Onde puseram o Menino Jesus?

Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar: roubaram o Menino Jesus!

Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar que roubaram o Menino Jesus!

Gostaríamos muito que se tratasse apenas de uma anedota, como no tal Natal de Ângela, em que uma mocinha “rouba” de uma igreja a imagem do Divino Infante só porque achava, em sua inocência, que o menino estava com frio e precisava agasalhar-se. Mas não… Estamos diante de um roubo criminoso, sem arrependimento e intenção alguma de restituição. Roubaram o Menino Jesus e, poderíamos dizer com o Evangelho, “não sabemos onde o puseram” (Jo 20, 2).

Roubaram o Menino Jesus do ambiente público, no qual Ele sempre teve lugar de destaque, especialmente nesta época do ano. Os enfeites natalinos nas praças, comércios e repartições públicas incluem Papais Noéis, renas voadoras, árvores decoradas, mas o presépio cristão está cada vez mais difícil de encontrar. Em muitos lugares, especialmente na Europa, hoje tomada por muçulmanos, os termos natalinos cristãos são banidos em nome da tolerância e do respeito às outras religiões. O “Feliz Natal” de sempre há muito que se converteu em um vago e laico “Boas Festas” (ou Férias). O acontecimento histórico que deu origem à celebração foi reduzido a um artigo de fé meramente privada, de forma que, se uma pessoa quiser passar essa época do ano sem ouvir uma única vez o nome de Jesus (dependendo, é claro, dos ambientes que ela frequenta ou deixa de frequentar), o certo é que não terá muitas dificuldades em fazê-lo.

Roubaram o Menino Jesus do seio de nossas famílias trocando orações, novenas e idas à Missa por começões, bebedeiras e visitas ao shopping. O Natal se converteu quase que literalmente em uma “magia”: é preciso rir ainda que não se saiba por quê, é preciso festejar ainda que não se saiba o quê, é preciso seguir em frente ainda que não se saiba para onde. Pois foi roubado o Único que poderia dar real sentido à celebração, e verdadeira felicidade aos que celebram.

Roubaram o Menino Jesus de nossas casas, onde Ele deveria ocupar uma posição toda especial, ensinando às crianças que Deus, dois mil anos atrás, escolheu descer à baixeza e inocência delas. 

Mas que crianças, se também elas foram roubadas dos lares, antes mesmo de serem concebidas, trocadas pelas mais novas tecnologias do momento, pelo último lançamento de um carro e pelas viagens anuais à praia? Que crianças, se as famílias modernas decidiram não as ter e, se as tiveram, já cuidaram de sacrificá-las impiedosamente ao mundo, deixando que consumissem tudo o que ele lhes oferece, e que lhes fosse roubada desde cedo justamente a inocência que fazia delas crianças? Se todas as vezes que alguém recebesse uma criança, receberia o próprio Senhor, como Ele mesmo declarou (cf. Mt 18, 5), não é verdade que nossa aversão aos filhos é também uma aversão ao próprio Jesus? Que a recusa dos casais em serem fecundos impede que o próprio Menino Jesus nasça em suas casas?

Não é verdade que nossa aversão aos filhos é também uma aversão ao próprio Jesus?

Roubaram o Menino Jesus também de nossas igrejas, e isso nunca se poderá deplorar o suficiente. Primeiro, tiraram-no dos cibórios para o atirarem ao chão, porque não trataram com zelo o Santíssimo Sacramento. Depois, substituíram a celebração do Deus que se fez criança para nossa salvação por uma celebração grotesca do próprio “eu”. Nossas liturgias estão cada vez mais voltadas para o homem e menos centradas n’Ele. As pessoas sequer sabem direito o que estão fazendo na Missa, perdidas em meio aos teatros, às dancinhas e às músicas cada vez mais barulhentas dos “ministérios”, às criatividades cada vez mais absurdas dos celebrantes e às palmas cada vez mais efusivas do “auditório”. O padre fala com o povo, o povo fala com o padre, mas com Deus mesmo ninguém fala.

Roubaram o Menino Jesus, isso é triste; roubaram-no, mas ninguém se deu conta, e isso é pior ainda.

Repetimos acima a frase de Santa Maria Madalena, que não sabia onde haviam colocado o Senhor, mas agora não é o caso: nós sabemos onde o Menino Jesus está. A doutrina católica diz que, numa alma que crê e está em estado de graça, habita a Santíssima Trindade como um amigo. Pela fé, portanto, sabemos onde se esconde o Deus menino: Ele se encontra em toda alma que procura amá-lo e cumprir com os seus mandamentos. 

Talvez seja ao redor dessas almas que devamos celebrar o nosso Natal, ao redor de amigos que buscam a Deus. Mas se, infelizmente, as circunstâncias fazem com que nossas famílias, com quem passaremos esses dias, ainda estejam distantes de Cristo, que nossas conversas e nosso modo de viver possam despertar em seus corações a ânsia de procurar pelo Menino que há tanto tempo foi roubado de seus corações… sem que eles sequer lhe tenham notado a ausência.

Publicado em Equipe Christo Nihil Praeponere (Padre Paulo Ricardo).

O verdadeiro Natal para os pequeninos!

Está chegando o Natal, é tempo de advento, há um clima diferente no ar! E como diz uma antiga canção: “Natal, natal das crianças… Natal do Menino Jesus”, acho que é por isso que a criança tem um destaque especial no Natal, pois ele existe, por causa de uma criança. E isso nos remete a um sentimento de ternura e carinho para com as crianças.

Por aquela criança especial ter recebido presentes de ilustres visitantes, também nós queremos presentear nossa crianças. Conta-se que São Nicolau fazia isso para homenagear o Menino Jesus. Ação válida, mas precisamos ter a consciência de ensiná-las o verdadeiro significado do Natal, para que elas não esperem apenas os presentes.

Precisamos levá-las a viver essa inquietude no coração, da espera, da preparação, para a vinda do Salvador, pois Ele é o verdadeiro presente.

E como fazemos isso? Muitas formas, enfatizando sempre como personagens principais a Sagrada Família, o anjo, as figuras bíblicas. Podemos ler juntos a história do nascimento de Jesus, em livros infantis ou na bíblia. Montar o presépio em casa, levá-las para visitar outros presépios, participar da liturgia própria do tempo, cantando com elas músicas natalinas católicas, falar da pobreza e nobreza do presépio.

É muito importante que como cristãos católicos, ensinemos a eles o sentido de cada símbolo que esse tempo litúrgico nos apresenta, para que eles vivam a fé já na idade tenra. Como nos diz Provérbios 22,6: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até que envelheças, não se desviará dele”.

Uma tradição que tenho lá em casa é decorar a casa ouvindo músicas natalinas tradicionais, e cantamos enquanto decoramos. Não arrumo muito cedo, mas no tempo do advento. Hoje mesmo com eles crescidos, continuo com a tradição e eles gostam desse clima.

Devemos também instigar neles o sentimento de fraternidade e doação, fazendo ações concretas para que a lição do Menino Deus, que nasceu pobre para nos salvar, crie neles uma mentalidade aberta para o amor gratuito e generoso, pois as crianças são o futuro!

Cleide Maria Machado Pereira Consagrada Missionária Arca da Aliança

Publicado em Arca da Aliança (Comunidade Católica).

A importância do Natal

O Natal anuncia que o criador do universo entrou na história e vestiu pele humana. O Natal fala desse glorioso mistério que a mente mais brilhante não pode alcançar: Deus se fez homem, o Rei dos reis se fez servo.

Foi planejado na eternidade e anunciado na história. Os patriarcas falaram desse dia. Os profetas descreveram esse dia. O tabernáculo e o templo de Jerusalém apontavam para esse dia. Os sacrifícios e as festas judaicas eram sombras daquele que nasceria nesse dia. Jesus nasceu na plenitude dos tempos. Deus preparou o mundo para a chegada de seu Filho. Através dos gregos, Deus deu ao mundo uma língua universal. Através dos romanos, Deus deu ao mundo uma lei universal. Através dos judeus, Deus deu ao mundo uma revelação sobrenatural. Quando tudo estava pronto, Deus desceu!

O Natal fala da encarnação do Verbo eterno, pessoal e divino

O Natal anuncia que o criador do universo entrou na história e vestiu pele humana. O Natal fala desse glorioso mistério que a mente mais brilhante não pode alcançar: Deus se fez homem, o Rei dos reis se fez servo. O eterno entrou no tempo. O infinito nasceu de uma virgem. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura.

O Natal traz à lume esse mistério dos mistérios

Jesus sendo Deus esvaziou-se e tornou-se homem sem deixar de ser Deus. Mesmo assumindo um corpo humano, nele residiu toda a plenitude da divindade. Ele veio para nos revelar Deus. Ele é a exata expressão do ser de Deus. Nele está todo o resplendor da glória divina. O Verbo habitou entre nós cheio de graça e de verdade. Quem vê a Jesus vê o próprio Deus, pois ele e o Pai são um.

O Natal é a sublime mensagem de que Deus enviou seu Filho Unigênito e o Filho voluntariamente veio, no poder do Espírito Santo, para dar sua vida em resgate do seu povo. Jesus nasceu não num palácio, cercado de glória e poder, mas numa estrebaria humilde, pois entrou no mundo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Veio para estabelecer seu reino de graça em nossos corações e preparar-nos para o seu reino de glória. Veio não para brandir a espada da condenação, mas oferecer-nos o presente da salvação.

Quando Deus desceu até nós, os anjos celebraram no céu e os homens se alegraram na terra

 Houve glória a Deus no céu e paz na terra entre os homens. O Natal precisa celebrado, pois é uma boa notícia de grande alegria! O Salvador do mundo, o Messias esperado e o Senhor dos senhores veio até nós, como nosso Redentor. Ele é a porta do céu. Ele é o novo e vivo caminho para Deus. Ele o único Mediador entre Deus e os homens. Só em seu nome há salvação. Por meio dele temos livre a acesso à graça e exultamos na esperança da glória.

É tempo de recristianizarmos o Natal e devolvê-lo a seu verdadeiro dono

 É tempo de celebrarmos Cristo e não a nós mesmos. É tempo de nos prostrarmos diante dele para adorá-lo, como o fizeram os magos do Oriente e não fazermos festa para nós mesmos. É tempo de nos alegrarmos com grande e intenso júbilo, porque Deus nos amou de tal maneira que nos deu seu próprio Filho Unigênito, para que nele pudéssemos ter a vida eterna. Eis o conteúdo do Natal! Eis o propósito do Natal! Eis a glória do Natal! Deus desceu até nós para nos tirar do império das trevas e da escravidão do pecado. Deus desceu até nós para nos adotar como seus filhos. Deus desceu até nós para nos dar vida e vida em abundância!

Eis a magia do Natal: Deus se dá a nós. O ato de dar algo de presente expressa que nós mesmos somos presenteados. Hoje em dia, a maioria das pessoas provavelmente tem vontade de um presente que seja expressão de amor. Quando coloco meu coração num presente, este chega até o outro e satisfaz seu desejo. Presentear é um sinal de amor e de relações vivas. “Eu estarei sempre com vocês” (cf. Mt 28,20). Por isso, não há porque desanimar diante das inevitáveis incompreensões e dificuldades. Pois, como dizia Paulo, a partir da sua experiência prática de missionário, quando Deus está conosco nada estará contra nós (cf. Rm 8,11).

Padre Lício de Araújo Vale – Diocese de São Miguel Paulista (SP)

Publicado em Vatican News.

Coroa do Advento: entenda seu significado

Você sabe como surgiu a coroa do Advento? Confira a história que envolve a sua origem e conheça o seu significado para a fé católica.

Você sabe como surgiu a coroa do Advento? Confira a história que envolve a sua origem e conheça o seu significado para a fé católica.

Os símbolos nos ajudam a compreender os mistérios que envolvem a fé. Cada tempo litúrgico tem a sua cor, por exemplo, e representa algo. Um dos símbolos bastante conhecidos do período que antecede o Natal é a Coroa do Advento, uma guirlanda adornada com velas que, por meio de seus elementos visuais, nos conduz a preparação para a vinda do Messias.

Neste artigo, apresentaremos a história da coroa do advento, e talvez você se surpreenda com a origem deste símbolo tão bonito que se faz presente nas Igrejas — e até nos lares—, marcando o início do ano litúrgico. Vamos começar relembrando o que é este tempo de espera e, depois, adentrar no significado dos elementos que compõem a coroa do advento.

O tempo do Advento

O Advento é o início de um novo ano litúrgico na Igreja Católica. Ao longo das quatro semanas que antecedem o Natal, as leituras e os símbolos deste tempo litúrgico auxiliam os fiéis a se prepararem para a vinda do Senhor.

Assim como Deus preparou o seu povo ao longo de muitos anos, para a chegada do Messias, a Igreja também orienta os fiéis a estarem prontos para um encontro com o Senhor. Seja na hora da nossa morte, seja na Sua segunda vinda. Por isso, no Advento, não apenas revivemos a expectativa do nascimento de Jesus, mas somos chamados à vigilância e à oração, a fim de nos prepararmos para a vinda do Senhor.

Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem […] Para que não suceda que vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai! (1)

Leia mais em: O que todo católico deve saber sobre o Advento?

O que é a coroa do advento?

A Coroa do Advento é um símbolo cristão, especialmente presente na tradição católica, e marca o início do Advento a cada ano. Encontramos este símbolo luminoso principalmente nas Igrejas, mas também nos lares dos fiéis. A coroa é composta por um círculo de ramos verdes, quatro ou cinco velas e, às vezes, fitas, geralmente na cor vermelha.

O círculo representa o tempo contínuo, transmitindo a ideia de eternidade; a forma circular também lembra que Cristo é o início e o fim (alfa e ômega). A fita vermelha simboliza o amor de Deus por nós, e a cor verde nos remete à vida e à esperança. Contudo, são as velas que se destacam, pois o Natal é sobretudo uma festa de luz: Cristo é a luz que vem.

Embora haja outros significados, o cerne desse símbolo é dirigir nosso olhar para nutrir a esperança no Cristo que vem para iluminar nossas trevas:O povo que andava nas trevas viu uma grande luz […] porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz. (2)

Confira 5 dicas práticas para viver bem o Advento.

A história da coroa do Advento

Talvez poucos saibam, mas a Coroa do Advento teve origem em 1839, em Hamburgo, na Alemanha, por meio da iniciativa do pastor luterano Johann Hinrich Wichern. (3) Ele dirigia uma casa que prestava assistência social aos menos favorecidos, incluindo muitas crianças carentes. E à medida que se aproximava a época do Natal, as crianças não paravam de perguntar quando esse dia iria chegar.

A prática de usar a coroa logo se espalhou por diversas denominações cristãs, que a foram adaptando ou simplificando, até chegar ao uso das quatro velas para cada domingo que antecede o Natal. Além disso, passou-se a unir a esta ideia a tradicional guirlanda de Natal, resultando no que conhecemos hoje como a coroa do advento.

A transição para a tradição católica foi gradual, iniciando por volta do ano de 1925. A aceitação mais ampla entre os católicos aconteceu pela influência do movimento litúrgico, que valorizava a espiritualidade litúrgica. Desse modo, com o passar do tempo, Coroa do Advento pareceu integrar-se de maneira mais harmônica com a liturgia e a espiritualidade católica do que com as origens luteranas. Isso acontece porque a Igreja Católica vive o tempo litúrgico como um tempo sagrado, com suas cores e símbolos, todos os anos.

Você sabe por que não se canta o Glória no Advento?

A história da coroa do Advento

O maior destaque da coroa do Advento são as velas, sendo comum encontrar quatro velas, representando os quatro domingos que antecedem o Natal.

A tradição inicialmente adotava velas mais escuras, que gradativamente clareavam, começando com roxo, passando por vermelho, rosa e finalizando com branco. No Brasil, assim como em muitas partes do mundo, as velas costumam seguir a cor do tempo litúrgico. Desse modo, são predominantemente roxas, com a adição de uma vela rosa para o terceiro domingo, conhecido como Gaudete.

Além disso, pode haver ainda uma quinta vela, branca, colocada no centro da coroa no dia do Natal. Ela simboliza a pureza absoluta de Jesus, a luz do mundo. (3)

Prepare-se para o Natal com as meditações de Santo Afonso.

Referências

  1. Mc 13, 35-37[]
  2. Is 9, 1.5[]
  3. VATICAN NEWS, Os símbolos do Advento[][][]

Publicado em Minha Biblioteca Católica.

É possível rezar quando estamos sofrendo e doentes?

Reprodução

Da dor, das doenças, das preocupações ninguém escapa. Mais cedo ou mais tarde deparamos com situações em que, como Jesus no alto da cruz, gritamos: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. E, por mais que a medicina se esforce, existem ainda doenças para as quais não se descobriu a cura. Além disso, quando pensamos ter encontrado o remédio para uma enfermidade, aparecem imediatamente outras que, à luz da ciência, são inexplicáveis.

Jamais devemos pensar que a doença seja castigo ou vingança de Deus contra o homem pecador. Este pensamento seria uma blasfêmia, uma visão distorcida do amor infinito de Deus para com o ser humano.

As doenças são frutos de imprudência, de situações que poderiam ser evitadas, de descuidos do poder público, de “violências” ambientais e humanas contra a natureza que exige respeito e amor. Todo transtorno humano, biológico ou da natureza nos questiona profundamente e nos obriga a recorrer a Deus para encontrar uma resposta aos nossos dramas interiores. Aliás, os santuários de onde sobem a Deus as preces mais fortes e fervorosas são os hospitais e prontos-socorros. Quantas pessoas, não encontrando soluções para seus problemas, recorrem a Deus… Porém, algumas vezes, não sendo atendidas nos seus pedidos, desanimam e se consideram abandonadas por Ele. Entretanto, quando não sentimos Deus ao nosso lado, é certo que Ele está perto de nós. O seu amor é eterno, fiel e jamais nos abandona.

Precisamos nos convencer de uma só coisa: nada pode nos dispensar da oração. Nem as enfermidades, nem os trabalhos, nem as mil ocupações que preenchem nossas agendas. A oração, como já vimos em outro momento, é uma questão de fidelidade e de amor. Sem o amor nos sentimos perdidos, inseguros, sem saber para onde vamos. O amor humano às vezes nos falha; nem sempre podemos contar com a presença dos que consideramos amigos, muitos se afastam de nós e nos encontramos sozinhos no deserto da vida. Nesses momentos devemos reforçar nossa oração e permanecermos bem unidos a Deus.

Muitos santos aprenderam a rezar na doença

É interessante notar que muitos santos se converteram e aprenderam os segredos da oração na doença. Enquanto estavam com saúde viviam como se Deus não existisse, dedicados a todo tipo de prazeres e diversões. Parecia que nada seria capaz de perturbar sua tranquilidade; buscavam com ânsia realizar tudo que lhes vinha à mente.

A saúde nos dá um sentido de terrível autossuficiência, independência de Deus e dos outros. Essa visão utilitarista e individualista é comum em todas as idades, mas especialmente na juventude, quando os problemas, a doença e a morte parecem fantasmas muito distantes.

Quem não se lembra da história de Francisco de Assis? Era jovem, rico e amigo de todos, mas a dura experiência de preso político na cidade de Perúgia, onde adoece, faz-lhe sentir toda a sua fragilidade e pobreza. Nesses momentos de dor física e moral, de profunda solidão humana, o coração de Francisco vai mudando e escutando a voz do Senhor que lhe chama para ajudá-lo a reconstruir a igreja através de seu testemunho e pregação. O exemplo de Francisco é para todos nós um convite; ele soube aproveitar a doença para se aproximar mais e mais do Cristo crucificado.

Outro exemplo é Inácio de Loyola. Forte e corajoso, desejava ser lembrado na história pelos seus feitos a serviço dos reis da Espanha; porém, ao ser ferido na guerra, pede livros de cavalarias para ajudar a passar o tempo, mas, na falta destes, lê a vida dos santos e os Evangelhos… Esses livros tocam em profundidade o seu coração e ele se converte. A enfermidade torna-se para ele “um sacramento de amor”; através dela percebe que tudo é vaidade e que a única coisa que importa é servir a Deus e à Igreja.

Teresa de Ávila não foge também a esta regra. Jamais teve boa saúde, chegou ao ponto de ser considerada morta e ter sua cova aberta, mas soube enfrentar tudo por amor ao Senhor e percorrer as terras da Espanha fundando Carmelos onde “o Rei, sua Majestade fosse bem servido”. Na sua autobiografia, Teresa revela que o caminho do sofrimento não deve nos afastar da oração em momento algum da vida: “Na doença e em situações difíceis, a alma que ama tem como verdadeira oração fazer a dádiva dos seus sofrimentos, lembrar-se daquele por quem os padece, conformar-se com as suas dores, havendo muitas outras coisas possíveis. Trata-se do exercício do amor… com um pouquinho de boa vontade, obtêm-se muitos lucros nos momentos em que o Senhor nos tira o tempo da oração com sofrimentos” (Santa Teresa de Jesus – Vida 7,12).

Talvez o exemplo mais evidente de que na doença é possível rezar seja o de Santa Teresinha do Menino Jesus, que morreu de tuberculose aos 24 anos. Ela sentiu a dor, o medo e, quem sabe, a tristeza de morrer na juventude. No livro “História de uma alma”, vez por outra ela nos abre um pouco das cortinas do seu coração e nos faz entrever o seu sofrimento: “O Senhor me dá coragem em proporção ao padecimento. Sinto que, para o momento, não poderia suportar mais, mas não tenho medo porque a coragem aumentará, se a dor redobrar” (Santa Teresinha do Menino Jesus).

Mesmo que o corpo seja esmagado pela dor, a alma sempre pode elevar-se acima de tudo e permanecer em íntima contemplação dos mistérios de Jesus: paixão, morte e sobretudo ressurreição. O cristão não pára na paixão nem na morte, ele sempre contempla Cristo glorioso que, tendo vencido todas as dores, nos chama à plena alegria na eternidade.

Não desperdiçar os sofrimentos

Não se pode dizer que a dor, os sofrimentos e a doença são coisas boas… Isto negaria que Deus é Pai e quer todos os seus filhos com saúde de alma e corpo, mental e psíquica. Ele quer que sejamos perfeitos em todos os sentidos. Mas a cruz se faz necessária, e quando não é possível evitá-la, devemos abraçá-la com dignidade e amor a Jesus, que assim o fez. São João da Cruz nos convida a não desperdiçar os sofrimentos, mas a acolhê-los e guardá-los com amor, porque um dia, na eternidade, serão pérolas preciosas.

Como devemos agir diante dos sofrimentos e doenças?

Ousaria dar alguns conselhos práticos que podem nos ajudar a superar o medo e a revolta, e acolher com docilidade a vontade do Senhor:

Primeiramente, ter sempre uma atitude preventiva e evitar, com todos os esforços, as doenças, porque muitas delas são provocadas por nossos exageros, não cuidando devidamente da higiene, exagerando na comida ou na bebida, colocando-nos imprudentemente em situações de risco que não são queridas por Deus, que é amor. Esta atitude é sumamente importante. Também, em nossa oração, devemos pedir ao Senhor que nos livre de toda enfermidade para que possamos viver com alegria.

Quando a doença chegar, não devemos desesperar, mas ter uma atitude de humildade, de auto-recolhimento, mergulhando no mais íntimo do nosso ser, para entrar em diálogo íntimo e profundo com Deus, e perguntando-nos para que tudo isso. E ainda procurar os meios necessários que a ciência nos oferece para sermos curados e pedir, com fortes orações e súplicas, a Jesus, Senhor da vida, que Ele nos cure e nos dê a saúde necessária para cumprirmos as nossas responsabilidades. Esses são momentos de fé, de amor e especialmente de esperança para entregar-nos totalmente aos “cuidados do Senhor” e pedirmos que outros rezem por nós e sobre nós, como diz a Escritura.

Quando a doença avançar e se fizer maior o nosso sofrimento, devemos entrar ainda mais no nosso coração e pedir ao Senhor o dom da fé. Jamais devemos esquecer as palavras do apóstolo Paulo: “Completo na minha carne o que falta à paixão do Senhor Jesus”. Esta participação na cruz de Jesus, nas suas dores e paixão não é simples resignação nem entrega desanimada a um fatalismo sem sentido ou masoquismo espiritual, mas é uma atitude de pura fé, sabendo que somos chamados a imitar Jesus em todos os momentos de nossa vida.

Rezar nos sofrimentos, na doença, não quer dizer de forma alguma pular de alegria, não sentir dor; é ter consciência de que a dor não é castigo de Deus, mas um acontecimento que poderá ser para mim caminho de libertação. Nesse momento é claro que as palavras não vêm, elas morrem na garganta antes de serem geradas. São momentos de profundo silêncio, em que só sabemos dizer o quanto é grande o amor que temos por Deus, através de um beijo no crucifixo, uma jaculatória, uma palavra do Evangelho que alguém nos sussurra aos ouvidos, uma imagem que gostamos de contemplar…

Por isso é importante, quando temos saúde, rezar para que saibamos aceitar a doença e até a morte que Deus nos queira permitir por puro amor, e dizermos na fé: “Seja feita a vossa vontade e não a minha”.

Oferecer tudo ao Senhor quando estamos lúcidos e conscientes é, sem dúvida, um ato de amor e de pura fé. É o que faço todos os dias ao me levantar: “Senhor, nas tuas mãos coloco toda a minha vida, pensamentos, desejos, saúde, e hoje, ainda sendo lúcido e consciente, quero te dizer que aceito com fé, amor e esperança tudo o que me enviares. E, se um dia me queixar, me revoltar contra as doenças, não me leves a sério, saibas que não quero isso, não é esta a minha vontade. É só o instinto que se revolta. Não me leves a sério, Senhor, e me dês a coragem para aceitar tudo. Senhor, peço esta graça não somente para mim, mas para toda a humanidade e para isso peço a ajuda e proteção da Virgem Maria, minha mãe e de todos os santos a quem tanto amo, os do Carmelo e os outros santos meus amigos. Que eu saiba contemplar silenciosamente o Cristo na cruz e dele possa haurir força e coragem. Assim seja”.

Rezemos para que a dor, os sofrimentos e doenças nunca cheguem. Mas, se um dia eles baterem à nossa porta, saibamos acolhê-los como irmãos que nos visitam e fazer desses momentos oportunidades de muita oração. Não devemos deixar-nos convencer de que a dor é boa, somente pela fé ela se torna caminho de amizade e de amor que nos abre a porta do paraíso.

Publicado em Aleteia.

Santa Teresa d’Ávila: A jornada espiritual e os sete estágios do Castelo Interior

A vida de Santa Teresa d’Ávila começou em Gotarrendura, uma pequena vila próxima a Ávila, Espanha, em 28 de março de 1515. Ela nasceu em uma família de ascendência judaica convertida ao catolicismo. Seu nome de nascimento era Teresa de Cepeda y Ahumada.

Desde cedo, Teresa demonstrou uma profunda devoção à fé católica. Seu pai, Alonso Sánchez de Cepeda, era um homem culto e amante da leitura, o que influenciou positivamente a educação de Teresa. Ela cresceu em um ambiente que valorizava a religião, e sua família incentivou seu crescimento espiritual.

No entanto, a juventude de Teresa não foi isenta de desafios. Aos 14 anos, ela perdeu sua mãe, Beatriz de Ahumada, o que a afetou profundamente. Aos 16 anos, ela foi enviada para o Convento das Irmãs Agostinianas de Santa Maria de Gracia, em Ávila, principalmente porque seu pai desejava que ela recebesse uma educação religiosa adequada. Teresa permaneceu no convento por cerca de um ano, mas sua saúde precária a levou de volta para casa.

Durante sua adolescência, Teresa gostava de ler histórias de santos e escrever cartas para suas amigas. Ela era uma jovem introspectiva e espiritualmente inclinada, e essas características se tornariam fundamentais em sua futura jornada como freira e mística.

Aos 20 anos, Teresa decidiu seguir sua vocação religiosa e ingressou no Convento das Carmelitas da Encarnação, em Ávila, marcando o início de sua vida como freira carmelita. Foi o começo de uma jornada espiritual que a levaria a se tornar uma das figuras mais importantes da história da Igreja Católica e da mística cristã.

Esses anos iniciais da vida de Santa Teresa d’Ávila foram marcados por sua devoção crescente e pela busca por um entendimento mais profundo de sua fé. Sua entrada no convento marcou o início de uma jornada espiritual extraordinária que impactaria não apenas sua vida, mas também na história da espiritualidade cristã.

A grande contribuição de Santa Teresa à Igreja Católica foi a reforma do Carmelo, esta reforma recebeu o nome de Carmelitas Descalças, um movimento que buscava restaurar o rigor monástico e a simplicidade na vida das freiras carmelitas. Ela acreditava que a vida monástica deveria ser uma busca intensa e apaixonada por Deus. Em 1562, Santa Teresa fundou o Convento de São José em Ávila, que foi o primeiro de muitos conventos carmelitas reformados que ela estabeleceu.

Além de sua atividade na reforma do Carmelo, Santa Teresa foi uma prolífica escritora. Suas obras mais famosas incluem “O Livro da Vida” e “Caminho de Perfeição”. Ela escreveu sobre suas experiências místicas, suas visões e sua busca por uma união profunda com Deus. Suas escritas são valorizadas até hoje por sua profundidade espiritual e estilo literário.

Santa Teresa d’Ávila também foi uma grande defensora da oração contemplativa e do recolhimento espiritual. Ela descreveu o estado de êxtase místico, no qual a alma se sente unida a Deus de maneira indescritível, como uma das experiências mais elevadas da vida espiritual.

O livro “Castelo Interior,” também conhecido como “As Moradas” (ou “Las Moradas” em espanhol), é uma das obras mais conhecidas de Santa Teresa d’Ávila. O ensinamento principal deste livro é a descrição da jornada espiritual e o caminho em direção à união com Deus. É uma obra que explora profundamente a vida interior e a busca pela contemplação divina.

O livro compara a alma humana a um castelo com sete moradas, cada uma representando um estágio diferente na busca espiritual. O objetivo final é alcançar a união íntima com Deus, que é representado como o centro do castelo, a morada mais interna.

Os ensinamentos fundamentais do “Castelo Interior” incluem:

  • A importância da oração e da contemplação: Santa Teresa enfatiza a necessidade de uma vida de oração profunda e íntima como o meio pelo qual a alma pode progredir em direção a Deus.
  • A jornada interior: O livro descreve as diferentes etapas da jornada espiritual, desde o início, quando a alma está distante de Deus, até a culminação na união mística.
  • A purificação da alma: Santa Teresa destaca a importância da purificação da alma de todas as impurezas e apegos mundanos como parte essencial do processo espiritual.
  • O papel da graça divina: Ela enfatiza que a progressão na jornada espiritual depende da graça de Deus e da disposição da alma em abrir-se para essa graça.
  • A união mística: O objetivo final da jornada é a união mística com Deus, uma experiência profunda e indescritível de comunhão divina.

Como comentado, as sete moradas representam os diferentes estágios da jornada espiritual em direção à união com Deus. Cada morada descreve um nível específico do progresso espiritual. Aqui estão as sete moradas:

  1. Primeira Morada: Neste estágio inicial, a alma começa a despertar para a vida espiritual, muitas vezes após uma conversão ou um despertar espiritual. Ela começa a perceber a importância da oração e da busca por Deus, mas ainda está fortemente ligada às preocupações mundanas.
  2. Segunda Morada: Na segunda morada, a alma experimenta um desejo mais profundo de comunhão com Deus e começa a se dedicar mais à oração e à vida espiritual. Ela começa a enfrentar os desafios da vida interior, como a luta contra as distrações na oração.
  3. Terceira Morada: Neste estágio, a alma progride ainda mais em sua busca por Deus. Ela começa a experimentar momentos de consolação divina, momentos de profunda alegria e presença de Deus em sua vida. No entanto, essas experiências podem ser intercaladas com períodos de aridez espiritual.
  4. Quarta Morada: Na quarta morada, a alma experimenta uma intensificação das experiências místicas e um desejo ardente de se entregar completamente a Deus. Ela se torna mais consciente de suas fraquezas e pecados e busca a purificação interior.
  5. Quinta Morada: Neste estágio, a alma experimenta uma profunda união com Deus, frequentemente descrita como um “êxtase místico”. Ela está mais centrada em Deus do que em si mesma e está disposta a fazer grandes sacrifícios para alcançar uma comunhão mais profunda.
  6. Sexta Morada: Na sexta morada, a alma atinge uma união quase constante com Deus. Ela está em um estado de amor divino e entrega completa. A luta contra o ego e as preocupações mundanas continua, mas a alma está cada vez mais imersa na presença divina.
  7. Sétima Morada: A sétima morada é o estágio mais elevado da jornada espiritual, onde a alma atinge a união completa e permanente com Deus. Neste estágio, a alma está completamente transformada pela graça divina e vive em profunda comunhão com Deus.

É importante notar que Santa Teresa enfatiza que essa jornada espiritual não é linear, e as almas podem avançar e retroceder nos estágios, dependendo da graça divina e da busca contínua. Cada morada representa um estágio de progresso na vida espiritual, e nosso objetivo é a união com Deus na sétima morada.

Que possamos pedir a Deus a graça para caminhar firmemente em direção à morada final, onde nosso Senhor residirá no centro de nossa alma, e nós, livres das amarras do mundo, poderemos verdadeiramente louvar e agradecer por termos um Pai como Ele.

Por fim, compartilhamos a linha poesia de Santa Tereza: “Vossa sou, para Vós nasci”:

Vossa sou, para Vós nasci

Vossa sou, para Vós nasci,
Que quereis fazer de mim?

Soberana Majestade,
Eterna Sabedoria,
Bondade tão boa para a minha alma,
Vós, Deus, Alteza, Ser Único, Bondade,
Olhai para a minha baixeza,
Para mim que hoje Vos canto o meu amor.
Que quereis fazer de mim?

Vossa sou, pois me criastes,
Vossa, pois me resgatastes,
Vossa, pois me suportais,
Vossa, pois me chamastes,
Vossa, pois me esperais,
Vossa pois não estou perdida,
Que quereis fazer de mim?

Que quereis então, Senhor tão bom,
Que faça tão vil servidor?
Que missão destes a este escravo pecador?

Eis-me aqui, meu doce amor,
Meu doce amor, eis-me aqui.
Que quereis fazer de mim?

Eis o meu coração,
Que coloco em vossas mãos,
Com o meu corpo, minha vida, minha alma,
Minhas entranhas e todo o meu amor.
Doce Esposo, meu Redentor,
Para ser vossa me ofereci,
Que quereis fazer de mim?

Dai-me a morte, dai-me a vida,
A saúde ou a doença
Dai-me honra ou desonra,
A guerra, ou a maior paz,
A fraqueza ou a paz plena,
A tudo isso, digo sim:
Que quereis fazer de mim?

Vossa sou, para Vós nasci,
Que quereis fazer de mim?

Publicado em Paróquia São Pedro e São Paulo.

Imagem: Wikipédia.

Creio na ressurreição da carne e na vida eterna

Esta verdade afirma a plenitude de imortalidade à qual o homem está destinado; constitui, portanto, uma lembrança da dignidade da pessoa, especialmente do seu corpo.

Raffaello Sanzio

No final do Símbolo dos Apóstolos a Igreja proclama: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. Nesta fórmula, estão contados de uma forma breve os elementos fundamentais da esperança escatológica da Igreja.

1. A ressurreição da carne

A Igreja proclamou, em muitas ocasiões, a sua fé na ressurreição de todos os mortos no final dos tempos. Trata-se, de certo modo, da ‘extensão’ da Ressurreição de Jesus Cristo, “o primogênito entre uma multidão de irmãos” (Rm 8,29) a todos os homens, vivos e mortos, justos e pecadores, que terá lugar quando Ele vier no final dos tempos. Com a morte, a alma separa-se do corpo; com a ressurreição, corpo e alma unem-se de novo entre si, para sempre (cf. Catecismo, 997). O dogma da ressurreição dos mortos, ao mesmo tempo em que fala da plenitude da imortalidade à qual o homem está destinado, é uma viva lembrança da sua dignidade, especialmente na sua vertente corporal. Fala da bondade do mundo, do corpo, do valor da história vivida dia a dia, da vocação eterna da matéria. Por isso, contra os gnósticos do século II, falou-se da ressurreição da carne, ou seja, da vida do homem no seu aspecto mais material, temporal, mutável e, aparentemente, caduco.

São Tomás de Aquino considera que a doutrina sobre a ressurreição é natural em relação à causa final (porque a alma está feita para estar unida ao corpo e vice-versa), mas é sobrenatural em relação à causa eficiente (que é Deus)[1].

O corpo ressuscitado será real e material, mas não terreno nem mortal. São Paulo opõe-se à ideia de uma ressurreição como transformação que se leva a cabo dentro da história humana e fala do corpo ressuscitado como ‘glorioso’ (cf. Fl 3,21) e ‘espiritual’ (cf. 1 Cor 15,44). A ressurreição do homem, como a de Cristo, terá lugar, para todos, depois da morte.

A Igreja não promete aos homens, em nome da fé cristã, uma vida de sucesso assegurado nesta terra. Não haverá, assim, uma utopia, pois a nossa vida terrena estará sempre marcada pela Cruz. Ao mesmo tempo, pela recepção do Batismo e da Eucaristia, o processo da ressurreição já começou de algum modo (cf. Catecismo, 1000). Segundo São Tomás, na ressurreição, a alma informará o corpo tão profundamente, que nele ficarão refletidas as suas qualidades morais e espirituais[2]. Neste sentido, a ressurreição final, que terá lugar com a vinda de Jesus Cristo na glória, tornará possível o juízo definitivo de vivos e defuntos.

Com respeito à doutrina da ressurreição, podem ser acrescentadas quatro reflexões:

– a doutrina da ressurreição final exclui as teorias da reencarnação, segundo as quais a alma humana, depois da morte, emigra para outro corpo, repetidas vezes se for preciso, até ficar definitivamente purificada. A esse respeito, o Concílio Vaticano II falou do “único curso da nossa vida”[3], pois “está determinado que os homens morram uma só vez” (Heb 9,27);

– manifestação clara da fé da Igreja na ressurreição do próprio corpo é a veneração das relíquias dos Santos;

– embora a cremação do cadáver humano não seja ilícita, a não ser que tenha sido escolhida por motivos contrários à doutrina cristã (CIC, 1176), a Igreja aconselha vivamente a conservar o piedoso costume de sepultar os cadáveres. Com efeito, “os corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade, na fé e na esperança da ressurreição. O enterro dos mortos é uma obra de misericórdia corporal, que honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo” (Catecismo, 2300);

– a ressurreição dos mortos coincide com o que a Sagrada Escritura chama de a chegada dos “novos céus e da nova terra” (Catecismo, 1043; 2 P 3,13; Ap 21,1). Não só o homem chegará à glória, mas todo o cosmos, no qual o homem vive e atua, será transformado. “A Igreja, à qual todos foram chamados em Cristo Jesus e na qual, por graça de Deus, alcançamos a santidade”, lemos na Lumen Gentium (n. 48), não será levada à sua plena perfeição senão ‘quando vier o tempo da restauração de todas as coisas (cf. At 3,21)’ e, quando, juntamente com o gênero humano, também o universo inteiro, que está intimamente ligado ao homem e por ele atinge o seu fim, será perfeitamente restaurado em Cristo”. Haverá continuidade certamente entre este mundo e o mundo novo, mas também uma importante descontinuidade. A espera da instauração definitiva do Reino de Cristo não deve debilitar mas avivar, com a virtude teologal da esperança, o empenho de procurar o progresso terreno (cf. Catecismo, 1049).

2. O sentido cristão da morte

O enigma da morte do homem compreende-se somente à luz da ressurreição de Cristo. Com efeito, a morte, a perda da vida humana, apresenta-se como o maior mal na ordem natural, precisamente porque é algo definitivo, que só será vencido definitivamente quando Deus ressuscitar os homens em Cristo.

Por um lado, a morte é natural no sentido em que a alma pode separar-se do corpo. Por este ponto de vista, a morte marca o final da peregrinação terrena. Depois da morte, o homem não pode merecer ou desmerecer mais. “Com a morte, a opção de vida feita pela pessoa humana torna-se definitiva”[4]. Já não terá a possibilidade de se arrepender. Logo depois da morte irá para o Céu, para o Inferno ou para o Purgatório. Para que isto se verifique, existe o que a Igreja chamou de juízo particular (cf. Catecismo, 1021-1022). O fato de a morte constituir o limite do período de prova serve ao homem para orientar bem a sua vida, para aproveitar o tempo e outros talentos, para atuar retamente, para se dedicar ao serviço dos outros.

Por outro lado, a Escritura ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado original (cf. Gn 3,17-19; Sb 1,13-14; 2,23-24; Rm 5,12; 6,23; Tg 1,15; Catecismo, 1007). Neste sentido, deve ser considerada como castigo pelo pecado; o homem, que queria viver à margem de Deus, deve aceitar o dissabor da ruptura com a sociedade e consigo mesmo como fruto do seu afastamento. No entanto, Cristo “assumiu a morte num ato de submissão total e livre à Vontade de seu Pai” (Catecismo, 1009). Com a sua obediência, venceu a morte e ganhou a ressurreição para a humanidade. Para quem vive em Cristo pelo Batismo, a morte continua a ser dolorosa e repugnante, mas já não é uma lembrança viva do pecado, mas uma oportunidade preciosa de poder corredimir com Cristo, mediante a mortificação e a entrega aos outros. “Se morremos com Cristo, com Ele viveremos” (2 Tm 2,11). Por este motivo, “graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo” (Catecismo, 1010).

3. A vida eterna em comunhão íntima com Deus

Ao criar e redimir o homem, Deus destinou-o à eterna comunhão com Ele, ao que São João chama a ‘vida eterna’, ou o que se costuma chamar de o ‘Céu’. Assim, Jesus comunica a promessa do Pai aos seus: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor” (Mt 25,21). A vida eterna não é como “uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade. Seria o momento de mergulhar no oceano do amor infinito, no qual o tempo – o antes e o depois – já não existe. Podemos somente procurar pensar que este momento é a vida em sentido pleno, um incessante mergulhar na vastidão do ser, ao mesmo tempo em que ficamos simplesmente inundados pela alegria”[5].

A vida eterna é que dá sentido à vida humana, ao empenho ético, à entrega generosa, ao serviço abnegado, ao esforço por comunicar a doutrina e o amor de Cristo a todas as almas. A esperança cristã no céu não é individualista, mas refere-se a todos[6]. Com base nesta promessa, o cristão pode estar firmemente convencido de que ‘vale a pena’ viver a vida cristã em sua plenitude. “O céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva” (Catecismo, 1024); assim o exprimiu Santo Agostinho nas Confissões: “Fizestes-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto até descansar em ti”[7]. A vida eterna, com efeito, é o objeto principal da esperança cristã.

“Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados, viverão para sempre com Cristo. Serão para sempre semelhantes a Deus, porque O verão ‘como Ele é’ (1 Jo 3,2), ‘face a face’ (1 Cor 13,12)” (Catecismo, 1023). A teologia denominou este estado de ‘visão beatífica’. “Em razão da sua transcendência, Deus só pode ser visto tal como é quando Ele mesmo abrir seu Mistério à contemplação direta do homem e o capacitar para tanto” (Catecismo, 1028). O Céu é a expressão máxima da graça divina.

Por outro lado, o céu não consiste numa pura, abstrata e imóvel contemplação da Trindade. Em Deus o homem poderá contemplar todas as coisas que, de algum modo, fazem referência à sua vida, gozando delas e, em especial, poderá amar às pessoas que amou no mundo com um amor puro e perpétuo. “Não o esqueçais nunca: depois da morte há de receber-vos o Amor. E no amor de Deus encontrareis, além do mais, todos os amores limpos que tenhais tido na terra”[8]. O gozo do céu chega à sua plena culminância com a ressurreição dos mortos. Segundo Santo Agostinho, a vida eterna consiste num descanso eterno e numa deliciosa e suprema atividade[9].

Que o Céu dure eternamente não significa que nele o homem deixe de ser livre. No céu, o homem não peca, não pode pecar, porque, vendo Deus face a face, vendo-O, além do mais, como fonte viva de toda a bondade criada, na realidade não quer pecar. Livre e filialmente, o homem salvo ficará em comunhão com Deus para sempre. Com isso, sua liberdade alcançou a sua plena realização.

A vida eterna é o fruto definitivo da doação divina ao homem. Por isso, tem algo de infinito. No entanto, a graça divina não elimina a natureza humana, nem em seu ser, nem em suas faculdades, nem sua personalidade, nem o que tenha merecido durante a vida. Por isso, há distinção e diversidade entre aqueles que gozam da visão de Deus, não quanto ao objeto, que é o próprio Deus, contemplado sem intermediários, mas quanto à qualidade do sujeito: “quem tem mais caridade participa mais da luz da glória e verá mais perfeitamente a Deus e será feliz”[10].

4. O inferno como recusa definitiva de Deus

A Sagrada Escritura afirma, repetidas vezes, que os homens que não se arrependerem dos seus pecados graves perderão o prêmio eterno da comunhão com Deus, sofrendo, pelo contrário, a desgraça perpétua. “Morrer em pecado mortal, sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d’Ele para sempre, por nossa própria e livre escolha. É este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra ‘Inferno'” (Catecismo, 1033). Não é que Deus predestine alguém à condenação perpétua; é o homem que, procurando o seu fim último à margem de Deus e da sua vontade, constrói para si um mundo isolado onde não pode penetrar a luz e o amor de Deus. O inferno é um mistério, o mistério do Amor recusado, é sinal do poder destruidor da liberdade humana quando se afasta de Deus[11].

Relativamente ao inferno, é tradição distinguir entre ‘pena de dano’, a mais fundamental e dolorosa, que consiste na separação perpétua de Deus, sempre desejado ardentemente pelo coração humano, e ‘pena dos sentidos’, a que se alude frequentemente nos evangelhos com a imagem do fogo eterno.

A doutrina sobre o inferno no Novo Testamento apresenta-se como um chamado à responsabilidade no uso dos dons e talentos recebidos e à conversão. A sua existência faz com que o homem vislumbre a gravidade do pecado mortal e a necessidade de evitá-lo por todos os meios, principalmente, como é lógico, mediante a oração confiante e humilde. A possibilidade da condenação recorda aos cristãos a necessidade de viver uma vida inteiramente apostólica.

Sem dúvida, a existência do inferno é um mistério: o mistério da justiça de Deus para com aqueles que se fecham ao Seu perdão misericordioso. Alguns autores pensaram na possibilidade da aniquilação do pecador impenitente quando morre. Esta teoria é difícil de conciliar com o fato de que Deus deu, por amor, a existência – espiritual e imortal – a cada homem[12].

5. A purificação necessária para o encontro com Deus

“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu” (Catecismo, 1030). Pode-se pensar que muitos homens, mesmo que não tenham vivido uma vida santa na terra, não se mantiveram definitivamente no pecado. A possibilidade de serem limpos das impurezas e imperfeições da vida, mais ou menos malograda, depois da morte apresenta-se, então, como una nova bondade de Deus, como uma oportunidade para se preparar para entrar na comunhão íntima com a santidade de Deus. “O purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos daqueles que desejam identificar-se com Ele”[13].

O Antigo Testamento fala da purificação ultraterrena (cf. 2 Mc 12,40-45). São Paulo na primeira Carta aos Coríntios (1 Cor 3,10-15), apresenta a purificação cristã, nesta vida e na futura, através da imagem do fogo; fogo que, de algum modo, emana de Jesus Cristo, Salvador, Juiz e Fundamento da vida cristã[14]. Embora a doutrina do Purgatório não tenha sido definida formalmente até a Idade Média[15], a antiquíssima e unânime prática de oferecer sufrágios pelos defuntos, especialmente mediante o santo sacrifício eucarístico, é indício claro da fé da Igreja na purificação ultraterrena. Com efeito, não teria sentido rezar pelos defuntos se estivessem ou já salvos no céu ou então condenados no inferno. Os protestantes, na sua maioria, negam a existência do purgatório, já que lhes parece uma confiança excessiva nas obras humanas e na capacidade da Igreja de interceder por aqueles que deixaram este mundo.

Mais do que um lugar, o purgatório deve ser considerado como um estado de temporário e doloroso afastamento de Deus, no qual se perdoam os pecados veniais, se purifica a inclinação para o mal, que o pecado deixa na alma, e se supera a ‘pena temporal’ devida ao pecado. O pecado não só ofende a Deus, e causa dano ao próprio pecador como também, através da Comunhão dos Santos, causa dano à Igreja, ao mundo, à humanidade. A oração da Igreja pelos defuntos restabelece, de algum modo, a ordem e a justiça: principalmente por meio da Santa Missa, das esmolas, das indulgências e das obras de penitência (cf. Catecismo, 1032).

Os teólogos ensinam que no purgatório se sofre muito, de acordo com a situação de cada um. No entanto, trata-se de uma dor com significado, “uma dor bem-aventurada”[16]. Por isso, convidam-se os cristãos a procurar a purificação dos pecados na vida presente mediante a contrição, a mortificação, a reparação e a vida santa.

6. As crianças que morrem sem o Batismo

A Igreja confia à misericórdia de Deus as crianças que morreram sem terem recebido o Batismo. Há motivos para pensar que Deus, de algum modo, as acolhe, quer pelo grande carinho que Jesus manifestou pelas crianças (cf. Mc 10,14), quer porque enviou o seu Filho com o desejo de que todos os homens se salvem (cf. 1 Tm 2,4). Ao mesmo tempo, o fato de confiar na misericórdia divina não é motivo para adiar a administração do Sacramento do Batismo às crianças recém-nascidas (cf. CIC 867), que confere uma particular configuração com Cristo: “significa e realiza a morte ao pecado e a entrada na vida da Santíssima Trindade por meio da configuração ao mistério pascal de Cristo” (Catecismo, 1239).

Paul O’Callaghan


Bibliografia básica:

Catecismo da Igreja Católica, 988-1050.

Leituras recomendadas:

João Paulo II, Catequese sobre o Credo IV (audiências de 25-05-1999 a 4-08-1999).

Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 30-11-2007.

São Josemaria, Homilia «A esperança cristã», em Amigos de Deus, 205-221.


[1] Cf. São Tomás, Summa Contra Gentiles, IV, 81.

[2] Cf. São Tomás, Summa Theologiae, III. Suppl., qq. 78-86.

[3] Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 48.

[4] Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 30-11-2007, 45.

[5] Ibidem, 12.

[6] Cf. Ibidem, 13-15, 28, 48.

[7] Santo Agostinho, Confissões, 1, 1, 1.

[8] São Josemaria, Amigos de Deus, 221.

[9] Cf. Santo Agostinho, Epistulae, 55, 9.

[10] São Tomás, Summa Theologiae, I, q. 12, a. 6, c.

[11] “Com a morte, a opção de vida feita pelo homem torna-se definitiva; esta sua vida está diante do Juiz. A sua opção, que tomou forma ao longo de toda a sua vida, pode ter caracteres diversos. Pode haver pessoas que destruíram totalmente em si próprias o desejo da verdade e a disponibilidade para o amor; pessoas nas quais tudo se tornou mentira; pessoas que viveram para o ódio e espezinharam o amor em si mesmas. Trata-se de uma perspectiva terrível, mas algumas figuras da nossa mesma história deixam entrever, de forma assustadora, perfis deste gênero. Em tais indivíduos, não haveria nada de remediável e a destruição do bem seria irrevogável: é isto que se indica com a palavra inferno” (Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 45).

[12] Cf. Ibidem, 47.

[13] São Josemaria, Sulco, 889.

[14] Com efeito, Bento XVI na Spe Salvi diz que “alguns teólogos recentes são de parecer que o fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador” (Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 47).

[15] Cf. DS 856, 1304.

[16] Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 47.

Publicado em Opus Dei.

Dia dos Finados ou dos Fiéis Defuntos: o que é, como vivê-lo e como ganhar as indulgências deste dia

A ORIGEM DA CELEBRAÇÃO do Dia dos Fiéis Defuntos ou de Finados (2 de novembro) remonta aos tempos do Antigo Testamento, quando já os judeus rezavam pelos seus falecidos (conf. Tb 12,12; 2Mc 12,43-46). Encontramos também registros históricos que testemunham como os cristãos da Igreja primitiva rezavam pelos seus mortos, visitando os túmulos dos mártires, desde o final do primeiro século da era cristã.

No século V, a Igreja passou a dedicar um dia do ano para a oração por todos os mortos, principalmente pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém mais se lembrava. Também o abade de Cluny, Santo Odilon, no ano 998, pedia aos monges que rezassem pelos mortos. No século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) introduziram no Calendário Litúrgico um dia para a oração pelos finados; foi, porém, no século XIII que esse dia ganhou uma data definitiva: 2 de novembro. A escolha se deu pelo fato de no primeiro dia de novembro se celebrar a Festa de todos os Santos.

A morte é o cessar definitivo da vida como a conhecemos, e a Igreja dedica este dia especialmente para que as famílias lembrem-se dos seus amados que já não participam do seu convívio, oferecendo a Deus orações e súplicas – para que, se já não estiverem com Deus, possam ser recebidas por Ele o mais breve possível. Para o católico, o Dia de Finados é um dia para ser santificado, embora não seja dia de preceito ou de guarda.

Neste dia, o católico é chamado a moderar os seus hábitos: não é dia para escutar música alta, abusar de bebidas alcoólicas, viagens turísticas, euforia. Dia de Finados não é dia de festa: é dia de oração e silêncio interior. Todavia, mesmo sendo um dia de moderação, recolhimento e respeito, deve ser vivido também com esperança e íntima alegria no SENHOR, pois a fé católica diz que um dia, na Vinda definitiva do Cristo, todos os mortos ressuscitarão. É nesta fé e esperança que rezamos.

O Dia de Finados também não é, absolutamente, ocasião para se “invocar os mortos” (prática abominável aos olhos de Deus), mas sim uma data especial para suplicar a Deus pelas pessoas que já se foram e interceder por elas.

No Dia de Finados existe uma indulgência plenária própria. Se cumprir todas as práticas recomendadas, o fiel católico poderá lucrar esta indulgência e dedicar a uma alma que esteja no Purgatório. Graças a esta importante prática de caridade, neste dia, alguém poderá sair do Purgatório e alcançar o Céu! Veja como:

Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial.

(Enchiridion Indulgentiarum, n.13)

Ainda neste dia, em todas as igrejas e oratórios públicos adquirimos a Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai Nosso e o Creio, fazer a Confissão Sacramental, a receber a Comunhão Eucarística e rezar na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave-Maria ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).

(Diretório Litúrgico CNBB, p. 462)

Oração por um querido falecido – para o Dia dos Finados

Pai Santo, Deus eterno e Todo-poderoso, nós vos pedimos por (nome do falecido), que chamastes deste mundo. Dai-lhe felicidade, a luz e a paz. Que este vosso servo, tendo passado pela morte, participe do convívio de vossos santos na Luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma nada sofra, e vos digneis ressuscitá-lo(a) com os vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a Vós a vida imortal no Reino eterno. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

Pai Nosso…

Ave-Maria…

Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele(a) a vossa luz.

Amém!

Publicado em O Fiel Católico.

Memória de Santa Teresa de Jesus: 15 de Outubro

Santa Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus) foi uma grande expoente da Teologia Mística durante a Idade Moderna. Suas obras foram imprescindíveis para o desenvolvimento de uma perspectiva mais cristológica acerca da espiritualidade prática. Podemos dizer que a obra de Teresa apresenta uma verdadeira “pedagogia do amor”, pois se propõe a promover uma reflexão holística concernente aos valores, virtudes, hábitos e práticas necessárias para o crescimento na caridade cristã e na jornada de união afetiva com Deus. 

Uma das características mais marcantes nos escritos teresianos é a espontaneidade com que a santa discorre sobre determinado assunto, sobretudo por meio de digressões e de uma linguagem essencialmente poética e metafórica. Sendo assim, Teresa de Jesus não é sistemática, mas mantém uma coerência nítida ao longo de suas obras. “Com estilo próprio, singular, a escrita de Teresa dialoga com o leitor, provocando interação, sendo atraente e, ao mesmo tempo, instigante (…)” (PRATES, 2016, p.54).

Ela se dirige também a nós como estivesse conosco face a face, e se monstra descontraída fazendo confidências pessoais. Desviando-se do tema sempre de novo, ela volta e meia cai em si ( e pergunta: “onde é que eu estava mesmo? Oh! Sim…) e volta ao tema principal, retomando o fio da meada. Eis aí algo enlouquecedor e agradável ao mesmo tempo, pois as divagações da Santa são, com frequência, seus parágrafos mais apaixonantes e importantes (…) Pelo fato de ela nos falar com tanta intimidade e de se entusiasmar tantas vezes, os escritos teresianos nem sempre são sistemáticos.BIELECKI, 2000, p.29. 

Vida de Santa Teresa

Teresa nasceu no ano de 1515, na província de Ávila, no Reino de Castela, Espanha. Desde criança, nutria uma profunda admiração pela vida cristã e pelos preceitos da espiritualidade centrada na piedade prática. Gostava de brincar de “fundar mosteiros”. Quando pequena, chegou a fugir de casa, com o irmão, para entregar-se ao martírio nas mãos dos mouros. Entretanto, felizmente, chegou a ser resgata pelo tio.

Ainda com 14 anos, sua mãe morreu e seu pai a colocou num mosteiro. Com 20 anos, tomou uma decisão inexorável: fugir para o Convento das Carmelitas (Mosteiro da Encarnação em Ávila), com o intuito de seguir de forma categórica os preceitos da vida religiosa, mesmo contra a vontade do pai. 

Em 1535 Teresa foge da casa paterna e entra no Mosteiro da Encarnação em Ávila. Vive vinte e sete anos (dos 20 aos 47 anos) no Mosteiro Carmelita da Encarnação. Com breves ausências em função de sua doença. Este mosteiro era uma comunidade monástica numerosa: em torno de duzentas pessoas entre religiosas e familiares residentes. Foram anos de formação. Foi neste mosteiro que aconteceu a segunda conversão de Teresa e sua iniciação na vida mística. Neste período, igualmente já havia projetos de nova fundação. Mas tarde regressará como priora da comunidade (entre os anos de 1571-1574).CARLI, 2017, p. 03.

Depois de se recuperar de uma doença grave, decidiu iniciar um projeto de reforma da Ordem das Carmelitas. Fundou o Carmelo São José de Ávila. Frisou a centralidade cristológica na vida espiritual, a contemplação interior, a eminência da oração e a concentração espiritual. Por meio de seus escritos, a fama de Teresa cresceu imensamente e ela chegou a se associar com um dos maiores expoentes da mística teológica, a saber: São João da Cruz.

Devido à profundidade de seus escritos, Santa Teresa de Ávila é considerada uma “Doutora da Igreja” e suas obras representam clássicos da literatura espanhola. Pela sua grande sabedoria e inteligência, Santa Teresa é padroeira dos professore e invocada frequentemente pelos que sofrem com ansiedade, medo, tristeza e insegurança. 

Ensinamentos práticos de Santa Teresa de Jesus 

  • “Por isso vos digo, filhas, que devemos pôr os olhos em Cristo, nosso bem, e em seus santos, e dali depreenderemos a humildade, e o entendimento há de enobrecer, e o conhecimento de nós mesmas não será rasteiro ou covarde; que, embora esta seja a primeira morada é extremamente rica e de tão grande valor que quem conseguir se livrar de seus parasitas não deixará de seguir adiante. São terríveis os ardis e manhas do demônio para que as almas não se conheçam nem compreendam seus caminhos (…) E a mim parece que jamais chegaremos a conhecer a nós mesmas se não procurarmos conhecer a Deus; contemplando Sua  pureza, veremos nossa sujeira; considerando Sua humildade, veremos o quanto estamos longe de ser humildes”. (TERESA DE JESUS, 2014, p.26-27).
  • “Antes de falar do interior, isto é, da oração propriamente dita, direi algumas coisas que quem pretende seguir o caminho de oração precisa ter, coisas tão necessárias que as que as seguirem, mesmo não sendo muito contemplativas, poderão avançar muito no caminho do Senhor; é impossível, não as seguindo, ser muito contemplativa, e quem pensar que o é estará muito enganado (…) Não penseis, amigas e irmãs minhas, que vos encarregarei de muitas coisas (…). Só me alongarei em falar de três (…), porque é muito importante percebermos o grande proveito de guardar essas coisas para ter a paz interior e exterior que o Senhor tanto nos encomendou. A primeira é o amor de umas para com as outras (amor unas con otras); a segunda, o desapego de todo o criado (desasimiento de todo lo criado); a terceira, a verdadeira humildade (verdadera humildad) – que, embora tratada por último, é a principal, abarcando todas”. (TERESA DE JESUS, 2001, p.311-312).
  • “Digo, tudo depende do desapego, porque se nenhum caso fizermos de todo o criado e abraçarmos somente o Criador, Sua Majestade nos irá infundir na alma as virtudes infusas(…) olhos fitos em Vosso Esposo”. (TERESA DE JESUS, 2001, p. 325-326).
  • “(…) por que razão Nosso Senhor tão amigo desta virtude da humildade e logo se pôs diante, (…) isto; porque Deus é a suma Verdade, e a humildade é andar na Verdade” (TERESA DE JESUS, 2001, Castelo Interior, VI 10,7-8). 
  • “o que entendo é que o alicerce da oração tem como base a humildade e que, quanto mais se humilha na oração, tanto mais a alma é elevada por Deus”. (TERESA DE JESUS, 2001, P.146).
  • “Aprendemos a contradizer em tudo a própria vontade. Se empregardes nisto toda diligência, a pouco e pouco estareis no cume sem saber como”. (TERESA DE JESUS, 2001, Caminho de perfeição, Capítulo XII, 3).
  • “Acreditai-me e não vos deixeis enganar por ninguém que vos mostre um caminho que não seja o da oração.”. (Caminho de Perfeição, XXI, 6).
  • “Em tempos de tristeza e inquietação, não abandones nem as boas obras de oração nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará.”.
  • “São felizes as vidas que se consumirem no serviço da Igreja.”.
  • “Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantamos depois de cada queda.”.
  • “…não é outra coisa a oração mental, ao meu ver, se não um trato de amizade, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama”. (Livro da vida, cap. 8, 4-5).
  • “A meu ver a oração não é outra coisa senão tratar intimamente com aquele que sabemos que nos ama, e estar muitas vezes conversando a sós com ele”. (Livro da vida 8, 5). 
  • “Não te perturbe, nada te amedronte. Tudo passa, a paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta”.

Material complementar 

BARBOSA, L.I. De amor e de dor: a experiência mística de Santa Teresa de Ávila. 2006. 107f. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais. 

BIELECKI, T. Teresa de Ávila: uma introdução à sua vida e escritos. São Paulo, SP: Vozes, 2000. 

BORGES, C.M. Santa Teresa e a Espiritualidade Mística: a circulação de um ideário religioso no mundo Atlântico. In: Congresso Internacional de História Espaço Atlântico de Antigo Regime, 2005, Lisboa. Espaço Atlântico de Antigo Regime. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2005, p.01-10.

CARLI, V.B.A. A vida de oração de Santa Teresa de Ávila como exemplo para vencer as fronteiras da fé. In: Seminário Internacional de Antropologia Teológica: Pessoa e Comunidade em Edith Stein, 2017, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2017, p.01-08.

GUTIÉRREZ, J.L.R. A Filosofia Mística de Teresa de Ávila. Revista Caminhando. Volume 8, n.1 [11], p.127-157, 2003. 

PRATES, A.E. Imaginação material e mística: traços dos quatro elementos naturais presentes na obra Castelo Interior de Santa Teresa de Ávila. 2016. 184f. Tese de Doutorado em Ciências da Religião. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP.

TERESA DE JESUS. Escritos completos de Teresa de Ávila. São Paulo, SP: Loyola, 2001. 

______. O Livro da Vida. 7.ed. São Paulo, SP: Editora Paulus, 1983.

______. Obras completas Teresa de Jesus. 2.ed. São Paulo, SP: Loyola, 2002.

______. O Caminho de perfeição. 8.ed. São Paulo, SP: Editora Paulus, 1982. 

______. Castelo Interior ou Moradas. 9.ed. São Paulo, SP: Editora Paulus, 1980. 

VAZ, H.C.L; Experiência Mística e Filosofia na tradição ocidental. São Paulo, SP: Loyola, 2000.

___________________________________
Por Leonardo Leite – Reaviva Mack – Universidade Presbiteriana Mackenzie

Publicado em Fala! Universidades.

Assista o vídeoNada te perturbe“, breve oração composta por Santa Teresa de Ávila, em forma de canto, publicada em Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima:

Como Rezar o Terço?

como rezar o terço

Para recordar e compartilhar

A oração do Terço (ou Rosário) é uma oração milenar da igreja. Somente um coração puro, humilde e de fé compreende o valor desta oração. Ela é destinada aos que buscam ter um coração puro como de uma criança. Mas como rezar o terço corretamente?

Muitos têm dúvidas sobre algumas orações das orações recitadas no terço ou mesmo não descobriram ainda a riqueza que é esta oração. Por isso, preparamos este artigo explicando de forma bem didática como rezar o terço e o texto das orações.

A partir da cruz, siga as orações na sequência indicada:

  • Inicia-se segurando pela cruz, com a oração do Creio
  • Reza-se um Pai Nosso, seguido de três Ave-Marias (Cada Ave-Maria é precedida de uma oração. Vide orações abaixo)
  • Recita-se: Glória ao Pai, ao Filho…
  • O terço original possui 5 dezenas de Ave-Marias, contidas nos Mistérios Gozosos, Mistérios Dolorosos e Mistérios Gloriosos. A cada dezena contempla-se o mistério, seguido de 1 Pai Nosso e 10 Ave-Marias. São João Paulo II acrescentou os Mistérios Luminosos.
  • Ao final de cada dezena reza-se Glória ao Pai, seguido da jaculatória Oh! meu bom Jesus… (vide orações abaixo)
  • Ao concluir, reza-se o agradecimento.

Orações do Santo Terço

Orações do Santo Terço na sequência da oração.

Oferecimento do Terço

Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção.

Creio em Deus Pai

Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso

Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

  • A primeira Ave-Maria em honra a Deus Pai que nos criou [Ave-Maria…]
  • A segunda Ave Maria a Deus Filho que nos remiu: [Ave-Maria…]
  • A terceira Ave Maria ao Espírito Santo que nos santifica: [Ave-Maria…]
  • Amém.

Glória ao Pai

  • Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.

Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.

Na oração do Rosário contemplam-se todos os mistérios. No caso da oração do Terço, contempla-se um dos mistérios, conforme dias e mistérios a seguir:

Mistérios Gozosos(segunda-feira e sábado)

1- Anunciação do Arcanjo São Gabriel à nossa Senhora.
No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora.

2- A visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.
No segundo mistério contemplemos a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.

3- O nascimento de Jesus em Belém.
No terceiro mistério contemplemos o Nascimento do Menino Jesus em Belém.

4- A apresentação do Menino Jesus no Tempo.
No quarto mistério contemplemos a Apresentação do Menino Jesus no templo e a Purificação de Nossa Senhora.

5- Encontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei.
No quinto mistério contemplemos a Perda e o Encontro do Menino Jesus no templo.

Mistérios Dolorosos(terça-feira e sexta-feira)

1- A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
No primeiro mistério contemplemos a Agonia de Cristo Nosso Senhor, quando suou sangue no Horto.

2- A flagelação de Jesus atado à coluna.
No segundo mistério contemplemos a Flagelação de Jesus Cristo atado à coluna.

3- A coroação de espinhos de Jesus.
No terceiro mistério contemplemos a Coroação de espinho de Nosso Senhor.

4- A subida dolorosa do Calvário.
No quarto mistério contemplemos Jesus Cristo carregando a Cruz para o Calvário.

5- A morte de Jesus.
No quinto mistério contemplemos a Crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mistérios Gloriosos(quarta-feira e domingo)

1- A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
No primeiro mistério contemplemos a Ressurreição de Cristo Nosso Senhor.

2- A ascensão admirável de Jesus Cristo ao céu.
No segundo mistério contemplemos a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu.

3- A vinda do Espírito Santo.
No terceiro mistério contemplemos a Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Maria Santíssima no Cenáculo em Jerusalém.

4- A assunção de Nossa Senhora no Céu.
No quarto mistério contemplemos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

5- A coroação de Nossa Senhora no Céu .
No quinto mistério contemplemos a Coroação de Nossa Senhora no Céu como Rainha de todos os anjos e santos.

Mistérios Luminosos (quinta-feira)

1- Batismo de Jesus no rio Jordão.
No primeiro mistério contemplemos o Batismo de Jesus no rio Jordão.

2- Auto revelação de Jesus nas Bodas de Caná.
No segundo mistério contemplemos a auto revelação de Jesus nas Bodas de Caná.

3- Anúncio do Reino de Deus.
No terceiro mistério contemplemos o Anúncio do Reino de Deus.

4- Transfiguração de Jesus.
No quarto mistério contemplemos a Transfiguração de Jesus.

5- Instituição da Eucaristia.
No quinto mistério contemplemos a Instituição da Eucaristia.

Agradecimento

Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

(via No colo de Maria)

Publicado em Aleteia.

Obs.: Após o Oferecimento do Terço, acrescenta-se as intenções, particulares e gerais, que, a título de exemplo, podem ser as seguintes:

INTENÇÕES DO TERÇO

  1. Em desagravo às ofensas, blasfêmias e indiferenças dirigidas ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria.
  2. Pela união das famílias.
  3. Pelo Papa.
  4. Pela santificação e aumento dos sacerdotes
  5. Pelas vocações.
  6. Pela Igreja.
  7. Pelos jovens.
  8. Pelas Benditas Almas do Purgatório.
  9. Pela cura dos doentes.
  10. Pela conversão dos que não creem.
  11. Pela conversão dos pobres pecadores.
  12. Pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria.
  13. Pela efusão dos dons do Espírito Santo.

Como surgiu a devoção à Nossa Senhora do Rosário

No dia 7 de outubro, celebramos a festa de Nossa Senhora do Rosário, que foi instituída, no ano de 1571, em comemoração à vitória na batalha de Lepanto. Nesse dia, os católicos venceram essa difícil batalha contra os turcos muçulmanos, que ameaçavam invadir a Europa. Posteriormente, a festa foi estendida à Igreja universal, em ação de graças pela vitória nessa batalha.

A origem da devoção a Nossa Senhora do Rosário

Segundo a tradição, no século XIII, São Domingos de Gusmão recebeu a oração do Rosário da própria Virgem Maria, como uma arma para vencer as heresias. Dessa forma, a Virgem do Rosário alcançou a São Domingos a vitória sobre a heresia dos cátaros albigenses e o fez o fundador da grande Ordem dos Dominicanos, também conhecida como Ordem dos Pregadores.

No século XVI, como em outros tempos, a Europa vivia na iminência de uma invasão dos muçulmanos. Em 1453, eles já haviam tomado Constantinopla e ameaçavam tomar também Roma, sede da Igreja Católica. Nesse contexto histórico, o Papa São Pio V, que era da Ordem fundada por Domingos, recebeu de Nossa Senhora a revelação de que os católicos venceriam a batalha contra os muçulmanos por meio da oração do Santo Rosário. Cheio de confiança nessa promessa, o Sumo Pontífice pediu, então, que toda a Igreja Católica, inclusive aqueles que participariam das batalhas, rezassem, com fé e devoção, o Rosário.

Conforme prometeu a Virgem do Rosário, no dia 7 de outubro de 1571, os católicos venceram a memorável batalha naval de Lepanto, no litoral da Grécia, contra os turcos muçulmanos. Em honra desta vitória milagrosa, tendo em vista que os muçulmanos envolvidos na batalha eram muito mais numerosos que os católicos, o Santo Padre instituiu, nessa data, a festa de Nossa Senhora do Rosário.

O pedido de Nossa Senhora do Rosário

[…] É particularmente significativo recordar que Maria Santíssima apareceu aos três Pastorinhos, [em Fátima, Portugal] – Lúcia e os irmãos Francisco e Jacinta, recentemente canonizados – sob o título de Nossa Senhora do Rosário. Por isso, em Portugal, a devoção a essa aparição é conhecida como a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

A Virgem Maria pediu que os Pastorinhos rezassem o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra.

Como em outros tempos, há várias guerras pelo mundo e também a ameaça da deflagração de uma Terceira Guerra Mundial. Além disso, os cristãos, especialmente os católicos, são perseguidos pelo mundo inteiro, senão pela violência e pelas armas, ao menos pelas ideologias modernas, marcadamente anticristãs. Sendo assim, o apelo de Nossa Senhora para que rezemos, com fé e devoção, o Santo Rosário permanece mais do que atual.

A festa de Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário e a salvação dos pecadores
Em Fátima, Nossa Senhora revelou os dois últimos remédios contra os males deste mundo: o Santo Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Essas duas devoções nos ajudarão em nossa renovação espiritual, a nos afastar do espírito do mundo e, em consequência, mudar o nosso modo de ser, de vestir e agir, para não mais ofender Deus. Além disso, essas devoções serão também remédios para os males do mundo, para a conversão e a salvação das almas dos pecadores.

Neste mês de outubro, celebramos, no dia 7, a festa de Nossa Senhora do Rosário. No dia 12, celebramos a solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Padroeira do Brasil. No dia 13, a última das Aparições de Fátima. […] No entanto, a nossa devoção mariana não pode se encerrar no Ano Mariano ou no mês de Rosário.

Somos chamados a permanecer devotos de Nossa Senhora do Rosário e a fazer o propósito de rezar o Terço todos os dias. Aquelas pessoas que já o fazem, podem rezar o Rosário completo, ainda que não seja possível todos os dias.

O caráter missionário do Rosário

Outubro é o mês do Rosário e também o mês das Missões. A princípio, parece que essas são duas realidades não estão relacionadas entre si. No entanto, podemos dizer que a oração do Rosário está intimamente ligada ao chamado missionário da Igreja Católica. Ainda que nem todos os católicos sejam chamados a ser missionários, no sentido estrito da palavra, todos nós podemos e, em certo sentido, devemos rezar pelos missionários. Dessa forma, seremos também missionários, pois colaboraremos com a missão da Igreja Católica de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo a todos os povos (cf. Mc 16, 15).

O Rosário também tem seu caráter missionário quando o rezamos em grupo, nas famílias, nas comunidades, nas escolas e faculdades, no ambiente de trabalho, pois a familiaridade com o mistério de Cristo é facilitada pela oração do Rosário. Ao rezar o Terço, “o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do Seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”. Nesse sentido, o Rosário é uma verdadeira escola de evangelização, onde se realiza a missionariedade da Igreja.

Assim, como outrora, somos chamados a rezar o Santo Rosário, a meditar os mistérios de Jesus Cristo na companhia da Virgem Maria, em comunhão com toda a Igreja Católica, por todos os missionários espalhados pelo mundo inteiro, pela paz no mundo, pelos cristãos perseguidos, pela conversão e salvação dos pecadores.

Que Nossa Senhora nos alcance as graças necessárias para rezar, com muita fé e devoção, o Santo Rosário, e para perseverar nessa devoção mariana e cristológica.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

1. Cf. PADRE LUÍS KONDOR. Memórias da Irmã Lúcia, p. 176.
2. Revelações feitas pela Irmã Lúcia ao Padre Agustin Fuentes, postulador da causa de beatificação de Francisco e Jacinta, em uma conversa realizada em 26 de dezembro de 1957.
3. PAPA SÃO JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 1.
4. Cf. idem, ibidem.

Fonte: Formação Canção Nova .

Publicado em Diocese de Sete Lagoas – Minas Gerais.

A devoção ao Imaculado Coração de Maria

Nossa Senhora mostrou o seu coração rodeado de espinhos, que significam os nossos pecados.

comshalom

No sábado seguinte à sexta feira da festa do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja celebra a festa do Imaculado Coração de Maria. Jesus e Maria nunca se separaram. Disse o Papa João Paulo II que Maria foi a que mais cooperou com a Redenção. Ela gerou o Verbo humanado e aos pés da Cruz o oferecia em sacrifício pela nossa salvação. Os dois corações estão entrelaçados.

Nas aparições de Nossa Senhora, tanto em Fátima como na França a Santa Catarina Labourè, ela mostra seu coração cheio de compaixão pela humanidade. À Irmã Lúcia, em Fátima ela falou, por exemplo da devoção dos Cinco primeiro sábados, no dia 10 de dezembro de 1925:

“Olha,  minha filha,  o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu,  ao menos,  procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no primeiro sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão,  rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar”.

Nossa Senhora mostrou o seu coração rodeado de espinhos, que significam os nossos pecados. Pediu que fizéssemos atos de desagravo para tirá-los, com devoção reparadora dos cinco primeiros sábados. Em recompensa prometeu-nos “todas as graças necessárias para a salvação”.

São cinco os primeiros sábados,  segundo revelou Jesus,  por serem “cinco as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria”.

1 – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;

2 – Contra a sua Virgindade;

3 – Contra a Maternidade Divina recusando ao mesmo tempo recebê-la como Mãe dos homens;

4 – Os que procuram infundir nos corações das crianças a indiferença, o desprezo e até o ódio contra esta Imaculada Mãe;

5 – Os que A ultrajam diretamente nas suas sagradas imagens.

Em 27 de novembro de 1830, na Capela das Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, em Paris, a Santíssima Virgem, se manifestou à humilde noviça Catarina Labouré. A Virgem apareceu sobre um globo, pisando uma serpente e segurando nas mãos um globo menor,  oferecendo-o a Deus, num gesto de súplica. E disse:

“Este globo representa o mundo inteiro… e cada pessoa em particular”.

De repente, o globo desapareceu e suas mãos se estenderam suavemente, derramando sobre o globo brilhantes raios de luz. Formou-se assim um quadro oval, rodeado pelas palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos à Vós”. Virou-se então o quadro, aparecendo no reverso,  um “M” encimado por uma Cruz e, em baixo, os corações de Jesus e de Maria. E a Santíssima Virgem lhe pede: “Faça cunhar uma medalha,  conforme este modelo”. E promete: “as pessoas que a trouxerem, com fé e confiança,  receberão graças especiais.”

E assim foi cunhada, em Paris, esta medalha, que logo se espalhou pelo mundo inteiro, derramando graças tão numerosas e extraordinárias que o povo, espontaneamente,  passou a chamá-la : “A Medalha Milagrosa”.

Por tudo isso, e muito mais, a Igreja celebra a solene Festa do Sagrado Coração de Maria no dia seguinte à Festa do Sagrado Coração de Jesus. São dias de muitas graças e salvação.

[ …]

Fonte: Prof. Felipe Aquino

Publicado em Comunidade Shalom (comshalom.org).

Dores, dificuldades na vida de Fé, tribulações… Por quê?

DAS COISAS MAIS DIFÍCEIS de compreender em nossa jornada de Fé neste mundo, está o fato de termos que lutar constantemente. Lembro-me de ter sido crismado imaginando ingenuamente que, a partir dali, a vida seria fácil… Ledo engano. Somos batizados e frequentamos os Sacramentos, rezamos e tentamos observar os Mandamentos de Deus e os da Igreja. Mas, ainda assim, as tentações permanecem. As dificuldades e obstáculos prosseguem, as provações não cessam. Por vezes, somos confrontados com um aterrador pensamento: ao contrário do que se poderia supor, as dores e dificuldades podem se tornar até mais intensas nas vidas daqueles que são os mais santos. Como não desanimar?


    Realmente, almas se perdem por isso. Esquecemo-nos de que as provações são, no fim, maravilhosas oportunidades para nos aproximarmos de Deus fortalecermos a nossa Fé. Coisa muito comum é que o ser humano, ao viver fases de realizações e alegrias, esqueça-se de Deus e de cuidar da sua alma imortal, distraído com os fugazes prazeres deste mundo, que tão cedo cessarão.

    Quando o Céu nos envia dificuldades, provas e dores, este é um sinal de que somos filhos amados de Deus, que assim nos educa porque nos quer bem. Quando tudo tiver passado, veremos quanto valeu a pena manter a fidelidade, e como a Fé cresceu e se fortaleceu justamente nos momentos mais difíceis da nossa passagem por este mundo. As provações e lutas nos preparam para o combate espiritual, por isso o primeiro Papa nos diz: “Não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse algo de extraordinário. Ao contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo” (1Pd 4,12). E conclui: as dificuldades nos levam ao aperfeiçoamento: “O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1Pd 5,10).

    Fortaleça-nos também o poderoso clamor de Nosso Senhor: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).
________________
* Do segundo Fascículo da Formação Teológica Integral da FLSP

Publicado em O Fiel Católico.

Nossa Senhora do Carmo – Memória – 16 de julho

NOSSA SENHORA DO CARMO.jpg

Aparição de Nossa Senhora do Carmo na Inglaterra -1251.

Onde Aconteceu: Na cidade de Cambridge, Inglaterra.

Quando: Em 16 de Julho de 1251.

A quem: A São Simão Stock.

HISTÓRICO.

 O Monte Carmelo, na Palestina, é o lugar sagrado do Antigo e Novo Testamento. É o Monte em que o Profeta Elias evidencia a existência e a presença do Deus verdadeiro,

Vendo os 450 sacerdotes pagãos do Baal e os 400 profetas dos bosques, fazendo descer do céu o fogo devorador que lhes extinguiu a vida. (III Livro dos Reis, XVIII, 19 seg.).

É ainda o Profeta Elias que implora do Senhor chuva benfazeja, depois de uma seca de três anos e três meses (III Livro dos Reis, XVIII, 45).

É no Monte Carmelo que a tradição colocou a origem da Ordem Carmelitana. Ali viviam eremitas entregues à oração e à penitência.

Os Fatos:

A palavra Carmelo (em hebraico, “carmo” significa vinha; e “elo” significa senhor; portanto, “Vinha do Senhor”): este nome nos leva para esta famosa montanha da Palestina, donde o profeta Elias e o sucessor Elizeu fizeram história com Deus e com Nossa Senhora, que foi pré-figurada por uma nuvenzinha branca que, num período de grande seca, prenunciava a chuva redentora que cairia sobre a terra ressequida (cf I Rs 18,20-45).

Por uma intuição sobrenatural, soube que essa simples nuvem, com forma de uma pegada humana, simbolizava aquela mulher bendita, predita depois pelo Profeta Isaías (“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho”), que seria a Mãe do Redentor. Do seu seio virginal sairia Aquele que, lavando com seu sangue a terra ressequida pelo pecado, abriria aos homens a vida da graça.

Estes profetas foram “participantes” da obra Carmelita, que só vingou devido à intervenção de Maria, pois a parte dos monges do Carmelo que sobreviveram (século XII) da perseguição dos muçulmanos; fugiram para a Europa e radicaram-se em vários países entre eles a Inglaterra. Dos seguidores de Elias e seus continuadores, de acordo com a tradição, nasceu a Ordem do Carmo, da qual Maria Santíssima é a Mãe e esplendor, segundo as palavras também de Isaías “A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron” (Is 35, 2).

 São Luis IX, rei da França, sobe ao Monte Carmelo. Encontra-se com aqueles eremitas e fica encantado, quando lhe contam que sua origem remonta ao Profeta Elias, levando uma vida austera de oração e penitência, cultivando ardente devoção à Nossa Senhora. Trinta anos, antes de São Luis IX subir ao Monte Carmelo, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra alguns monges.

O Santo São Simão Stock

Na Inglaterra, vivia um homem penitente, como o Profeta Elias, austero como João Batista. Chamava-se Simeão. Mas, diante de sua vida solitária na convexidade de uma árvore no seio da floresta, deram-lhe o apelido de Stock.

O Santo São Simão Stock.jpg

Simão nasceu no ano de 1165 no castelo de Harford, no condado de Kent, Inglaterra, em atenção às preces de seus piedosos pais, que uniam a mais alta nobreza à virtude. Alguns escritores julgam mesmo que tinham parentesco com a família real.

Sua mãe consagrou-o à Santíssima Virgem desde antes de nascer. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção para o filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Virgem, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Bela atitude de uma senhora altamente nobre!

O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério. Esse verdadeiro pequeno gênio, aos sete anos de idade iniciou o estudo das Belas Artes no Colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Foi também nessa época admitido à Mesa Eucarística, e consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.

Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno aos 12 anos, encontrando refúgio numa floresta onde viveu inteiramente isolado durante 20 anos, em oração e penitência.

Nossa Senhora revelou-lhe então seu desejo de que ele se juntasse a certos monges que viriam do Monte Carmelo, na Palestina, à Inglaterra, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Simão saiu de sua solidão e, obedecendo também a uma ordem do Céu, estudou teologia, recebendo as sagradas ordens. Dedicou-se à pregação, até que finalmente chegaram dois frades carmelitas no ano de 1213. Ele pôde então receber o hábito da Ordem, em Aylesford.

Em 1215, tendo chegado aos ouvidos de São Brocardo, Geral latino do Carmo, a fama das virtudes de Simão, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem; em 1226, nomeou-o Vigário-Geral de todas as províncias européias.

São Simão teve que enfrentar uma verdadeira tormenta contra os carmelitas na Europa, suscitada pelo demônio através de homens ditos zelosos pelas leis da Igreja, os quais queriam a todo custo suprimir a Ordem sob vários pretextos. Mas o Sumo Pontífice, mediante uma bula, declarou legítima e conforme aos decretos de Latrão a existência legal da Ordem dos Carmelitas, e a autorizou a continuar suas fundações na Europa.

São Simão participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Em um novo Capítulo, em 1245, foi eleito 6° Prior-Geral dos Carmelitas.

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A Aparição da Mãe de Deus a São Simão Stock.

Após a algum tempo de calmaria, as perseguições reiniciaram com mais intensidade.

Na falta de auxílio humano, São Simão recorria à Virgem Santíssima com toda a tristeza de seu coração, pedindo-Lhe que fosse solícita à sua Ordem, tão provada, e que desse um sinal de sua aliança com ela.

Na manhã do dia 16 de julho de 1251suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta:

“Flor do Carmelo, Vinha florífera, Esplendor do céu, Virgem fecunda, singular. Ó Mãe benigna, sem conhecer varão, aos Carmelitas dá privilégio, Estrela do Mar!”.

Terminada esta prece, levanta os olhos marejados de lágrimas, vê a cela encher-se, subitamente, de luz. Rodeada de anjos, em grande cortejo, apareceu-lhe a Virgem Santíssima, revestida de esplendor, trazendo nas mãos o Escapulário dizendo a São Simão Stock, com inexprimível ternura maternal:

“‘Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’’.

Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.

São Simão Stock atingiu extrema idade e altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das línguas; foi chamado a pátria celeste por Deus em 16 de maio de 1265.

Nossa Senhora voltou ao céu e o Escapulário permaneceu como sinal de Maria. Na última aparição de Lourdes e de Fátima, Nossa Senhora traz o Escapulário.

São passados mais de 750 anos, desde o dia 16 de julho de 1251. Todos os que trouxeram o Escapulário, com verdadeira piedade, com sincero desejo de perfeição cristã, com sinais de conversão, sempre foram protegidos na alma e no corpo contra tantos perigos que ameaçam a vida espiritual e corporal. É só ler os anais carmelitanos para provar a proteção e a assistência de Maria Santíssima.

O Escapulário é a devoção de papas e reis, de pobres e plebeus, de homens cultos e analfabetos. É a devoção de todos. Foi a devoção de São Luis IX, de Luis XIII, Luis XIV da França, Carlos VII, Filipe I e Filipe III da Espanha, Leopoldo I da Alemanha, Dom João I, de Portugal.

E a devoção dos Papas: Bento XV o pontífice da paz, chamou o Escapulário a “arma dos cristãos” e aconselhava aos seminaristas que o usassem. Pio IX gravou em seu cálice a seguinte inscrição: “Pio IX, confrade Carmelita”. Leão XVIII, pouco antes de morrer, disse aos que o cercavam: “Façamos agora a Novena da Virgem do Carmo e depois morreremos”.

Pio XI escrevia, em 1262, ao Geral dos Carmelitas: “Aprendi a conhecer e a amar a Virgem do Carmo nos braços de minha mãe, nos primeiros dias de minha infância”.

Pio XII afirmava: “É certamente o Sagrado Escapulário do Carmo, como veste Mariana, sinal e garantia da proteção e salvação ao Escapulário com que estavam revestidos. Quantos nos perigos do corpo e da alma sentiram a proteção Materna de Maria”.

Pio XII ainda chegou a escrever: “Devemos colocar em primeiro lugar a devoção do escapulário de Nossa Senhora do Carmo – e ainda – escapulário não é ‘carta-branca’ para pecar; é uma ‘lembrança’ para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte”.

O Papa João XXIII assim se pronunciou: “Por meio do Escapulário do Carmo, pertenço à família Carmelitana e aprecio muito esta graça com a certeza de uma especialíssima proteção de Maria. A devoção a Nossa Senhora do Carmo torna-se uma necessidade e direi mais uma violência dulcíssima para os que trazem o Escapulário do Carmo” Paulo VI afirmava que entre os exercícios de piedade devem ser recordados o Rosário de Maria e o Escapulário do Carmo.

O Papa João Paulo II era devotíssimo de Nossa Senhora e coloca a recitação do Rosário entre suas orações prediletas. Ele quis ser Carmelita. Defendeu sua tese sobre São João da Cruz, o grande Carmelita renovador da Ordem.

John Mathias Haffert, autor do livro “Maria na sua Promessa do Escapulário”, entrevistou a Irmã Carmelita Lúcia, a vidente de Fátima ainda viva e perguntou, por que na última aparição Nossa Senhora segurava o escapulário na mão?

Irmã Lúcia respondeu simplesmente: “É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário”.

As promessas específicas de Nossa Senhora do Carmo.

Primeira: Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno.

Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará. A morte em pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa. A promessa de Maria traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras:

“Quem morrer revestido do Escapulário, não morrerá em pecado mortal”.

Para tornar isto claro, a Igreja insere, muitas vezes, a palavra “piamente” na promessa: “aquele que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno”.

Segunda: Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.

Embora às vezes se interprete este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório no primeiro sábado após sua morte, “tudo que a Igreja, tem para explicar estas palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado”. De qualquer modo, se formos fiéis em observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar as suas, como nos mostra o seguinte exemplo:

Em umas missões, tocado pela graça divina, certo jovem deixou a má vida e recebeu o Escapulário. Tempos depois recaiu nos costumes desregrados, e de mau tornou-se pior. Mas, apesar disso, conservou o santo Escapulário.

A Virgem Santíssima do Carmo, sempre Mãe, atingiu-o com grave enfermidade. Acometido pela doença, o jovem viu-se em sonhos diante do justíssimo tribunal de Deus, que devido às suas atitudes ruins e vida má, o condenou à eterna condenação.

Em vão o infeliz alegou ao Supremo Juiz que portava o Escapulário de sua Mãe Santíssima.

— E onde estão os costumes que correspondem a esse Escapulário? Perguntou-lhe.

Sem saber o que responder, o infeliz olhou então para a Virgem Santíssima.

— Eu não posso desfazer o que Meu Filho já fez. Respondeu-lhe Ela.

— Mas, Senhora! exclamou o jovem, Serei outro.

— Tu me prometes?

— Sim.

— Pois então vive.

Nesse mesmo instante o doente despertou, apavorado com o que viu e ouviu durante o sonho, fez votos de levar adiante mais seriamente o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Logo, sarou e entrou para a Ordem dos Premonstratenses. Depois de vida edificante, Deus chamou sua alma à pátria celeste. Assim narram às crônicas dessa Ordem.

A Aparição de Fátima e o Escapulário.

Após a última aparição de Nossa Senhora de Fátima na Cova da Iria, surgiram aos olhos dos três videntes varias cenas.

Na primeira, ao lado de São José e tendo o Menino Jesus ao colo, Ela apareceu como Nossa Senhora do Rosário. Em seguida, junto a Nosso Senhor acabrunhado de dores a caminho do Calvário, surgiu como Nossa Senhora das Dores. Finalmente, gloriosa, coroada como Rainha do Céu e da Terra, a Santíssima Virgem apareceu como Nossa Senhora do Carmo, tendo o Escapulário à mão.

Por que Nossa Senhora apareceu com o Escapulário nesta última visão a 13 de Outubro em Fátima? Perguntaram a Lúcia em 1950.

Lúcia respondeu: É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário respondeu ela.

“E é por este motivo que o Rosário e o Escapulário, são dois sacramentais marianos mais privilegiados, universais, mais antigos e valiosos, adquirem hoje uma importância maior do que em nenhuma época passada da História”

Numa bula de 11 de fevereiro de 1.950, o Papa Pio XII convidava a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos”; entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam.

Oração.

Flos Carmeli
Vitis Florigera
Splendor coeli
Virgo puerpera
Singularis y singular
Mater mitis
Sed viri nescia
Carmelitis
Sto. Propitia
Stella maris

Flor do Carmelo
vinha florífera
esplendor do Céu
Virgem fecunda,
e singular Ó mãe terna!
intacta de homem
aos carmelitas
proteja teu nome

(dá privilégios)
Estrela do mar.

Sobre o Escapulário.

O que significa.

O escapulário do Carmo é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração à Santíssima Virgem Maria pela inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de sua proteção maternal.

O distintivo externo desta inscrição ou consagração é o pequeno escapulário marrom.

O escapulário do Carmo é um sacramental, quer dizer, segundo o Concílio Vaticano II, “um sinal sagrado segundo o modelo dos sacramentos, por meio do qual se significam efeitos, principalmente espirituais, obtidos pela intercessão da Igreja”. (S.C.60).

Quem veste o escapulário deve procurar ter sempre presente a Santíssima Virgem e tratar de copiar suas virtudes, sua vida e atuar como Ela, Maria, atuou, segundo suas palavras:  Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra.

O escapulário do Carmo é um MEMORIAL de todas as virtudes de Maria.

O Papa Pio XII, disse em 11.2.1950.

Reconheçam neste memorial da Virgem um espelho de humildade e castidade.

Vejam, na forma simples de sua feitura, um compêndio de modéstia e candor. Vejam, principalmente, nesta peça que vestem dia e noite, significada, com simbolismo eloqüente, a oração com a qual o auxílio divino.

Reconheçam, por fim, nela sua consagração ao  Sacratíssimo Coração da Virgem Imaculada,  recentemente recomendada”.

Cada escapulário tem seus privilégios ou graças particulares, mas todos podem ser substituído pela medalha-escapulário (cfr. Decreto de 16-XII-1910). Seria falta de fé na autoridade suprema do Vigário de Cristo que confere a esta medalha o privilégio, crer que vales menos, para ganhar as promessas, levar a medalha que os pedaços de pano (ainda que em determinados casos, por outras razões externas de maior visibilidade, etc, pode ser preferível o escapulário de pano).

A medalha-escapulário deve ter de um lado a imagem de Jesus com o Coração, e do outro uma imagem da Virgem sob qualquer invocação. Do mesmo modo que os escapulários, devem ser abençoadas por um sacerdote.

Valor da promessa do Escapulário

É doutrina católica, repetida pelo Concílio Vaticano II: “O conjunto dos fiéis, porque tem a unção do Espírito Santo (cfr. 1 Jo. 2, 20-27) não pode errar quando acredita, e esta peculiar propriedade sua é manifestada pelo sentido sobrenatural de fé de todo o povo quando, desde os Bispos até os fiéis, presta seu consentimento universal no que se refere à fé e os costumes. Com este sentido de fé… e sob a guia do sagrado Magistério… adere-se infalivelmente a ela, com certeiro juízo a penetra mais profundamente e a aplica mais plenamente à vida” (L.G. 12).

Esta precisa e esplêndida formulação conciliar não pode ser mais explícita. E é que a mesma prerrogativa de infalibilidade concedida por Jesus a seu Vigário mediante a assistência do Espírito Santo, tem precisamente como finalidade que o conjunto do Povo de Deus, sua Igreja e Corpo místico, não se equivoque, por exemplo, com uma devoção aceita por todos.

Livre do Purgatório no primeiro sábado após a morte. (O Privilégio sabatino.)

O Escapulário do Carmo além da promessa de salvação para quem morrer com ele, leva também consigo o chamado privilégio sabatino.

Segundo a tradição, à morte de Clemente V (1314), no conclave que durou dois anos e três meses, a Santíssima Virgem apareceu ao Cardeal  Jaime Duesa, muito devoto a ela, e anunciou-lhe que seria Papa com o nome de João XXII, e acrescentou: “Quero que anuncie aos Carmelitas e a seus Confrades: os que usarem o Escapulário, guardarem a castidade conforme seu estado, e rezarem o ofício divino, – ou os que não saibam ler se abstenham de comer carnes nas quartas-feiras e sábados -, se forem ao purgatório Eu farei que o quanto antes, especialmente no sábado seguinte à sua morte tenham suas almas levadas para o céu”.

Pio XII em sua citada Carta Magna do Escapulário do Carmo de 1950, ensina: “à verdade, não deixará a piedosíssima Mãe que seus filhos que expiam suas culpas no purgatório, não consigam o quanto antes a vida eterna por sua intervenção diante de Deus, em conformidade com o privilégio sabatino”.

O privilégio sabatino consiste em que a Santíssima Virgem tirará do purgatório o quanto antes, especialmente no sábado depois de sua morte, a quem tenha morrido com o Escapulário e durante sua vida tenha guardado castidade segundo seu estado e rezado todos os dias o ofício (que pode ser substituído pela Liturgia das Horas ou pela abstinência de carne nas quartas-feiras e sábados, ou um sacerdote com faculdade para isso, o pode comutar por outra obra piedosa, v.gr. a oração diária do Terço). Se uma pessoa peca contra a castidade ou deixa um dia de fazer a obra prescrita, poderá recuperar o privilégio ao confessar-se e cumprir a penitência (de maneira semelhantes a como se recuperam os méritos perdidos pelo pecado mortal,  o que parece quase excessiva generosidade de Deus, mas é doutrina católica).

A certeza deste privilégio mais que histórica, como dizíamos do Escapulário, está fundada na potestade da Igreja que assim o põe e recomenda. Seria temerário e ofensivo para a  Igreja, cuja Cabeça é Cristo e sua alma vivificante o Espírito Santo, crer que comete um erro secular e universal em algo que pertence à doutrina e vida cristã.

“Eu, sua Mãe de Graça, descerei no sábado depois de sua morte e a quantos  encontrarei no Purgatório os libertarei e os levarei ao monte santo de vida eterna”.

A Proteção maternal

Em seu profundo simbolismo mariano, pelos grandes privilégios e pelo grande amor e privilegiada assistência, manifestada através dos séculos a Santíssima Virgem do Carmo a quem vestem devotamente seu escapulário, é o que tão prodigiosamente estendeu-se a todas as pares esta devoção de vestir o escapulário.

 Por seu rico simbolismo: ser filho de Maria, ver nele todas as virtudes de Maria, ser símbolo de nossa consagração filial à Mãe Amável. Por Morrer na graça de Deus, que o vista piedosamente.

Porque sairá do Purgatório o quanto antes quem morrer devotamente com ele.

Por chegar sua proteção a todos os momentos da vida, da morte e mais além”. Na vida protejo; na morte ajudo, depois da morte salvo, com suas credenciais.

Pelos inúmeros prodígios que tem realizado.

Pelas relações com suas aparições mais recentes em Lourdes e Fátima.

Pelas muitas indulgências que desfrutam os que vestem este escapulário.

As Indulgências

Estas são as indulgências plenárias e parciais para os que vestirem o escapulário.

A). Indulgências plenárias.

1. O dia que se impõe o escapulário e o que é inscrito na terceira Ordem ou Confraria.

2. Nestas festas:


a) Virgem do Carmo (16 de Julho ou quando se celebre);
b) São Simão Stock (16 de maio);
c) Santo Elias Profeta (20 de Julho);
d) Santa Teresa de Jesus (15 de Outubro),
e) Santa Teresa do Menino Jesus (1 de outubro);
f) São João da Cruz (14 de Dezembro);
g) Todos os Santos Carmelitas (14 de Novembro).

B). Indulgências Plenária no dia do Carmo. O dia do Carmo, 16 de Julho, ou na data em que exatamente se celebre, tem concebida uma indulgência plenária.

C). Indulgência parcial. ganha-se a indulgência parcial por usar piedosamente o santo escapulário. Pode-se ganhar não só por beijá-lo, mas também por qualquer outro ato de efeito e devoção.  E  não só ao escapulário, mas também à medalha-escapulário.

Recomendação Pontifícia.

Desde o século XVI, que é quando se estende por toda a cristandade o uso do escapulário do Carmo, quase todos os Papas o vestiram a propagaram.

O Papa João Paulo II, que é terciário carmelita, recordou em diversas ocasiões que veste com devoção, desde criança, o escapulário do Carmo.

A Igreja, como reconhecimento e estímulo  das  mais importantes verdades e práticas cristãs, institui as festas litúrgicas (missa e ofício próprio, etc.).

Esse é o valor que tem a festa da Virgem do Carmo, em 16 de julho, estendida por Benedito XIII a toda a Igreja universal. Além disso, a Virgem do Carmo é venerada como Padroeira dos pescadores, marinheiros e toda a gente do mar, também a república do Chile sob sua invocação de Nossa Senhora do Carmo de Maipú.

Bênção e imposição.

A Sagrada Penitenciária Apostólica de quem depende esta legislação disse que se recomenda o uso tradicional do escapulário enquanto a tamanho, matéria, cor, etc., que podem ser usados também outros.

Qualquer sacerdote pode abençoar e impor o escapulário do Carmo aos fiéis em geral.

Para ficar inscrito na confraria organizada pela Terceira Ordem do Carmo, este sacerdote deve estar facultado pelo superior Geral dos Carmelitas. Os simples fiéis não podem abençoá-los nem impor.

Esta é a fórmula para abençoá-lo e impor o Escapulário:

V: Mostrai-nos Senhor, tua misericórdia –
R: E dá-nos tua salvação.
V: Escuta, Senhor, minha oração.
R: E chegue a ti meu clamor.
V: O Senhor esteja convosco.
R: Ele está no meio de nós.

OREMOS.

Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, abençoa com tua desta a este hábito que, por teu amor e o de tua Mãe a Virgem Maria do Monte Carmelo, irá levar com devoção teu servo (ou serva), a fim de que pela intercessão de tua própria Mãe e defendido(a) do espírito maligno, persevere em tua graça até a morte: Que vives e reinas pelos séculos dos séculos.

R: Assim seja.

A continuação asperge-se o escapulário com água benta e depois o impõe na pessoa ou pessoas (a cada um separadamente) Dizendo a cada uma.

Receba este hábito bendito, suplicando à Santíssima Virgem que, por seus méritos, o leves sem mancha,  defenda contra todas as adversidades e te conduza à vida  eterna.

R: Que assim seja.

E acrescenta: 

Eu, usando da potestade que me foi concedida, te recebo à participação de todos os bens espirituais que, pela misericórdia de Jesus Cristo, praticam os religiosos Carmelitas. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

R: Que assim seja

Que te abençoe o Criador do céu e da terra, o Deus todo-poderoso, que dignou-se incorporá-lo à Confraria da Santíssima Virgem do monte Carmelo, a quem imploramos que na hora de sua morte abata a cabeça da serpente infernal e finalmente, consigas as palmas e a coroa da herança sempiterna. Por Jesus Cristo nosso Senhor.

R: Que assim seja.

E asperge-se o novo confrade com água benta.

Quando são mais de uma pessoa a receber o santo escapulário, se diz no plural. Não deixe de exortar-lhes a que vistam dignamente o escapulário, tratando de imitar as virtudes de Maria.

Em caso de necessidade, basta para abençoar o escapulário o sinal da cruz do sacerdote e as palavras.

“Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém”.

Tipos de escapulários

1. Escapulário café (Carmelita)

A Virgem Maria, aparece a São Simão Stock, no convento da cidade de Cambridge (Inglaterra) em 16 de julho de 1251.

São Simão, já cansado por sua avançada idade, e debilitado pela penitência, pedia a Deus pelas angústias e tribulações que sua ordem padecia constantemente. Suplicava à Virgem, que o socorresse com uma Graça especial. Ela, diante do chamado suplicante desse seu  filho apareceu rodeada de anjos, com o Escapulário nas mãos. Disse-lhe:

 ” Recebe, meu filho, amadíssimo, esta prenda de meu  amor para convosco, este será um privilégio, para ti e para todos quantos o usem ; Quem morrer com ele, não irá ao fogo do inferno”.

Na volta da espada há uma inscrição em latim que diz: ZELO ZELATUS SUM PRO DOMINO DEO EXERCITUUM, me abraço, me consumo de zelo pelo Senhor Deus dos Exércitos.

2. Escapulário verde.

Quando na família há algum familiar ou amigo que se encontra longe da fé queremos fazer algo a respeito, Maria Mãe Santíssima nos deu uma forma de convertê-los quando Ela apareceu à Irmã Justina Bisqueyburu em 1840, levando “a vestidura da conversão – O escapulário verde.” Ela disse:

” Esta insígnia santa de meu imaculado Coração há de ser uma grande meio para a conversão das almas…”

Por um período de mais de seis anosA Virgem  apareceu à Irmã Justina e respondeu  muitas perguntas com relação ao escapulário e a seu uso.

A Virgem Maria disse que o Escapulário Verde não necessita de nenhuma bênção especial, e não necessita de qualquer inscrição como o Escapulário Café. Pode ser abençoado por qualquer sacerdote. Se a pessoa que nós queremos que se beneficie deste escapulário não convém em levá-lo consigo, este pode ser colocado em qualquer lugar de seu quarto.

Todos os dias deve dizer a seguinte oração:

“Imaculado coração de Maria, rogai por nós agora e na hora de nossa morte, Amém. “

Se a pessoa por quem se tem intenção no escapulário não vai dizer a oração, então aquele que o presenteia deve rezar no seu lugar, todos os dias.

A Virgem Maria disse:

“As maiores graças são obtidas pelo uso do escapulário, mas estas graças vêm em proporção direta com o grau de confiança que o usuário tenha em mim”.

Santa Brígida tinha tal confiança na Virgem Maria.

Por isto a Virgem lhe revelou:

“Não há pecador no mundo, que embora se encontre em inimizade com Deus, não possa voltar a Deus e recuperar sua Graças se ele ou ela vem a mim pedir assistência.”

[…]

Consagração à Santíssima Virgem do Carmo.

O devoto da Virgem do Carmo procurará a cada dia, quando melhor conseguir, fazer esta consagração a sua Mãe:

“Ó, Maria, Rainha e Mãe do Carmelo! Venho hoje me consagrar a Ti, pois toda minha vida é como um pequeno tributo por tantas graças e benefícios como recebi de Deus através de tuas mãos.

E porque Tu olhas com olhos de particular benevolência aos que vestem teu escapulário,  rogo-te que sustentes com tua fortaleza minha fragilidade, ilumines com tua sabedoria as trevas de minha parte e aumente em minha fé, a esperança e a caridade, para que cada dia possa prestar-lhe o tributo de minha humilde homenagem.

Que o santo escapulário atraia sobre mim teus olhares misericordiosos, seja para mim prenda de tua particular proteção em lutas de cada dia e constantemente me lembre o dever de pensar em Ti e revestir-me de tuas virtudes.

De hoje em diante me esforçarei por viver em suave união com teu espírito, oferecer tudo a Jesus por tua intercessão e converter minha vida em imagem de tua humildade, caridade, paciência, mansidão e espírito de oração.

Ó Mãe amabilíssima! Sustenta-me com teu amor indefectível, a fim de que a mim, pecador indigno e com os santos do Carmelo no reino de teu Filho”.

Amém.

Publicado em A obra do Divino Espírito Santo.

Paciência no Sofrimento segundo Santa Teresinha do Menino Jesus

Lendo o livro “Retiro de Santa Teresinha do Menino Jesus” do Pe Liagre, me deparei com o capítulo da “Paciência no sofrimento“. Duas disposições são básicas em Santa Teresinha: sua humildade e confiança. Humildade de se reconhecer imperfeita, falha, necessitada de Deus. Confiante no Amor e misericórdia de Deus perante um ser humano tão falho.

Mas é a paciência do dia a dia que aperfeiçoam de maneira prática sua humildade e confiança. Explico-me:

Nos perguntamos todos os dias porque sofremos. Porque aconteceu algo tão ruim (do meu ponto de vista) se eu rezo tanto, se busco a vontade de Deus, se sou uma pessoa boa, etc….  Porém não se pode fugir do sofrimento, pois ele é o meio que Deus escolheu no mundo, de maneira providencial, de gerar santidade em nossa miséria humana.

O sofrimento é consequência do pecado, no entanto, é ferramenta para nos aproximarmos mais do Amor de Deus. E a paciência no sofrimento tem uma importância chave; ela, como dizia Santa Teresinha, é o amor em ação! Da maneira mais simples e autêntica.

A fé no amor de Deus

Aprofundemo-nos no que diz Santa Teresinha:

– Primeiramente, sua fé no Amor de Deus era certo! Não duvidava que era uma filha amada por Deus! Tão vivo era esse sentimento dentro dela, que todo e qualquer acontecimento em sua vida era visto com uma expressão de amor de Deus para com ela, por mais duro e difícil que o acontecimento fosse. Então, se Deus permite que tal sofrimento passe por sua vida, e Deus é sempre amor, consequentemente o sofrimento é uma mensagem de amor de Deus.

Se questiona ela: “Como, Deus que nos ama pode ser feliz quando sofremos?” E ela mesmo responde. “Não, jamais nosso sofrimento O torna feliz, mas este sofrimento nos é necessário. Então Ele o permite como que virando o rosto.”.  Que linda frase de uma filha que se enxerga amada pelo pai! Paciência no sofrimento! Quantas vezes você, já depois de adulto, refletiu das vezes que seu pai ou mãe foi mais duro ou severo com você quando criança, apesar disso doeu mais neles no que em você. Como se seus pais te corrigissem mas olhassem para o lado para não ver a dor. Pois nossos pais muitas vezes, como Deus, nos deixam passar pelo sofrimento não pelo sofrimento em si, mas em vista em outra coisa…. Nossa felicidade.

Aqui vemos o primeiro aspecto da paciência, o amor filial.

– Entendendo pois, o sofrimento como mensagem de Deus, e sabendo que, Santa Teresinha tinha em seu coração um desejo enorme de agradar em tudo a Deus, o segundo aspecto dessa paciência está na submissão.

Santa Teresinha passou por diversos sofrimentos, como todos nós, provações interiores, tentações, irritações com nossas misérias e defeitos, doenças, entretanto ela remediava isso com paciência.  “Como sou feliz, dizia Teresinha, por me ver imperfeita e de ter tanta necessidade da misericórdia do Senhor!”.

Pacientemente tinha fé no amor de Deus, para suportar tudo, sendo submissa a Sua vontade.

E por fim, o último aspecto da paciência, a Alegria.

Você lendo este texto, já deve imaginar: “Ela deve ter sofrido tudo sentindo uma alegria perfeita.”  Ou “Ela não se entristecia diante dos sofrimentos que lhe apareciam, era corajosa sempre!”  Grande engano. Vejamos o que ela diz:

“Soframos, se for preciso, sem coragem. Jesus sofreu com tristeza. Sem tristeza, acaso a alma sofreria? E nós quereríamos sofrer generosa e corajosamente… Que ilusão!”

Santa Teresinha vem nos mostrar uma maneira nova de viver a Alegria no sofrimento, dessa vez sem coragem, com tristeza, francamente.

Isso retira de nossa cabeça todo conceito de sofrermos sem ficarmos tristes. Como quando falece alguém em nossa família e temos que ser fortes, não ficarmos tristes pois creio em Deus. Que uma vez que buscamos Deus, nossos sofrimentos serão saborosos e os responderemos com coragem e bravura. Paciência no sofrimento!

Teresinha nos ensina que a tristeza é essencial, que provar a amargura é necessário, que sentir-se sem coragem é preciso, mas acima de tudo sentir isso e aceitar tudo isso é ser paciente. Paciente com o seu tempo, porém lutando para ultrapassar tudo que nos é amargo e triste e repousar na vontade de Deus. Ser alegre, não por sentir alegria, mas por saber que em tudo isso existe a vontade de Deus em nos fazer felizes.

Dizia ela: “Se desejais sentir alegria, atrativo pelo sofrimento, é vossa satisfação que procurais, pois quando se ama uma coisa a pena desaparece… Só encontro uma alegria, a de sofrer por Jesus, e esta alegria não sentida está acima de toda alegria”

Que busquemos viver a paciência em nossos sofrimentos, vendo tudo como efeitos do Amor de Deus por nós.  Exercitando a paciência de sermos amados como filhos, de estarmos submissos a vontade de Deus e sermos alegres, não como um sentimento, mas como uma decisão de confiar no Deus que é AMOR. E assim, o nosso sorriso refletirá facilmente no nosso exterior, uma alegria vivida em nossa alma.

Rodrigo Santana
Consagrado da Comunidade Pantokrator

Publicado em Comunidade Católica Pantokrator.