O humano vem sendo substituído pelo artifício, e nem mesmo os sentimentos, as emoções estão fora de seu alcance. O mundo virtual está mudando, em sentido geral, a noção do que é viver em uma perspectiva ampla… A Ciência tem se mostrado em muitos campos, um bem para a Humanidade. Mas sabemos que, em geral, oculta conteúdos nefastos ao longo de seu desenvolvimento. Este blog é uma tentativa, e ao mesmo tempo, uma proposta de autopreservação tanto emocional quanto espiritual. Quanto aos visitantes do blog "Castelo Interior", penso que o legado de Santa Teresa, bem como as contribuições da cristandade podem propiciar este "cuidado interior". Aliás, um cuidado vital que envolve nossas mentes, nossas almas. O título do blog é uma reverência à vida e à obra de Santa Teresa de Jesus (Ávila). Suas leituras me inspiraram, e mais que isto, continuam me ensinando a viver neste tempo caótico, a interpretá-lo à luz da Fé. A partir do que compreendi de seus escritos "Castelo Interior" e "Livro da Vida", e os mais breves (estou no início de "Caminho da Perfeição"), me lancei à proposta de uma "mescla" entre Jornalismo, Literatura (suas Obras, por excelência, através da análise de estudiosos carmelitanos descalços, principalmente), com abertura para textos clássicos católicos, e artigos universais e relevantes, segundo a ótica da doutrina católica. Por fim, acredito que a produção de Santa Teresa de Ávila evidenciará o quanto sua produção nos insere em uma inevitável espiral de espiritualidade. Seu tempo, como o nosso, estava impregnado de perigos extremos – tanto para o corpo, quanto para a alma. Entretanto, esta Doutora da Igreja deixou-nos, em seus três principais escritos, a essência de seu pensamento: "Nada te turbe, nada te espante. Tudo se pasa. Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza. Quien a Dios tiene nada le falta. Sólo Dios basta!" (Santa Teresa de Jesus). Este blog foi criado em 2007 e não tem fins comerciais.
Tag: “Nada te Turbe” (Santa Teresa de Jesus/de Ávila) – Sacralidade e Música (Mídia-YouTube)
S. Francisco de Assis - Convento de Santa Cruz (Capuchos) Serra de Sintra
Começa por ti próprio e abandona-te!
As pessoas dizem: «Ah, Senhor, sim, também eu gostaria de me deter assim perante Deus e de ter igualmente tanta devoção e paz com Deus como o fazem outras pessoas; gostaria que acontecesse assim comigo ou que eu fosse igualmente tão pobre», ou: «Nunca nada está certo comigo, seja porque eu não estou ali ou acolá, seja porque faço as coisas assim ou de outro modo, ou tenho de viver no estrangeiro, ou numa cela, ou num convento.»
Na verdade, encontra-se nisso manifestamente envolvido o teu eu e em rigor nada mais. É a vontade própria, ainda que tu não o saibas ou também assim não se te afigure: nunca em ti desperta uma insatisfação que não venha da vontade própria, quer o percebas quer não. Quando dizemos que as pessoas deviam fugir disto e buscar aquilo, seja estes lugares e estas pessoas, sejam estes modos ou a multidão, ou esta atividade – não é isso que tem a culpa de os modos ou as coisas te impedirem: és tu próprio (pelo contrário) que te encontras nas coisas que te impedem, pois tu relacionas-te de modo errado com as coisas.
Por isso começa primeiro por ti próprio e abandona-te! Na verdade, se tu não fugires primeiro de ti próprio, seja para onde for que tu fujas, encontrarás aí obstáculos e insatisfação, seja onde for. As pessoas que buscam a paz em coisas exteriores, seja em lugares ou em modos, em pessoas ou em obras, no estrangeiro ou na pobreza, ou na humilhação – por muito impressionante que isso seja, tudo isso ainda assim não é nada e não oferece qualquer paz. Buscam de modo inteiramente errado, aqueles que assim buscam. Quanto mais longínqua for a distância em que eles vagueiam, tanto menos eles acharão aquilo que buscam. Eles vão como alguém que se enganou no caminho: quanto mais distante estiver, tanto mais confuso se achará. Mas que há-de então esse alguém fazer? Ele deverá primeiro abandonar-se a si mesmo, então ele terá abandonado tudo. Em verdade, se um homem abandonar um reino ou o mundo inteiro, mas conservando-se a si mesmo, então ele não terá abandonado nada. Se, porém, o homem renunciar a si mesmo, seja o que for que ele então mantenha, seja um reino ou a honra, seja o que for, então ele terá abandonado tudo.
Sobre as palavras que S. Pedro disse: «Nós deixámos tudo e seguimos-te» (Mt 19,27) – e ele nada mais tinha abandonado do que uma simples rede e o seu pequeno barco -, afirma um santo: quem voluntariamente abandona o que é pequeno, ele não abandona somente isso, senão que abandona tudo o que as pessoas mundanas ganham, ou mesmo até o que elas somente possam ambicionar. Pois quem abandona a sua vontade e a si mesmo, terá abandonado na realidade todas as coisas de tal modo, como se elas tivessem sido a sua livre propriedade e ele as tivesse possuído com pleno poder discricionário. Pois tudo aquilo que tu não quiseres ambicionar, tudo isso tu entregaste e abandonaste pela vontade de Deus. Por isso disse Nosso Senhor: «Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5,3), o que significa: os pobres em vontade. E neste ponto ninguém deve duvidar: se houvesse um qualquer melhor modo, Nosso Senhor tê-lo-ia mencionado, tal como Ele também afirmou: «Se, alguém quiser vir após mim, renegue-se a si mesmo» (Mt 16,24); aí está o mais importante. Tem-te a ti próprio em mira, e onde te encontrares, renuncia a ti; isso é o melhor de tudo.
Mestre Eckhart
In Das pessoas que não se abandonam e estão cheias de vontade própria; Tratados e Sermões, Ed. Paulinas.
MENSAGEM DO 90º CAPÍTULO GERAL DOS CARMELITAS DESCALÇOS – FÁTIMA (PORTUGAL)
Queridos Irmãos, Irmãs Carmelitas Descalças, membros do Carmelo Secular, membros associados na Família Carmelitana e todos os Amigos do Carmelo:
1. Nós, os participantes no 90.º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços, aproveitando a fraterna hospitalidade da Domus Carmeli, saudamo-vos calorosamente desde Portugal, «Terra de Santa Maria», próximo do Santuário a ela consagrado em Fátima. E vos enviamos uma calorosa saudação: «Que o Deus da esperança vos encha plenamente de alegria e de paz na vossa crença, para que abundeis na esperança pela virtude do espírito Santo (Rom 15:13)
2. A experiência destas três semanas fez-nos experimentar a fraternidade que a todos nos une na vocação e na missão do Carmelo. Rezámos juntos e juntos partilhámos o pão da vida. Prestámos atenção aos dossiês do Prepósito Geral e do Ecónomo Geral. Assim, depois de ter referido as linhas principais da acção do Definitório Geral e sublinhado as novidades do sexénio de 2003-2009, o Padre Geral sublinhou a actualidade e a vitalidade do carisma teresiano. Depois recordou o desafio sempre actual da formação inicial e da formação permanente, a fim de se tornar mais profunda a nossa vida espiritual, maior a nossa comunhão, mais autêntico o nosso espírito missionário. Tendo em vista tudo isto, reservamos o tempo necessário para avaliar a situação presente das nossas instituições: o Teresianum de Roma; o CITES de Ávila e a origem da Ordem, o Monte Carmelo.
3. Escolhemos uma equipa de governo renovada, liderada pelo novo Prepósito Geral P. Saverio Cannistrà, da Província toscana. Escutámos as informações e as expectativas do Carmelo Secular cujo esforço se centra sobretudo na formação. No encontro com as nossas irmãs Carmelitas — vieram ao Capítulo as presidentes de onze Federações de todo o mundo — fez-nos sentir o espírito de família que nos une, de tal modo que não nos podemos definir uns sem as outras e vice-versa. O que Teresa de Jesus ensinou a João da Cruz foi precisamente o estilo de fraternidade, e o nosso diálogo foi disso sinal vivo. É essa orientação que nós queremos seguir. Outro sinal de fraternidade foi a presença neste capítulo dos nossos religiosos irmãos; eles recordam-nos a beleza da sua própria vocação, o seu lugar insubstituível na nossa história, a sua participação diferenciada no apostolado da espiritualidade, o apoio da sua oração e os seus conselhos. Juntos, Irmãos e Sacerdotes, havemos de construir o nosso testemunho carmelitano.
Em resumo: nós reflectimos, tomamos decisões e votamos. Estes são os actos próprios dum capítulo. E agora, o que vamos fazer? Que queremos viver?
Um olhar virado para o V Centenário do nascimento de Teresa de Jesus
4. O Carmelo necessita de «fogo no coração, palavras nos lábios, f«profecia no olhar» (Paulo VI, Audiência geral de 29 de Novembro de 1972) para permanecer fiel à sua triple vocação mística, profética e missionária. No nosso mundo em mudança é necessário sermos sólidos e solidários, e trabalhar na direcção que é nossa desde a origem, a de «irmos começando sempre» (Cfr F 29:32) em fidelidade criativa ao Espírito Santo. O novo sexénio de 2009-2025 seguirá o dinamismo da esperança iniciado em 2003: «A caminho com Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz: voltar ao essencial». E é assim que nos orientaremos para a celebração do V Centenário do nascimento de Teresa de Ahumada (28 de Março de 1515), aquela a quem chamamos a nossa Santa Madre: Teresa de Jesus. O documento capitular «Para vós nasci» será o guia que orientará o novo sexénio.
Ler, meditar e deixar-se renovar pelos escritos da nossa Santa Madre Teresa
5. Desejamos para todos os membros da nossa Ordem uma nova primavera na nossa vida de seguimento de Jesus. A nossa formação permanente deve ser uma autêntica educação, maturação e crescimento na vida religiosa, na vida comum e na vida de oração. Para isso convidamos a todos e cada um e cada uma de vós para um encontro pessoal com Teresa, a entrar no diálogo que ela própria inicia nos seus escritos quando diz: «Irei falando com elas no que irei escrevendo» (Prólogo do Castelo Interior). Um contacto de pessoa a pessoa não é possível a não ser no mais profundo centro da alma na esteira do caminho de oração, da aventura de amizade com Jesus, o rosto humano de Deus e rosto divino do Homem.
Transformados pela experiência de Deus
6. O nosso desejo é o de constituir os escritos da Santa madre no pão nosso de cada dia. A sua palavra vive para nos transmitir o sabor de Deus: «A minha intenção é a de seduzir as almas para um bem tão alto» (V 18:8). Perguntemo-nos: o nosso modo de vida actual tem um real espaço contemplativo de Deus? Somos testemunhas da sua grande bondade, da sua mão generosa, da sua obra libertadora (Cfr V4:10; 23:1)? Eis, pois, o esforço verdadeiro e radical que temos de realizar por nós mesmos e pelos outros, a fim de voltarmos a dizer aos homens quem é deus na nossa vida. «Deus é amor», o seu amor é vivificante, transformante e libertador.
7. Teresa convida-nos a «caminhar na verdade diante de Deus e dos homens de todas as maneiras que pudermos» (6M 10:6). Como discípulos e servidores da Palavra de Deus nós buscamos a verdade, avançamos para a luz e alcançamos a liberdade. É a partir desta soberana liberdade que nos podemos constituir em anunciadores e testemunhas, entregando-nos inteiramente a Quem se entregou por nós em seu Filho, o verdadeiro Amigo.
Fiéis ao convite profético
8. Pela liberdade alcançada após a entrega ao Senhor Teresa pôde elevar a sua voz de mulher em tantas páginas críticas e valentes, onde ela denuncia as intrigas, vaidades e mentiras da sociedade do seu tempo. O seu amor à «santíssima Humanidade» de Cristo ressuscitado apurou o seu olhar e conferiu-lhe lucidez de verdadeira filha da Igreja, perante as condições injustas que alienam o homem de si mesmo e de Deus Teresa respondeu aos desafios do seu tempo preferindo a pobreza e o humanismo cristão para as suas fundações sustentadas numa sóbria e amigável vida comunitária e marcada pelas virtudes evangélicas da suavidade, da humildade e da alegria. Também para nós, hoje, a pobreza massiva e tudo que a provoca, isto é, as desigualdades crescentes e a injustiça em todas as suas formas, são para nós um desafio. A nossa vida contemplativa revela-nos o rosto sofredor de Cristo nos rostos doridos dos pobres.
Seguindo o impulso missionário da nossa Santa Madre
9. «A oração acesa pelo fogo do amor» é a alavanca que levanta o mundo, diz-nos Teresa do Menino Jesus, herdeira do espírito missionário da Santa Madre. O dinamismo missionário que nos anima alimenta e mantém viva a nossa paixão pela humanidade. No movimento de contínua saída de nós mesmos pomo-nos ao serviço do futuro da humanidade, desejamos suscitar novas formas de esperança concreta. A emergência da globalização, como nova ordem mundial, convida-nos à partilha dos nossos recursos humanos, espirituais e materiais através duma colaboração mais eficaz entre as várias circunscrições e o centro da Ordem, a fim de continuar e consolidar a expansão da Ordem no mundo. Nós tivemos a alegria de ver um sinal disso mesmo: a erecção da Coreia como nova província da Ordem. E ainda outro: a formação dum novo grupo capitular, o coetus africano constituído irmãos de África e Madagáscar; sinal de crescimento da nossa presença naquele continente.
10. Porém, a globalização também divide o mundo em fragmentos onde se multiplicam os refugiados e novas formas de miséria. É urgente devolver a dignidade ao homem e de restaurar uma sociedade estropiada. O nosso mundo caracteriza-se pela interconexão mais profunda e pela maior fragmentação de que há memória. Neste contexto podemos oferecer o testemunho e a hospitalidade da nossa vida fraterna sustentada na amizade com Jesus que «destruiu os muros de ódio que nos separavam», como nos diz a carta aos Efésios (2:14). A nossa Santa Madre Teresa de Jesus assumiu plenamente esta humanidade ferida e suportou a dor e a compaixão, sobretudo através da experiência espiritual do «inferno» (Cfr V 32). Este amor pela salvação e libertação total do homem anima a nossa vida e o nosso apostolado. O nosso desejo é o de nos convertermos em «servos do amor» (V 11:1) «verdadeiros espirituais», segundo a descrição que Teresa elaborou: «tornar-se escravos de Deus que marca com o ferro da cruz, porque a Ele é dada a sua liberdade a fim de que os possa vender como escravos de todo o mundo, tal como Ele o foi» (7M 4:8)
Sob a protecção de Nossa Senhora
11. Na história da nossa Santa madre Teresa de Jesus, como na história do Carmelo, a gloriosa Virgem Maria ocupa um lugar singular. Somos do Carmelo porque pertencemos a uma família consagrada à Virgem Maria. O nosso Capítulo, reunido em Fátima, foi eco desta realidade. A Irmã Lúcia e os dois outros Pastorinhos, os Bem-aventurados Francisco e Jacinta, contemplaram Nossa Senhora com o hábito do Carmo convidando-nos a todos a orar pelos pecadores e pela paz. A sua Mensagem alimenta também a nossa esperança: «O meu Coração Imaculado triunfará». Que quer isto dizer? Que o coração aberto de Deus, purificado pela contemplação divina, é mais forte que as espingardas ou qualquer tipo de arma. O fiat de Maria, a palavra do seu coração, mudou a história do mundo, porque graças a este «sim» Deus pôde fazer-se homem no nosso mundo e assim permanece agora e por todo o sempre (J. Ratzinger, A Mensagem de Fátima, Congregação para a Doutrina da Fé, 2000).
Recorrendo ao coração de Maria, à profundidade da sua fé, expressa nas palavras do Magnificat, renovamos cada vez melhor em nós a consciência de que não se pode separar a verdade sobre Deus que salva do Deus que é fonte de todos os dons, da manifestação do seu amor preferencial pelos pobres e pelos humildes, amor dito nas palavras e acções de Jesus (Cfr João Paulo II, Redemptoris Mater 37).
12. Ao longo destes dias nós fomos sentindo a oração das nossas Irmãs Carmelitas, a proximidade dos nossos frades doentes e velhinhos, e as expectativas cheias de esperança dos nossos jovens religiosos. Ler e meditar as obras da nossa Santa Madre, pessoalmente ou em comunidade, assimilar a sua doutrina que nos mostra o caminho da santidade, partilhá-la entre nós e ainda renovar a nossa maneira de falar. Eis o programa do sexénio «Para vós nasci», que desejamos ver concretizado cada ano através de fichas de leitura, como uma fonte de graça e de renovação para toda a Família do Carmo.
Da nossa Santa Madre Teresa de Jesus, mãe dos espirituais e primeira mulher doutora da Igreja, podemos dizer o que dela disse S. Teresa Benedita da Cruz: «A sua irradiação estende-se muito para além das fronteiras do seu povo, da sua Ordem e chega mesmo a alcançar aqueles que estão fora da Igreja. A força da sua linguagem, a sinceridade e a simplicidade de estilo dos seus escritos abrem os corações e depositam neles a vida divina. Só no dia do juízo final conheceremos o número dos que, graças a ela, encontraram o caminho da Luz» (Teresa Benedita da Cruz, Eine Meisterin der Erziehungs- und Bildungsarbeit: Teresia von Jesus, 1935).
Fátima, 7 de Maio de 2009
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Documento Capitular “Para Vos Nasci”
Pedro Tomás Navajas: “Não podemos ser carmelitas sem Teresa de Jesus, sem sua palavra, sem sua presencia” (Fátima, 28-04-2009)
O Documento Capitular “Para Vos Nasci” centralizou os trabalhos da Assembléia Capitular na manhã de hoje, 28 de abril. Grave a moderação do Frei Denis Chardonnens, sócio da Província de Avignon-Aquitania, o Frei Pedro Tomás Navajas, Provincial da província de Burgos, apresentou a parte operativa do Documento.
Navajas é membro da comissão formada pelo Frei Luis Aróstegui e composta também por Miguel Márquez –da província de Castilla, e na que colaboraram outros religiosos com os provinciais Sebastián García –da província de Aragón-Valencia- e Tomás Álvarez – da província de Burgos-. Este grupo de religiosos elaborou uma proposta de guia de leitura de Santa Teresa na Comunidade.
Frei Pedro Tomás expôs uma proposta de guia de leitura dirigida à leitura e aprofundamento do “Livro da Vida” de Santa Teresa de Jesus em cada Comunidade de religiosos. Organizada em três partes, a proposta se centra primeiro em um conjunto amplo de perguntas que ajudem proporcionar um encontro sensível com Teresa, “como a madre que se encarrega de que o fogo da casa não se apague. Não podemos ser carmelitas sem ela, sem sua palavra, sem sua presencia”, afirmou o Frei Navajas.
Um segundo momento consistiria em um “encontro cara a cara com a forma de falar e de dizer” de Santa Teresa, e em terceiro lugar “celebrar este aprofundamento de Santa Teresa em meio do povo”.
Os diferentes grupos lingüísticos se reuniram para debater e analisar a proposta deste guia de leitura e de material de aprofundamento dos escritos Teresianos. Posteriormente, os secretários relataram ao capítulo as conclusões dos grupos avaliando muito positivamente esta iniciativa, o trabalho realizado e as propostas concretas apresentadas.
Um rico intercambio de idéias e sugestões, durante o tempo de diálogo, foi dado quando iniciou a apresentação de diferentes propostas operativas. O objetivo, foi destacado pelo P. Geral, é “saber saborear, desfrutar com Santa Teresa. Apaixonarmos com Teresa e nossa identidade”.
Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana – 29 abril de 2009, às 06:06.
PAPA NO SANTO SEPULCRO: “CRISTO RESSUSCITOU! O AMOR VENCEU A MORTE”
Jerusalém, 15 mai (RV) – Bento XVI visitou, neste derradeiro dia de sua peregrinação apostólica na Terra Santa, a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e ressuscitou no Domingo de Páscoa.Era chamado Gólgota, que em aramaico, significa “lugar do crânio”: por sua forma arredondada que é semelhante a um crânio; e pela tradição que narra da sepultura, ali, do crânio de Adão.
“Diante deste Santo Sepulcro de onde o Senhor venceu a morte e abriu o caminho do Reino dos Céus, saúdo todos os fiéis, na alegria do tempo pascal” − ressaltou o papa.
O Santo Padre agradeceu ao patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, e ao custódio da Terra Santa, Fr. Pierbattista Pizzaballa, pelas boas-vindas. Agradeceu também o acolhimento da hierarquia da Igreja Greco-ortodoxa e da Igreja Apostólica Armênia, bem como dos membros de outras comunidades cristãs da Terra Santa.
O papa saudou o Grão-mestre da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro, Cardeal John Patrick Foley, e agradeceu a todos os membros da ordem ali presentes, pela incansável dedicação à missão da Igreja na Terra Santa.
“Depois de cerca de vinte séculos, o Sucessor de Pedro e Bispo de Roma está aqui, neste lugar, diante do sepulcro vazio, contemplando o mistério da ressurreição” − frisou o pontífice.
A partir daí, a história da humanidade mudou definitivamente. “O longo domínio do pecado e da morte foi destruído pelo triunfo da obediência e da vida. O julgamento de Deus foi proferido sobre este mundo e a graça do Espírito Santo desceu sobre toda a humanidade” − sublinhou o papa.
Em seu discurso, Bento XVI ressaltou que Cristo, o novo Adão, nos ensina que o mal nunca vencerá o bem, que o amor é mais forte que a morte, que o nosso futuro e de toda humanidade está nas mãos do Deus providente e fiel.
“O sepulcro vazio nos fala de esperança, daquela esperança que não nos engana, porque é dom do Espírito da vida. Possa essa esperança reinar sempre, pela graça de Deus, no coração de cada pessoa que vive nestas terras. Possa a esperança se arraigar em seus corações, permanecer nas famílias e comunidades, e inspirar em cada um de vocês, um testemunho sempre mais fiel ao Príncipe da Paz” – ressaltou o Santo Padre.
O pontífice disse ainda, que a Igreja na Terra Santa não deve cessar de anunciar a mensagem de esperança que o sepulcro vazio proclama, e “fez votos de que os amargos frutos de recriminação e de hostilidade possam ser superados, e que um futuro de justiça, paz, prosperidade e colaboração possa surgir para cada homem e mulher, e para toda a humanidade, sobretudo, para o povo que vive nesta terra, tão querida pelo Salvador”.
O papa convidou todos a olharem com os olhos da fé o rosto do Senhor crucificado e ressuscitado. Ele fez votos de que a Igreja na Terra Santa possa adquirir cada vez mais força na contemplação do Sepulcro vazio e fortificar seu compromisso de proclamar o triunfo do perdão de Cristo e a promessa de uma nova vida.
O pontífice concluiu com um encorajamento aos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas que trabalham, servindo a Igreja na Terra Santa:
“Aqui, diante do sepulcro vazio, coração da Igreja, convido todos vocês a renovarem o entusiasmo da consagração a Cristo e o compromisso de amor a serviço da Igreja.” (MJ)
Observem, tal como eu, que o mundo do século XX e início deste, ao que parece, está dando as costas para seu Criador… Vivemos dentro de uma ótica tão materialista que estaremos caindo no abismo e não nos daremos conta enquanto não encontrarmos o chão… O papa Bento XVI está em Israel, e “peregrina” em meio ao conflito do Oriente Médio, e, com originalidade vai respondendo aos seus contendores. Ele também está clamando por paz entre os povos, exatamente como o papa Bento XV o fez, em 1917.
Entretanto, acredito que a tarefa do nosso atual papa é hercúlea, ou seja, é mais complexa que ao tempo da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Seu clamor tem caído no vazio, dada ao que considero uma verdadeira “indiferença mundial pela paz”. Ele próprio indica a fonte do problema: o relativismo; o conceito está dentro do ideário “pós-moderno”. Estudiosos de Sociologia e Antropologia afirmam que estamos passando por uma fase de transição – do período “moderno” para o “pós-moderno”. Pessoalmente, ainda não consegui compreender em que se baseia este “determinismo”. É um fato histórico que passamos dos estudos “astrológicos” para os astronômicos – ou seja, da Idade Média para a Moderna. No entanto, o que sempre foi aceito como um valor universal, desde os gregos chegou incólume até a década de 80. Desde o final daquela década há algo em curso (isto me lembra a “mão invisível” do Adam Smith…), que vem se mostrando inexorável. Algo que quer se firmar como a “Terceira Onda”, de Alvin Tofler, ou “1984”, de George Orwell. Enfim, há uma atmosfera, a meu ver, à lá Kafka. A pós-industrialização, que gerou a globalização, que gerará a virtualização da vida humana… O papa Bento XVI traduz tudo quando critica a relativização de todos os valores até então válidos…
Verifico que o papa Ratzinger tem a seu favor, em termos de defesa do Cristianismo, do catolicismo – a inteligência brilhante e o domínio das Escrituras Sagradas, e quanto a este aspecto, é pós-doutor em Teologia. Além disso, isto é, é um homem de 82 anos, que acumulou uma vasta cultura e, para melhorar seu perfil de Sumo Pontífice, é conhecido como um homem muito simples – o que vem surpreendendo a todos. Sendo assim, é um homem que possui sabedoria, a mesma que é valorizada no Antigo Testamento. No entanto, pede que rezemos continuamente por ele… certamente para que não esmoreça. Ou seja, Bento XVI vem enfrentando “intelectualmente” o combate sistemático da imprensa mundial, que, diga-se de passagem, é a favor de tudo que não lhe contrarie interesses… Obviamente que há outros grupos que lhe fazem oposição.
A propósito, desde o final do dia de ontem e no dia de hoje, 13 de maio, teve de enfrentar a rejeição de alguns líderes religiosos israelitas quanto ao projeto de estabelecimento de uma sede na Terra Santa – algo em torno de um organismo estatal, o qual representaria o pensamento do Vaticano. A idéia é viabilizar meios que permitam a proteção dos cristãos de todas as nacionalidades, que residem nas áreas de conflito, bem como palestinos, cristãos ou muçulmanos. Esta notícia contrariou o mundo político de Israel, provavelmente porque agradou, por exemplo, reinados muçulmanos, como o da Jordânia. Esta tem como característica o acolhimento “democrático” de cristãos e muçulmanos, tanto no aspecto da prática religioso quanto da educação e cultura que os caracteriza.
Quanto a manifestações de alguns rabinos ultra-conservadores em Israel, não lhes foi permitido entrar com faixas e cartazes no ambiente em que o papa Bento XVI se dirigiria a uma ampla gama de autoridades religiosas e políticas, que compõem o estado de Israel. Pelas notícias, o papa falou de improviso e seu apelo à paz teve argumentação bíblica, que foi acolhida com surpresa pelos presentes…
Voltemos à aparição de Nossa Senhora em Fátima. Em 1917, o papa referido abaixo – Bento XV – clamava ao mundo católico que pedisse a intercessão de Nossa Senhora pela paz, em meio à primeira Guerra Mundial. O mundo não ouviu, tanto que veio uma segunda Grande Guerra, e com uso de uma bomba atômica… Constato que o papa Bento XVI nem ao menos pode apelar a sentimentos como – piedade, compaixão, amor, perdão. Pelo menos com a certeza de que, se não for atendido, será compreendido ou aceito… Podemos ter a certeza de que o papa Bento XV foi compreendido, ainda que não lhe tenham dado ouvidos…
Estamos negando nossa humanidade, cedendo-a, sim, aos apelos do mundo da Ciência e da Tecnologia. Estas, na minha ótica, duas “deusas” que, há cerca de três décadas foram “entronizadas” na vida que adotamos, sem crítica de espécie alguma…
Tenho que admitir a luta – que vai se mostrando inglória, ainda que perseverante, graças a Deus – em todas as áreas da vida humana. Está sendo travada por muitos de nós – ao tentarmos preservar uma “vida interior”. Ou seja, é empreendida, em nosso dia-a-dia, uma verdadeira “batalha” para vivermos com liberdade e autenticidade, em meio a este estado de coisas, nossos ideais de transcendência. O absurdo é que nada é mais humano que esta realidade, já que o instinto de sobrevivência é básico. Por que chegamos a este nível de negação de nós próprios? Acumulação? Prestígio? Nesse sentido, sinto-me “vítima”. O que me consola é que estou bem acompanhada, e por muitos… Assim, chega a parecer piada, dentro do que eu chamo “tirania desumanizante” – afirmarmos nossa religiosidade, nossos anseios espirituais… A “Matéria” em nosso tempo, sufoca, ao cansaço, o “Espírito”; este, no sentido filosófico. Será que a Humanidade ainda pensa que existe alma, e que esta deve aspirar à salvação? Nossa Senhora… ora pro nobis. Amém.
No dia 5 de maio de 1917, durante a primeira guerra mundial, o papa Bento XV convidou os católicos do mundo inteiro a se unirem em orações para a paz com a intercessão de Nossa Senhora. Oito dias depois a Santíssima Virgem dava a sua resposta, aparecendo a três pastorinhos portugueses. A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, conselho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.
Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira, onde agora se encontra a Capelinha das Aparições, uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.
A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. (…) Leia mais em http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/.
“Ave Maria” – clássica peça musical de Schubert, é interpretada pelo tenor italiano Andrea Bocelli. Todos sabemos que este cantor de música clássica e lírica é cego, o que torna mais impressionante ainda sua performance. No vídeo , ouvimos somente sua voz, a um só tempo, grave e suave. Considero sua voz encantadora e como intérprete, Andrea Bocelli se mostra versátil porque empresta a canções populares sua profunda sensibilidade e nas peças clássicas, principalmente de inspiração religiosa, dá um tom quase celestial. Sua interpretação é acompanhada por imagens da Virgem de Guadalupe, padroeira do México. Outras imagens da Virgem Maria – também muito belas – são apresentadas no vídeo; algumas delas trazem Nossa Senhora com o Menino Jesus aos braços.
Que a Virgem de Guadalupe, Mãe da Humanidade, ore pelo México e pelo mundo inteiro… Amém.
Imagem: Basílica de Santa María de Guadalupe (site oficial) –
“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.
Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana às 05:44.