Memória (13 de junho) – Santo Antônio de Pádua (Lisboa): “A Palavra de Deus martelada por ele entrava nas almas mais empedernidas e insensíveis.” – Frei Hugo D. Baggio (OFM)

santoantonio_avandyckFonte: Província Franciscana Imaculada Conceição do Brasil

Santo Antônio, esse desconhecido

por Frei Hugo D. Baggio (OFM)

1. O risco de ser taumaturgo
2.
Santo Antônio Pregador
3.
Santo Antônio místico
4.
Santo Antônio apologeta e exegeta
5.
Conclusão

2. Santo Antônio Pregador

Conhecemos o zelo missionário de Santo Antônio pelas duas tentativas de ir à África pregar o Cristo e, à imitação dos primeiros mártires franciscanos, dos quais haurira a vocação franciscana, ali derramar seu sangue em testemunho de fé. Deus, porém, em seus desígnios, que Antônio perfeitamente entendeu, queria outra prova de fé e impeliu-o para as terras da Itália, transformando-o numa das mais poderosas vozes do século XIII, na difusão do Evangelho e na conversão aos bons costumes, naquela fase da história tão desconhecida e atacada, mas, ao mesmo tempo, tão rica e gloriosa.

São Francisco de Assis provocara uma revolução na eloqüência sacra pela sua espontaneidade e pela sua intuição, numa sábia mistura de piedade e jogral, conseguindo atrair sábios e simples, cardeais e humildes campônios, deixando em cada um a mensagem quente, cuja ascendência verbal transparece até em seu poder de subjugar aves e lobos.

Na simplicidade que o Senhor lhe dera, criou, em verdade, uma escola e, até hoje, tudo quanto leva a adjetivação de franciscano fica bem caracterizado pela simplicidade, doçura, delicadeza, verdade, fraternismo, comunhão total, amor aos homens e a Deus e uma efusão sublime de poesia. O espírito e a forma se entrelaçam e realizam o binômio feliz para levar o Evangelho à vivência.

Mas logo após São Francisco, “o primeiro a fundir a elevação doutrinária com a simplicidade popular, numa eloqüência irresistível, foi Santo Antônio de Pádua”, afirma o Pe. Gemelli (1). Com esta afirmação, o Pe. Gemelli nos alerta que, na jovem Ordem Franciscana, acabava de aparecer alguém com dotes intelectuais e recursos teológicos para transformar a pregação numa arte, sem deixar suas características de simplicidade franciscana.

Lembremos que Antônio, antes de fazer-se franciscano, estivera por 10 anos com os agostinianos em Portugal, haurindo ali uma sólida formação religiosa, teológica e científica, o que lhe serviu de subsídio valioso, quando eleito por São Francisco primeiro Professor e Mestre de Teologia, o que vale dizer, recebeu a tarefa de explicar as teses franciscanas às gerações novas que iam entrando na Ordem.

Além, desta séria e metódica preparação científica, teve um noviciado de solidão e de silêncio, antes de lançar-se à pregação, que lhe serviu de aprofundamento e reflexão das verdades, em Montepaulo. Assim, aos 26 anos de idade, quando Deus o revelou aos confrades e o largou pelo vasto mundo da pregação, estava ele perfeitamente maduro para dizer e rebater, para ensinar e entrar na controvérsia com a heresia que campeava orgulhosa naquela altura da história, e explanar a ortodoxia, pois, em sua bagagem trazia a Sagrada Escritura, a Patrística, os Clássicos pagãos, as ciências de seu tempo.

Lendo os sermões de Santo Antônio, fica-se pasmo ante a ciência do franciscano e sua perícia em manejar as ciências auxiliares da Teologia. Vinha ele, é verdade, da Península Ibérica, onde os árabes haviam deixado marcas acentuadas de conhecimentos científicos e começara a trabalhar numa Itália, onde floresciam os estudos em várias universidades de renome. Por isso, diz o Pe. Gemelli, “ele tem um pensamento teológico preciso e, algumas vezes, precursor, uma eloquência arrojada e substanciosa, uma fantasia de artista, uma viva e quase moderna compreensão do valor da cultura. Ele toma do Evangelho e dos Padres a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que transmite a São Boaventura; a devoção ao nome de Jesus, que transmite a São Bernardino de Sena; a devoção ao Sangue de Cristo, que transmite a São Tiago da Marca; a devoção a Cristo, Rei da Criação e da Redenção, que transmite a Scotus” (2).

Lançado de alma e corpo à pregação, procurado e assediado pelas multidões, peregrino errante da Palavra, não podia deter-se em especulações, pois a problemática que o envolvia roía a realidade, ali mesmo onde ele estava pisando. Devia lançar-se ao concreto da vida, desta vida que se lhe abria diante dos olhos, com seus vícios múltiplos, seus aleijões e distorções, que o realismo franciscano fazia ver num concretismo mais audacioso: os usuários e os hipócritas, os violentos e os luxuriosos, os dominadores e os exploradores do povo, os religiosos corruptos tanto de Ordens como da Igreja em geral, o clero simoníaco e os bispos que não desempenhavam sua missão religiosa.

Creio ser difícil encontrar sermões mais violentos contra os maus administradores dos mistérios da Igreja do que na boca de Santo Antônio, pois “contra o relaxamento do clero era inflexível”, e naquele tempo, infelizmente, tinha razões para tanto, a julgar pela veemência de sua linguagem cáustica.

“Suas observações – diz ainda Gemelli – sobre a gulodice, a vaidade, a simonia, “contra praelatos et malitiam eorum”, são tão severas a ponto de fazer pensar que Santo Antônio as tenha pronunciado não em público, mas só a um auditório particular. Esta atitude – nova que eu saiba – na pregação franciscana dos primeiros tempos – rara também depois –, mostra-nos a virilidade da alma antoniana”.

Em verdade, depois de ler os sermões do Santo, fica difícil aceitá-lo nas imagens doces e ternas, suaves e meigas, jovens e quase infantis com que a arte o retrata. A leitura o deixa imaginar com traços bem mais fortes, com feições mais severas e com expressões de olhar mais agressivas. Pois não imagino que aquela linguagem violenta não viesse sublinhada por gestos e expressões correspondentes. Um dos acontecimentos preparatórios às festas dos 750 anos de morte de Santo Antônio, foi a exumação de seus restos mortais, autorizada por João Paulo 2º, no mês de janeiro de 1981. A partir do exame científico, dizem os noticiários, foi possível reconstituir também seu perfil físico: dotado de físico excepcional para um homem da Idade Média: 1,70 metro de altura e ombros largos. Tinha pernas fortes, habituadas a atravessar países inteiros a pé… Um catedrático chegou a reconstituir o rosto do Santo: comprido e estreito, nariz fino, alongado e levemente convexo, saindo logo abaixo dos olhos encavados sob a fronte proeminente. Seus cabelos eram pretos.

Continuando a encarar Santo Antônio como pregador, gostaríamos de lembrar que um dos títulos que o povo cristão lhe conferiu e a liturgia adotou é o de Martelo dos Hereges, significando plasticamente, o orador e sua oratória, pois martelo não expressa nenhum instrumento forte e violento, que certeiro é capaz de fazer o prego penetrar a madeira mais dura, o que em Santo Antônio indica: a Palavra de Deus martelada por ele entrava nas almas mais empedernidas e insensíveis. Tal imagem nos traz à lembrança as campanhas moralizadoras pela Itália, mas, sobretudo, as sustentadas ao Sul da França contra os hereges, onde, segundo conta seus Fioretti teve até que recorrer à irracionalidade da mula para quebrar a cabeçudice de um deles.

Não queria apenas dobrar à força dos argumentos, mas levava à convicção através de processos pessoais próprios, o que empresta, ainda hoje, um sabor todo especial à leitura de seus sermões, pois, como escreve Gemelli, “a exemplo dos escritores sacros de seu tempo, usa e abusa de símbolos e símiles e aguça seu engenho nas concordâncias bíblicas. Mas até nesta, que é uma forma peculiar da oratória medieval, ele imprime a sua personalidade inconfundível.O símbolo é o seu modo de ver a realidade, de descobrir o eterno no contingente, o espírito na matéria, o que ama no que lhe é útil. E como não lhe falta imaginação artística, o símile ultrapassa o símbolo e é considerado por si mesmo, pela sua própria formosura”.

Creio que nossos auditórios de hoje não suportariam a crueza de certos símiles, ou comparações, ou tropos usados por Santo Antônio contra o pecado, ou contra sacerdotes indignos ou contra bispos simoníacos. Certos tópicos, custa-nos crer tenham sido proferidos pelo Santo, a quem a religiosidade popular revestiu de tanta suavidade.

Havia em seus sermões uma preocupação bem dele: combinar o Evangelho do dia com o restante da Liturgia da Missa e do Ofício Divino, alcançando uma arquitetura rítmica dentro do sermão, sem perder a unidade, muito do gosto medieval, recorrendo, inclusive, a expedientes que atenuavam o peso do assunto e tornavam a exposição menos cansativa.

Por isso, emprestava grande vivacidade mediante exemplos que ele, como bom franciscano, buscava na natureza. Para que a palavra de Deus se não tornasse insípida, lançava mão de seu vasto saber e o colocava ao alcance de seus ouvintes e a serviço da pregação, não num rompante de vaidade e sim como critério de apostolado: a Palavra de Deus lhe merecia toda a veneração e o auditório todo o respeito.

Daí Gemelli afirmar: “A oratória deste humílimo e grande doutor tem a sua justificativa no gosto do público a que se dirigia e que era exigentíssimo, pronto a se enfadar, chasquear, desprezar e terrivelmente crítico. Antes que a Renascença espalhasse o gosto pela forma, este franciscano do século XIII, com o seu amor pelo belo e com a sua intuição do valor da beleza, que são peculiares à sua espiritualidade, afirma a necessidade da palavra polida, rebuscada, e combina a ciência sagrada com a profana sem a perturbação, porque para os seus olhos de franciscano, a natureza não é profana, mas obra mirável de Deus, e estudá-la é dever de gratidão e prazer de admiração e contemplação”.

Extraído integralmente de Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil – Vida Cristã (São Paulo – Brasil)

Direitos da Criança – “Para cada criança, um futuro” – Oficina Internacional Católica da Infância – América Latina

O “Dia Mundial da Criança” – 1º de junho – é lembrado em vários continentes nesta data. Há uma razão muito importante para isto.: encontrei na net que neste dia foram assassinadas em campos de concentração nazistas um grande número de crianças. No Museu do Holocausto, em Jerusalém, há o Memorial das Crianças e o “Espaço Janus Korczak”. Ele foi diretor de um orfanato na Polônia.  Pelo fato de se recusar a ver  crianças judias polonesas sob seus cuidados (entre as demais, de outras ascendências)  serem levadas por oficiais do III Reich, as acompanhou…

A propósito de seus direitos, que são universais, há uma página muito interessante (e bem ilustrada), apresentada pela Fiocruz, em alusão à Declaração dos Direitos da Criança, apresentada em 20 de novembro pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1959.

Voltemos ao Dia Mundial da Criança. Pela declaração da ONU a data oficial – “Dia Internacional da Criança” é 20 de novembro. Mas a data, em países como os Estados, Brasil, etc. tem relação com algum evento da história destes países. No caso do Brasil, 12 de outubro já estava definido em votação no Parlamento na década de 20. Por decreto, foi definido que seria comemorado juntamente com o dia da padroeira do Brasil – Nossa Senhora Aparecida. Em nosso país, a data, infelizmente,  tem viés comercial, ou seja, venda de brinquedos, tal como acontece em boa parte do mundo… Na rede, comentam que tudo começou nos anos 60 com o lançamento de de uma determinada marca de brinquedos em nosso país. Ainda bem que os organismos envolvidos com a proteção das crianças ignoram a data “festiva” e trabalham o ano inteiro. Se assim não for, há dinheiro público e de doações sendo desperdiçado… Mas, pensemos no melhor, no que edifica, no que as retira de suas tragédias. E há. Leiam o material abaixo. É animador saber que a inspiração divina move um grande número de pessoas. Elas não ficam indiferentes…

Em países como Portugal o “Dia Mundial da Criança” é lembrado em 1º de junho, sendo esta a data para maior parte dos países da Europa, América Latina, leste Europeu, Ásia e África.

As crianças do mundo inteiro, neste dia – 1º de junho –  recebem um foco especial de organismos de auxílio humanitário e estruturalã em relação à situações de risco e sofrimento. Portanto, a data lembra as que morreram sob o regime nazista neste dia e outros, bem como as que são brutalmente asssassinadas, raptadas (desaparecem simplesmente…),  são mortas ou mutiladas por bombas ou minas (e a Convenção de Genebra?), ou ficam em campos de  refugiados na condição de órfãs. Há também as que sofrem maus-tratos dentros das próprias famílias – até o ponto de sucumbirem… Pode haver maior crime? O único consolo que nos resta é que morreram na inocência e estão junto do Criador. Rezam por nós que amamos as crianças do mundo, para que não fiquemos de braços cruzados… Triste, muito triste. Por certo pedem a Deus (todo o tempo, tal como as crianças!), ao chegarem ao Céu que Ele interceda junto aos pais e governantes dos países para que sejam incansáveis na sua proteção…

Portanto, é possível que esteja faltando, infelizmente a nossa parte… O pecado da omissão é grave, em qualquer religião. Nós que cremos em um Deus único – cristãos, judeus, muçulmanos – estendendo a proposta aos budistas, devemos fazer um exame de consciência rigoroso a respeito. O quadro de abandono, mau-tratos e abuso ultrapassa a razão. Nos transformamos em animais… Talvez a consciência do Bem não seja mais a nossa guia…

Leiam por favor o que “pinçei” da rede sobre a ação de um organismo católico, com representação em todo mundo e na América Latina (da qual a CNBB faz parte) – Bureau International Catholique de lÉnfance (BICE) – América Latina. Há opção de leitura, nos idiomas espanhol, francês e inglês.

………………………………………………………………………………………………………….

Carta de la Oficina Internacional Católica de la Infancia

“Para cada niño, un futuro

Referencias

• Asociación de derecho francés, el Bice es una organización

internacional no gubernamental reconocida por la Santa Sede

como asociación de fieles. Goza de un estatuto consultivo

ante Naciones Unidas. Fue fundado en 1948 por iniciativa de

organizaciones católicas para ayudar a los niños después de

las conmociones de la Segunda Guerra Mundial.

• El Bice trabaja al servicio de todos los niños, sin discriminación ni

proselitismo, respetando su nacionalidad, su cultura, su religión.

« Tiene por objeto el crecimiento integral de todos los niños, dentro

de una perspectiva cristiana y aboga por la humanización de su

suerte.- Se ocupa particularmente de los más desposeídos. » (Art. 3

de los estatutos), Sus colaboradores deben observar un código de

buena conducta.

Las organizaciones católicas comprometidas con los niños

constituyen una red mundial. Son llamadas a formar parte del

Bice así como todos los organismos, cristianos o no, que se

reconozcan en sus objetivos.

• El financiamiento del Bice está asegurado dentro de la más amplia

transparencia por donadores privados, garantes de su independencia y

por proveedores de fondos públicos y privados.

La acción del Bice es duradera. Con todos aquellos que acompañan

a los niños, busca identificar los nuevos riesgos que los amenazan

y las nuevas oportunidades que se les ofrecen. Defendiendo su

dignidad y sus derechos, contribuye en la construcción de un

mundo de justicia y de paz que abre para cada niño un futuro.

http://www.bice.org

Junio 2007

2006_ninos_argentina

Carta de la Oficina Internacional

Católica de la Infancia

« Todo niño que nace es un signo de que Dios

todavía no se ha desesperado de la humanidad »

Rabindranath Tagore, poeta indio, Premio Nobel de literatura en 1913.

Cada niño nos habla a su manera de la belleza y de las heridas de la vida y nos recuerda así nuestra responsabilidad. Su nacimiento representa una nueva esperanza para la humanidad que le debe lo mejor que tiene.

Es por ello que el Bice invierte todas sus fuerzas para promover la dignidad de todos los niños y hacer aplicar sus derechos fundamentales, muy a menudo violados.

Creer en el niño

Afirmar que el niño tiene derechos

Persona humana de verdad, el niño tiene derechos fundamentales inalienables.

Como persona en devenir, es vulnerable y debe ser protegido y acompañado. El Bice lo despierta a su propia dignidad y a sus derechos. Sensibiliza también a los padres, a los que lo rodean y a todos aquellos que intervienen en su desarrollo incluyendo a los poderes públicos.

Favorecer el « dinamismo de vida » propio de cada niño

Cuando los derechos del niño o del adolescente son negados por las condiciones existentes inicuas, cuando sus puntos de referencia están comprometidos, es posible ayudarle a recobrar la confianza en la vida y su propia estima. El niño posee en si mismo importantes recursos. Estos se revelan si puede dialogar, ser escuchado con afecto y respeto, ser defendido.

El Bice favorece esta “resiliencia” que permite al niño reconstruirse.

Velar por el desarrollo del niño en todas sus dimensiones

El niño necesita ser protegido, alimentado, cuidado e instruido. Su bienestar sicológico también es esencial. El vínculo con su familia y su comunidad debe ser preservado. Tiene derecho a la despreocupación, a la risa, al juego, y también a un futuro profesional. El desarrollo integral del niño y de su felicidad demandan aún, cualquiera sea su situación, que pueda reflexionar sobre el sentido de su vida y que se respete la dimensión espiritual que le es propia. La inspiración evangélica del Bice lo incita a este respeto.

Movilizar las competencias para que todos los niños vivan dignamente

Comprometerse radicalmente con los niños en dificultad

En numerosos lugares, los derechos de los niños son negados de manera intolerable explotación mediante el trabajo, situaciones de esclavitud, abandono en la calle, abuso y explotación sexuales, militarización forzada, encarcelamiento, tratamiento inhumano de los niños incapacitados. Estas situaciones producen en los niños y adolescentes violencias y sufrimientos indignantes.

Para combatir en el terreno -en Africa, América Latina, Asia y Europa- el Bice se compromete con socios locales a prevenir todas las formas de violencia y a promover sin descanso los derechos de los niños.

La participación de los niños es el centro de su acción.

Estimular la reflexión y la investigación sobre el niño

El Bice hace el puente entre la experiencia adquirida en el terreno y la investigación científica referente a la infancia, para que se alimenten mutuamente. Es un espacio de reflexión y de cuestionamiento permanente. Gracias a sus publicaciones, a su centro de recursos en Internet, a las instancias de formación que propone, comparte ideas, pericias y buenas prácticas.

Manifestar la voz de los niños

Más que nunca la defensa y la promoción de los derechos de los niños interpelan respuestas concertadas a nivel mundial. El Bice actúa con los niños ante la sociedad civil, los gobiernos y las instancias internacionales: agencias de Naciones Unidas, Consejo de Europa, instituciones de la Unión Europea…

Federando las competencias de varias organizaciones comprometidas en el servicio de los niños, fue uno de los iniciadores de la Convención Internacional de Derechos del Niño. En la actualidad, vela con otras ONG por su aplicación y su evolución.

El interés superior del niño está en el corazón del compromiso del Bice.

…………………………………………………………………………………………………………..……………………….

Para não parecer que é somente uma “carta de intenção” deste organismo católico francês, de ação mundial em prol das crianças, leiam por favor o restante do material… Visitem o site. Eles esperam doações. Cá comigo, espero que sejam generosas, afinal as crianças do Brasil e de outros países necessitam de nosso carinho, de nossa adesão à causa… Lembremos que organizações ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão conectadas a BICE.

………………………………………………………………………………………………………….

El Bice en América Latina



En América Latina, el BICE tiene una importante experiencia acumulada desde hace más de 20 años en las temáticas de los derechos de los niños, las niñas y los/las adolescentes. La Delegación Regional del BICE para América Latina (DRBAL) desarrolla su acción en 12 países, en colaboración con sus 28 organizaciones miembros, socias y colaboradoras. Elabora, gestiona y apoya programas y proyectos a corto, mediano y largo plazo, constituyendo una plataforma de concertación para el intercambio, el apoyo, la investigación y la acción.

La base del trabajo efectuado desde la DRBAL es la visión del niño ya no como “objeto de atención y de asistencia”, sino como “sujeto de derechos“, es decir como actor y persona que tiene un rol en la sociedad, con derechos y responsabilidades.

Especialmente relevante es el trabajo efectuado desde la DRBAL para apoyar el desarrollo de la participación protagónica de los niños, las niñas y los adolescentes. Como respuesta al diagnóstico de la exclusión social, económica y política de los más jóvenes, la DRBAL apoya la creación de espacios que den lugar al nacimiento de una verdadera “ciudadania infantil“: toma de decisión, capacidad de intervención, autonomización, autorreflexión, proyección en la sociedad, creación de una identidad propia, organización, y establecimiento de solidaridades entre niños. Allá surge la cuestión de la representatividad de los niños, niñas y adolescentes, así como la construcción de un nuevo modelo de relaciones intergeneracionales. En definitiva, se trata de escuchar y de respectar las ideas y opiniones de los más jóvenes, dándoles una voz.

La Convención sobre los Derechos del Niño ha permitido progresos innegables desde hace 20 años. Todavía, se verifican retrocesos inquietantes y violaciones muy graves de los derechos de los niños en muchas regiones del mundo. La crisis económica que se propaga a escala planetaria no parece, desgraciadamente, mejorar esta situación.

Por ello, a través de una iniciativa del Bice, personalidades y organizaciones de todo el mundo lanzan un Llamamiento Mundial para una nueva movilización a favor de la Infancia abierto a todos que quieren firmarlo.

Este Llamamiento será lanzado oficialmente el 4 de junio en el Palacio de las Naciones en Ginebra.

www.bice.org

El Bice, una red de Miembros

Los Miembros del Bice constituyen una red al servicio de la infancia. Contribuyen juntos a la defensa y promoción de la dignidad y de los derechos del niño.

Esta red de organizaciones, movimientos, expertos… es también un lugar de encuentro y de intercambios, un espacio de creatividad intelectual, una base de recursos y de pericia sobre las cuestiones relacionadas con los derechos del niño.

Una voz ante las Instituciones

El Bice representa activamente sus Miembros ante las Instituciones internacionales y nacionales, las plataformas y coaliciones de ONG de las cuales es miembro.

Los Miembros participan en las acciones de cabildeo del Bice a favor de la infancia.

Fiel a su vocación de agrupar una amplia red de miembros, con un espíritu de gran apertura, el Bice trabaja hoy – 60 años después de su creación – para reunir especialistas y ONG que se reconocen en su filosofía de acción y aquellas personas que trabajan para la infancia en las iglesias locales, instituciones, servicios o movimientos cristianos.

Miembros efectivos del Bice

* Association Nationale des Éducateurs Sociaux (ANES-Congo), Kinshasa, R.D.C.

* Bayard Presse, Paris, Francia

* Bice Belgique, Bruxelles, Bélgica

* Bice Deutschland e.V., Lahr, Alemania

* Caritas Vlaanderen-Vlaams Welzijnsverbond, Bruselas, Bélgica

* Central Office “Ejjew Ghandi”, La Valletta, Malta

* Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Brasil

* Congregation of Christian Brothers, Roma, Italia

* Comisión de Apostolado Laico y Pastoral Familiar, Argentina

* Deutscher Caritas Verband, Freiburg-im-Breisgau, Alemania

* Fleurus-Presse, Paris, Francia

* Frères des Écoles Chrétiennes (FEC), Roma, Italia

* Fondation Orphelins Apprentis d’Auteuil, Paris, Francia

* Fundación Navarro Viola, Buenos Aires, Argentina

* Hogar de Christo, Chile

* Religiosos Terciarios Capuchinos, Roma, Italia

TODAS LAS NOTICIAS – SOCIOS…

socios

Fonte: www.bice.org

SOCIO (BRASIL): Centro Educacional Carlos NovareseOrganização de Auxílio Fraterno (OAF)

Destaque BICE

Primeiro lugar para o Centro Educacional Carlo Novarese, da OAF, em Salvador

A experiência da OAF não só mostra que educação de qualidade é possível, mas também permite calcular os custos dos ensinos fundamental e profissional para o Orçamento do Município, do Estado e eventualmente a nível Federal.

O Ministério da Educação divulgou recentemente os resultados das provas feitas em todas as escolas do Brasil para medir a qualidade do ensino através do IDEB – Índice de Desenvolvimento do Ensino Brasileiro. Este índice avalia o desempenho a nível Estadudal, do Município e de cada escola. Ao mesmo tempo propõe para o Estado, o Município e para cada escola metas crescentes de qualidade até o ano de 2022, quando o Brasil irá comemorar 200 anos de independência.

O Centro Educacional Carlo Novarese da OAF, que já era considerada escola de referência na cidade, obteve a nota mais alta de todo o Município de Salvador, ficando assim com o primeiro lugar na avaliação de 5a à 8a série do ensino fundamental. Alcançou o nível que o mesmo IDEB propõe para Salvador – Bahia, para o ano de 2017.

O Centro Educacional Carlo Novarese é uma Escola conveniada com a Secretaria Municipal de Educação e faz assim parte das escolas Públicas da Cidade de Salvador.

Os alunos são de um bairro particularmente difícil onde dominam a violência, a droga, o abandono, onde há um grande numero de famílias desestruturadas e particularmente pobres, quando não na miséria.

Grande foi evidentemente a satisfação de alunos e professores que viram assim premiados os esforços e os sacrifícios que um estudo sério pede, principalmente nos momentos em que a situação familiar e escolar torna-se difícil e até adversa.

Experiência – Sabe-se, por experiência, que este bom resultado na educação das crianças e adolescentes precisa depois ser integrado com um sério preparo para o mundo do trabalho.

A OAF opera neste setor com o Centro de Formação Profissional de Jovens e Instrutores com cerca de 800 vagas e a possibilidade de receber adolescentes do Juizado, Ministério Público, Entidades de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes.

A educação profissional para os adolescentes mais pobres e da periferia com cursos de longa duração é muito rara. Calcula-se que se tem só na cidade de Salvador mais de 150.000 jovens entre 16 e 18 anos que esperam por esta oportunidade e que nunca terão acesso a ela.

Na OAF funciona também a ÚNICA, a Universidade da Criança e Adolescente, onde todo ano cerca de 15.000 alunos vindos preferencialmente das escolas da periferia, têm a possibilidade de uma introdução lúdica e prazerosa à Ciência e Tecnologia.

Na OAF encontramos também o INSTITUTO FENIX que é um instituto de pesquisa e aplicação prática de novas tecnologias pedagógicas destinadas a alunos já excluídos do ensino público ou prestes a ser excluídos.

Estas atividades são conduzidas em conjunto com universidades locais e universidades estrangeiras como a “Universidade de Torino” e a “Sapienza” de Roma.

Para que a educação no Brasil possa alcançar a qualidade desejada, se quisermos um Brasil mais justo, mais rico e com menos violência, temos que aceitar os desafios apresentados e impostos pela educação. Tem-se que exigir das diferentes esferas públicas que a educaçáo seja assumida com a prioridade que merece e com os custos que ela precisa e exige. É indispensável investir muito mais em quem até hoje menos recebeu. A nossa sociedade infelizmente é ainda profundamente injusta e discriminante para com os mais pobres.

Fonte: http://www.bice.org

****

Observação: os destaquem em “azul” são de minha autoria.


O Amor não é um software…

As ruas estão cheias de robôs. Eles já não sentem o coração bater mais forte. Nem sempre foi assim… Amavam e muitas vezes até eram tomados pelo sentimento contrário, o ódio. Eram bons tempos aqueles, e em minha memória ainda lembro destas manifestações humanas. Podiam ocorrer quase ao mesmo tempo em uma mesma pessoa, conforme sua disposição de espírito. Contraditórias, tais emoções apareciam, ou seja, ficavam transparentes à vista de todos (em geral, sem qualquer espanto, talvez, no máximo, curiosidade) quando alguma lembrança  agradável ou infeliz de sua vida lhe acorresse à mente. Hoje, há tão somente uma cultura de cálculo. A racionalidade foi transformada em racionalização de sentimentos, das trocas afetivas, desde a amizade pura e simples até o âmbito do amor humano. Há muito a perder… Corpos-máquinas, corpos-zumbis não podem se permitir sensações – um raio de luz  em meio  à penumbra, o crepitar das águas na areia de uma praia, o sorriso e a mão de uma criança desconhecida que nos acena na calçada, um gesto amigável, mas anônimo em meio à agitação de uma grande cidade…

Havia, para qualquer lado que olhássemos a alegria, enfim, a esperança. Os mais velhos, para não dizer octogenários ou mesmo nonagenários, em sua maior parte gostavam de transmitir o encantamento que havia na vida, além de seus mistérios e perigos. Estou atravessando os quarenta anos e posso dar testemunho disso em minha juventude. Meus sobrinhos, já em sua infância foram abordados agressivamente por pessoas desconhecidas, que estavam em fase de envelhecimento. Sem chance. Sem ternura, sem senso de proteção à jovem condição do grupo, e nem mesmo em relação às crianças que poderiam estar no entorno. Ouvi deles (meus sobrinhos, que ainda eram pré-adolescentes no final dos anos 90) relatos assustadores de tentativa de agressão. Um exemplo inesquecível para mim: alguém que poderia ser avô em idade, arremete a cavalo contra o grupo de amigos (um dos sobrinhos estava com dez anos e o outro com 12, ou seja, pouco mais que crianças) por pura intolerância. Nada de drogas. Estavam reunidos em uma praça, de um bairro de  região metropolitana, já que ali moravam, depois da aula e do almoço. Ao investigar “verbalmente” com os sobrinhos sobre o evento, pude notar que o grupinho “invadira” por curiosidade uma área “ainda” verde do bairro, passando a cerca com arames farpados. Tratava-se de uma pequena chácara. Resumo: qual o menino que, em tempos passados não enveredou mato adentro (se teve, obviamente, a oportunidade) para ver o que havia mais adiante, um pouco mais… Meu irmão fez isso à exaustão nos anos 70, acompanhado de nosso cachorro de estimação – o “Tobe”. Estamos, infelizmente, perdendo nossa capacidade de nos envolver pela vida. Todos perdemos um pouco de nossa humanidade, e isto começa a valer, neste primeiros dez anos do ano dois mil, tanto para crianças, jovens, maduros e velhos.

Nesta tentativa de resgate, que é também a tentativa de um mapeamento da realidade que vivemos, eu poderia afirmar que o enlevo dos espíritos era visível nos olhos, nos gestos. Quase podíamos “ver” o que nos relatavam:no entusiasmo de uma grande amiga que viajou para longe, nas lembranças cheias de ensinamento de nossos avós, a ternura uma pessoa especialmente amada, ou, então, a alegria da chegada de alguém muito aguardado. Na outra via, pude sentir vivamente a raiva e extravasá-la, sem constrangimentos, bem como ser testemunha ocular de eventos emocionais deste tipo. Era reconhecida como emoção, desde que extravasada sem excessos, ou seja, sem violência física ou verbal, era vista como um sentimento saudável.

UM TEMPO EM QUE CRIANÇAS, JOVENS E MULHERES SÃO OBJETOS DESCARTÁVEIS…

Isto mudou radicalmente desde meados dos anos 90. Obviamente, antes desta década também havia, em qualquer parte do planeta, o descontrole emocional, ou seja, explosões de ódio. Estas se manifestavam eventualmente de maneira individual, ou em grupos extremistas. Em geral, no entanto, não era sequer cogitada a possibilidade de alguém atirar uma frágil criança pela janela do sexto andar, ou então, a própria mãe atirar seu bebê nas águas de um rio, escondido dentro de uma sacola plástica. Estes registros aconteceram no Brasil recentemente, como se fizessem parte de uma onda atípica de violência contra as crianças. Para espanto e lamento geral, pouquíssimas destas pequenas vítimas foram resgatadas com vida. No mundo inteiro, nas diversas formas de agressões à infância, os casos de sobrevivência são mínimos. Queimaduras, inclusive com requinte de crueldade, isto, com pontas de cigarro, ou surras com pedaços de madeira, além do assédio, violação e morte dos seres humanos mais indefesos que existem sob a face da terra: CRIANÇAS! Há eventos coletivos na atualidade, que nos fazem lembrar a Idade Média: é o caso de Verona, na Itália, por exemplo. Foi instituído o atendimento de pronto socorro para recolhimento de bebês abandonados: é acionado quando um bebê recém-nascido é “depositado” em uma berço térmico na igreja matriz. Há um botão que faz sair este berço da parede lateral (nos fundos, por certo!), onde a mãe ou casal que não abortaram a criança dão uma “chance” de vida ao indesejado ser que geraram. A medida decorreu em razão do alarmante número de bebês recém-nascidos deixados ao longo das margens do rio, entre os arbustos!

A falta de amor (que em seu grau máximo se transforma em ódio) está gerando o atual quadro, que é mundial. Sabemos que até mesmo um filhotinho de cão, depois de um mínimo de aleitamento tem alguma chance de sobreviver. No entanto, as crianças espalhadas pela Terra têm sido arrancadas do ventre de suas jovens e não tão jovens futuras mães. Entre os motivos, diferentemente de outras épocas, a decisão parte delas próprias, talvez em sua maioria. Isto, vem revelando as várias faces da crescente desumanização  em curso – entre elas, a pura e simples indiferença pela vida (pelo menos momentânea), a supervalorização de suas carreiras, o progresso material da família, uso de drogas pelas adolescentes, ou, simplesmente o sexo exercido não mais com o requisito do afeto, tanto por jovem como homens e mulheres adultos.

Além disso, há o fato, de caráter hediondo do rapto de meninas meninos para prostituição nas ruas, ou para filmagens e venda deste material pela internet. As meninas têm sido o principal alvo das redes de prostituição infantil. Entretanto, sabemos que adolescentes aliciam meninos para filmagens, que são vendidas para sites de pedofilia. Portanto, parece que a degradação de nossa humanidade atingiu um estágio quase irreversível. A História registra que, diante de uma grande desgraça, os israelitas jogavam terra sobre seus corpos, em sinal de lamento, luto, desespero. Esta imagem, diante de tais fatos, considero muito adequada para o nosso tempo. Mas, ao que parece a capacidade de perceber o trágico está ficando cada vez mais rara…

O DINHEIRO “ENGOLIU” A ESPERANÇA QUE HAVIA NAS CRIANÇAS E NOS JOVENS?

Assim,  o tempo em que crianças e adultos eram tão somente crianças e adultos já passou, infelizmente. No entanto, sempre houve reviravoltas… Hoje, ambos  são programados por todo tipo de abordagem mercadológica para o consumo desenfreado, maquinal. E, na pior das hipóteses, podem ser transformadas, do dia para a noite, em vítimas, as quais, em sua inocência, sem o menor traço de compaixão são jogadas em antros, ambientes subterrâneos abjetos, e lá são subalimentadas. Isto acontece principalmente na Ásia, onde estas redes demoníacas, por comida as submetem a terem contato com pedófilos. Entre eles, estão principalmente os grandes industriais. Entretanto, é importante frisar que este horror perpassa a sociedade humana, que sem sombra de dúvida está doente, não como alguém que adquire uma enfermidade, e sim, como quem decide viver em estado permanentemente doentio. Um viciado em drogas, devido a transtornos psíquicos, ou outros fatores, padece de um certo tipo de doença. Entretanto, acredito que está em “desgraça”, que significa ausência da Graça, ainda que esta possa ser uma condição circunstancial, sendo passível de recuperação. No entanto, em geral, drogados não exploram sua condição para tirar proveito de alguém, afora os furtos realizados pelo desespero do vício. Em geral, os que aliciam crianças e jovens para manterem o tráfico são indivíduos muito calculistas para se deixarem consumir pelas drogas… Estes, por sua vez, têm contatos em altos círculos, bem longe das fontes fornecedoras. Vivem em arranha-céus espalhados pelos quatro quantos do mundo.

Dentro das redes que exploram sexualmente crianças e jovens há uma estratégia perversa: de maneira fria são tornadas dependentes de drogas por seus raptores. Não esqueçamos que isto se tornou endêmico devido às amplas possibilidades de comunicação, do celular à internet, que possibilitam a ação sofisticada do crime organizado, na forma de redes espalhadas pelo mundo. O círculo vicioso termina quando as vítimas, jovens ou adultas morrem de Aids, doenças venéreas ou mesmo de overdose. Como mencionei anteriormente, na Ásia há o predomínio deste quadro, que ultraja a infância, e entre os “adeptos” (seres humanos abjetos) não há distinção de nacionalidade. Nos países europeus, e nas Américas, os ambientes de prostituição infantil são “maquiados”. O rapto, o aliciamento por pobreza, e a drogradição das crianças e jovens são condutas adotadas com o mesmo padrão da Europa Oriental e Ásia.

Atualmente, o crime organizado ampliou seus tentáculos e acabou por se “especializar” na exploração sexual de corpos que,  há apenas um século nasciam para serem sagradamente felizes. Não havia redes de narcotráfico, prostituição, etc. Podiam sonhar com dias melhores ou até satisfatórios, porque dignos.  No horizonte de nossos dias, são tornados objetos de consumo de uma sociedade planetariamente doentia e degradada.

Ainda quanto a estas redes de prostituição, a existência deste revela que estamos diante de uma tragédia social globalizada, e que se amplia. Por extensão, também incluem em sua “agenda” de lucro fácil o rapto e aprisionamento de mulheres para prostituição para produção de vídeos independentes, às vezes anunciados como “caseiros”. As vítimas são ludibriadas com promessas de trabalho doméstico, sendo trazidas principalmente da Europa Oriental. Portanto, estes grupos de criminosos operam in loco ou no mundo virtual, estendendo sua ação desde o tráfico de drogas, de órgãos humanos, tanto de crianças como de adultos, de armas. Assim, dominam a produção de pornografia infanto-juvenil, aprisionando mulheres com o mesmo objetivo. Neste caso, tais redes raptam prostitutas ou mulheres prostituídas, que são levadas para estúdios de filmagem no meio do nada, sendo praticamente torturadas por homens drogados (obviamente, com certo tipo de droga). A dor é real neste tipo de produção pornográfica. Há consumidores “seletos”, principalmente na camada social de maior poder poder aquisitivo.

Não é facilmente identificável esta realidade, no entanto, o conjunto da sociedade humana está sob ameaça constante, porque velada, disfarçada em mil faces…

“DES-PROGRAMAÇÃO”…

Talvez, se deixarmos de ser “programáveis”, possamos reverter este perverso e lamentável quadro, e através da própria internet. Sites que oferecem “serviços” não muito bem definidos, e que escondem atividades ilícitas devem ser denunciados a organismos que investigam e processam seus administradores, owners. Ambientes reservados na rede, com conteúdos (fotos, textos) que envolvem crianças e jovens, devem ser da mesma forma denunciados. No Brasil, a Polícia Federal tem um setor específico, que voltou a atuar com mais precisão e determinação, já que houve um incremento de verbas públicas para sua atuação em relação aos crimes dentro da internet.

Sob outro aspecto, os jovens em geral, ainda que não conheçam (graças a Deus, nem tudo está perdido!) a realidade da prostituição infantil e juvenil, têm sido reduzidos à perspectiva de, unicamente, obterem um diploma de curso superior. Têm que ascender ao topo, isto é, devem lutar (muito e a qualquer preço!) por prestígio e riqueza. Nessa ordem… É evidente que isto se aplica a uma parcela pequena da população mundial. De qualquer modo, são jovens “formatados” exclusivamente para um objetivo: a profissionalização. Nada além… Em suma, já não há uma cultura que incentive, favoreça qualquer responsabilidade pelo que acontece à sociedade em que estão inseridos. São educados pelos pais para a competição (que é real) e para o sucesso pessoal a qualquer custo. As universidades, por sua vez, em geral têm sido gerenciadas para oferecer este “pacote de vida” aos jovens… Nos departamentos de marketing de tais universidades (e o número delas vem aumentando) seus integrantes se referem aos alunos como “público alvo”. Na verdade, em suas cabeças os imaginam circulando em um shopping… Uma realidade patética e triste.

Robôs podem fazer micro-cirurgias, desarmar bombas, minas, mas seres humanos devem nutrir sentimentos uns pelos outros, viver suas emoções. Voltar a viver, portanto, voltar a amar.

A omissão nos tira a paz.