Domingo de Páscoa: “Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia” – Ordem Carmelita Descalça (OCD)

FONTE: Ordem Carmelita dos Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços

Domingo, 12 de Abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA

“Eis o dia que o Senhor fez. Exultemos nele, Aleluia”. É o dia mais alegre do ano porque “o Senhor da vida estava morto; agora vive e triunfa”. Se não tivesse Jesus ressuscitado, vã teria sido sua Encarnação, e sua morte não teria dado vida aos homens. “Se não ressuscitou, é vã a nossa fé”, exclama São Paulo. Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Mas Cristo não é um morto, é um vivo. “Procurais Jesus Nazareno, o crucificado – disse o Anjo às mulheres. Ressuscitou, não está aqui”. O anúncio, a princípio, gerou temor e espanto, tanto que as mulheres fugiram… E nada a ninguém disseram, porque estavam com medo. Mas com elas, talvez precedendo-as de pouco, estava Maria Madalena que apenas vê “a pedra removida do sepulcro” e corre logo a dar notícias a Pedro e João:”Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o colocaram”. Vão os dois a correr e, entrando no túmulo, vêem “os panos no chão e o sudário… dobrado, à parte”; vêem e crêem. É o primeiro ato de fé, em Cristo Ressuscitado, da Igreja nascente, provocado pela solicitude de Madalena e pelo sinal dos panos encontrados no sepulcro vazio. Se se tratasse de roubo, quem se teria preocupado de despir o cadáver e dobrar os linhos com tanto cuidado? Serve-se Deus de coisas simples para iluminar os discípulos que “não haviam ainda compreendido as Escrituras, segundo as quais devia Cristo ressuscitar dos mortos”; nem o que predissera Jesus da própria Ressurreição. Pedro, chefe da Igreja, e João “o discípulo que Jesus amava”, tiveram o mérito de receber os “sinais” do Ressuscitado: a notícia levada por Madalena, o sepulcro vazio, os linhos dobrados. Embora de outra forma, estão agora os “sinais” da Ressurreição presentes no mundo: a fé heróica, a vida evangélica de tanta gente humilde e escondida; a vitalidade da Igreja, que as perseguições externas e lutas internas não conseguem enfraquecer; a Eucaristia, presença viva de Cristo Ressuscitado, que contínua a atrair a si os homens. Cabe a cada um acolher estes sinais, crer como creram os Apóstolos e tornar sempre mais firme a própria fé.

Jesus Cristo vive!

Eu nunca gostei do clichê: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Não mudei de opinião porque, para mim, esta idéia simplifica demais as coisas, banaliza-as. Aliás, combina, em excesso, com a incensada “civilização da imagem”. A propósito, para aumentar a confusão nas almas humanas, temos atualmente, virtualmente, até “oferta” de uma segunda vida…Mas, aos devidamente avisados, tais vidas virtuais são propostas vãs no fluir de uma vida verdadeira, integral. Por outro lado, temos que reconhecer que o bom uso da tecnologia acrescenta qualidade às nossas vidas. Assim, imagens em  sequência , transmitem uma ou várias ideias, desde que concatenadas. Imagens paradoxais, mostradas em conjunto também “falam”, dialogam com quem as vê.

Apresento a vocês uma composição visual que, aliás, produzi “entre tentativa e erro” ao manipular algumas imagens e fazê-las representar uma cruz. Posso dizer que, pelo resultado final, senti muita satisfação interior. Parece ser óbvio o motivo: fala em essência da Cristandade.  Em seu conjunto, concluímos que estamos diante da obra maravilhosa de Jesus, após sua vinda em carne a este mundo, através do “sim” corajoso e total de nossa Mãe Santíssima – a Virgem Maria.

Assim, ao estarmos diante de qualquer Cruz, somos levados também a pensar que Jesus Cristo foi Crucificado por nossas faltas, e, é o primeiro Ressuscitado para toda a Eternidade, para nossa redenção. Ele é a nossa esperança! Em Seu divino, puro e profundo amor por cada um de nós, criaturas de Deus (preocupado com Sua partida), tranquilizou-nos, homens e mulheres de todos os tempos:  “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida“… (LBN)

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Crédito/imagens (autorização indireta, no site):

http://www.turnbacktogod.com/jesus

Reflexões sobre a Paixão de Jesus Cristo – Ordem Carmelita Descalça (OCD) – Brasil

Pintura: Salvador Dali (1951). Inspirado em desenho de São João da Cruz.
Pintura: Salvador Dali (1951). Inspirado em desenho de São João da Cruz.

FONTE: Ordem dos Carmelitas Descalços (OCD) – Frades Carmelitas Descalços – Província São José (Sudeste-Brasil)

http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/traspassado-pelos-nossos-pecados-sexta.html

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

TRASPASSADO PELOS NOSSOS PECADOS

Cruz (OCD)A Liturgia da sexta-feira santa é comovente contemplação do mistério da Cruz, que visa não só comemorar, mas levar todo fiel a reviver a dolorosa Paixão do Senhor. Apresentam-na dois grandes textos: o profético, atribuído a Isaías (Is 52, 13; 53, 12) e o histórico de João (18, 1-9, 42). A enorme distância de mais de sete séculos que os separa é anulada pela impressionante coincidência dos fatos referidos pelo profeta como descrição dos sofrimentos do Servo de Javé, e pelo Evangelista como narração última do dia terreno de Jesus, “Muitos se espantaram com ele – diz Isaías – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana… desprezado e rejeitado pelos homens, homem das dores e experimentado nos sofrimentos” (52, 14; 53, 3). João com os outros Evangelistas, fala de Jesus traído, insultado, esbofeteado, coroado de espinhos, escarnecido, apresentado ao povo como rei de comédia, condenado, crucificado.

A causa de tanto sofrimento é indicado pelo profeta: “Foi castigado por nossos crimes, esmagado por nossas iniquidades”; é mostrado também o valor expiatório: “O castigo que nos salva caiu sobre ele; por suas chagas nos fomos curados” (Is 53, 5). Nem falta alusão ao angustioso sentimento de repulsa por parte de Deus – “e o julgávamos castigado, ferido por Deus e humilhado” (Ibidem, 4)- sentimento que exprimiu Jesus na Cruz com o grito: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46). Mas, acima de tudo ressalta a clareza a espontaneidade do sacrifício: livremente “se oferece (o Servo de Javé) em expiação” (Is 53,7. 10); livremente se entrega o Cristo aos soldados, depois de tê-los feito cair por terra com uma só palavra (Jo 18, 6), e livremente se deixa conduzir à morte, ele que havia dito: “Ninguém tira a minha vida, mas eu a dou por mim mesmo” (Jo 10, 18). Até o glorioso desfecho desse voluntário padecimento fora entrevisto pelo profeta: “Após as aflições de seu coração, alegrar-se-á… Eis por que – diz o Senhor – dar-lhe- ei em prêmios multidões… porque se ofereceu a morte” (Is 53, 11. 120. E aludindo Jesus à Paixão, disse: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32). Tudo isto demonstra estar a Cruz de Cristo no centro da história da salvação, já entrevista no Antigo Testamento, através dos sofrimentos do Servo de Javé, figura do Messias que iria salvar a humanidade não com o triunfo terreno, mas com o sacrifício de si. Eis o caminho que cada fiel deve percorrer para ser salvo e salvador.
Entre as leituras de Isaías e de João, insere a liturgia um trecho da carta aos hebreus (4, 14-16; 5, 7-9). Jesus, Filho de Deus, é apresentado na sua qualidade de único e sumo Sacerdote, todavia não tão distante dos homens que “não saiba compadecer-se de nossas enfermidades, uma vez que, à nossa semelhança, experimentou-as todas, com exceção do pecado”. É a provação de sua vida terrena e sobretudo de sua Paixão, pela qual experimentou em sua carne inocente todas as asperezas, sofrimentos, angústias e fraquezas da natureza humana.

Assim é, ao mesmo tempo, Sacerdote e Vítima que oferece em expiação dos pecados dos homens não sangue de touros ou de cordeiros, mas o próprio Sangue. “Nos dias de sua vida mortal, ofereceu orações e súplicas, com fortes gemidos e lágrimas a quem o podia libertar da morte.” É um eco da agonia do Getsêmani: “Abba, Pai! Tudo te é possível, afasta de mim este cálice! Porém, não o que eu quero, mas o que queres tu” (Mc 14, 36). Na obediência a vontade do Pai, entrega-se à morte, e depois de haver experimentado suas amarguras, e libertado pela ressurreição, tornando-se “causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5, 9). Obedecer a Cristo, Sacerdote e Vítima, significa aceitar com ele a Cruz, abandonar-se com ele à vontade do Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23, 46; cf. salmo resp.).

Mas é a morte de Cristo imediatamente seguida pela glorificação. Exclama o centurião de guarda: “Verdadeiramente este homem era justo!”, e todos os presentes, “vendo o que se passava, voltaram, batendo no peito” (Lc 23, 47-48).

Segue a Igreja o mesmo itinerário: depois de ter chorado a morte do Salvador, explode em hinos de louvor e se prostra em adoração: “Adoramos vossa Cruz, Senhor, louvamos e glorificamos vossa santa ressurreição, pois só pela Cruz entrou a alegria em todo o mundo”. Com os mesmos sentimentos convida a Liturgia os fiéis a se alimentarem da Eucaristia que, jamais tanto como hoje, resplandece na sua realidade de memorial da morte do Senhor. Ressoam no coração as palavras de Jesus: “Isto é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19) e as de Paulo: “Todas as vezes que comeis deste pão e bebeis deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11, 26).

JESUS VEIO PARA CURAR O CORPO E A ALMA DAQUELES QUE O PROCURAM…

"Judgement of Christ"
"Judgement of Christ"

O texto abaixo é de meu “amigo virtual”, em Cristo, o confrade Aluizio da Mata, da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). Inscrevi-me há cinco anos em sua lista – “texto-meditação”: http://br.groups.yahoo.com/group/textoparameditacao/. Na época, suas reflexões e as de seus amigos e amigas colaboradoras católicos foram valiosas para mim. Nunca houve falha no envio. Ultimamente tenho tido dificuldades para ler as mensagens, que como ele mesmo diz são enviadas “aleatoriamente”. Vê a “mão do Espírito Santo” na escolha. Pouco racional, é verdade… Pergunto: a Ressurreição de Cristo é um acontecimento racional, lógico? Mesmo não sendo uma secular da Ordem Vicentina, valorizo-as, e guardo-as no” coração”. Afinal, por breves que sejam, são escritas por ele com disciplina e amor, e as adicionais acrescentam, consolam-nos em toda esta correria… Correria por correria, vou atrás do prejuízo, lendo-as com o carinho e cuidado que merecem.

Aluizio da Mata, vicentino secular, mineiro, é casado com uma vicentina secular. Eles têm um casal de filhos e dois netos. Ela, que é chamada de consócia na SSVP, escreve para o “Jornal do Vicentino” sobre a vida dos santos e santas da Igreja Católica. O jornal é rodado em Sete Lagoas-MG. Até há algum tempo recebia o jornal da SSVP – a assinatura tem valor quase simbólico – e pelas informações, já que não faço parte como secular, sei o quanto se empenham em cumprir o “singelo”, mas comprometedor, mandamento de Jesus: “amar o próximo”. Ou seja: piedade, caridade…

Esta Ordem Terceira remonta ao final do século XVII, na França. A Ordem dos consagrados foi fundada por São Vicente de Paulo, que nasceu em 1581, portanto um ano antes do falecimento de Santa Teresa de Ávila. Foi amigo pessoal de São Francisco de Sales. É “protetor” de meu ofício: os jornalistas o escolherem como santo patrono, por distribuir “panfletos” na tentativa de reconversão de duas cidades dominadas pelas idéias de Calvino. Em três anos, trouxe de volta para aIgreja Católica, após 90 anos, cerca de 33 mil protestantes calvinistas.As duas cidades eram Tonon e Chablais. Ele saudava Jesus assim: “Viva, Jesus!”.

JESUS VEIO PARA CURAR O CORPO E A ALMA DOS QUE SOFREM E EM ESPÍRITO DE HUMILDADE O PROCURAM…

Por falar em Jesus, podemos dizer que veio para tirá-los da indigência – curou leprosos; curou doenças da alma que adoeciam os corpos, e vice-versa; alimentou famintos – e de todo o tipo… A propósito, penso que na doença do corpo, quando não vem a cura para o orante-pedinte, estamos diante do mesmo “Mistério” que envolve a cura milagrosa, comprovada por especialistas consagrados e leigos da Igreja. Nossa mente racionalista “pensa” que Deus, que é Onisciente, Onipotente e Onipresente – “raciocina” como nós, pobres mortais… Aluizio escreve logo abaixo algo em torno disto. Escreve inspirado em Jesus Cristo e no propósito de São Vicente de Paulo, que via na situação dos famintos, nos pobres um grande problema: a pobreza é uma tentação para a alma… De espírito resoluto, foi um sacerdote determinado a combater a pobreza de seu tempo. Via escândalo na fome, que havia chegado às raias do inimaginável na França, pré-moderna, levando às indústrias nascentes levas de camponeses. Mendigavam crianças e adultos, e no desatino da fome, muitos, no delírio da loucura, segundo São Vicente de Paulo, alimentavam-se da carne das crianças que sucumbiam nos guetos… Desculpem-me, mas quando soube disso fiquei chocada também… A fome decorrente da injustiça estrutural, do egoísmo é como um vento maligno que assola ao longo da história humana,  cidades, países, continentes. Prestemos mais atenção no conceito de globalização, que já é uma realidade. A pobreza está ampliando suas fronteiras novamente. Li há pouco que 24% das crianças italianas são chamadas de “novos pobres”, no sul da Itália. Em Roma e Veneza, o arcebispo Marcelo Ricca não aceita a aplicação de multas de 50 a 100 euros aos que mendigam nas cidades de Roma e Veneza. Para o setor público isto causa “transtorno” aos turistas… Ele acredita que há o perigo de não querer “ver” a mendicância como resultado da desestruturação dos tecidos sociais. Percebe o perigo da indiferença e lembra o direito de qualquer pessoa pedir ajuda em situação de fome, frio. O arcebispo não quer falar, mas esta deterioração é provocada por “reengenharias” político-econômicas impostas pela, ao que parece, irreversível globalização.

Crédito da imagem: Wikicommons

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A CRUZ DE CADA UM: SOFRER PELOS OUTROS

Texto: Aluizio da Mata

Algumas igrejas criticam a Igreja Católica por pregar aos seus fiéis seguirem o exemplo de Jesus de sofrer com alegria por si próprios e pelos irmãos necessitados. Pregam uma vida isenta de sofrimento, cheia de alegria e felicidade. Falam que Jesus não é um ser morto, referindo-se aos crucifixos tão caros ao Católicos. A figura do Cristo crucificado é apenas a lembrança do que Ele sofreu por nós. A Sua vida não foi só de alegria, de bons momentos, de felicidade. Ele teve momentos de angústia, de decepções, sofreu traições, como qualquer um de nós tem durante nossa vida. A sua vida não foi só de alegrias. Por fim, se Ele teve que morrer em uma cruz, um motivo havia. Tudo isto não aconteceu apenas para fazer dele uma figura de “coitadinho”. Cada um de nós acha que a cruz que carregamos é pesada demais, mas não nos lembramos de compará-la à cruz espiritual de Jesus Maria e a cruz física do Filho de Deus. Deus não é incoerente. Como poderia Ele desejar que assim fosse e mandasse seu Filho para sofrer o que sofreu? Jesus não precisaria passar pelos sofrimentos que passou durante sua vida e muito menos os sofridos na Semana da Paixão. Se Deus quisesse que Jesus cumprisse sua missão de anunciar o Reino e realizar a Obra da Salvação, poderia fazê-lo de outra maneira. Poderia mandar o seu Filho isento de passar por qualquer sofrimento. Faria com que apenas os seus ensinamentos pela palavra valessem para o cumprimento da Missão. Mas, se não acreditamos nem da maneira que aconteceu, como iríamos acreditar se Ele apenas falasse? Nós é que somos incoerentes. A Cruz de Cristo não foi em vão. E nem a nossa também deve ser. Fiquemos com a Santíssima Trindade e com Maria Santíssima, Aquela que depois de Jesus teve que viver a maior de todas as cruzes.

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Fonte: http://www.geocities.com/cmgvssvp/caract.htm#espiritualidade

ESPIRITUALIDADE VICENTINA

  1. Os vicentinos procuram, pela oração, mediante a Sagrada Escritura, e fidelidade aos ensinamentos da Igreja, dar testemunho do amor de Cristo, em suas relações com os menos favorecidos, bem como nos diversos aspectos de sua vida cotidiana. Essa espiritualidade fundamenta-se nos textos bíblicos. São quatro seus principais pilares de sustentação:
  2. O serviço do pobre é o serviço do próprio Cristo: O mandamento supremo da lei é amar a Deus, sobre todas as coisas e de todo coração, e ao próximo, como a si mesmo. “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (João 13,35). Cristo fez questão de participar deste mandamento de amor ao próximo, identificando-se pelo vínculo da caridade, como os irmãos humildes. “Todas as vezes que fizestes isto a um de meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mateus 25,40). O amor ao próximo está intimamente unido ao amor de Deus, pelo exercício da caridade. A recompensa da caridade está além das satisfações terrenas, pois está regiamente recompensada no plano divino. “Vinde, benditos de meu pai; possui o reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome, e deste-me de comer; tive sede…” (Mateus 25,34-36).
  3. A fé sem obras é inútil à salvação: “Que aproveitará, meus irmãos, se alguém diz que tem fé e não tem obras? (…) A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma” (Tiago 2,14-17). A prática do evangelho é a caridade.
  4. As obras sem caridade nada adiantarão para a nossa salvação. “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um bronze que soa, ou como um címbalo que tine… E ainda que eu distribua todos os meus bens no sustento dos pobres e entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, nada disto me aproveitaria” (I Coríntios 13,1-3). Nada adianta a obra feita por filantropia, onde não é motivada pela caridade.
  5. Dar testemunho do amor de Cristo: “Se me amais, observais os meus mandamentos…” (João 14,15) e “Assim brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas obras e glorifiquem o vosso pai, que está nos céus” (Mateus 5,16). Os vicentinos devem preocupar-se em transformar o evangelho em obras e imprimir fé aos atos que praticam, para que deles irradie amor que tem a Cristo.

A POBREZA E O VICENTINOComo pretendemos ditar leis aos pobres ou julgá-los, se nunca experimentamos os suplícios da miséria, provações que ela impõe e o desvirtuamento moral que ela, por vezes, provoca, até mesmo nos homens mais equilibrados? Cristo jamais condenou um só indivíduo sequer, pelo contrário, perdoava e coloca-se a serviço de todos. Imitemos, pois, o exemplo do Mestre.

A Paixão de Jesus Cristo na visão do Carmelo Descalço Secular (OCDS)

Fonte: ORDEM CARMELITA DOS DESCALÇOS SECULARES(OCDS)

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO NA VISÃO DO CARMELO DESCALÇO SECULAR


JEJUM E ABSTINÊNCIA
Cor litúrgica: Vermelho
Ofício próprio
Liturgia das Horas:
359-417
Oração das Horas: 396-418

Leituras: Is 52,13-53,12 – Sl 30(31) – Hb 4,14-16;5,7-9 – Jo 18,1-19,42
Ação litúrgica solene: leitura da Paixão, segundo São João, Orações solenes,

Adoração da Cruz, Comunhão

“Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.”
Jesus é apresentado como “o servo de Deus” que caminha para a paixão como o cordeiro ao matadouro, sem abrir a boca.

“O amor possui igualdade e semelhança.”
São João da Cruz – 1S 5,1

13ª Estacao

Extraído do Blog da OCDS  – Ordem Carmelita dos Descalços Seculares – Abril/2009

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Recebi com carinho o registro da presença da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Província São José – Brasil, no Link de Entrada e dos  “Frades Carmelitas Descalços” – Carmelo Descalço, também da Província São José , que oferece aos interessados em ingressar ou conhecer a vida consagrada carmelita descalça –  o Blog “Pastoral Vocacional Carmelitana”.

A Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares é formada por leigos e leigas carmelitas. Em seu conjunto, contam com a orientação espiritual de um religioso integrante da Ordem dos Carmelitas Descalços. É importante lembrar que Santa Teresa de Ávila estabeleceu em estatutos o funcionamento, já em seu tempo, de Ordens Terceiras carmelitanas. Assim, eles têm muita história para contar. Confiram o rico conteúdo no “Blog da OCDS – Provícia São José” http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/, repleto da história da Ordem Carmelita dos Descalços – Consagrada e Secular no mundo, além de vivências e orientações, principalmente sobre a Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destaco também o blog dos Frades Carmelitas Descalços http://pastoralvocacionalcarmelitana.blogspot.com/2009/04/ceia-do-senhor-quinta-feira-santa.html , cujo site da “Ordem Carmelita DescalçaProvíncia São José” pode ser encontrado no endereço – http://www.carmelo.com.br/. Ambos contém conteúdos inspiradores nesta Paixão e Páscoa. Há também o boletim http://provsjose.zip.net/. Traz notícias de atividades juvenis das paróquias carmelitanas, além da história dos carmelitas descalços e temas da espiritualidade carmelitana. Vale a pena conferir também o site do “Centro Teresiano de Espiritualidade”http://www.carmeloteresiano.com.br/. Dele faz parte como assessor Frei Sciadini (OCD). Ele coordenou e fez o prefácio de “Obras Completas – Santa Teresa de Jesus” – Edições Carmelitanas, publicado por Edições Loyola, 2002 (edição esgotada).

A propósito, a equipe diretiva está organizando uma comitiva para a reunião geral da Ordem, que, de acordo com as informações do site, se dará pela primeira vez fora do Brasil. Com destino à cidade de Fátima, em Portugal, cerca de 140 membros farão parte da comitiva da OCDS. Lá permanecem de 17 de abril até pouco além de 13 de maio (dia da aparição de Nossa Senhora, em Fátima).

Boa viagem a todos. Rezem por nós, leigos seculares ou não, que amam o Reino de Deus. Nós brasileiros, que vivemos em um país abandonado pelos governantes, precisamos muito das orações das consagradas e consagrados carmelitas descalços – em sua clausura abençoada por Deus. Esta é uma afirmação de Santa Teresa de Jesus! Necessitamos também, neste mundo cheio de confusão, das orações dos leigos carmelitas seculares, em Fátima e em seus encontros no Brasil. Que a paz e o amor da Trindade Santa esteja com vocês da OCDS, nesta e em outras missões pelo mundo. Amém.

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Santa Teresa de Ávila – Itinerário para o coração de Jesus… (YouTube)

A autoria deste vídeo é do movimento “Jovens Leigos Carmelitas”, de Portugal. Sua publicação no YouTube se deu em 11de outubro de 2007. Em uma busca mais detalhada pelo “paradeiro” dos jovens na rede, encontrei, a partir do  do link  “veronicaparente”, referências a “Carmo Jovem”, que se apresenta também como Movimento Carmo Jovem e Jovens Leigos em Movimento. O grupo é formado por homens, mulheres, moças e rapazes, e anuncia uma caminhada a pé ao Santuário de Fátima, entre 01 e 03 de maio deste ano. Sua proposta está centrada “no projeto de vida proposto por João da Cruz e Teresa de Jesus”. O link é o seguinte: http://carmojovem.blogspot.com/2008/10/festa-de-santa-teresa-de-jesus.html .

“Castelo Interior – Moradas”: Santa Teresa de Ávila. Breve Biografia.

A RECUSA DO MAL

Santa Teresa de Ávila foi leitora de as Confissões de Santo Agostinho, tendo privado com São Pedro de Alcântara vez por outra. Este monge reformador, já em idade avançada, teve sobre monja Teresa forte influência, dada a reconhecida sabedoria que o velho monge apresentava à sua época. Eram tempos de devassidão e pobreza dentro e fora da vida religiosa. Ensinava e exigia a necessidade da austeridade que, em sua visão, era essencial à vida monástica. Além desta grande influência sobre as obras de Teresa de Ávila, a história registra a forte impressão que causou a personalidade de São João da Cruz e de seus escritos.

Ela nos apresenta um itinerário de conquista, passo-a-passo, da libertação de nossa própria alma das garras do mundo. No mundo de hoje, fora da clausura daqueles tempos, este esforço é vital para a saúde de nossa psique. Isto se faz necessário porque em meio ao caos de tantas informações desconexas, tal busca, a da paz interior vai se dar até o último momento de nossa existência. A rigor, temos tudo, menos vida interior…

Dentro de outro ângulo de análise da obra de Santa Teresa de Ávila, é admissível pensar à luz das Escrituras Sagradas que nosso espírito anseia livrar-se do pecado original. Ele é uma marca, isto é, algo como que um “vírus espiritual”. A partir da leitura, principalmente do Antigo Testamento sabemos que tal pecado de origem foi herdado e transmitido de geração em geração, em decorrência da rebeldia da criatura humana contra o seu Criador. Um pecado de origem, mas não sem conseqüências. Adentramos em relatos ainda cheios de mistério, de enigmas, tal como a vida o é em si mesma. O que temos é a decisão livre de afastamento da criatura racional do convívio íntimo com seu Criador. Ainda que confundidos, tanto homens quanto mulheres pelas sugestões de um ser espiritual, externo à criatura, a aniquilação interior (a morte seria a conseqüência física) foi irreversível. Desde lá, isto é, desde aquele remoto passado da humanidade, tal influência auto-destrutiva perdura no presente. Há em cada um de nós uma auto-suficiência absurda. Somos rebeldes até mesmo na decadência física natural…  Cristo, os santos e santas da Antiga Lei e da Nova Aliança, sempre sugeriram humildade diante d’Ele, de escuta interior, e portanto, de busca da santidade, já a partir daqui, de nossas vidas. Afinal, vivemos todos uma aventura individual e coletiva sob a face da Terra. Esta jornada tem consistido em uma constante batalha espiritual.

Para tanto, o que está em jogo é o exercício de nosso livre-arbítrio (direito que a cada um de nós foi concedido). Podemos dar ouvidos ou não ao apelo, à voz de Deus em nosso interior. É esta a intenção de Santa Teresa de Ávila – Teresa de Jesus, ou seja, de maneira racional e carinhosa vai traçando este itinerário de paz interior possível já aqui neste mundo. Conquistado o interior, o castelo já faz parte do Reino de Deus, o Reino de Jesus Cristo.

A partir do que lhe era comunicado pela pessoa de Jesus Cristo (Santa Teresa de Ávila afirmava se tratarem de visões intelectuais, e estas foram reconhecidas pela Igreja Católica já à sua época), sem rodeios, assumiu a dificílima missão de reforma do Carmelo. Em fazendo isto, mesmo aos leigos, oferece objetivamente instruções sobre o caminho a ser trilhado para a conquista de nossas próprias almas. Se assim o quisermos, com carinho nos anima, já que afirma que sempre teremos a ajuda do Espírito Santo de Deus, que mora neste castelo… Converso (minha razão, meu espírito)  com quem quem via um pouco mais além da terra e do céu terrenos…

UMA BREVE BIOGRAFIA

Castelo Interior – Moradas – nos foi presenteado por Teresa de Ahumada, nascida em Ávila, no século XVI, na Espanha. Monja carmelita, do convento de Nossa Senhora do Carmo, que, ao ali entrar tomou o nome de Teresa de Jesus, e empreendeu uma verdadeira aventura espiritual, porque recheada de perigos externos (Inquisição) e sofrimentos. Mundialmente, no entanto, é conhecida como Santa Teresa de Ávila (1515-1582). Suas experiências místicas ao serem relatadas a alguns superiores causaram espanto, expondo-a até mesmo ao risco de ser levada à fogueira. À parte disso (e até alheia ao fato), na verdade, esta santa católica viveu muitas contradições interiores, dado o seu fervor místico e ao mesmo tempo, sua extrema humildade. Ao mesmo tempo que tinha visões mentais em que via e conversava com Cristo, no início destes encontros espirituais, pela pressão da época, sua alma vivia em uma quase constante perturbação. No início de tudo, pensava que as visões eram frutos de sua vaidade, pela qual se condenava. Com o tempo compreendeu, bem como seus confessores, que o Maligno (tal como Jesus denomina em sua pregação) não teria capacidade de, continuada e coerentemente, falar como Cristo. Ensina-nos que os Padres da Igreja sempre enfatizaram: sua capacidade se limita a influenciar as almas, na tentativa de afastá-las do encontro face-a-face com Deus Pai, o Criador do Universo.

Este foi o convite gentil de Santa de Ávila (carmelita, Doutora da Igreja): todos devemos viver constantemente na busca de uma proximidade com Deus e Seu Filho, Jesus Cristo. Este, que resgatou e continua resgatando as criaturas humanas da perdição se suas almas no mundo. Castelo Interior – “Moradas” é sua obra-prima, de acordo com os estudiosos da Igreja. Uma obra que é fruto de sua maturidade espiritual e que foi composta no final de sua jornada de vida(1582), dando-a por concluída em 29 de novembro de 1577.

“EM BUSCA DO INFINITO E DO DESEJO DE DEUS”

Assim define o conjunto da obra de Santa Teresa de Ávila, o coordenador da publicação das Obras Completas, Frei Patrício Sciadini, OCD. No prefácio da edição brasileira ele comenta:

“(…)Com seus escritos, Teresa rompe os limites do mundo dos carmelitas descalços e das monjas carmelitas descalças. Seu nome, sua mensagem ultrapassam a Igreja e conquistam pessoas de todas as raças e religiões, em busca do Infinito e do desejo de Deus.

A melhor forma de compreender a figura dessa mulher é aproximar-se de seus escritos em atitude de simplicidade, sem esquecer que Madre Teresa (Teresa de Jesus) fala mais ao coração que à inteligência. A sua afetividade encontra pleno transbordamento no íntimo diálogo com Deus. O método de oração teresiano é o caminho que devemos seguir para obter a água da fonte para regar o jardim de nossa alma.”

Frei Patrício (OCD) nos oferece ainda esta pequena oração de Santa Teresa de Ávila, já bastante conhecida, mas que sempre nos encanta e alenta:

Nada te turbe,

nada te espante.

Tudo se pasa.

Dios no se muda.

La paciencia

todo lo alcanza.

Quien a Dios tiene

nada le falta.

Sólo Dios basta!