“O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.” – Santa Teresinha do Menino Jesus – Frei Patrício Sciadini (OCD)

Santa Teresinha de Lisieux

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Fonte: Frades Carmelitas Descalços (Ordem dos Carmelitas Descalços-OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Nasceu em 1873, em Alençon, França. Entrou adolescente para o Mosteiro das Carmelitas de Lisieux, com apenas 15 anos, onde se distinguiu particularmente pela humildade, simplicidade evangélica e confiança em Deus e, estas virtudes ensinou-as às noviças, com seu exemplo e palavras. Morreu no dia 30 de setembro de 1897, oferecendo sua vida pela salvação das almas, a santificação dos sacerdotes e a expansão da Igreja. Foi beatificada pelo Papa Pio XI, em 29 de abril de 1923, que fez dela a “estrela de seu pontificado”. Canonizada por Pio XI, em 17 de maio de 1925. E pelo mesmo Papa proclamada Padroeira das Missões em 14 de dezembro de 1927. O Papa João Paulo II proclamou-a Doutora da Igreja no dia 19 de outubro de 1997. Santa Teresinha, aparentemente pequena aos olhos das criaturas, mas que trazia em si uma alma de gigante. Podemos defini-la como a “Pequena Gigante”.

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana.

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Fonte: Paróquia Santa Teresinha – Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD)

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Desde o início, para não confundi-la com Teresa de Ávila, fundadora do Carmelo Descalço, acostumou-se a chamar a carmelita francesa, nascida em Alençon, França, em 1783, pelo nome de Santa Teresinha do Menino Jesus. Esta menina, que, desde pequena, sentiu-se fortemente atraída por Jesus Cristo e pelo Carmelo, “quis porque quis” ser carmelita aos quinze anos. Conseguiu entrar no Carmelo de Lisieux, onde, no silêncio, na oração, na austeridade de vida, chegou a ser santa.

A palavra que mais usa em seus escritos e que manifesta uma qualidade muito importante para todas as situações da vida é “QUERO”. Sua vontade educada na escola do Carmelo sabe ser firme nos propósitos assumidos. Já antes de entrar para a vida carmelitana, ela afirma que quer “ser santa e uma grande santa”. Conseguiu. É, sem dúvida, uma das santas mais conhecidas e famosas de toda a Igreja. Exerce sobre teólogos, bispos, papas e pessoas simples uma influência toda especial. Há em Teresinha um carisma singular: o da simpatia. Não é possível ler seus escritos sem sentir uma grande comoção interior por sua delicadeza, por sua linguagem terna e perfumada como as flores simples do campo que são cuidadas por Deus.

“Observai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Mas eu vos digo que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como um deles”(Mt 6, 28s).

Teresinha do Menino Jesus, por trás de sua simplicidade, esconde um caráter firme e decidido. No claustro do Carmelo vai encontrando o sentido escondido de sua vocação, do seu ser Igreja, do porquê da oração e da vida. É no silêncio que ela se faz palavra para o mundo, e é depois de sua morte que, como “missionária”, percorrerá todos os lugares do mundo, ensinando a amar a Cristo e educando-nos para um novo estilo de anunciar o evangelho: “a oração e o sacrifício”. Ousada em suas intuições, ela procura um caminho de santidade que todas as pessoas possam trilhar sem necessidade de penitências que são possíveis para poucas. É o caminho do “abandono e da confiança”, e, para que isto seja compreensível, em sua criatividade escolhe o símbolo do “elevador”, que, sem esforço, leva até os andares mais altos. Os braços de Jesus, sublime elevador, nos levam até o coração de Deus.

A espiritualidade da carmelita de Lisieux não está encerrada numa obra teológica orgânica; ela se encontra na narrativa de sua vida espiritual, com que ela sabe entrar em nosso coração. Não se trata de uma cronologia da vida, mas de momentos importantes do encontro com Deus, que vão acontecendo e que, mais tarde, ela sabe reler como mimos de Deus e, por isso, poderá cantar as misericórdias do Senhor.

Teresinha do Menino Jesus é o divisor entre uma espiritualidade “punitiva”, de um Deus que deve ser aplacado através de sacrifícios e de vítimas para que não envie sofrimentos e dores sobre a terra, e nosso Bom Deus, ávido por nossa salvação. Aquela primeira imagem de Deus não condiz com sua confiança e sua experiência do pai humano que teve. Ela será assim capaz de descobrir que Deus necessita, sim, de vítimas, não para ser aplacado mas para satisfazer sua sede de misericórdia e de amor. O amor será o grande tema norteador da espiritualidade da carmelita descalça de Lisieux.

A História de uma Alma, autêntico best seller traduzido em 120 línguas, faz inveja a qualquer escritor. Quantas pessoas encontram nos escritos da pequena Teresa força para continuar o caminho. Em sua doutrina bebem os santos e os pecadores em cuja mesa ela gosta de se sentar. Os ateus buscam em seu livro consolo para suas noites escuras, nas quais não enxergam nada de Deus, embora sejam contemplados pelo mesmo Deus.

Além desta obra-prima da literatura espiritual, considerada uma das “sete maravilhas” da espiritualidade, Teresinha nos oferece poesias, cartas, peças teatrais, de onde transborda seu amor a Deus e ao próximo. Necessitamos hoje, mais do que nunca, nos colocar na escola dos santos simples que sabem falar ao coração mais do que à inteligência entupida de idéias e de auto-suficiência.

A Igreja, considerando sua importância na teologia e na espiritualidade, não encontrou dificuldades em proclamá-la “Doutora da Igreja” e doutora da ciência mais difícil, “Doutora da ciência do amor”, aquela ciência que não se aprende nos livros mas no discipulado de Jesus. Teresinha morre aos 24 anos, aos 30 de setembro de 1897, dizendo: “- Meu Deus, eu vos amo!” Foi proclamada Padroeira das missões pelo Papa Pio XI, que a chamava de estrela de seu pontificado, e Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, aos 19 de outubro de 1997.

Quer conhecer mais sobre Santa Teresinha? Leia História de uma Alma e outras obras que você encontra em todas as editoras católicas.

“Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas vôo…” Santa Teresinha

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Extraído integralmente do site Paróquia Santa Teresinha (OCD) – Higienópolis (São Paulo).

Imaculado Coração de Maria – Devoção (20 de junho) – Mensagem de Fátima

Fonte: Spe Deus

Imaculado Coração e Maria

Sábado, 20 de Junho de 2009

Imaculado Coração de Maria

Esta memória ao Imaculado Coração de Maria não é nova na Igreja; tem as suas profundas raízes no Evangelho que repetidamente chama a nossa atenção para o Coração da Mãe de Deus. Por isto, na Tradição Viva da Igreja encontramos esta devoção confirmada pelos Santos Padres, Místicos da Idade Média, Santos, Teólogos e Papas como João Paulo II.

“Depois ele desceu com eles para Nazaré; era-lhes submisso; e a sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração”. Este relato bíblico que se encontra no Evangelho segundo São Lucas, une-se ao canto de louvor entoado por Maria, o Magnificat; a compaixão e intercessão diante do vinho que havia acabado e a presença de Maria de pé junto a Cruz, revelam-nos a sintonia do Imaculado Coração de Maria para com o Sagrado Coração de Jesus.

Entre os santos, São João Eudes destacou-se como apóstolo desta devoção e, entre os Papas que propagaram esta devoção, destaca-se Pio XII que em 1942 consagrou o mundo inteiro ao Coração Imaculado de Maria.

As aparições de Nossa Senhora em Fátima no ano de 1917, de tal forma espalharam a devoção ao Coração de Maria que o Cardeal Cerejeira disse um dia: “Qual é precisamente a mensagem de Fátima? Creio que poderá resumir-se nestes termos: a manifestação do Coração Imaculado de Maria ao mundo actual, para o salvar”. Desta forma, pudemos conhecer que o Pai e Jesus querem estabelecer no mundo inteiro a devoção ao Imaculado Coração, que se encontra fundamentada na Consagração e Reparação a este Coração que “no final triunfará”.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Publicada por JPR – Sábado, Junho 20, 2009.

O Profeta Eliseu e a tradição do Carmelo (Memória – Santo Eliseu Profeta – 14 de junho) – Frei Wilmar Santin, O.Carm. – “História e Espiritualidade Carmelitana”

Os dias correm, e apesar de acompanhar os tempos, não admito que minha vida seja vivida em “tempo real”… O dia dedicado à memória de Santo Eliseu transcorreu no dia de ontem, dia 14 de junho. Entretanto, a cultura que denomino de “correria” depõe contra tudo que há de melhor na vida… A informação em “tempo real” não é um mito dispensável quando está a serviço de buscas, resgates, ou jornadas de personalidades importantes para a melhoria de vida de todos os seres humanos. Ou seja, a cobertura “on line” dos passos de papas, presidentes, ou encaminhamento de conferências de paz ou de pactos de proteção ambiental, entre outras ações, são vitais para as nossas vidas, tanto no plano material, quanto no afetivo e espiritual. Afora isto, devíamos buscar a “desacelaração” – como já está sendo proposta em alguns países da Europa.

Estava intrigada com algumas pesquisas que apontavam o Profeta Eliseu como “o duplo espírito de Elias”. Encontrei a pesquisa abaixo, que resulta fascinante. Para mim, frei Wilmar Santin (O.Carm.), ao trazer tantas referências, traz algumas pistas para a recente evocação do “Ano Sacerdotal”, pelo papa Bento XVI.

Frei Santin apresenta uma encantadora descrição do sentido do Carmelo como um todo. Menciona o que Santa Teresa de Ávila pensava sobre a vida, a missão de Santo Eliseu. Também inclui a singela analogia, cheia de convicção que  Santa Teresinha do Menino Jesus, faz em Lisieux, a partir de sua cela chamada  Santo Eliseu (no dormitório Santo Elias), invocando a Deus o “dobro do seu espírito”…

Este frei carmelita nos traz também a riqueza da história carmelitana, através das sutis interpretações – ao longo da história cristã – da vida destas duas pessoas impregnadas pelo Espírito de Deus, e com absoluta entrega. Os dois profetas e santos são inseparáveis na essência ao amor a Deus-Pai, que criou tudo em espírito de Justiça e Misericórdia. Um deles, arrebatado aos céus no relato do Antigo Testamento – Santo Elias Profeta é visto por seu seguidor – Santo Eliseu Profeta, a quem deixa o manto e a continuidade da missão no Monte Carmelo…

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Página Oriente - Santos - Ordens Religiosas da Igreja

Fonte: História e Espiritualidade CarmelitanaProfeta Eliseu e a tradição do Carmelohttp://br.geocities.com/wilmarsantin/Eliseu.html (não disponível)

 

O Profeta Eliseu e a tradição do Carmelo

Por Frei Wilmar Santin, O.Carm.

 

Na Bíblia

O ciclo de Eliseu (2Rs 2-9.13,1-10) está ligado com o de Elias. A vocação de Eliseu está colocada após a teofania do Horeb (1Rs 19,16-21). Segundo a ordem divina, ele é aquele que deve suceder ao Tesbita. Por isso torna-se seu servidor e discípulo (2Rs 2,1-18). Pelo fato de acompanhar e ser testemunha do rapto de Elias, Eliseu herda o duplo espírito do Tesbita (2Rs 2,1-18). O carro e os cavalos que raptaram Elias constituem a escolta invisível de Eliseu (2Rs 6,17). Numerosos milagres e prodígios exaltam “o homem de Deus”, o taumaturgo a serviço dos pobres e que intervém na política. Morto, o seu cadáver ressuscita um morto (2Rs 13,20-21). No livro do Eclesiástico, o seu elogio segue o do seu mestre (Eclo 48,12-14) e recorda o dom do espírito de Elias que recebeu durante o rapto. Entre as suas obras maravilhosas é indicada a ressurreição de um morto após a sua morte. A cura de Naamã, o Sírio, é recordada no Evangelho (Lc 4,27), também depois de recordar Elias.

Por duas vezes a Bíblia menciona a estada de Eliseu no Monte Carmelo: para lá ele se retira após o episódio dos meninos devorados pelos ursos (2Rs 2,25) e ali a sunamita vai encontrá-lo para suplicar-lhe que devolva a vida ao seu filho (2Rs 4,25). Uma gruta com dois patamares era considerada como a “casa de Eliseu”, aquela onde ele recebeu a visita da sunamita. Ali foi construída uma laura (cenóbio) bizantina conhecida como Mosteiro de S. Eliseu.

Nascimento de Eliseu

O provincial carmelita da Catalunha, Felipe Ribot (+ 1392), recorda o prodígio que acompanhou o nascimento de Eliseu, assim como foi contado por Isidoro de Sevilha e Pedro Comestor: “ao nascimento de Eliseu um dos novilhos de ouro adorados pelos filhos de Israel mugiu atravessando o jardim de Eliseu. Um sacerdote do Senhor o escutou em Jerusalém e, inspirado por Deus, proclamou: ‘nasceu em Israel um profeta que destruirá todos os ídolos esculpidos e fundidos”. Só João de Hornby, carmelita inglês do século XIV, indica que Eliseu era descendente de Arão, como Elias, enquanto que a Vitae Prophetarum e Isidoro mencionam “a tribo de Rubem”.

Eliseu, figura de Cristo

Como Elias, Eliseu é apresentado pelos Padres da Igreja como figura de Cristo enquanto taumaturgo. Já Orígenes chamava Cristo “o Eliseu espiritual que purifica no mistério batismal os homens cobertos pela sujeira da lepra” (Hom. sobre Lucas 33,5). Eliseu estendendo-se sobre o menino anuncia a Encarnação de Cristo que se faz pequeno para salvar-nos. O vaso novo lançado com sal na água (episódio amplamente desenvolvido pelos Padres Latinos), o sal que purifica as águas, o machado recuperado, são figuras de Cristo. Multiplicando os pães de cevada para cem pessoas, iluminando os olhos do seu servo e cegando os de seus inimigos, curando Naamã com o banho no rio Jordão, Eliseu é ainda figura do Messias. A ressurreição de um morto ao contato com os seus ossos prefigura da descida de Cristo aos infernos para dar vida aos mortos. No sermão 128 de Cesário, a viúva libertada da sua indigência, graças ao milagre operado por Eliseu, prefigura a Igreja libertada do pecado à vinda do Salvador; a sunamita estéril, que concebe pela oração de Eliseu, é também figura da Igreja estéril antes da vinda de Cristo. Igualmente João Baconthorp (+ 1348) faz o paralelo entre os milagres de Elias e de Eliseu com os de Jesus (Speculum 2).

Eliseu, modelo do monge

Numerosos Padres da Igreja atestam a virgindade de Eliseu seguindo a de Elias. Para São Jerônimo “na Lei antiga, a fecundidade era objeto de bênção. Mas pouco a pouco entretanto, na medida em que a messe se torna mais abundante, foi enviado um ceifador: Elias que foi virgem. Eliseu também o foi, como do mesmo modo os filhos dos profetas” (Ep. 22). Os carmelitas medievais reproduziram estas linhas insistindo sobre o fato que Elias e Eliseu foram os primeiros a consagrarem-se a Deus na virgindade. Pe. Daniel da Virgem (+ 1678) explica que o celibato honra e imita por antecipação a Virgem Maria: “Eliseu conheceu antecipadamente e imitou a pureza da Virgem Mãe de Deus” (Vida de Santo Eliseu, pref.).

A oração tem um papel primordial na vida de Eliseu: é a fonte dos milagres que o Senhor faz através dele. No texto bíblico, isto é expresso explicitamente através da ressurreição do filho da sunamita, por isto o Senhor abre os olhos do seu servo para cegar os arameus. Os Padres da Igreja acentuam ainda mais o papel da oração: ele obtém um filho para a sunamita, faz submergir o machado caído na água do rio Jordão. Assim através de Eliseu os carmelitas fazem jorrar o seu apostolado pelo colóquio com Deus.

A renúncia inicial de Eliseu, que sacrifica os bois e o arado antes de seguir Elias, é um exemplo de exortação para se afastar das preocupações mundanas (Jerônimo, Ep. 71,3). A recusa dos presentes de Naamã fornece aos Padres um belo exemplo de afastamento dos bens. Para Cassiano, Eliseu é um dos fundadores do monaquismo e, de modo especial, um mestre da pobreza (Inst. 7, 14,2).

Amona (século IV), discípulo de Antonio o Grande, canta todos aqueles que obedeceram aos seus pais, cumprindo a sua vontade com a obediência perfeita em tudo. Eliseu é um dele (Ep. 18). Isaías de Scete (+ 491) exorta à obediência com o exemplo de Eliseu (Asceticon 7). A homilia bizantina mais freqüentemente indicada para a festa de Santo Elias é um comentário sobre o Profeta Elias, o Tesbita, atribuída a São João Damasceno, sem dúvida provém do ambiente monástico. A menção de Eliseu põe em relevo a sua ligação total a Elias: “Tendo deixado tudo, casa, campos, bois, ele o segue, servindo-lhe em tudo e totalmente ligado à sua pessoa. Elias, que viveu dali em diante com Eliseu a quem havia também consagrado profeta segundo um oráculo divino, estava dia após dias reunido com ele sob o mesmo teto, compartilhando o mesmo estilo de vida, absolutamente inseparáveis”.

Atanásio de Alexandria, na vida de Antão, mostra que Eliseu via Giezi distante e as forças que o protegiam porque o seu coração era puro, escopo de toda ascensão monástica. João Baconthorp considera em Eliseu o carmelita aplicado à contemplação que “vê” Deus, destinado a trazer no seu coração a chama ardente e irradiante e a palavra de vida, como Maria, e a imitação de Elias e de Eliseu que viveram a vida contemplativa no Carmelo (Laus 2,2). Pe. Daniel da Virgem na sua Vida do Santo Profeta Eliseu reassume os papéis respectivos de Elias e de Eliseu: “Inaugurando a vida religiosa, monástica e eremita, Elias a plantou, Eliseu depois a irriga e grandemente a divulga”.

Eliseu, discípulo de Elias

Nas Antiguidades Judaicas de Flávio Josefo e em numerosos escritos patrísticos seja do Oriente como do Ocidente, Eliseu está constantemente presente como discípulo de Elias, seu filho espiritual, seu herdeiro. Jacques de Saroug (449-521), autor de sete discursos em métrica que representam longamente a figura de Eliseu e a sua mensagem, utiliza diversos epítetos. Igualmente Máximo de Torino (+ 408/423), de quem duas homilias se referem a Eliseu: “Porque se admirar que os anjos, que levaram o mestre, levam o discípulo (…)? De fato ele mesmo é o filho espiritual de Elias, herdeiro da sua santidade” (Sermão 84). Os Diálogos do Papa Gregório Magno muitas fazem eco às façanhas de Eliseu. Se a “rubrica prima” das Constituições de 1289 se contenta de justapor Elias e Eliseu, João de Cheminot, depois João de Venette especificam que Eliseu é “discípulo” de Elias. Porém as Constituições de 1357 foram assim modificadas: “A partir do Profeta Elias e de Eliseu, seu discípulo”.

Eliseu, o discípulo por excelência

Eliseu não é discípulo de Elias somente. Seguindo a tradição hebraica que se encontra nas Vitae prophetarum, na introdução de São Jerônimo em seu Comentário ao livro de Jonas e algum outro escrito patrístico, Jonas seria o filho da viúva de Sarepta, ressuscitado pelo profeta e que se tornou discípulo de Elias: “Jonas, depois da sua morte, foi ressuscitado pelo profeta Elias: o seguiu, sofreu com ele e, por sua obediência ao profeta, mereceu receber do dom da profecia” (Sinassário árabe jacobita de 22 de setembro). João Baconthorp conhecia esta tradição que provém de São Jerônimo. João de Cheminot, seguindo Felipe Ribot, indica como primeiro discípulo o servo que Elias deixou em Bersabéia, quando fugia de Jesabel (1Rs 19, 3). Este servo é aquele que Elias enviou ao cume do Monte Carmelo para observar a chegada da chuva (1Rs 18, 43).

Segundo as Vitae prophetarum, Abdias, o intendente de Acab que escondeu os cem profetas em grupos de cinqüenta, enviado por Acazias, (1Rs 18, 3-4) tornou-se discípulo de Elias. Teodoro Bar-Koni, autor nestoriano do século VIII, especifica que ele recebeu o dom da profecia após ter seguido Elias. Os carmelitas medievais enumeram Abdias entre os grandes discípulos de Elias.

Felipe Ribot é o único carmelita do século XIV a mencionar o profeta Miquéias como discípulo de Elias.

Para Cheminot e Ribot, Eliseu ocupa o primeiro lugar no grupo dos discípulos do Profeta Elias.

O duplo espírito de Elias

Eliseu é o sucessor de Elias que recebeu o seu duplo espírito, quando viu seu rapto (2Rs 2, 9-13). De acordo com uma tradição hebraica, Eliseu realizou 16 milagres, enquanto que Elias havia feito 8. A partir do século XII, Ruperto de Deutz fez o mesmo cálculo (A Vitória do Verbo de Deus). Para São Jerônimo, o duplo espírito se manifesta com os milagres maiores. Para Felipe Ribot, o duplo espírito é o dom da profecia que consente prever o futuro e o dom dos milagres: «Eis porque lhe dá a direção do magistério espiritual de todos os religiosos que tinha instituído. Como sinal disto, ele deu a Eliseu o seu hábito como sinal distintivo do seu instituto, deixando-lhe o seu manto, quando foi levado ao céu» (nº 149). A partir do século XVI, outros – como Pedro da Mãe de Deus, carmelita descalço holandês – vêem no duplo espírito o espírito da contemplação e da ação: «Os discípulos do Carmelo (…) estão obrigados por vocação a pedir sempre a Deus o duplo espírito de Elias (…), isto é, o espírito de oração e de ação, o verdadeiro espírito do Carmelo» (As Flores do Carmelo).

Santa Teresa de Ávila evoca juntos Elias e Eliseu numa poesia: «Seguindo o Pai Elias, nós combatemos a nós mesmas, com a sua coragem e o seu zelo, ó Monjas do Carmelo. Após ter renunciado a nosso prazer, busquemos o forte Espírito de Eliseu, ó Monjas do Carmelo» (Caminho para o céu). Notemos que na sua correspondência ou nas Relações, Santa Teresa designa frequentemente com o nome de Eliseu o seu caro filho, Pe. Jerônimo Gracián.

Em Lisieux, Santa Teresa do Menino Jesus, que morava na cela Santo Eliseu do dormitório Santo Elias, muito naturalmente alude ao duplo do espírito: «Recordando-me da oração de Eliseu ao seu pai Elias, quando ele ousou pedir-lhe o dobro do seu espírito, me apresentei diante dos Anjos e dos santos, e lhe disse (…) ouso pedir-lhes que me concedam o dobro do vosso amor» (Ms B 4r).

Prior dos filhos dos profetas

O apologista São Justino se refere ao episódio do ferro do machado caído na água que Eliseu fez boiar com um pedaço de madeira (2Rs 6, 1-7). Onde o texto bíblico diz simplesmente que os filhos dos profetas queriam construir um lugar de moradia, Justino precisa que estes estavam cortando a madeira destinada pra construir «a casa para aqueles que queriam repetir e meditar a lei e os preceitos de Deus» (Diálogo com Trifão, 86). Esta paráfrase se tornará no século XIII o coração da Regra dos carmelitas que se consideram os sucessores dos filhos dos profetas para «meditar dia e noite na lei do Senhor».

Gerado à vida pelo Espírito de Elias, Eliseu pode por sua vez gerar filhos, chamados na Bíblia de «filhos dos profetas». Teodoreto de Ciro apresenta Eliseu à testa do «coro» dos profetas que o consideravam como «prior» deles (Quaest 4 Re 6, 19).

Felipe Ribot mostra como Eliseu é reconhecido «pai» dos filhos dos profetas: «Vendo Eliseu revestido do hábito de Elias, reconheciam que estava repleto do espírito de Elias e o receberam imediatamente como pai deles e mestre no lugar de Elias» (nº 149). Ele ensina aos filhos dos profetas, dá a eles ordens, organiza a comunidade religiosa instituída por Elias. Igualmente para João Soreth, após a ascensão de Elias, os filhos dos profetas «o veneraram, como superior deles, porque substituía Elias no governo dos eremitas».

Os caçoadores de Eliseu

Segundo a Haggadah, os caçoadores de Eliseu não são meninos, mas adultos que se comportam como meninos tolos. O número de pessoas devoradas pelos dois ursos corresponde então aos 42 sacrifícios ofertados por Balac (Nm 23). Os Padres Latinos não se referiram a esta tradição e dão uma interpretação anti-hebraica: Vespasiano e Tito – os dois ursos – aniquilaram Jerusalém 42 anos após a Paixão de Cristo, escarnecido pelos hebreus. Por outro lado o grito «sobe, careca» é um insulto a Elias para transformar em chacota o seu rapto. João Baconthorp pensa nos detratores da Ordem: Eliseu ensina o respeito devido à antiguidade da Ordem como para cada forma de velhice (Laus 2, 1).

A sepultura de Eliseu

Um tradição hebraica tardia, bem atestada na Patrística (Jerônimo, Egéria, Anônimo de Piacenza, Isidoro de Sevilha, Beda o Venerável), localiza a tumba de Eliseu em Sebaste na Samaria, com as tumbas de Abdias e de João Batista. Os carmelitas da Idade Média (João de Cheminot, Speculum 1; João de Hildesheim, Diálogo) conheciam esta tradição. A sepultura de Eliseu foi violada por Juliano o Apóstata no século IV. Parte dos ossos foi transferida para Alexandria e para Constantinopla, e dali para Ravenna em 718 e colocada na igreja de São Lourenço. No Capítulo Geral de 1369, autorizou-se a Ordem a fazer investimento econômico para obter as relíquias de Eliseu. A igreja foi destruída em 1603 e se ignora a sorte das relíquias, entretanto se mostra na igreja de Santo Apolinário a cabeça de Santo Eliseu.

Culto litúrgico

O primeiro decreto oficial aprovando a festa de Santo Eliseu para o dia 14 de junho, data na qual o profeta é festejado no rito bizantino, se encontra nas Constituições de 1369. Foi promulgada no Capítulo Geral de Florença de 1399. Em 1564 se adicionou uma oitava à celebração da festa. No calendário da Reforma Teresiana, em 1609, a memória de Eliseu recebe a categoria de festa de primeira classe, mas em 1617 foi reduzida à condição de segunda classe, com oitava, e depois abandonada em 1909. As Constituições O. Carm. de 1971 determinavam: “Com oportuna solenidade sejam celebradas as festas dos pais da Ordem Elias e Eliseu, do protetor S. José e dos nossos santos” (nº 72). Mas na reforma litúrgica de 1972, Eliseu foi excluído do calendário dos dois ramos do Carmelo. Por solicitação dos Carmelitas da Antiga Observância, a re-introdução da memória de Santo Eliseu foi aceita pela Sagrada Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos em 1992.

Conclusão

Elias e Eliseu são considerados o ponto de partida de uma sucessão ininterrupta de monges no Antigo Testamento e depois no Novo Testamento, antes de serem mais simplesmente os inspiradores dos Carmelitas dos quais estes querem ser seus imitadores e ainda mais seus filhos. A devoção ao profeta Eliseu conheceu um eclipse de uns 30 anos após o Concílio Vaticano II: a reforma litúrgica do Próprio do Carmelo não conservou a sua festa, as Constituições O. Carm. (1971) e as dos Carmelitas Descalços (1991) nomeiam o profeta Elias somente quando se referem à tradição bíblica da Ordem. Por sorte, diversos estudos o recolocaram no seu lugar (Carmel 1994/1). As Constituições O. Carm. de 1995 dizem: “O Carmelo celebra, com especial devoção, os seus Santos, colhendo neles a expressão mais viva e genuína do carisma e da espiritualidade da Ordem ao longo dos séculos. Com particular solenidade, sejam celebradas a festividade de Santo Elias Profeta, a memória de S. Eliseu Profeta e as festas dos protectores da Ordem, a saber, S. José, S. Joaquim e Santa Ana” (nº 88).

De fato o Carmelo reconhece como seus inspiradores, não só o Tesbita, mas juntos Elias e Eliseu, porque nesta mesma relação se manifesta o carisma do Carmelo.

Extraído integralmente de http://br.geocities.com/wilmarsantin/Eliseu.html (não disponível)

 

 

 

 

Festa de CORPUS CHRISTI: “Eucaristia: um Sacramento de Amor” – in Veritatis Splendor

VeritatisSplendor

Imagem: Precioso Depósito

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Fonte: Veritatis Splendor

ORAÇÃO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

Por São Tomás de Aquino

Ó vós que amais tanto, Jesus aqui verdadeiramente Deus escondido, ouvi-me,
eu vos imploro. Seja vossa vontade meu prazer, minha paixão, meu amor. Dae
que a busque, ache e realiza. Mostrae-me vossos caminhos, indicae-me vossas veredas.

Tendes sobre mim vossos desígnios; dizei-m´os bem, e dae que os siga até a definitiva salvação de minha alma. Indifferente a tudo o  que passa, e só a vós tendo em vista, possa eu amar tudo quanto é vosso, mas sobretudo a Vós, ó meu Deus! Tornae-me amarga toda alegria que não seja vós, impossível todo desejo fora de vós, delicioso todo trabalho feito para vós, insuportável todo repouso que não fôr em vós. A toda a hora, ó  bom Jesus, minha alma tome para vós seu vôo; seja minha vida um constante acto de amor!

Toda obra que vos agrade, fazei-me sentir que é morta. Seja minha piedade
menos um hábito que um contínuo impulso do coração.

Ó Jesus, minhas delícias e minha vida, dae-me que minha humildade seja sem
affectação, minha alegria sem excessos, minhas tristezas sem desanimo, minha
austeridade sem  rudeza. Dae que eu fale ser artifício, que tema sem
desespero, que espere sem presumpção; fazei com que seja pura e sem mancha, que reprehenda se cólera; que  ame sem falsidade, edifique sem ostentação, obedeça sem réplica, e soffra sem queixumes.

Bondade suprema, ó Jesus, peço-vos um coração todo vosso, que nenhum
espectaculo, nenhum ruído para distrahir; um corção fiel e attivo que não
hesite, e não desça nunca; um coração indomavel, prompto sempre a luctar
após cada tormenta; um coração livre, jamais seduzido ou escravo; um coração recto que não se encontre nunca em veredas tortuosas.

E meu espírito, Senhor! Meu espírito! Impotente para desconhecer-vos, possa elle encontrar-vos, a vós Sabedoria divina! Não vos desagradem seus colloquios! Confiante e calmo esperes vossas respostas, e descanse sobre
vossa palavra.

Faça-me a penitencia sentir os espinhos de vossa coroa! Possa a graça espargir vossos dons sobre mim, no caminho do exílio! Possa a gloria inebriar-me de vossas alegrias na Pátria eterna! Assim seja.

(Extraído do Manual das Filhas deMaria de Sion –  Editado em 1929.
Impresso por J. de Gigord, Éditeur – Imprimatur  Rio de Jaaneiro 11 de maio
de 1912 Por S. Exma. Sebastio, bispo auxiliar)

AQUINO, São Tomás de. Apostolado Veritatis Splendor: ORAÇÃO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/714. Desde 20/01/2003.


“Por isso cada pessoa deverá interrogar-se não tanto sobre o que é que pode fazer com a liberdade, mas o que é que deixa que a liberdade faça da sua vida. Se este exercício for reduzido a uma pedagogia, corre-se o risco de amplificar o relativismo pós-moderno.” D.Manuel Clemente – 5ª Jornada da Pastoral da Cultura (SNPC) – Fátima

Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Fátima

08.06.2009

Autor: Fra Angelico

Evangelho segundo S. Mateus, 5, 1-12a

E vendo [Jesus] as companhias, subiu a um monte; e assentando-se, chegaram-se a ele seus Discípulos.
E abrindo sua boca, ensinava-os, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os tristes, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.
Bem-aventurados os que hão fome e sede [da] Justiça, porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vosoutros, quando vos injuriarem, e perseguirem, e contra vós todo mal falarem, por minha causa, mentindo.
Gozai[-vos] e alegrai[-vos] que grande [é] vosso galardão em os céus.

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Apresento abaixo o relato da Agência Ecclesia sobre o que os palestrantes “pensaram” quanto ao uso da liberdade, após 34 anos do fim da ditadura militar em Portugal. A 5ª Jornada da Pastoral da Cultura aconteceu em Fátima, no dia 05 de junho de 2009, sob a coordenação do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC)-Portugal. Antes, procurei dar o contexto da 5ª Jornada da Pastoral da Cultura, que teve como foco “Elogio à Liberdade”, ou seja, se trata de um país – Portugal – que comemora mas reflete sobre a condição de “liberdade”, ou seja, como usufruem dela, após 48 anos de ditadura sob o regime de Salazar. Daí porque faço menção, logo abaixo, à Revolução dos Cravos.

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Fonte: Wikipédia – Revolução dos Cravos

Revolução dos Cravos é o nome dado ao golpe de estado militar que derrubou, num só dia, sem grande resistência das forças leais ao governo – que cederam perante a revolta das forças armadas – o regime político que vigorava em Portugal desde 1926.

ANTECEDENTES

Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi implementado em Portugal um regime autoritário de inspiração fascista. Com a Constituição de 1933 o regime é remodelado, auto-denominando-se Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país, não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974.

O levantamento, também conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se “Dia da Liberdade” o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução). Fonte: Wikipédia – Revolução dos Cravos.

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Quanto aos cravos, há o registro histórico de que um soldado recebera de uma florista, bem cedo, naquela manhã de 25 de abril um cravo vermelho, e este o colocara na ponta do fuzil. O gesto foi repetido por todo o pelotão. As fotos revelam a face inusitada e poética da libertação de um regime tirânico. Certamente deu o “tom” para a reação à esta ditadura quase cinquentenária, que foi deposta sem manifestações de violência. No entanto, o povo português foi mais longe naquele dia. A participação popular foi paradoxalmente ousada e pacífica neste levante. Após viverem 48 anos sob a égide ditatorial, colonialista e fascista de Salazar, na ânsia de respirar o ar da liberdade, a população tomou as ruas, e se juntou pacificamente aos pelotões. Não deram ouvidos às ordens militares para que ficassem  em casa. Pelo registro das fotos da época, o povo português acompanhou os soldados em suas atividades mais corriqueiras naquele dia…

Assim, não importa, a meu ver, o que inspira uma ditadura – seja de direita ou de esquerda, religiosa ou liberal, e menos ainda, se for imperialista. Se muitos vão viver de modo diferente do que viviam, mas em troca outros serão oprimidos – não há legitimidade, em absoluto.

Tudo que importa afinal, é que nascemos livres, ou seja, nossa vocação é para a liberdade – de expressão, de ação, de ir e vir, dentro ou fora de nosso território. Desse modo, há somente uma única condição a ser considerada: o respeito à pessoa. Não há qualquer superioridade pré-adquirida de um povo sobre outro, e nem de grupos militares, operários, religiosos ou intelectuais sobre grupos de indivíduos, sobre cada pessoa dentro de uma Nação.

No Brasil vivemos uma ditadura militar, que incluiu a tortura, tal como se deu no período salazarista. Tivemos 20 anos de perda paulatina de nossa identidade cultural, e que em 20 anos e pouco mais de liberdade parecem não dar nem mesmo o vislumbre de que nos recomporemos das lacunas geradas em nossa personalidade enquanto povo, enquanto Nação. Sim, tivemos uma “Nova República”, mas ao que parece, e apesar dela, o caldo posterior, fruto do desmantelamento cultural (que influenciou nossa ação política) me traz a imagem de um barco à deriva…

Cada Nação deve se pensar (ao cansaço) para que as gerações futuras não naveguem docilmente sob qualquer vento. Muitos ventos levam milhares, milhões de criaturas ao abismo, tanto material quanto espiritual.

Eu, enquanto brasileira, jornalista, gostaria de dizer o quanto admiro esta iniciativa de nossos irmãos portugueses. O Brasil é um povo peculiar, mas, talvez por ser um “jovem” de 509 anos, ainda não se deu conta que outros povos, principalmente os antigos, acertam bastante porque não tem somente “saberes”, e sim porque, entre os  inúmeros erros de avaliação, tentaram e continuam tentando exercitar a “sabedoria”. Não é uma época propícia, mas é inegável que os Evangelhos fornecem relatos maravilhosos para todos os povos da terra a respeito disso. No entanto, as nações ocidentais parecem acreditar que a negação até mesmo de valores universais vai lhes trazer paz e prosperidade…

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Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Fátima – Portugal

5.ª Jornada da Pastoral da Cultura

Liberdade: um anseio a conquistar

Trinta e cinco anos depois do 25 de Abril de 1974, o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura reuniu-se em Fátima para o «Elogio à Liberdade», tema da 5.ª Jornada daquele Organismo que ocorreu, em Fátima, no dia 5 de Junho.

Durante a primeira parte do encontro, em que participaram cerca de cem pessoas, José Manuel Fernandes, director do «Público», enquadrou o estado da liberdade em diversas áreas da sociedade portuguesa.

Para o segundo momento da Jornada, a maestrina Joana Carneiro propôs uma nova abordagem ao conceito de liberdade: uma partitura, duas interpretações, ou a criatividade de Herbert von Karajan e de Leonard Bernstein diante da mesma obra de Beethoven.

«Que havemos de fazer com a liberdade?» foi a pergunta a que D. Manuel Clemente e Marcelo Rebelo de Sousa procuraram responder durante a tarde.

Uma das dificuldades no entendimento do conceito de liberdade consiste em a considerar apenas como um fenómeno externo, que é concedido em maior ou menor grau ao ser humano. Mas para D. Manuel Clemente, ela é um processo sempre inacabado, pelo qual o Espírito actua para atenuar e remover tudo o que obsta ao desenvolvimento pleno da personalidade. Por isso cada pessoa deverá interrogar-se não tanto sobre o que é que pode fazer com a liberdade, mas o que é que deixa que a liberdade faça da sua vida. Se este exercício for reduzido a uma pedagogia, corre-se o risco de amplificar o relativismo pós-moderno.

Para o Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, a vida de Jesus é o melhor exemplo do cumprimento da vontade do Pai, num ambiente marcado por condicionalismos externos como a violência, o isolamento e a incompreensão. Viver na tensão entre a realização dos desejos individuais e na concretização da vontade de Deus, visível por exemplo nas necessidades das pessoas, é, nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, “um equilíbrio difícil, em que todos tropeçamos“.

Olhando para o Portugal contemporâneo, o professor universitário considera que há diversos obstáculos ao exercício da liberdade. Desde logo porque muitas pessoas vivem em condições de exclusão, pobreza, dependência, ignorância e ausência de um percurso educativo adequado. Para esta parte da população, a liberdade garantida pela Constituição não pode ser aplicada.

Ser livre é, para D. Manuel Clemente, muito mais do que agir sem prejudicar ninguém; é sobretudo uma capacidade de acolher e estar disponível. Não estamos sós no mundo, pelo que esta pedagogia da exigência, que deve começar com as crianças, é essencial para conjugar a liberdade individual com a das pessoas que vivem em sociedade.

Pensa-se por vezes que a liberdade justifica todos os comportamentos; segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este ponto de vista reflecte-se na disseminação da violência familiar e laboral, na dificuldade em viver no espaço público e na intolerância face às opiniões discordantes.

No que diz respeito à manifestação pública da opção crente, o comentador defende que se está a assistir ao “ressurgir de posições iluministas, não apenas anti-clericais”, que revelam dificuldades em entender o que é a liberdade religiosa.

D. Manuel Clemente defende a necessidade da Igreja, especialmente através do protagonismo laical, se envolver nos debates seculares em que a liberdade se analisa e perspectiva. Para Marcelo Rebelo de Sousa, os leigos precisam de converter em acção a sua convicção.

A Jornada foi também marcada pela entrega do «Prémio de Cultura Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes» ao Professor Adriano Moreira, que evocou as qualidades do presbítero jesuíta enquanto pastor e cidadão, numa época atravessada por mudanças aceleradas: “É com muita humildade que se deve receber uma distinção que é referida ao exemplo que ele deu”. Quando D. Manuel Clemente “me deu essa notícia [da atribuição do Prémio] eu disse uma coisa muito simples: ‘obrigado pela bênção'”.

Depois da leitura da Acta do Júri, o Presidente da Comissão Episcopal fez uma breve alocução, a que se seguiu a entrega da escultura e do cheque, no valor de € 2.500, oferecido pela Rádio Renascença. A cerimónia, que contou com a actuação do agrupamento «Sol Ensemble», concluiu-se com a intervenção de Adriano Moreira. (RM)

In Agência Ecclesia
09.06.09

5ª Jornada da Pastoral da Cultura: “Elogio à liberdade” – SNPC (Fátima – Portugal)

Convite

5ª Jornada da Pastoral da Cultura: «Elogio à liberdade»

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC)
Fátima – Portugal

Na atenção que a Igreja dedica à Cultura (ela sabe que aí, de forma prática, se joga a construção do humano) pretende-se afirmar a liberdade como valor inegociável, mas necessariamente articulado com a Verdade, o Bem e a Beleza. Temos de perguntar: “que liberdade é que buscámos e vivemos?”; ou então: “para que serve, para que tem servido a nossa liberdade?”. A cem anos da Implantação da República (importante efeméride a que a Igreja se associa), reflectir sobre Portugal é olhar para a liberdade e averiguar o seu grau de pureza. Conheça o programa e inscreva-se «online».

5 de junho de 2009

9h45: Inscrições e acolhimento – Casa de Nossa Senhora das Dores, Fátima.
10h30: Conferência e debate – “O Estado da Liberdade, um Olhar ao Portugal de Hoje” – José Manuel Fernandes (Director do «Público»)
Moderação: Filipe d’Avillez (Jornalista da Rádio Renascença)
11h45: Intervalo
12h00: Variações Sobre a Liberdade – Madalena Wallenstein (Professora de música, encenadora)
12h30
Missa
13h15
Almoço
14h45: Mesa redonda “Que Havemos de Fazer Com a Liberdade?” – D. Manuel Clemente (Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais), e Marcelo Rebelo de Sousa (Professor universitário)
Moderação: Paulo Rocha (Director da Agência Ecclesia)
16h15
Intervalo
16h30
Acto de Entrega da edição de 2009 do «Prémio de Cultura Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes»
Prof. Adriano Moreira
Apontamento musical
Ensemble em Sol

Quem pode participar na Jornada? Todos os interessados. Como posso participar na Jornada? Através de inscrição.

Índice das perguntas

© SNPC 18.05.2009

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Da Bíblia – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC)

Ben Sirac 43, 6-10

Também a Lua, sempre exacta,
é a marca dos tempos e o sinal do futuro.
É a Lua que determina os dias festivos,
o seu brilho diminui a partir da Lua-cheia.
É ela que dá o nome ao mês,
e cresce, de modo admirável, nas suas fases.
É farol dos exércitos celestiais,
que brilha no firmamento do céu.
A glória dos astros faz a beleza do céu,
ornamento que brilha nas alturas do Senhor.
À palavra do Santo, dispõem-se segundo as suas ordens,
e nunca se cansam de estar de sentinela.

Da Bíblia

Evangelho segundo São Mateus 16, 1-3entardecer

Então, os fariseus e os saduceus aproximaram-se dele; e, para o tentarem, pediram-lhe que lhes fizesse ver um sinal do Céu.
Ele respondeu-lhes: «Ao entardecer, vós dizeis: ‘Vamos ter bom tempo, pois o céu está avermelhado’; e, de manhã cedo, dizeis: ‘Hoje temos tempestade, pois o céu está de um vermelho sombrio.’
Como se vê, sabeis interpretar o aspecto do céu; mas, quanto aos sinais dos tempos, não sois capazes de os interpretar!

“A glória de Nosso Senhor Jesus Cristo se completa com sua Ressurreição e Ascensão” – Santo Agostinho – 24 de maio (“Flos Carmeli”)

Ascensão do Senhor
“Uma vez mais, a liturgia põe diante dos nossos olhos o último dos mistérios da vida de Jesus Cristo entre os homens: a sua Ascensão aos céus”

É Cristo que passa

Sempre me pareceu lógico — e me cumulou de alegria — que a Santíssima Humanidade de Jesus Cristo subisse à glória do Pai. Mas penso também que esta tristeza, própria do dia da Ascensão, é uma manifestação do amor que sentimos por Jesus, Senhor Nosso. Sendo perfeito Deus, Ele se fez homem, carne da nossa carne e sangue do nosso sangue. E separa-se de nós, indo para o céu. Como não havíamos de notar a sua falta?

É Cristo que passa ! A festa da Ascensão do Senhor sugere-nos também outra realidade: esse Cristo que nos anima a empreender esta tarefa no mundo espera-nos no céu. Por outras palavras: a vida na terra, que nós amamos, não é a realidade definitiva; pois não temos aqui cidade permanente, mas andamos em busca da futura (Heb XIII, 14) cidade imutável.É Cristo que passa, 126, 1 Relembremos agora os dias que se seguiram à Ascensão, na expectativa do Pentecostes.

Os discípulos, cheios de fé pelo triunfo de Cristo ressuscitado, e ansiosos ante a promessa do Espírito Santo, querem sentir-se unidos, e vamos encontrá-los cum Maria, Matre Iesu, com Maria, a Mãe de Jesus (Cfr. Act I, 14). A oração dos discípulos acompanha a oração de Maria; era a oração de uma família unida.É Cristo que passa, 141, 4 Jesus subiu aos céus, dizíamos. Mas pela oração e pela Eucaristia, o cristão pode ter com Ele a mesma intimidade que tinham os primeiros Doze, inflamar-se no seu zelo apostólico, para com ele realizar um serviço de corredenção, que é sempre a paz e a alegria. Servir, portanto, porque o apostolado não é outra coisa.

Se contarmos exclusivamente com as nossas próprias forças, nada obteremos no terreno sobrenatural; se formos instrumentos de Deus, conseguiremos tudo: Tudo posso nAquele que me conforta (Phil IV, 13). Por sua infinita bondade, Deus resolveu servir-se destes instrumentos ineptos. Daí que o Apóstolo não tenha outro fim senão deixar agir o Senhor, mostrar-se inteiramente disponível, para que Deus realize — através das suas criaturas, através da alma escolhida — a sua obra salvadora.

São José Maria Escrivá

Reflexão

“Se és o Filho de Deus, desce da Cruz” (cf. Mt 27, 42; Mc 15, 32). Segundo o Fundador de Claraval, é mal concebida essa proposta para comprovar a origem divina de Jesus, pois a realeza e mais ainda a divindade de um ser, não se torna patente pelo ato de descer, mas muito ao contrário, pelo de subir. E foi exatamente o que sucedeu com Jesus, quarenta dias após sua triunfante Ressurreição. Por isso, debaixo de certo ângulo, a Ascensão do Senhor ao Céu constitui a festa de maior importância ao representar a glorificação suprema de Cristo Jesus. Ele próprio a havia pedido ao Pai:

“Glorifica-Me junto de Ti mesmo, com aquela glória que tive em Ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17, 5); “Pai, chegou a hora, glorifica o teu Filho, para que teu Filho glorifique a Ti” (ibid. v. 1). Daí ser compreensível a manifestação de alegria dos Santos Padres ao comentarem essa glorificação do Cordeiro de Deus.

“A glória de Nosso Senhor Jesus Cristo se completa com sua Ressurreição e Ascensão.

(…) Temos, pois, o Senhor, nosso Salvador, Jesus Cristo, primeiro pendente de um madeiro e agora sentado no Céu. Pendendo no madeiro, pagava o preço de nosso resgate; sentado no Céu, recolhe o que comprou” (Santo Agostinho).

Postado por Flos Carmeli às 06:52.

Memória – 16 de maio – São Simão Stock e o escapulário da Virgem do Carmo

SaoSimaoStock
São Simão Stock

São Simão Stock, eremita desde os 12 anos, após enfrentar duras perseguições ao dirigir a Ordem do Carmo sediada na Inglaterra e na Terra Santa,  faleceu em 16 de maio de 1265. Sua biografia é impressionante e está intimamente ligada aos primórdios da Ordem Carmelitana. Atentem para este trecho de sua biografia, que segue completa, logo abaixo: “Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno aos 12 anos, encontrando refúgio numa floresta onde viveu inteiramente isolado durante 20 anos, em oração e penitência.” Deste isolamento, partiu com a intenção de completar seus estudos e, a seguir, para o encontro futuro com frades carmelitas, em conformidade com o que lhe revelara Nossa Senhora. O encontro com os frades se deu quando São Simão tinha a idade de 48 anos. Em suma: um homem que a tudo enfrentou com fé, oração contemplativa e santidade.

O texto integral publicado pelos Frades Carmelitas Descalços – Província de São José, traz também o interessante encontro de três santos, em Roma, onde foi edificada uma capela em homenagem: Santo Ângelo (Ordem do Carmelo), São Domingos (Ordem dos Pregadores) e São Francisco de Assis. Deste encontro inusitado surgirão duas profecias: uma relacionada aos estigmas de São Francisco, é anunciada por Santo Ângelo, e a outra foi proferida por São Domingos. Nesta, ele fala  do mistério das devoções ao Rosário e ao Escapulário, os quais seriam dados ao conhecimento de sua própria Ordem e à Ordem do Carmo, respectivamente, por revelação da Virgem Maria.  Leia mais…

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Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços – Província São José

Sábado, 16 de Maio de 2009

O ESCAPULÁRIO DA VIRGEM DO CARMO

No dia 16 de julho, há 750 anos, o mais extraordinário penhor de salvação jamais dado ao homem — o Escapulário do Carmo — era entregue a São Simão Stock.

Certo dia, que já vai longe, andando pelas ruas de Roma, encontraram-se três insignes homens de Deus. Um era Frei Domingos de Gusmão, que recrutava membros para a Ordem que fundara, a dos Pregadores, mais tarde conhecida como dos “dominicanos”. Outro era o Irmão Francisco de Assis, o Poverello, que havia pouco reunira alguns homens para servir ao que chamava a Dama Pobreza. O terceiro, Frei Ângelo, tinha vindo de longe, do Monte Carmelo, na Palestina, chamado a Roma como grande pregador que era. Os três, iluminados pelo Divino Espírito Santo, reconheceram-se mutuamente, e no decurso da conversa fizeram muitas profecias. Santo Ângelo, por exemplo, predisse os estigmas que seriam concedidos por Deus a São Francisco. E São Domingos profetizou: “Um dia, Irmão Ângelo, a Santíssima Virgem dará à tua Ordem do Carmo uma devoção que será conhecida pelo nome de Escapulário Castanho, e dará à minha Ordem dos Pregadores uma devoção que se chamará Rosário. E um dia Ela salvará o mundo por meio do Rosário e do Escapulário”.

No lugar desse encontro construiu-se uma capela, que existe até hoje em Roma (…).

Mãe e esplendor do Carmelo

Foi no celebrado Monte Carmelo, no litoral palestino, que o Profeta de fogo, Santo Elias, viu a nuvenzinha que, num período de grande seca, prenunciava a chuva redentora que cairia sobre a terra ressequida. Por uma intuição sobrenatural, soube que essa simples nuvem, com forma de uma pegada humana, simbolizava aquela mulher bendita, predita depois pelo Profeta Isaías (“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho”), que seria a Mãe do Redentor. Do seu seio virginal sairia Aquele que, lavando com seu sangue a terra ressequida pelo pecado, abriria aos homens a vida da graça.

Dos seguidores de Elias e seus continuadores, de acordo com a tradição, nasceu a Ordem do Carmo, da qual Maria Santíssima é a Mãe e esplendor, segundo as palavras também de Isaías “A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron” (Is 35, 2). Da Palestina, os eremitas do Monte Carmelo passaram para a Europa, radicando-se em vários países, entre eles a Inglaterra, onde vivia São Simão Stock.

São Simão Stock: nobre e santo

Simão nasceu no ano de 1165 no castelo de Harford, no condado de Kent, Inglaterra, em atenção às preces de seus piedosos pais, que uniam a mais alta nobreza à virtude. Alguns escritores julgam mesmo que tinham parentesco com a família real.

Sua mãe consagrou-o à Santíssima Virgem desde antes de nascer. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção para o filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Virgem, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Bela atitude de uma senhora altamente nobre!

O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério. Esse verdadeiro pequeno gênio, aos sete anos de idade iniciou o estudo das Belas Artes no Colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Foi também nessa época admitido à Mesa Eucarística, e consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.

Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno aos 12 anos, encontrando refúgio numa floresta onde viveu inteiramente isolado durante 20 anos, em oração e penitência.

A Ordem Carmelitana

Nossa Senhora revelou-lhe então seu desejo de que ele se juntasse a certos monges que viriam do Monte Carmelo, na Palestina, à Inglaterra, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Simão saiu de sua solidão e, obedecendo também a uma ordem do Céu, estudou teologia, recebendo as sagradas ordens. Dedicou-se à pregação, até que finalmente chegaram dois frades carmelitas no ano de 1213. Ele pôde então receber o hábito da Ordem, em Aylesford.

Em 1215, tendo chegado aos ouvidos de São Brocardo, Geral latino do Carmo, a fama das virtudes de Simão, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem; em 1226, nomeou-o Vigário-Geral de todas as províncias européias.

São Simão teve que enfrentar uma verdadeira tormenta contra os carmelitas na Europa, suscitada pelo demônio através de homens ditos zelosos pelas leis da Igreja, os quais queriam a todo custo suprimir a Ordem sob vários pretextos. Mas o Sumo Pontífice, mediante uma bula, declarou legítima e conforme aos decretos de Latrão a existência legal da Ordem dos Carmelitas, e a autorizou a continuar suas fundações na Europa.

São Simão participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Em um novo Capítulo, em 1245, foi eleito 6° Prior-Geral dos Carmelitas.

A Grande Promessa: não irás para o fogo do inferno

Se a bula papal aplacara momentaneamente o furor dos inimigos do Carmelo, não o fizera cessar de todo. Depois de um período de calmaria, as perseguições recomeçaram com mais intensidade.

Carente de auxílio humano, São Simão recorria à Virgem Santíssima com toda a amargura de seu coração, pedindo-Lhe que fosse propícia à sua Ordem, tão provada, e que desse um sinal de sua aliança com ela.

Na manhã do dia 16 de julho de 1251, suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta, Flos Carmeli2. Segundo ele próprio relatou ao Pe. Pedro Swayngton, seu secretário e confessor, de repente “a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse-me:

“‘Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’”(3).

Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.

São Simão atingiu extrema velhice e altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das línguas; entregou sua alma a Deus em 16 de maio de 1265.

Privilégio Sabatino: livre do Purgatório no primeiro sábado após a morte

Além dessa graça específica da salvação eterna, ligada ao Escapulário, Nossa Senhora concedeu outra, que ficou conhecida como privilégio sabatino. No século seguinte, apareceu Ela ao Papa João XXII, a 3 de março de 1322, comunicando àqueles que usarem seu Escapulário: “Eu, sua Mãe, baixarei graciosamente ao purgatório no sábado seguinte à sua morte, e os lavarei daquelas penas e os levarei ao monte santo da vida eterna”(4).

Quais são, então, as promessas específicas de Nossa Senhora?

1º. Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno.

Que desejava Nossa Senhora dizer com estas palavras?— Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará. A morte em pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa. A promessa de Maria traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras: “Quem morrer revestido do Escapulário, não morrerá em pecado mortal”. Para tornar isto claro, a Igreja insere, muitas vezes, a palavra “piamente” na promessa: “aquele que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno”(5).

2º. Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.

Embora freqüentemente se interprete este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório no primeiro sábado após sua morte, “tudo que a Igreja, para explicar estas palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado”(6).

De qualquer modo, se formos fiéis em observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar as suas, como nos mostra o seguinte exemplo:

Durante umas missões, tocado pela graça divina, certo jovem deixou a má vida e recebeu o Escapulário. Tempos depois recaiu nos costumes desregrados, e de mau tornou-se pior. Mas, apesar disso, conservou o santo Escapulário.

A Virgem Santíssima, sempre Mãe, atingiu-o com grave enfermidade. Durante ela, o jovem viu-se em sonhos diante do justíssimo tribunal de Deus, que devido às suas perfídias e má vida, o condenou à eterna danação.

Em vão o infeliz alegou ao Sumo Juiz que portava o Escapulário de sua Mãe Santíssima.

— E onde estão os costumes que correspondem a esse Escapulário? — perguntou-lhe Este.

Sem saber o que responder, o desditoso voltou-se então para Nossa Senhora.

— Eu não posso desfazer o que meu Filho já fez — respondeu-lhe Ela.

— Mas, Senhora! — exclamou o jovem— Serei outro.

— Tu me prometes?

— Sim.

— Pois então vive.

Nesse momento o doente despertou, apavorado com o que vira e ouvira, fazendo votos de portar doravante mais seriamente o Escapulário de Maria. Com efeito, sarou e entrou para a Ordem dos Premonstratenses. Depois de vida edificante, entregou sua alma a Deus. Assim narram as crônicas dessa Ordem.(7)

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana às 08:39

90º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços apresenta Documento Capitular “Para Vós Nasci” – Fátima (12 de maio de 2009)

teresaavila
Santa Teresa de Ávila

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Fonte: Frades Carmelitas Descalços – Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD)

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

MENSAGEM DO 90º CAPÍTULO GERAL DOS CARMELITAS DESCALÇOS – FÁTIMA (PORTUGAL)

Queridos Irmãos, Irmãs Carmelitas Descalças, membros do Carmelo Secular, membros associados na Família Carmelitana e todos os Amigos do Carmelo:

1. Nós, os participantes no 90.º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços, aproveitando a fraterna hospitalidade da Domus Carmeli, saudamo-vos calorosamente desde Portugal, «Terra de Santa Maria», próximo do Santuário a ela consagrado em Fátima. E vos enviamos uma calorosa saudação: «Que o Deus da esperança vos encha plenamente de alegria e de paz na vossa crença, para que abundeis na esperança pela virtude do espírito Santo (Rom 15:13)

2. A experiência destas três semanas fez-nos experimentar a fraternidade que a todos nos une na vocação e na missão do Carmelo. Rezámos juntos e juntos partilhámos o pão da vida. Prestámos atenção aos dossiês do Prepósito Geral e do Ecónomo Geral. Assim, depois de ter referido as linhas principais da acção do Definitório Geral e sublinhado as novidades do sexénio de 2003-2009, o Padre Geral sublinhou a actualidade e a vitalidade do carisma teresiano. Depois recordou o desafio sempre actual da formação inicial e da formação permanente, a fim de se tornar mais profunda a nossa vida espiritual, maior a nossa comunhão, mais autêntico o nosso espírito missionário. Tendo em vista tudo isto, reservamos o tempo necessário para avaliar a situação presente das nossas instituições: o Teresianum de Roma; o CITES de Ávila e a origem da Ordem, o Monte Carmelo.

3. Escolhemos uma equipa de governo renovada, liderada pelo novo Prepósito Geral P. Saverio Cannistrà, da Província toscana. Escutámos as informações e as expectativas do Carmelo Secular cujo esforço se centra sobretudo na formação. No encontro com as nossas irmãs Carmelitas — vieram ao Capítulo as presidentes de onze Federações de todo o mundo — fez-nos sentir o espírito de família que nos une, de tal modo que não nos podemos definir uns sem as outras e vice-versa. O que Teresa de Jesus ensinou a João da Cruz foi precisamente o estilo de fraternidade, e o nosso diálogo foi disso sinal vivo. É essa orientação que nós queremos seguir. Outro sinal de fraternidade foi a presença neste capítulo dos nossos religiosos irmãos; eles recordam-nos a beleza da sua própria vocação, o seu lugar insubstituível na nossa história, a sua participação diferenciada no apostolado da espiritualidade, o apoio da sua oração e os seus conselhos. Juntos, Irmãos e Sacerdotes, havemos de construir o nosso testemunho carmelitano.

Em resumo: nós reflectimos, tomamos decisões e votamos. Estes são os actos próprios dum capítulo. E agora, o que vamos fazer? Que queremos viver?

Um olhar virado para o V Centenário do nascimento de Teresa de Jesus

4. O Carmelo necessita de «fogo no coração, palavras nos lábios, f«profecia no olhar» (Paulo VI, Audiência geral de 29 de Novembro de 1972) para permanecer fiel à sua triple vocação mística, profética e missionária. No nosso mundo em mudança é necessário sermos sólidos e solidários, e trabalhar na direcção que é nossa desde a origem, a de «irmos começando sempre» (Cfr F 29:32) em fidelidade criativa ao Espírito Santo. O novo sexénio de 2009-2025 seguirá o dinamismo da esperança iniciado em 2003: «A caminho com Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz: voltar ao essencial». E é assim que nos orientaremos para a celebração do V Centenário do nascimento de Teresa de Ahumada (28 de Março de 1515), aquela a quem chamamos a nossa Santa Madre: Teresa de Jesus. O documento capitular «Para vós nasci» será o guia que orientará o novo sexénio.

Ler, meditar e deixar-se renovar pelos escritos da nossa Santa Madre Teresa

5. Desejamos para todos os membros da nossa Ordem uma nova primavera na nossa vida de seguimento de Jesus. A nossa formação permanente deve ser uma autêntica educação, maturação e crescimento na vida religiosa, na vida comum e na vida de oração. Para isso convidamos a todos e cada um e cada uma de vós para um encontro pessoal com Teresa, a entrar no diálogo que ela própria inicia nos seus escritos quando diz: «Irei falando com elas no que irei escrevendo» (Prólogo do Castelo Interior). Um contacto de pessoa a pessoa não é possível a não ser no mais profundo centro da alma na esteira do caminho de oração, da aventura de amizade com Jesus, o rosto humano de Deus e rosto divino do Homem.

Transformados pela experiência de Deus

6. O nosso desejo é o de constituir os escritos da Santa madre no pão nosso de cada dia. A sua palavra vive para nos transmitir o sabor de Deus: «A minha intenção é a de seduzir as almas para um bem tão alto» (V 18:8). Perguntemo-nos: o nosso modo de vida actual tem um real espaço contemplativo de Deus? Somos testemunhas da sua grande bondade, da sua mão generosa, da sua obra libertadora (Cfr V4:10; 23:1)? Eis, pois, o esforço verdadeiro e radical que temos de realizar por nós mesmos e pelos outros, a fim de voltarmos a dizer aos homens quem é deus na nossa vida. «Deus é amor», o seu amor é vivificante, transformante e libertador.

7. Teresa convida-nos a «caminhar na verdade diante de Deus e dos homens de todas as maneiras que pudermos» (6M 10:6). Como discípulos e servidores da Palavra de Deus nós buscamos a verdade, avançamos para a luz e alcançamos a liberdade. É a partir desta soberana liberdade que nos podemos constituir em anunciadores e testemunhas, entregando-nos inteiramente a Quem se entregou por nós em seu Filho, o verdadeiro Amigo.

Fiéis ao convite profético

8. Pela liberdade alcançada após a entrega ao Senhor Teresa pôde elevar a sua voz de mulher em tantas páginas críticas e valentes, onde ela denuncia as intrigas, vaidades e mentiras da sociedade do seu tempo. O seu amor à «santíssima Humanidade» de Cristo ressuscitado apurou o seu olhar e conferiu-lhe lucidez de verdadeira filha da Igreja, perante as condições injustas que alienam o homem de si mesmo e de Deus Teresa respondeu aos desafios do seu tempo preferindo a pobreza e o humanismo cristão para as suas fundações sustentadas numa sóbria e amigável vida comunitária e marcada pelas virtudes evangélicas da suavidade, da humildade e da alegria. Também para nós, hoje, a pobreza massiva e tudo que a provoca, isto é, as desigualdades crescentes e a injustiça em todas as suas formas, são para nós um desafio. A nossa vida contemplativa revela-nos o rosto sofredor de Cristo nos rostos doridos dos pobres.

Seguindo o impulso missionário da nossa Santa Madre

9. «A oração acesa pelo fogo do amor» é a alavanca que levanta o mundo, diz-nos Teresa do Menino Jesus, herdeira do espírito missionário da Santa Madre. O dinamismo missionário que nos anima alimenta e mantém viva a nossa paixão pela humanidade. No movimento de contínua saída de nós mesmos pomo-nos ao serviço do futuro da humanidade, desejamos suscitar novas formas de esperança concreta. A emergência da globalização, como nova ordem mundial, convida-nos à partilha dos nossos recursos humanos, espirituais e materiais através duma colaboração mais eficaz entre as várias circunscrições e o centro da Ordem, a fim de continuar e consolidar a expansão da Ordem no mundo. Nós tivemos a alegria de ver um sinal disso mesmo: a erecção da Coreia como nova província da Ordem. E ainda outro: a formação dum novo grupo capitular, o coetus africano constituído irmãos de África e Madagáscar; sinal de crescimento da nossa presença naquele continente.

10. Porém, a globalização também divide o mundo em fragmentos onde se multiplicam os refugiados e novas formas de miséria. É urgente devolver a dignidade ao homem e de restaurar uma sociedade estropiada. O nosso mundo caracteriza-se pela interconexão mais profunda e pela maior fragmentação de que há memória. Neste contexto podemos oferecer o testemunho e a hospitalidade da nossa vida fraterna sustentada na amizade com Jesus que «destruiu os muros de ódio que nos separavam», como nos diz a carta aos Efésios (2:14). A nossa Santa Madre Teresa de Jesus assumiu plenamente esta humanidade ferida e suportou a dor e a compaixão, sobretudo através da experiência espiritual do «inferno» (Cfr V 32). Este amor pela salvação e libertação total do homem anima a nossa vida e o nosso apostolado. O nosso desejo é o de nos convertermos em «servos do amor» (V 11:1) «verdadeiros espirituais», segundo a descrição que Teresa elaborou: «tornar-se escravos de Deus que marca com o ferro da cruz, porque a Ele é dada a sua liberdade a fim de que os possa vender como escravos de todo o mundo, tal como Ele o foi» (7M 4:8)

Sob a protecção de Nossa Senhora

11. Na história da nossa Santa madre Teresa de Jesus, como na história do Carmelo, a gloriosa Virgem Maria ocupa um lugar singular. Somos do Carmelo porque pertencemos a uma família consagrada à Virgem Maria. O nosso Capítulo, reunido em Fátima, foi eco desta realidade. A Irmã Lúcia e os dois outros Pastorinhos, os Bem-aventurados Francisco e Jacinta, contemplaram Nossa Senhora com o hábito do Carmo convidando-nos a todos a orar pelos pecadores e pela paz. A sua Mensagem alimenta também a nossa esperança: «O meu Coração Imaculado triunfará». Que quer isto dizer? Que o coração aberto de Deus, purificado pela contemplação divina, é mais forte que as espingardas ou qualquer tipo de arma. O fiat de Maria, a palavra do seu coração, mudou a história do mundo, porque graças a este «sim» Deus pôde fazer-se homem no nosso mundo e assim permanece agora e por todo o sempre (J. Ratzinger, A Mensagem de Fátima, Congregação para a Doutrina da Fé, 2000).

Recorrendo ao coração de Maria, à profundidade da sua fé, expressa nas palavras do Magnificat, renovamos cada vez melhor em nós a consciência de que não se pode separar a verdade sobre Deus que salva do Deus que é fonte de todos os dons, da manifestação do seu amor preferencial pelos pobres e pelos humildes, amor dito nas palavras e acções de Jesus (Cfr João Paulo II, Redemptoris Mater 37).

12. Ao longo destes dias nós fomos sentindo a oração das nossas Irmãs Carmelitas, a proximidade dos nossos frades doentes e velhinhos, e as expectativas cheias de esperança dos nossos jovens religiosos. Ler e meditar as obras da nossa Santa Madre, pessoalmente ou em comunidade, assimilar a sua doutrina que nos mostra o caminho da santidade, partilhá-la entre nós e ainda renovar a nossa maneira de falar. Eis o programa do sexénio «Para vós nasci», que desejamos ver concretizado cada ano através de fichas de leitura, como uma fonte de graça e de renovação para toda a Família do Carmo.

Da nossa Santa Madre Teresa de Jesus, mãe dos espirituais e primeira mulher doutora da Igreja, podemos dizer o que dela disse S. Teresa Benedita da Cruz: «A sua irradiação estende-se muito para além das fronteiras do seu povo, da sua Ordem e chega mesmo a alcançar aqueles que estão fora da Igreja. A força da sua linguagem, a sinceridade e a simplicidade de estilo dos seus escritos abrem os corações e depositam neles a vida divina. Só no dia do juízo final conheceremos o número dos que, graças a ela, encontraram o caminho da Luz» (Teresa Benedita da Cruz, Eine Meisterin der Erziehungs- und Bildungsarbeit: Teresia von Jesus, 1935).

Fátima, 7 de Maio de 2009

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Documento Capitular “Para Vos Nasci”

Pedro Tomás Navajas: “Não podemos ser carmelitas sem Teresa de Jesus, sem sua palavra, sem sua presencia” (Fátima, 28-04-2009)

O Documento Capitular “Para Vos Nasci” centralizou os trabalhos da Assembléia Capitular na manhã de hoje, 28 de abril. Grave a moderação do Frei Denis Chardonnens, sócio da Província de Avignon-Aquitania, o Frei Pedro Tomás Navajas, Provincial da província de Burgos, apresentou a parte operativa do Documento.

Navajas é membro da comissão formada pelo Frei Luis Aróstegui e composta também por Miguel Márquez –da província de Castilla, e na que colaboraram outros religiosos com os provinciais Sebastián García –da província de Aragón-Valencia- e Tomás Álvarez – da província de Burgos-. Este grupo de religiosos elaborou uma proposta de guia de leitura de Santa Teresa na Comunidade.

Frei Pedro Tomás expôs uma proposta de guia de leitura dirigida à leitura e aprofundamento do “Livro da Vida” de Santa Teresa de Jesus em cada Comunidade de religiosos. Organizada em três partes, a proposta se centra primeiro em um conjunto amplo de perguntas que ajudem proporcionar um encontro sensível com Teresa, “como a madre que se encarrega de que o fogo da casa não se apague. Não podemos ser carmelitas sem ela, sem sua palavra, sem sua presencia”, afirmou o Frei Navajas.

Um segundo momento consistiria em um “encontro cara a cara com a forma de falar e de dizer” de Santa Teresa, e em terceiro lugar “celebrar este aprofundamento de Santa Teresa em meio do povo”.

Os diferentes grupos lingüísticos se reuniram para debater e analisar a proposta deste guia de leitura e de material de aprofundamento dos escritos Teresianos. Posteriormente, os secretários relataram ao capítulo as conclusões dos grupos avaliando muito positivamente esta iniciativa, o trabalho realizado e as propostas concretas apresentadas.

Um rico intercambio de idéias e sugestões, durante o tempo de diálogo, foi dado quando iniciou a apresentação de diferentes propostas operativas. O objetivo, foi destacado pelo P. Geral, é “saber saborear, desfrutar com Santa Teresa. Apaixonarmos com Teresa e nossa identidade”.

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana – 29 abril de 2009, às 06:06.

“(…) Anseio ver paz e reconciliação nestas terras atormentadas” – 13 de maio de 2009 – Papa Bento XVI.

Nazaré (Israel)
Nazaré (Israel)

Fonte: Rádio Vaticano – http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=287372

13/05/2009 18.59.04

PAPA AO POVO PALESTINO: EMBORA MUROS POSSAM SER FACILMENTE CONSTRUÍDOS, NÃO DURARÃO ETERNAMENTE

Belém, 13 mai (RV) – O último compromisso do Santo Padre nos Territórios palestinos foi a visita de cortesia, às 18h locais (meio-dia de Brasília) ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Abu Mazen, no palácio presidencial, em Belém. Ali, o pontífice encontrou também representantes de algumas comunidades palestinas de Gaza e da Cisjordânia.

Após o colóquio privado entre Bento XVI e Abu Mazen, teve lugar, no pátio do palácio presidencial, a cerimônia de despedida.

Ao agradecer ao presidente da ANP pela sua hospitalidade e pelas palavras a ele dirigidas, o papa disse ter sido motivo de grande emoção escutar também o testemunho dos residentes que falaram das condições de vida na zona ocidental e em Gaza. “Asseguro a todos vocês que os tenho no meu coração e anseio ver paz e reconciliação nestas terras atormentadas” – enfatizou o Santo Padre.

Bento XVI expressou ainda, a alegria de ter podido celebrar a missa com uma grande multidão de fiéis no lugar onde nasceu Jesus Cristo, “luz das nações e esperança do mundo”. A seguir, o papa descreveu a experiência vivida em cada etapa de sua visita aos Territórios palestinos.

Referindo-se ao muro existente nos Territórios, separando os vizinhos e dividindo as famílias, exortou os presentes a olharem para o futuro.

“Embora os muros possam ser facilmente construídos, todos sabemos que não duram eternamente. Mas antes é necessário remover os muros que construímos em torno dos nossos corações, as barreiras que erigimos contra o nosso próximo. Eis o motivo pelo qual, ao despedir-me de vocês, quero renovar o meu apelo à abertura e à generosidade de espírito, ao fim da intolerância e da exclusão. Por mais que um conflito possa parecer profundo e sem saída, existem sempre motivos para esperar que possa ser resolvido, que os esforços pacientes e perseverantes daqueles que trabalham pela paz e a reconciliação, no fim darão os seus frutos.”

O Santo Padre expressou ainda, que seu fervoroso desejo é que isso possa logo se realizar, e que o povo palestino possa finalmente gozar aquela paz, liberdade e estabilidade da qual há tanto tempo tem sido privado. Em seguida, o papa assegurou, nesse sentido, o empenho da Santa Sé:

“Asseguro a todos vocês que aproveitarei toda oportunidade para exortar aqueles que estão envolvidos nas negociações de paz a trabalharem por uma solução justa que respeite as legítimas aspirações de ambos, israelenses e palestinos. Como passo importante nessa direção, a Santa Sé deseja estabelecer brevemente, de acordo com a Autoridade Palestina, a Comissão Bilateral de Trabalho Permanente que foi delineada no Acordo de base, assinado no Vaticano no dia 15 de fevereiro do ano 2000 (cfr Acordo de base entre a Santa Sé e a Organização para a Libertação da Palestina, art. 9).”

Concluída a cerimônia de despedida, o Santo Padre deixou os Territórios palestinos, retornando para a Delegação Apostólica de Jerusalém, onde se encontra hospedado nestes dias da sua XII viagem apostólica internacional.

Amanhã, quinta-feira, sétimo dia de sua peregrinação na Terra Santa, Bento XVI passará todo o dia em Nazaré, onde, às 10h locais (4h de Brasília), no Monte do Precipício, presidirá à santa missa. Às 15h50 locais, no Convento dos Franciscanos de Nazaré, terá um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu.

Em seguida, às 16h30, no Santuário da Anunciação de Nazaré, terá um encontro com os chefes religiosos da Galiléia. Às 17h, visitará a Gruta da Anunciação, no Santuário de Nazaré.

No último compromisso do dia, meia hora depois, sempre no Santuário da Anunciação, fará a celebração das Vésperas com os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, membros de Movimentos eclesiais e agentes de pastoral da Galiléia.

No final do dia, Bento XVI deixará Nazaré, retornando para a Delegação Apostólica de Jerusalém. (RL)

Fonte: Rádio Vaticano.

* Grifos de minha autoria.

Crédito/imagem: Wikimédia Commons – Informações sobre “Nazaré (Israel) http://pt.wikipedia.org/wiki/Nazar%C3%A9_(Israel)

Papa Bento XVI abençoa a pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino, na cidade de Madaba (Jordânia)

Igreja Ortodoxa de São Jorge - Madaba (Jordânia)
Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge - Madaba (Jordânia)

Sobre as Universidades, no lançamento da pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino, em Madaba, dirigindo-se à rainha Rania, da Jordânia, o Sumo Pontífice  “recordou que sua missão não é somente transmitir conhecimento, mas promover nos estudantes o amor pela verdade, para fazer da Universidade um local de compreensão e de diálogo. Todavia, nessa busca da verdade, a religião − assim como a ciência, a tecnologia e a filosofia − pode corromper-se“.

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Fonte: Rádio Vaticano

Amã, 09 mai (RV) – (…) Do Monte Nebo, o pontífice se dirigiu à cidade de Madaba, onde abençoou a pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino.

Ao saudar os presentes, Bento XVI elogiou a política do reino da Jordânia, de privilegiar a educação – missão que envolve em primeira pessoa a Rainha Rania, “cuja dedicação é motivo de inspiração para muitos” – disse o papa.

Falando das Universidades, o Santo Padre recordou que sua missão não é somente transmitir conhecimento, mas promover nos estudantes o amor pela verdade, para fazer da Universidade um local de compreensão e de diálogo. Todavia, nessa busca da verdade, a religião − assim como a ciência, a tecnologia e a filosofia − pode corromper-se.

“A religião é desfigurada, quando é obrigada a servir a ignorância e o preconceito, o desprezo, a violência e o abuso.” Quando isso acontece − explicou o pontífice − não vemos somente a perversão da religião, mas também a corrupção da liberdade humana. “Sem dúvida, quando promovemos a educação, proclamamos a nossa confiança no dom da liberdade” – concluiu o Santo Padre. (BF)

Fonte: http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=285905

Crédito/imagem: http://www.flickr.com/photos/gauiscaecilius/sets/72157607411678227/

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VATICANO – Bento XVI na Terra Santa – Celebração das Vésperas: “A voz autêntica da fé sempre suscitará integridade, justiça, compaixão e paz!”

Amã (Agência Fides – 12.05.2009) – Na Catedral de São Jorge* – greco-melquita, em Amã, no sábado 9 de maio, às 17.30h, o Santo Padre presidiu a oração das vésperas segundo o rito greco-melquita, que contou com a participação de sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e membros de movimentos eclesiais. Estavam presentes sacerdotes, religiosos e fiéis de vários ritos católicos. Na homilia, depois de saudar e agradecer os presentes, o Santo Padre recordou que a “Igreja é um povo peregrino; como tal, durante vários séculos, foi marcado por eventos históricos determinantes e por acontecimentos culturais. Infelizmente alguns deles incluíram períodos de disputa teológica ou de repressão. Todavia, existiram momentos de reconciliação, que fortificaram maravilhosamente a comunhão da Igreja, e tempos de rica retomada cultural aos quais os cristãos orientais contribuíram grandemente… O antigo tesouro vivo das tradições da Igrejas Orientais enriqueceram a Igreja universal e não deve mais ser entendida simplesmente como objeto a ser protegido passivamente. Todos os cristãos são chamados a responder ativamente ao mandato de Deus, como São Jorge fez de maneira segundo testemunho popular, para levar os outros a conhecê-lo e amá-lo”.*

O papa recordou os antigos laços com o patriarcado de Antioquia e suas raízes no Oriente, as numerosas iniciativas de caridade que “se estendem a todos os jordanianos, muçulmanos e outras religiões, e também ao vasto número de refugiados que este reino acolhe tão generosamente”. Falando do Salmo (103), primeiro salmo das vésperas, que apresenta imagens gloriosas de Deus, Criador generoso, ativamente presente em sua criação, e a epístola, que chama a atenção sobre a exigência de vigiar, de ser conscientes das forças do mal que estão na obra para criar escuridão em nosso mundo (cf. Ef 6, 10-20) – o pontífice sublinhou que, além da aparente contradição, “refletindo sobre a experiência humana cotidiana reconhecemos a luta espiritual, advertimos a necessidade cotidiana de entrar na luz de Cristo, de acolher a vida, de buscar a verdade. De fato, este ritmo, nos tira do mal e nos conduz a Deus – e isso celebramos em cada Batismo, entrada na vida cristã, primeiro passo longo o caminho dos discípulos do Senhor”.

Dirigindo-se então aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e às religiosas, e aos fiéis leigos, o Santo Padre recordou que “as respectivas funções de serviço e missão dentro da Igreja são a resposta incansável de um povo peregrino. As suas liturgias, a disciplina eclesiástica e o patrimônio espiritual são um vivo testemunho de sua tradição. Vocês façam ressoar a primeira proclamação do Evangelho, reviver as antigas lembranças das obras de Deus, tornem presentes as suas graças de salvação e difundam novamente o primeiro raio de luz pascal e sensação das chamas de Pentecostes”. Citando a enorme variedade dos trabalhos apostólicos, todos muito apreciados, evidenciou que a sua presença nesta sociedade “é um maravilhoso sinal da esperança que nos qualifica como cristãos” e “tal esperança vai além dos confins de nossas comunidades cristãs”.

Enfim, encorajando os que estão em formação para o sacerdócio e a vida religiosa, o papa disse: “Guiados pela luz do Senhor ressuscitado, inflamados pela sua esperança e revestidos de sua verdade e de seu amor, o seu testemunho dará frutos abundantes de bênçãos àqueles que vocês encontrarão ao longo do caminho”. E exortou todos os jovens cristãos jordanianos: “não tenham medo de dar uma ajuda sábia, comedida e respeitosa à vida pública do reino. A voz autêntica da fé sempre suscitará integridade, justiça, compaixão e paz!” (S.L.) (Agência Fides 12/5/2009)

*Grifos de minha autoria.


“O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias (…)” – Carmelo Santa Teresa (SC-Brasil)

Fonte: http://www.carmelosantateresa.com/index.htm 

Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias
Profeta Eliseu e a miraculosa partida do Profeta Elias

Visão de Santo Elias

INÍCIO DA DEVOÇÃO À VIRGEM DO CARMO

Homem de fogo, pode chamar-se Santo Elias, o Profeta de Deus, cujo nascimento e linhagem a sagrada escritura oculta.

Seu nascimento na história, refere-o o Espírito Santo da forma mais insólita, com um laconismo sublime, pleno de alegria e majestade: “Levantou-se Elias Profeta do Fogo”; e na verdade a sua palavra era como um facho, que aquece e ilumina; seu coração, à semelhança do coração de Cristo, era uma fornalha ardente, e de fogo era a sua imaginação.

Alma caldeada pelos ardores do Espírito Divino, ele era puro, totalmente expurgado da escória terrena. Alma poderosa aos olhos de Deus, ele ordena ao céu que banhe a terra com a sua chuva, e esta cai em abundância; ele impera a morte e os mortos ressuscitam; ele pede justiça ao céu e do céu desce o fogo, e ao império de sua voz, da sua oração, termina o castigo de Deus, vindo chuva fertilizar os campos.

Pois foi este grande Profeta, arrebatado num carro de fogo e que reaparecerá nos últimos tempos para aplacar a ira de Deus, que se mostrou o sinal misterioso e glorioso da Virgem, o dogma que mais A enaltece, a coroa que mais A glorifica, a sua Imaculada Conceição. A devoção à Virgem do Carmo tem a sua origem nesta visão profética de Santo Elias.

Após o triunfo do verdadeiro Deus sobre os sacerdotes de Baal, no alto Monte Carmelo, Elias ordenou que esses falsos sacerdotes fossem conduzidos até à torrente de Cison, e aí degolou a todos.

Mas recordemos a cena bíblica do Carmelo: Elias mandou seu servo olhar para o firmamento do lado do mediterrâneo, uma. Duas, até sete vezes. Só na sétima vez é que o servo do profeta notou que uma pequena nuvem se elevava no céu. Então, Elias mandou dizer a Acob que partisse imediatamente, antes que a chuva o surpreendesse. E aquela nuvenzinha, tão pequena como a pegada de um homem, elevou-se em chuva copiosíssima. Neste fato e nesta nuvem, viu Elias um anúncio profético e uma formosíssima semelhança de MARIA IMACULADA.

A minúscula nuvem ergue-se do mar, mas não é amarga como o oceano: a sua água é doce e fertilizará os campos. Ao ser concebida, Maria é logo cheia de graça, tal como a nuvem se enche de água; a nuvenzinha ergueu-se do mar, mas não tem as qualidades do mar: assim Maria nasce da natureza humana, corrompida pelo pecado original, mas nela há apenas a natureza e não a corrupção do pecado, pois o Redentor a preservou da culpa original em virtude da sua Paixão e Morte. O mistério da pequena nuvem vista por Santo Elias está autorizada pela tradição da Igreja e pela Liturgia do Ofício Divino da Festa de Nossa Senhora do Carmo.

São Metódio, mártir do ano 311, dizia numa de suas homilias: “O Profeta Elias, tendo tido conhecimento da pureza imaculada de Maria, imitando-a em espírito, conquistou para si uma coroa de glória aurifulgente”.

Para Santo Ambrósio, a Virgem estava de fato prefigurada naquela pequena nuvem, de que fala a Escritura.

Disse Santo Alberto Magno: “Maria é essa nuvem pequenina: pequena pela humildade, mas plena pela graça”

A Ordem Carmelita teve seu berço no Monte Carmelo, na Palestina, e seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem italiana (Sto. Elias) e sua dedicação a Maria. O monte Carmelo se eleva entre os confins da Galiléia e Samaria, na Palestina. Compõe-se por uma série de cadeias montanhosas que medem uns 30 km de comprimento por 12 de largura. O pico mais alto é 600 metros sobre o nível do mar, lugar este que é chamado sacrifício. Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o pinta como uma torrente – a fonte de Elias – Elias o maior Profeta do Antigo Testamento. Para a maioria, o termo “Profeta” lembra, sobretudo, a idéia de um homem que anuncia o futuro. Na linguagem bíblica, no entanto, o profeta é um homem inspirado por Deus que comunica aos povos o pensamento e o querer divino. Elias é o profeta que causou a mais profunda e duradoura impressão no povo de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sua vida se situa aproximadamente entre os anos 910 e 850 aC. Seu nome tem o significado de uma profissão de fé: significa “Javé é Deus”. Nasceu em Tesbis, na Transjordânia.

Vários são os episódios que a Bíblia nos oferece sobre o Profeta Elias:

a) Elias por vontade de Deus, se esconde na torrente de Carit, onde os corvos lhe levam comida: 1Reis, 17, 2-6. b) Em Sarepta de Sidon, Elias faz o milagre da farinha e do Azeite: 1Reis, 17, 7-16. c) Em Sarepta, na mesma casa da mulher viúva, ressuscita a seu filho: 1Reis, 17, 17-24. d) Elias é arrebatado ao céu num carro de fogo: 1Reis, 2, 1-18. e) Vocação do Profeta Eliseu: 1reis, 19, 19-21. Eliseu sucessor de Elias. 2reis 2, 19-21.

Elias no Novo testamento:

Vários livros o nomeiam, por exemplo: Mt 16, 13; 17, 1-12; 27,47. Lc 4, 25 e 9, 33. Jo 1-21. São Tiago 5-17.

Elias é um dos poucos profetas com grande ressonância. Elias dizia:

“Eu me consumo de ZELO pelo SENHOR, o DEUS dos exércitos”.

“Vivo é o Senhor em cuja presença estou.”

“Elias surgiu como um fogo e sua palavra queimava como uma tocha.”

(Eclo. 48, 1-12)

PRECE AO SENHOR JAVÉ

Vem, Senhor! Tua Face procuro… Como a terra árida pela chuva anseia assim meu ser por ti… Vivo és senhor! E em tua graça estou! Na brisa leve me fala, No Carit me dessedenta.. Vem, Senhor! na aridez do deserto Com o pão me alimenta Fortalece-me na caminhada… Vivo és, Senhor! E teu zelo me consome Na solidão quero encontrar-te E descobrir-te no irmão… Vem, Senhor, e ao clarão de tua face se passe inteira a minha vida, se opere a nossa união…

Imagem: “Transfiguração: Jesus, Moisés e Elias” – http://arthistoryfacts.com/Page8MyArtHistorySite.htm

“AVE MARIA, GRATIA PLENA” (Schubert), interpretada por Andrea Bocelli (YouTube)

"Virgem de Guadalupe"
"Virgem de Guadalupe"

Ave Maria

Gratia plena

Dominus tecum

Benedicta tu in

mulieribus

Et benedictus

fructus ventris

Tui, Jesus

Sancta Maria

Mater Dei

Ora pro nobis

peccatoribus

Nunc et in hora

mortis nostrae

Amen.”

“Ave Maria” – clássica peça musical de Schubert, é interpretada pelo tenor italiano Andrea Bocelli. Todos sabemos que este cantor de música clássica e lírica é cego, o que torna mais impressionante ainda sua performance. No vídeo , ouvimos somente sua voz, a um só tempo, grave e suave. Considero sua voz encantadora e como intérprete, Andrea Bocelli se mostra versátil porque  empresta a canções populares sua profunda sensibilidade e nas peças clássicas, principalmente de inspiração religiosa, dá um tom quase celestial. Sua interpretação é acompanhada por imagens da Virgem de Guadalupe, padroeira do México. Outras imagens da Virgem Maria – também  muito belas – são apresentadas no vídeo; algumas delas trazem Nossa Senhora com o Menino Jesus aos braços.

Que a Virgem de Guadalupe, Mãe da Humanidade, ore pelo México e pelo mundo inteiro…  Amém.

Imagem: Basílica de Santa María de Guadalupe (site oficial) –

http://www.virgendeguadalupe.org.mx/noticias/Breves_2009/oracion_virgen_influenza_09.htm

Postado em 26 de abril de 2007-(http://www.youtube.com/sanctaorg).

SANTA CATARINA DE SENA, Virgem, Doutora e co-Protetora da Europa (29 de Abril)

FONTE: http:/ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/2009/04/liturgia-29-de-abril-santa-catarina-de.html

santa-catarina-de-sena

Memória de Santa Catarina de Sena, virgem e Doutora da Igreja e co-Protetora da Europa (29 de Abril)

Terciária dominicana, e inflamada por um constante diálogo com seu esposo místico, teve uma irradiação maternal sobre seus discípulos, que se beneficiaram de sua doutrina, e exerceu influência decisiva junto ao papa em favor da unidade da Igreja. Santa Catarina nasceu em Sena, no dia 25 de março de 1347.

Na Europa, a peste negra e as guerras semeavam o pânico e a morte. A Igreja sofria por suas divisões internas e pela existência de “antipapas” (chegaram a existir três papas, simultaneamente). Desejando seguir o caminho da perfeição, aos 15 anos, Catarina ingressou na Ordem Terceira de São Domingos. Viveu um amor apaixonado e apaixonante por Deus e pelo próximo. Lutou ardorosamente pela restauração da paz política e pela harmonia entre os seus concidadãos. Contribuiu para a solução da crise religiosa provocada pelos antipapas, fazendo com que Gregório XI voltasse a Roma.

Embora analfabeta, ditava as suas cartas endereçadas aos papas, aos reis e líderes, como também ao povo humilde. Foi, enfim, uma mulher empenhada social e politicamente e exerceu grande influência religiosa na Igreja de seu tempo. As suas atitudes não deixaram de causar perplexidade nos seus contemporâneos. Adiantou-se séculos aos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente. Deixou-nos o “Diálogo sobre a Divina Providência”, uma exposição clara das suas idéias teológicas e da sua mística, o que coloca Santa Catarina de Sena entre os Doutores da Igreja. Morreu aos 33 anos de idade, no dia 29 de abril de 1380.

“Doze estrelas para chegar à suma perfeição: amor de Deus,amor ao próximo, obediência, castidade, pobreza, assistência ao coro, penitência, humildade, mortificação, oração, silêncio, paz.” São João da Cruz – D154

“Com efeito, não é possível saber se amamos a Deus (embora haja grandes indícios para entender que o amamos); já o amor ao próximo pode ser comprovado. E convencei-vos; quanto mais praticardes este último, tanto mais estareis praticando o amor a Deus. Isso porque é tão grande o amor que Deus nos tem que, para recompensar aquele que demonstramos pelo próximo, faz crescer por mil maneiras o amor que temos por ele. Disso não posso duvidar.” Santa Teresa de Jesus–M 5,3.8

LITURGIA (29 de abril):

Leituras: At 8,1b-8 – Sl 65(66) – Jo 6,35-40

Esta é a vontade de meu Pai: toda pessoa que vê o Filho e nele crê terá a vida eterna.”

Somente essa fé verdadeira, genuína, pregada por Cristo, é capaz de dar um novo significado a toda a nossa vida.

Postado no Blog da OCDS, da Ordem Carmelita Descalça Secular, em 28.04.2009.

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Considerei interessante ampliar nosso conhecimento sobre os termos “ordem terciária” e “ordens ou institutos seculares”. A propósito, conforme nos informa o post do Blog da OCDS, Santa Catarina de Sena era uma leiga consagrada, ou seja, fez parte de uma Ordem Terceira (ou Terciária) reconhecida pela Igreja Católica, no caso a Ordem Terceira Dominicana.Um pouco mais abaixo, há um link que relaciona siglas, nomes latinos e portugueses de ordens e congregações religiosas católicas e seus significados.

“Ordem Terciária: As Ordens Terceiras são associações de leigos católicos, vinculadas às tradicionais ordens religiosas medievais, em particular às dos franciscanos, carmelitas e dominicanos. Reúnem-se em torno à devoção de seu santo padroeiro. Espalharam-se pela América através dos colonizadores e foram um elemento importante na vida social da América portuguesa e espanhola.”

Pesquisa do termo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_terceira

“Institutos Seculares: Os Institutos Seculares são associações comunitárias de leigos católicos que vivem um tipo de vida consagrada, professando votos evangélicos de pobreza, castidade e obediência e cultivando uma intensa vida de oração.

Sua atuação é no mundo secular, em todas as atividades humanas, e a sua missão é colaborar na santificação do mundo de acordo com os valores evangélicos e cristãos. Isto quer dizer que eles não cultivam um modo de vida enclausurado ou fechado, ao contrário da maior parte das ordens religiosas.

Esta forma de consagração foi aprovada pela Igreja Católica em 1947, através da Constituição Apostólica “Provida Mater Ecclesia“.”

Pesquisa do termo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_secular

Pesquisa (Wikipédia): “Siglas, nomes latinos e portugueses de ordens e congregações religiosas católicas

É uso corrente na Igreja Católica apor a sigla da ordem ou congregação religiosa logo após o nome do religioso ou da religiosa. Estas letras são, em geral, as iniciais da designação latina da organização.” (Ver siglas em http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_ordens_e_congrega%C3%A7%C3%B5es_religiosas_cat%C3%B3licas)

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“Morta minh’alma só minha pele me importa” – Carmina Burana (Carl Orff)

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Penso como Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres”. Foi basicamente com estas palavras que ele se expressou há mais de 15 séculos. Sempre me impressionou a profundidade desta afirmação. Mas a maioria acredita que é simples: quer dizer que somos livres para fazer o que quisermos, afinal  – não odiamos ninguém, não desejamos o mal para quem quer que seja, mesmo que nos prejudique, ajudamos as pessoas, etc. A meu ver, a questão não é esta; é bem diferente: amar é complicadíssimo. Amar nos limita, e neste limite – o da renúncia ao egocentrismo – voamos nas asas libertadoras do amor… Sim. Ele, o amor, fere nossos interesses mais imediatos, intercepta nossos instintos egoístas, exige que “cortemos em nossa própria carne”, e firamos nosso orgulho, nosso amor-próprio. Isto não quer dizer não ter personalidade diante de quem nos contraria, abrindo mão de nossa visão das coisas. Acredito que “amar” para Santo Agostinho é renunciar à própria razão e dar uma chance ao que está equivocado, até que ele desista de nós, porque não tem nenhum argumento par nos convencer de que está certo ou esgotou todos que pensava serem superiores aos nossos… Nos dois casos, amar exige que suportemos os arrogantes, prepotentes, íntimos ou não, até que se dêem por vencidos ou prefiram ficar com seu auto-engano… Tal como Santa Teresa de Jesus afirma: “a paciência tudo alcança”. Por que estou falando tudo isto? Porque desde jovem (e tenho 48 anos) acreditei naquilo que o papa Bento XVI afirma para se defender pessoalmente das críticas e a defender a doutrina católica quanto a preservativos, anti-concepcionais e aborto:  a “humanização da sexualidade”. Li hoje este termo no L’Osservatore e fiquei impressionada porque ando procurando há anos um termo que exemplifique o que estamos vivendo na atualidade, e não somente em relação à AIDS na África, que está chegando ao nível de uma pandemia. Me refiro às condutas ocidentais em relação ao sexo, ao amor. Não adianta vir com aquele chavão de que falo “carolices”, “beatices”. Não me enquadro em nenhum tipo de espiritualidade artificial – porque externa, ao modo de uma máscara…

Provém do próprio catolicismo (ou veio do protestantismo?) o ditado: “O hábito não faz o monge”. Por isto Santo Agostinho falava do amor e da liberdade. Daí porque, sem fazer alarde de minhas convicções fui amadurecendo no sentido de que precisamos (o mundo cristão) viver o amor com humanidade, ou seja, a liberdade consiste em amar com o coração e não somente com o corpo (volto a mencionar o filme “Coração Valente”). Realisticamente falando, para exemplificar temos a “indústria do sexo”. Não vou me estender, mas a palavra indústria lembra máquina, produto, mercado. Bem, o Papa fala de “humanização da sexualidade”, e me vem à mente a existência da já assimilada indústria de preservativos… Aqui o corpo humano já se tornou, por extensão, uma peça da “maquinaria” chamada – “indústria da pornografia” – na qual o corpo humano é degradado de forma “light” até o nível da bestialidade… Desculpem-me, eu lhes disse que não era “carola”… Por um bom tempo não pretendo voltar a este assunto, por motivos óbvios.

BUSCA DE PIEDADE, SANTIDADE E HUMILDADE

Almejamos a santidade. Jesus disse que devíamos ser santos, perfeitos “como o Pai o é”.  É evidente que nos instigava a, pelo menos, nos arrojarmos em busca do “caminho da perfeição”, tal como também nos aponta Santa Teresa de Ávila. Ele é o “Caminho, a Verdade e a Vida”, em suas próprias palavras. Precisamos ouvi-Lo, com coração e mente abertos…

Não espero ser compreendida porque esta “cultura”, a da indiferença, do relativismo moral está impregnada em tudo que vivemos. Nosso século, principalmente depois da Segunda Grande Guerra entrou em um processo delirante de busca de satisfação dos cinco sentidos e, nada mais… Onde foi parar a poesia da vida? É verdade que quando temos out-doors em cada esquina, monitores de vídeo com propagandas, ao lado de arranha céus, ou a patética e traiçoeira “Second  Life” do mundo virtual, além de outras virtualidades empobrecedoras do espírito humano, o quê significa mesmo pensar poeticamente; enfim, o que é viver com poesia?

No meu caso, sou plenamente consciente do que é exterior em grau excessivo no âmbito da espiritualidade. O papa Bento XVI não me perturba, nem a doutrina da Igreja Católica. O amor dá coerência à Doutrina. Acabamos de voltar a Santo Agostinho… Sou jornalista e estudo informalmente temas teológicos, no entanto, nunca fiz parte de nenhum convento, nem mesmo faço parte de uma ordem secular. Tão somente sou uma leiga católica. Tal como se tornou católico meu marido, que, apesar de batizado católico foi criado dentro de fundamentos calvinistas. Quando nos conhecemos, estudávamos em universidades diferentes, e nessa época ele “estava” ateu.. Brinco com ele sobre isto, e ele nem liga porque é uma verdade… Estava como quem apresenta urticária por excesso de condimentos químicos na alimentação. O indivíduo não é alérgico, mas como exigiu demais do organismo, a resposta é o mal-estar da urticária. Creio que esta é uma boa metáfora. A partir  deste “estado” bem humano (o da dúvida, que todos sentiremos enquanto vivermos), lentamente, passou a admitir o cristianismo reformado. Após o término do mestrado fez amplas pesquisas relacionadas com o contexto histórico em que viveram Calvino e Lutero, além de buscar biografias de fontes reconhecidas. Ao deparar com três personalidades piedosas dentro da Reforma, que a meu ver, foram cristãos reformados admiráveis – Armínio e sobre os irmãos Wesley  – começou a ver as coisas de outro modo. A partir destes chegou a São Franscisco de Sales… Armínio teria lido os escritos do Bispo de Sales, na forma de “panfletos”. Estes, visavam demonstrar os equívocos de Calvino em relação ao seu professado anti-catolicismo. Genebra, na Bélgica, era o berço dos calvinistas, e ele fora para lá com o objetivo de estudar suas teses teológicas. Não se tornou católico, mas absorveu a noção de “piedade” de São Francisco de Sales. A história conta que os discípulos de Armínio foram perseguidos e mortos pelos calvinistas. Quanto a John Wesley e seu irmão, provinham de família que fugira da Holanda para a Inglaterra por professarem o ponto de vista dos arminianos. Absorvidos estes conhecimentos, acrescentou à sua bagagem o pietismo do protestante alemão Phillip Spenner. Eu fiquei encantada. entretanto, esta corrente não é influente no luteranismo atual. Chegando ao final do nosso século, meu marido, espantado tomou conhecimento das razões da conversão ao catolicismo de John Neuman, que se tornou o conhecido Cardeal Neuman. Este havia sido incumbido de “confirmar” os postulados que afirmavam a fé anglicana como válida em relação à sucessão e tradição apostólicas. Não conseguiu o intento… Apresentou suas conclusões aos dirigentes anglicanos e, ato contínuo, se tornou sacerdote católico.

Descoberta após descoberta, entre cansaço, estranhamento e fascínio, meu marido importou “Vida Devota” e “Controvérsia Católica”. Eu sofria com esta “inquietação interior”, certamente provocada por muitos anos, desde o berço, de críticas contínuas ao catolicismo. Entretanto, dentro de sua própria família havia e há exceções nesse sentido. É importante frisar que esta é uma realidade pessoal (porque histórica) para centenas de milhões de cristãos reformados e calvinistas.

Ao final, através da argumentação de São Francisco de Sales, o acesso ao conceito de piedade em Cristo, aliado aos de humildade em relação à tradição apostólica e de santidade no dia-a-dia, que são centrais em suas duas obras – fez com deixasse para trás preconceitos quase milenares…

Não tive medo – rezei muito, e o pouco temor que experimentei nesta jornada espiritual surpreendente que ele vivia – simplesmente desapareceu. Também aprendi, amadureci muitas coisas. Acho que, estudiosos de Filosofia, se não permanecerem no ateísmo, podem viver algo como o que Santa Edith Stein, carmelita descalça viveu. A razão abraça a fé. Recentemente deparei com este pensamento dela: “O homem que busca a verdade, mesmo que não consciente, busca a Deus”.

COMBATE ESPIRITUAL

Todos travamos um “combate espiritual”, mesmo que não tenhamos uma noção clara, contínua disto em nossas vidas. Os santos e santas nos ajudam nesta difícil caminhada. A propósito, nem São Francisco de Sales, nem Santa Edith Stein tiveram suas obras traduzidas para a língua portuguesa. Acredito que isto se deva ao nosso bem familiar atraso (ou retrocesso?) cultural… Para concluir, diria que todo verdadeiro amor é feito de renúncias mútuas, porque vem de Deus. Ele, o Todo Poderoso renunciou à ação quando Jesus sangrava por nós no Calvário, na Cruz… Estas idéias não combinam com o século XX e o XXI. Ambos se caracterizam pelo império do hedonismo, do “qualquer coisa é admissível”, ou seja, não há compromisso moral com nada e com ninguém, o que é lamentável para o que sempre foi um ideal humano: a felicidade. A Humanidade está chegando à uma abismal conclusão: amar é complicado demais. Então, tal como se dá na peça musical Carmina Burana, passa a ser natural o absurdo:  “morta minh’alma só minha pele me importa…”.

«A verdadeira liberdade consiste em conformar-se com Cristo, e não em fazer o que se quer» Bento XVI, audiência geral de 1º de outubro de 2.008.

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Imagem: 14ª Estação – “Jesus é colocado no sepulcro” –

http://www.igrejasaosebastiao.com.br/via_sacra.asp