SANTA CATARINA DE SENA, Virgem, Doutora e co-Protetora da Europa (29 de Abril)

FONTE: http:/ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/2009/04/liturgia-29-de-abril-santa-catarina-de.html

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Memória de Santa Catarina de Sena, virgem e Doutora da Igreja e co-Protetora da Europa (29 de Abril)

Terciária dominicana, e inflamada por um constante diálogo com seu esposo místico, teve uma irradiação maternal sobre seus discípulos, que se beneficiaram de sua doutrina, e exerceu influência decisiva junto ao papa em favor da unidade da Igreja. Santa Catarina nasceu em Sena, no dia 25 de março de 1347.

Na Europa, a peste negra e as guerras semeavam o pânico e a morte. A Igreja sofria por suas divisões internas e pela existência de “antipapas” (chegaram a existir três papas, simultaneamente). Desejando seguir o caminho da perfeição, aos 15 anos, Catarina ingressou na Ordem Terceira de São Domingos. Viveu um amor apaixonado e apaixonante por Deus e pelo próximo. Lutou ardorosamente pela restauração da paz política e pela harmonia entre os seus concidadãos. Contribuiu para a solução da crise religiosa provocada pelos antipapas, fazendo com que Gregório XI voltasse a Roma.

Embora analfabeta, ditava as suas cartas endereçadas aos papas, aos reis e líderes, como também ao povo humilde. Foi, enfim, uma mulher empenhada social e politicamente e exerceu grande influência religiosa na Igreja de seu tempo. As suas atitudes não deixaram de causar perplexidade nos seus contemporâneos. Adiantou-se séculos aos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente. Deixou-nos o “Diálogo sobre a Divina Providência”, uma exposição clara das suas idéias teológicas e da sua mística, o que coloca Santa Catarina de Sena entre os Doutores da Igreja. Morreu aos 33 anos de idade, no dia 29 de abril de 1380.

“Doze estrelas para chegar à suma perfeição: amor de Deus,amor ao próximo, obediência, castidade, pobreza, assistência ao coro, penitência, humildade, mortificação, oração, silêncio, paz.” São João da Cruz – D154

“Com efeito, não é possível saber se amamos a Deus (embora haja grandes indícios para entender que o amamos); já o amor ao próximo pode ser comprovado. E convencei-vos; quanto mais praticardes este último, tanto mais estareis praticando o amor a Deus. Isso porque é tão grande o amor que Deus nos tem que, para recompensar aquele que demonstramos pelo próximo, faz crescer por mil maneiras o amor que temos por ele. Disso não posso duvidar.” Santa Teresa de Jesus–M 5,3.8

LITURGIA (29 de abril):

Leituras: At 8,1b-8 – Sl 65(66) – Jo 6,35-40

Esta é a vontade de meu Pai: toda pessoa que vê o Filho e nele crê terá a vida eterna.”

Somente essa fé verdadeira, genuína, pregada por Cristo, é capaz de dar um novo significado a toda a nossa vida.

Postado no Blog da OCDS, da Ordem Carmelita Descalça Secular, em 28.04.2009.

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Considerei interessante ampliar nosso conhecimento sobre os termos “ordem terciária” e “ordens ou institutos seculares”. A propósito, conforme nos informa o post do Blog da OCDS, Santa Catarina de Sena era uma leiga consagrada, ou seja, fez parte de uma Ordem Terceira (ou Terciária) reconhecida pela Igreja Católica, no caso a Ordem Terceira Dominicana.Um pouco mais abaixo, há um link que relaciona siglas, nomes latinos e portugueses de ordens e congregações religiosas católicas e seus significados.

“Ordem Terciária: As Ordens Terceiras são associações de leigos católicos, vinculadas às tradicionais ordens religiosas medievais, em particular às dos franciscanos, carmelitas e dominicanos. Reúnem-se em torno à devoção de seu santo padroeiro. Espalharam-se pela América através dos colonizadores e foram um elemento importante na vida social da América portuguesa e espanhola.”

Pesquisa do termo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_terceira

“Institutos Seculares: Os Institutos Seculares são associações comunitárias de leigos católicos que vivem um tipo de vida consagrada, professando votos evangélicos de pobreza, castidade e obediência e cultivando uma intensa vida de oração.

Sua atuação é no mundo secular, em todas as atividades humanas, e a sua missão é colaborar na santificação do mundo de acordo com os valores evangélicos e cristãos. Isto quer dizer que eles não cultivam um modo de vida enclausurado ou fechado, ao contrário da maior parte das ordens religiosas.

Esta forma de consagração foi aprovada pela Igreja Católica em 1947, através da Constituição Apostólica “Provida Mater Ecclesia“.”

Pesquisa do termo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_secular

Pesquisa (Wikipédia): “Siglas, nomes latinos e portugueses de ordens e congregações religiosas católicas

É uso corrente na Igreja Católica apor a sigla da ordem ou congregação religiosa logo após o nome do religioso ou da religiosa. Estas letras são, em geral, as iniciais da designação latina da organização.” (Ver siglas em http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_ordens_e_congrega%C3%A7%C3%B5es_religiosas_cat%C3%B3licas)

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“Morta minh’alma só minha pele me importa” – Carmina Burana (Carl Orff)

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Penso como Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres”. Foi basicamente com estas palavras que ele se expressou há mais de 15 séculos. Sempre me impressionou a profundidade desta afirmação. Mas a maioria acredita que é simples: quer dizer que somos livres para fazer o que quisermos, afinal  – não odiamos ninguém, não desejamos o mal para quem quer que seja, mesmo que nos prejudique, ajudamos as pessoas, etc. A meu ver, a questão não é esta; é bem diferente: amar é complicadíssimo. Amar nos limita, e neste limite – o da renúncia ao egocentrismo – voamos nas asas libertadoras do amor… Sim. Ele, o amor, fere nossos interesses mais imediatos, intercepta nossos instintos egoístas, exige que “cortemos em nossa própria carne”, e firamos nosso orgulho, nosso amor-próprio. Isto não quer dizer não ter personalidade diante de quem nos contraria, abrindo mão de nossa visão das coisas. Acredito que “amar” para Santo Agostinho é renunciar à própria razão e dar uma chance ao que está equivocado, até que ele desista de nós, porque não tem nenhum argumento par nos convencer de que está certo ou esgotou todos que pensava serem superiores aos nossos… Nos dois casos, amar exige que suportemos os arrogantes, prepotentes, íntimos ou não, até que se dêem por vencidos ou prefiram ficar com seu auto-engano… Tal como Santa Teresa de Jesus afirma: “a paciência tudo alcança”. Por que estou falando tudo isto? Porque desde jovem (e tenho 48 anos) acreditei naquilo que o papa Bento XVI afirma para se defender pessoalmente das críticas e a defender a doutrina católica quanto a preservativos, anti-concepcionais e aborto:  a “humanização da sexualidade”. Li hoje este termo no L’Osservatore e fiquei impressionada porque ando procurando há anos um termo que exemplifique o que estamos vivendo na atualidade, e não somente em relação à AIDS na África, que está chegando ao nível de uma pandemia. Me refiro às condutas ocidentais em relação ao sexo, ao amor. Não adianta vir com aquele chavão de que falo “carolices”, “beatices”. Não me enquadro em nenhum tipo de espiritualidade artificial – porque externa, ao modo de uma máscara…

Provém do próprio catolicismo (ou veio do protestantismo?) o ditado: “O hábito não faz o monge”. Por isto Santo Agostinho falava do amor e da liberdade. Daí porque, sem fazer alarde de minhas convicções fui amadurecendo no sentido de que precisamos (o mundo cristão) viver o amor com humanidade, ou seja, a liberdade consiste em amar com o coração e não somente com o corpo (volto a mencionar o filme “Coração Valente”). Realisticamente falando, para exemplificar temos a “indústria do sexo”. Não vou me estender, mas a palavra indústria lembra máquina, produto, mercado. Bem, o Papa fala de “humanização da sexualidade”, e me vem à mente a existência da já assimilada indústria de preservativos… Aqui o corpo humano já se tornou, por extensão, uma peça da “maquinaria” chamada – “indústria da pornografia” – na qual o corpo humano é degradado de forma “light” até o nível da bestialidade… Desculpem-me, eu lhes disse que não era “carola”… Por um bom tempo não pretendo voltar a este assunto, por motivos óbvios.

BUSCA DE PIEDADE, SANTIDADE E HUMILDADE

Almejamos a santidade. Jesus disse que devíamos ser santos, perfeitos “como o Pai o é”.  É evidente que nos instigava a, pelo menos, nos arrojarmos em busca do “caminho da perfeição”, tal como também nos aponta Santa Teresa de Ávila. Ele é o “Caminho, a Verdade e a Vida”, em suas próprias palavras. Precisamos ouvi-Lo, com coração e mente abertos…

Não espero ser compreendida porque esta “cultura”, a da indiferença, do relativismo moral está impregnada em tudo que vivemos. Nosso século, principalmente depois da Segunda Grande Guerra entrou em um processo delirante de busca de satisfação dos cinco sentidos e, nada mais… Onde foi parar a poesia da vida? É verdade que quando temos out-doors em cada esquina, monitores de vídeo com propagandas, ao lado de arranha céus, ou a patética e traiçoeira “Second  Life” do mundo virtual, além de outras virtualidades empobrecedoras do espírito humano, o quê significa mesmo pensar poeticamente; enfim, o que é viver com poesia?

No meu caso, sou plenamente consciente do que é exterior em grau excessivo no âmbito da espiritualidade. O papa Bento XVI não me perturba, nem a doutrina da Igreja Católica. O amor dá coerência à Doutrina. Acabamos de voltar a Santo Agostinho… Sou jornalista e estudo informalmente temas teológicos, no entanto, nunca fiz parte de nenhum convento, nem mesmo faço parte de uma ordem secular. Tão somente sou uma leiga católica. Tal como se tornou católico meu marido, que, apesar de batizado católico foi criado dentro de fundamentos calvinistas. Quando nos conhecemos, estudávamos em universidades diferentes, e nessa época ele “estava” ateu.. Brinco com ele sobre isto, e ele nem liga porque é uma verdade… Estava como quem apresenta urticária por excesso de condimentos químicos na alimentação. O indivíduo não é alérgico, mas como exigiu demais do organismo, a resposta é o mal-estar da urticária. Creio que esta é uma boa metáfora. A partir  deste “estado” bem humano (o da dúvida, que todos sentiremos enquanto vivermos), lentamente, passou a admitir o cristianismo reformado. Após o término do mestrado fez amplas pesquisas relacionadas com o contexto histórico em que viveram Calvino e Lutero, além de buscar biografias de fontes reconhecidas. Ao deparar com três personalidades piedosas dentro da Reforma, que a meu ver, foram cristãos reformados admiráveis – Armínio e sobre os irmãos Wesley  – começou a ver as coisas de outro modo. A partir destes chegou a São Franscisco de Sales… Armínio teria lido os escritos do Bispo de Sales, na forma de “panfletos”. Estes, visavam demonstrar os equívocos de Calvino em relação ao seu professado anti-catolicismo. Genebra, na Bélgica, era o berço dos calvinistas, e ele fora para lá com o objetivo de estudar suas teses teológicas. Não se tornou católico, mas absorveu a noção de “piedade” de São Francisco de Sales. A história conta que os discípulos de Armínio foram perseguidos e mortos pelos calvinistas. Quanto a John Wesley e seu irmão, provinham de família que fugira da Holanda para a Inglaterra por professarem o ponto de vista dos arminianos. Absorvidos estes conhecimentos, acrescentou à sua bagagem o pietismo do protestante alemão Phillip Spenner. Eu fiquei encantada. entretanto, esta corrente não é influente no luteranismo atual. Chegando ao final do nosso século, meu marido, espantado tomou conhecimento das razões da conversão ao catolicismo de John Neuman, que se tornou o conhecido Cardeal Neuman. Este havia sido incumbido de “confirmar” os postulados que afirmavam a fé anglicana como válida em relação à sucessão e tradição apostólicas. Não conseguiu o intento… Apresentou suas conclusões aos dirigentes anglicanos e, ato contínuo, se tornou sacerdote católico.

Descoberta após descoberta, entre cansaço, estranhamento e fascínio, meu marido importou “Vida Devota” e “Controvérsia Católica”. Eu sofria com esta “inquietação interior”, certamente provocada por muitos anos, desde o berço, de críticas contínuas ao catolicismo. Entretanto, dentro de sua própria família havia e há exceções nesse sentido. É importante frisar que esta é uma realidade pessoal (porque histórica) para centenas de milhões de cristãos reformados e calvinistas.

Ao final, através da argumentação de São Francisco de Sales, o acesso ao conceito de piedade em Cristo, aliado aos de humildade em relação à tradição apostólica e de santidade no dia-a-dia, que são centrais em suas duas obras – fez com deixasse para trás preconceitos quase milenares…

Não tive medo – rezei muito, e o pouco temor que experimentei nesta jornada espiritual surpreendente que ele vivia – simplesmente desapareceu. Também aprendi, amadureci muitas coisas. Acho que, estudiosos de Filosofia, se não permanecerem no ateísmo, podem viver algo como o que Santa Edith Stein, carmelita descalça viveu. A razão abraça a fé. Recentemente deparei com este pensamento dela: “O homem que busca a verdade, mesmo que não consciente, busca a Deus”.

COMBATE ESPIRITUAL

Todos travamos um “combate espiritual”, mesmo que não tenhamos uma noção clara, contínua disto em nossas vidas. Os santos e santas nos ajudam nesta difícil caminhada. A propósito, nem São Francisco de Sales, nem Santa Edith Stein tiveram suas obras traduzidas para a língua portuguesa. Acredito que isto se deva ao nosso bem familiar atraso (ou retrocesso?) cultural… Para concluir, diria que todo verdadeiro amor é feito de renúncias mútuas, porque vem de Deus. Ele, o Todo Poderoso renunciou à ação quando Jesus sangrava por nós no Calvário, na Cruz… Estas idéias não combinam com o século XX e o XXI. Ambos se caracterizam pelo império do hedonismo, do “qualquer coisa é admissível”, ou seja, não há compromisso moral com nada e com ninguém, o que é lamentável para o que sempre foi um ideal humano: a felicidade. A Humanidade está chegando à uma abismal conclusão: amar é complicado demais. Então, tal como se dá na peça musical Carmina Burana, passa a ser natural o absurdo:  “morta minh’alma só minha pele me importa…”.

«A verdadeira liberdade consiste em conformar-se com Cristo, e não em fazer o que se quer» Bento XVI, audiência geral de 1º de outubro de 2.008.

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Imagem: 14ª Estação – “Jesus é colocado no sepulcro” –

http://www.igrejasaosebastiao.com.br/via_sacra.asp

Secretaria de Estado do Vaticano rebate críticas da Embaixada do Reino da Bélgica a Bento XVI sobre a Aids e o aborto

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FONTE: L’Osservatore Romano

25 de Abril 2009

Comunicado da Secretaria de Estado

O Embaixador do Reino da Bélgica, por instruções do Ministro dos Negócios Estrangeiros, comunicou ao Ex.mo Arcebispo Secretário para as Relações com os Estados a Resolução com a qual a Câmara dos Representantes do próprio País pediu ao governo belga para “condenar as declarações inaceitáveis do Papa por ocasião da sua viagem à África e de protestar oficialmente junto da Santa Sé”. O encontro teve lugar a 15 de Abril corrente.

A Secretaria de Estado toma conhecimento com tristeza deste passo, não habitual nas relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Reino da Bélgica. Deplora que uma Assembleia parlamentar tenha considerado oportuno criticar o Santo Padre, com base num extracto de entrevista cortado e isolado do contexto, que foi usado por alguns grupos com evidente intenção intimidatória, quase a dissuadir o Papa de se expressar sobre alguns temas, cuja relevância moral é óbvia, e de ensinar a doutrina da Igreja.

Como se sabe, o Santo Padre, respondendo a uma pergunta sobre a eficácia e o carácter realista das posições da Igreja em matéria de luta contra a sida, declarou que a solução deve ser procurada em duas direcções: por um lado na humanização da sexualidade e, por outro, numa autêntica amizade e disponibilidade em relação às pessoas que sofrem, ressaltando também o compromisso da Igreja nos dois âmbitos. Sem esta dimensão moral e educativa a batalha contra a sida nunca será vencida.

Enquanto, nalguns Países da Europa, se desencadeava uma campanha mediática sem precedentes sobre o valor preponderante, para não dizer exclusivo, pró-profilático na luta contra a sida, é confortador verificar que as considerações de tipo moral desenvolvidas pelo Santo Padre foram compreendidas e apreciadas, sobretudo pelos africanos e pelos verdadeiros amigos da África, assim como por alguns membros da comunidade científica. Como se pode ler numa recente declaração da Conferência Episcopal Regional da África Ocidental (Cerao): “Estamos gratos pela mensagem de esperança que [o Santo Padre] nos veio confiar nos Camarões e em Angola. Veio encorajar-nos a viver unidos, reconciliados na justiça e na paz, para que a Igreja em África seja ela mesma uma chama ardente de esperança para a vida de todo o continente. E agradecemos-lhe por ter reproposto a todos, com matizes, clareza e acuidade, o ensinamento comum da Igreja em matéria de pastoral dos doentes de sida”.

FONTE: http://www.vatican.va/news_services/or/or_por/text.html#4

Imagens: http://fratresinunum.com/

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Os trechos sublinhados acima são de minha iniciativa, para destaque.

Os dados abaixo, retirados da Wikimedia Commons trazem o mapa da África  e o índice de incidência da Aids, em matiz de cor para cada país deste continente. É um fato estranho que o título se refira à “AIDS”, mas o único mapa é o da África, enquanto há, exatamente ao lado, um gráfico sobre a causa de mortes nos Estados Unidos…  Isto merece nossa análise. Acrescento os seguintes dados, que fixam o significado da sigla em três idiomas e, o endereço eletrônico para outras informações relevantes:

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/Aids

Sida (SIDA): Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (em espanhol, português, francês)

Aids (AIDS): Acquired Immunodeficiency Syndrome

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FONTE: http://fratresinunum.com/tag/atualidades/

27 de março de 2009

O Papa na África: “É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”.

de France Presse, em Luanda

O papa Bento 16 pediu neste sábado em Angola aos adeptos da bruxaria que se convertam à religião católica, durante uma missa na igreja de São Paulo da capital angolana.“Muitos de vocês vivem com o medo dos espíritos, de poderes nefastos que os ameaçam, desorientados, e chegam a condenar crianças de rua e até idosos, porque, dizem, são bruxos”, afirmou o pontífice em uma referência clara às várias seitas e religiões tradicionais africanas presentes em Angola, incluindo algumas que celebram rituais de sacrifício humanos.“A eles é preciso anunciar que Cristo venceu a morte e todos estes poderes obscuros”, disse o papa durante a homilia.“Há quem objete que os deixemos em paz, que eles têm a verdade deles e nós a nossa. Que tentemos conviver pacificamente, deixando tudo como está. Estamos convencidos de que não cometemos injustiça alguma se apresentamos Cristo a eles […] É para nós uma obrigação oferecer a possibilidade de alcançar a vida eterna”, destacou.Diante de bispos, religiosos e representantes dos movimentos católicos e missionários, em uma igreja remodelada e lotada, Bento 16 condenou tais movimentos na África, que na última década representam uma forte concorrência para a Igreja Católica.

POLÊMICA

Em sua primeira viagem pela África –que inclui ainda uma parada em Camarões– o papa não escapou aos temas polêmicos. Ele condenou nesta sexta-feira (20) todas as formas de aborto, ao mesmo tempo em que exigiu medidas econômicas e legislativas em defesa da família, que segundo ele, “está ameaçada”.O papa mencionou o artigo 14 do Protocolo de Maputo, carta sobre os Direitos da Mulher na África que entrou em vigor em 2005 e foi ratificada pelos 20 Estados membros. O artigo se refere ao aborto como um dos métodos para regulamentar as políticas reprodutivas. “Como é amarga a ironia daqueles que promovem o aborto entre as curas para a saúde materna. É desconcertante a tese daqueles que acreditam que a eliminação da vida é um assunto de saúde reprodutiva”, disse.O papa fez as declarações no discurso que dirigiu aos bispos de Angola e São Tomé e Príncipe.Em Camarões, o papa causou grande discussão na comunidade internacional ao dizer que a distribuição de preservativos não ajuda a reduzir o número de pessoas contaminadas com a Aids.Bento 16 afirmou que a Aids “é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, os quais podem aumentar os problemas”.

A declaração foi feita em resposta a uma pergunta sobre se os ensinamentos da Igreja Católica não eram “irrealistas e ineficazes” em relação à Aids. O papa defendeu que a epidemia só pode ser impedida com uma renovação moral no comportamento, a “humanização da sexualidade”, incluindo elementos de fidelidade e autossacrifício.

O papa adota a visão tradicional da Igreja Católica sobre o tema: sexo apenas depois do casamento e a proibição de meios contraceptivos artificiais, como a camisinha e a pílula.

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Cristoaleluia

Imagem: http://fratresinunum.com/



A oração como travessia…

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A oração é a essência de nossa caminhada neste mundo cada vez mais desumano. É nosso elo com Aquele que nos trouxe à vida. Sei que por não rezar pelo menos o terço com frequência abro mão de um privilégio… a oportunidade de estar na Graça contínua de Deus-Pai. Isto, não quer dizer obviamente que não seremos alcançados por sofrimentos de todo tipo, e sim que conseguiremos suportá-los com resignação. Foi assim com a vida de Jesus e dos santos e santas da Igreja. Devemos nos esforçar para imitá-los, ainda que muitos até nos ridicularizem… Quanto a mim, não me importo; o fim chega para todos que vivem sob o sol. Está lá no Esclesiastes. Assim, lamento por limitar-me ao Pai-Nosso, à Ave-Maria, ao Creio e ao Santo Anjo; às vezes rezo todas ou apenas uma delas, à noite… Me ocorre também, felizmente, mesmo em meio a confusões, pronunciar uma delas em algum momento do dia quando algum pensamento ou situação me oprime. Neste momento busco acalmar meu espírito. Afinal, não faltam situações de desasossego em nosso dia-a-dia. “Religo-me ” com Deus (lembrei agora da palavra religião, do latim “religare”), e retomo minha calma habitual.

Santa Teresa de Ávila fala da “oração mental”, e neste aspecto, posso dizer a vocês que sou mais constante neste tipo de busca de intimidade com Deus. Sinto-me à vontade com esta tentativa de aproximação com meu Amigo e Mestre Cristo Jesus. Mentalmente, em qualquer lugar, e principalmente à noite, converso com Ele sobre minhas “mini-cruzes” (como se Ele as desconhecesse…). Nos dois modos, considero minhas orações “mais-que-imperfeitas”, já que em geral, esqueço de agradecer, pelo que me agrada e pelo que me desagrada nesta vida… Santa Teresa diz que tudo é para nossa edificação. E, eu, por mais que o mundo discorde – acredito que é assim que se dá em nossas vidas; por mais ilógico que pareça! Ninguém gosta de sofrer gratuitamente, mas acredito que certas situações que se mostram inevitáveis, por certo tem componentes de correção ou de melhoramento. A resignação  (no “Livro da Vida”, Santa Teresa de Jeus aprofunda este aspecto) é uma meta difícil em uma época que insiste em dizer que o paraíso é logo ali… Para mim, o que nos prova tem o estrito fim de levar ao aperfeiçoamento de nossas almas. Deus permite que aconteça o que nos desgosta, contraria, entristece… Outras vezes, mesmo sem percebermos contribuímos, por intransigência, para o que nos infelicita, ainda que por um breve tempo. O sofrimento interior cessa com a reparação da falta. Mas, pode acontecer também que não exista boa-vontade para nos acolher, mesmo na condição de quem não foi poupado de, no mínimo, falta de afeição. Bem humana é a ofensa, a maledicência, a mesquinhez. São atitudes que comprometem a paz em qualquer ambiente. Como disse anteriomente, se ofendemos ou fomos ofendidos, e tentamos um acordo, podemos deparar com um entrave: a  limitação humana. Ela pode acompanhar muitos de nós ao túmulo… Isto é muito comum, infelizmente.

Imaginemos então o contrário, ou seja, nada nos contraria, nos decepciona, entristece. Sabemos o quanto isto é irreal… No entanto, não sentiríamos nossa fragilidade, nosso desamparo se não tivéssemos que passar por tais travessias… Aqui, neste ponto, seja ele o da inconformidade por sentirmos decepção, dor, tristeza, sensação de injustiça, etc., vem uma sutil consolação: olhamos para o Alto e começamos a sentir Sua presença. Isto, para mim, vale também para quando falhamos, decepcionamos alguém que amamos. Deus sabe que, em geral, suas criaturas almejam a paz, dado que são naturalmente rebeldes, e  no entanto, farão tudo errado… Ou falhamos com nossos semelhantes ou falham conosco, sem trégua. Há portanto muito que refletir… É o que se depreende do ensinamento dos santos e santas. A própria Igreja Católica “sofreu” e sofre” tais males, tal como nós que a compomos.

Rezem por mim, ok? Boa semana a todos.

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Crédito da imagem: WikiCommons (public domain) – “Tacuina sanitatis” (XIV century) – unknown master.

Missão do Carmelo: “capacidade interior de escutar a Deus” (90º Capítulo Geral – Fátima)

FONTE: http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/o-bispo-de-fatima-recorda-que-o-grande.html

90º Capítulo Geral em Fátima (Portugal) – 18/04/2009

Bispo de Fátima recorda que o grande labor do Carmelo é despertar nos cristãos a “capacidade interior de escutar a Deus”

Homilia-Mons.António A. dos S. Marto – Celebração (Fátima)

A mística, consubstancial à vida cristã”

A capela das Carmelitas Descalças acolheu, ao meio dia de hoje, a celebração da eucaristia na qual participaram os assistentes do Capítulo Geral, esta foi presidida pelo bispo da diocese de Leiria-Fátima, Mons. António Augusto dos Santos Marto. “Quero unir-me a vos, na oração eucarística e pela interseção do Espírito Santo, ao vosso Capítulo Geral” sublinhou o prelado que em sua homilia assinalou que este encontro da Ordem “está marcado pela gloria espiritual da ressurreição”. D. Antonio afirmou em sua homilia, pronunciada em italiano, que a espiritualidade carmelitana é “profundamente atual para a evangelização hoje” e se deteve em detalhar algumas características das linhas contemplativas – mística e de afeto a Mãe do Monte Carmelo essenciais para a Ordem. O prelado recordou aos capitulares que a contemplação e a mística “é consubstancial a vida cristã”. “Ante a mediocridade e a banalidade de um horizonte exclusivamente mundano” e a atitude de “muitos cristãos que dão imagem de uma fé sem encanto, sem entusiasmo e sem coragem,” as comunidades contemplativas são testemunho vivo da fé em Cristo, afirmou o bispo. Esta “visão contemplativa da fé é para todo povo cristão, no só para as elites. O trabalho de vossa ordem, e de vossa espiritualidade é iluminar o momento presente. Suscitar de novo o apetite espiritual de que carecem tantos cristãos: a capacidade interior de escutar a Deus.”

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana.

“Como Orar” – Centro Carmelitano Castelo Interior

FONTE: http://www.castelointerior.org/como_orar.html

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“Ide e dai vós mesmos de comer.”

A espiritualidade carmelitana é uma das mais ricas da Igreja. O cerne dessa espiritualidade é a vida de oração e intimidade com Deus. Os santos carmelitas tem uma doutrina e, principalmente, uma experiência de oração que merece ser conhecida e pode nos servir de guia no nosso caminho rumo à comunhão com Deus.


(…)Encontros “Como Orar” (2009): o primeiro em 14 de junho e o segundo em 23 de agosto, ambos começando pela manhã (8h30min) e terminando à tarde (por volta das 18h30min).


Centro Carmelitano Castelo Interior – 2008
Av. Oscar Pereira, 5119 – Bairro Cascata – Porto Alegre – RS – Brasil
Fone: (51) 3318 5061

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“Não é o poder que redime, mas o amor.” (Papa Bento XVI – Homilia)

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missa_papa_homiO Sumo Pontífice – papa Bento XVI, Joseph Ratzinger – nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927. Portanto, na última quinta-feira completou 82 anos. Parece estranho mencionar com atraso a comemoração de seu aniversário, mas sigo o ditado popular: “antes tarde do que nunca”… Não sou dada a felicitações de aniversário, no entanto, este homem, tal como é comentado sobre todos os pontífices vive uma solidão, a meu ver, “singular”. Não pelo fato de ser celibatário e não ter parentes próximos vivos, e sim por ser o 265º Papa! Um papa é um homem especial, por excelência, porque deve ser forte, já que conviverá com todo o tipo de pressões. Muitas delas, tal como é sabido por toda a cristandade, contrariaram o “Espírito da Igreja”. Na atualidade, não é diferente, principalmente em termos de unicidade, entre  outros aspectos. Graças a Deus o papa Bento XVI tem esta virtude, aliás, essencial neste tempo, em que vem enfrentando críticas públicas, inclusive na Praça de São Pedro… No entanto, como “Pastor” do grande rebanho que é a Igreja Católica do século XXI, podemos permanecer confiantes porque, por suas palavras, não lhe faltam Fé nem humildade – portanto, nem o Sumo Pontífice nem a Igreja serão abalados.

Bento XVI sucede nada menos que São Pedro, o primeiro representante da Igreja de Jesus Cristo – até que Ele “volte na consumação dos tempos”.

Eu acho impressionante esta sucessão de homens maravilhosos – um bom número deles tornados santos. E, mesmo que muitos não tenham recebido este título, foram verdadeiros sucessores de Pedro e representantes de Cristo porque, com o auxílio do Espírito Santo, que paira sobre a Igreja, lutaram bravamente para que esta se mantivesse Una, Santa e Apostólica. Já foi muito temido na condição de cardeal e Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Particularmente, deixei de vê-lo como homem da hierarquia da Igreja que possuía “mão de ferro”. Bem antes de assumir seu pontificado, compreendi os equívocos da “Teologia da Libertação”. Para mim, boas intenções não podem admitir que “os fins justifiquem os meios”. Isto, porque a doutrina marxista é incompatível com a misericórdia… Jesus foi entregue aos seus algozes por Judas Escariotes que via n’Ele um revolucionário… Deixou-nos a seguinte instrução: “Dai a César o que é de César; a Deus o que é de Deus.” Entendo esta metáfora usada por Jesus, diante de Pilatos, da seguinte maneira: o Amor é a melhor política na luta por justiça social. Por certo há tratados sobre a temática… Em todo o caso, para mim, não importa o conteúdo destas publicações, já que este enfoque teológico, que em teoria se propõe como benéfico para a cristandade, a meu ver, nada mais é que outra “roupagem católica”. Melhor ficarmos com a que deriva da tradição apostólica… Ou seja, enquanto católicos não precisamos mudar a forma, e sim aprofundar o conteúdo. Vejo positivamente o caminho percorrido desde o abandono da cultura pagã: a civilização judaico-cristã deu concretude a muitas conquistas sociais. Adentrou o século XXI e, pacificamente tem auxiliado muitos povos, ainda pré-civilizados ou dominados pelo totalitarismo, a alcançarem uma visão que contempla, ainda que idealmente, a pessoa, o ser humano em si mesmo. A propósito desta análise, li recentemente que no Japão há conversões em massa ao catolicismo. Além disso, a adesão que mostram é entusiasmada, bem mais intensa que a média dos católicos não-orientais… Podemos constatar isto em dados que mostram a visitação ao Vaticano. Nossos irmãos japoneses católicos vão em número, proporcionalmente ao tamanho do Japão, significativamente elevado em relação aos demais países. A respeito disso, tenho uma “tese”: a cultura oriental desconsidera, de certo modo, o corpo humano, e por conseguinte a identidade, a pessoa – seus anseios individuais. Isto, porque é estratificada, na qual cada um ocupa um lugar e, não passa disso a existência humana… Observem este dado cultural em filmes que contam a história de samurais. Para mim, quando acessam o “manancial” que brota da interioridade vivenciada pelos cristãos, desde a Igreja Primitiva, sentem-se verdadeiramente humanos, vivos, plenos. É plausível, não? Diante de tal contentamento, chego a pensar que devíamos ser “recristianizados” por eles, já que perdemos o “pique” que o amor em Cristo oferece – somos tão desanimados… No entanto, não vale o entusiasmo da venda de CD’s e livros… Desculpem-me, se pareço exagerada. É que não consigo esquecer a convicção, a alegria dos primeiros cristãos, relatada nas Escrituras Sagradas, mesmo tendo que enterrar seus mortos em catacumbas, nos subterrâneos de Roma, para não serem identificados. E o perigo foi aumentando: encontravam a morte diante de leões nas arenas. Mais adiante, por quase cinco séculos, eram decapitados diante da recusa de adoração de ídolos, de deuses pagãos…

Ainda sobre a “Teologia da Libertação”, para concluir minha abordagem sobre este “evento” dentro do catolicismo, lembro da afirmação de que “somos animais políticos”. Concordo, mas vou um pouco além: até mesmo a fé é capaz de mostrar o quanto podemos administrar “politicamente” nossa parcela de irracionalidade, no caso, a negativa… Há muitos contributos individuais e de instituições ao longo da história do Cristianismo que mostram a libertação de realidades opressivas  a partir de condutas como a compaixão, a piedade diante do sofrimento humano. Em suma: o exercício da caridade diante da pessoa dos que sofrem por falta de recursos, principalmente materiais, que se estende por atuação nas estruturas já disponíveis  para melhoria da qualidade de vida dos povos. Ainda é assim, graças a Deus. Este tipo de “cuidado” com os desprotegidos de todo tipo, há de seguir, sem interrupção de espécie alguma. Depende de nós – os cristãos… A Igreja criou  no  passado, quando nada havia para proteger os desamparados de toda espécie – orfanatos, educandários, e além disso, em cada mosteiro, havia em geral, desde  os primeiros mosteiros uma “mesa” para os andarilhos ou famintos…. Por que isto não é mais mencionado como parte da história do mundo ocidental? As primeiras universidades foram confessionais, e de lá saíram homens que criaram estruturas que prepararam  a implantação da democracia no Ocidente. A este esforço, foi agregada a  contribuição de mulheres, as quais passaram a frequentar, no final do século XIX, lado a lado com os homens, as mesma universidades. Aqui há uma chave: a de  que toda mulher anseia por igualdade de direitos, aliás direitos universais. A partir desta constatação, é digno de reflexão o fato de que há o fortalecimento da democracia no mundo ocidental quando as mulheres, se aliam  aos homens na ênfase  sobre o conceito de equidade, de igualdade de direitos. Ou seja, não deve existir exceção de qualquer tipo. Sabemos que há muito ainda a avançar neste terreno. Desse  novíssimo caldo cultural surge a constituição do que conhecemos como “direitos  humanos”. O conceito mal completou 50 anos. As populações, principalmente antes do Cristianismo eram submetidas aos poderosos de cada momento histórico. No filme  “Coração Valente”, que se passa no século XIII é possível perceber que a razão e a piedade cristãs (quando existem entre os próprios cristãos…) arranca povos da opressão dos que detêm o poder político, em muitos casos no período medieval, embaralhado com o poder religioso. Mas isto foi mudando paulatinamente, e, é importante  frisar – para concluir, foi conquista do conjunto da cristandade. Ou seja, foi sendo firmado o conceito de que não há diferença entre  homens, mulheres, pobres ou ricos. Verdade é que foi uma conquista lenta, mas esta se mostrou contínua até o nosso tempo. Penso que quando não há compaixão, tanto no passado como na atualidade, ou ela vai se extinguindo, há somente indiferença, que vem sempre acompanhada de avidez pelo poder.

Portanto, acredito  que há liberdade somente no amor. O resto é poder. Assim, devemos aproveitar o simples exercício da democracia, que é uma boa forma de concretizar o amor, a solidariedade, a fraternidade. Simples assim. Para nós cristãos é suficiente o cumprimento dos Dez Mandamentos. Seria agir com má-fé confundir o que historica e politicamente foi denominado como “Cartilha” com o catecismo. O catecismo da Igreja nada mais é que uma releitura do Decálogo, adaptada a cada tempo. Há restrições, mas  estas visam  a integridade da criatura, em seu todo. A partir da Revolução Francesa o conceito de liberdade ficou restrito ao corpo. O problema é que corpos não são máquinas… É básica a nossa ânsia por Transcendência.

Assim, o papa Bento XVI tem demonstrado ao mundo que se enquadra entre aqueles que a defendem a Igreja com bravura, já que seus inimigos são inumeráveis… Talvez por esta razão, ao longo da sua história, existiram representantes máximos que nem sequer eram homens movidos pela fé… Ocuparam o maior cargo dentro da hierarquia, ainda que seja basicamente espiritual, tão somente por poder. Confiram, logo abaixo, o que o Papa Bento XVI fala sobre o tema  “poder” e “amor”, que, conforme nos ensina, podem andar juntos no Cristianismo. Penso que, essencialmente, está refletindo sobre sua responsabilidade enquanto condutor do vastíssimo “rebanho” de almas, composto pela Igreja Católica. Esta é a homilia* de sua posse como Sumo Pontífice, que se deu em 24 de abril de 2005. Este excerto chega ser poético:

“(…)Não é o poder que redime, mas o amor. Ele mesmo é o amor. Quantas vezes nós desejamos que Deus se demonstrasse mais forte, quantas vezes nós gostaríamos que Deus agisse duramente, derrotasse o mal e criasse um mundo melhor… Todas as ideologias do poder se justificam assim: justificam a destruição dos que se opõem aos progressos e libertação da humanidade.

Nós sofremos pela paciência de Deus. Por outro lado, precisamos de Sua paciência. Deus que se tornou Cordeiro nos diz que o mundo se salva com os crucificados e não com os que crucificam. O mundo é redimido pela paciência de Deus e destruído pela impaciência dos homens. Uma das principais características do Pastor deve ser a de amar os homens a Ele confiados, do mesmo modo como Cristo ama para quem trabalha. “Apascentai as minhas ovelhas”, diz Cristo a Pedro e a mim neste momento. Cuidar, apascentar quer dizer amar. E amar quer dizer estar pronto a sofrer; amar significa dar às ovelhas o verdadeiro bem, o alimento da verdade de Deus, da Palavra de Deus, o alimento de Sua presença que Ele nos oferece no Santíssimo Sacramento.

Queridos amigos, neste momento posso pedir somente isso: “Rezem por mim! Rezem por mim para que eu aprenda a amar sempre mais o Senhor. Rezem por mim para que eu aprenda a amar cada vez mais o Seu rebanho: vocês, a Santa Igreja, cada um de vocês individualmente e vocês todos juntos! Rezem por mim para que eu não fuja diante dos lobos. Rezemos uns pelos outros para que o Senhor nos conduza e aprendamos a conduzir-nos uns aos outros.”

(Papa Bento XVI)

*Texto integral: http://www.npdbrasil.com.br/religiao/Papa_Bento_16.htm

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Logo abaixo, destaquei partes de sua homilia, no domingo de Páscoa, dia 12 de abril. O texto na íntegra foi renovado como notícia neste sábado, dia 18. Na mensagem do papa Bento XVI, fica evidenciado seu chamado para que sejamos capazes de ser portadores de esperança, mesmo em um mundo cheio de contradições, isto é, onde altas tecnologias convivem ao lado de misérias absolutas. Suas palavras são entusiasmadas e animadoras, mesmo em sua idade avançada:

“Ninguém deserte nesta pacífica batalha iniciada com a Páscoa de Cristo,

o Qual repito-o procura homens e mulheres que O ajudem a consolidar a sua vitória com as suas próprias armas, ou seja,

as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor.“

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FONTE: L’Osservatore Romano (18 de Abril de 2009)

Na mensagem Urbi et Orbi o Sumo Pontífice indica a necessidade de pessoas capazes de voltar a dar esperança
Homens e mulheres a favor da justiça e do amor

Amados irmãos e irmãs
de Roma e do mundo inteiro!
A todos vós formulo cordiais votos de Páscoa com as palavras de Santo Agostinho: “Resurrectio Domini, spes nostra a ressurreição do Senhor é a nossa esperança” (Sermão 261, 1). (…)

No contexto do Ano Paulino, várias vezes tivemos ocasião de meditar sobre a experiência do grande Apóstolo. Saulo de Tarso, o renhido perseguidor dos cristãos, a caminho de Damasco encontrou Cristo ressuscitado e foi por Ele “conquistado”. O resto já sabemos. Aconteceu em Paulo aquilo que ele há-de escrever mais tarde aos cristãos de Corinto: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O que era antigo passou: tudo foi renovado!” (2 Cor 5, 17). Olhemos para este grande evangelizador que, com o audaz entusiasmo da sua acção apostólica, levou o Evangelho a muitos povos do mundo de então. A sua doutrina e o seu exemplo estimulam-nos a procurar o Senhor Jesus; encorajam-nos a confiar n’Ele, porque o sentido do nada, que tende a intoxicar a humanidade, já foi vencido pela luz e a esperança que dimanam da ressurreição. Já são verdadeiras e reais as palavras do Salmo: “Nem as trevas, para Vós, têm obscuridade / e a noite brilha como o dia” (139/138, 12). Já não é o nada que envolve tudo, mas a presença amorosa de Deus. Até o próprio reino da morte foi libertado, porque também aos “infernos” chegou o Verbo da vida, impelido pelo sopro do Espírito (Sl 139/138, 8).

Se é verdade que a morte já não tem poder sobre o homem e sobre o mundo, todavia restam ainda muitos, demasiados sinais do seu antigo domínio. Se, por meio da Páscoa, Cristo já extirpou a raiz do mal, todavia precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vitória com as mesmas armas d’Ele: as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor. Tal foi a mensagem que, por ocasião da recente viagem apostólica aos Camarões e Angola, quis levar a todo o Continente Africano, que me acolheu com grande entusiasmo e disponibilidade de escuta. De facto, a África sofre desmedidamente com os cruéis e infindáveis conflitos frequentemente esquecidos que dilaceram e ensanguentam várias das suas Nações e com o número crescente dos seus filhos e filhas que acabam vítimas da fome, da pobreza, da doença. A mesma mensagem repetirei com vigor na Terra Santa, onde terei a alegria de me deslocar daqui a algumas semanas. A reconciliação difícil mas indispensável, que é premissa para um futuro de segurança comum e de pacífica convivência, não poderá tornar-se realidade senão graças aos esforços incessantes, perseverantes e sinceros em prol da composição do conflito israelo-palestiniano. Da Terra Santa, o olhar estende-se depois para os países limítrofes, o Médio Oriente, o mundo inteiro. Num tempo de global escassez de alimento, de desordem financeira, de antigas e novas pobrezas, de preocupantes alterações climáticas, de violências e miséria que constringem muitos a deixar a própria terra à procura duma sobrevivência menos incerta, de terrorismo sempre ameaçador, de temores crescentes perante a incerteza do amanhã, é urgente descobrir perspectivas capazes de devolverem a esperança. Ninguém deserte nesta pacífica batalha iniciada com a Páscoa de Cristo, o Qual repito-o procura homens e mulheres que O ajudem a consolidar a sua vitória com as suas próprias armas, ou seja, as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor.

Resurrectio Domini, spes nostra – a Ressurreição de Cristo é a nossa esperança! É isto que a Igreja proclama hoje com alegria: anuncia a esperança, que Deus tornou inabalável e invencível ao ressuscitar Jesus Cristo dos mortos; comunica a esperança, que ela traz no coração e quer partilhar com todos, em todo o lugar, especialmente onde os cristãos sofrem perseguição por causa da sua fé e do seu compromisso em favor da justiça e da paz; invoca a esperança capaz de suscitar a coragem do bem, mesmo e sobretudo quando custa. Hoje a Igreja canta “o dia que o Senhor fez” e convida à alegria. Hoje a Igreja suplica, invoca Maria, Estrela da Esperança, para que guie a humanidade para o porto seguro da salvação que é o coração de Cristo, a Vítima pascal, o Cordeiro que “redimiu o mundo”, o Inocente que “nos reconciliou a nós, pecadores, com o Pai”. A Ele, Rei vitorioso, a Ele crucificado e ressuscitado, gritamos com alegria o nosso Aleluia! (Papa Bento XVI)

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Obs.: Os grifos em negrito e itálico são meus.

Créditos das imagens:

Papa Bento XVI – http://www.npdbrasil.com.br/religiao/Papa_Bento_16.htm .

Jesus Cristo e São Pedro: http://www.stpeterlinton.com/

Santa Teresa, Pe. Emannuel-André e “a ignorância entre os cristãos”…

Um texto sobre a visão que o Papa Leão  XIII possuía sobre o seu tempo, segundo a explanação do padre francês Emmanuel-André é antigo, anacrônico? Então, pergunto-lhes o seguinte: por que lemos com tanto proveito as obras de Santa Teresa de Ávila? O artigo abaixo me  parece muito apropriado para o nosso tempo, ainda que escrito no final do século XIX. Padre Emmanuel-André, que nasceu no dia 17 de outubro de 1826, em Bagneux-la Fosse, escreveu-o quando Leão XIII fazia suas exortações finais como pontífice. Pelo conteúdo das encíclicas, percebemos facilmente o temor deste papa – sagaz, decidido e piedoso – ou pior, seu horror em relação às “novidades” que o pensamento liberalizante , chamado à época de “modernismo” prometia implementar no século XX. No horizonte do novo século, não despontara ainda as 1ª e 2ª Guerras mundiais…

Para mim, o papa Leão XIII foi um homem religioso por excelência, e por esta razão estava a frente de seu tempo. Via o que estava ainda em germe…

Infelizmente, nós, que nele nascemos (isto é, no “século passado”…), somos cientes de que engendrou um tipo singular de barbárie. Ela é diferente das que ocorreram em períodos anteriores da história d Humanidade, ou seja, temos vivido uma barbárie disfarçada de progresso… Em outras palavras: em nome do progresso humano, passo a passo temos caminhado para o desmantelamento de nossa dignidade enquanto seres humanos.

Desse modo, desde o início do século XX, quase sem saída, vamos vivendo a perda de nossa dignidade sob a forma da escravidão dissimulada pela máscara do trabalho. Na atualidade, pela falta dele, pelo chamado “fim do emprego”. Isto vem acontecendo dentro do sistema capitalista, de regimes comunistas ou de base marxista. Por outro lado, não menos devastadora é a perda da dignidade que corrói internamente as subjetividades, dada a desumanização que cresce geometricamente. Que esperança nos resta então, já que nos que nos afirmamos cristãos? Acredito que podemos e devemos aprender com o legado dos que nos antecederam e tiveram a visão aguda sobre as ameaças que “espreitam” o  corpo e a alma humanos.

No texto abaixo, há um excerto de Santa Teresa de Ávila, contido em Cartas, no qual Pe. Emannuel-André lembra, através da agudeza de percepção desta sobre o seu tempo, o quanto homens e mulheres cheios de sua própria “sabedoria” podem ser nefastos, e não somente dentro do círculo em que vivem. Pelo contrário, sua “ignorância” – porque desprovida de um exame das coisas sob o ângulo da fé – pode atravessar décadas, senão séculos…

No entanto, confio que serei(seremos) sempre guiados pela Providência Divina em nosso caminho, e, por uma única razão: não confio no meu próprio julgamento, que geralmente é falho. Se entregar a Deus minhas incertezas, Ele há de me conceder a capacidade de discernimento. Há momentos em que não podemos seguir adiante com confiança, se tivermos um momento de hesitação sobre nossos posicionamentos. Esta é a minha prece mais urgente, mais necessária…

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FONTE: http://www.permanencia.org.br/revista/teologia/Emmanuel/ignorancia.htm

A IGNORÂNCIA ENTRE OS CRISTÃOS

Pe. Emmanuel-André

I — As causas da ignorância

O presente século (século XIX — N.T.) concedeu a si mesmo o faustoso título de “século das luzes”. A pretensão é manifesta, o direito não é tão claramente demonstrado. O século XIX não mudou em nada as condições da humanidade dos séculos anteriores; e, se bem que tenhamos a honra (?) de sermos filhos deste grandioso século XIX, no entanto a verdade é que somos filhos de Adão, e que nascemos trazendo conosco o pecado original e o que dele decorre, a ignorância e a concupiscência.

A ignorância! não somente a simples ignorância que é o não-saber, mas a ignorância combinada com a dificuldade de aprender, com a repugnância em fazer esforço para chegar a saber: esta chaga é grande, e em todos os homens ela produz frutos e frutos muito amargos, é preciso convir, mas são frutos que a maior parte dos homens carrega com uma resignação fácil demais e muitas vezes com uma satisfação que se poderia tomar como sinal de uma felicidade idiota.

Os cristãos nascem homens, e humanamente são vítimas da ignorância, a menos que, por felizes circunstâncias, uma educação cuidada, digamos melhor, a menos que a graça de Deus venha tirá-los do estado infeliz em que todos caímos em Adão. A queda, ai de nós, é natural, o reerguer-se é sobrenatural. Reflitamos no estado das populações que permaneceram estranhas ao cristianismo na Ásia, África, Oceania, e teremos uma prova manifesta do que nós dizemos.

* * *

É portanto por uma graça de Deus que as populações cristãs são retiradas da ignorância. O conhecimento de Deus, de nossa criação, de nossa natureza de homens, de nosso fim sobrenatural são luzes muito puras e sobrenaturalmente poderosas para nos retirar da ignorância.

A noção de Deus criador e fim supremo da criatura, é o grande instrumento da luz intelectual; é o sol das inteligências. Saber que Deus é a causa primeira de tudo que é; que Ele é nosso fim, especialmente de nós, criaturas inteligentes; eis o princípio verdadeiro da verdadeira luz, a base sólida de toda instrução. Aí temos um ponto de partida assegurado: aí temos o termo obrigatório de nossa existência; e com esses dois dados, que são imensos para nossas inteligências, nós podemos e devemos orientar nossos espíritos, dirigir nossos pensamentos, regular nossas vontades e nossas afeições, ordenar nossa vida de modo a chegar ao fim que Deus nos assinalou.

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Esta é a ciência da vida: a única indispensável, ciência que nenhuma outra pode substituir e que, se necessário, pode dispensar todas as outras.

O homem só é verdadeiramente instruído quando sabe regular sua vida e regula-la de modo a atingir seu fim. Os conhecimentos mais profundos, os mais variados, os mais raros, não tiram o homem da ignorância se não o ajudam a atingir seu fim. Também há homens que, sob certos aspectos, são verdadeiros sábios; eles sabem línguas, letras, a história, as ciências; e com tudo isso, não tendo a ciência da vida, são realmente ignorantes, e diante de Deus, o Pai das luzes, estão mergulhados em profundas trevas.

Insensíveis à sua própria infelicidade, não tendo olhos senão para suas luzes particulares que irradiam em algum canto de seus espíritos, aplaudem-se por causa das fracas luzes com que tem alguma claridade e pouco sofrem com as trevas onde os mergulha a ignorância em que estão quanto à ciência da vida. Et in caecitate quam tolerant quase in claritate luminis exultant. (S. Greg., in “Job”).

São os cristãos de hoje verdadeiramente filhos da luz como os chamava S. Paulo? Nossa voz seria muito fraca para responder a tal pergunta. Escutemos a voz mais poderosa, uma voz autorizada, uma voz para a qual não há réplica. Ela diz:

“Desde o primeiro dia de nosso pontificado, do alto da Sé Apostólica, voltamos os nossos olhares para a sociedade atual, a fim de conhecer as suas condições, procurar atender as suas necessidades, dar-lhe os remédios. Desde então, deploramos o declínio da verdade, não só aquela conhecida sobrenaturalmente pela fé mas também a conhecida naturalmente pela razão ou pela experiência; deploramos a predominância dos mais funestos erros, e os grandes perigos que corre a sociedade pelas desordens sempre maiores que a perturbam; diríamos que a causa mais poderosa de uma semelhante ruína era a separação procurada, a apostasia estabelecida entre a sociedade atual e o Cristo e sua Igreja”.

É um papa do tempo de Nero ou de Domiciano, que fala assim, deplorando o estado dos povos mergulhados no paganismo? Não, é um papa do século XIX, é o papa de nosso tempo; é Leão XIII.

Que se reflita nisto: o declínio da verdade, a predominância dos mais funestos erros, não são palavras desprovidas de sentido. Pintam uma situação e descrevem-na em termos muito exatos.

Se os mais funestos erros se tornaram predominantes, se a verdade encontra-se em declínio, é preciso reconhecer que nossa ignorância é grande.

* * *

Quais são as causas da ignorância entre os cristãos?

Nunca houve tantas escolas quanto em nossos dias; a causa então não será por falta de escolas. Mas afirmamos sem que se possa desmentir-nos, que em nossas escolas se ensina de tudo, menos a verdade. A verdade está em declínio, foi Leão XIII quem disse.

Em muitas escolas, nós sabemos, há lugar para o catecismo, lugar para a instrução religiosa e moral. Mas, na maior parte das vezes, a instrução religiosa é suplantada, aqui pela gramática, lá pelo diploma.

Então faz-se gramática ou bacharéis, mas cristãos, não! Ali onde a fé não está acima de tudo não existe fé.

* * *

E depois, mesmo onde se ensina o catecismo, é bem possível e infelizmente muito comum: não se ensina a fé. Como pode ser isso, nos dirão? Do seguinte modo: pode-se ensinar materialmente as verdades da fé, por exemplo: que há um só Deus, três pessoas em Deus, duas naturezas em Jesus Cristo, sete sacramentos na Igreja, dirigindo-se tal ensino ou à memória, ou à inteligência ou à fé da criança.

Dirigir-se à memória é o método de quase todas as escolas de nossos dias; com isso se obtém a recitação correta da lição; mas isso não é a fé.

Dirigir-se à inteligência é mais raro: pois é preciso esforço para fazer o aluno saber não a palavra mas a coisa, não a expressão mas a verdade. Por aí se faz atos de inteligência, mas não de fé.

Enfim, podemos, digamos melhor, devemos dirigirmo-nos à fé do aluno. Para isso é preciso que aquele que ensina faça o ato de fé, a fim de estimular um ato semelhante no aluno. Acreditei, diz o salmista, por isso falei. É preciso ensinar às crianças o verbum fidei de São Paulo ou, diríamos em português, a fé falada. Então a criança ouve a palavra e a retém, eis o ofício da memória; compreende o valor da expressão, este é o ofício da inteligência; depois, com toda a sua alma, adere à verdade, é a fé.

Dizíamos que essa maneira de ensinar, a única verdadeira, a única eficaz, é extremamente rara, mesmo nas escolas ditas cristãs; é por isso que essas escolas não produzem cristãos e há entre nós uma tão grande ignorância.

II — Os remédios para a ignorância

A ignorância consiste em não saber; mas não saber, para os cristãos, é qualquer coisa de muito funesto.

Para nós cristãos, não nos basta conhecer por seus termos próprios uma determinada verdade, é preciso conhece-la com fé, é preciso saber e crer, saber crendo e crer sabendo.

O cristão que crescesse e não soubesse poderia ser um cristão com alguma fé; mas não possuindo plenamente a verdade, objeto da fé, seria um cristão ignorante.

Segue-se que para combater a ignorância dos cristãos não basta expor diante deles a verdade, ensiná-la em termos exatos; não basta fazê-los conhecer com precisão; é, além disso, necessário, indispensável, desenvolver neles a fé, esta disposição sobrenatural de receber como reveladas por Deus as santas verdades ensinadas pela Igreja.

Ser cristão é uma grande coisa; na educação de uma alma cristã, há um lado humano e um lado divino. Um lado humano, pelo qual a alma é instituída, ensinada, catequizada; e um lado divino pelo qual a alma recebe, como vida sobrenaturalmente de Deus, a verdade cujos termos lhe são propostos por uma boca humana.

Que ela fale, esta boca humana, que ela ensine, que ela exorte, seu papel é grande e belo. Mas Deus reserva para si, em nossa educação cristã, um papel maior e mais belo ainda, o de nos falar ao coração, o de elevar nossas inteligências até a participação da razão divina, até essa região sublime que se chama fé.

Quando, pois, o educador cristão, seja a família, a escola ou a Igreja, quando o educador cristão fala a uma alma batizada, para tirá-la cada vez mais da ignorância, ele deve, sob pena de nada compreender do trabalho que empreende, rezar, ao mesmo tempo que fala, e pedir a Deus que derrame na alma do batizado a graça interior da fé, ao mesmo tempo que, de seu lado, ele faz chegar aos ouvidos do catequizado a expressão humana da verdade divina.

Se todos aqueles que têm a terrível tarefa de trabalhar na instrução dos cristãos trabalhassem desta maneira, veríamos prontamente a ignorância desaparecer, a fé aumentar, a santidade florescer.

Mas, o que se diz de todos os lados? A santidade desaparece, a fé diminui e a ignorância é assustadora, mais ou menos por toda parte.

A falta é nossa!

Com muita facilidade se imagina ter feito tudo, quando se diz a verdade: isto não é nada. Ter-se-ia feito muito e muito mais se, depois de tê-la feito ouvir, se rezasse e se trabalhasse para que ela fosse crida.

O cristão só é completo sob essa condição.

Quantas crianças, nas escolas ou nos cursos de catecismo, aprendem, recitam e sabem bem a letra do catecismo, no entanto, não se tornam cristão dignos desse nome!

A causa de tão grande infelicidade está inteiramente no vício de educação que assinalamos. Fizeram-nos sábios mas não os fizeram crentes.

Por conseqüência, não tendo a fé lançado raízes fortes nas almas, a criança fica entregue ao sabor das paixões nascentes ou torna-se vítima do meio no qual se encontra.

A fé teria dado o vigor necessário para resistir ao perigo interior ou ao perigo exterior que acabamos de assinalar. Mas, sem a fé, o homem fica entregue à fraqueza e cai. É pela fé que estais de pé, diz o Apóstolo. Fides statis (II Cor., 1, 23).

Então, para trabalhar eficazmente no combate a ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes; precisaríamos de santos que fossem sábios e de sábios que fossem santos.

III — Uma palavra de Santa Teresa

Concluímos nosso artigo sobre a ignorância entre os cristãos por aquelas palavras: “Para trabalhar eficazmente no combate à ignorância, é preciso homens muito sábios e muito crentes: precisaríamos de santos que fossem sábios e sábios que fossem santos. Queira Deus no-los dar!”

Isto já estava impresso quando, tendo aberto as Cartas de Santa Teresa, encontramos nas primeiras páginas a seguinte passagem:

Desejo, mais ardentemente do que nunca, que Deus tenha a seu serviço homens que unam à ciência um completo desapego de todas as coisas daqui de baixo, que são a mentira e derrisão; sinto a extrema necessidade que a Igreja tem disto e sou tão vivamente tocada por isso que me parece até brincadeira afligir-me com outra coisa. Por isso não cesso de recomendar a Deus esse assunto, persuadida de que um desses homens perfeitos e verdadeiramente abrasados do fogo de seu amor, dará mais fruto e será mais útil à Santa glória do que um grande número de outros que sejam indiferentes e ignorantes”.

Esse assunto que Santa Teresa não cessa de recomendar a Deus, esse assunto pelo qual o coração da seráfica virgem era tão vivamente tocado, é o pensamento chave da obra de Nossa Senhora da Santa Esperança.

Quis sapiens, et intelliget ista? (Os., XIV, 10) Onde estão os homens a quem Deus deu o espírito de sabedoria e que compreenderão isto? Que Deus se digne entregar-nos a eles ou proporcioná-los a nós.

Estas linhas foram escritas no dia da festa do coração de Santa Teresa (27 de agosto). Recomendamos nossa obra às preces da seráfica padroeira do Carmelo.

Revista Permanência n° 186-187, Maio-Junho de 1984.

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Ver também outros artigos do Pe. Emmanuel-André em :

http://grupoveritas.blogspot.com/2008/08/cartas-sobre-f-dcima-segunda-carta.html

Observação: A cor da fonte do título “A ignorância entre os cristãos”, bem como as palavras e expressões em negrito são da fonte publicadora. São meus o grifo, em itálico e negrito, e e a cor da fonte no excerto do escrito “Cartas”, de Santa Teresa.

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Encontro do 90º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços é aberto em Fátima – Portugal.

FONTE: http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/inaugurado-em-fatima-o-90-capitulo.html

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Inaugurado em Fátima o 90º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços

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O relatório do Prepósito Geral sobre o estado da Ordem foi o centro dos trabalhos da primeira sessão capitular

“Com esta alegria da Páscoa, começamos o Capítulo General, com alegria e otimismo para nos e aquele mundo e aquela Igreja que queremos servir” Com estas palavras, o Prepósito Geral P. Luis Aróstegui Gamboa, inaugurou, na manhã de hoje, 17 de abril, o 90º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços que se celebra na casa Domus Carmeli de Fátima com a participação de 106 capitulares de todo o mundo.

Uma solene celebração da eucaristia na Igreja das Carmelitas Descalças de Fátima, presidida pelo P. General da Ordem e concelebrado pelos Definidores e todos os assistentes do Capítulo, foi o ato que se deu começo este Capítulo Geral. A comunidade de Carmelitas Descalças de Fátima participou ativamente na celebração, durante a qual interpretarão os cantos da liturgia solene da Oitava de Páscoa em Latim e Português.

Durante sua homilia, o P. General recordou, de São Juan da Cruz, que “o amor é o guia para a grande experiência mística da fé. Um amor muito ardente pode dar vida para a presencia do Senhor”.

Abertura do Capítulo

Já na aula capitular, o P. Luis dirigiu uma palavra de acolhida e boas vindas a todos os participantes neste Capítulo. “Acolhem-nos na Domus Carmeli os religiosos da província de Portugal, as irmãs carmelitas e esta cidade de Fátima que é terra da Mãe de Deus e nossa”, destacou.

Depois de destacar a singularidade de Fátima para os Carmelitas Descalços, pela presença da Ordem e por ser um lugar de contemplação, o P. General com palavras de sincero agradecimento a P. Pedro Ferreira, Superior Provincial de Portugal, a sua equipe de colaboradores e a todos os que participaram da preparação deste evento.

O Capítulo servirá para “aprofundar em nossa vocação, no carisma e do serviço”, assinalou o P. Aróstegui uma vez que desejou que estes dias sejam propícios para um trabalho sereno.

Esta celebração é uma graça para a Província de Portugal

A celebração deste Capítulo Geral em Fátima “é um dom, uma graça preciosa para a província de Portugal e para a Ordem, que se apresenta nesta Terra de Maria”, afirmou o P. Pedro Ferreira.

Em sua intervenção Ferreira recordou o Capítulo celebrado em Lisboa em 1585 que contou com a presencia de São Juan da Cruz, nele a Ordem decidiu sua expansão e abertura ao México e, posteriormente, fora da cultura espanhola. “Para mim este é um dia histórico”, afirmou.

Trouxe uma breve apresentação histórica da criação desta casa “Domus Carmeli”, o provincial português relatou os desafios que esta casa enfrentará no futuro e rendeu seu agradecimento a todos os que se associaram a este projeto que supõe um grande esforço para a província lusa.

Telegrama da Secretaria de Estado Vaticano

O Prepósito General relatou aos capitulares sobre carta enviada ao Santo Padre, Bento XVI, pelo motivo da celebração deste Capítulo Geral. Em sua missiva, o P. Luis recordava o amor profundo à Igreja e a pessoa do Pontífice que a Ordem professa, assim como a consciência de trabalhar para a Igreja de acordo com o carisma de Santa Teresa de Jesus.

A esta carta do P. Geral respondeu, por meio de um telegrama, o Cardeal Secretario de Estado Tarcisio Bertone transmitindo a cordial saudação do papa Bento XVI e o desejo de que os trabalhos capitulares sirvam para o aprofundamento no carisma Teresiano, contemplativo e apostólico em profunda união com a Igreja. Assim mesmo, o Pontífice concede sua Benção Apostólica a todos os capitulares e a estende a todos os membros d Ordem.

Relatório do P. General sobre o estado da Ordem

O resto da manhã foi ocupado pela apresentação do relatório Geral do Estado da Ordem durante o sexênio que hora termina (2003-2009). Em seu relatório, o P. Aróstegui Gamboa, repassou as linhas de fundo desenvolvidas nestes anos e que se baseou “na Comunhão e na experiência de Deus como experiência da dignidade da pessoa humana”.

Observando as estatísticas gerais, o P. Luis se deu conta das ações de animação que foram levadas ao fim nas diversas regiões da Ordem, da situação das Carmelitas Descalças e do Carmelo Secular, assim como das diversas instituições da Ordem que dependem d Definitório Geral: a Faculdade de Teologia do Teresianum de Roma, o Centro Internacional Teresiano SanJuanista de Ávila (CITeS), a Casa Geral, o Monte Carmelo e a delegação de Israel-Egito.

Telegrama do Vaticano aos Carmelitas Descalços pela ocasião do 90º Capítulo Geral em Fátima

SECRETARIA DE ESTADO

Vaticano, 15 abril 2009

REVERENDO PADRE
P. LUIS AROSTEGUI GAMBOA
PREPOSITO GERAL DA ORDEM
DOS CARMELITAS DESCALÇOS
38 – 00198 ROMA, ITALIA

Pela ocasião da celebração em Fátima do 90º Capítulo Geral da dita Ordem, o Sumo Pontífice envia uma saudação com os melhores desejos aos participantes, expondo o seu desejo de que os trabalhos de tão importante assembléia favoreçam o aprofundamento do genuíno carisma carmelitano segundo a experiência mística de santa Teresa de Ávila para uma fecunda renovação da vida contemplativa e do apostolado em profunda comunhão eclesial; e também invoca a materna interseção da Bem aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, envia de coração aos Superiores e Capitulares sua especial Benção Apostólica estendendo-la generosamente aos frades, monjas, membros da Ordem Secular e família inteira do Carmelo Teresiano.

Card. Tarcisio Bertone
Secretario de Estado de Sua Santidade

Santa Edith Stein: judia alemã, filósofa e mártir na barbárie nazista

Santa Edith Stein ou Irmã Teresa Benedita da Cruz foi canonizada, em celebração na Praça de São Pedro, no dia 11 de outubro de 1998. Logo abaixo, podemos acompanhar a trajetória desta Santa, carmelita descalça, desde a infância até seu martírio, em 1942, quando foi levada pelos nazistas para um campo de concentração. Judia alemã, recebeu o Batismo em 1º de janeiro de 1922, com a a idade de 31 anos, tendo tomado o hábito das carmelitas descalças, na data de 15 de abril de 1934.

Como todos sabemos, o regime nazista era comandado por “gângsters”, ou seja, era a própria barbárie. Uma caçada foi “empreendida” por toda a Europa, em busca dos que apresentavam ascendência judaica. Dois oficiais da Gestapo a levaram de um convento na Holanda como prisioneira, juntamente com sua irmã Rosa, recém-admitida como noviça. Partiram em  02 de agosto de 1942. O destino foi irreversível: os campos de extermínio nazistas. Despojadas de toda dignidade humana, foram assassinadas naquele mesmo ano, juntamente com outras mulheres judias. Morte de câmara gás, no campo de Auschwitz… O valor espiritual de seus escritos a tornaram doutora da Igreja Católica universal.

A conversão de Santa Edith Stein ao Cristianismo praticamente a isolou da família. Tendo rapidamente superado o corte, e já adaptada e reconhecida como religiosa católica de alto preparo intelectual, inclusive por outras ordens, veio a conhecer o holocausto… Por exemplo, em 1933, há o relato de que, mesmo com a chegada do Partido Nacional Socialista, de Hitler ao poder, ela enfrentou com heroísmo sua condição de judia, nascida na Alemanha: “(…)apesar da insistência de um Instituto de Educação Católico, no sentido em que Edith Stein aceitasse uma vaga de docência na América do Sul, ela a recusou”. Do mesmo modo, poderemos compreender melhor sua conversão ao catolicismo, não aceita por sua mãe, e que se deu já em idade adulta, além de sua atuação como professora.

Vale a pena ler mais sobre a vida de Santa Edith Stein no seguinte site:http://www.lepanto.com.br/dados/HagEdith.html.  Assim, além das informações contidas no site do Vaticano, que publiquei mais abaixo, confiram no endereço acima, outros componentes históricos de sua vida. Há mais detalhes sobre sua condição de religiosa carmelita descalça, e antes deste período, como filósofa de renome, que, convertida ao catolicismo, se destacou como professora em instituto católico para moças. Reconhecida na Europa como Dra. Edith Stein, consta em sua biografia que  “junto de suas jovens alunas, Edith elaborou métodos de educação inovadores, que além de atrair e interessar as moças pelo estudo e conhecimento , contribuíam para sua formação moral e espiritual, na qualidade de pessoas e de mulheres católicas”. (LBN)

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FONTE: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19981011_edith_stein_po.html

santa-edith-stein_martirIrmã Teresa Benedita da Cruz – Edith Stein

(1891-1942)

Nascida em Vrastilávia a 12 de Outubro de 1891, os seus genitores eram de nacionalidade alemã e de religião hebraica. Foi educada na fé dos pais, mas no decurso dos anos tornou-se praticamente ateia, conservando muito elevados os valores éticos, mantendo uma conduta moralmente irrepreensível. De maneira brilhante obteve o doutoramento em filosofia e tornou-se assistente universitária do seu mestre, Edmund Husserl. Incansável e perspicaz investigadora da verdade, através do estudo e da frequência dos fermentos cristãos e, por fim, através da leitura da autobiografia de Santa Teresa de Ávila, encontrou Jesus Cristo que resplandecia no mistério da cruz e, com jubilosa resolução, aderiu ao Evangelho.

Em 1922, recebeu o baptismo na Igreja católica com o nome de Teresa: a sua vida mudou de modo radical. Os anos sucessivos foram despendidos no aprofundamento da doutrina cristã, no ensinamento, apostolado e publicação de estudos científicos, e numa intensa vida interior nutrida pela palavra de Deus e a oração.

Em 1933, coroou o desejo de se consagrar a Deus e entrou na Congregação das Carmelitas Descalças, tomando o nome de Teresa Benedita da Cruz, exprimindo assim, também com este nome, o ardente amor a Jesus crucificado e especial devoção a Santa Teresa de Ávila. Emitiu regularmente o voto de pobreza, obediência e castidade e, para realizar a sua consagração, caminhou com Deus na via da santidade.

Quando na Alemanha o nacional-socialismo exacerbou a louca perseguição contra os judeus, os superiores da Beata enviaram-na, por precaução, para o carmelo de Echt, na Holanda. Impelida pela compaixão para com os seus irmãos judeus, não hesitou em oferecer-se a Deus como vítima, para suplicar a paz e a salvação para o seu povo, para a Igreja e para o mundo. A ocupação nazista da Holanda comportou o início do extermínio também para os judeus daquela nação. Os Bispos holandeses protestaram energicamente com uma Carta pastoral, e as autoridades, por vingança, incluíram no programa de extermínio também os judeus de fé católica.

A 2 de Agosto de 1942, a Beata foi aprisionada e internada no campo de concentração de Auschwitz, e juntamente com a irmã foi morta na câmara de gaz no dia 9 de Agosto de 1942. Assim morreu como filha do seu povo martirizado e como filha da Igreja Católica. «Judia, filósofa, religiosa, mártir como foi afirmado por João Paulo II no dia da Beatificação, a 1 de Maio de 1987, em Colónia a Beata Edith Stein representa a síntese dramática das feridas do nosso século. E, ao mesmo tempo, proclama a esperança de que é a cruz de Jesus Salvador que ilumina a história».

Imagem: http://santiebeati.it/immagini/?mode=album&album=65800&dispsize=Original

Igreja construída em memória da mártir do Carmelo no nazismo – Santa Edith Stein – é inaugurada em Roma.

FONTE: http://provsjose.zip.net/

Igreja Santa Edith Stein - Roma (inaugurada em março de 2009).
Igreja Santa Edith Stein - Roma (inaugurada em março de 2009).

17/04/2009

Roma inaugura Paróquia dedicada a Santa Edith Stein

No dia 22 de março o cardeal vigário de Roma, Agostinho Vallini dedicou solenemente uma nova igreja, matriz paroquial, na capital italiana à nossa santa carmelitana mártir Edith Stein. O templo é uma obra de arte que leva a assinatura do arquiteto Roberto Panella, tem uma capacidade para 300 pessoas e será a igreja matriz de uma paróquia com uma população de 10.000 pessoas. A Paróquia foi erigida no dia 11 de outubro de 1998, no dia da canonização de Santa Edith Stein. Depois de 11 anos celebrando em uma garagem, a comunidade tem agora sua igreja construída. Na cerimônia de inauguração não faltou a evocação da santa patrona da paróquia: “foi uma santa corajosa – disse o Cardeal Vallini -, de grande coerência, de fé, de inteligência. Tomaia-a como modelo, estudai-a, invocai-a. Além da ajuda da comunidade local, contribuiram o Cardeal Meisner, arcebispo de Colônia e a geral das Irmãs Brigidinas do Santíssimo Salvador, Madre Tekla. Além da igreja, formam o complexo a casa paroquial, a secretaria, 10 salas para reuniões, catequese e encontros e um grande teatro. No novo altar da Paróquia foram inseridas algumas relíquias de S. João Leonardi, fundador da Ordem da Mãe de Deus.

Escrito por: Equipe de comunicação – Boletim de notícias da Província São José – Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD).

Imagem: http://provsjose.zip.net/

“Oração: a arte de amar…”, in Teresa e Teresinha (Maria Clara Lucchetti Bingemer)

FONTE: wwwusers.rdc.puc-rio.br/agape/vida_academica/artigos/amai/Teresa


Teresa e Teresinha

Por: Maria Clara Lucchetti Bingemer*

O mês de outubro festeja, entre muitas outras coisas importantes, duas grandes mulheres, com o mesmo nome de Batismo e o mesmo amor louco que deu sentido as suas vidas: Teresa de Ávila e Teresinha de Lisieux.

Teresa de Ahumada nasceu em Toledo ,às margens do rio Tajo, na Espanha.  Mas a situação judeu-conversa de sua família fez com que se transferisse para Ávila.  Desde muito cedo Teresa tem uma experiência de Deus pouco comum, sendo ao mesmo tempo mulher plenamente humana, que gostava das relações, da conversação, das pessoas.  Pouco a pouco Deus vai tomando posse do coração e da pessoa de Teresa com um amor arrebatador.  As graças místicas com que é dotada esta espanhola do século XVI não têm comparação dentro da história mística do Cristianismo.

Nos escritos da grande mestra espiritual do Cristianismo,  encontramos uma seiva sempre viva que não cessa de correr, perpassar e dinamizar as entranhas e todas as dimensões  da vida  desta mulher acostumada a viver  dentro das muralhas de  Ávila mas que sempre sonhou uma liberdade maior, desejando  voar longe,  em novos espaços e em novos céus. O percurso espiritual de Teresa é essencialmente um percurso amoroso, no qual Deus, o Amado, se faz seu particular pedagogo, conduzindo-a com mão firme e apaixonada através de diversas etapas místicas nas quais a santa vai conhecendo-O melhor e mais profundamente. É esse o percurso que Teresa descreve na sua obra do “Castelo Interior”, onde utiliza o símbolo do castelo interior para descrever os períodos e estados – as “moradas”-  pelas quais passa a pessoa habitada pelo Espírito Santo em direção ao amor pleno de Deus e à união transformante. Desde um primeiro momento, o   amor se faz  urgência em sua vida.

Na medida em que anda pelas moradas do Amado, Teresa descobre a pessoa de Jesus cuja “sacratíssima humanidade” a encanta. Sua cristologia, inseparável de sua mística, é altamente realista, envolvendo sua corporeidade dinamizada pelo espírito do mesmo Jesus, que a ama com amor apaixonado e a vai conduzir até o matrimonio místico. O  compromisso de Teresa se faz determinante na medida em que  avança na comunhão com o Cristo onde  vê não  só o Salvador, mas também Aquele que a faz feliz como mulher, a quem pode dar-se totalmente como esposa. É com S. Teresa que a mística esponsal se consolida no Ocidente cristão e o ideal do matrimônio espiritual, já lançado pelos Padres da Igreja, nela se confirma, não como teoria e doutrina mas como experiência pessoal  e vida.

Teresa  não  nasceu rezando mas aprendeu a rezar e fez da oração  a “arte de amar”. Vai repetindo para si mesma e para os outros que a oração “não consiste em muito pensar mas sim em muito amar”. Esta novidade por ela trazida para a prática e a orientação da vida espiritual influenciará toda a mística cristã daí em diante.  Nela, inteligência e afetos se unem profundamente e, aonde não  chegam  intuição e inteligência, sempre chega o amor. É  clássica a definição de Teresa sobre a oração: “Para mim a oração é um trato de amizade com Aquele que sabemos que nos ama”. Teresa vê na oração não um intimismo,  nem tampouco uma fuga do compromisso com o mundo, mas sim uma porta que se abre para entrar no “castelo interior  da nossa alma onde está o Rei, sua Majestade”. Quanto mais rezamos mais avançamos nas moradas que nos levam à íntima  comunhão e ao matrimônio espiritual e sentimos a necessidade de dedicar-nos a fazer algo: “obras quer o Senhor”.

A oração teresiana trasborda nas ânsias apostólicas, na missionalidade e na comunhão com os outros. “Devemos deixar de rezar se é para estarmos com alguém que necessita de nossa ajuda”.  A teologia oracional de Teresa é, portanto, comprometedora e libertadora; não  fechada em si mesma, num “narcisismo” ou na busca de visões e autocomplacências estéreis. Em Teresa o amor se faz gesto e caminho de plena liberdade interior. Será  seu mestre o próprio Cristo,  que a guia por caminhos novos.

Pioneira em tantas frentes, – vida espiritual, orientação espiritual, fundação e refundação do Carmelo, relações intra-eclesiais, etc. –  é ainda em Teresa que a característica inter-religiosa da mística – aspecto só mais recentemente estudado e aprofundado – vem aparecendo com clareza  iluminadora para os estudiosos das religiões comparadas.  Esta tem início em sua própria pessoa e nas origens que são as suas.  Tendo sido sempre considerada como típica representante das famílias fidalgas abulenses, provocou um enorme reboliço entre aqueles que estudavam sua obra e escritos a informação, vinda a público em 1946, por um artigo publicado no Boletín de la Real Academia Española, o qual instaurava uma ruptura com toda a tradição biográfica que até então se tinha sobre a santa.  No mencionado trabalho, se declarava claramente que seu avô, Juan Sánchez de Toledo, era era um mercador da cidade do Tajo e judeu de raça, reconciliado pela Inquisição em 1485.

Esta vem a ser inclusive a razão pela qual a família de Teresa deixa a cidade de Toledo e as margens do Tajo e vai se estabelecer em Ávila. Ainda que reconciliado pela Inquisição, Juan Sánchez , avô de Teresa, sabia que Toledo, sede do Tribunal da Inquisição desde 1485, não era o lugar ideal para uma família de cristãos novos, judaizantes, ainda que reconciliados.  É então que a família se transfere para Ávila no ano de 1493.

A obra teresiana das Moradas ou do  Castillo Interior, onde a grande mística utiliza o simbolismo do castelo interior para  descrever a vida espiritual é considerada cume da mística cristã, por sua perfeição e beleza, assim como por sua profundidade.

Teresinha nasceu na França no século XIX.  Sua família era muito católica e as filhas, todas mulheres, tinham grande afeto pelo pai, homem reto, muito religioso.  Perdendo cedo a mãe, a afeição das filhas pelo pai se intensifica ainda mais, fazendo deste o centro de suas vidas.

A fé e a piedade do Dr. Martin vai contagiar as filhas que vão entrando todas, uma a uma, na vida religiosa contemplativa, no Carmelo.  Teresinha é a última, entrando aos 15 anos, necessitando para isto uma licença especial do Papa.

No Carmelo, procurando sempre o caminho da humildade e da renúncia, Teresinha não se destaca muito, inclusive porque uma tuberculose lhe arrebata a vida aos 24 anos.   A superiora se perguntava, por ocasião de sua morte: “ O que haverá para escrever sobre esta freirinha tão insignificante e inexpressiva?”

Quando vieram à luz, os escritos de Teresinha surpreenderam o mundo, cheios de uma paixão e um ardor e ao mesmo tempo testemunhando todas as dúvidas, trevas espirituais e noites escuras em que se debatera durante os anos de clausura.

O diário de Teresinha revelava sua vocação missionária.  Queria ser tudo para melhor servir a seu amado, mas sua escolha pela vida de carmelita é justamente  o caminho que encontra para dar tudo a Deus.

Eis como Terezinha se expressa com suas próprias palavras:

Sinto em mim outras vocações. Sinto em mim a vocação de guerreiro, de Sacerdote, de Apóstolo, de Doutor, de Mártir. Enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar por ti, Jesus, todas as obras, as mais heróicas…” “Ah! Apesar de minha pequenez, quisera esclarecer as almas como os Profetas, os Doutores; tenho vocação de ser Apóstolo…Quisera percorrer a terra, pregar teu nome e implantar no solo infiel tua Cruz gloriosa. Mas, oh, meu Amado, uma só missão não me bastaria. Quisera anunciar ao mesmo tempo o Evangelho nas cinco partes do mundo e até nas ilhas mais distantes… Quisera ser missionária, não somente durante alguns anos, mas gostaria de tê-lo sido desde a criação do mundo e sê-lo até à consumação dos séculos…”  Mas Teresinha vê sua fragilidade e diz: “Jesus, Jesus, se quisesse escrever todos os meus desejos, seria preciso que tomasse o teu “ livro da vida” onde são relatadas as ações de todos os Santos, e essas ações quisera tê-las realizado por ti…” “Na hora da oração estes meus desejos fazendo-me sofrer um verdadeiro martírio, abri as epístolas de São Paulo, a fim de procurar uma resposta. Os capítulos 12 e 13 de I Coríntios caíram sob os meus olhos…e esta frase me consolou: “Procurai com ardor os dons mais perfeitos, mas vou mostrar-vos , ainda, uma via mais excelente”. E o Apóstolo explica como os dons mais perfeitos nada são sem o amor … E que a Caridade é a via excelente que conduz seguramente a Deus. Encontrei, enfim, o repouso… Considerando o corpo místico da Igreja, não me reconheci em nenhum dos membros descritos por São Paulo, ou antes, queria reconhecer-me em todos… A Caridade deu-me a chave de minha vocação. Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha um Coração, e que este Coração era ardente de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja e que se o Amor viesse a se extinguir, os Apóstolos não anunciariam mais o evangelho, os Mártires recusariam derramar seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abraça todos os tempos e todos os lugares… Numa palavra, que ele é eterno!..

Então, no auge de minha alegria delirante, exclamei : Oh, Jesus, meu Amor… Encontrei, enfim, minha vocação; minha vocação é o Amor!…

Sim, encontrei meu lugar na Igreja, e este lugar, oh meu Deus, foste vós que mo destes… No Coração da Igreja, minha  Mãe, serei o amor… Assim serei tudo… Assim será realizado o meu sonho!!! “

Com estas ardentes palavras, a carmelitinha que nunca saiu de seu Carmelo, foi proclamada padroeira das missões.  Desde sua clausura foi o amor que embebe e dá vida a toda a Igreja.

Teresa e Teresinha foram ambas proclamadas doutoras da Igreja.  A primeira há mais tempo.  A segunda, porém, bem recentemente, em 1997.  Duas Teresas, as duas de Jesus.  Duas mulheres que amaram radicalmente seu Deus e a Ele entregaram inteiramente suas vidas.  Duas santas que são inspiração para homens e mulheres de todos os tempos.

*Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, coordenadora do setor intelectual da RAI-RJ, Outros artigos podem ser encontrados em http://raisp.org/artmcb.

Domingo de Páscoa: “Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia” – Ordem Carmelita Descalça (OCD)

FONTE: Ordem Carmelita dos Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços

Domingo, 12 de Abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.

Jesus Cristo vive!

Eu nunca gostei do clichê: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Não mudei de opinião porque, para mim, esta idéia simplifica demais as coisas, banaliza-as. Aliás, combina, em excesso, com a incensada “civilização da imagem”. A propósito, para aumentar a confusão nas almas humanas, temos atualmente, virtualmente, até “oferta” de uma segunda vida…Mas, aos devidamente avisados, tais vidas virtuais são propostas vãs no fluir de uma vida verdadeira, integral. Por outro lado, temos que reconhecer que o bom uso da tecnologia acrescenta qualidade às nossas vidas. Assim, imagens em  sequência , transmitem uma ou várias ideias, desde que concatenadas. Imagens paradoxais, mostradas em conjunto também “falam”, dialogam com quem as vê.

Apresento a vocês uma composição visual que, aliás, produzi “entre tentativa e erro” ao manipular algumas imagens e fazê-las representar uma cruz. Posso dizer que, pelo resultado final, senti muita satisfação interior. Parece ser óbvio o motivo: fala em essência da Cristandade.  Em seu conjunto, concluímos que estamos diante da obra maravilhosa de Jesus, após sua vinda em carne a este mundo, através do “sim” corajoso e total de nossa Mãe Santíssima – a Virgem Maria.

Assim, ao estarmos diante de qualquer Cruz, somos levados também a pensar que Jesus Cristo foi Crucificado por nossas faltas, e, é o primeiro Ressuscitado para toda a Eternidade, para nossa redenção. Ele é a nossa esperança! Em Seu divino, puro e profundo amor por cada um de nós, criaturas de Deus (preocupado com Sua partida), tranquilizou-nos, homens e mulheres de todos os tempos:  “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida“… (LBN)

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Crédito/imagens (autorização indireta, no site):

http://www.turnbacktogod.com/jesus

Reflexões sobre a Paixão de Jesus Cristo – Ordem Carmelita Descalça (OCD) – Brasil

Pintura: Salvador Dali (1951). Inspirado em desenho de São João da Cruz.
Pintura: Salvador Dali (1951). Inspirado em desenho de São João da Cruz.

FONTE: Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços – Província São José (Sudeste-Brasil)

http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/traspassado-pelos-nossos-pecados-sexta.html

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

TRASPASSADO PELOS NOSSOS PECADOS

Cruz (OCD)A Liturgia da sexta-feira santa é comovente contemplação do mistério da Cruz, que visa não só comemorar, mas levar todo fiel a reviver a dolorosa Paixão do Senhor. Apresentam-na dois grandes textos: o profético, atribuído a Isaías (Is 52, 13; 53, 12) e o histórico de João (18, 1-9, 42). A enorme distância de mais de sete séculos que os separa é anulada pela impressionante coincidência dos fatos referidos pelo profeta como descrição dos sofrimentos do Servo de Javé, e pelo Evangelista como narração última do dia terreno de Jesus, “Muitos se espantaram com ele – diz Isaías – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana… desprezado e rejeitado pelos homens, homem das dores e experimentado nos sofrimentos” (52, 14; 53, 3). João com os outros Evangelistas, fala de Jesus traído, insultado, esbofeteado, coroado de espinhos, escarnecido, apresentado ao povo como rei de comédia, condenado, crucificado.

A causa de tanto sofrimento é indicado pelo profeta: “Foi castigado por nossos crimes, esmagado por nossas iniquidades”; é mostrado também o valor expiatório: “O castigo que nos salva caiu sobre ele; por suas chagas nos fomos curados” (Is 53, 5). Nem falta alusão ao angustioso sentimento de repulsa por parte de Deus – “e o julgávamos castigado, ferido por Deus e humilhado” (Ibidem, 4)- sentimento que exprimiu Jesus na Cruz com o grito: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46). Mas, acima de tudo ressalta a clareza a espontaneidade do sacrifício: livremente “se oferece (o Servo de Javé) em expiação” (Is 53,7. 10); livremente se entrega o Cristo aos soldados, depois de tê-los feito cair por terra com uma só palavra (Jo 18, 6), e livremente se deixa conduzir à morte, ele que havia dito: “Ninguém tira a minha vida, mas eu a dou por mim mesmo” (Jo 10, 18). Até o glorioso desfecho desse voluntário padecimento fora entrevisto pelo profeta: “Após as aflições de seu coração, alegrar-se-á… Eis por que – diz o Senhor – dar-lhe- ei em prêmios multidões… porque se ofereceu a morte” (Is 53, 11. 120. E aludindo Jesus à Paixão, disse: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32). Tudo isto demonstra estar a Cruz de Cristo no centro da história da salvação, já entrevista no Antigo Testamento, através dos sofrimentos do Servo de Javé, figura do Messias que iria salvar a humanidade não com o triunfo terreno, mas com o sacrifício de si. Eis o caminho que cada fiel deve percorrer para ser salvo e salvador.
Entre as leituras de Isaías e de João, insere a liturgia um trecho da carta aos hebreus (4, 14-16; 5, 7-9). Jesus, Filho de Deus, é apresentado na sua qualidade de único e sumo Sacerdote, todavia não tão distante dos homens que “não saiba compadecer-se de nossas enfermidades, uma vez que, à nossa semelhança, experimentou-as todas, com exceção do pecado”. É a provação de sua vida terrena e sobretudo de sua Paixão, pela qual experimentou em sua carne inocente todas as asperezas, sofrimentos, angústias e fraquezas da natureza humana.

Assim é, ao mesmo tempo, Sacerdote e Vítima que oferece em expiação dos pecados dos homens não sangue de touros ou de cordeiros, mas o próprio Sangue. “Nos dias de sua vida mortal, ofereceu orações e súplicas, com fortes gemidos e lágrimas a quem o podia libertar da morte.” É um eco da agonia do Getsêmani: “Abba, Pai! Tudo te é possível, afasta de mim este cálice! Porém, não o que eu quero, mas o que queres tu” (Mc 14, 36). Na obediência a vontade do Pai, entrega-se à morte, e depois de haver experimentado suas amarguras, e libertado pela ressurreição, tornando-se “causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5, 9). Obedecer a Cristo, Sacerdote e Vítima, significa aceitar com ele a Cruz, abandonar-se com ele à vontade do Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23, 46; cf. salmo resp.).

Mas é a morte de Cristo imediatamente seguida pela glorificação. Exclama o centurião de guarda: “Verdadeiramente este homem era justo!”, e todos os presentes, “vendo o que se passava, voltaram, batendo no peito” (Lc 23, 47-48).

Segue a Igreja o mesmo itinerário: depois de ter chorado a morte do Salvador, explode em hinos de louvor e se prostra em adoração: “Adoramos vossa Cruz, Senhor, louvamos e glorificamos vossa santa ressurreição, pois só pela Cruz entrou a alegria em todo o mundo”. Com os mesmos sentimentos convida a Liturgia os fiéis a se alimentarem da Eucaristia que, jamais tanto como hoje, resplandece na sua realidade de memorial da morte do Senhor. Ressoam no coração as palavras de Jesus: “Isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19) e as de Paulo: “Todas as vezes que comeis deste pão e bebeis deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11, 26).