Hoje a Igreja celebra a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

Entretanto, no século V, o herege Nestório se atreveu a dizer que Maria não era Mãe de Deus, afirmando: “Então Deus tem uma mãe? Pois então não condenemos a mitologia grega, que atribui uma mãe aos deuses”.

Nestório havia caído em um engano devido a sua dificuldade para admitir a unidade da pessoa de Cristo e sua interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes Nele.

Os bispos, por sua parte, reunidos no Concílio de Éfeso (ano 431), afirmaram a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho. Por sua vez, declararam: “A Virgem Maria sim é Mãe de Deus porque seu Filho, Cristo, é Deus”.

Logo, acompanhados pelo povo e levando tochas acesas, fizeram uma grande procissão cantando: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém”.

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São João Paulo II, em novembro de 1996, refletiu sobre as objeções expostas por Nestório para que se compreenda melhor o título “Maria, Mãe de Deus”.

A expressão Theotokos, que literalmente significa ‘aquela que gerou Deus’, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina”, disse o papa.

O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria”, acrescentou.

Do mesmo modo, afirmou que a maternidade da Marianão se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana”. Além disso, “uma mãe não é Mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera”, disse são João Paulo II.

Por fim, é importante recordar que Maria não é só Mãe de Deus, mas também nossa porque assim quis Jesus Cristo na cruz, quando a confiou a São João. Por isso, ao começar o novo ano, peçamos a Maria que nos ajude a ser cada vez mais como seu Filho e iniciemos o ano saudando a Virgem Maria.

Saudação à Mãe de Deus

Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima,
Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo santíssimo Pai celestial,
que vos consagrou por seu santíssimo
e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito!
Em vós residiu e reside toda a plenitude
da graça e todo o bem!
Salve, ó palácio do Senhor! Salve,
ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas, ó santas virtudes
derramadas, pela graça e iluminação
do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis
transformando-os de infiéis
em servos fiéis de Deus.

Publicado em ACI Digital(*).

(*) A Agência Católica de Informação – ACI Digital, faz parte das agências de notícias do Grupo ACI, um dos maiores geradores de conteúdo noticioso católico em cinco idiomas e que, desde junho de 2014, pertence à família EWTN Global Catholic Network, a maior rede de televisão católica do mundo, fundada em 1981 por Madre Angélica, em Irondale, Alabama (EUA), e que atinge mais de 85 milhões de lares em 110 países e 16 territórios.

A Oitava de Natal, uma celebração prolongada do mistério da encarnação

A Igreja convida-nos a prolongar a alegria do Natal, evitando reduzi-la a um único dia. Este é um tempo para deixar que o amor de Deus ilumine as nossas vidas e transforme o nosso cotidiano

Hoje, 25 de dezembro, iniciamos a Oitava de Natal, um período especial na liturgia da Igreja Católica em que celebramos intensamente o mistério do nascimento de Jesus Cristo. Este tempo litúrgico estende a solenidade do Natal ao longo de oito dias, culminando no dia 1 de janeiro com a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

A Oitava de Natal é um convite para aprofundarmos a alegria, a esperança e a paz que o nascimento de Cristo traz ao mundo, permitindo que cada dia seja vivido como um prolongamento do próprio Natal.

O que é a Oitava de Natal?

A palavra “oitava” tem origem no latim octava dies, que significa “o oitavo dia”. Na tradição católica, este termo refere-se ao período em que uma grande solenidade é celebrada de maneira mais intensa durante oito dias consecutivos. O conceito remonta ao Antigo Testamento, onde certas festas, como a Páscoa e a Festa dos Tabernáculos, eram celebradas por oito dias.

Na Igreja, as oitavas foram incorporadas à liturgia para prolongar a alegria de festas solenes. Hoje, apenas duas oitavas permanecem no calendário litúrgico: a Oitava do Natal e a Oitava da Páscoa.

Como viver a Oitava de Natal?

Cada dia da Oitava de Natal é considerado uma extensão do próprio dia 25 de dezembro, com leituras, orações e cânticos litúrgicos que mantêm o foco no mistério da Encarnação. É um período de graça em que somos convidados a meditar mais profundamente sobre o amor de Deus manifestado no nascimento de Jesus.

1. Participação na santa missa
Durante a Oitava, as celebrações eucarísticas mantêm o tom festivo do Natal. Além disso, algumas datas têm uma importância particular:

  • 26 de dezembro: Festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja.
  • 27 de dezembro: Festa de São João Evangelista, o discípulo amado.
  • 28 de dezembro: Festa dos Santos Inocentes, que lembra as crianças martirizadas por Herodes.
  • 1 de janeiro: Solenidade de Maria, Mãe de Deus, dia de prece pela paz mundial.

2. Reflexão e ação de graças
A Oitava de Natal é um tempo propício para agradecer a Deus pelo dom da salvação. Meditar sobre as leituras bíblicas diárias pode ajudar-nos a compreender melhor a profundidade do mistério do Natal.

3. Viver a Caridade
O nascimento de Cristo inspira-nos a viver o amor ao próximo de forma concreta. Ajudar os necessitados, visitar os doentes ou partilhar a alegria do Natal com quem está sozinho são formas práticas de viver este período.

Símbolos e tradições durante a oitava

Os símbolos natalinos mantêm-se vivos durante toda a Oitava. O presépio, a árvore de Natal e as velas recordam a luz de Cristo no mundo. As celebrações também costumam incluir cânticos natalinos, orações especiais e momentos de convivência familiar.

A Igreja convida-nos a prolongar a alegria do Natal, evitando reduzi-la a um único dia. Este é um tempo para deixar que o amor de Deus ilumine as nossas vidas e transforme o nosso cotidiano.

Conclusão

A Oitava de Natal é uma oportunidade única para aprofundar a vivência do mistério do nascimento de Cristo. Não se trata apenas de um prolongamento litúrgico, mas de um convite a levar a luz e a alegria do Natal para cada aspecto da nossa vida. Que este tempo especial nos fortaleça na fé, encha-nos de esperança e inspire-nos a amar como Cristo nos amou. Vivamos a Oitava de Natal com o coração aberto, acolhendo Jesus não apenas na manjedoura, mas em cada dia das nossas vidas.

Publicado em  Via Crucis.