O humano vem sendo substituído pelo artifício, e nem mesmo os sentimentos, as emoções estão fora de seu alcance. O mundo virtual está mudando, em sentido geral, a noção do que é viver em uma perspectiva ampla… A Ciência tem se mostrado em muitos campos, um bem para a Humanidade. Mas sabemos que, em geral, oculta conteúdos nefastos ao longo de seu desenvolvimento. Este blog é uma tentativa, e ao mesmo tempo, uma proposta de autopreservação tanto emocional quanto espiritual. Quanto aos visitantes do blog "Castelo Interior", penso que o legado de Santa Teresa, bem como as contribuições da cristandade podem propiciar este "cuidado interior". Aliás, um cuidado vital que envolve nossas mentes, nossas almas. O título do blog é uma reverência à vida e à obra de Santa Teresa de Jesus (Ávila). Suas leituras me inspiraram, e mais que isto, continuam me ensinando a viver neste tempo caótico, a interpretá-lo à luz da Fé. A partir do que compreendi de seus escritos "Castelo Interior" e "Livro da Vida", e os mais breves (estou no início de "Caminho da Perfeição"), me lancei à proposta de uma "mescla" entre Jornalismo, Literatura (suas Obras, por excelência, através da análise de estudiosos carmelitanos descalços, principalmente), com abertura para textos clássicos católicos, e artigos universais e relevantes, segundo a ótica da doutrina católica. Por fim, acredito que a produção de Santa Teresa de Ávila evidenciará o quanto sua produção nos insere em uma inevitável espiral de espiritualidade. Seu tempo, como o nosso, estava impregnado de perigos extremos – tanto para o corpo, quanto para a alma. Entretanto, esta Doutora da Igreja deixou-nos, em seus três principais escritos, a essência de seu pensamento: "Nada te turbe, nada te espante. Tudo se pasa. Dios no se muda. La paciencia todo lo alcanza. Quien a Dios tiene nada le falta. Sólo Dios basta!" (Santa Teresa de Jesus). Este blog foi criado em 2007 e não tem fins comerciais.
Existe uma devoção particular na Igreja Católica que está ligada à Paixão de Jesus Cristo: é a honra do seu Precioso Sangue.
Trata-se de um reconhecimento do sacrifício de Jesus e como ele derramou seu sangue para a salvação da humanidade. Além disso, este sangue é feito presente através do dom da Eucaristia e é algo que podemos comungar na Missa, juntamente com o corpo de Cristo, sob a aparência de pão e vinho.
Com o passar do tempo, a Igreja desenvolveu várias festas do Preciosíssimo Sangue, mas foi no século 19 que uma festa universal foi estabelecida.
Durante a Primeira Guerra Italiana pela Independência, em 1849, o Papa Pio IX foi para o exílio em Gaeta. Ele estava com Don Giovanni Merlini, terceiro superior geral dos Padres do Preciosíssimo Sangue.
Enquanto a guerra ainda estava em fúria, Merlini sugeriu ao Papa Pio IX que ele criasse uma festa universal ao Precioso Sangue para implorar a ajuda celestial de Deus para acabar com a guerra e trazer a paz a Roma. Pio IX, posteriormente, fez uma declaração em 30 de junho de 1849 que ele pretendia criar uma festa em honra ao Precioso Sangue. A guerra logo terminou e ele retornou a Roma pouco depois.
Em 10 de agosto, ele oficializou e proclamou que o primeiro domingo de julho seria dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo. Mais tarde, o Papa Pio X atribuiu o dia 1º de julho como a data fixa dessa celebração.
Depois do Vaticano II, a festa foi removida do calendário, mas uma Missa votiva em honra do Preciosíssimo Sangue foi estabelecida e pode ser celebrada no mês de julho (assim como na maioria dos outros meses do ano).
Por estas razões, todo o mês de julho é tradicionalmente dedicado ao Preciosíssimo Sangue, e os católicos são encorajados a meditar sobre o profundo sacrifício de Jesus e o derramamento de seu sangue para a humanidade.
Abaixo está a oração de abertura da Missa votiva, bem como uma oração adicional que pode ser usada como meditação pessoal ou oração durante o mês de julho:
“Ó Deus, que pelo Precioso Sangue do teu Filho Unigênito redimiu o mundo inteiro, preserva em nós o trabalho de tua misericórdia, para que, sempre honrando o mistério da nossa salvação, possamos merecer obter bons frutos. Por nosso senhor Jesus Cristo, teu filho, que vive e reina na unidade do Espírito Santo, um só Deus, para todo o sempre. Amém. ”Admitidos à vossa mesa sagrada, ó Senhor, com alegria extraímos água das fontes do Salvador: que o vosso sangue, pedimos a vós, torne dentro de nós uma fonte de água que salta para a vida eterna. Amém.
Está se sentindo sem forças para seguir? Invoque o Sangue de Jesus!
LADAINHA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE CRISTO
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, redentor do mundo tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Sangue de Cristo, Sangue do Filho Unigênito do Eterno Pai, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Verbo de Deus encarnado, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Novo e Eterno Testamento, salvai-nos.
Sangue de Cristo, correndo pela terra na agonia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, manando abundante na flagelação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, gotejando na coroação de espinhos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, derramado na cruz, salvai-nos.
Sangue de Cristo, preço da nossa salvação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, sem o qual não pode haver redenção, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que apagais a sede das almas e as purificais na Eucaristia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, vencedor dos demônios, salvai-nos.
Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, salvai-nos.
Sangue de Cristo, virtude dos confessores, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que suscitais almas virgens, salvai-nos.
Sangue de Cristo, força dos tentados, salvai-nos.
Sangue de Cristo, alívio dos que trabalham, salvai-nos.
Sangue de Cristo, consolação dos que choram, salvai-nos.
Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, salvai-nos.
Sangue de Cristo, conforto dos moribundos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, salvai-nos.
Sangue de Cristo, penhor de eterna vida, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório, salvai-nos.
Sangue de Cristo, digno de toda a honra e glória, salvai-nos.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor.
V. Remistes-nos, Senhor com o vosso Sangue.
R. E fizestes de nós um reino para o nosso Deus.
Oremos:
Todo-Poderoso e Eterno Deus, que constituístes o vosso Unigênito Filho, Redentor do mundo, e quisestes ser aplacado com o seu Sangue, concedei-nos a graça de venerar o preço da nossa salvação e de encontrar, na virtude que Ele contém, defesa contra os males da vida presente, de tal modo que eternamente gozemos dos seus frutos no Céu. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. Assim seja.
Oferecimento
Eterno Pai, eu vos ofereço o Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo em desconto dos meus pecados, em sufrágio das santas almas do Purgatório e pelas necessidades da Santa Igreja e por todos os doentes.
A exibição do filme da vida de Santa Margarida Maria Alacoque faz parte da Semana dos Sagrados Corações, do Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, a Igreja do Beato Padre Eustáquio. Santa Margarida Maria Alacoque Deus suscitou este luzeiro, ou seja, portadora da luz, que é Cristo, num período em que na Igreja penetrava as trevas do Jansenismo (doutrina que pregava um rigorismo que esfriava o amor de muitos e afastava o povo dos sacramentos). O nome de Santa Margarida Maria Alacoque está intimamente ligado à fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Nasceu na França em 1647, teve infância e adolescência provadas e sofridas. Órfã de pai e educada por Irmãs Clarissas, muito nova pegou uma estranha doença, que só a deixou depois de fazer o voto à Santíssima Virgem. Com a intercessão da Virgem Maria, foi curada e pôde ser formada na cultura e religião. Até que provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e, diante do Coração Eucarístico, começou a ter revelações divinas. “Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhe seu amor e, em troca, não recebe da maior parte senão ingratidões, friezas e desprezos”. As muitas mensagens insistiram num maior amor à Santíssima Eucaristia, à Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras do mês e à Hora Santa em reparação da humanidade. Jesus revelou o desejo da Festa ao seu Sagrado Coração à religiosa Santa Margarida Maria Alacoque, na França, mostrando-lhe o coração que tanto amou os homens e é por parte de muitos desprezado. Santa Margarida teve como diretor espiritual o padre jesuíta São Cláudio de la Colombiere, canonizado por João Paulo II, e que se incumbiu de propagar a grande Festa. Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus e o Papa Pio XIII recomendou essa devoção, que nos leva ao encontro do Coração Eucarístico de Jesus. Entre as promessas que Jesus fez à Santa Margarida está a das nove primeiras sextas-feiras do mês: aos fiéis que fizerem a comunhão em nove primeiras sextas-feiras de cada mês, seguidas e sem interrupção, prometeu o Coração de Jesus a graça da perseverança final, o que significa que a pessoa nunca deixará a fé católica e buscará a sua santificação. São as chamadas “comunhões reparadoras a Jesus”, pela ofensa que tantas vezes seu Sagrado Coração é tão ofendido pelos homens. Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 1690 e foi canonizada pelo Papa Bento XV em 1920.
No mês de junho, a Igreja celebra o Sagrado Coração de Jesus, uma devoção que existe desde os primórdios do Cristianismo, quando as pessoas refletiam sobre o coração aberto de Jesus. Celebrar o Coração de Jesus torna-se uma importante ocasião pastoral para que toda a comunidade cristã novamente se sensibilize para fazer deste admirável Sacrifício e Sacramento o coração da própria vida. Juntamente com ele, festejamos o Imaculado Coração de Maria, pois os dois corações nunca se separam, pois, o Coração de Jesus é a fonte da Graça e o de Maria o canal desta Graça.
Bento XVI, certa vez, falou sobre a importância desta devoção: “A contemplação do ‘lado transpassado pela lança’, na qual resplandece a vontade infinita de salvação por parte de Deus, não pode ser considerada, portanto, como uma forma passageira de culto ou de devoção: a adoração do amor de Deus, que encontrou no símbolo do ‘coração transpassado’ sua expressão histórico devocional, continua sendo imprescindível para uma relação viva com Deus”.
A origem da devoção ao Sagrado Coração de Jesus
A devoção ao Sagrado Coração aparece em dois acontecimentos fortes do evangelho: o gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34). Em um temos o consolo pela dor da véspera de sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade. Estes dois exemplos do evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus, feito em 1675, a Santa Margarida Maria Alacoque:
“Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças… Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. E prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”
O papa João Paulo II sempre cultivou esta devoção e a incentivava a todos que desejassem crescer na amizade com Jesus.
Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída uma festa litúrgica em honra de seu Santíssimo Corpo e de seu Preciosíssimo Sangue.
A solenidade de Corpus Christi, que os católicos celebramos todos os anos na primeira quinta-feira após a Oitava de Pentecostes, não existiu na Igreja desde sempre. O marco de sua instituição é a bula Transiturus de hoc mundo, do Papa Urbano IV, publicada a 11 de agosto de 1264, e que pode ser lida com grande interesse no site do Vaticano.
Mais notável que esse decreto do Papa, no entanto, são seus antecedentes espirituais. A literatura normalmente aponta dois eventos principais que culminaram com a instituição da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo:
uma visão de Santa Juliana de Liège, religiosa agostiniana belga, e
um milagre eucarístico ocorrido na cidade de Bolsena, na Itália.
As ligações não são fruto de especulação histórica. O Papa que instituiu Corpus Christi conheceu pessoalmente ambos os acontecimentos. Daí a importância de os repassarmos, para entendermos qual o sentido da festa que ora celebramos e, ao mesmo tempo, colhermos disso abundantes frutos espirituais.
Primeiramente, Santa Juliana. O que viu essa mística para ensejar a instituição de uma festa litúrgica para a Igreja universal? O Papa Bento XVI, em uma catequese sobre essa santa, explica:
Com a idade de 16 anos [n.d.t.: por volta de 1209, portanto, ela] teve uma primeira visão, que depois se repetiu várias vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor levou-a a compreender o significado daquilo que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra, a linha opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz: ou seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento. […]
Pela boa causa da festa do Corpus Christi foi conquistado […] Tiago Pantaleão de Troyes, que conhecera a santa durante o seu ministério de arquidiácono em Liège. Foi precisamente ele que, tendo-se tornado Papa com o nome de Urbano IV, em 1264, instituiu a solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja universal […]. [1]
O chamado “Milagre de Bolsena-Orvieto”, por sua vez, foi realizado por Deus com um sentido bem particular: firmar a fé vacilante de um sacerdote.
Detalhe de “A Missa em Bolsena”, por Rafael.
Em 1263 — um ano antes, portanto, da instituição de Corpus Christi —, um padre alemão, chamado Pedro de Praga, parou na cidade de Bolsena depois de uma peregrinação à Cidade Eterna. A crônica geralmente o descreve como um padre piedoso, mas que tinha dificuldades para acreditar que Cristo estivesse realmente presente na Hóstia consagrada. Eis então o que lhe aconteceu:
Enquanto celebrava a Santa Missa sobre o túmulo de Santa Cristina, mal havia ele pronunciado as palavras da consagração, quando sangue começou a escorrer da Hóstia consagrada, gotejando em suas mãos e descendo sobre o altar e o corporal. O padre ficou imediatamente perplexo. A princípio, ele tentou esconder o sangue, mas então interrompeu a Missa e pediu para ser levado à cidade vizinha de Orvieto, onde o Papa Urbano IV então residia.
O Papa ouviu o relato do padre e o absolveu. Mandou então emissários para uma investigação imediata. Quando todos os fatos foram confirmados, ele ordenou ao bispo da diocese que trouxesse a Orvieto a Hóstia e o pano de linho contendo as manchas de sangue. Juntamente com arcebispos, cardeais e outros dignatários da Igreja, o Papa realizou uma procissão e, com grande pompa, introduziu as relíquias na catedral. O corporal de linho contendo as marcas de sangue ainda está reverentemente conservado e exposto na Catedral de Orvieto. [2]
Como se sabe, depois disso, o Papa pediu a ninguém menos que Santo Tomás de Aquino para compor os textos litúrgicos referentes a Corpus Christi, de cuja pena nasceram os mais belos hinos já escritos ao Santíssimo Sacramento, e que todos cantamos ainda hoje.
Mas o que tudo isso tem a ver conosco?
Em primeiro lugar, lembremo-nos dos três fins com que Jesus pediu essa festa a Santa Juliana: “aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”. Todos atualíssimos. Pois a fé católica no sacramento da Eucaristia parece perder-se cada vez mais. Como consequência disso, multiplicam-se as profanações e os sacrilégios. O que deveria ser, então, alimento para fortalecer as almas, transforma-se em causa de sua própria condenação, para usar as palavras de São Paulo (cf. 1Cor 11, 29); e as pessoas, ao invés de melhorar, de crescer nas virtudes, só vão de mal a pior.
Por tudo isso, Corpus Christi é um dia de reparação. Reparação pela falta de fé generalizada em que se encontram nossos católicos, participando da Missa de qualquer modo e recebendo a Comunhão como se fosse um pedacinho qualquer de pão. Reparação porque, apesar de tantos milagres eucarísticos, como o de Bolsena, em que Deus parece gritar aos nossos ouvidos a verdade de sua presença real na Eucaristia, nós, ingratos, teimamos em não crer, não adorar, não esperar e não O amar. Reparação porque, a um Deus que deseja ardentemente se unir a nós, a nossa resposta tantas vezes é a frouxidão, a frieza, a indiferença.
“Corpus Christi” é uma festa “para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento”.
Reparemos, portanto, o Coração Eucarístico de Nosso Senhor, mas com um coração alegre e agradecido de nossa parte, porque é Ele mesmo quem nos torna possível essa graça. Foi o próprio Jesus Cristo quem pediu à Igreja, quase um milênio atrás, que fosse instituída a solenidade que hoje comemoramos, a festa litúrgica que faltava à “vida da Igreja na terra”.
E não nos espantemos que tenha demorado tanto tempo — 1200 anos! — para que os fiéis católicos começássemos a celebrá-la. A cada nova geração de cristãos, Deus suscita coisas novas em sua Igreja. Do mesmo modo, a cada Santa Missa de que participamos, Ele quer fazer coisas novas em nossa alma. Estejamos sempre atentos.
O dia em que Santa Teresa de Ávila caiu do burro pode nos ajudar a pensar nesse assunto desafiador
Deus nos permite poucas e boas, por razões que só Ele conhece. Mesmo que tenhamos (ou tentemos ter) uma relação de confiança, fé e filialidade com Ele, nem sempre é fácil aceitar de bom grado as provações que Ele nos permite viver.
As vidas dos santos estão repletas de fases difíceis, nas quais temos a oportunidade de escolher livremente renovar a fé n’Ele quando tudo nos provoca ao desânimo. Grandes santos viveram a assim chamada “noite escura da alma”, por exemplo: uma experiência de aridez espiritual tão intensa e desafiadora que se chega muito perto de renunciar à própria fé na existência divina.
Mas Deus permite apenas o que podemos suportar. Uma anedota famosa ilustra essa verdade:
Conta-se que Santa Teresa de Ávila estava indo de burro até um dos conventos da ordem carmelita quando o burro achou por bem derrubá-la em plena lama. Além de se sujar toda, ela ainda machucou a perna.
Ela então olhou para o céu e disse a Deus, com quem tinha grande intimidade filial:
“Senhor, que bela hora para acontecer isto! Por que deixastes isso acontecer?”
Uma voz do Céu lhe respondeu:
“É assim que trato os meus amigos!”
A santa mística retrucou no ato:
“Se é assim que tratais os Vossos amigos, não me admira que tenhais tão poucos!”
A propósito: bons amigos desabafam uns com os outros. Se você estiver passando por provações, grandes ou pequenas que sejam, abra-se com Deus como um amigo sem máscaras: desabafe, diga que não entende, renove a confiança n’Ele, peça a Sua ajuda e faça a sua parte. As fases difíceis são apenas fases.
Neste domingo, festejamos a solenidade de Pentecostes. É a celebração da vinda do Espírito Santo sobre a Igreja de Jesus. Lucas nos Atos dos Apóstolos (primeira leitura) usa diversos sinais e imagens para contar este grande evento para todos nós.
A missão de Jesus neste mundo não terminou com a sua ascensão (subida) aos céus. Tudo que Ele realizou em um lugar definido e em momento da história não podia permanecer restrito e limitado a poucas pessoas. A redenção operada por Jesus (com sua morte e ressurreição), mas principalmente o seu projeto de amor para com toda humanidade, tudo deveria ser proclamado a todas as pessoas em todos os tempos. Assim, Jesus mudou o seu modo de agir e operar neste mundo. Através da sua Igreja, Cristo tornou-se perpetuamente presente na história.
Mas, aqueles discípulos escolhidos por Jesus deveriam também passar por uma profunda transformação. A vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos em oração provoca uma manifestação nova e diferente de Deus neste mundo e, ao mesmo tempo, transformou cada fiel discípulo em presença de Deus na história.
Jesus já tinha mencionado o que significa o Espírito Santo. Ele é o Paráclito (defensor), o Consolador e o Advogado na vida de cada pessoa que O recebe. Em outras palavras, o Espírito Santo é o próprio amor de Deus presente em nossas vidas. Lucas procura narrar aquele momento usando vários sinais para mostrar que foi mais uma grande manifestação de Deus neste mundo; mais uma revelação especial que deve ser recordada pra sempre.
O terceiro evangelista Lucas conta que da parte dos discípulos tudo estava preparado: estavam juntos e reunidos. O “Espírito Santo veio do céu” não é fruto de qualquer esforço dos apóstolos, mas foi dado por Deus. Os sinais apresentados no texto sagrado (som, vento impetuoso, tremor, línguas de fogo…) recordam as grandes revelações e manifestações de Deus no AT: o Pentecostes é a definitiva manifestação de Deus que completa a missão de Jesus. Ele é gratuito e desce sobre todos indiscriminadamente. O Espírito Santo é dom de Deus para sua Igreja, formada por cada pessoa batizada. Assim, todos têm o mesmo dom e por isto o mesmo valor dentro da Igreja de Cristo.
O Espírito Santo impulsiona todos a falar e a se manifestar. É o próprio Espírito de Deus que anima cada um para o louvor e ação de graças, com preces e um novo modo de rezar. Ele age em quem proclama o próprio Jesus Cristo e também atua em quem escuta. Lucas nos diz que muitos ouviram os apóstolos e discípulos que rezavam e proclamavam as maravilhas de Deus e mesmo sendo que países diferentes ouviam em suas línguas o mesmo anúncio da Boa Notícia de Deus para todos.
No dia de Pentecostes, a Igreja de Cristo começou sua missão: anunciar aquilo que recebeu de Jesus e com a ajuda do Espírito Santo. A primeira manifestação de Deus através dos apóstolos após a descida do Espírito Santo indicou outra grande característica da Igreja de Jesus: a unidade na diversidade. Apesar de terem línguas diferentes e de serem de países distantes, todos receberam o mesmo dom e as mesmas graças.
Destaque especial que nos conta Lucas foi a transformação pessoal de cada um ao receber o Espírito Santo. Tornaram-se novas pessoas, mas acima de tudo com uma grande alegria. Além de ouvirem em suas línguas, as pessoas estavam espantadas com a festa que todos faziam a tal ponto de acharem estarem embriagados. O Espírito Santo é presença de Deus, mas presença de amor e de alegria, por isso, cada fiel deve manifestar-se ao mundo vivendo o Amor de Jesus e com muita alegria.
Paulo na segunda leitura completa a compreensão do Espírito Santo na Igreja de Jesus. Ele dá dons especiais a cada cristão, mas tais dons nada mais são que partes que compõem a própria Igreja de Cristo. Cada pessoa é preciosa dentro da Igreja, pois tem a missão de compor o corpo de Cristo neste mundo. Assim, um carisma é um dom especial, mas para toda Igreja. Ninguém deve se sentir autônomo (sozinho) da Igreja. A imagem que o apóstolo usa é a do corpo e de seus membros. Cada parte possui sua importância e seu valor e deve realizar tudo com precisão, pois cada membro deve fazer tudo não para si, mas para o bem de todo o corpo de Cristo que é a sua Igreja. O Espírito Santo age naqueles que compõem a Igreja de Cristo e, assim cada fiel deve se deixar conduzir pelo Espírito para que toda a Igreja possa manifestar ao mundo o amor de Cristo.
Paulo também acentua a diversidade dos membros diferentes, mas mesmo assim, todos compõem a mesma Igreja. Esta é outra característica da Igreja de Jesus neste mundo: é composta por tantas realidades e carismas diversos, mas tudo isso é uma grande riqueza em sua Igreja. A missão do Corpo de Cristo na história não tem limites e fronteiras, nem obstáculo em relação às pessoas e às línguas, pois Ele se adapta e se ajusta a cada cultura e a cada povo para que o Evangelho chegue a todos as gentes.
No Evangelho, São João também recorda o dia em que todos receberam o Espírito Santo. Tudo aconteceu durante um encontro dos apóstolos com Jesus ressuscitado. Nosso Senhor veio, se colocou no meio de todos e confirmou o principal dom da Sua ressurreição: a paz. João nos diz que Jesus lhes mostrou suas mãos e o seu lado ferido. Não queriam ver o rosto, pois para Eles o último momento que ainda traziam do Mestre era de morte no alto da cruz. Jesus confirmou para todos ao mostrar as mãos e o seu lado que se trata do mesmo Senhor e Mestre que seguiram pelas estradas da Galileia e da Judeia.
Depois da confirmação que se tratava do mesmo Jesus e do dom da paz, Cristo soprou sobre eles concedendo-lhes o dom do Espírito Santo. Gesto este que recorda Deus Pai criador dando vida ao barro que se transformou em Adão. Com o Espírito de Deus, todos se tornam pessoas novas em Deus, mas tal dom não deve ser acolhido como um privilégio egoísta, mas para a missão. De fato, Jesus antes de soprar sobre os apóstolos enviou todos para missão, uma missão que nasce da vontade de Deus que Jesus cumpriu com toda determinação e do mesmo modo deverão fazer os apóstolos.
Para São João Evangelista, o dia de Pentecostes é marcado como o momento em que todos recebem o dom especial de Deus (o Espírito Santo), mas também o dia em que a Igreja parte em missão. Jesus ainda lembra no Evangelho sobre a importância em relação ao perdão de Deus. Os apóstolos devem ajudar as pessoas a buscarem sua conversão e reconciliação com Deus Pai. Assim, os discípulos de Jesus, a partir daquele momento, receberam o dom de também perdoar em nome de Deus. Mas cabe também aquele que recebeu o sopro divino (o Espírito Santo) mudar de vida e se arrepender dos seus pecados. As graças de Deus são como pérolas preciosas que precisam ser acolhidas por aquele que crê no amor de Deus e que deseja se tornar presença de Deus neste mundo, assim, abandonar o pecado é a condição fundamental para se tornar manifestação de Deus e do Espírito Santo de Amor neste mundo.
Por que e como devemos nos preparar para a Festa de Pentecostes?
Estavam os apóstolos preparados para sua sublime vocação?
Era de supor que, após três anos de convívio diário com Nosso Senhor Jesus Cristo, estivessem preparados para a missão que lhes cabia, de firmar e expandir a Santa Igreja.
Contudo, não o estavam. Em várias passagens do Evangelho, vemo-los repletos de fragilidades. Logo após episódios, sermões e milagres impressionantes, não se punham a fazer comentários sobre a grandeza das palavras ou dos gestos do Mestre, mas sim a discutir a respeito de quem seria o primeiro-ministro num suposto reino temporal que, acreditavam, Cristo iria fundar…
Quando Jesus lhes dizia que estavam para se cumprir as profecias a respeito de sua Paixão, Morte e Ressurreição, eles nada entendiam (Lc 18, 31-43), voltando a disputar sobre quem seria o maior (Mc 9, 31-35). A mãe de João e Tiago aproximou-se um dia de Jesus, acompanhada pelos dois filhos, para Lhe pedir que reservasse para eles os dois primeiros cargos do futuro reino (Mt 20, 2028).
No fim da Santa Ceia, logo após a saída de Judas, houve um diálogo revelador. Depois de Pedro dizer que estava disposto a dar a vida pelo Mestre — declaração que Jesus não aceitou, profetizando-lhe a tríplice negação —, Tomé manifestou sua cegueira sobre os acontecimentos iminentes, e Filipe demonstrou não estar plenamente consciente da divindade de Jesus, pedindo-lhe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta”. Ao que Nosso Senhor replicou: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai… Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim?” (Jo 14, 2-10).
Por que os Apóstolos não compreendiam?
Esta era a situação daqueles que Jesus Cristo convocara para serem as colunas de sua Igreja. Não O compreendiam. Por quê? Entre as várias explicações possíveis, três parecem de maior peso.
Em primeiro lugar, o ser humano, debilitado após o pecado original, não tem apetência de elevar as vistas para as verdades superiores. Seu gosto está em voltar-se para cogitações meramente práticas, concretas, atraído pelos aspectos medíocres da vida.
Por isso não se dá conta daquilo de grandioso para o qual é chamado. Este problema se coloca de forma mais aguda para quem tem vocação incomum, como ocorreu com os apóstolos: não percebiam que lhes cabia a maior missão da história.
Outra explicação é de natureza psicológica. A sociedade de Israel era bem hierarquizada, tendo no topo a raça dos sacerdotes, e depois toda uma coorte de pessoas vinculadas com o sacerdócio ou a realeza, como os escribas, os fariseus e a classe mais abastada.
De outro lado, a Galileia era uma região desprezada, considerada “bárbara” e ignorante. Ora, os apóstolos eram quase todos galileus e pescadores. Sentiam-se, portanto, em certa inferioridade. Agora lhes aparecia a oportunidade de subirem aos primeiros cargos do novo reino…
Faltava-lhes o amor
Por fim, faltava-lhes um amor ardoroso por Nosso Senhor. Se o tivessem, todo o resto se resolveria. Não adiantava assimilarem a doutrina, nem mesmo ter fé e esperança, pois essas virtudes de nada valem se não são acompanhadas pela caridade.
Nem após a Ressurreição de Nosso Senhor desapareceram essas fragilidades. A incredulidade de São Tomé é exemplo característico. Passou o Senhor entre eles mais quarenta dias, e fez lhes revelações e deu ensinamentos. Não adiantou.
Com o que continuavam preocupados? Com a restauração do reino de Israel… Ainda no momento da Ascensão, quando o Divino Mestre lhes fala da vinda próxima do Espírito Santo, eis como reagem: “Então os que se tinham congregado, interrogavam-No dizendo: Senhor, porventura chegou o tempo em que restabelecereis o reino de Israel?” (At 1, 6).
Preparação para a vinda do Espírito Santo
Imediatamente antes da Ascensão, Jesus havia ordenado aos apóstolos que não se afastassem de Jerusalém, pois dentro de poucos dias seriam batizados no Espírito Santo. Voltaram, então, para a Cidade Santa, e subiram ao andar superior do cenáculo: “Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele”.
Vemos também como os apóstolos conheciam o valor da oração. Por meio dela se preparavam para receber o Espírito Santo. E “perseveraram unanimemente”, ou seja, estavam concordes, e, além disso, estavam juntos, porque a oração de vários unidos pelo amor de Jesus Cristo e em função d’Ele tem esta promessa: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18, 19).
Estavam recolhidos, modo excelente de preparação para grandes acontecimentos. O próprio Jesus passara 40 dias no deserto, antes de iniciar sua vida pública.
Embora não se possa dizer que os apóstolos estivessem melhores do que antes, haviam tomado, assim, uma atitude sapiencial. A graça de Pentecostes será, de algum modo, o desabrochar de uma flor, cuja semente vinha germinando em suas almas.
Intercessão de Maria
Quer dizer, apesar de essa graça ter sido gratuita, uma iniciativa de Deus, eles, em certa medida, prepararam o caminho para ela. Por fim chegamos a um ponto fundamental: oravam com Maria.
Eis a condição indispensável para receber as graças do Espírito Santo. Como esposa d’Ele, Nossa Senhora deve Lhe ter pedido que descesse sobre os apóstolos. Reunindo-se com a Santíssima Virgem, os apóstolos obtiveram graças que liberaram suas almas dos últimos obstáculos para se beneficiarem com Pentecostes.
Enviai o Vosso Espírito
Para aproveitarmos convenientemente as graças da comemoração de Pentecostes, que se aproxima, consideremos a maravilha da ação santificadora do Espírito Santo em nossas almas.
Quão necessitado está o mundo, na situação presente, de um sopro especial d’Ele para mudar os corações e renovar completamente a face da Terra!
Peçamos à divina Esposa do Paráclito, Mãe e Senhora nossa, que nos obtenha a graça da vinda o quanto antes deste Espírito regenerador à nossas almas, conforme suplica a Santa Igreja: “Emitte Spiritum tuum et creabuntur, et renovabis faciem terræ” — “Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra”.
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.5, maio 2002.
REDAÇÃO CENTRAL, 21 Mai. 23 / 05:00 am (ACI).- Hoje a Igreja Universal celebra a solenidade da Ascensão do Senhor ao céu, após quarenta dias de sua ressurreição.
São João Paulo II, ao meditar sobre esta solenidade, em sua homilia de 24 de maio de 2001, assinalou que “a contemplação cristã não nos subtrai ao compromisso histórico. O ‘céu’ da Ascensão de Jesus não quer dizer distância, mas o ocultar e a vigilância de uma presença que nunca nos abandona, até que Ele venha na glória”.
“Entretanto – continua o santo – chegou a hora exigente do testemunho para que, em nome de Cristo, ‘sejam anunciadas a todas as gentes a conversão e a remissão dos pecados’”.
Uma das passagens bíblicas que narra este episódio da vida do Senhor está no evangelho de são Lucas 24,46-53:
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 46“Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48Vós sereis testemunhas de tudo isso. 49Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”.
50Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. 52Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. 53E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.
Maio não é só o mês das noivas como é popularmente chamado, mas também o mês de Maria, o mês das mães. Isso porque no segundo Domingo de Maio comemoramos o dia das Mães e no dia 13 de maio celebramos o dia de Nossa Senhora de Fátima.
Em maio de 1917 o Papa Bento XV, em meio a Primeira Guerra Mundial, convocou todos os católicos para se unirem em oração e pedirem a Nossa Senhora que intercedesse na guerra e trouxesse paz para aquele momento. E foi a partir daí que começa a história de Nossa Senhora de Fátima.
História de Nossa Senhora de Fátima
Oito dias após a convocação do Papa, em resposta as orações, Nossa Senhora de Fátima fez sua primeira aparição em 13 de maio de 1917 na pequena aldeia de Fátima em Portugal. Em um local chamado “Cova de Iria”, ela apareceu para três pequenos pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta.
Por volta de meio-dia eles brincavam pelo campo enquanto cuidavam de um pequeno rebanho quando pararam para rezar o terço, como já era de costume. Queriam voltar logo para a brincadeira e por isso rezaram à moda deles e rapidamente voltaram para o campo e foi quando viram um clarão bem similar ao de relâmpagos.
Acharam que ia chover e por isso se recolheram para ir embora e foi quando viram um segundo clarão em cima da copa de uma árvore (chamada azinheira) e em seguida viram Nossa Senhora de Fátima. Assustados, quiseram correr, mas Nossa Senhora logo os tranquilizou e pedindo que não tivessem medo, pois ela vinha do Céu.
Segundo relato dos próprios pastorinhos, a visão era de uma “Senhora mais brilhante que o Sol”, e em suas mãos pendia um Rosário. Serena e tranquila disse às crianças:
“Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez.”
E as aparições aconteceram sete meses seguintes conforme o prometido.
Antes de ir embora, Nossa Senhora de Fátima ainda ressaltou:
“Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo, e o fim da guerra.”
As aparições de Nossa Senhora de Fátima
As aparições continuaram nos meses seguintes e mesmo em meio a perseguições, maus tratos e acusações de serem mentirosos, Lúcia, Francisco e Jacinta estavam na Cova de Iria para esperar por Nossa Senhora de Fátima. Tanto que na segunda aparição, haviam apenas 50 pessoas os acompanhando.
Mas isso foi mudando e na terceira aparição prometeu um milagre para que o povo acreditasse nas crianças. E na última aparição, em 13 de outubro, o milagre aconteceu. Haviam com eles mais de 70.000 pessoas e em meio a multidão, do meio das nuvens negras, o sol surgiu e começou a girar sobre si mesmo como se fosse uma imensa bola de fogo.
E foi também nessa última aparição que Nossa Senhora de Fátima revelou ser a “Nossa Senhora do Rosário” e pediu que ali fosse construída uma capela em sua homenagem.
Segredos de Fátima
Na terceira aparição de Nossa Senhora de Fátima foi revelado a Lúcia um Segredo constituído por três partes que seriam reveladas posteriormente nas demais aparições. São eles, nas próprias palavras de Lúcia:
1ª parte – A visão do Inferno
“Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados em esse fogo, os demônios e as almas, como se fossem transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gemidos e gritos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor.
Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparente e negros.
Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor”.
2ª parte – Devoção ao Imaculado Coração de Maria
“Nossa Senhora me disse que nunca me deixaria e que Seu Imaculado Coração seria o meu refúgio e o caminho que me conduziria a Deus.Que foi ao dizer estas palavras que abriu as mãos, fazendo-nos penetrar no peito o reflexo que delas expedia.
Parece-me que, em este dia, este reflexo teve por fim principal infundir em nós um conhecimento e amor especial para com o Coração Imaculado de Maria; assim como das outras duas vezes o teve, me parece, a respeito de Deus e do mistério da Santíssima Trindade. Desde esse dia, sentimos no coração um amor mais ardente pelo Coração Imaculado de Maria”.
3ª parte – A última revelação do Segredo
“Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro:
O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos numa luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se vem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.
Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.”
A mensagem que fica e continua sendo atual até mesmo nos dias de hoje é que Nossa Senhora de Fátima veio nos lembrar que Deus existe, nos ama e pode nos salvar desse mundo devastado pela guerra e pela fome. Devemos ter fé e sempre lembrar de suas palavras quando tudo parecer perdido ou sem solução.
Oração a Nossa Senhora de Fátima
Virgem Santíssima, transbordante da mais pura alegria pela presença em vós do Verbo Divino Encarnado, fazei com que, imitando na terra a pureza de vossa Anunciação, a caridade de vossa Visitação a Santa Izabel, amor terno a Jesus recém-nascido no presépio, a humilde obediência com a qual vos apresentastes no templo de Jerusalém, possamos merecer também, como vós, pela solicitude constante em buscarmos a Jesus durante a vida, encontrá-lo definitivamente no templo de Sua Glória Eterna. Amém.
Maio não é só o mês das noivas como é popularmente chamado, mas também o mês de Maria, o mês das mães. Isso porque no segundo Domingo de Maio comemoramos o dia das Mães e no dia 13 de maio celebramos o dia de Nossa Senhora de Fátima.
Em maio de 1917 o Papa Bento XV, em meio a Primeira Guerra Mundial, convocou todos os católicos para se unirem em oração e pedirem a Nossa Senhora que intercedesse na guerra e trouxesse paz para aquele momento. E foi a partir daí que começa a história de Nossa Senhora de Fátima.
História de Nossa Senhora de Fátima
Oito dias após a convocação do Papa, em resposta as orações, Nossa Senhora de Fátima fez sua primeira aparição em 13 de maio de 1917 na pequena aldeia de Fátima em Portugal. Em um local chamado “Cova de Iria”, ela apareceu para três pequenos pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta.
Por volta de meio-dia eles brincavam pelo campo enquanto cuidavam de um pequeno rebanho quando pararam para rezar o terço, como já era de costume. Queriam voltar logo para a brincadeira e por isso rezaram à moda deles e rapidamente voltaram para o campo e foi quando viram um clarão bem similar ao de relâmpagos.
Acharam que ia chover e por isso se recolheram para ir embora e foi quando viram um segundo clarão em cima da copa de uma árvore (chamada azinheira) e em seguida viram Nossa Senhora de Fátima. Assustados, quiseram correr, mas Nossa Senhora logo os tranquilizou e pedindo que não tivessem medo, pois ela vinha do Céu.
Segundo relato dos próprios pastorinhos, a visão era de uma “Senhora mais brilhante que o Sol”, e em suas mãos pendia um Rosário. Serena e tranquila disse às crianças:
“Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez.”
E as aparições aconteceram sete meses seguintes conforme o prometido.
Antes de ir embora, Nossa Senhora de Fátima ainda ressaltou:
“Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo, e o fim da guerra.”
As aparições de Nossa Senhora de Fátima
As aparições continuaram nos meses seguintes e mesmo em meio a perseguições, maus tratos e acusações de serem mentirosos, Lúcia, Francisco e Jacinta estavam na Cova de Iria para esperar por Nossa Senhora de Fátima. Tanto que na segunda aparição, haviam apenas 50 pessoas os acompanhando.
Mas isso foi mudando e na terceira aparição prometeu um milagre para que o povo acreditasse nas crianças. E na última aparição, em 13 de outubro, o milagre aconteceu. Haviam com eles mais de 70.000 pessoas e em meio a multidão, do meio das nuvens negras, o sol surgiu e começou a girar sobre si mesmo como se fosse uma imensa bola de fogo.
E foi também nessa última aparição que Nossa Senhora de Fátima revelou ser a “Nossa Senhora do Rosário” e pediu que ali fosse construída uma capela em sua homenagem.
Segredos de Fátima
Na terceira aparição de Nossa Senhora de Fátima foi revelado a Lúcia um Segredo constituído por três partes que seriam reveladas posteriormente nas demais aparições. São eles, nas próprias palavras de Lúcia:
1ª parte – A visão do Inferno
“Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados em esse fogo, os demônios e as almas, como se fossem transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gemidos e gritos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor.
Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparente e negros.
Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor”.
2ª parte – Devoção ao Imaculado Coração de Maria
“Nossa Senhora me disse que nunca me deixaria e que Seu Imaculado Coração seria o meu refúgio e o caminho que me conduziria a Deus.Que foi ao dizer estas palavras que abriu as mãos, fazendo-nos penetrar no peito o reflexo que delas expedia.
Parece-me que, em este dia, este reflexo teve por fim principal infundir em nós um conhecimento e amor especial para com o Coração Imaculado de Maria; assim como das outras duas vezes o teve, me parece, a respeito de Deus e do mistério da Santíssima Trindade. Desde esse dia, sentimos no coração um amor mais ardente pelo Coração Imaculado de Maria”.
3ª parte – A última revelação do Segredo
“Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro:
O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos numa luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se vem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.
Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.”
A mensagem que fica e continua sendo atual até mesmo nos dias de hoje é que Nossa Senhora de Fátima veio nos lembrar que Deus existe, nos ama e pode nos salvar desse mundo devastado pela guerra e pela fome. Devemos ter fé e sempre lembrar de suas palavras quando tudo parecer perdido ou sem solução.
Oração a Nossa Senhora de Fátima
Virgem Santíssima, transbordante da mais pura alegria pela presença em vós do Verbo Divino Encarnado, fazei com que, imitando na terra a pureza de vossa Anunciação, a caridade de vossa Visitação a Santa Izabel, amor terno a Jesus recém-nascido no presépio, a humilde obediência com a qual vos apresentastes no templo de Jerusalém, possamos merecer também, como vós, pela solicitude constante em buscarmos a Jesus durante a vida, encontrá-lo definitivamente no templo de Sua Glória Eterna. Amém.
Mais de 100 anos após a aparição da Virgem em Fátima, a humanidade ainda teima em ignorar os seus apelos à conversão e à penitência.
Quando Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos de Fátima, a 13 de maio de 1917, ela fez-lhes uma pergunta: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser mandar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?” Na ocasião, os jovens Francisco, Jacinta e Lúcia responderam que sim, assumiram o pedido da Virgem Maria e toda a sua vida se transformou em uma verdadeira entrega a Deus, pelo resgate das almas.
Impossível não se lembrar do episódio da Anunciação, quando o Céu, de um modo nunca antes visto, dependeu da liberdade de uma única criatura para descer sobre a Terra. Às palavras do anjo, dizendo que Maria Santíssima conceberia e daria à luz o próprio Filho de Deus, ela prontamente respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Naquele momento, também ela, de modo muito singular, assumia para si a missão de “suportar todos os sofrimentos”, “em ato de reparação (…) e de súplica pela conversão dos pecadores” – missão que o profeta do templo resumiria na famosa expressão: “Uma espada traspassará a tua alma” (Lc 2, 35).
É essa a missão a que se referiu o Papa Bento XVI em 2010, quando peregrinou à cidade de Fátima. “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”, disse ele na ocasião. De fato, ainda hoje, Nossa Senhora dirige a toda a humanidade o mesmo apelo que fez aos três pastorinhos na Cova da Iria. “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores”, dizia ela. “Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.
A hora é propícia para um profundo exame de consciência. O terceiro segredo de Fátima revelou a visão de um Anjo “apontando com a mão direita para a terra” e clamando, com voz forte: “Penitência, Penitência, Penitência!” Diante desse quadro, a pergunta a ser feita é: A humanidade realmente tem se penitenciado? O que tem sido feito para atender aos pedidos de Nossa Senhora?
É preciso bater no peito e reconhecer o quão pouco foi feito pelo homem moderno para corresponder aos apelos da Mãe de Deus. Primeiro, por parte daquelas pessoas que, mesmo se assumindo “católicas”, não só rejeitaram o conteúdo de Fátima – que, por ser uma revelação particular, não obriga ao assentimento nenhum fiel católico –, mas abandonaram totalmente as próprias verdades da fé. Também em Fátima, Bento XVI chamou a atenção para o fato de que “muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importar com a própria salvação eterna”. Sem dúvidas, este é o grande mal deste século: que o homem viva como se Deus não existisse, totalmente alheio às realidades eternas e aos cuidados da sua alma.
Para que acontecesse uma efetiva mudança no mundo e os corações fossem elevados ao Alto, porém, Nossa Senhora indicou o caminho da penitência. Entra aqui a necessidade do exame por parte daqueles que creem, mas ainda se encontram “estacionados” na vida espiritual. De fato, é muito comum ver pessoas instigadas pelas aparições da Virgem em Fátima, Lourdes, La Salette… Mas, quantas dessas pessoas despendem os mesmos esforços e as mesmas horas para cumprir os desejos de Deus, expressos pela boca de Maria Santíssima? De fato, ela disse: “Rezem o Terço todos os dias”. Mas, quantas são as famílias que se têm dedicado à oração do Santo Terço? E quantas o têm rezado diariamente, como pediu Nossa Senhora?
Ela também disse: “Sacrificai-vos pelos pecadores”. Ora, quantos têm verdadeiramente jejuado e feito penitências pela conversão do mundo? Quantos têm se levantado de madrugada ou feito vigílias em família para rezar pelas almas que mais precisam?
Ela disse: “Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido”. E qual tem sido a conduta das pessoas? Será que têm se preocupado em adquirir verdadeira santidade de vida? Como está vivendo a juventude católica, que se reúne nos grupos de oração, vai às Missas e estuda a sua fé? Como têm vivido aqueles que, por sua vida, deveriam brilhar como “a luz do mundo” (Mt 5, 14) e espalhar por todos os cantos “o bom odor de Cristo” (2 Cor 2, 15)?
Neste dia em que a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora de Fátima, é urgente lembrar que, no fim das contas, de nada adiantam alardes, previsões e surtos de curiosidade malsã sobre o futuro. “Se não vos converterdes, diz o Senhor, perecereis todos do mesmo modo” (Lc 13, 3). O que Jesus e Maria querem dos homens é que sejam santos, rezem e se mortifiquem – este é o único necessário de que fala Nosso Senhor, todo o mais nos será tirado (cf. Lc 10, 42).
Conversão, penitência e oração: eis, pois, o centro do Evangelho e o núcleo da mensagem de Fátima – e também o de todas as outras recentes aparições da Virgem Maria. Ainda hoje, não existe outra escada por onde subir ao Céu – nem outro caminho para chegar à paz.
Em suas aparições, em Fátima, Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos uma mensagem que se mantém atual para nós.
Em 1917, Nossa Senhora apareceu em Fátima a três crianças: Lúcia, Francisco e Jacinta, para revelar ao mundo uma mensagem significativa para aquela época, mas que não perdeu a sua importância em nossos dias. Em seu livro “Luz do mundo”, o Papa emérito Bento XVI disse que a mensagem de Fátima nos ajuda a “entender um momento crítico na história: aquele no qual se desencadeia toda a força do mal que se cristalizou nas grandes ditaduras e que, de outra maneira, age ainda hoje”1. Essas duas grandes ditaduras, o nazismo e o comunismo, que, juntas mataram centenas de milhões de pessoas, devastaram a Europa e a Ásia, e, depois da “queda”, espalharam seus erros por todo o mundo.
A resposta desafiadora a todos esses erros “não consiste em grandes ações políticas, mas, ultimamente, pode chegar somente da transformação dos corações. […] Nesse sentido, a mensagem de Fátima não está concluída, mesmo que as duas grandes ditaduras tenham desaparecido”2, pois permanece o sofrimento da Igreja, resta a ameaça às pessoas, que se faz presente não somente por meio da perseguição, da violência, da escravidão, da morte, como vemos no mundo islâmico e em países comunistas, mas também nas ideologias: relativismo, feminismo, ideologia de gênero, cultura de morte e tantos outros erros que corrompem as culturas e as sociedades pelo mundo todo.
Foto Ilustrativa: bpperry by Getty Imagens / cancaonova.com
As aparições de Fátima e a Penitência pela salvação das almas
Para fazer frente a todos esses males, mantém-se atual a resposta que nos foi dada na mensagem de Fátima, persiste a orientação que Maria nos revelou por intermédio de Lúcia, Francisco e Jacinta. Como profetizou a Santíssima Virgem, nosso tempo está marcado por grandes tribulações. Hoje, o poder das trevas ameaça pisotear a nossa fé de todas as formas possíveis. Por isso, em nossos dias, como outrora, são necessários os ensinamentos que a Mãe de Deus transmitiu aos três pastorinhos.
Na carta com o terceiro segredo de Fátima, revelado por Nossa Senhora aos pastorinhos, em 13 de julho de 1917, a Irmã Lúcia descreve uma visão extraordinária que nos ajuda a compreender a importância da penitência, especialmente para o nosso tempo: “(…) vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despendia chamas que pareciam incendiar o mundo; mas se apagavam com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!”3
A palavra “penitência” aparece nada menos do que 57 vezes na “Documentação Crítica de Fátima”. Em suas aparições, Nossa Senhora recomendou insistentemente que todos fizessem penitência, inclusive as três crianças, videntes das aparições. Lúcia, Francisco e Jacinta fizeram duras penitências, principalmente pela conversão e salvação dos pecadores.
Entre as penitências que nos pediu a Virgem de Fátima, tem particular importância os sacrifícios. A palavra “sacrifício”, que aparece 38 vezes na Documentação, também é muito importante para compreender a Mensagem de Fátima. Na 4ª aparição, no dia 19 de agosto de 1917, Nossa Senhora deu uma ordem expressa aos pastorinhos: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores”, dizia ela. “Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”4. Pois é um dos meios que a Virgem Maria nos revelou para afastar os males do mundo. Alguns sacrifícios foram ensinados pela própria Virgem, como rezar de joelhos, jejuns e abstinências. Mas outros foram as três crianças que tiveram a inspiração, como aconteceu certa vez, quando encontraram uma corda áspera no caminho por onde passavam. Os três pastorinhos tomaram a corda e repartiram para usar na cintura como um cilício 5, dia e noite.
Nossa Senhora e o Santo Rosário pela salvação dos pecadores
O Santo Rosário tem grande importância na mensagem de Fátima. O próprio título com o qual a Virgem Maria se apresentou revela a grande importância dessa oração mariana para a Igreja em nosso tempo. Nossa Senhora apresentou-se aos pastorinhos sob o título de “Senhora do Rosário”. Esse nome aparece por 121 vezes na Documentação das aparições. O termo “Rosário” aparece 282 vezes; e o nome “Nossa Senhora do Rosário”, 51 vezes no Documento.
De fato, a própria Virgem pediu que Lúcia, Francisco e Jacinta rezassem o terço a Nossa Senhora do Rosário. Primeiramente, pelos próprios pecados, mas também e, principalmente, pela salvação dos pecadores. A devoção a Senhora do Rosário começou com a construção de uma capela dedicada a ela, na Cova da Iria, local das aparições. Com a crescente peregrinação dos fiéis e pelo manifesto desejo desses, foi erigida a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que posteriormente foi elevada a Santuário.
Nossa Senhora pediu insistentemente que os pastorinhos rezassem o Rosário de modo particular para a salvação das almas do inferno. A princípio, as três crianças não levaram muito a sério o pedido da Virgem Maria. Rezavam rapidamente para ter mais tempo para as brincadeiras comuns às crianças de suas idades. Mas, em pouco tempo, passaram a rezar com grande fervor o Santo Terço, pois compreenderam a importância da oração do Rosário para a salvação das almas.
A reparação ao Imaculado Coração da Virgem Maria
Em 13 de junho de 1917, na segunda de suas aparições em Fátima, Nossa Senhora confiou uma missão especial a pequena Lúcia, justamente quando ela pediu para os levar os três para o céu. A Santíssima Virgem respondeu-lhe: “Sim. A Jacinta e o Francisco, levo-os em breve; mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação e serão queridas de Deus essas almas, como flores postas por mim a adornar o Seu trono”. “Fico cá sozinha?”, disse com tristeza. “Não, filha, eu nunca te deixarei, o meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.6
Depois de ouvir essas palavras, Lúcia, Francisco e Jacinta viram a Virgem Maria com um coração na mão, cercado de espinhos. Os pastorinhos compreenderam que aquele era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que necessitava de reparação. Na aparição seguinte, no dia 13 de julho, a Santíssima Virgem repetiu as mesmas palavras e disse que voltaria para pedir a devoção reparadora dos primeiros sábados. Sete anos depois, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, na Espanha, foi revelado a Irmã Lúcia, na época postulante no Instituto de Santa Doroteia, a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados. A princípio, a Irmã ficou perplexa e não quis expor o fato. Somente em dezembro de 1927, por ordem de seu confessor, Lúcia escreveu as palavras que lhe dirigiu a Santíssima Virgem: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar e dize que todos aqueles que, durante cinco meses, no primeiro sábado, confessarem-se, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”7.
A mensagem de Fátima como remédio contra os males do mundo atual
Assim, a mensagem de Fátima teve grande importância naquele momento histórico. No entanto, quase cem anos depois, a mensagem de Nossa Senhora mantém-se atual. Talvez, hoje, mais do que naquele tempo, as penitências serão remédios eficazes contra o mal, a busca desenfreada pelas coisas materiais, pelo prazer e poder. O Santo Rosário será uma “arma” contra o poder dos demônios. A devoção dos primeiros sábados, em reparação das ofensas contra o Imaculado Coração de Maria, será o caminho seguro de muitas almas para o Reino dos Céus.
Hoje, as grandes ditaduras permanecem agindo em nossos dias, por meio das ideologias, das falsas religiões, das lutas pelo poder e pelas riquezas. Em Fátima, a resposta que nos é dada a essas pela Virgem Maria não consiste em grandes ações políticas, mas na transformação dos corações através da penitência e do sacrifício, da oração do Santo Rosário e da devoção ao Imaculado Coração de Maria.
Se ouvirmos os apelos de Jesus Cristo e da Virgem Maria, veremos, no Brasil e em todas as partes do mundo, aquilo que viu o Papa emérito Bento XVI: “Em Fátima, vi centenas de milhares de pessoas que, por meio daquilo que Maria havia confiado às crianças, neste mundo cheio de obstáculos e fechamentos, reencontram, de algum modo, o acesso a Deus”8. Esse nosso encontro com o Senhor será o grande triunfo profetizado pela Virgem Maria: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”9.
Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!
As referências dos Evangelhos e do Atos dos Apóstolos a Maria, Mãe de Jesus, apesar de poucas, deixam ver muito desta privilegiada criatura, escolhida para tão alta missão. São Paulo, na Carta aos Gálatas (4,4), dá a entender claramente que, no pensamento divino de nos enviar o Seu Filho, quando os tempos estivessem maduros, uma Mulher era predestinada a no-Lo dar. Para que se compreenda a presença da Virgem Maria nesta predestinação divina, a Igreja, na festa de 8 de dezembro, aplica à Mãe de Deus aquilo que o livro dos Provérbios (8, 22) diz da sabedoria eterna: “Os abismos não existiam e eu já tinha sido concebida. Nem fontes das águas haviam brotado nem as montanhas se tinham solidificado e eu já fora gerada. Quando se firmavam os céus e se traçava a abóboda por sobre os abismos, lá eu estava junto dele e era seu encanto todos os dias”. Era, pois, a predestinada nos planos divinos.
Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer isso. A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é, de fato, a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.
Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo, José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isso ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.
O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono. Quando seu Filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-Lo após três dias, queixa-se amorosamente: “Por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na Paixão e Crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do Redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.
Maio, mês dedicado a Nossa Senhora, pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-lhe que abra as mãos maternas em bênção de carinho sobre nossos passos nesta difícil escalada da Jerusalém celeste.
[A Festa da Misericórdia é celebrada no primeiro domingo depois da Páscoa, ou seja, o Segundo Domingo da Páscoa, agora chamado Domingo da Divina Misericórdia]*
A festa da Divina Misericórdia foi instituída no ano de 2000 pelo Papa João II para toda a Igreja. Esta decisão foi publicada por meio de um decreto da congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. A partir do mês de maio do mesmo ano, o segundo domingo da Páscoa passaria a ser “Domingo da Divina Misericórdia”.
Esta festa era um desejo do próprio Jesus, que fora revelado para Santa Faustina. Ela deixou cada uma destas revelações registradas em seu diário, que hoje, podemos ter acesso, pois foram registradas todas em apenas um exemplar com aproximadamente 1828 numerais.
Revelação de Jesus a Santa Faustina
“Nenhuma alma terá justificação enquanto não se dirigir com confiança à Minha misericórdia. E é por isso que o primeiro domingo depois da Páscoa deve ser a Festa da Misericórdia. Nesse dia, os sacerdotes devem falar às almas desta Minha grande e insondável misericórdia” (Diário, 570).
Foi então, depois que Faustina tornou-se santa, também pelo Papa João Paulo II, que instituiu-se o segundo domingo da Páscoa para a festa da Divina Misericórdia, a qual dá-se de encontro com a data da instituição da sagrada confissão, quando Jesus, no dia de sua ressurreição aparece para os apóstolos no cenáculo e institui o sacramento (cf João 20, 19-23).
Além de revelar a Santa Faustina o Seu desejo para a festa da Divina Misericórdia, no qual disse também: “As almas se perdem, apesar da Minha amarga Paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da Minha Misericórdia. Se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão por toda a eternidade” (Diário, 965). Jesus também revela uma imagem da Divina Misericórdia.
Imagem de Jesus Misericordioso
“Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro” (Diário, 47).
Santa Faustina pinta então a imagem da qual pode ver através da revelação de Jesus, onde também é trazido por Ele, os reais significados de cada um dos detalhes desta imagem.
“Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia, quando na Cruz, o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança” (Diário, 299).
“O Meu olhar, nesta Imagem, é o mesmo que eu tinha na cruz” (D, 326).
A cor branca da veste de Cristo simboliza a pureza e a glória celestes, cujos seres – tanto no Antigo como no Novo Testamento – aparecem sempre envoltos em brilho e brancura (cf. Lc 24,4; At 10,30). Por sua vez, a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós” faz parte da imagem, o que Jesus recorda expressamente à Santa Faustina (D, 327).
Instituição da festa de Jesus Misericordioso
“Por todo o mundo, o segundo domingo da Páscoa irá receber o nome de ‘Domingo da Divina Misericórdia’. É um convite perene aos cristãos do mundo enfrentarem com confiança e benevolência as dificuldades e desafios que a humanidade irá experimentar nos próximos anos que virão” (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos/ decreto/ 23 de maio de 2000).
A festa da Divina Misericórdia é um convite a todos nós, para que vivamos e experimentemos a própria misericórdia de Deus. Precisamos conhecê-la e confiar que Sua misericórdia é quem nos acolhe e que nos concede o perdão.
O Senhor frisa a Santa Faustina, dizendo que a festa da Divina Misericórdia irá salvar muitas almas: “Pede ao Meu servo fiel que, nesse dia, fale ao mundo inteiro desta Minha grande misericórdia, que aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida, alcançará perdão total das culpas e penas” (D. 300; cf. 1072).
O desejo de Deus era que esta festa fosse um abrigo para as almas de todos os pecadores. É uma nova chance que Ele nos dá, após a Páscoa, para que nos arrependamos de nossos pecados e conheçamos a Sua misericórdia. E, quando vivermos esta experiência, devemos proclamar aos quatro cantos, a todas as pessoas, a grandeza da misericórdia do bom Deus.
“É importante então que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo Domingo da Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira tomará no nome de Domingo da Divina Misericórdia” (Papa João Paulo II/ 30 de abril de 2000).
Acolhamos com alegria e sinceridade em nossos corações a misericórdia de Deus. Confiemos em Seu perdão e proclamemos a todos sobre este acontecimento tão marcante para nós, Igreja. Sejamos fiéis àquilo que o Senhor nos pede!
Domingo da Ressurreição! É Páscoa do Senhor! Tudo recebe novo sentido, a luz da manhã deste novo mundo se lança sobre as trevas da dúvida, do medo, dos limites de nossa existência. Cristo ressuscitou!
A celebração do Tríduo Pascal nos revelam as várias facetas deste mesmo mistério. O amor-serviço do lava-pés, o amor-doação radical da cruz, o olhar para trás e repassar o amor que percorreu toda a história da salvação e nos faz entrar na solene expectativa de seu ápice na vigília até o dia da Páscoa, a glorificação do amor-fidelidade do Filho pelo Pai.
Se a liturgia do domingo reafirma com todas as letras é esta vitória da misericórdia divina que acelera os passos daqueles que a ela se abrem para crer no Cristo Ressuscitado (cf. Jo 20,1-9). Movidos pelo amor, com maior vivacidade somos capazes de encontrá-lo em nossas vidas. Nas palavras de São Paulo, esforcemo-nos para sermos revestidos de sua glória, para alcançar as coisas do alto (cf. Cl 3,1-4). E, em nossos dias, talvez não haja maior sinal desta vida nova oferecida pelo Cristo que permitirmos que nossos gestos, nossa fala, nosso olhar seja permeado pelo seu amor, compaixão e misericórdia por tudo e todos, obras e criaturas moldadas pelas mãos do Pai. Verdadeira aspiração às coisas celestes.
A alegria da Ressurreição nos atinge em cheio em nossa experiência de fé. Não somos cristãos da melancolia, mas do júbilo pelo Deus Humilde que de tudo se despojou, nas mãos dos homens se entregou, sua missão confiada pelo Pai cumpriu e no fim a morte venceu! A alegria que só se justifica porque experimentamos em nossa vida que o testemunho dos apóstolos (cf. At 10,34.37-43) não são meras palavras. Sentimo-nos resgatados por ele, renascidos com ele para uma vida nova, erguidos e fortalecidos por sua graça e membros participantes desta comunidade, a Igreja, que professa a fé nele. Que a alegria do Ressuscitado seja nossa força! Feliz Páscoa!
Frei Rodrigo da Silva Santos, ofm
Publicado em Fraternidade Franciscana São Boa Ventura.
A sexta-feira santa é o único dia do ano em que não se celebra missa. A eucaristia é a celebração de Deus vivo e, por isto, não faz sentido celebrar a eucaristia no dia em que Cristo morre. A Igreja está recolhida, em oração. Dia de penitência. Dia de jejum. Dia de abstinência de carne. Dia em que devemos voltar nossos pensamentos para viver os sofrimentos atrozes vividos pelo Salvador e Redentor da humanidade.
A liturgia nos faz sentir, de maneira especial, o significado do sofrimento de Cristo, e as duas leituras que preparam o Evangelho são fundamentais para penetramos no Mistério que celebramos. A leitura da Paixão segundo João constitui o modo privilegiado de acesso ao mistério pascal, que neste dia revivemos, sobretudo como morte do Senhor. A primeira Leitura (cf. Is 52,13-53,12) é o quarto canto do Servo de Javé. Nesta leitura retirada do livro do profeta Isaías, a Igreja nascente encontrou, através das nuvens da história antiga, o fio que a existência de Jesus retornou e levou ao fim: a doação da vida do justo, pela salvação dos homens e mulheres, pela salvação dos irmãos, mesmo dos que o rejeitaram e mesmo daqueles que o traíram.
Já a segunda leitura, retirada da Carta aos Hebreus (cf. Hb 4,14-16;5,7-9), coloca em evidencia que Jesus participou em tudo de nossa condição humana. Assim, devemos nos colocar perante o mistério de hoje: Jesus, se fazendo homem em tudo, exceto no pecado, morre pela salvação da humanidade, para o perdão de nossos pecados, inaugurando o novo tempo: o tempo da salvação e da glória.
Nesta celebração acompanhamos os passos do Senhor em sua paixão até a sua entrega total na cruz. Contemplando e adorando o Senhor Crucificado, elevamos nossa oração por todas as pessoas com quem o sangue de Cristo nos fez irmãos, especialmente os que sofrem, prolongando hoje, o mistério de sua cruz.
Neste dia, somos chamados a contemplar a Paixão e Morte de Jesus. Somos levados a contemplar e vivenciar o mistério da iniquidade humana na pessoa de Jesus sim, mas, sobretudo, o mistério do Seu triunfo definitivo. O rito da apresentação e adoração da cruz vem como consequência lógica da proclamação da paixão de Cristo. A Igreja ergue diante dos fiéis o sinal do triunfo do Senhor, que Ele mesmo havia dito: “Quando levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8,28). Enquanto apresenta a cruz, o celebrante canta por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. A assembleia, cada vez, responde: “Vinde, adoremos!”.
E neste dia, a liturgia nos convida a lançar um olhar para o Calvário de Cristo. E lá podemos também contemplar Maria, silenciosa aos pés da cruz, com o coração retalhado de dor, Maria é figura da humanidade redimida. Nesta Sexta-feira Santa somos também convidados a contemplar o mistério da cruz de Cristo, através do olhar maternal de Maria. O evangelista São João refere-nos que aos pés da cruz, onde o Senhor entrega a vida, estavam a mãe de Jesus, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena; e ainda o próprio evangelista São João (cf. Jo 19,25). Jesus foi praticamente abandonado por todos. Os discípulos se dispersaram, restando apenas João, aquele que Jesus amava, segundo a tradição, os miraculados desapareceram, as multidões que o seguiam e o aclamaram como Messias nas ruas de Jerusalém, pediram a sua condenação. Só Maria, sua mãe, acompanhada por duas amigas, e João, são fiéis até ao fim.
Eles vencem o medo e superam a dor e não evitam a cruz. Essa é a primeira atitude que podemos aprender com Maria: não ter medo da cruz, contemplá-la com amor, porque aquele crucificado é a encarnação do amor. Aproximamos da cruz porque nela está suspenso alguém que nos ama infinitamente, nosso Senhor e Mestre. Naquela cruz joga-se o nosso destino; ali somos gerados para uma vida nova, nas núpcias misteriosas entre Deus e a humanidade; e Maria, que dera à luz o Verbo encarnado, surge como Mãe da nova humanidade, participando como mulher e Mãe nesse parto doloroso da humanidade redimida. Jesus explicita essa nova maternidade de Maria, ao dizer-lhe, referindo-se a São João: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26). A maldição que tinha caído sobre outra mulher, Eva, a primeira mãe da humanidade, condenada a dar à luz os seus filhos na dor (cf. Gn 3,16) é vencida na dor de Maria. Também ela, aos pés da cruz, gera os novos filhos na dor, mas a sua dor é o sofrimento da redenção.
Aos pés da Cruz está Maria como corredentora. Quis Deus que entre ela e o seu Filho, houvesse uma unidade de missão, e essa missão Maria a aceitou, desde o primeiro momento, na obediência da fé. Ao anjo disse: “Eu sou a Serva do Senhor, cumpra-se em mim a tua Palavra” (Lc 1,38). Essa obediência total à vontade do Pai será a atitude contínua de Jesus. A Sua fidelidade é uma obediência que, segundo São Paulo, encontra a sua máxima expressão naquela Cruz: humilhando-Se ainda mais, obedeceu até à morte na cruz (cf. Fl 2,8).
E na Carta aos Hebreus diz-se que Ele, “apesar de ser Filho, aprendeu, de quanto sofrera, o que é obedecer” (Hb 5,8). Aprender a obediência, aprofundar a atitude de abandono à vontade de Deus, eis algo que Maria não deixou de aprofundar, desde a anunciação até à cruz. Aos pés da cruz, tal como Seu Filho, Maria obedece, abandona-se ao desígnio misterioso de Deus e percebe, na cruz, qual era a vontade de Deus. A sua obediência é, agora, mais radical e profunda, pois percebe que é mais exigente aceitar a vontade de Deus acerca do Seu Filho do que acerca dela própria.
Aprendamos com Maria a obedecer à vontade do Senhor, quando nos convida à conversão, quando nos atrai para a intimidade, quando nos envia em missão, quando nos interpela a sermos santos, como ele é Santo. A cruz de Cristo é, em cada momento, um apelo à conversão, um convite à confiança, um desafio de amor.
Contemplando Maria, aos pés da cruz, aprenderemos, com ela, a abraçar a nossa cruz, isto é, as nossas provações, os nossos sofrimentos e que possamos fazer deles a oferta eucarística e hóstia de louvor, para a redenção do mundo. Assim seja.