)
Una Voce Grand Rapids, en Michigan (USA)
Una Voce Greenville, en South Carolina (USA)
Una Voce Hartford, en Connecticut (USA)
Una Voce Hawaii, en Hawaii (USA)
Una Voce Houston, en Texas (USA)
Una Voce Northern Illinois: St. Peter’s, en Illinois (USA)
Una Voce Kansas City: Pope Pius XII, en Kansas (USA)
Una Voce Lafayette, en Indiana (USA)
Una Voce Lafayette LA, en Louisiana (USA)
Una Voce Western Maine, en Maine (USA)
Una Voce México. Asociación Una Voce de México.
Una Voce Michigan, en Michigan (USA)
Una Voce Central Minnesota, en Minnesota (USA)
Una Voce Southern Mississippi, en Mississippi (USA)
Una Voce Western Montana, en Montana (USA)
Una Voce Monterrey, en México.
Una Voce Muncie, en Indiana (USA)
Una Voce Naples,en Florida (USA)
Una Voce Sacred Heart, en West Virginia (USA)
Una Voce Southern Nevada, en Nevada (USA)
Una Voce New Hampshire, en New Hampshire (USA)
Una Voce Newark, en New Jersey (USA)
Una Voce North Bay, en Ontario (USA)
Una Voce Northeastern Oklahoma, en Oklahoma (USA)
Una Voce of Orange County, en California (USA)
Una Voce Central Oregon, en Oregon (USA)
Una Voce Ozarks,en Arkansas (USA)
Una Voce Palo Alto, en California (USA)
Una Voce Central Pennsylvania, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Philadelphia, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Piedmont, en North Carolina (USA)
Una Voce Pittsburgh, en Pennsylvania (USA)
Una Voce Powell, en Wyoming (USA)
Una Voce Quad Cities, en Iowa (USA)
Una Voce Rapid City: St Michael’s, en South Dakota (USA)
Una Voce Rhode Island, en Rhode Island (USA)
Una Voce Rochester, en New York (USA)
Una Voce San Bernardino, en California (USA)
Una Voce Springfield Area, en Missouri (USA)
Una Voce St. John’s, en Newfoundland (USA)
Una Voce St. Louis, en Missouri (USA)
Una Voce Syracuse, en New York (USA)
Una Voce Upper Peninsula, Lake Superior Chapter, en Michigan (USA)
Una Voce Ventura: Blessed Junipero Serra, en California (USA)
Una Voce Western Washington, en Washhington (USA)
Una Voce Westchester, en New York (USA)
Ad Altare Dei. De la Sociedad Gregoriana de Baltimore, afiliada a Una Voce América.
Coalition in Support of Ecclesia Dei, afiliada de Illinois (USA)
Comunidad San Juan Bautista en defensa de la Misa Tradicional. Filial en Arkansas(USA)
Credo of the Catholic Laity, afiliada de Missouri (USA)
Ecclesia Dei Society of Southwest Florida, afiliada de Florida (USA)
Fresno Traditional Mass Society. Capítulo de Una Voce en Fresno (USA)
Gregorian Society of Baltimore, afiliada de Maryland (USA)
League of St. Anthony, afiliada de Indiana (USA)
Magnificat Chili. Afiliada de Chile.
Mysterium Fidei Catholic Community, afiliada de Louisiana (USA)
Rockford Latin Mass Community, afiliada de Illinois (USA)
The Saint Gregory Society of New Haven. Afiliada a Una Voce América.
The St. Joseph Foundation. Afiliada de Texas (USA)
The St. John Fisher Forum. Librería católica vinculada a Una Voce América.
Vancouver Traditional Mass Society. Afiliada de Canadál.

EN ÁFRICA

Una Voce South Africa. Asociación de Una Voce en Sudáfrica.
Ecclesia Dei Society of Nigeria. Afiliada de Nigeria.

EN ASIA

Una Voce Singapore. Asociación de Una Voce en Singapur.
All India Laity Congress. Afiliada de la India.

EN OCEANÍA

Una Voce Australia. Asociación de Una Voce en Australia.
Ecclesia Dei Society of New Zealand.Afiliada de Nueva Zelanda.

Postado por Mons.Lebrum às 16:21

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Fonte: Missa Tidentina em Portugal

domingo, 15 de fevereiro de 2009

PAPA BENTO XVI CONVIDA A REDESCOBRIR O VALOR E A IMPORTÂNCIA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

(15/2/2009) Antes da recitação do Angelus do meio dia, juntamente com os milhares de fieis congregados na Praça de S. Pedro O Papa Bento XVI comentou o trecho do Evangelho segundo São Marcos que a Liturgia nos apresenta neste sexto domingo do tempo comum: a cura do leproso.O Santo Padre recordou antes de mais que segundo a antiga lei judaica a lepra era considerada não só uma doença, mas a forma mais grave de impureza para o culto. Tocava aos sacerdotes diagnosticá-la e declarar imundo o doente, o qual devia ser afastado da comunidade e estar fora da povoação até à eventual e bem certificada cura.A lepra portanto constituía uma espécie de morte religiosa e civil e a sua cura uma espécie de ressurreição. Na lepra – salientou depois o Papa – é possível entrever um símbolo do pecado, que é a verdadeira impureza do coração capaz de nos afastar de Deus. Efectivamente não é a doença física da lepra que nos separa de Deus , mas a culpa, o mal espiritual e moral….Os pecados que cometemos afastam-nos de Deus, e se não são confessados humildemente confiando na misericórdia divina chegam ao ponto de produzir a morte da alma. Este milagre reveste então – acrescentou o Papa – uma forte valência simbólica. Jesus, como profetizara Isaías é o servo que tomou sobre si as nossa doenças, carregou as nossas dores.

Na sua paixão, tornar-se-á como um leproso, tornado impuro pelos nossos pecados, separado de Deus: tudo isto fará por amor, para nos obter a reconciliação, o perdão e a salvação.

No sacramento da penitencia – salientou Bento XVI – Cristo crucificado e ressuscitado, mediante os seus ministros, purifica-nos com a sua misericórdia infinita, restitui-nos à comunhão com o Pai celeste e com os irmãos, concede-nos o dom do seu amor, da sua alegria e da sua paz.

A concluir o Santo Padre convidou a invocar a Virgem Maria, que Deus preservou de toda a mancha de pecado, para que nos ajude a evitar o pecado e a recorrer frequentemente ao Sacramento da Confissão, o Sacramento do Perdão, que hoje deve ser redescoberto ainda mais no seu valor e na sua importância para a nossa vida cristã.

Não faltou neste Domingo uma saudação do Papa em língua portuguesa Saúdo com afecto o grupo das paróquias do Barreiro e Vale de Figueira, em Portugal, e demais peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta vossa romagem vos ajude a fortalecer a confiança em Jesus Cristo e a encarnar na vida a sua mensagem de salvação. De coração vos agradeço e abençoo. Ide com Deus!

Postado por Mons.Lebrum às 22:03

MÉTODO DE PARTICIPAR NA SANTA MISSA PELA MEDITAÇÃO DA PAIXÃO

“Sempre que participardes dos Mistérios Sagrados, anunciareis a Morte do Senhor”
(I Cor XI, 26).Para assistir devotamente à Santa Missa, meditai nos diversos passos da Paixão do Salvador, renovados ali de maneira tão admirável.Preparação — Considerai o Templo como o lugar mais santo e respeitável do mundo, como um novo Calvário. O Altar, de pedra, contém os ossos dos Mártires. Os círios, que ardem e se consomem, são o símbolo da fé, esperança e caridade. As toalhas brancas, que cobrem o Altar, lembram-nos as mortalhas em que foi envolvido o Corpo de Jesus Cristo. O Crucifixo no-lo representa morrendo por nós.No sacerdote, vede Jesus Cristo com as vestes de sua Paixão: no amito, o pedaço de fazenda com que os carrascos velaram a Face do Salvador; na alva, a túnica branca de escárnio com que o vestiu o impudico Herodes; no cordão, os laços com que os Judeus o ataram no Jardim das Oliveiras, a fim de levá-lo aos tribunais; no manipulo, as cadeias com que foi preso à coluna de flagelação; na estola, as cordas com que o puxaram pelas ruas de Jerusalém com a Cruz às costas; na casula, o manto púrpura que lhe lançaram no pretório, ou a Cruz que lhe impuseram.

Numa palavra, o ministro, trazendo as vestes sacerdotais. representa-nos o próprio Jesus Cristo, caminhando para o suplício do Calvário. E, além disso, ensina-nos quais as disposições com que nos devemos apresentar ao Santo Sacrifício.

O amito, colocado primeiro na cabeça e logo depois nos ombros, é símbolo da modéstia e do recolhimento; a alva branca e o cordão, da pureza; o manipulo, da contrição; a estola, da veste de inocência; a casula, do amor da cruz e do jugo do Senhor.

O sacerdote entra e se aproxima do altar levando o cálice. Vede Jesus dirigindo-se ao Jardim de Getsêmani para ali começar sua Paixão de Amor. Com os Apóstolos, acompanhai-o, mas ficai a velar e rogar com Ele. Afastai toda distração, todo pensamento alheio a tão tremendo Mistério.

O sacerdote, aos pés do Altar, inclina-se, ora e humilha-se profundamente, à vista dos seus pecados. Jesus, no Jardim, prostra-se, a face contra a terra; humilha-se pelos pecadores; um suor de Sangue, fruto de sua imensa dor, corre-lhe pelo Corpo, ensangüentando-lhe as vestes, manchando a terra. É que Ele tomou a si nossos pecados, com toda a amargura inerente.

A vós, então, cabe confessar com o sacerdote vossas faltas; com ele pedir humildemente perdão e receber a absolvição, para que, purificado, possais assistir ao Santo Sacrifício. Se esta só consideração vos ocupar durante todo o Sacrifício; se vos for dado participar dos sentimentos e da agonia de Jesus; se a graça vos retiver ao seu lado, está bem. De outra forma, acompanhai-o no percurso da Paixão.

O sacerdote, subindo o Altar, beija-o. Judas, chegando ao Jardim das Oliveiras, dá a Jesus um beijo pérfido. Ah! quantos não tem ele recebido dos seus filhos e ministros infiéis!

Ai de mim! nunca o traí eu?… Nunca o entreguei aos seus inimigos ou às minhas paixões?… E, no entanto, Ele muito me amou!

Podeis também contemplar a Jesus preso, tornando a Jerusalém, a fim de comparecer perante seus inimigos e deixando-se levar com a doçura do Cordeiro. Pedi-lhe a paciência e a mansidão nas provações por parte do próximo.

O sacerdote começa o intróito e benze-se. Jesus é conduzido à presença do sumo Pontífice Caifás, onde Pedro o renega. Ah! quantas vezes não o reneguei eu, à sua verdade, à sua lei, às minhas promessas! E não foi nem o temor, nem a surpresa que me levaram a renegar meu Salvador. Ai de mim! Sou, por conseguinte, mais culpado do que Pedro, cujas lágrimas correram sem demora, uma vez cometida a culpa. E ele chorou-a toda a vida, enquanto meu coração permanece duro e insensível.

O sacerdote recita o Kyrie. Jesus clama ao Pai por nós. Aceitai, com Ele, todos os sacrifícios que Deus vos pedir.

O sacerdote recita as Orações e a Epístola. Jesus, em presença de Caifás, confessa sua Divindade, ciente de que a sentença de morte lhe virá punir semelhante declaração.

Meu Deus, fortificai, aumentai minha fé nessa mesma Divindade, para que, mesmo em perigo de vida, eu a adore, a ame e a confesse, feliz em poder dar meu sangue para defendê-la.

O sacerdote lê o Evangelho. Jesus, em presença de Pilatos, dá testemunho de sua realeza. Sede sempre, ó Jesus, rei de meu espírito pela vossa Verdade, rei de meu coração pelo vosso Amor, rei de meu corpo pela vossa Pureza, rei de toda a minha vida pela vontade que tenho de consagrá-la à vossa maior Glória.

Recitai em seguida o Credo, com fé e piedade, lembrando-vos de que o Salvador morreu em defesa da Verdade.

O sacerdote oferece o pão e o vinho do sacrifício, a hóstia a Deus Pai. Pilatos apresenta Jesus ao povo exclamando: Ecce Homo, eis o Homem! Seu estado excita compaixão. A flagelação feriu-o até o Sangue, e a coroa de espinhos lhe ensangüentou a Face. Um manto de púrpura, já gasto, junto à vara que leva na mão, fazem dele um rei de comédia. Pilatos propõe ao povo que lhe conceda a graça. Mas este não quer e responde: Seja crucificado! Crucifigatur! E nesse momento Jesus se oferecia ao Pai pela salvação do mundo todo e do seu povo em particular, e o Pai aceitava sua oblação.

Ofereço-vos, com o sacerdote, ó Padre Santo, a Hóstia pura e imaculada de minha salvação e da salvação de todos os homens. Ofereço-vos, em união com essa oblação divina, minha alma, meu corpo e minha vida. Quero continuar a fazer reviver em mim a santidade, as virtudes e a penitência de vosso divino Filho. O Domine, regna super nos.

O sacerdote lava as mãos. Pilatos também lavou as mãos para protestar a inocência de Jesus. Ah! meu Salvador, lavai-me no vosso Sangue puríssimo e purificai-me dos muitos pecados e imperfeições que maculam minha vida.

O sacerdote convida os fiéis, no Prefácio, a louvar a Deus. Jesus, Homem de Dores, há pouco aclamado por aqueles que hoje o coroam de espinhos e o atam num poste, recebe ali as homenagens derrisórias e sacrílegas de seus carrascos, que o atormentam com ultrajes indignos, lhe cospem na Face, e dele zombam. Ai de nós! Tais são as homenagens que nosso orgulho, nossa sensualidade, nosso respeito humano rendem a Jesus Cristo!

No Cânon, o sacerdote inclina-se, ora e santifica as ofertas por numerosos Sinais-da-Cruz. Jesus curva os ombros sob o fardo da Cruz. Toma-a com amor, beija-a, leva-a com carinho, encaminhando-se para o Calvário, dobrado sob esse peso de amor. Ah! Ele carrega meus pecados a fim de expiá-los, e minhas cruzes a fim de santificá-las. Sigamos Jesus Cristo, levando a Cruz e subindo penosamente o monte Calvário. Acompanhemo-lo com Maria, as santas mulheres e Simão, o Cireneu.

O sacerdote impõe as mãos sobre o cálice e a hóstia. Os carrascos, apoderando-se de Jesus Cristo, despem-no violentamente, e estendem-no sobre a Cruz, onde o crucificam.

Consagração e Elevação. O sacerdote consagra o pão e vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Adora, de joelhos, seu Salvador e seu Deus, real e verdadeiramente presente em suas mãos. Eleva-o, em seguida, apresentando-o à adoração dos fiéis. E Jesus erguido na Cruz, entre o céu e a terra, qual Vítima e Mediador entre Deus irritado e nós, míseros pecadores.

Adorai e oferecei esta Vítima Divina em expiação, não somente pelos vossos próprios pecados, mas também pelos pecados dos homens em geral e dos vossos pais, parentes e amigos em particular. Prostrados a seus pés, seja o grito de vosso coração: Meu Senhor e meu Deus!

Considerai a Jesus estendido no Altar, como outrora na Cruz, adorando ao Pai, no profundo aniquilamento de sua própria Glória, rendendo-lhe graças por todos os bens concedidos aos homens seus irmãos — e irmãos redimidos — mostrando-lhe as Chagas, ainda abertas, que pedem graça e misericórdia pelos pecadores; rezando por nós de tal forma, que o Pai nada lhe pode recusar, a Ele, seu Filho, e Filho que se imolou por amor à sua Glória.

Prestai ao próprio Jesus o culto que Ele presta ao Pai. Adoro-vos, ó meu Salvador presente realmente sobre o Altar para renovar em meu benefício o Sacrifício do Calvário. A vós que sois o Cordeiro, ainda e diariamente imolado, bênção, glória e poder nos séculos dos séculos! Rendo-vos, agora, e por toda a eternidade vos renderei ações de graças pelo grande Amor que me manifestastes.

O sacerdote invoca, profundamente inclinado, a Clemência Divina para si e para todos. E Jesus quem diz: Pai, perdoai-lhes, que não sabem o que fazem. Adorai tamanha Bondade que, desculpando sempre os criminosos, não lhes quer chamar nem inimigos, nem carrascos.

Perdoai-me, ó meu Salvador, que minha culpa excede a deles, porquanto eu vos ofendi, embora soubesse que éreis o Messias, meu Salvador e meu Deus. Perdoai-me. Vossa Misericórdia será maior e, por conseguinte, mais digna ainda do vosso Coração. Se sou pródigo, sou todavia, filho. Eis-me aos vossos pés.

O sacerdote ora pelos mortos. Jesus na Cruz reza pelos mortos espirituais, pelos pecadores. Sua prece converte um dos dois celerados que primeiro o haviam insultado, blasfemando contra Ele. “Lembrai-vos de mim, Senhor, quando estiverdes no vosso Reino”, diz-lhe o bom ladrão. E Jesus responde-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”.

Ó meu Deus, pudesse eu, na hora da morte, fazer-vos o mesmo pedido e ouvir a mesma resposta! Lembrai-vos de mim nesse momento terrível, como vos lembrastes do ladrão penitente.

No “Pater”, o sacerdote invoca o Pai Celeste. Jesus na Cruz recomenda sua Alma ao Pai. Pedi a graça da perseverança final.

No “Libera nos “, o sacerdote roga para ser preservado dos males desta vida. Jesus, no grande Amor que nos tem, tem sede de novos sofrimentos e bebe, para expiar nossas gulodices, o fel misturado com vinagre.

O sacerdote divide a Hóstia santa. Jesus inclina a cabeça, a fim de lançar sobre nós um último olhar todo de amor e expira, exclamando: Tudo está consumado.

É a Alma que se separa do Corpo! Adora, ó minha alma, a Jesus morrendo, e já que Ele morreu por ti, saibas tu também viver e morrer por Ele. Implorai a graça de uma morte boa e santa, nos braços de Jesus, Maria e José.

O sacerdote, no “Agnus Dei”, bate três vezes no peito. Enquanto Jesus expira, o sol se eclipsa de dor, a terra estremece apavorada, os túmulos se abrem. Então, carrascos e espectadores, batendo no peito, confessam publicamente seu erro, em presença de Jesus na Cruz, proclamam-no Filho de Deus e afastam-se contritos e perdoados. Uni-vos à sua contrição e merecereis o mesmo perdão.

O sacerdote bate no peito e comunga. Jesus é descido da Cruz, e colocado nos braços de sua Mãe dolorosa. É embalsamado, amortalhado num lençol branco e colocado num sepulcro novo.

São Pedro Julião Eymard
Ó Jesus, ao receber-vos no meu corpo e na minha alma, desejo que meu coração seja não um túmulo, mas sim um templo alvo e puro, ornado de belas virtudes, onde só Vós reinareis.

Ofereço-vos minha alma para morada. Vinde nela habitar, qual Senhor supremo. Não seja eu um túmulo de morte, mas um tabernáculo vivo. Ah! aproximai-vos de mim, pois longe de vós, desfaleço.

Acompanhai a Alma de Jesus enquanto desce ao limbo a levar às almas dos justos a sua libertação. Uni-vos à sua alegria, ao seu reconhecimento e dai-vos para sempre ao vosso Salvador e vosso Deus.

O sacerdote purifica o cálice e cobre-o com o véu. Jesus ergue-se do túmulo, glorioso e triunfante, encobrindo, todavia, por amor aos homens, o esplendor de sua Glória.

O sacerdote, em ação de graças, recita as orações. Jesus convida aos seus a se regozijarem pela sua vitória sobre a morte e sobre o inferno. Uni-vos ao júbilo dos discípulos e das santas mulheres em presença de Jesus ressuscitado.

O sacerdote abençoa o povo. Jesus abençoa seus discípulos. Inclinai-vos, confiante de receber uma Bênção que há de realizar tudo quanto promete.

O sacerdote lê o último Evangelho. É quase sempre o de São João, onde está descrita a Geração Eterna, temporal e espiritual do Verbo Encarnado.

Adorai a Jesus que subiu ao Céu para ali vos preparar um lugar. Contemplai-o reinando num trono de glória e enviando aos Apóstolos seu Espírito de Verdade e de Amor.

Pedi que esse Espírito divino habite em vós e vos dirija em tudo o que fizerdes no correr do dia, e que este, pela graça do Santo Sacrifício, seja todo santificado e tornado fecundo em obras de graça e de salvação.

Postado por Mons.Lebrum às 10:57

NOVENA PELO ROMANO PONTÍFICE

NOVENA PELO ROMANO PONTÍFICE
Do Rorate Cæli
Traduzido por Apologeta:Em acréscimo a petição on-line, contra a absura investida midiática contra Sua Santidade Bento XVI, a FSSP(Fraternidade Sacerdotal São Pedro) convoca a todos a unirem-se em uma novena a favor do Papa por ocasião da Festa da Cátedra de São Pedro, 22 de Fevereiro, iniciando-se portanto em 14 de Fevereiro (hoje) e encerrando-se no Domingo, onde somos todos chamados a oferecer nossa comunhão com as intenções do Sumo Pontífice e de toda a Igreja.Novena para o papa
Pater Noster, 3 Ave Maria, Gloria PatriV. Orémus pro Pontífice nostro Benedícto.

R. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum eius.

V. Tu es Petrus.
R. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam

Orémus
Omnípotens sempitérne Deus, miserére fámulo tuo Pontífici nostro Benedícto : et dírige eum secúndum tuam cleméntiam in viam salútis ætérnæ : ut, te donánte, tibi plácita cúpiat, et tota virtúte perfíciat.

R. Amen.

Mater Ecclésiæ, ora pro nobis..
Sancte Petre, ora pro nobis.
Um Pai Nosso, 3 Ave Marias e um Glória ao Pai, seguidos desta oração.

V: Oremos para o nosso Papa Bento.

R: Que o Senhor o guarde e fortaleça, e o faça abençoado nesta terra, e não o abandone ante a perversidade de seus inimigos.

V. Tu és Pedro,
R. E sobre esta pedra edificarei minha Igreja.

Oremos,
Omnipotente e eterno Deus, tem piedade de teu servo, Bento, nosso Soberano Pontífice, e guia-o conforme tua bondade, a caminho da vida eterna, de modo que, com a assistência da sua graça, ele possa velar pelo rebanho que lhe foi confiado, alcançando junto com ele a salvação; Através de Cristo, Nosso Senhor.

R. Ámen.

V. Mãe da Igreja, R. Rogai por nós

V. São Pedro, R. Rogai por nós

Postado por Mons.Lebrum às 10:39

“Para nós, cristãos, é olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o nosso destino é a vida em Deus – por Cristo fomos chamados a viver na comunhão Trinitária por toda a eternidade! Viemos de Deus e para Ele retornamos! Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia em que nascemos para a vida eterna.” – Dom Orani João Tempesta (Celebração de “Todos os Santos” e dos “Finados”)

the-resurrection-of-jesus-christ
Origem: "Turn bak to God"

Christian-Wallpapers
"Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e de moderação." 2 Timóteo 1:7 (Bíblia - Novo Testamento - CNBB)

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Fonte: CNBB – Artigos dos Bispos

O dia do nascimento

Dom Orani João Tempesta

[Neste] final de semana teremos a oportunidade de refletir sobre o nosso fim último, pois estaremos celebrando o Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos, ou como costumamos chamar, Dia dos “finados”.

Para nós, cristãos, é olhar para o futuro e ter o conforto de saber que o nosso destino é a vida em Deus – por Cristo fomos chamados a viver na comunhão Trinitária por toda a eternidade! Viemos de Deus e para Ele retornamos! Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia em que nascemos para a vida eterna.

A Igreja se sente unida aos santos que estão junto do Pai e também àqueles que já partiram e estão necessitados de nossa oração.

Também diante dessas celebrações temos a oportunidade de refletir sobre o sentido de nossa vida e os valores para os quais vivemos. Um dia viemos a este mundo, e um dia sairemos dele!

Nesse tempo que nos foi dado o que foi que construímos?

Toda vida que começa alcança o seu objetivo e depois se finda, se acaba. Apenas o homem, com sua inteligência, é que fica entristecido com o fato de ter que morrer.

Isso se dá, em primeiro lugar porque, quer queiramos ou não, existe em nós a sede do infinito, e por isso o “ter que morrer” nos causa tristeza.

Entretanto, para nós, cristãos, a morte, embora ponha fim à nossa existência neste mundo, é o início da vida sem fim, quando estaremos em Deus.

Além disso, pela fé sabemos que nosso corpo, embora desintegrado, será ressuscitado. Interessante neste contexto termos em mente que a Igreja Católica comemora seus santos pelo dia de sua morte e não pelo dia em que nasceram.

A morte e ressurreição é um mistério de fé, que proclamamos no CREDO: “Creio na ressurreição da carne, na vida eterna…”

São Paulo, na Epístola aos Tessalonicenses, diz palavras confortadoras sobre a ressurreição dos mortos: “Não queremos, irmãos, que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim precisamos crer também que Deus levará, por Jesus e com Jesus, os que morreram.” “Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras” (cf. I Tessalonicenses, 4,13 a 15 e 18).

Assim, sustentados pela fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos, é muito salutar recordarmos os nossos parentes e amigos que foram trasladados da vida terrena para a vida eterna.

No dia dedicado aos mortos, muitos vão aos cemitérios orar pelos seus falecidos. Os gestos (orações, velas, flores, celebrações) tão belos são uma afirmação de que cremos que a morte não é o fim e que nossos mortos, hoje vivem, estão em Deus e um dia ressuscitarão.

No dia em que nos recordamos dos que nos precedem na comunhão dos santos, diante da necessária reflexão acerca da irmã morte, as palavras de Salomão, no Capitulo 3,1-9 do livro da Sabedoria, nos colocam diante do mistério da vida plena: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos pareceram morrer; sua partida foi tida como uma desgraça, sua viagem para longe de nós como um aniquilamento, mas eles estão em paz. Aos olhos humanos pareciam cumprir uma pena, mas sua esperança estava cheia de imortalidade, por um pequeno castigo receberão grandes favores. Deus os submeteu à prova e os achou dignos de si. Examinou-os como o ouro no crisol e aceitou-os como perfeito holocausto. No tempo de sua visita resplandecerão e correrão como fagulhas no meio da palha. Julgarão as nações, dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que são fiéis permanecerão junto a ele no amor, pois graça e misericórdia são para seus santos, e sua visita é para seus eleitos”.

Neste dia, quando tantas celebrações ocorrerão em todos os cemitérios de nossa Arquidiocese, podemos fazer ser um momento muito importante para que, além de rezarmos pelos nossos falecidos, anunciemos às pessoas a nossa fé, aquela fé que acredita na vida que não termina com a morte e que nos convida a aproveitar o tempo que temos para viver bem como bons cristãos.

Que o Senhor da vida dê o descanso eterno a todos os fiéis! E que os que vivem sejam alcançados pela paz e confortados pela esperança de que nossa morte não será o fim de tudo, mas o começo da vida sem tempo e que nós, que cremos em Cristo, com Ele ressuscitaremos! Amém.

(CNBB – 29.10.2009)

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Observação: Modificado o termo “No próximo final de semana…” para “Neste…), em decorrência de ter sido postado hoje, dia 01.11.2009, enquanto a publicação pela CNBB se deu em 29.10.2009. Conto com a compreensão de V. Revma. Dom Orani João Tempesta.

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

 

Virgem do Rosário

Domingo, 04 de outubro de 2009

Mês do Santo Rosário

A devoção do Santo Rosário

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa ‘Coroa de Rosas’. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.

O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal

No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe. A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário. A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados. (Fonte: ACI Digital)

“Quem persevera na meditação, mesmo que o demônio a tente de muitas maneiras, tenho certeza que Senhor a levará ao porto da salvação…Quem não pára no caminho da meditação, chegará ainda que tarde”. Também dizia que: “O demônio se esforça muito em afastar a pessoa da meditação porque ele sabe que as pessoas perseverantes na oração estão perdidas para ele”. Santa Teresa de Ávila

Postado por Flos Carmeli às 13:46.

“No meio das rosas…” – Homenagem – 25 de outubro de 2009

Datas de aniversário são importantes para pessoas que amam profundamente, desde que esta lembrança (declarada carinhosamente ao aniversariante em seu dia, ou não) seja sempre acompanhada de outros gestos amorosos. É o caso de minha irmã, quatro anos mais nova, portanto, passa pouco dos 40: L. de Fátima Barden Nunes (o nome é de solteira). Mora na Europa. Sua condição é legal; vive com o marido G.J. e meu sobrinho G.N.J. Que Deus proteja a todos.

Amada irmã (de todas as horas) – lembrei o dia todo de ti, neste domingo, dia 25 de outubro. Mas como decidi quebrar certas “cadeias hipócritas” há alguns anos em relação à data, tenho certo desconforto em ligar, mandar e-mail, cartão, visitar. Acho que perdi este tipo de simplicidade, que ainda preservas. Saiba no entanto, mana L., que meu coração “transborda” de amor e carinho por ti. Tal como o de Cristo Jesus e Nossa Senhora, Sua e Nossa Mãe Santíssima. O artigo abaixo, vais entender porque dedico a ti, já que és devota de Nossa Senhora de Fátima, principalmente depois daquele sonho encantador e enigmático que me falaste ao telefone, há alguns anos.

Fonte/imagem: Viver é mais do que existir…

Para L.de F.B.N. ( J.)... Com amor!
"No meio das rosas..."

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O artigo, do tipo “pergunta-resposta” é dedicado à ti, querida irmã L.de F.B.N (com o casamento J.). O questionamento ao Prof. Fedele é feito por uma jovem de vinte e cinco anos, bastante religiosa. Achei que teria proveito para ti e para quem tiver interesse em ler esta postagem. Na explicação do Prof. Fedele há muito cuidado e carinho com a preocupação com da jovem que se chama Lígia, em relação a comentários de que quem é devoto de Nossa Senhora sofrerá mais perseguições… Achei que faz sentido o temor da jovem, afinal Jesus afirma: “(…) No mundo tereis aflições, mas eu venci o mundo!”

Nós duas, principalmente, que fazemos parte de uma família, sabemos o quanto é importante o aspecto da religiosidade, isto é, o quanto uma família, a pequena (a nossa) e a grande (o seu conjunto) deve ter como centro de suas atenções as ingerẽncias do mundo na vida pessoal e espiritual de cada integrante. Nossa espiritualidade, e acho que concordas comigo, deve estar acima de tudo, mesmo que o “mundo” pareça empenhado em nos jogar, mais e mais, para baixo. Nem pensar! Neste “vale de lágrimas”, lembremos o que Santa Teresa dizia sinteticamente: “Só Deus basta”!

O texto do site do Prof. Orlando Fedele foi publicado integralmente (podia ser um trecho). Eu o respeito, tanto pela idade quanto pelo estudo  de Teologia, apesar de seru amor pela polêmica… Nisto, não há dano porque muitas inverdades vêm à tona desse modo. No caso dele, ainda que radical, é do tipo que ama a verdade. Atitude que anda rara hoje em dia…

Nesta resposta à “Lígia”, vemos que é um teólogo piedoso. Seus posicionamentos “drásticos” se dirigem mais à História do Catolicismo (ao período da Idade Média mais exatamente), e sobre algumas condutas da Igreja Pós-Conciliar. Por certo, faz avaliações “radicais”, com as quais, no geral, tendo a concordar. É o caso da Idade Média, que me inquieta. Entendo sua defesa de armadas católicas na época das invasões à espada de povos não-cristãos. Afinal, eles queriam dominar a Europa. Jornalistas sabem de tudo um pouco e têm a obrigação de sempre estar abertos para aprender mais, mais… A História não é matemática, nem é contada como quem uma câmera na mão… Os “pedaços” vão se juntando ao longo do tempo. Portanto, quem sou eu para contestar os aprofundados estudos teológicos do Prof. Fedele! Detalhe: sinto desconforto com a origem da oficialização do dia dedicado à Nossa Senhora do Rosário. Mas sei que isto é devido a viver em uma época em que jamais vi uma pessoa (graças a Deus!) ameaçar outra com uma arma. Faz sentido, não? O Papa São Pio V instituiu a devoção ao Rosário em uma dessas ocasiões – na batalha de Lepanto. O invasor não-cristão iniciou o recuo, por milagre, a partir do momento em que ele, bispos, sacerdotes, povo, príncipes e reis da região invadida dobraram os joelhos, e recitaram por horas o Rosário, sem interrupção. A devoção ao Rosário (e outubro é o mês insituído) foi proclamada oficialmente na Igreja Católica por este Papa – São Pio V (em torno do séc. XV).

Já vai longe a “missiva”, portanto, L., querida irmã, quando os corações estão unidos, são necessárias poucas palavras. Há um texto oriental que diz que Deus conta as lágrimas das mulheres… Hoje eu chorei, mas, repara: uma oração improvisada me tirou da “nuvem” de tristeza em que me envontrava. Vi tua foto… Estás muito bela, mas pelo olhar… Atenta para uma coisa:: Ele e Seus Anjos (principalmente os que são nossos Guardiães) cuidam de nós; nos confortam… Guarda em teu coração, mesmo à distância, o quanto te amo, irmã querida. Até logo…

Felicidades L., e que Deus te ilumine e abençoe. Amém.

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Fonte: Associação Cultural Monfort

PERGUNTA

Devoção à Nossa Senhora

De: Lígia

Enviada em: Segunda-feira, 17 de novembro de 2003

Localidade: Toledo, PR

Religião: Católica Apostólica Romana

Idade: 25

Escolaridade: superior completo

Saudações Professor

Parabenizo pelo site e pela seriedade com que conduz um assunto tão delicado e relevante que é a Religião.

Com relação a Maria, sou muito devota a ela, e em uma das cartas que respondeu a outra leitora, disse que quem é devoto de Maria é vítima de muitas traições. Poderia por gentileza esclarecer essa passagem e falar mais sobre Maria na história de Jesus e suas aparições na atualidade.

Grata pela atenção.

A paz de Jesus e de Maria

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RESPOSTA

Lígia

Muito prezada Professora Lígia,

Salve Maria!

Causa-me alegria receber uma carta elogiosa de uma colega de profissão, e ainda mais devota de Nossa Senhora.

Que Deus lhe pague suas palavras elogiosas ao trabalho que desenvolvo, graças a Deus, no site Montfort. Peço-he que reze a Nossa Senhora que me ajude sempre a bem responder o que se me pergunta, e acima de tudo, que me dê forças para bem defender a Igreja Católica Apostólica Romana, em cuja Fé quero viver e morrer . (“Et dans cette Foi je veux vivre et mourir” como Villon fez a mãe dele rezar, em uma das suas famosas baladas).

Professora, a senhora me pede que lhe escreva quase um tratado sobre Nossa Senhora, tanto os temas que me pede são vastos.

E, por falar em Tratado, a senhora conhece o Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora de São Luís de Montfort, santo patrono de nosso site?

Se não o conhece, recomendo-lhe que compre imediatamente esse livro extraordinário, no qual a senhora poderá encontrar as respostas que me pede.É um livrinho pequeno em tamanho, imenso em valor, profundo em pensamento, que recomendo que leia e medite.Nele São Luís mostra que há um grande combate, na Historia, entre a Igreja e o demônio, e que assim como a serpente odeia Nossa Senhora, porque foi ela que possibilitou que o Verbo de Deus se encarnasse, assim ele detesta os verdadeiros devotos de Maria Santíssima.

Já no início da História, quando Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso terrestre, Deus onipotente amaldiçoou a serpente, dizendo-lhe: Inimicitias ponam, isto é, “Porei inimizades”, entre ti e a Mulher, entre a tua raça e a dela, e Ela mesma te esmagará a cabeça, e tu lhe farás ciladas ao calcanhar” ( Gen. III, 15).Portanto, Deus estabeleceu uma inimizade, um ódio entre os filhos do demônio e os filhos da Virgem. Filhos do demônio, como explicou Jesus no Evangelho, (Jo. VIII, 44), filhos do demônio são todos aqueles que querem fazer a vontade do diabo, pai da mentira e assassino desde o começo. Filhos da Virgem são todos aqueles que reconhecem Maria como Mãe de Deus, da qual querem fazer a vontade dela.

É claro que esses dois grupos de homens, querendo coisas opostas, se combatem, e só podem se combater. Há pois uma luta na História entre os filhos das trevas e os filhos da luz. E o demônio faz ciladas ao calcanhar da Virgem, isto é, procura prejudicar os pequenos que a servem.

Canta-se na Liturgia das Horas que Nossa Senhora, sozinha, esmagou toda a heresia. E heresia no singular, como se diz que o demônio é pai da mentira no singular.

Por que mentira no singular?

Porque, no fundo, como há uma só Fé verdadeira, só pode haver uma só mentira, que é a Gnose, doutrina que afirma a divindade do homem, porque a grande tentação do homem é ser Deus.

Como o homem é composto de corpo e alma, a deificação pode ser buscada ou no corpo — e é materialismo panteísta, — ou só na alma, e se cai na Gnose propriamente dita, que afirma a divinização do espírito, condenando a matéria, o corpo.

Por isso fez Deus a língua única da serpente bífida, dividida em duas pontas, para simbolizar a divisão da única tentação, a de sermos deuses, ou panteisticamente, ou gnosticamente. Ora, Nossa Senhora, aceitando ser a Mãe do Verbo de Deus encarnado, esmagou tanto o Panteísmo como a Gnose.

Esmagou o Panteísmo, porque Cristo Filho de Maria, era o Verbo, a Sabedoria de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.Esmagou a Gnose, porque o Verbo de Deus tomou carne em Maria, e de Maria. Ele nasceu “ex Maria Virgine. Et homo factus est”. Nasceu de Maria Virgem e se fez homem. É o que cantamos no Credo, em todas as Missas.

E foi por Maria que o Verbo se encarnou, e viveu entre nós, “cheio de graça e de verdade”, ” Plenum gratiae et veritatis”.

Explica Hugo da Abadia de São Victor, que o olho humano é feito para a luz, e entretanto, ele não pode contemplar o sol que o cegaria se olhado diretamente.E a inteligência humana é feia para contemplar a Verdade divina, mas ficaria “cega” se a contemplasse diretamente, porque a Luz de Deus, a Verdade divina, o Verbo, Sol da Verdade é infinito, e não podemos abarcá-lo.

Entretanto, Deus se encarnou, o Verbo, Verdade de Deus se fez homem, e pudemos contemplá-lo diretamente, sem ficarmos cegos porque a Luz da Divindade, nEle, estava velada pela humanidade de Cristo.

Por isso, a Idade Média inventou o vitral. Pelo vitral, podemos contemplar a luz do sol sem que fiquemos cegos. E a luz do sol passa pelo vitral sem parti-lo. Assim também, a Luz de Deus, o Verbo, a Sabedoria de Deus se fez homem em Maria, sem que sua virgindade imaculada fosse quebrada. E a luz de Deus passou por Maria, e brilhou para nós em Cristo homem, que era cheio de graça e de verdade, e nós podemos ver a sua glória de Unigênito de Deus, sem sermos cegados por sua luz infinita.

Maria Santíssima é, pois, o vitral de Deus.

Por isso, a Idade Média a colocava no centro das rosáceas das catedrais góticas.

Ora, a luz do sol é, em certo sentido, simples. Entretanto, ao passar por um prisma, a luz simples se refrata, espalhando as sete cores.

Assim também, a Luz de Deus é absolutamente simples, mas ao passar por Maria, cheia de graça, a Luz divina se “refrata” e Maria difunde as virtudes de Deus por todos os homens. Daí, dizer-se que Nossa Senhora é Medianeira de todas as graças, visto que é por Maria que Cristo nos concede todas as suas graças, assim como o prisma difunde todas as cores da luz.

Nossa Senhora, prisma de Deus, é a Medianeira de todas as graças. E os protestantes, repudiando Maria, repudiam todas as graças de Cristo.

Não me impeço, então, de citar aqui um poeta exímio — e muito mau –, Dante Alighieri, que escreveu, apesar de sua péssima doutrina pessoal, uma belíssimo louvor à Virgem Maria, (do qual faço uma bem miserável tradução livre, para facilitar a compreensão):

“Vergine Madre, figlia del tuo Figlio,

umile e alta più che creatura,

termine fisso d´etterno Consiglio,

Tu se´colei che l´umana natura

nobiliasti sì, che `l suo fattore

non disdegnó di farsi sua fattura.

Nel ventre tuo si raccese l`amore

per lo cui caldo nell`etterna pace

così è natto questo fiore.

Qui se´a noi meridiana face

di caritate, e giuso, intra i mortali,

se´di speranza fontana vivace.

Donna, se` tanto grande e tanto valli,

che qual vuol grazia ed a te non ricorre,

sua disianza vuol volar sanz` alli.

La tua benignià non pur socorre

a chi domanda, ma molte fiate

liberalmente al dimandar precorre.

In te misericordia, in te pietate

in te magnificenza, in te s`aduna

quantunque in creature é di bontate”

Virgem Mãe, filha de teu Filho,

humilde e mais excelsa que qualquer criatura,

objetivo fixo da eterna Sabedoria.

Tu és aquela que a natureza humana

enobreceste de tal modo que o seu autor

não desprezou fazer-se sua feitura.

Em teu seio, se reacendeu o amor.

por cujo ardor na eterna paz [do céu]

assim germinou esta flor [do conjunto dos bem aventurados em torno de Deus]

Aqui, [no céu] tu és para nós meridiana face

de caridade, e lá em baixo, entre os mortais,

tu és de esperança, fonte viva.

Mulher, tu és tão grande e vales tanto,

que quem quer graça e a ti não recorre,

seu desejo é o de voar sem ter asas. [Parece que Dante escreveu este terceto pensando nos protestantes]

A tua benignidade não socorre apenas

a quem pede, mas muitas vezes,

generosamente precede ao pedir.

Em ti misericórdia, em ti piedade,

em ti magnificência, em ti se reúne

tudo quanto na criatura há de bondade”.

(Dante, Divina Comédia, Paradiso, XXXIII, 1-21).

Prezada Professora Lígia, esta carta já vai bem longa, e como tenho mais 190 cartas em minha caixa de entrada, deixo de lhe responder, hoje, sobre as aparições de Nossa Senhora, em nossos tempos, porque é um outro tema, que desejaria tratar longamente.

Peço-lhe pois, que me desculpe a incompletude desta resposta, que completarei noutra ocasião.

E para que essa resposta prometida não fique para as calendas gregas, peço-lhe que me escreva de novo, lembrando-me de minha dívida.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.