“AVE MARIA, GRATIA PLENA” (Schubert), interpretada por Andrea Bocelli (YouTube)

"Virgem de Guadalupe"
"Virgem de Guadalupe"

Ave Maria

Gratia plena

Dominus tecum

Benedicta tu in

mulieribus

Et benedictus

fructus ventris

Tui, Jesus

Sancta Maria

Mater Dei

Ora pro nobis

peccatoribus

Nunc et in hora

mortis nostrae

Amen.”

“Ave Maria” – clássica peça musical de Schubert, é interpretada pelo tenor italiano Andrea Bocelli. Todos sabemos que este cantor de música clássica e lírica é cego, o que torna mais impressionante ainda sua performance. No vídeo , ouvimos somente sua voz, a um só tempo, grave e suave. Considero sua voz encantadora e como intérprete, Andrea Bocelli se mostra versátil porque  empresta a canções populares sua profunda sensibilidade e nas peças clássicas, principalmente de inspiração religiosa, dá um tom quase celestial. Sua interpretação é acompanhada por imagens da Virgem de Guadalupe, padroeira do México. Outras imagens da Virgem Maria – também  muito belas – são apresentadas no vídeo; algumas delas trazem Nossa Senhora com o Menino Jesus aos braços.

Que a Virgem de Guadalupe, Mãe da Humanidade, ore pelo México e pelo mundo inteiro…  Amém.

Imagem: Basílica de Santa María de Guadalupe (site oficial) –

http://www.virgendeguadalupe.org.mx/noticias/Breves_2009/oracion_virgen_influenza_09.htm

Postado em 26 de abril de 2007-(http://www.youtube.com/sanctaorg).

“Morta minh’alma só minha pele me importa” – Carmina Burana (Carl Orff)

via_sacra

Penso como Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres”. Foi basicamente com estas palavras que ele se expressou há mais de 15 séculos. Sempre me impressionou a profundidade desta afirmação. Mas a maioria acredita que é simples: quer dizer que somos livres para fazer o que quisermos, afinal  – não odiamos ninguém, não desejamos o mal para quem quer que seja, mesmo que nos prejudique, ajudamos as pessoas, etc. A meu ver, a questão não é esta; é bem diferente: amar é complicadíssimo. Amar nos limita, e neste limite – o da renúncia ao egocentrismo – voamos nas asas libertadoras do amor… Sim. Ele, o amor, fere nossos interesses mais imediatos, intercepta nossos instintos egoístas, exige que “cortemos em nossa própria carne”, e firamos nosso orgulho, nosso amor-próprio. Isto não quer dizer não ter personalidade diante de quem nos contraria, abrindo mão de nossa visão das coisas. Acredito que “amar” para Santo Agostinho é renunciar à própria razão e dar uma chance ao que está equivocado, até que ele desista de nós, porque não tem nenhum argumento par nos convencer de que está certo ou esgotou todos que pensava serem superiores aos nossos… Nos dois casos, amar exige que suportemos os arrogantes, prepotentes, íntimos ou não, até que se dêem por vencidos ou prefiram ficar com seu auto-engano… Tal como Santa Teresa de Jesus afirma: “a paciência tudo alcança”. Por que estou falando tudo isto? Porque desde jovem (e tenho 48 anos) acreditei naquilo que o papa Bento XVI afirma para se defender pessoalmente das críticas e a defender a doutrina católica quanto a preservativos, anti-concepcionais e aborto:  a “humanização da sexualidade”. Li hoje este termo no L’Osservatore e fiquei impressionada porque ando procurando há anos um termo que exemplifique o que estamos vivendo na atualidade, e não somente em relação à AIDS na África, que está chegando ao nível de uma pandemia. Me refiro às condutas ocidentais em relação ao sexo, ao amor. Não adianta vir com aquele chavão de que falo “carolices”, “beatices”. Não me enquadro em nenhum tipo de espiritualidade artificial – porque externa, ao modo de uma máscara…

Provém do próprio catolicismo (ou veio do protestantismo?) o ditado: “O hábito não faz o monge”. Por isto Santo Agostinho falava do amor e da liberdade. Daí porque, sem fazer alarde de minhas convicções fui amadurecendo no sentido de que precisamos (o mundo cristão) viver o amor com humanidade, ou seja, a liberdade consiste em amar com o coração e não somente com o corpo (volto a mencionar o filme “Coração Valente”). Realisticamente falando, para exemplificar temos a “indústria do sexo”. Não vou me estender, mas a palavra indústria lembra máquina, produto, mercado. Bem, o Papa fala de “humanização da sexualidade”, e me vem à mente a existência da já assimilada indústria de preservativos… Aqui o corpo humano já se tornou, por extensão, uma peça da “maquinaria” chamada – “indústria da pornografia” – na qual o corpo humano é degradado de forma “light” até o nível da bestialidade… Desculpem-me, eu lhes disse que não era “carola”… Por um bom tempo não pretendo voltar a este assunto, por motivos óbvios.

BUSCA DE PIEDADE, SANTIDADE E HUMILDADE

Almejamos a santidade. Jesus disse que devíamos ser santos, perfeitos “como o Pai o é”.  É evidente que nos instigava a, pelo menos, nos arrojarmos em busca do “caminho da perfeição”, tal como também nos aponta Santa Teresa de Ávila. Ele é o “Caminho, a Verdade e a Vida”, em suas próprias palavras. Precisamos ouvi-Lo, com coração e mente abertos…

Não espero ser compreendida porque esta “cultura”, a da indiferença, do relativismo moral está impregnada em tudo que vivemos. Nosso século, principalmente depois da Segunda Grande Guerra entrou em um processo delirante de busca de satisfação dos cinco sentidos e, nada mais… Onde foi parar a poesia da vida? É verdade que quando temos out-doors em cada esquina, monitores de vídeo com propagandas, ao lado de arranha céus, ou a patética e traiçoeira “Second  Life” do mundo virtual, além de outras virtualidades empobrecedoras do espírito humano, o quê significa mesmo pensar poeticamente; enfim, o que é viver com poesia?

No meu caso, sou plenamente consciente do que é exterior em grau excessivo no âmbito da espiritualidade. O papa Bento XVI não me perturba, nem a doutrina da Igreja Católica. O amor dá coerência à Doutrina. Acabamos de voltar a Santo Agostinho… Sou jornalista e estudo informalmente temas teológicos, no entanto, nunca fiz parte de nenhum convento, nem mesmo faço parte de uma ordem secular. Tão somente sou uma leiga católica. Tal como se tornou católico meu marido, que, apesar de batizado católico foi criado dentro de fundamentos calvinistas. Quando nos conhecemos, estudávamos em universidades diferentes, e nessa época ele “estava” ateu.. Brinco com ele sobre isto, e ele nem liga porque é uma verdade… Estava como quem apresenta urticária por excesso de condimentos químicos na alimentação. O indivíduo não é alérgico, mas como exigiu demais do organismo, a resposta é o mal-estar da urticária. Creio que esta é uma boa metáfora. A partir  deste “estado” bem humano (o da dúvida, que todos sentiremos enquanto vivermos), lentamente, passou a admitir o cristianismo reformado. Após o término do mestrado fez amplas pesquisas relacionadas com o contexto histórico em que viveram Calvino e Lutero, além de buscar biografias de fontes reconhecidas. Ao deparar com três personalidades piedosas dentro da Reforma, que a meu ver, foram cristãos reformados admiráveis – Armínio e sobre os irmãos Wesley  – começou a ver as coisas de outro modo. A partir destes chegou a São Franscisco de Sales… Armínio teria lido os escritos do Bispo de Sales, na forma de “panfletos”. Estes, visavam demonstrar os equívocos de Calvino em relação ao seu professado anti-catolicismo. Genebra, na Bélgica, era o berço dos calvinistas, e ele fora para lá com o objetivo de estudar suas teses teológicas. Não se tornou católico, mas absorveu a noção de “piedade” de São Francisco de Sales. A história conta que os discípulos de Armínio foram perseguidos e mortos pelos calvinistas. Quanto a John Wesley e seu irmão, provinham de família que fugira da Holanda para a Inglaterra por professarem o ponto de vista dos arminianos. Absorvidos estes conhecimentos, acrescentou à sua bagagem o pietismo do protestante alemão Phillip Spenner. Eu fiquei encantada. entretanto, esta corrente não é influente no luteranismo atual. Chegando ao final do nosso século, meu marido, espantado tomou conhecimento das razões da conversão ao catolicismo de John Neuman, que se tornou o conhecido Cardeal Neuman. Este havia sido incumbido de “confirmar” os postulados que afirmavam a fé anglicana como válida em relação à sucessão e tradição apostólicas. Não conseguiu o intento… Apresentou suas conclusões aos dirigentes anglicanos e, ato contínuo, se tornou sacerdote católico.

Descoberta após descoberta, entre cansaço, estranhamento e fascínio, meu marido importou “Vida Devota” e “Controvérsia Católica”. Eu sofria com esta “inquietação interior”, certamente provocada por muitos anos, desde o berço, de críticas contínuas ao catolicismo. Entretanto, dentro de sua própria família havia e há exceções nesse sentido. É importante frisar que esta é uma realidade pessoal (porque histórica) para centenas de milhões de cristãos reformados e calvinistas.

Ao final, através da argumentação de São Francisco de Sales, o acesso ao conceito de piedade em Cristo, aliado aos de humildade em relação à tradição apostólica e de santidade no dia-a-dia, que são centrais em suas duas obras – fez com deixasse para trás preconceitos quase milenares…

Não tive medo – rezei muito, e o pouco temor que experimentei nesta jornada espiritual surpreendente que ele vivia – simplesmente desapareceu. Também aprendi, amadureci muitas coisas. Acho que, estudiosos de Filosofia, se não permanecerem no ateísmo, podem viver algo como o que Santa Edith Stein, carmelita descalça viveu. A razão abraça a fé. Recentemente deparei com este pensamento dela: “O homem que busca a verdade, mesmo que não consciente, busca a Deus”.

COMBATE ESPIRITUAL

Todos travamos um “combate espiritual”, mesmo que não tenhamos uma noção clara, contínua disto em nossas vidas. Os santos e santas nos ajudam nesta difícil caminhada. A propósito, nem São Francisco de Sales, nem Santa Edith Stein tiveram suas obras traduzidas para a língua portuguesa. Acredito que isto se deva ao nosso bem familiar atraso (ou retrocesso?) cultural… Para concluir, diria que todo verdadeiro amor é feito de renúncias mútuas, porque vem de Deus. Ele, o Todo Poderoso renunciou à ação quando Jesus sangrava por nós no Calvário, na Cruz… Estas idéias não combinam com o século XX e o XXI. Ambos se caracterizam pelo império do hedonismo, do “qualquer coisa é admissível”, ou seja, não há compromisso moral com nada e com ninguém, o que é lamentável para o que sempre foi um ideal humano: a felicidade. A Humanidade está chegando à uma abismal conclusão: amar é complicado demais. Então, tal como se dá na peça musical Carmina Burana, passa a ser natural o absurdo:  “morta minh’alma só minha pele me importa…”.

«A verdadeira liberdade consiste em conformar-se com Cristo, e não em fazer o que se quer» Bento XVI, audiência geral de 1º de outubro de 2.008.

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Imagem: 14ª Estação – “Jesus é colocado no sepulcro” –

http://www.igrejasaosebastiao.com.br/via_sacra.asp

Missão do Carmelo: “capacidade interior de escutar a Deus” (90º Capítulo Geral – Fátima)

FONTE: http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/o-bispo-de-fatima-recorda-que-o-grande.html

90º Capítulo Geral em Fátima (Portugal) – 18/04/2009

Bispo de Fátima recorda que o grande labor do Carmelo é despertar nos cristãos a “capacidade interior de escutar a Deus”

Homilia-Mons.António A. dos S. Marto – Celebração (Fátima)

A mística, consubstancial à vida cristã”

A capela das Carmelitas Descalças acolheu, ao meio dia de hoje, a celebração da eucaristia na qual participaram os assistentes do Capítulo Geral, esta foi presidida pelo bispo da diocese de Leiria-Fátima, Mons. António Augusto dos Santos Marto. “Quero unir-me a vos, na oração eucarística e pela interseção do Espírito Santo, ao vosso Capítulo Geral” sublinhou o prelado que em sua homilia assinalou que este encontro da Ordem “está marcado pela gloria espiritual da ressurreição”. D. Antonio afirmou em sua homilia, pronunciada em italiano, que a espiritualidade carmelitana é “profundamente atual para a evangelização hoje” e se deteve em detalhar algumas características das linhas contemplativas – mística e de afeto a Mãe do Monte Carmelo essenciais para a Ordem. O prelado recordou aos capitulares que a contemplação e a mística “é consubstancial a vida cristã”. “Ante a mediocridade e a banalidade de um horizonte exclusivamente mundano” e a atitude de “muitos cristãos que dão imagem de uma fé sem encanto, sem entusiasmo e sem coragem,” as comunidades contemplativas são testemunho vivo da fé em Cristo, afirmou o bispo. Esta “visão contemplativa da fé é para todo povo cristão, no só para as elites. O trabalho de vossa ordem, e de vossa espiritualidade é iluminar o momento presente. Suscitar de novo o apetite espiritual de que carecem tantos cristãos: a capacidade interior de escutar a Deus.”

Postado por Pastoral Vocacional Carmelitana.

“Como Orar” – Centro Carmelitano Castelo Interior

FONTE: http://www.castelointerior.org/como_orar.html

ccci

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“Ide e dai vós mesmos de comer.”

A espiritualidade carmelitana é uma das mais ricas da Igreja. O cerne dessa espiritualidade é a vida de oração e intimidade com Deus. Os santos carmelitas tem uma doutrina e, principalmente, uma experiência de oração que merece ser conhecida e pode nos servir de guia no nosso caminho rumo à comunhão com Deus.


(…)Encontros “Como Orar” (2009): o primeiro em 14 de junho e o segundo em 23 de agosto, ambos começando pela manhã (8h30min) e terminando à tarde (por volta das 18h30min).


Centro Carmelitano Castelo Interior – 2008
Av. Oscar Pereira, 5119 – Bairro Cascata – Porto Alegre – RS – Brasil
Fone: (51) 3318 5061

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Encontro do 90º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços é aberto em Fátima – Portugal.

FONTE: http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/inaugurado-em-fatima-o-90-capitulo.html

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Inaugurado em Fátima o 90º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços

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O relatório do Prepósito Geral sobre o estado da Ordem foi o centro dos trabalhos da primeira sessão capitular

“Com esta alegria da Páscoa, começamos o Capítulo General, com alegria e otimismo para nos e aquele mundo e aquela Igreja que queremos servir” Com estas palavras, o Prepósito Geral P. Luis Aróstegui Gamboa, inaugurou, na manhã de hoje, 17 de abril, o 90º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços que se celebra na casa Domus Carmeli de Fátima com a participação de 106 capitulares de todo o mundo.

Uma solene celebração da eucaristia na Igreja das Carmelitas Descalças de Fátima, presidida pelo P. General da Ordem e concelebrado pelos Definidores e todos os assistentes do Capítulo, foi o ato que se deu começo este Capítulo Geral. A comunidade de Carmelitas Descalças de Fátima participou ativamente na celebração, durante a qual interpretarão os cantos da liturgia solene da Oitava de Páscoa em Latim e Português.

Durante sua homilia, o P. General recordou, de São Juan da Cruz, que “o amor é o guia para a grande experiência mística da fé. Um amor muito ardente pode dar vida para a presencia do Senhor”.

Abertura do Capítulo

Já na aula capitular, o P. Luis dirigiu uma palavra de acolhida e boas vindas a todos os participantes neste Capítulo. “Acolhem-nos na Domus Carmeli os religiosos da província de Portugal, as irmãs carmelitas e esta cidade de Fátima que é terra da Mãe de Deus e nossa”, destacou.

Depois de destacar a singularidade de Fátima para os Carmelitas Descalços, pela presença da Ordem e por ser um lugar de contemplação, o P. General com palavras de sincero agradecimento a P. Pedro Ferreira, Superior Provincial de Portugal, a sua equipe de colaboradores e a todos os que participaram da preparação deste evento.

O Capítulo servirá para “aprofundar em nossa vocação, no carisma e do serviço”, assinalou o P. Aróstegui uma vez que desejou que estes dias sejam propícios para um trabalho sereno.

Esta celebração é uma graça para a Província de Portugal

A celebração deste Capítulo Geral em Fátima “é um dom, uma graça preciosa para a província de Portugal e para a Ordem, que se apresenta nesta Terra de Maria”, afirmou o P. Pedro Ferreira.

Em sua intervenção Ferreira recordou o Capítulo celebrado em Lisboa em 1585 que contou com a presencia de São Juan da Cruz, nele a Ordem decidiu sua expansão e abertura ao México e, posteriormente, fora da cultura espanhola. “Para mim este é um dia histórico”, afirmou.

Trouxe uma breve apresentação histórica da criação desta casa “Domus Carmeli”, o provincial português relatou os desafios que esta casa enfrentará no futuro e rendeu seu agradecimento a todos os que se associaram a este projeto que supõe um grande esforço para a província lusa.

Telegrama da Secretaria de Estado Vaticano

O Prepósito General relatou aos capitulares sobre carta enviada ao Santo Padre, Bento XVI, pelo motivo da celebração deste Capítulo Geral. Em sua missiva, o P. Luis recordava o amor profundo à Igreja e a pessoa do Pontífice que a Ordem professa, assim como a consciência de trabalhar para a Igreja de acordo com o carisma de Santa Teresa de Jesus.

A esta carta do P. Geral respondeu, por meio de um telegrama, o Cardeal Secretario de Estado Tarcisio Bertone transmitindo a cordial saudação do papa Bento XVI e o desejo de que os trabalhos capitulares sirvam para o aprofundamento no carisma Teresiano, contemplativo e apostólico em profunda união com a Igreja. Assim mesmo, o Pontífice concede sua Benção Apostólica a todos os capitulares e a estende a todos os membros d Ordem.

Relatório do P. General sobre o estado da Ordem

O resto da manhã foi ocupado pela apresentação do relatório Geral do Estado da Ordem durante o sexênio que hora termina (2003-2009). Em seu relatório, o P. Aróstegui Gamboa, repassou as linhas de fundo desenvolvidas nestes anos e que se baseou “na Comunhão e na experiência de Deus como experiência da dignidade da pessoa humana”.

Observando as estatísticas gerais, o P. Luis se deu conta das ações de animação que foram levadas ao fim nas diversas regiões da Ordem, da situação das Carmelitas Descalças e do Carmelo Secular, assim como das diversas instituições da Ordem que dependem d Definitório Geral: a Faculdade de Teologia do Teresianum de Roma, o Centro Internacional Teresiano SanJuanista de Ávila (CITeS), a Casa Geral, o Monte Carmelo e a delegação de Israel-Egito.

Telegrama do Vaticano aos Carmelitas Descalços pela ocasião do 90º Capítulo Geral em Fátima

SECRETARIA DE ESTADO

Vaticano, 15 abril 2009

REVERENDO PADRE
P. LUIS AROSTEGUI GAMBOA
PREPOSITO GERAL DA ORDEM
DOS CARMELITAS DESCALÇOS
38 – 00198 ROMA, ITALIA

Pela ocasião da celebração em Fátima do 90º Capítulo Geral da dita Ordem, o Sumo Pontífice envia uma saudação com os melhores desejos aos participantes, expondo o seu desejo de que os trabalhos de tão importante assembléia favoreçam o aprofundamento do genuíno carisma carmelitano segundo a experiência mística de santa Teresa de Ávila para uma fecunda renovação da vida contemplativa e do apostolado em profunda comunhão eclesial; e também invoca a materna interseção da Bem aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, envia de coração aos Superiores e Capitulares sua especial Benção Apostólica estendendo-la generosamente aos frades, monjas, membros da Ordem Secular e família inteira do Carmelo Teresiano.

Card. Tarcisio Bertone
Secretario de Estado de Sua Santidade

Santa Edith Stein: judia alemã, filósofa e mártir na barbárie nazista

Santa Edith Stein ou Irmã Teresa Benedita da Cruz foi canonizada, em celebração na Praça de São Pedro, no dia 11 de outubro de 1998. Logo abaixo, podemos acompanhar a trajetória desta Santa, carmelita descalça, desde a infância até seu martírio, em 1942, quando foi levada pelos nazistas para um campo de concentração. Judia alemã, recebeu o Batismo em 1º de janeiro de 1922, com a a idade de 31 anos, tendo tomado o hábito das carmelitas descalças, na data de 15 de abril de 1934.

Como todos sabemos, o regime nazista era comandado por “gângsters”, ou seja, era a própria barbárie. Uma caçada foi “empreendida” por toda a Europa, em busca dos que apresentavam ascendência judaica. Dois oficiais da Gestapo a levaram de um convento na Holanda como prisioneira, juntamente com sua irmã Rosa, recém-admitida como noviça. Partiram em  02 de agosto de 1942. O destino foi irreversível: os campos de extermínio nazistas. Despojadas de toda dignidade humana, foram assassinadas naquele mesmo ano, juntamente com outras mulheres judias. Morte de câmara gás, no campo de Auschwitz… O valor espiritual de seus escritos a tornaram doutora da Igreja Católica universal.

A conversão de Santa Edith Stein ao Cristianismo praticamente a isolou da família. Tendo rapidamente superado o corte, e já adaptada e reconhecida como religiosa católica de alto preparo intelectual, inclusive por outras ordens, veio a conhecer o holocausto… Por exemplo, em 1933, há o relato de que, mesmo com a chegada do Partido Nacional Socialista, de Hitler ao poder, ela enfrentou com heroísmo sua condição de judia, nascida na Alemanha: “(…)apesar da insistência de um Instituto de Educação Católico, no sentido em que Edith Stein aceitasse uma vaga de docência na América do Sul, ela a recusou”. Do mesmo modo, poderemos compreender melhor sua conversão ao catolicismo, não aceita por sua mãe, e que se deu já em idade adulta, além de sua atuação como professora.

Vale a pena ler mais sobre a vida de Santa Edith Stein no seguinte site:http://www.lepanto.com.br/dados/HagEdith.html.  Assim, além das informações contidas no site do Vaticano, que publiquei mais abaixo, confiram no endereço acima, outros componentes históricos de sua vida. Há mais detalhes sobre sua condição de religiosa carmelita descalça, e antes deste período, como filósofa de renome, que, convertida ao catolicismo, se destacou como professora em instituto católico para moças. Reconhecida na Europa como Dra. Edith Stein, consta em sua biografia que  “junto de suas jovens alunas, Edith elaborou métodos de educação inovadores, que além de atrair e interessar as moças pelo estudo e conhecimento , contribuíam para sua formação moral e espiritual, na qualidade de pessoas e de mulheres católicas”. (LBN)

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FONTE: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19981011_edith_stein_po.html

santa-edith-stein_martirIrmã Teresa Benedita da Cruz – Edith Stein

(1891-1942)

Nascida em Vrastilávia a 12 de Outubro de 1891, os seus genitores eram de nacionalidade alemã e de religião hebraica. Foi educada na fé dos pais, mas no decurso dos anos tornou-se praticamente ateia, conservando muito elevados os valores éticos, mantendo uma conduta moralmente irrepreensível. De maneira brilhante obteve o doutoramento em filosofia e tornou-se assistente universitária do seu mestre, Edmund Husserl. Incansável e perspicaz investigadora da verdade, através do estudo e da frequência dos fermentos cristãos e, por fim, através da leitura da autobiografia de Santa Teresa de Ávila, encontrou Jesus Cristo que resplandecia no mistério da cruz e, com jubilosa resolução, aderiu ao Evangelho.

Em 1922, recebeu o baptismo na Igreja católica com o nome de Teresa: a sua vida mudou de modo radical. Os anos sucessivos foram despendidos no aprofundamento da doutrina cristã, no ensinamento, apostolado e publicação de estudos científicos, e numa intensa vida interior nutrida pela palavra de Deus e a oração.

Em 1933, coroou o desejo de se consagrar a Deus e entrou na Congregação das Carmelitas Descalças, tomando o nome de Teresa Benedita da Cruz, exprimindo assim, também com este nome, o ardente amor a Jesus crucificado e especial devoção a Santa Teresa de Ávila. Emitiu regularmente o voto de pobreza, obediência e castidade e, para realizar a sua consagração, caminhou com Deus na via da santidade.

Quando na Alemanha o nacional-socialismo exacerbou a louca perseguição contra os judeus, os superiores da Beata enviaram-na, por precaução, para o carmelo de Echt, na Holanda. Impelida pela compaixão para com os seus irmãos judeus, não hesitou em oferecer-se a Deus como vítima, para suplicar a paz e a salvação para o seu povo, para a Igreja e para o mundo. A ocupação nazista da Holanda comportou o início do extermínio também para os judeus daquela nação. Os Bispos holandeses protestaram energicamente com uma Carta pastoral, e as autoridades, por vingança, incluíram no programa de extermínio também os judeus de fé católica.

A 2 de Agosto de 1942, a Beata foi aprisionada e internada no campo de concentração de Auschwitz, e juntamente com a irmã foi morta na câmara de gaz no dia 9 de Agosto de 1942. Assim morreu como filha do seu povo martirizado e como filha da Igreja Católica. «Judia, filósofa, religiosa, mártir como foi afirmado por João Paulo II no dia da Beatificação, a 1 de Maio de 1987, em Colónia a Beata Edith Stein representa a síntese dramática das feridas do nosso século. E, ao mesmo tempo, proclama a esperança de que é a cruz de Jesus Salvador que ilumina a história».

Imagem: http://santiebeati.it/immagini/?mode=album&album=65800&dispsize=Original

Igreja construída em memória da mártir do Carmelo no nazismo – Santa Edith Stein – é inaugurada em Roma.

FONTE: http://provsjose.zip.net/

Igreja Santa Edith Stein - Roma (inaugurada em março de 2009).
Igreja Santa Edith Stein - Roma (inaugurada em março de 2009).

17/04/2009

Roma inaugura Paróquia dedicada a Santa Edith Stein

No dia 22 de março o cardeal vigário de Roma, Agostinho Vallini dedicou solenemente uma nova igreja, matriz paroquial, na capital italiana à nossa santa carmelitana mártir Edith Stein. O templo é uma obra de arte que leva a assinatura do arquiteto Roberto Panella, tem uma capacidade para 300 pessoas e será a igreja matriz de uma paróquia com uma população de 10.000 pessoas. A Paróquia foi erigida no dia 11 de outubro de 1998, no dia da canonização de Santa Edith Stein. Depois de 11 anos celebrando em uma garagem, a comunidade tem agora sua igreja construída. Na cerimônia de inauguração não faltou a evocação da santa patrona da paróquia: “foi uma santa corajosa – disse o Cardeal Vallini -, de grande coerência, de fé, de inteligência. Tomaia-a como modelo, estudai-a, invocai-a. Além da ajuda da comunidade local, contribuiram o Cardeal Meisner, arcebispo de Colônia e a geral das Irmãs Brigidinas do Santíssimo Salvador, Madre Tekla. Além da igreja, formam o complexo a casa paroquial, a secretaria, 10 salas para reuniões, catequese e encontros e um grande teatro. No novo altar da Paróquia foram inseridas algumas relíquias de S. João Leonardi, fundador da Ordem da Mãe de Deus.

Escrito por: Equipe de comunicação – Boletim de notícias da Província São José – Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD).

Imagem: http://provsjose.zip.net/

“Oração: a arte de amar…”, in Teresa e Teresinha (Maria Clara Lucchetti Bingemer)

FONTE: wwwusers.rdc.puc-rio.br/agape/vida_academica/artigos/amai/Teresa


Teresa e Teresinha

Por: Maria Clara Lucchetti Bingemer*

O mês de outubro festeja, entre muitas outras coisas importantes, duas grandes mulheres, com o mesmo nome de Batismo e o mesmo amor louco que deu sentido as suas vidas: Teresa de Ávila e Teresinha de Lisieux.

Teresa de Ahumada nasceu em Toledo ,às margens do rio Tajo, na Espanha.  Mas a situação judeu-conversa de sua família fez com que se transferisse para Ávila.  Desde muito cedo Teresa tem uma experiência de Deus pouco comum, sendo ao mesmo tempo mulher plenamente humana, que gostava das relações, da conversação, das pessoas.  Pouco a pouco Deus vai tomando posse do coração e da pessoa de Teresa com um amor arrebatador.  As graças místicas com que é dotada esta espanhola do século XVI não têm comparação dentro da história mística do Cristianismo.

Nos escritos da grande mestra espiritual do Cristianismo,  encontramos uma seiva sempre viva que não cessa de correr, perpassar e dinamizar as entranhas e todas as dimensões  da vida  desta mulher acostumada a viver  dentro das muralhas de  Ávila mas que sempre sonhou uma liberdade maior, desejando  voar longe,  em novos espaços e em novos céus. O percurso espiritual de Teresa é essencialmente um percurso amoroso, no qual Deus, o Amado, se faz seu particular pedagogo, conduzindo-a com mão firme e apaixonada através de diversas etapas místicas nas quais a santa vai conhecendo-O melhor e mais profundamente. É esse o percurso que Teresa descreve na sua obra do “Castelo Interior”, onde utiliza o símbolo do castelo interior para descrever os períodos e estados – as “moradas”-  pelas quais passa a pessoa habitada pelo Espírito Santo em direção ao amor pleno de Deus e à união transformante. Desde um primeiro momento, o   amor se faz  urgência em sua vida.

Na medida em que anda pelas moradas do Amado, Teresa descobre a pessoa de Jesus cuja “sacratíssima humanidade” a encanta. Sua cristologia, inseparável de sua mística, é altamente realista, envolvendo sua corporeidade dinamizada pelo espírito do mesmo Jesus, que a ama com amor apaixonado e a vai conduzir até o matrimonio místico. O  compromisso de Teresa se faz determinante na medida em que  avança na comunhão com o Cristo onde  vê não  só o Salvador, mas também Aquele que a faz feliz como mulher, a quem pode dar-se totalmente como esposa. É com S. Teresa que a mística esponsal se consolida no Ocidente cristão e o ideal do matrimônio espiritual, já lançado pelos Padres da Igreja, nela se confirma, não como teoria e doutrina mas como experiência pessoal  e vida.

Teresa  não  nasceu rezando mas aprendeu a rezar e fez da oração  a “arte de amar”. Vai repetindo para si mesma e para os outros que a oração “não consiste em muito pensar mas sim em muito amar”. Esta novidade por ela trazida para a prática e a orientação da vida espiritual influenciará toda a mística cristã daí em diante.  Nela, inteligência e afetos se unem profundamente e, aonde não  chegam  intuição e inteligência, sempre chega o amor. É  clássica a definição de Teresa sobre a oração: “Para mim a oração é um trato de amizade com Aquele que sabemos que nos ama”. Teresa vê na oração não um intimismo,  nem tampouco uma fuga do compromisso com o mundo, mas sim uma porta que se abre para entrar no “castelo interior  da nossa alma onde está o Rei, sua Majestade”. Quanto mais rezamos mais avançamos nas moradas que nos levam à íntima  comunhão e ao matrimônio espiritual e sentimos a necessidade de dedicar-nos a fazer algo: “obras quer o Senhor”.

A oração teresiana trasborda nas ânsias apostólicas, na missionalidade e na comunhão com os outros. “Devemos deixar de rezar se é para estarmos com alguém que necessita de nossa ajuda”.  A teologia oracional de Teresa é, portanto, comprometedora e libertadora; não  fechada em si mesma, num “narcisismo” ou na busca de visões e autocomplacências estéreis. Em Teresa o amor se faz gesto e caminho de plena liberdade interior. Será  seu mestre o próprio Cristo,  que a guia por caminhos novos.

Pioneira em tantas frentes, – vida espiritual, orientação espiritual, fundação e refundação do Carmelo, relações intra-eclesiais, etc. –  é ainda em Teresa que a característica inter-religiosa da mística – aspecto só mais recentemente estudado e aprofundado – vem aparecendo com clareza  iluminadora para os estudiosos das religiões comparadas.  Esta tem início em sua própria pessoa e nas origens que são as suas.  Tendo sido sempre considerada como típica representante das famílias fidalgas abulenses, provocou um enorme reboliço entre aqueles que estudavam sua obra e escritos a informação, vinda a público em 1946, por um artigo publicado no Boletín de la Real Academia Española, o qual instaurava uma ruptura com toda a tradição biográfica que até então se tinha sobre a santa.  No mencionado trabalho, se declarava claramente que seu avô, Juan Sánchez de Toledo, era era um mercador da cidade do Tajo e judeu de raça, reconciliado pela Inquisição em 1485.

Esta vem a ser inclusive a razão pela qual a família de Teresa deixa a cidade de Toledo e as margens do Tajo e vai se estabelecer em Ávila. Ainda que reconciliado pela Inquisição, Juan Sánchez , avô de Teresa, sabia que Toledo, sede do Tribunal da Inquisição desde 1485, não era o lugar ideal para uma família de cristãos novos, judaizantes, ainda que reconciliados.  É então que a família se transfere para Ávila no ano de 1493.

A obra teresiana das Moradas ou do  Castillo Interior, onde a grande mística utiliza o simbolismo do castelo interior para  descrever a vida espiritual é considerada cume da mística cristã, por sua perfeição e beleza, assim como por sua profundidade.

Teresinha nasceu na França no século XIX.  Sua família era muito católica e as filhas, todas mulheres, tinham grande afeto pelo pai, homem reto, muito religioso.  Perdendo cedo a mãe, a afeição das filhas pelo pai se intensifica ainda mais, fazendo deste o centro de suas vidas.

A fé e a piedade do Dr. Martin vai contagiar as filhas que vão entrando todas, uma a uma, na vida religiosa contemplativa, no Carmelo.  Teresinha é a última, entrando aos 15 anos, necessitando para isto uma licença especial do Papa.

No Carmelo, procurando sempre o caminho da humildade e da renúncia, Teresinha não se destaca muito, inclusive porque uma tuberculose lhe arrebata a vida aos 24 anos.   A superiora se perguntava, por ocasião de sua morte: “ O que haverá para escrever sobre esta freirinha tão insignificante e inexpressiva?”

Quando vieram à luz, os escritos de Teresinha surpreenderam o mundo, cheios de uma paixão e um ardor e ao mesmo tempo testemunhando todas as dúvidas, trevas espirituais e noites escuras em que se debatera durante os anos de clausura.

O diário de Teresinha revelava sua vocação missionária.  Queria ser tudo para melhor servir a seu amado, mas sua escolha pela vida de carmelita é justamente  o caminho que encontra para dar tudo a Deus.

Eis como Terezinha se expressa com suas próprias palavras:

Sinto em mim outras vocações. Sinto em mim a vocação de guerreiro, de Sacerdote, de Apóstolo, de Doutor, de Mártir. Enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar por ti, Jesus, todas as obras, as mais heróicas…” “Ah! Apesar de minha pequenez, quisera esclarecer as almas como os Profetas, os Doutores; tenho vocação de ser Apóstolo…Quisera percorrer a terra, pregar teu nome e implantar no solo infiel tua Cruz gloriosa. Mas, oh, meu Amado, uma só missão não me bastaria. Quisera anunciar ao mesmo tempo o Evangelho nas cinco partes do mundo e até nas ilhas mais distantes… Quisera ser missionária, não somente durante alguns anos, mas gostaria de tê-lo sido desde a criação do mundo e sê-lo até à consumação dos séculos…”  Mas Teresinha vê sua fragilidade e diz: “Jesus, Jesus, se quisesse escrever todos os meus desejos, seria preciso que tomasse o teu “ livro da vida” onde são relatadas as ações de todos os Santos, e essas ações quisera tê-las realizado por ti…” “Na hora da oração estes meus desejos fazendo-me sofrer um verdadeiro martírio, abri as epístolas de São Paulo, a fim de procurar uma resposta. Os capítulos 12 e 13 de I Coríntios caíram sob os meus olhos…e esta frase me consolou: “Procurai com ardor os dons mais perfeitos, mas vou mostrar-vos , ainda, uma via mais excelente”. E o Apóstolo explica como os dons mais perfeitos nada são sem o amor … E que a Caridade é a via excelente que conduz seguramente a Deus. Encontrei, enfim, o repouso… Considerando o corpo místico da Igreja, não me reconheci em nenhum dos membros descritos por São Paulo, ou antes, queria reconhecer-me em todos… A Caridade deu-me a chave de minha vocação. Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha um Coração, e que este Coração era ardente de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os membros da Igreja e que se o Amor viesse a se extinguir, os Apóstolos não anunciariam mais o evangelho, os Mártires recusariam derramar seu sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo, que abraça todos os tempos e todos os lugares… Numa palavra, que ele é eterno!..

Então, no auge de minha alegria delirante, exclamei : Oh, Jesus, meu Amor… Encontrei, enfim, minha vocação; minha vocação é o Amor!…

Sim, encontrei meu lugar na Igreja, e este lugar, oh meu Deus, foste vós que mo destes… No Coração da Igreja, minha  Mãe, serei o amor… Assim serei tudo… Assim será realizado o meu sonho!!! “

Com estas ardentes palavras, a carmelitinha que nunca saiu de seu Carmelo, foi proclamada padroeira das missões.  Desde sua clausura foi o amor que embebe e dá vida a toda a Igreja.

Teresa e Teresinha foram ambas proclamadas doutoras da Igreja.  A primeira há mais tempo.  A segunda, porém, bem recentemente, em 1997.  Duas Teresas, as duas de Jesus.  Duas mulheres que amaram radicalmente seu Deus e a Ele entregaram inteiramente suas vidas.  Duas santas que são inspiração para homens e mulheres de todos os tempos.

*Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, coordenadora do setor intelectual da RAI-RJ, Outros artigos podem ser encontrados em http://raisp.org/artmcb.

Domingo de Páscoa: “Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia” – Ordem Carmelita Descalça (OCD)

FONTE: Ordem Carmelita dos Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços

Domingo, 12 de Abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.

Jesus Cristo vive!

Eu nunca gostei do clichê: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Não mudei de opinião porque, para mim, esta idéia simplifica demais as coisas, banaliza-as. Aliás, combina, em excesso, com a incensada “civilização da imagem”. A propósito, para aumentar a confusão nas almas humanas, temos atualmente, virtualmente, até “oferta” de uma segunda vida…Mas, aos devidamente avisados, tais vidas virtuais são propostas vãs no fluir de uma vida verdadeira, integral. Por outro lado, temos que reconhecer que o bom uso da tecnologia acrescenta qualidade às nossas vidas. Assim, imagens em  sequência , transmitem uma ou várias ideias, desde que concatenadas. Imagens paradoxais, mostradas em conjunto também “falam”, dialogam com quem as vê.

Apresento a vocês uma composição visual que, aliás, produzi “entre tentativa e erro” ao manipular algumas imagens e fazê-las representar uma cruz. Posso dizer que, pelo resultado final, senti muita satisfação interior. Parece ser óbvio o motivo: fala em essência da Cristandade.  Em seu conjunto, concluímos que estamos diante da obra maravilhosa de Jesus, após sua vinda em carne a este mundo, através do “sim” corajoso e total de nossa Mãe Santíssima – a Virgem Maria.

Assim, ao estarmos diante de qualquer Cruz, somos levados também a pensar que Jesus Cristo foi Crucificado por nossas faltas, e, é o primeiro Ressuscitado para toda a Eternidade, para nossa redenção. Ele é a nossa esperança! Em Seu divino, puro e profundo amor por cada um de nós, criaturas de Deus (preocupado com Sua partida), tranquilizou-nos, homens e mulheres de todos os tempos:  “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida“… (LBN)

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Crédito/imagens (autorização indireta, no site):

http://www.turnbacktogod.com/jesus

Reflexões sobre a Paixão de Jesus Cristo – Ordem Carmelita Descalça (OCD) – Brasil

Pintura: Salvador Dali (1951). Inspirado em desenho de São João da Cruz.
Pintura: Salvador Dali (1951). Inspirado em desenho de São João da Cruz.

FONTE: Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços – Província São José (Sudeste-Brasil)

http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/traspassado-pelos-nossos-pecados-sexta.html

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

TRASPASSADO PELOS NOSSOS PECADOS

Cruz (OCD)A Liturgia da sexta-feira santa é comovente contemplação do mistério da Cruz, que visa não só comemorar, mas levar todo fiel a reviver a dolorosa Paixão do Senhor. Apresentam-na dois grandes textos: o profético, atribuído a Isaías (Is 52, 13; 53, 12) e o histórico de João (18, 1-9, 42). A enorme distância de mais de sete séculos que os separa é anulada pela impressionante coincidência dos fatos referidos pelo profeta como descrição dos sofrimentos do Servo de Javé, e pelo Evangelista como narração última do dia terreno de Jesus, “Muitos se espantaram com ele – diz Isaías – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana… desprezado e rejeitado pelos homens, homem das dores e experimentado nos sofrimentos” (52, 14; 53, 3). João com os outros Evangelistas, fala de Jesus traído, insultado, esbofeteado, coroado de espinhos, escarnecido, apresentado ao povo como rei de comédia, condenado, crucificado.

A causa de tanto sofrimento é indicado pelo profeta: “Foi castigado por nossos crimes, esmagado por nossas iniquidades”; é mostrado também o valor expiatório: “O castigo que nos salva caiu sobre ele; por suas chagas nos fomos curados” (Is 53, 5). Nem falta alusão ao angustioso sentimento de repulsa por parte de Deus – “e o julgávamos castigado, ferido por Deus e humilhado” (Ibidem, 4)- sentimento que exprimiu Jesus na Cruz com o grito: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46). Mas, acima de tudo ressalta a clareza a espontaneidade do sacrifício: livremente “se oferece (o Servo de Javé) em expiação” (Is 53,7. 10); livremente se entrega o Cristo aos soldados, depois de tê-los feito cair por terra com uma só palavra (Jo 18, 6), e livremente se deixa conduzir à morte, ele que havia dito: “Ninguém tira a minha vida, mas eu a dou por mim mesmo” (Jo 10, 18). Até o glorioso desfecho desse voluntário padecimento fora entrevisto pelo profeta: “Após as aflições de seu coração, alegrar-se-á… Eis por que – diz o Senhor – dar-lhe- ei em prêmios multidões… porque se ofereceu a morte” (Is 53, 11. 120. E aludindo Jesus à Paixão, disse: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32). Tudo isto demonstra estar a Cruz de Cristo no centro da história da salvação, já entrevista no Antigo Testamento, através dos sofrimentos do Servo de Javé, figura do Messias que iria salvar a humanidade não com o triunfo terreno, mas com o sacrifício de si. Eis o caminho que cada fiel deve percorrer para ser salvo e salvador.
Entre as leituras de Isaías e de João, insere a liturgia um trecho da carta aos hebreus (4, 14-16; 5, 7-9). Jesus, Filho de Deus, é apresentado na sua qualidade de único e sumo Sacerdote, todavia não tão distante dos homens que “não saiba compadecer-se de nossas enfermidades, uma vez que, à nossa semelhança, experimentou-as todas, com exceção do pecado”. É a provação de sua vida terrena e sobretudo de sua Paixão, pela qual experimentou em sua carne inocente todas as asperezas, sofrimentos, angústias e fraquezas da natureza humana.

Assim é, ao mesmo tempo, Sacerdote e Vítima que oferece em expiação dos pecados dos homens não sangue de touros ou de cordeiros, mas o próprio Sangue. “Nos dias de sua vida mortal, ofereceu orações e súplicas, com fortes gemidos e lágrimas a quem o podia libertar da morte.” É um eco da agonia do Getsêmani: “Abba, Pai! Tudo te é possível, afasta de mim este cálice! Porém, não o que eu quero, mas o que queres tu” (Mc 14, 36). Na obediência a vontade do Pai, entrega-se à morte, e depois de haver experimentado suas amarguras, e libertado pela ressurreição, tornando-se “causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5, 9). Obedecer a Cristo, Sacerdote e Vítima, significa aceitar com ele a Cruz, abandonar-se com ele à vontade do Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23, 46; cf. salmo resp.).

Mas é a morte de Cristo imediatamente seguida pela glorificação. Exclama o centurião de guarda: “Verdadeiramente este homem era justo!”, e todos os presentes, “vendo o que se passava, voltaram, batendo no peito” (Lc 23, 47-48).

Segue a Igreja o mesmo itinerário: depois de ter chorado a morte do Salvador, explode em hinos de louvor e se prostra em adoração: “Adoramos vossa Cruz, Senhor, louvamos e glorificamos vossa santa ressurreição, pois só pela Cruz entrou a alegria em todo o mundo”. Com os mesmos sentimentos convida a Liturgia os fiéis a se alimentarem da Eucaristia que, jamais tanto como hoje, resplandece na sua realidade de memorial da morte do Senhor. Ressoam no coração as palavras de Jesus: “Isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19) e as de Paulo: “Todas as vezes que comeis deste pão e bebeis deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11, 26).

JESUS VEIO PARA CURAR O CORPO E A ALMA DAQUELES QUE O PROCURAM…

"Judgement of Christ"
"Judgement of Christ"

O texto abaixo é de meu “amigo virtual”, em Cristo, o confrade Aluizio da Mata, da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). Inscrevi-me há cinco anos em sua lista – “texto-meditação”: http://br.groups.yahoo.com/group/textoparameditacao/. Na época, suas reflexões e as de seus amigos e amigas colaboradoras católicos foram valiosas para mim. Nunca houve falha no envio. Ultimamente tenho tido dificuldades para ler as mensagens, que como ele mesmo diz são enviadas “aleatoriamente”. Vê a “mão do Espírito Santo” na escolha. Pouco racional, é verdade… Pergunto: a Ressurreição de Cristo é um acontecimento racional, lógico? Mesmo não sendo uma secular da Ordem Vicentina, valorizo-as, e guardo-as no” coração”. Afinal, por breves que sejam, são escritas por ele com disciplina e amor, e as adicionais acrescentam, consolam-nos em toda esta correria… Correria por correria, vou atrás do prejuízo, lendo-as com o carinho e cuidado que merecem.

Aluizio da Mata, vicentino secular, mineiro, é casado com uma vicentina secular. Eles têm um casal de filhos e dois netos. Ela, que é chamada de consócia na SSVP, escreve para o “Jornal do Vicentino” sobre a vida dos santos e santas da Igreja Católica. O jornal é rodado em Sete Lagoas-MG. Até há algum tempo recebia o jornal da SSVP – a assinatura tem valor quase simbólico – e pelas informações, já que não faço parte como secular, sei o quanto se empenham em cumprir o “singelo”, mas comprometedor, mandamento de Jesus: “amar o próximo”. Ou seja: piedade, caridade…

Esta Ordem Terceira remonta ao final do século XVII, na França. A Ordem dos consagrados foi fundada por São Vicente de Paulo, que nasceu em 1581, portanto um ano antes do falecimento de Santa Teresa de Ávila. Foi amigo pessoal de São Francisco de Sales. É “protetor” de meu ofício: os jornalistas o escolherem como santo patrono, por distribuir “panfletos” na tentativa de reconversão de duas cidades dominadas pelas idéias de Calvino. Em três anos, trouxe de volta para aIgreja Católica, após 90 anos, cerca de 33 mil protestantes calvinistas.As duas cidades eram Tonon e Chablais. Ele saudava Jesus assim: “Viva, Jesus!”.

JESUS VEIO PARA CURAR O CORPO E A ALMA DOS QUE SOFREM E EM ESPÍRITO DE HUMILDADE O PROCURAM…

Por falar em Jesus, podemos dizer que veio para tirá-los da indigência – curou leprosos; curou doenças da alma que adoeciam os corpos, e vice-versa; alimentou famintos – e de todo o tipo… A propósito, penso que na doença do corpo, quando não vem a cura para o orante-pedinte, estamos diante do mesmo “Mistério” que envolve a cura milagrosa, comprovada por especialistas consagrados e leigos da Igreja. Nossa mente racionalista “pensa” que Deus, que é Onisciente, Onipotente e Onipresente – “raciocina” como nós, pobres mortais… Aluizio escreve logo abaixo algo em torno disto. Escreve inspirado em Jesus Cristo e no propósito de São Vicente de Paulo, que via na situação dos famintos, nos pobres um grande problema: a pobreza é uma tentação para a alma… De espírito resoluto, foi um sacerdote determinado a combater a pobreza de seu tempo. Via escândalo na fome, que havia chegado às raias do inimaginável na França, pré-moderna, levando às indústrias nascentes levas de camponeses. Mendigavam crianças e adultos, e no desatino da fome, muitos, no delírio da loucura, segundo São Vicente de Paulo, alimentavam-se da carne das crianças que sucumbiam nos guetos… Desculpem-me, mas quando soube disso fiquei chocada também… A fome decorrente da injustiça estrutural, do egoísmo é como um vento maligno que assola ao longo da história humana,  cidades, países, continentes. Prestemos mais atenção no conceito de globalização, que já é uma realidade. A pobreza está ampliando suas fronteiras novamente. Li há pouco que 24% das crianças italianas são chamadas de “novos pobres”, no sul da Itália. Em Roma e Veneza, o arcebispo Marcelo Ricca não aceita a aplicação de multas de 50 a 100 euros aos que mendigam nas cidades de Roma e Veneza. Para o setor público isto causa “transtorno” aos turistas… Ele acredita que há o perigo de não querer “ver” a mendicância como resultado da desestruturação dos tecidos sociais. Percebe o perigo da indiferença e lembra o direito de qualquer pessoa pedir ajuda em situação de fome, frio. O arcebispo não quer falar, mas esta deterioração é provocada por “reengenharias” político-econômicas impostas pela, ao que parece, irreversível globalização.

Crédito da imagem: Wikicommons

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A CRUZ DE CADA UM: SOFRER PELOS OUTROS

Texto: Aluizio da Mata

Algumas igrejas criticam a Igreja Católica por pregar aos seus fiéis seguirem o exemplo de Jesus de sofrer com alegria por si próprios e pelos irmãos necessitados. Pregam uma vida isenta de sofrimento, cheia de alegria e felicidade. Falam que Jesus não é um ser morto, referindo-se aos crucifixos tão caros ao Católicos. A figura do Cristo crucificado é apenas a lembrança do que Ele sofreu por nós. A Sua vida não foi só de alegria, de bons momentos, de felicidade. Ele teve momentos de angústia, de decepções, sofreu traições, como qualquer um de nós tem durante nossa vida. A sua vida não foi só de alegrias. Por fim, se Ele teve que morrer em uma cruz, um motivo havia. Tudo isto não aconteceu apenas para fazer dele uma figura de “coitadinho”. Cada um de nós acha que a cruz que carregamos é pesada demais, mas não nos lembramos de compará-la à cruz espiritual de Jesus Maria e a cruz física do Filho de Deus. Deus não é incoerente. Como poderia Ele desejar que assim fosse e mandasse seu Filho para sofrer o que sofreu? Jesus não precisaria passar pelos sofrimentos que passou durante sua vida e muito menos os sofridos na Semana da Paixão. Se Deus quisesse que Jesus cumprisse sua missão de anunciar o Reino e realizar a Obra da Salvação, poderia fazê-lo de outra maneira. Poderia mandar o seu Filho isento de passar por qualquer sofrimento. Faria com que apenas os seus ensinamentos pela palavra valessem para o cumprimento da Missão. Mas, se não acreditamos nem da maneira que aconteceu, como iríamos acreditar se Ele apenas falasse? Nós é que somos incoerentes. A Cruz de Cristo não foi em vão. E nem a nossa também deve ser. Fiquemos com a Santíssima Trindade e com Maria Santíssima, Aquela que depois de Jesus teve que viver a maior de todas as cruzes.

……

Fonte: http://www.geocities.com/cmgvssvp/caract.htm#espiritualidade

ESPIRITUALIDADE VICENTINA

  1. Os vicentinos procuram, pela oração, mediante a Sagrada Escritura, e fidelidade aos ensinamentos da Igreja, dar testemunho do amor de Cristo, em suas relações com os menos favorecidos, bem como nos diversos aspectos de sua vida cotidiana. Essa espiritualidade fundamenta-se nos textos bíblicos. São quatro seus principais pilares de sustentação:
  2. O serviço do pobre é o serviço do próprio Cristo: O mandamento supremo da lei é amar a Deus, sobre todas as coisas e de todo coração, e ao próximo, como a si mesmo. “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (João 13,35). Cristo fez questão de participar deste mandamento de amor ao próximo, identificando-se pelo vínculo da caridade, como os irmãos humildes. “Todas as vezes que fizestes isto a um de meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mateus 25,40). O amor ao próximo está intimamente unido ao amor de Deus, pelo exercício da caridade. A recompensa da caridade está além das satisfações terrenas, pois está regiamente recompensada no plano divino. “Vinde, benditos de meu pai; possui o reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome, e deste-me de comer; tive sede…” (Mateus 25,34-36).
  3. A fé sem obras é inútil à salvação: “Que aproveitará, meus irmãos, se alguém diz que tem fé e não tem obras? (…) A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma” (Tiago 2,14-17). A prática do evangelho é a caridade.
  4. As obras sem caridade nada adiantarão para a nossa salvação. “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um bronze que soa, ou como um címbalo que tine… E ainda que eu distribua todos os meus bens no sustento dos pobres e entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, nada disto me aproveitaria” (I Coríntios 13,1-3). Nada adianta a obra feita por filantropia, onde não é motivada pela caridade.
  5. Dar testemunho do amor de Cristo: “Se me amais, observais os meus mandamentos…” (João 14,15) e “Assim brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas obras e glorifiquem o vosso pai, que está nos céus” (Mateus 5,16). Os vicentinos devem preocupar-se em transformar o evangelho em obras e imprimir fé aos atos que praticam, para que deles irradie amor que tem a Cristo.

A POBREZA E O VICENTINOComo pretendemos ditar leis aos pobres ou julgá-los, se nunca experimentamos os suplícios da miséria, provações que ela impõe e o desvirtuamento moral que ela, por vezes, provoca, até mesmo nos homens mais equilibrados? Cristo jamais condenou um só indivíduo sequer, pelo contrário, perdoava e coloca-se a serviço de todos. Imitemos, pois, o exemplo do Mestre.

A Paixão de Jesus Cristo na visão do Carmelo Descalço Secular (OCDS)

Fonte: ORDEM CARMELITA DOS DESCALÇOS SECULARES(OCDS)

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO NA VISÃO DO CARMELO DESCALÇO SECULAR


JEJUM E ABSTINÊNCIA
Cor litúrgica: Vermelho
Ofício próprio
Liturgia das Horas:
359-417
Oração das Horas: 396-418

Leituras: Is 52,13-53,12 – Sl 30(31) – Hb 4,14-16;5,7-9 – Jo 18,1-19,42
Ação litúrgica solene: leitura da Paixão, segundo São João, Orações solenes,

Adoração da Cruz, Comunhão

“Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.”
Jesus é apresentado como “o servo de Deus” que caminha para a paixão como o cordeiro ao matadouro, sem abrir a boca.

“O amor possui igualdade e semelhança.”
São João da Cruz – 1S 5,1

13ª Estacao

Extraído do Blog da OCDS  – Ordem Carmelita dos Descalços Seculares – Abril/2009

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Recebi com carinho o registro da presença da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José – Brasil, no Link de Entrada e dos  “Frades Carmelitas Descalços” – Carmelo Descalço, também da Província São José , que oferece aos interessados em ingressar ou conhecer a vida consagrada carmelita descalça –  o Blog “Pastoral Vocacional Carmelitana”.

A Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares é formada por leigos e leigas carmelitas. Em seu conjunto, contam com a orientação espiritual de um religioso integrante da Ordem dos Carmelitas Descalços. É importante lembrar que Santa Teresa de Ávila estabeleceu em estatutos o funcionamento, já em seu tempo, de Ordens Terceiras carmelitanas. Assim, eles têm muita história para contar. Confiram o rico conteúdo no “Blog da OCDS – Provícia São José” http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/, repleto da história da Ordem Carmelita dos Descalços – Consagrada e Secular no mundo, além de vivências e orientações, principalmente sobre a Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destaco também o blog dos Frades Carmelitas Descalços http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/ceia-do-senhor-quinta-feira-santa.html , cujo site da “Ordem Carmelita DescalçaProvíncia São José” pode ser encontrado no endereço – http://www.carmelo.com.br/. Ambos contém conteúdos inspiradores nesta Paixão e Páscoa. Há também o boletim http://provsjose.zip.net/. Traz notícias de atividades juvenis das paróquias carmelitanas, além da história dos carmelitas descalços e temas da espiritualidade carmelitana. Vale a pena conferir também o site do “Centro Teresiano de Espiritualidade”http://www.carmeloteresiano.com.br/. Dele faz parte como assessor Frei Sciadini (OCD). Ele coordenou e fez o prefácio de “Obras Completas – Santa Teresa de Jesus” – Edições Carmelitanas, publicado por Edições Loyola, 2002 (edição esgotada).

A propósito, a equipe diretiva está organizando uma comitiva para a reunião geral da Ordem, que, de acordo com as informações do site, se dará pela primeira vez fora do Brasil. Com destino à cidade de Fátima, em Portugal, cerca de 140 membros farão parte da comitiva da OCDS. Lá permanecem de 17 de abril até pouco além de 13 de maio (dia da aparição de Nossa Senhora, em Fátima).

Boa viagem a todos. Rezem por nós, leigos seculares ou não, que amam o Reino de Deus. Nós brasileiros, que vivemos em um país abandonado pelos governantes, precisamos muito das orações das consagradas e consagrados carmelitas descalços – em sua clausura abençoada por Deus. Esta é uma afirmação de Santa Teresa de Jesus! Necessitamos também, neste mundo cheio de confusão, das orações dos leigos carmelitas seculares, em Fátima e em seus encontros no Brasil. Que a paz e o amor da Trindade Santa esteja com vocês da OCDS, nesta e em outras missões pelo mundo. Amém.

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Santa Teresa de Ávila – Itinerário para o coração de Jesus… (YouTube)

A autoria deste vídeo é do movimento “Jovens Leigos Carmelitas”, de Portugal. Sua publicação no YouTube se deu em 11de outubro de 2007. Em uma busca mais detalhada pelo “paradeiro” dos jovens na rede, encontrei, a partir do  do link  “veronicaparente”, referências a “Carmo Jovem”, que se apresenta também como Movimento Carmo Jovem e Jovens Leigos em Movimento. O grupo é formado por homens, mulheres, moças e rapazes, e anuncia uma caminhada a pé ao Santuário de Fátima, entre 01 e 03 de maio deste ano. Sua proposta está centrada “no projeto de vida proposto por João da Cruz e Teresa de Jesus”. O link é o seguinte: http://carmojovem.blogspot.com/2008/10/festa-de-santa-teresa-de-jesus.html .

Fé: sentido e impermanência

Sunset Over Victoria Falls - Photo by:Adam Annfield - Wikicommons
Sunset Over Victoria Falls - Photo by:Adam Annfield - Wikicommons

Em um mundo materialista e hedonista, não há lugar para uma “vida interior”. Este é o tempo em que vivemos. Se não nos esforçamos, com determinação, para alcançar os “andares superiores” de nossa existência, andaremos vazios pelos caminhos do mundo (e são vários, muitos deles, sem sombra de dúvida, sem volta, tenebrosos!). Ou seja, se não ficarmos atentos aos apelos de nossa alma por transcendência – pouco ou nada – restará em termos de paz ou contentamento em nosso íntimo. Santa Teresa de Jesus faz este alerta: a vida cristã está aí no sentido formal, material (a Igreja), mas nossa luta principal se dá em nosso interior. No reduto de nossa alma. Este é o castelo, com seus patamares. Cada andar (e são sete para Santa Teresa – um número metafórico, mas significativo) tem dificuldades, desafios e mistérios. O Espírito Santo nos guarda, nos protege em cada um deles e nos incentiva misteriosamente para que avancemos, mesmo em meio a cansaços, decepções, tristezas, enfim, nos protege do desânimo… Desde o Antigo Testamento, homens e mulheres vêm empenhando todos os seus esforços para não seguirem a rota vertiginosa da vida centrada somente na conquista de bens materiais. Com a vinda de Jesus em carne humana, nós cristãos fazemos parte do corpo de Cristo, que é a Igreja, e que primitivamente foi dirigida pelo Apóstolo São Pedro. Temos, na atualidade, o papa Bento XVI como sucessor daquele na condução do “rebanho”. Creio que a Igreja Católica é santa e imperfeita como nós que a integramos. Se nossa alma é o “castelo” de nossa existência “interior”, esta vida interior estará em conformidade, em essência, com o “castelo”, que é a Igreja, que representa a manifestação a um só tempo “exterior” e “interior” da espiritualidade humana.

A santidade, o último patamar do “castelo” deve ser buscada durante toda a nossa vida. O mesmo está acontecendo com a Igreja de Cristo, Una e Santa com Ele, ainda que imperfeita como cada um que, de um modo ou outro dela faz parte.

Amar a Igreja é amar a nós próprios e aos nossos semelhantes (ainda que seja, inúmeras vezes, quanto ao relacionamento humano, um desafio que traz contradições à nossa alma…). Penso que nestas mesmas contradições (em nossa alma, no convívio interpessoal e em relação a fatos ligados à Igreja Católica), vamos nos tornando melhores como seres humanos, como que, redimidos pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, nossa cruz consiste, a meu ver, em carregarmos nossas próprias contradições e as de nossos semelhantes… Há também privações, limitações, sobrecargas. Tudo deve ser compreendido à luz da mensagem que Ele deixou aos Apóstolos. Não sendo assim, não somos cristãos – somos do mundo – o que é lamentável porque nos lança de um vazio para outro.

Desse modo, buscar a santidade transcende a “parecer” alguma coisa: é transformar o sofrimento em um Bem para a nossa alma. É um desafio constante, e será assim até o final de nossa existência. Foi assim com Jesus Cristo, os Profetas, os Apóstolos e Santos. O mesmo se dá conosco em “situações-limite” no decorrer de nosas vidas. Para tanto, temos que lutar para superarmos a condição de sermos ou nos tornarmos tão somente ‘compradores’ em um momento e ‘vendedores’ em outro. Continuamente estaremos comprando ou vendendo bens que são passageiros – e nada mais… No entanto, estes “bens” podem ser imateriais, tais como viver segundo as aparências, prestígio, sucesso, entre outras vaidades humanas.

O resultado de “andarmos contra a corrente”  é que andaremos mais sozinhos que a média. O que consola, a meu ver, é que esta é a nossa única saída para a conquista da paz interior, senão para a felicidade que é possível neste tempo. Ou seja, para uma vida plena, não há outro caminho. O certo é que haverá isolamento, ainda que estejamos cercados de pessoas, em qualquer lugar do mundo… É a marca de uma vida cristã, mesmo entre cristãos… Isto é positivo, ainda que não seja aparentemente normal… Entretanto, entendo que este é o custo (que não é dispêndio…) por “lutarmos” por uma vida espiritual, que vai muito além da “luta” aceita, aplaudida por uma próspera vida material. E, tudo acontece em meio ao caos relativamente “organizado” do mundo de hoje… Que Deus nos ajude. Amém.

Bom domingo e boa semana a todos, parceiros e parceiras nesta árdua jornada…