“Compaixão no seu sentido mais amplo, no seu sentido divino, é um sentimento que está muito longe do entendimento humano” (Canto da Paz)

Fonte/imagem/artigo: Olhai os Lírios do Campo – Padre Dalmo Radimack

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Fonte: Canto da Paz – Site de Clarissas e Franciscanos

Cinco pães e dois peixes 

EVANGELHO COMENTADO – 18º Domingo do Tempo Comum Evangelho: (Mt 14, 13-21)

Jesus retirou-se, num barco, para um lugar deserto e afastado. Mas o povo soube e o seguiu das cidades a pé. Ao desembarcar, viu uma grande multidão e, sentindo compaixão, curou os seus enfermos. Ao cair da tarde, aproximaram-se dele os discípulos e disseram: “O lugar aqui é deserto e já passou da hora. Despede o povo para que possa ir aos povoados comprar alimentos”. Mas Jesus lhes respondeu: “Não há necessidade de eles irem embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”… … Eles, porém, disseram: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”. Ele falou: “Trazei-os para cá”. Mandou a multidão sentar-se na grama. Depois tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos para o céu e rezou a bênção; partiu então os pães, deu-os aos discípulos, e estes à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E dos pedaços que sobraram recolheram doze cestos cheios. Os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar as mulheres e as crianças.

COMENTÁRIO

No Evangelho de hoje, Mateus nos fala da grande multidão que seguia Jesus, para onde quer que Ele fosse, e usa uma palavra muito forte para se referir ao sentimento de Jesus: ele diz que o Mestre sentiu compaixão da multidão. Compaixão é muito mais que uma simples preocupação, principalmente quando estamos falando de Jesus. Compaixão no seu sentido mais amplo, no seu sentido divino, é um sentimento que está muito longe do entendimento humano. Para nós, compaixão está ligada à uma preocupação superficial, que chamamos de “pena”, “dó” ou qualquer outra coisa que sentimos por um doente, moribundo, ou marginalizado. Compaixão é algo que vai muito além de ficar penalizado ou doar o que nos sobra. Para Jesus, compaixão é sinônimo de amor. Jesus se compadece da multidão, cura os doentes e dá o pão da palavra para aqueles que o procuram. Dá também o pão alimento, símbolo da vida. Multiplica e distribui o alimento que, ainda hoje é tão escasso em nossas mesas. Milhares e milhares morrem de fome em todo mundo. Outros milhares dependem de leito hospitalar, remédios, exames complementares e até mesmo de uma palavra de conforto, e isso nos deixa (entre aspas) “extremamente compadecidos”. Não basta sentimentalismo externo, é preciso ação. Como dissemos, compaixão é sinônimo de amor e, amor é doação, portanto, o amor só está presente na entrega, na partilha. Ninguém é feliz sozinho, felicidade para ser completa, tem que ser compartilhada. Partilhar, repartir são verbos ainda muito pouco utilizados. Em compensação, um verbo que está sempre presente nas rodas de amigos, que tem presença obrigatória nos “papos” informais ou de negócios, é o verbo multiplicar. Só que não é a multiplicação de pães, nem de empregos. A preocupação é com a multiplicação de renda, de poder e de centralização de bens. Com Jesus é diferente. Onde Cristo está presente, ali está a fraternidade. Os cinco mil homens que o Evangelho se refere simbolizam o mundo da época, o povo de Israel. Porém, o mundo atual também sente fome de Deus e precisa ser saciado. O mundo precisa conhecer Jesus, o Verdadeiro Pão. Os primeiros cristãos causavam inveja, porque tudo repartiam e por isso, não havia necessitados entre eles. Vamos imitá-los? Vamos provocar inveja nos que nos rodeiam, vamos viver a alegria de partilhar o pão, a saúde, o emprego, as riquezas, enfim, vamos viver a emoção maior de partilhar o amor.

(Fonte do texto: http://www.miliciadaimaculada.org.br). Autor: Jorge Lorente.

Publicado em Canto da Paz.

Prossegue o empenho da Igreja em assistir as populações somalis em fuga da fome e da guerra, que se refugiaram nos Estados limítrofes, de modo especial, no Quênia. (Agência Fides)

Fonte: Agência Fides

26.07.2011

ÁFRICA/SOMÁLIA – Emergência humanitária: o compromisso da Igreja

Mogadíscio (Agência Fides) – Prossegue o empenho da Igreja em assistir as populações somalis em fuga da fome e da guerra, que se refugiaram nos Estados limítrofes, de modo especial, no Quênia. Dom Giorgio Bertin, Bispo de Djibuti e Administrador Apostólico de Mogadíscio, como Presidente da Caritas Somália, nomeou como sua assistente Suzanna Tkalec, do Catholic Relief Services (CRS).
A senhora Tkalec, segundo informa Dom Bertin à Agência Fides, terá as funções de: fornecer atualizações semanais sobre a situação na Somália e sobre refugiados somalis no Quênia e na Etiópia; manter contato com as outras Caritas que atuam em Nairóbi em favor dos refugiados somali; participar das reuniões de coordenação com as outras agências humanitárias presentes em Nairóbi.
O Jesuit Refugee Service (JRS) também anunciou o incremento de suas atividades na Etiópia e no Quênia, para ajudar os refugiados somalis. Segundo um comunicado enviado à Agência Fides, as equipes do JRS nos campos de Nairóbi e Kakuma assistem 12.500 pessoas, oferecendo apoio educativo, distribuindo alimentos e outros bens essenciais, além de fornecer assistência médica, psicológica e econômica. Das pessoas mais vulneráveis a receber assistência, estão os doentes mentais e as mulheres que sofreram ou correm risco de sofrer violência sexual.
Na Etiópia, em Addis Abeba, o JRS assiste 4.000 somalis, e está na fase final das tratativas com o ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) per fornecer assistência psicossocial e educativa no campo de Dollo, onde estão alojados mais de 100.000 somalis.

(L.M.) (Agência Fides 26/7/2011)

Fonte/imagem/artigo: Clio Blog – “O pior inferno do mundo: Somália”

Bento XVI pede mobilização da comunidade internacional para ajudar vítimas da fome na Somália (Agência Ecclesia)

Uma família que fugiu da seca chega a Mogadício,

a capital da Somália (Feisal Omar – Reiters)

Fonte imagem-artigo: http://www.publico.pt/Mundo/primeira-ajuda-humanitaria-para-as-vitimas-da-seca-entrou-na-somalia_1503372

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Fonte: Agência Ecclesia

17.07.2011

Somália: Papa «profundamente preocupado» com situação de crise

Bento XVI pede mobilização da comunidade internacional para ajudar vítimas da fome

Roma,17 jul 2011 (Ecclesia) – Bento XVI manifestou-se hoje “profundamente preocupado” com a situação de crise na Somália, apelando à comunidade internacional para que ajude as vítimas da fome no Corno de África, região nordeste desse continente.

“Sigo, profundamente preocupado, as notícias do Corno de África, em particular da Somália, atingidos por uma severa seca e, noutras áreas, por fortes chuvas que estão a causar uma catástrofe humana”, disse o Papa no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, onde se encontra a passar férias.

O apelo papal recordou “incontáveis pessoas que fogem da fome, em busca de comida e de ajuda”.

“Espero que cresça a mobilização internacional e se envie ajuda atempada para os nossos irmãos e irmãs já tão amargamente provados, entre os quais há muitas crianças”, desejou.

“Que a nossa solidariedade e apoio concreto não faltem a estes povos sofredores”, disse ainda.

As Nações Unidas conseguiram fazer passar este domingo um primeiro comboio com ajuda humanitária para a região da Somália mais afetada pela seca e a fome, depois de receber autorização da guerrilha islâmica Al-Shabab, que controla o centro e o sul do país.

Várias pessoas morreram em campos de refugiados, junto à capital somali, por causa das recentes chuvadas.

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, disse na última semana que 11 milhões de pessoas estão a ser afetadas pela pior seca dos últimos 60 anos no Corno de África.

Na região afetada pela seca, que abrange a Somália, o Quénia, Etiópia, Uganda e Djibuti, haverá 2 milhões de crianças subnutridas, segundo estimativas da Unicef, fundo das Nações Unidas para a infância.

O Conselho Pontifício ‘Cor Unum’, que coordena as ações de solidariedade do Papa e da Santa Sé, está a seguir a grave situação que se vive na Somália, enviando uma primeira ajuda de 50 mil euros, em nome de Bento XVI.

OC

Publicado em Internacional | Agência Ecclesia | 2011-07-17 | África

A data fixada em 16 de julho, segundo a tradição carmelitana, marca o momento em que Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário (Servos da Rainha)

Nossa Senhora do Carmo

Dom Eurico dos Santos Veloso

No dia 16 de julho,  comemoraramos a festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ordem Carmelitana. Essa festa remonta aos anos de 1376 e 1386, quando adveio o pio costume de celebrar uma festa especial em honra de Nossa Senhora, em ação de graças pela aprovação pontifícia da Regra Carmelitana, pelo Papa Honório III, em 1226.

A data fixada de 16 de julho coincide, segundo a tradição carmelitana, com a data em que Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário. Com o passar do tempo, no início do século XVII a data de dezesseis de julho se transformou em data oficial da “festa do escapulário” e, imediatamente, começou a ser celebrada também fora da Ordem Carmelitana. Em 1726, esta data solidificou-se como a festa da Virgem do Carmo por toda a Igreja do Ocidente, pela ação do Papa Bento XIII. No próprio da missa do dia não se faz menção ao escapulário ou à visão que teve São Simão; porém, ambos os fatos são mencionados nas leituras do segundo noturno das Matinas no antigo Breviário e o escapulário no prefácio especial usado pelos carmelitas.

A Ordem dos Carmelitas, uma das mais antigas na história da Igreja, embora considere o profeta Elias como o seu patriarca modelo, não tem um verdadeiro fundador, mas um grande amor: o culto a Maria, honrada como a Bem-aventurada Virgem do Carmo. “O Carmo – disse o cardeal Piazza, carmelita – existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”.

Elias e Maria estão unidos numa narração que tem sabor de lenda. Refere o Livro das Instituições dos primeiros monges: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo (1Rs 18,20-45), os monges, no ano 93 da Encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, na Palestina, perto da fonte de Elias em honra desta primeira Virgem voltada a Deus. Expulsos pelos sarracenos no século XIII, os monges que haviam entretanto recebido do patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, uma regra aprovada em 1226 pelo papa Honório III, voltaram ao Ocidente e na Europa fundaram vários mosteiros, superando várias dificuldades, nas quais, porém, puderam experimentar a proteção da Virgem. Um episódio em particular sensibilizou os devotos: os irmãos suplicavam humildemente a Maria que os livrasse das insídias infernais. A um deles, Simão Stock, enquanto assim rezava, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de uma multidão de anjos, segurando nas mãos o escapulário da ordem e lhe disse: ‘Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido deste hábito será salvo’”.

Numa bula de 11 de fevereiro de 1950, o Papa Pio XII convidava a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos”. Entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam. Nossa Senhora é a nossa Mãe, colocada como insigne modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar.

Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem Maria. Se aproveitamos, na festa que se avizinha, esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe. Por isso somos chamados, como discípulos-missionários de Jesus, a imitar, em primeiro lugar, o seu amor. A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras. A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efetivamente, porque “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus”.

Assim, unidos a todos as ordens Carmelitas, primários, secundários e terciários, particularmente os membros da Irmandade do Carmo da Sé Catedral de Juiz de Fora, queremos exortar a todos os fiéis que, seguindo a Maria, encontrem a Jesus, o verdadeiro sentido para que o amor de Deus recaia sobre cada um de nós. E que os sacramentais, sinais visíveis da graça de Deus, produzam seus frutos necessários de vida, de santidade, de disponibilidade total para um SIM permanente a convite de Jesus, para que sejamos missionários dentro da realidade em que estamos inseridos.

Virgem do Carmo, Rogai por nós!

Fonte: Servos da Rainha

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Eu sou a luz do mundo” – Jesus Cristo

Fonte/imagem/oração: http://www.areajesus.com/promessasscj.htm

Sagrado Coração de Jesus Promessas do Sagrado Coração de Jesus
As doze Promessas do Sagrado Coração de Jesus feitas a Santa Margarida Maria:

  1. Eu lhes darei todas as graças necessárias ao seu estado de vida.
  2. Eu farei reinar a paz em suas famílias.
  3. Eu os consolarei em todas as suas aflições.
  4. Serei seu refúgio seguro durante a vida e sobretudo na morte.
  5. Derramarei muitíssimas bênçãos sobre todas as suas empresas.
  6. Os pecadores encontrão em meu Coração a fonte e o mar infinito da misericórdia.
  7. As almas tíbias se tornarão fervorosas.
  8. As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a grande perfeição.
  9. Abençoarei Eu mesmo as casas onde a imagem do meu Coração estiver exposta e venerada.
  10. Darei aos sacerdotes o dom de abrandar os corações mais endurecidos.
  11. As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos
    no meu Coração e dele nunca serão apagados.
  12. No excesso da misericórdia do meu amor todo poderoso darei a graça da perseverança final aos que comungarem na primeira sexta-feira de nove meses seguidos.

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ORAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Sagrado coração de Jesus, eu me consagro inteiramente a vós: minha pessoa, minha vida, minhas ações, trabalhos e sofrimentos, a fim de empregar tudo quanto sou e tenho, unicamente para colaborar convosco na construção de novos céus e de uma nova terra. Ó Coração Sagrado, eu vos escolho  para único objeto de meu amor, para protetor de minha vida, amparo de minha fragilidade e inconstância, reparação de todas as minhas faltas e auxílio seguro na hora de minha morte.

Coração de Jesus, ternura e bondade! Eu quero que toda minha felicidade seja viver e morrer no vosso serviço, dedicando-me aos meus irmãos. Amém!

Corpus Christi: A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja (Canto da Paz)

Fonte: Canto da Paz (Franciscanos e Clarissas)

Corpus Christi: o que significa?

Como sabemos em que dia vai ser Corpus Christi? Bem, com o domingo da Solenidade de Pentecostes, ou do Espírito Santo, termina o Tempo Pascal, ou seja, o período em que comemoramos a Ressurreição (Páscoa) de Jesus. Após o domingo de Pentecostes vem o domingo da Solenidade da Santíssima Trindade e na quinta-feira, após o domingo da Santíssima Trindade, acontece a comemoração de Corpus Christi ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para que a Santa Hóstia seja adorada de uma forma visível pelos fiéis – pois é o próprio Jesus Vivo em Corpo e Sangue, Alma e Divindade – a Igreja a coloca dentro de um ostensório (veja a figura acima) e a leva em procissão pelas ruas das cidades. É por isso que acontece a procissão de Corpus Christi, onde se dá um destaque especial à Eucaristia.

(…)

“Qual é o significado da festa de Corpus Christi?

(Texto de Fr. Evaldo César de Sousa, C.Ss.R. Fonte: http://www.redemptor.com.br)

1. O sentido da celebração

Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs. Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.

Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.

2. Origem da solenidade

Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados de diversas significações. Na Idade Média, o costume que invadiu a liturgia católica de celebrar a missa com as costas voltadas para o povo, foi criando certo mistério em torno da Ceia Eucarística. Todos queriam saber o que acontecia no altar, entre o padre e a hóstia. Para evitar interpretações de ordem mágica e sobrenatural da liturgia, a Igreja foi introduzindo o costume de elevar as partículas consagradas para que os fiéis pudessem olhá-la. Este gesto foi testemunhado pela primeira vez em Paris, no ano de 1200.

Entretanto, foram as visões de uma freira agostiniana, chamada Juliana, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento. Em 1209, na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começa ter visões eucarísticas, que se vão suceder por um período de quase trinta anos. Nas suas visões ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse festivamente o sacramento da Eucaristia.

3. Nasce a festa do Corpus Christi

Quando as idéias de Juliana chegaram ao bispo, ele acabou por acatá-las, e em 1246, na sua diocese, celebra-se pela primeira vez uma festa do Corpo de Cristo. Seja coincidência ou providência, o bispo de Juliana vem a tornar-se o Papa Urbano IV, que estende a festa de Corpus Christi para toda Igreja, no ano de 1264.

Mas a difusão desta festa litúrgica só será completa no pontificado de Clemente V, que reafirma sua significação no Concilio de Viena (1311-1313). Alguns anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão, pelas vias da cidade, com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume testemunhado desde 1274 em algumas dioceses da Alemanha.

O Concílio de Trento (1545-1563) vai insistir na exposição pública da Eucaristia, tornando obrigatória a procissão pelas ruas da cidade. Este gesto, além de manifestar publicamente a fé no Cristo Eucarístico, era uma forma de lutar contra a tese protestante, que negava a presença real de Cristo na hóstia consagrada.

Atualmente a Igreja conserva a festa de Corpus Christi como momento litúrgico e devocional do Povo de Deus. O Código de Direito Canônico confirma a validade das exposições publicas da Eucaristia e diz que principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, haja procissão pelas vias públicas (cân. 944).

4. A celebração do Corpo de Cristo

Santo Tomás de Aquino, o chamado doutor angélico, destacava três aspectos teológicos centrais do sacramento da Eucaristia. Primeiro, a Eucaristia faz o memorial de Jesus Cristo, que passou no meio dos homens fazendo o bem (passado). Depois, a Eucaristia celebra a unidade fundamental entre Cristo com sua Igreja e com todos os homens de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo, no Reino dos Céus (futuro).

A Igreja, ao celebrar este mistério, revive estas três dimensões do sacramento. Por isso envolve com muita solenidade a festa do Corpo de Cristo. Não raro, o dia de Corpus Christi é um dia de liturgia solene e participada por um número considerável de fiéis (sobretudo nos lugares onde este dia é feriado). As leituras evangélicas deste dia lembram-nos a promessa da Eucaristia como Pão do Céu (Jo 6, 51-59 – ano A), a última Ceia e a instituição da Eucaristia (Mc 14, 12-16.22-26 – ano B) e a multiplicação dos pães para os famintos (Lc 9,11b-17 – ano C).

5. A devoção popular

Porém, precisamos destacar que muito mais do que uma festa litúrgica, a Solenidade de Corpus Christi assume um caráter devocional popular. O momento ápice da festa é certamente a procissão pelas ruas da cidade, momento em que os fiéis podem pedir as bênçãos de Jesus Eucarístico para suas casas e famílias. O costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicor, ainda é muito comum em vários lugares. Algumas cidades tornam-se atração turística neste dia, devido à beleza e expressividade de seus tapetes. Ainda é possível encontrar cristãos que enfeitam suas casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo, que passa por aquela rua.

A procissão de Corpus Christi conheceu seu apogeu no período barroco. O estilo da procissão adotado no Brasil veio de Portugal, e carrega um estilo popular muito característico. Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo. Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística, adaptando ao contexto urbano a visibilidade pública da Eucaristia. O importante é valorizar este momento afetivo da vida dos fiéis.”

(fonte: http://www.bispadobauru.org.br)

Publicado em Canto da Paz.

Bento XVI na Croácia: “A qualidade da vida social e civil, a qualidade da democracia dependem em grande parte deste ponto «crítico» que é a consciência, de como a mesma é entendida e de quanto se investe na sua formação. ” – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Portugal

Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – SNPC – Portugal

Celebração na Croácia

Bento XVI deslocou-se este sábado e domingo à Croácia, para celebrar a 1.ª Jornada Nacional das Famílias Católicas Croatas.

Com as fotografias da viagem, apresentamos excertos do discurso do Papa no encontro com expoentes da sociedade civil, do mundo político, académico, cultural e empresarial, com o corpo diplomático e com os líderes religiosos, realizado a 4 de junho no Teatro Nacional Croata, em Zagreb, capital do país. (….)

……

Excertos do discurso de Bento XVI no início de junho, na Croácia

(…) E aqui queria introduzir o tema central desta minha breve reflexão: a consciência. Transversal aos diferentes campos onde estais empenhados, este tema é fundamental para uma sociedade livre e justa, tanto a nível nacional como supranacional. Aqui penso naturalmente na Europa, de que a Croácia faz parte desde sempre no plano histórico-cultural, ao passo que, no plano político-institucional, está em vias de entrar na União.

Pois bem, as grandes conquistas da idade moderna, ou seja, o reconhecimento e a garantia da liberdade de consciência, dos direitos humanos, da liberdade da ciência e, consequentemente, de uma sociedade livre, há que confirmá-las e desenvolvê-las mas mantendo a racionalidade e a liberdade abertas ao seu fundamento transcendente, para evitar que tais conquistas se autodestruam, como infelizmente temos de constatar em não poucos casos. A qualidade da vida social e civil, a qualidade da democracia dependem em grande parte deste ponto «crítico» que é a consciência, de como a mesma é entendida e de quanto se investe na sua formação.

Se a consciência se reduz, segundo o pensamento moderno predominante, ao âmbito da subjetividade, para o qual se relegam a religião e a moral, a crise do Ocidente não tem remédio e a Europa está destinada à involução. Pelo contrário, se a consciência é descoberta novamente como lugar da escuta da verdade e do bem, lugar da responsabilidade diante de Deus e dos irmãos em humanidade – que é a força contra toda a ditadura – então há esperança para o futuro.

Estou grato ao Prof. Zurak por ter lembrado as raízes cristãs de numerosas instituições culturais e científicas deste país, como aliás aconteceu em todo o continente europeu. O lembrar estas origens é necessário inclusive para a verdade histórica, mas é importante saber lê-las em profundidade a fim de que possam animar também os dias de hoje. Por outras palavras, é decisivo captar o dinamismo que está dentro do acontecimento, por exemplo, da criação duma universidade, ou dum movimento artístico, ou dum hospital. É preciso compreender o porquê e o como de isso ter acontecido, para se valorizar nos dias de hoje tal dinamismo, que é uma realidade espiritual que se torna cultural e, consequentemente, social.

Na base de tudo, encontram-se homens e mulheres, encontram-se pessoas, consciências, movidas pela força da verdade e do bem. Foram citados alguns dos filhos ilustres desta terra. Gostaria de deter-me no Padre jesuíta Ruđer Josip Bošković, que nasceu em Dubrovnik há trezentos anos, no dia 18 de maio de 1711. Ele personifica muito bem o consórcio feliz entre a fé e a ciência, que se estimulam reciprocamente a uma pesquisa ao mesmo tempo aberta, diversificada e capaz de síntese. A sua obra mais importante, Theoria philosophiae naturalis, publicada em Viena e depois em Veneza a meados do século XVIII, tem um subtítulo muito significativo: redacta ad unicam legem virium in natura existentium, ou seja, «segundo a única lei das forças existentes na natureza». Em Bošković, temos a análise, o estudo de múltiplos ramos do saber, mas temos também a paixão pela unidade. E isto é típico da cultura católica. (…)

Contudo, para além da homenagem, é preciso aproveitar o método, a abertura mental destes grandes homens. Voltemos, pois, à consciência como chave mestra para a elaboração cultural e a construção do bem comum. É na formação das consciências que a Igreja oferece à sociedade a sua contribuição mais específica e preciosa. Uma contribuição que começa na família e que encontra um reforço importante na paróquia, onde as crianças e adolescentes e, depois, os jovens aprendem a aprofundar as Sagradas Escrituras, que são o «grande códice» da cultura europeia; e, ao mesmo tempo, aprendem o sentido da comunidade fundada no dom: não no interesse económico ou na ideologia, mas no amor, que é «a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira» (Caritas in veritate, 1).


Aprendida na infância e na adolescência, esta lógica da gratuidade é, depois, vivida nos diversos âmbitos, no jogo e no desporto, nas relações interpessoais, na arte, no serviço voluntário aos pobres e aos doentes, e, uma vez assimilada, pode-se concretizar nos âmbitos mais complexos da política e da economia, colaborando para uma polis que seja acolhedora e hospitaleira, e que ao mesmo tempo não seja vazia, nem falsamente neutra, mas rica de conteúdos humanos, com uma forte consistência ética. É aqui que os christifideles laici estão chamados a fazer render generosamente a sua formação, guiados pelos princípios da Doutrina Social da Igreja, por uma autêntica laicidade, a justiça social, a defesa da vida e da família, a liberdade religiosa e educativa.

Ilustres amigos, a vossa presença e a tradição cultural croata sugeriram-me estas breves reflexões. Deixo-vo-las como sinal da minha estima e sobretudo da vontade que tem a Igreja de caminhar com a luz do Evangelho no meio deste povo. (…)»

Bento XVI

Publicado em SNPC.

“E que eu seja, enfim, teu reflexo, ó Espírito de Amor” – Frei Pierino Orlandino – OCDS – Província São José

 

Fonte: OCDS – Província São José

Vem, Espírito de Amor! Vem, ó Santo Espírito! Tão só estou, prisioneiro do meu silêncio. E esse nada seguro silêncio, meu ilusório, passageiro refúgio tranca-me em mim mesmo, impermeável ao teu sopro vivificante e as tentativas de união, que partem de Ti através dos irmãos. É desencontro completo. Meu silêncio, de repente, bate de frente e evita o encontro do OUTRO nos outros e faz aliança com minha vontade rebelde. Faze que eu acolha todas as cruzes, mesmo pesadas, e todos os “cristos” que encontro. Alguns “cristos” que encontro são estranhos! E daí? Eu também sou estranho e pesado, às vezes, até para mim mesmo. Vem, ó Espírito Santo! Vem, ó Ventania-Espírito! Derruba com força as barreiras, afasta os fantasmas e alimenta em mim a esperança. Vem, ó Brisa suave e mansa, ó Divino Espírito, crepitante Chama Fogo que queima! Recria em mim a alegria, liberta-me dos medos, revigora meu ardor e acende em mim o calor do teu amor. Quebra grilhões e correntes com teu fogo abrasador. E que eu seja, enfim, teu reflexo, ó Espírito de Amor.

Frei Pierino Orlandini

Postado por Rose em OCDS – Província São José.

Leitura espiritual do poema “Nada te perturbe” – Lugar de Partilha

Leitura espiritual do poema “Nada te perturbe”

Em homenagem ao aniversário de nascimento de Santa Madre, publicamos a tradução de um texto de Tomás Alvares (Fonte: Revista “Teresa de Jesús”, n. 109).

Parece quase supérfluo fazer a apresentação do poema da Santa. Quem não o conhece? Nós o lemos de sua própria letra, catamo-lo, sussurrando sua música de seda. Tantas vezes repetimos seus versos em grupos de oração, abrindo espaço ao silêncio de todos. Em momentos difíceis o oferecemos ao amigo: veja que tudo passa! Nada te perturbe, dizia Santa Teresa. Deus está acima de tudo…

É tão breve o poema que apenas ocupa espaço. O reproduzimos uma vez mais, para lê-lo pausadamente e debulhar um a um a espiga de seus versos:

Nada te perturbe,

nada te espante,

tudo passa,

Deus não muda,

a paciência

tudo alcança.

Quem a Deus tem,

nada lhe falta.

Só Deus basta!

Como ler o poema? Como entendê-lo e apropriarmo-nos dele? Será um salmo sapiencial, de corte gnômico, como pretendem os entendidos? Ou um salmo íntimo, como certos poemas do saltério bíblico, que convidam a própria alma a prorromper em determinados sentimentos? Por exemplo, “Louva, minh’alma o Senhor, e todo meu seu ser Santo Nome”.

Se é um breve salmo sapiencial, deve ser lido deixando-o flechar-nos na alma como um dardo de cada verso, carregado de ressonâncias, que a partir de cada sentença, nos devolvem às sendas da própria vida, sendas às vezes tortuosas, às vezes encrespadas ou espinhosas.

Se, ao invés, é um salmo íntimo, nos introduz na alma da autora, que vai dizendo a si mesma: “Teresa, que nada te perturbe”…

São duas leituras possíveis, ou dois ensaios de escuta diante da melodia de cada verso. Pessoalmente, prefiro a segunda.

O “nada te perturbe” é uma fineza em solidão. Teresa escreve seu poema a sós. Como fazem sempre ou quase sempre os poetas líricos e os místicos. É certo de que ela não compõe estes versos como um bilhete de envio para convertê-los em missiva espiritual para alguns de seus amigos. Mas os compõe como uma vivência a mais, ou como um simples balbucio da alma.

Em primeiro lugar, Teresa não costuma dirigir-se a seus amigos com o “tu”. Nem sequer à sua irmã Juana ou à sua sobrinha Teresita. Basta ler as cartas que lhes dirige. A Teresita, por exemplo: “… filha minha, muito me alegrei com sua carta e de que lhe deem contento as minhas.” A Teresa, trata-a com o “tu” a voz interior: “Teresa, não tenhas medo”; “não te metas nisso”, etc. Porém, nesse diálogo, ela é a destinatária do “tuteio”.

Ela, por sua vez, só usa a segunda pessoa falando consigo mesma. Ou melhor, quando ela fala à Teresa profunda: “tu, alma minha, por que estás triste?”

Teresa é capaz desse estranho desdobramento de personalidade que lhe permite falar com o tu de si mesma. Exatamente com seu tu interior. Ela tem densa interioridade. Falando do “castelo de sua alma”, não diz ela que se parecia com um castelo cheio de moradas? Está convencida de que, nessa densidade da alma, é-lhe possível enviar mensagens (ou clamores) a partir das moradas superficiais até a morada central do castelo. Porque o tu mais identificado com ela reside aí, no centro do castelo. Pois bem, aí, no fundo, nasce seu poema: “Teresa, que nada te perturbe”.

À parte essa chave literária ou estilística, há também outra razão puramente espiritual, para propor a leitura do poema como um murmúrio da intimidade. Teresa já tinha vivido muitas coisas na vida. Em seu drama interior, porém, aconteceu-lhe algo tremendo, que a tomou de sobressalto. Foi o encontro repentino com uma Presença interior que a transpassa e a desborda. Essa Presença novidadeira a desconcerta de tal sorte, que prontamente surge, em seu interior, uma voz capaz de sedar toda a onda. A voz interior lhe diz: “Não tenhas medo, Teresa”. Referendado pelo tremendo “Eu sou” da Bíblia. Exatamente estas três palavras: “Não tenhas medo, filha, que Eu sou, e não te desampararei” (Vida 25,18).

Esse “não tenhas medo, filha” não seria o ponto de arranque de sua inspiração poética e mística? No Livro da Vida, Teresa o comenta assim: “Parece-me que, segundo estava, eram mister muitas horas para persuadir-me a que me sossegasse, e que não bastaria ninguém. Hei-me aqui sossegada só com estas palavras, com fortaleza, com ânimo, com segurança, com uma quietude e luz, que em um segundo vi minha alma transformada… Oh, que bom Deus!” (ib).

Pois bem. Sabemos que os autênticos poemas líricos, uma vez criados, tornam-se autônomos, têm vida própria, independentes da vontade do autor que os compôs. E que por isso, são polivalentes ou polissêmicos. Cada leitor pode escutá-los livremente: ou como uma voz em que Teresa excepcionalmente o chama de tu: “a ti, leitor, que nada te perturbe”… ou pode sentir-se convocado a esse misterioso ambiente em que sucedem muitas coisas à autora, e ele a escutará dizendo-se a si mesma: “Teresa, que nada te perturbe! ‘Eu sou’ está contigo!”

Não esqueçamos. Teresa é uma contemplativa. Nutre-se de palavra bíblica. Através de suas meditações, tantas palavras bíblicas ficaram presas às cordas da harpa interior.

Em nosso poema, o certo é que cada verso resulta ser um anel enfeitado de palavras bíblicas que ela passou tantas vezes do livro aos olhos, dos olhos à alma.

Nós, leitores de seu poema, podemos rastrear o eco dessas vibrações. Sem pretensões de erudita busca literária. Senão como prolongações de onda na vivência espiritual de Teresa orante ou de Teresa poeta.

O primeiro verso – nada te perturbe – é claro eco da palavra de Jesus ao amedrontados discípulos, momentos antes da Paixão: “Que o vosso coração não se perturbe” (Jo. 14,1).

O segundo verso – “nada te espante”: não fala de susto, senão de assombro. Basta recordar qualquer outra passagem teresiana: comovia-se-lhe de gozo a alma, “espantada da grande bondade e magnificência e misericórdia de Deus” (V. 4,10). Também é ressonância do assombro dos discípulos diante dos gestos taumatúrgicos de Jesus: “Isto vos amedronta? Como estareis admirados quando vereis o Filho do Homem subir para onde antes residia!” (Jo. 6,63).

O verso “tudo passa”, que materialmente remete á consigna do filósofo grego, também é eco da palavra de Paulo: “passa este mundo” (1Cor. 7,31), ou as palavras de Jesus: “céu e terra passarão” (Mt. 34,25), seguidas da eterna vigência da palavra de Jesus – “minhas palavras não passarão” -, que dá passo à sentença do verso seguinte.

“Deus não muda”. Sim, o Senhor e sua verdade permanecem para sempre (Sl. 116,2). Para Teresa, a fidelidade de Deus na amizade (“ele é amigo verdadeiro”) contrasta com a versatilidade das amizades humanas: “Vós sois o amigo verdadeiro. Todas as coisas faltam. Vós, Senhor de todas elas, nunca faltais…, que já tenho experiência da ganância com que atraís a quem só em Vós confia” (V. 25,17). Trata-se de uma antecipação do último verso do poema.

“A paciência tudo alcança”… Jesus dizia aos discípulos anunciando-lhes as perseguições: “com vossa paciência possuireis vossa vida” (Lc. 21,19). O versículo final – “só Deus basta” – é a palavra lema dos contemplativos. Trata-se do “só Deus” de São Bernardo ou do irmão Rafael. “A sós com O só” será o lema teresiano para as jovens pioneiras do Carmelo de São José.

Os três absolutos do poema são estes:

nada, nada, nada

tudo, tudo

só Deus!

Três nadas, dois tudos, um único só Deus.

É possível que a dose balsâmica e sedante que do poema impregna o leitor, deva-se à cadência dos dois versos finais, com sua assonância em a-a: “nada lhe falta / só Deus basta”. Assonância suavemente introduzida nos versos anteriores: “tudo passa – tudo alcança”.

Porém, sem dúvida, mais forte que essa cadência musical, é o medular e absoluto da mensagem que nos chega através do poema, com sua alternância de tudos – nadas – só Deus. Três vezes nada. Duas vezes tudo. E uma só vez, porém fechando o poema, no verso final: “Só Deus!” e ponto O “só Deus” e basta. Se o poema era um sedante psicológico, acima da psicologia prevalece a teologia da contemplativa e mística que é Teresa.

Postado por Rose Piotto, em 7 de abril de 2011.

Publicado em Lugar de Partilha.

Leia mais…

Lugar de Partilha – Lendo juntos os livros de Santa Teresa deJesus  – Quartas Moradas: Capítulos 3, 1-14.

Deus, pastor dos homens – Salmos – Carmelo Online – Regiões Sul e Centro-Oeste

Fonte: Carmelo Online- Salmos – Ordem dos Carmelitas Descalços – Província Nossa Senhora do Carmo – Regiões Sul e Centro-Oeste

Salmos, 23

Deus, pastor dos homens

1. Salmo de Davi. O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
2. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,
3. restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.
4. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
5. Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.
6. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.

“O Cristo ressuscitado dos mortos, que espalha sobre os homens sua luz e sua paz. Ele que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.” (…) Vigília Pascal – Santo Agostinho (Flos Carmeli)

Fonte/imagem: Rádio Aparecida AM

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Fonte: Flos Carmeli

Canto do Exultet

Exulte de alegria a multidão dos anjos,

Exultem de Deus os ministros;
Soe a triunfal trombeta,
Esta vitória de um tão grande Rei!

Alegra-te também, ó terra nossa
Que em tantas luzes agora resplandeces,
Vê como foge do universo a treva,
Enquanto fulge a luz do eterno Rei!

Alegra-te também, ó Mãe Igreja,
Ornada inteira de esplendor divino,
Escuta como vibra neste templo
A aclamação do povo!

Prefácio:  

Na verdade é nosso dever e salvação
cantar de coração e a plena voz
Ó Pai todo-poderoso, Deus invisível,
E seu único Filho, Jesus Cristo Senhor nosso.
Foi Ele quem pagou por nós ao Pai eterno,
O preço da dívida de Adão,
E foi quem apagou só por amor, no sangue derramado,
A condenação da antiga culpa.
Eis, pois a festa da Páscoa,
Na qual foi posto à morte o verdadeiro Cordeiro,
Cujo sangue consagrou
As portas dos fiéis.
Eis a noite, em que tirastes do Egito
Os nossos pais, os filhos de Israel,
A quem fizestes transpor
O Mar Vermelho a pé enxuto.
Eis a noite em que a coluna luminosa
Dissipou as trevas do pecado.
Eis a noite que arranca ao mundo corrompido, cego pelo mal,
Os que hoje, em toda a terra, puseram a sua fé no Cristo.
Noite em que os devolve à graça
E os introduz na comunhão dos santos.
Eis a noite em que o Cristo, quebrando os vínculos da morte,
Sai vitorioso do sepulcro.
Oh! imensa comiseração da vossa graça,
Imprevisível amor para conosco:
A fim de resgatar o escravo,
Entregais vosso Filho.
Ó pecado de Adão sem dúvida necesário,
Pois a morte do Cristo o destrói!
Bendita culpa,
Que nos vale um semelhante Redentor!
Pois o poder santificante desta noite
Expulsa o crime e lava as culpas,
Devolve a inocência aos pecadores,
A alegria aos aflitos,
Dissipa o ódio, prepara a concórdia,
Desarma os impérios.
Noite em que o céu se une à terra,
E o homem com Deus se encontra.
Na graça desta noite, acolhei, Pai Santo,
Como sacrifício de louvor vespertino,
A chama que sobe desta coluna de cera
Que a igreja, por nossas mãos Vos oferece.
Por isto, Senhor, Vos pedimos:
Fazei que este círio pascal
Consagrado ao Vosso nome,
Brilhe sem declínio e afugente as trevas desta noite.
Que o astro da manhã
O encontre ainda aceso,
Aquele que não conhece ocaso:
O Cristo ressuscitado dos mortos,
Que espalha sobre os homens sua luz e sua paz.
Ele que convosco vive e reina
Na unidade do Espírito Santo.
Por todos os séculos dos séculos
Amén.

Sermão de Santo Agostinho – Vigília Pascal

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Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities

Publicado em Flos Carmeli.

“A tarde de Sexta-Feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário” – ACI Digital

Fonte/imagem/texto: Reflexões de Espiritualidade Franciscana: “Sexta Feira da Paixão do Senhor”

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Fonte: ACI Digital

Sexta-feira Santa

A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloquente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.

A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

(….)

Publicado em ACI Digital.

“Ele nunca desiste de nós” – Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura – Portugal

Fonte/imagem/texto: Reflexões de Espiritualidade Franciscana: “Sexta Feira da Paixão do Senhor”

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Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Portugal 

Ele nunca desiste de nós

À medida que a Última Ceia se aproximava inexoravelmente do fim, Jesus disse aos seus apóstolos: “Um de vós vai trair-me”. Teria sido muito mais preciso se dissesse “Todos vós vão trair-me”.

Judas vendeu o seu mestre por 30 moedas de prata e identificou-o perante os soldados, beijando-o. Mas os outros também não fizeram melhor, fugindo e deixando Jesus sozinho nas horas mais terríveis da sua vida. E Pedro, no meio de muitas imprecações, negou por três vezes conhecer Jesus.

Muitos de nós diriam que não mereciam que alguém morresse por eles, mas Jesus não pensou assim. Desde o início conheceu-os inteiramente e não teve ilusões a seu respeito. Mas também viu mais do que eles viam em si próprios. Viu a sua capacidade para crescer em grandeza. E como derradeiro amigo fiel, estava determinado a permanecer com eles até ao fim e ver nascer essa grandiosidade.

Deus nunca desiste de cada um de nós. Nunca! Tudo o que pede em troca é que não desistamos de nós ou dos outros. Ele tem o poder de nos fazer crescer, e quer dar-nos esse poder. Abramos-lhe o coração e confiemos nele.

Mons. Dennis Clark
In Catholic Exhange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) | 19.04.11

O Caminho da Cruz (Santa Teresa de Jesus)

Fonte:  OCDS  – Província São José    

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O caminho da Cruz

O consolo e a vida estão, só na Cruz;  e ao Céu é a única senda Que conduz. Está na Cruz o Senhor de céus e terra, e o gozar de muita paz em plena guerra. Todos os males desterra do mundo, a Cruz. E ao Céu é a única senda que conduz. Da cruz é que diz a Esposa a seu Querido, que é a palmeira preciosa aonde há subido; cujo fruto lhe há sabido Ao seu Jesus. E ao Céu é a única senda Que conduz. A santa Cruz é oliveira Mui preciosa, Seu óleo nos unge e inunda De luz radiosa; Ó minh’alma, pressurosa, Abraça a cruz: E ao Céu é a única senda Que conduz. É o madeiro verdejante e desejado da Esposa, que à sua sombra se há sentado, a gozar de seu Amado, O Rei Jesus. E ao Céu é a única senda que conduz. A alma que a Deus totalmente está rendida, bem deveras deste mundo já desprendida, árvore de gozo e vida é a santa Cruz, e ao Céu é a única senda que conduz. Desde que na Cruz foi posto O Salvador, só na cruz se encontra glória, honra louvor; vida e consolo na dor Dá-nos a cruz, e ao Céu é a única senda que conduz.  (Teresa de Jesus)

Postado por Marisa.

Publicado em OCDS – Província São José.

“Quem não te ama vive atado,e da liberdade alheio;quem te abraça sem receio,não toma caminho errado.” – Poema “A Cruz” – Santa Teresa de Ávila (Flos Carmeli)

Fonte/imagem: http://pequenoscarmelitas.blogspot.com/

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Fonte: Flos Carmeli

A Cruz

Ó bandeira que amparaste o fraco e o fizeste forte!

Ó vida da nossa morte,quão bem a ressuscitaste!O Leão de Judá domaste,pois por ti perdeu a vida.Sê bem-vinda, cruz querida.

Quem não te ama vive atado,e da liberdade alheio;quem te abraça sem receio não toma caminho errado.

Oh! ditoso o teu reinado,onde o mal não tem cabida!Sê bem-vinda, cruz querida.

Do cativeiro do inferno,ó cruz, foste a liberdade;aos males da humanidade deste o remédio mais terno.

Deu-nos, por ti, Deus Eterna alegria sem medida. Sê bem-vinda, cruz querida.

(Santa Teresa de Ávila)

Publicado em Flos Carmeli.