Vida espiritual e Aborto

A partir dos artigos transcritos logo abaixo, pretendo fornecer a vocês o contexto em que se situa este post. Se trata da insistência em levar a debate o polêmico tema da legalização do aborto no Brasil. De antemão, informo aos visitantes do blogue “Castelo Interior” que, pessoalmente, me posiciono tanto contra a legalização do aborto,  bem como, contra a manipulação de embriões. Ou seja, o uso, ainda que “terapêutico” daqueles que a “Ciência” considera “inaptos” para a fertilização in-vitro, decorridos dez anos. Isto, para mim, é eugenia, seleção genética, o que supõe, neste caso, que estamos diante de uma medicina que imita os cientistas nazistas. Entretanto, se não houvesse procura por este recurso, não haveria a profusão de clínicas e médicos ofertando este “serviço”…  O lucro é astronômico.

A propósito, sendo portadora de uma doença auto-imune denominada “Endometriose”, em grau moderado – que compromete em vários aspectos a gravidez (estou com 48 anos), não me submeteria ao processo de fertilização in-vitro. Esta convicção foi reforçada pela visão idêntica que eu e meu marido temos sobre o assunto. Além disso, ainda que não fosse católica, seria contra o recurso da fertilização in-vitro. Explico no parágrafo seguinte o que penso, sob outro ângulo.

Considero absurda a frieza com que casais, médicos e cientistas deixam de lado certos embriões, que congelados, ficam à disposição para “uso” em uma próxima gestação – até o limite de cinco anos… Se passarem da “validade” (por favor, desculpem a expressão, mas não se trata de outra coisa!) podem ser manipulados para obtenção de células-tronco. Certamente, outras pesquisas fazem parte deste filão… O “lobby” dos laboratórios saiu vitorioso da batalha, já que os congressistas brasileiros, há dois ou três anos ignoraram o que mundo inteiro já havia comprovado: os embriões “perdem” para o cordão umbilical… Ou seja, as células do cordão umbilical são mais eficazes em termos de possíveis curas de certas doenças. Cada cordão umbilical dispõe de milhares de células-tronco adultas, enquanto são necessários milhares de embriões congelados, os chamados “não-aptos”, ou, que Deus me perdoe por falar assim: “inúteis”…. Chegamos a um ponto tal de desumanização que vale lembrar o que afirmou à época certa congressista brasileira, militante pró-escolha (isto é, do aborto, em nome da “liberdade” da mulher sobre seu corpo): eles – os embriões congelados “vencidos” – “vão para o lixo”…

A Igreja Católica, de acordo com o que estabelece o Direito Canônico, entende que a vida tem início na concepção, e, por esta razão não admite o método. Dentro da história do catolicismo, há cerca de 150 anos foi estabelecido o dogma da Imaculada Conceição de Maria, mãe de Jesus Cristo. A proposição como “canon” vinha sendo estudada, aproximadamente, nos três séculos anteriores à instituição do dogma. Neste, a alma da Virgem Maria foi protegida do pecado original, desde sua concepção. Portanto, a afirmação de que há vida (alma) desde a concepção é religiosa, mas contém em si um outro aspecto: o moral. No caso, é moral porque, se sou cristã, creio que ao receber já na concepção uma alma, doada pelo Criador, não tenho direito de extirpar a vida que foi gerada dentro de meu ventre, pelo simples fato de que Deus a este ser, em embrião, também doou uma alma.

Quanto ao alegado direito da mulher de dispor livremente sobre seu corpo (segundo o ponto de vista do ativismo “pró-escolha”), não decorre disto a  extinção do direito do feto-bebê. Afinal, ainda que na forma de um embrião, é uma pessoa desde o momento da concepção. Não lhe é possível manifestar a plena potência de sua humanidade, por estar ligado fisicamente à mãe, mas todos sabemos que o bebê  prematuro (que foi retirado antes dos nove meses do ventre de sua mãe), na quase totalidade dos casos completa seu desenvolvimento com sucesso em uma incubadora. Há registros em que tanto a mãe quanto o bebê correm risco de vida, o que torna obrigatória a realização de uma cesárea, possível a partir dos cinco meses de gestação. Neste estágio o feto já dispõe organicamente de todas as funções básicas. O desenvolvimento restante do feto (que até há pouco era totalmente dependente do organismo da mãe), vai ser completado na incubadora. Aos nove meses os pais, agradecidos e felizes levam a criança para casa, para registrarem em cartório o nome escolhido (caso fosse, uma menina ou um menino), desde o período em que era somente um embrião

………………………………………………………………………………………………………..

FONTE: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/280109/capa.html

“Ciência e saúde

Acervo Digital VEJA

A acirrada polêmica sobre a legalização do aborto no país e no exterior

28 de janeiro de 2009

Em sua reportagem de capa desta semana, VEJA revela que cada vez mais médicos brasileiros optam por ajudar suas pacientes decididas a interromper uma gravidez indesejada. (….)”

Observação: ver também sobre o assunto… Como não está sendo possível linkar, sugiro a vocês o “copiar/colar”, para ir à página da matéria acima –  veja.abril.com.br/noticia/ciencia-saude/acirrada-polemica-legalizacao-aborto-pais-exterior-417848.shtml

……………………………………………………………………………………………………

FONTE: http://biodireitomedicina.wordpress.com/2008/11/22/impossibilidade-de-legalizacao-do-aborto-no-brasil-desde-sua-proibicao-constitucional-de-ir-a-deliberacao-pelo-poder-legislativo/

Impossibilidade de legalização do aborto no Brasil desde sua proibição constitucional de ir à deliberação pelo Poder Legislativo

Este artigo foi escrito para o Livro Relatório Azul da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, em novembro de 2007, solicitado por Ofício em outubro de 2007 pelo Dep. Marquinhos Lang, Presidente desta Comissão. Tanto quanto possível, ele foi escrito com o objetivo de ser acessível ao maior número de pessoas e tinha sua extensão delimitada em número de caracteres.

A reprodução deste artigo está vedada por razões que não dependem de nossa vontade.

Seu endereço para localização, leitura ou citação dentro deste site é:

http://biodireitomedicina.wordpress.com/2008/11/22/impossibilidade-de-legalizacao-do-aborto-no-brasil-desde-sua-proibicao-constitucional-de-ir-a-deliberacao-pelo-poder-legislativo/

Dr. Celso Galli Coimbra
Advogado,
OABRS 11352

www.biodireito-medicina.com.br
c.galli@terra.com.br
cgcoimbra@gmail.com

………………………………………………………………………………………………………..

VÍDEOS PRÓ-VIDA; ANTI-ABORTO: O AMOR É UMA ESCOLHA…

O vídeo abaixo, e ao lado, no Blogroll, entre os inúmeros que podemos encontrar no Youtube, apresenta sua posição Pró-vida de maneira suave e inspirada. Foi realizado por um grupo denominado “Catholic Home School”, cujo endereço é http://www.youtube.com/user/catholichomeschool. Tem o seguinte título: “Pro-life Anti-Abortion Video: Development of the Unborn Baby” (“Vídeo Pró-Vida; Anti-Aborto: Desenvolvimento de um Bebê por Nascer”): http://www.youtube.com/watch?v=O2l1-kvKomg

Um outro vídeo (ao lado no Blogroll), que considerei muito elucidativo, é apresentado por um religioso católico – Fr. Frank Pavone, diretor de uma organização norte-americana Pró-Vida, com extensão internacional – “Priests for Life” (Sacerdotes pela Vida). Se intitula This is a Suction Abortion” (“Este é um Aborto por Sucção”). Apresentado em inglês, em resumo, o padre Frank Pavone nos informa que este é o método mais amplamento adotato na atualidade para o aborto de uma criança. Como se utiliza de um modelo médico e de dois instrumentos cirúrgicos utilizados no processo, é possível compreender com facilidade o que a “Ciência Médica Abortiva” (são minhas as palavras) engendra para evitar processos pela morte de mulheres durante ou após o aborto. Pelo método anterior, médicas e médicas, no mundo inteiro, sem hesitação, lançavam mão de uma centrífuga acoplado a um instrumento cirúrgico…

This is a Suction Abortion” (“Este é um Aborto por Sucção” – http://www.youtube.com/watch?v=QBOAPleF1t0&NR=1

Também há um diagrama médico que completa a informação sobre este procedimento:  http://www.priestsforlife.org/resources/medical/de.jpg

Peçamos a Deus, em nome da morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo que não leve em conta a iniqüidade dos que perpetram este tipo de genocídio infantil, tão somente por enriquecimento, e ilumine o nosso entendimento para que suportemos a realidade de que vivemos em um tempo no qual prolifera a morte de inocentes bebês. Amém.

Jesus Cristo foi lacônico: “Àquele que fizer mal a um de meus pequenos, digo-lhe: seria melhor que amarrasse uma pedra ao pescoço e se atirasse ao mar”. No entanto, penso que, em raras circunstâncias, havendo arrependimento e contrição, Deus, por Cristo, inocente, crucificado, terá misericórdia da mulher, que a cada dia chora e sofre pelo seu ato.

No dia 8 de março último, houve passeatas nos grandes centros pelo “Dia da Mulher”, com foco na legalização do aborto. A meu ver, as ativistas e simpatizantes “pró-escolha” na verdade defendem seus postos de trabalho em organizações não-governamentais… Além disso, a afirmação da “liberdade” do corpo da mulher não é válida porque não considera do mesmo modo a liberdade da criança, que deve ter o direito de se desenvolver no útero, e de nascer, tal como no passado aconteceu com cada uma das ativistas e simpatizantes, e com a humanidade inteira. Pobreza? Na verdade, há um “lobby cultural” de consumo e, por conseqüência, de recusa de uma vida simples… As crianças, de um modo geral, estão sofrendo a cada dia mais, e de maneiras diferentes, com toda esta estupidez humana.

LA CRUZ

CALVÁRIO
CALVÁRIO

La Cruz

(Santa Teresa de Jesús)

En la cruz esta la vida
Y el consuelo,
Y ella sola es el camino
Para el cielo.

En la cruz esta el Señor
De cielo y tierra
Y el gozar de mucha paz,
Aunque haya guerra,
Todos los males destierra
En este suelo,
Y ella sola es el camino
Para el cielo.

De la cruz dice la Esposa
A su Querido
Que es una palma preciosa
Donde ha subido,
Y su fruto le ha sabido
A Dios del cielo,
Y ella sola es el camino
Para el cielo.

Es una oliva preciosa
La santa cruz,
Que con su aceite nos unta
Y nos da luz.
Toma, alma mía, la cruz
Con gran consuelo,
Y ella sola es el camino
Para el cielo.

Es la cruz el árbol verde
Y deseado
De la Esposa que a su sombra
Se ha sentado
Para gozar de su Amado,
El Rey del cielo,
Y ella sola es el camino
Para el cielo.

El alma que a Dios está
Toda rendida,
Y muy de veras del mundo
Desasida
La cruz le es árbol de vida
Y de consuelo,
Y un camino deleitoso
Para el cielo.

Después que se puso en cruz
El Salvador,
En la cruz esta la gloria
Y el honor,
Y en el padecer dolor
Vida y consuelo,
Y el camino mas seguro
Para el cielo.

****

Poesias tomadas do livro “Santa Teresa de Jesús, Obras Completas”. BAC, Madrid, 1986. Fonte: http://www.corazones.org/santos/teresa_avila.htm#La%20Cruz

Calvário (Josefa de Óbidos – 1630-1684)
Pintura sobre madeira – Santa Casa da Misericórdia
Peniche, Portugal.
Fonte: http://www1.ci.uc.pt/artes/6spp


Fantasias de um povo que apenas sobrevive, ou vive de fantasias…

Espero que sejam definitivos os links de acesso às principais obras de Santa Teresa de Jesus. Um deles menciono no post anterior, e outro, igualmente encantador, se chama “Carmelo Online“. Estão no “Blogroll” do “Castelo Interior” as três obras principais, publicadas por este outro blog de Carmelitas Descalças – “Castelo Interior – Moradas“, “Caminho de Perfeição” e “Livro da Vida“. Foi “misterioso” o modo como os encontrei, principalmente em meio a esta Babel chamada Internet…

Retirei os endereços anteriores devido aos apelos comerciais que se revelaram incômodos. Desde as duas últimas publicações, um deles apresentou deficit de desempenho e o outro passou a mostrar apelos comerciais impróprios. O último trazia a ferramenta “ad sense” com links, por exemplo, para quatro vídeos “promocionais” com modelo transexual (este site não permite conteúdo sexual; não conferi, mas por certo foram publicados para atrair curiosos); em outro, violência entre um casal para ficar com um carro último tipo (patético e grotesco!), ou então, publicidade para perder a “barriguinha” – casualmente não tenho que pensar nisto, mas o foco na cintura de uma modelo, ainda que vista uma calça jeans, destoa totalmente do objetivo a que nos propomos no blogue “Castelo Interior”. A publicidade na internet, em sua maior parte, chega à beira do rídiculo… Que os colegas publicitários me desculpem, mas “apelar” no carnaval é desespero de causa…

A propósito, as exclusões de links não tem nada a ver com as festas do período carnavalesco. Eu e meu marido não acompanhamos a festa, nem na tevê. Pelo contrário, me sinto incomodada. Fui a dois bailes de carnaval, antes de casar, e não houve um terceiro… Como jornalista, fui obrigada a fazer a cobertura de seis bailes de carnaval durante uma única madrugada. Me senti tal qual a Cinderela (só que ao contrário…), já que fui apanhada pelo motorista em nosso apartamento à meia-noite – sim, isto mesmo! Ele, cumprindo a pauta já trazia o repórter-fotográfico (acompanhado de sua namorada). De lá seguimos para o trabalho, enquanto meu marido dormia profundamente. Na verdade, todos achamos aquilo insuportável. Fazer o quê?

Então, lá se foi mais um carnaval, graças a Deus… Escrevo minúscula assim para não dar destaque à data. Afinal, pouco ou nada traz de positivo para a vida de nosso País. Se durante o ano inteiro vivemos imersos na realidade da corrupção, a sensação de atraso aumenta quando, por todos os meios, a euforia carnavalesca é incentivada…

Corro o risco de ser considerada rançosa, mas o carnaval, para mim, é uma festa popular quase anacrônica e irrealista. Explico: o tempo da leveza já passou, infelizmente. Além disso, os gastos com todo o mega-aparato para composição do desfile das escolas de samba é, no mínimo, escandaloso. Tanto o luxo como a complexidade de carros e adereços exigem altíssimas somas de dinheiro. Enquanto isto, a realidade brasileira é mostra de que cada vez mais o peso do dinheiro acaba justificando tudo, inclusive o fato de que se tornou um negócio…

Assim, o que fica evidente, ano após ano, é o aumento crescente de crimes associados ao consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas no período de carnaval. Para piorar, é assustador o número de vítimas por acidentes de trânsito, já que quem não participa da”folia” está sujeito ao perigo representado por quem bebeu, noite após noite. Mesmo com todas as insistentes campanhas – dirigem, e durante o dia vão para as avenidas e rodovias. Portanto, que ninguém se sinta seguro, mesmo na quarta feira de cinzas…

Nosso País há muito não pensa mais em prioridades. Vivemos o dia. Vale a questão: o que resta às futuras gerações? Terão motivação para festejar o que quer que seja em carnavais futuros? Ou, para lamento geral, teremos apenas grupos de jovens totalmente consumidos pelo “espírito” de catarse? Andarão em bandos, alcoolizados, drogados, ou em menor número, assustados pela violência repentina?

Que os jovens ouçam a voz da consciência, isto é, não desfaçam dos “apelos” suaves do Espírito Santo. Afinal, Jesus, para nos confortar, disse que O enviaria para que nos guardasse de todos os perigos – tanto do corpo quanto da alma. Isto também vale para nós pais, tios e tias, avós, amigos e amigas destas crianças e jovens. Estão, infelizmente, mais expostos a todo tipo de perversidades, ou seja, a um mundo que já não conhece limites… Precisamos todos nos voltarmos para o Insondável – o Criador, que é Pai, e seu Filho, Jesus Cristo, o Ressuscitado, e não somente para o que é efêmero. A finitude já não é algo para ser pensado a partir dos primeiros sinais de envelhecimento. Ela chega em nosso tempo de modo repentino. Que Deus nos dê, a cada dia, maior discernimento… Amém.

As obras principais de Santa Teresa de Jesus e o mundo atual

Em buscas na Internet tive a oportunidade de constatar um dado importante: além dos principais escritos de Santa Teresa de Jesus (Ávila), há uma grande variedade de livros publicados sobre sua vida, bem como, sobre seu legado espiritual nos principais idiomas do mundo ocidental, e, melhor,  com igual destaque ao que foi produzido pelos doutores e santos da fé católica.

Santa Teresa de Jesus, monja carmelita, com agudeza transmitiu ao mundo sua visão sobre a vida que se passa no mundo e suas implicações em nossa vida espiritual. Afinal, o que a preocupa são os perigos nada evidentes aos quais está exposta a alma humana. Escreve com profundidade sobre os dilemas que enfrentamos em nossas vidas, quer sejamos leigos ou consagrados. Sua linguagem absorve leitores há mais de quatro séculos, e isto é impressionante, já que a marca do último século e deste que inicia é a correria, em geral, sem uma boa razão de ser…

O século XXI está impondo a todos nós a superficialidade como modo de vida. Há a cultura da pressa e da profusão de informações (sem reflexão), o que exige maior esforço para nos concentrarmos no que consideramos essencial para uma vida plena, na medida do possível. Observo o quanto fica cada vez mais difícil mantermos o foco sobre o que “desesperadamente” queremos aprofundar, compreender, ou seja, viver sem deixar de lado nossa vida interior. Contudo, ela, a Santa apaixonada por Jesus Cristo nos alenta: podemos alcançar ao longo de nossa existência, em escala crescente, ainda que com tropeços e recuos, o que ela denomina “Caminho de Perfeição”.

Sabemos, entretanto, que esta busca deve ser feita com naturalidade, ou seja, não há lugar para a pressa. Sigamos, então, sempre em frente neste caminho, indicado com delicadas e sutis obervações, por Santa Teresa de Jesus – mestra de espiritualidade.  (LBN)

 

Natal, o que é isto?

A todos visitantes gostaria de dizer o quanto me sinto bem por voltar a “conversar” virtualmente com vocês. Após este intervalo um tanto longo para mim, me recupero de duas manifestações de dor de cabeça intensa, do tipo “aparece, desaparece e volta”, por dias…. Atrapalhou bastante, mas graças a Deus, medicada, o quadro está passando. Por conta de alguns eventos estressantes, inevitáveis, somente tive condições de acessar o blog. A cefaléia se transformou em enxaqueca, que impediu-me de escrever. Vocês já devem ter vivido isto no ambiente de trabalho. Como jornalista, tive esta “traumática” experiência. A dor de cabeça é, em especial, um drama para quem escreve. O motivo é óbvio: exige elaboração mental. Para não perder o emprego a gente comprova, “a fórceps”, que podemos fazer quase o impossível…

Então, após este intervalo forçado convém lembrar que a proposta do blog “Castelo Interior” não é falar de qualquer assunto, e sim, de alguns que se interconectam, ainda que isto não seja evidente, na maior parte dos acontecimentos que se dão no mundo e em nossas vidas.

Posso lhes afirmar, e continuo depois: o melhor de nossas vidas se dá quando conseguimos sair do “rés do chão” da vida agitada atual, e vislumbramos aqui e ali a transcendência contida em eventos que, aparentemente são comuns, normais. Deus nos livre dessa prisão do mundo, profana porque humana. Não há juízo de valor aqui: é nossa natureza vivermos de acordo com os sentidos de nossos corpos como leigos, mas isto não exclui a busca por transcendência. Entendo que a sugestão de São Paulo (Carta aos Coríntios) para que os discípulos se dedicassem exclusivamente à vida consagrada, e por conseqüência se mantivessem celibatários, faz com que, homens e mulheres consagrados lembrem ao mundo profano que este é passageiro…

Sempre vivi como leiga o caráter transcendente de minha existência. Por esta razão, pela excelência da tarefa, acredito que as pessoas que se consagram ao serviço religioso devem ocupar com firmeza sua posição, ou seja, devem ter orgulho de sua opção. Ainda que não pareça, a vida espiritual de milhares e milhões de cristãos pode ficar à deriva, ou ao contrário, ganhar em aprofundamento. A propósito, conforme consta na biografia de São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja (chamavam-no “Doutor Angélico”), pouco antes de se dirigir aos alunos do seminário, entrava para o oratório e fechava porta. Lá dentro, segundo testemunhos, se ouvia o seu pranto convulso, em meio à oração. Pedia que Deus o guiasse no ensino de Teologia e Filosofia. Sentia-se esmagado pelo peso da responsabilidade, já que era formador das almas de futuros pregadores. Lembremos que estamos falando de um gênio, reconhecido como tal até nossos dias. É estudado nas universidades não-confessionais.

Tive o desafio e privilégio de ler sua obra “Tratado da Lei”, que no Brasil ainda não foi traduzido do espanhol para o português. É um dos autores requisitados nas universidades federais para os concorrentes que disputam uma vaga no mestrado em Filosofia Política. Fui reprovada na entrevista, quando da apresentação de meu projeto de pesquisa, já aprovado. Me faltou desenvoltura filosófica. Simples assim. Reconheci minha limitação (enfim, inadequação) para explanar temas filosóficos, em seus vários desdobramentos. Da experiência, ficou meu encanto pelos ensinamentos “hiper-lógicos” de São Tomás de Aquino sobre o amor de Deus pelas suas criaturas…

Visão superficial e Espiritualidade

Desse modo, a internet, e por excelência, nas redes de televisão voltadas à espiritualidade cristã, em especial, a católica, há praticamente toda uma visão de mundo a ser aprofundado – o da fé, no sentido das conexões. Midiaticamente falando, o mundo do lucro é ávido pela “exploração”, e de qualquer coisa… Nós, leigos, que fomos (no mínimo) batizados na Igreja Católica, precisamos de aprofundamento. Assim, nos meios de comunicação e fora deles, necessitamos da ousadia dos consagrados e consagradas; ou seja, que nos façam avançar nas questões da Fé. Por certo, deixaremos de lado o que denominam fé infantil… Entendo nesse sentido que, ao buscarmos compreender com o nosso coração e com a nossa mente o profundo significado das pregações, das palavras de Jesus Cristo, estaremos, de fato, cumprindo a vontade Dele. Queria que fôssemos como as crianças, ou seja, elas, naturalmente, são descomplicadas e confiantes. Creio que no Reino de Deus não há lugar para almas presunçosas, portanto, razão e piedade (o “coração” das coisas), de acordo com o legado das Escrituras Sagradas, devem conduzir nossa existência.

CRISTIANISMO…

Fonte: Imagem Wikimedia Commons

506px-the_visit_of_the_wise-menTenho visto decorações natalinas nas avenidas e ruas compostas unicamente de estrelas em neon, que formam pequenas “constelações”, além de “papais-noéis(?)” enormes, de plástico injetado, dourados e coloridos, bem como as caixas que lembram presentes. Em suma: Jesus Cristo não foi convidado para a Sua própria festa… Correção: no dia 25, como de regra, estão “programadas” várias Missas de Natal. Não adianta: a Missa é acessória, talvez, infelizmente, para a maioria.

Para mim, é um escândalo esta euforia no período de Natal: há décadas estão em duelo a visão religiosa e a comercial, mas o comércio da data está levando vantagem… É desconcertante ver por mais 10 dias ou mais, de pontos em pontos, o “bom velhinho”, etc. como o “salvador”… É quase uma profanação. Ou quem sabe estou equivocada: o paganismo já dominou o mundo, e não quero aceitar esta realidade, por ser, nesse sentido, ingênua, até mesmo pia? Que Deus nos perdoe por tanta superficialidade, materialismo e indiferença diante do que nunca deixará de ser Sagrado. Ele não voltará de helicóptero… Vai “estragar” a festa… Jesus Cristo veio a este mundo pérfido na forma de uma criança, ficou adulto, morreu e ressuscitou. “(…) Tudo passa”, tal como Santa Teresa de Jesus afirma em uma de suas poesias, uma oração confortadora. Rogai por nós. Amém.

A fragilidade dos nossos corpos e a Fé

Em outro post mencionei que oscilava entre a oração (precária, a meu ver) e a provação. Neste âmbito de minha espiritualidade – a oração – estou aprendendo a aprofundá-la com Santa Teresa de Jesus (de Ávila). Faço questão de revelar-lhes que não sou do tipo “murmurador”, ou seja, fico quieta diante de incômodos (não de injustiças; tenho que ser mais moderada…). Ou seja, se trata daquelas expressões que saem quando nos queixamos de algo, sem pensar muito: “que coisa…”, “não podia imaginar…”, entre outras que vão até o nível da baixaria, o que é, aliás, é um costume muito antigo ao longo da História da Humanidade… Acho que não devemos (eu tento me corrigir, sempre que me dou conta) dizer: “Meu Deus!”, ou “Jesus”, Nossa Senhora”. Este, não é um hábito corrente somente de nossa cultura. É impressionante ouvirmos nos filmes de Hollywood falas em que assassinos, ladrões, espertalhões, etc., se queixam, se espantam, enfim – murmuram tais expressões – com o diferencial, que são proferidas nos roteiros, com descarada naturalidade, só que em versão inglesa… Outros povos tem coleções dessas impropriedades. O Brasil não é diferente. A propósito, sem “murmurações” de nossa parte, nos envolvemos em um acidente com nosso automóvel. Eu e meu marido e os dois ocupantes do furgão saímos ilesos de tudo. Foi a primeira vez que passamos por isto em nossas vidas. Talvez o choque evite, em alguns, maiores arroubos, não sei…). Sei que andei rezando pela rua logo após estacionarmos nosso carro, que em nada no motor foi afetado. Não vínhamos em velocidade alta, mas a necessidade de passar, sem demora, para a pista paralela, que descia, em curva da rodovia,  foi fator decisivo para o que ocorreu. Sim, tudo aconteceu no dia de ontem, quinta-feira, e por esta razão, precisei caminhar (além da palidez natural e as pernas um tanto bambas, levei bem tudo que se seguiu). Havíamos escapado de um acidente que poderia ter sido fatal (pelos comentários) ou causar nos dois ferimentos… No entanto, Graças a Deus, como afirmei antes, estacionamos o carro na universidade, sem o vidro do motorista, a lataria com um traço sobre a pintura, que mostrou sua força ao arrancar o visor lateral dele, e o metal e borracha que envolve a janela. Deu para fechar a porta e ir até a reunião, ontem às 16h.

Estávamos adiantados, já que eram 14h e pouco. Eu desceria no centro da cidade, após viajarmos cerca de uma hora para a cidade vizinha, e meu esposo rumaria para a universidade que leciona. Danos materiais – foi somente isto que tivemos! Eu havia dito ao entrarmos na rodovia, em obras, com vários desvios: “que os Anjos de Deus nos protejam”, assim, literalmente… Em um primeiro momento, depois do acidente, meu marido queria voltar para a cidade que residimos e não ir à reunião, ainda que bastante importante, mas o convenci que o “pior” naquela situação já havia acontecido, afinal, sobrevivemos ilesos! Ele me ouviu. Estacionou no pátio da universidade, peguei minhas coisas (ele ainda perguntou se eu estava em condições de caminhar, e eu disse que sim). Nos abraçamos e beijamos, e seguimos adiante. Na rua, atravessei com o máximo cuidado, por me sentir com as pernas meio fracas. Sabia que era meu sistema nervoso abalado. Mas como nada sofremos, caminhei em frente, e fui recitando uma oração após outra, discretamente, já que pessoas cruzavam por mim, vez ou outra. Agradeci por todos nós, rezando, de início, o Creio, seguido do Pai-Nosso, da Ave-Maria, do Santo Anjo do Senhor, do Glória ao Pai; em alguns momentos observei a paisagem, meditei o acontecido, pensei em nossas famílias, em meu esposo, e repeti cada oração várias vezes até chegar ao destino que havia me proposto. Depois de tudo fui à Igreja Matriz e lá me ajoelhei (bastante cansada devido à escadaria), e agradeci novamente em oração e pedi que, afora o prejuízo e outras adversidades, nosso Criador, Seu Filho Jesus Cristo e Nossa Senhora nos fortalecessem nesta fase difícil. Saí de lá, após uma ligação de meu marido, pensando mentalmente no Salmo 23: “O Senhor é meu Pastor; nada me faltará. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, nenhum mal temerei porque Tu, Senhor, estás comigo (…)”. Amém.

Estamos bem, apesar do que aconteceu. Somos seres racionais, portanto tudo deve ser decidido no “nosso” tempo (sem atropelos) e segundo a vontade de Deus para nossas vidas, que acredito nos guiará a cada passo. É assim que penso. Perigos… Santa Teresa de Ávila quase foi “indicada” para os mentores da Inquisição. Um tempo de trevas, só que na atualidade a velocidade, a competição correm contra nós, contra o nosso espírito, quase o sufocam… De qualquer modo, imagino que Santa Teresa de Jesus rogou por nós naquele momento, pelo que me sinto honrada e agradecida. Acredito que os Santos e Santas que viveram antes de nós são nossos intercessores “privilegiados” junto à Corte Celestial, conforme meu avô materno certa vez fez referência. Ele falava somente o suficiente. Eu o admirava por isto, e o amava muito.

Não há tempo para acompanhar a seqüência; parece que tudo ocorre em um lapso, e nossa mente, nossa vida, nem sequer parecem estar em perigo. Foi assim que me senti, mesmo depois. Ele estava mais nervoso, mas aos poucos vai lembrando de por que tudo aconteceu. O que importou para nós dois e para a outra parte é ninguém saiu ferido. Disseram que tivemos sorte porque o furgão de tamanho médio portava uma carga pesada, e portanto estava bem abaixo de sua altura normal. Não vale a pena detalhar se não tivesse carga. Teve somente a ponta do pára-choque entortada e o farol traseiro quebrado. Por isto, sem murmurações (como é Sua vontade no Antigo Testamento), lhe damos Glória. De Deus Pai vem o sentido de nossas vidas e a fortaleza que devemos e queremos ter diante da vida. Amém.

Volto a lembrar: amanhã postarei o que Santa Teresa de Ávila (de Jesus) deixou-nos em seus escritos a respeito de “Provas”. Postarei um de seus poemas, que, por certo terá algo a ver com o que partilhei com vocês. Que Deus os proteja e cuide do que se passa em suas mentes e corações. Amém.

Humanos para sempre…

A era da técnica, tão enaltecida pelo mundo dos negócios, tem nos trazido muito desencanto. No meu caso, percebo isto desde que me senti parte do mundo da produção. Que sensação de infelicidade, de excesso, de confusão advém desta realidade que tem nos imposto o mundo que nos cerca, inocentemente chamado de “globalizado”. Minha mente está cansada de tantas informações: soltas, jogadas ao ar pelos meios de comunicação, ou espalhadas, aos milhares, em impressos… Apesar dos homens de negócios propalarem aos quatro ventos a chamada interatividade ou interconectividade, o que está ocorrendo se dá de modo totalmente o contrário. Os negócios vão muito bem; o nosso case é que não estamos interessados nos seus lucros. Eles matam, virtual e literalmente. Lembremos que há redes dando-lhes suporte em seus negócios nefastos.

O VAZIO DA SERVIDÃO CONSENTIDA

A informação, o conhecimento advindo da internet deveria produzir bem-estar aos povos do mundo, e não o seu contrário, uma Babel… Esta, se formos inteligentes, não será uma monstruosidade se cumprir seu dever público de ser útil à coletividade humana, isto é, nos servir. Sim, esta biblioteca mundial, que se alimenta da produção de saber humano (medicina, engenharia, biologia, filosofia, comunicação, etc.) produzida ao longo dos séculos da civilização, necessita ser “agarrada” por todos, para que beneficie, de fato, a Humanidade. Por que deixaríamos toda esta bagagem de cultura mundial nas mãos de negociantes? Por analogia, seria a mesma coisa que deixar uma turma de “fazedores” de filmes pornôs ocuparem o seu interior de uma igreja, por algumas horas, e lá, realizarem certas cenas, a portas fechadas… Espantoso, não? Mas, infelizmente este filme foi produzido. Como sou jornalista, acabo sabendo de um tudo um pouco, ainda que de maneira rápida, superficial. Foi na Itália há cerca de dois anos. Em uma pequena cidade da Itália, um indivíduo assistia a tal “película” e reconheceu que o “cenário” era real, e pela pior razão: se tratava do interior da sua igreja. Como católico, escandalizado, numa admirável demonstração de coragem (deixou a hipocrisia de lado…), chamou a imprensa, e, sobrou para a Cúria, que chamou o padre. Este, embaraçado afirmou ter sido enganado, já que ficaria ausente a maior parte do dia, mas não viu problema em liberar a chave da igreja porque viu o casal de noivos. Se o padre falou a verdade, faz sentido ele ter afirmado que se ausentaria por algumas horas. Não creio que tivesse interesse em ficar assistindo a pretensa gravação do casamento. A partir disso, a produção e a direção trataram de aproveitar bem o tempo. Uma entrada, desde a escadaria da igreja até o altar leva, no máximo, uns 15 minutos. Descontando que refizeram umas dez vezes a entrada, obviamente para não dar na vista, calculo um total que giraria em torno de três horas de “filmagem”. O que fizeram depois das portas fechadas pode ter sido bem mais rápido (sem repetições), o que não estranheza. Afinal, filmes com cenas de casamento se limitam à chegada da noiva, com corte para a sua chegada ao altar. Portanto, considerei plausível o argumento do padre italiano. O resultado desconcertante é que a igreja foi denominada como profanada (e, a meu ver, ela o foi, já que tudo que se passou lá dentro não é admissível de maneira alguma ). Houve um estranhíssimo desrespeito à crença, o que denota que a cultura judaico-cristã está sofrendo muitos ataques. Nem precisa ser beato para considerar este evento uma blasfêmia, não? Na notícia, seria esvaziada e novamente consagrada, e além disso, tudo dentro dela seria trocado, para ser certamente também consagrado. Este relato (real) revela que não certos limites estão sendo ultrapassados de um modo não usual. Temos aqui a técnica de filmagem e o set todo a serviço do lucro. Nem se trata mais de non sense (isto é do tempo do Fellini…), e sim de ganância, que a fórceps busca conspurcar valores universais, em vista da liberdade de ganhar dinheiro com qualquer coisa, de qualquer modo.

MENTES CONSPURCADAS OU PROFANADAS?

Voltemos ao abuso da técnica, do uso exacerbado de tecnologias que nos desumanizam. Entendo que até há 20 e poucos anos anos (sem ingenuidade, obviamente) comunicar algo era libertar as pessoas de certos entraves (por falta de informações) que limitavam o potencial de suas mentes, de suas vidas. Bons tempos.

Não sou contra o desenvolvimento de instrumentos, de recursos que possibilitem uma melhor qualidade de vida para nós próprios, e sem dúvida, para a humanidade. Mas, inexoravelmente, as coisas caminham há, pelo menos, três séculos para o caos. Não aquele caos dos pessimistas, e sim, o caos do excesso. A natureza humana  não poderia suportar este turbilhão de invenções, úteis e inúteis; e, tanto faz, já que não somos computadores ambulantes. Podemos cruzar dados, até o ponto de criá-los para que façam isto por nós. No entanto, nossa natureza não comporta mais esta profusão de conhecimentos, e que, na maior parte das vezes, não está produzindo saber, sabedoria de viver…

Temos que pensar (ou repensar) se queremos esta inteligência artificial nos espreitando, vampirizando nossas vidas. Quem, afinal, tem o direito de nos nos tornar como que zumbis (como no cinema e na literatura, que são ficção)? Nestes, seus corpos irrompem na madrugada, e agem como mortos-vivos. Afora, por exemplo, uma leitura noturna ou um saída com amigos à noite em um bar ou jantar em suas casas, vivemos para o dia- nele nos saudamos, sorrimos, rimos, nos estressamos, e portanto, sentimos dores. Tudo porque simplesmente estamos vivos! Faz parte de nossa humanidade sermos assim, até com perdas de controle emocional, de vez em quando, claro… Afinal é nossa sanidade que está em jogo e também a sanidade daqueles que estimamos, e por aí vai).

Assim, se perde no tempo a perda de um sem número de “sensibilidades”: poéticas, estéticas, literárias, do simples bem-viver, que inclui, inclusive, uma boa refeição e o prazer que nossos sentidos experimentam ao saboreá-la… Ou então, a audição de uma música – em que o som dos instrumentos falam conosco (como isto pode sr possível?), ou sua melodia e letra, criativamente interpretada pela voz humana. A música se vale de um princípio técnico para ser repetida com exatidão, que são as partituras, mas é a intenção do autor que a torna viva. A música, ainda que executada de maneira técnica, nos comunica sentimentos e sensações, visões de mundo. Saímos, em nosso cotidiano, da limitação de “fazer” algo, ou muitas coisas. Nesse sentido o uso de uma técnica, ou a fruição do seu resultado, como a música, a pintura, entre outras extensões de nossa humanidade, pode representar algo maravilhoso em nossas vidas, que jamais podemos dispensar, já que compartilha do mirandum que acompanha nossa caminhada pelo mundo. Até nos esquecemos da morte… Ou, pelo contrário nos faz mergulhar em abismos inauditos, mas necessários.

NÃO SÃO NOSSOS OS OLHOS QUE INVENTAM MUNDOS ALEATÓRIOS…

A título de sugestão, ouçam, já que há pouco tive acesso a uma gravação em MP3  de uma composição do grupo Supertramp (dos anos 80), que é, na minha avaliação, uma obra-prima de nosso tempo. Falo de “Fool’s Overture” (Supertramp). Me fascina essa peça musical, que tem um caráter épico; enfim, é uma ópera contemporânea. Por certo vocês sentirão ao ouvi-la uma dramaticidade que impressiona, que em seus altos e baixos, revela a intensidade que há em nossas vidas, queiramos ou não… Será quase uma uma experiência “religiosa”. Não há lugar para sentimentos neutros. Atentem para o momento em que uma gravação antiga, em que uma voz masculina menciona com gravidade “(…)Pandora’s witches”. Em um primeiro momento, acreditei ter ouvido “box” e, assim registrei no post. Isto, porque culturalmente conhecemos a expressão “Caixa de Pandora”. Então, como gosto demais desta música, ouvi-a novamente, desta vez com mais atenção, e ouvi(?) o locutor dizer, em um inglês britânico – “witches”. Na letra não consta esta fala, o que me inclina (pelo contexto desta “Overture”) a pensar que é plausível a referência a bruxas. Afinal, da “Caixa de Pandora”, quando aberta, saem para o mundo todas as loucuras, mesmo as inimagináveis…

Para aliviar um pouco, confiram na Wikipédia que “Overture” se trata de peça musical de grande expressão. Bach compôs neste estilo, no entanto há uma relação de outras produções que foram denominadas historicamente desse modo, que se estende ao final do século XX. A propósito, especificamente, no caso de “Fool’s Overture” (e outras peças musicais de sonoridade sofisticada) fica evidente que fomos esmagados por uma massificação, que nos toldou a criatividade, inclusive a musical. Quem atualmente joga com tais dados da cultura humana? Passou. Ficou para trás.. Vale a pena detalhar, até mesmo para valorizar esta magnífica obra da mente humana. A genialidade do grupo se mostra no fato de inserir a gravação antiga de uma fala de peça teatral. Como resultado, em seu conjunto, a composição chega a ser assustadora.

Estes recortes, que são dados culturais (alguns já  centenários) estão se perdendo pela tecnificação do nosso atual modo de vida. Antes que a “Caixa de Pandora” se abra totalmente, vale a pena mergulhar no sentido que esta produção musical  traz como desafio à compreensão de nossas vidas. Não somos robôs, mas a Ciência não descansará enquanto não nos conformarmos ao “modelito” científico de ver e viver a Vida.

Assim, fiquem atentos aos acontecimentos musicais contidos em “Fool’s Overture” (por exemplo, a percussão primorosa). É verdade: há muito estudo de notas, tons, portanto, muita técnica. Mas, em meio à melodia, no vácuo da interpretação do vocalista e de um coro eventual, nossas emoções serão envolvidas por corais religiosos, ventos avassaladores, sinos que badalam ao fundo, e, entre outros arranjos, o Big Ben anunciará a hora…

De abismos, ou quase…

Depois de alguns reparos no post de apresentação, após oito meses de muitos desertos e alguns oásis, sinto-me melhor, como pessoa, porque não desisti, e assim seguirei, na Graça d’Ele, que é Eterno.

Aprendi muitas coisas neste período e gostaria de compartilhar com vocês minha visão do rumo que as coisas têm tomado. Sei que me revelo um tanto pia, e às vezes, inquieta…

Paz interior

Uma existência sem sentido… Por qual ou quais razões, exatamente, passou a ser natural a aceitação deste vazio? O quê está em jogo nesta questão é tudo que importa na vida, para qualquer um: a paz, e se possível, a felicidade, ainda que esporádica e descontínua. Nietzsche postulava uma felicidade contínua e permanente. Para tanto, propunha o abandono total da razão que escolhe o bem. Para ele, em contraposição à civilização judaico-cristã, somente seria possível a um ser humano  atingir sua completude, ou seja, ser feliz,  se este se entregasse ao domínio total dos sentidos. Simples: um animal a mais no mundo, movido de igual maneira pelos instintos de sobrevivência e de prazer.

Aqui, a meu ver, entra o tema do livre-arbítrio. Na esteira do que considero um legado nefasto à Humanidade, o discurso nietzschiano é inegavelmente panfletário, ainda que diante de sua reconhecida genialidade. Penso que escreveu sua obra delirante tal como um jornalista, já há seu tempo, da chamada imprensa marrom… É tido entretanto como filósofo, o que se afigura algo contrário ao esforço da Filosofia, que pesa, pondera, sem apologias. Filósofos podem falar a partir de sua crença, e a partir daí, de sua visão de mundo. Jornalistas fazem de modo semelhante seu trabalho. Ambos não admitem a destruição dos ideais da mente e do coração humanos. Já, Nietzsche busca solapar tais anseios, a tal ponto que escreve “O Anticristo”, em 1888. Seu intento não é modesto, nem de modo algum inócuo. Seus livros são ainda bastante estudados na atualidade, já que são republicados há mais de um século e meio. Para ele, somos tão somente máquinas estruturadas por ossos e revestidas de carne… A Ciência segue seus passos, com a mesma obsessiva decisão de difundir o potencial máximo de nossa “não-humanidade”. Vale perguntar: a força brutal da natureza (incluindo aqui a humana) tem algo a ver com a arte, a poesia, ou então, ideais universalmente humanos tais como os do bem, da justiça, do belo, enfim, aqueles que “tocam” o inefável?

Este é um tempo que nos fornece a experiência desagradável de ter um cubo de gelo sob a pele: a um só tempo frieza e liquidez. Algo que não demora o bastante para ser plenamente sentido, ainda que cause mal-estar. No entanto, há cerca de mais um milênio e meio de anos já nos alertava (ou alentava?) Santo Agostinho: “(…) É no interior; é lá que a Verdade mora”.