“São Pedro de Alcântara é o herói da penitência e da Contemplação do amor de Deus.” – Irmãs Franciscanas Alcantarinas (Memória – 19 de outubro)

Fonte: Irmãs Franciscanas Alcantarinas – Província Nossa Senhora Aparecida

A Espiritualidade em  São Pedro de Alcântara

(1499-1562)

São Pedro de Alcântara é o herói da penitência e da Contemplação do amor de Deus. O homem todo oração e  amante do silêncio, É a humildade em pessoa, vive profundamente a pobreza ensinada pelo evangelho, a exemplo do Pai São Francisco. Contudo não é um santo alienado em Deus, mas, pelo contrário, a prática da caridade e do serviço fraterno aos irmãos, com especial predileção nos pequenos, é parte integrante da sua vida, de sua intimidade com Deus.

São Pedro de Alcântara alimenta sua vida interior com momentos prolongados em êxtase com o Mestre, contínuo jejum, penitências diversas, dentro do  contexto da época: uso de cilício, disciplinas, dormir apenas duas horas por noite e mal acomodado em sua cela tão pequena que não lhe permitia sequer deitar-se.

Sua humildade conquista todos os corações. Frei Pedro trabalha junto com os operários na construção dos muros do convento, carrega pedras, trabalha na faxina. Pede aos benfeitores que diminuam as esmolas, pois no Espírito do “Pobrezinho” quer que o sustento do convento provenha do trabalho dos frades: pratica a mesma ternura do seráfico Pai pelos irmãos esmoleres corre-lhes ao encontro, beija-lhes os ombros, ajuda-os a depor a carga e leva-lhes os pés. Como guardião, sabe dosar a reprimenda com suavidade, a ponto de ninguém revoltar-se nem se melindrar.

O modo de ser e de viver de São Pedro de Alcântara movimenta as consciências das elites e do povo simples. Ele busca o silêncio, a solidão, mas o seu deserto está povoado de pessoas que com ele procuram  a conversão e a salvação.

Como Provincial, Frei Pedro entregou-se aos ofícios humildes, dedicou-se com carinho aos irmãos leigos. Cuidou dos doentes e adotou como lema de sua vida o pensamento de São Pascoal Bailón: “é preciso ter para com Deus um coração de menino, para com o próximo um coração de mãe, e para consigo mesmo um coração de juiz.”

A espiritualidade de São Pedro de Alcântara era de uma profundidade tão grande, que sem interromper a contemplação dedicava-se  aos seus deveres de estado. Acima de todos os êxtases ele colocava as obras de misericórdias, o servir Cristo na pessoa dos pobres.

Portanto percebemos mais uma vez, que a espiritualidade é verdadeira e coerente quando produz vida em nós e através de nós, em nossos irmãos. Oração é vida, é amar a Deus, é amar o irmão.

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“Tratado de Oração”

(São Pedro de Alcântara)

Pedido Especial do Amor de Deus

do Tratado de Oração de São Pedro de Alcântara

* Nova tradução por Frei Celso Márcio Teixeira, OFM

[Sobre todas estas virtudes, dai-me, Senhor, a graça para que vos ame com todo o meu coração, com toda a minha alma, com todas as minhas forças e com todas as minhas entranhas, assim como vós mandais. Oh toda a minha esperança, toda minha glória, todo meu refúgio e alegria! Oh mais amado dos amados, Esposo florido, Esposo suave, Esposo melífluo! Oh doçura de meu coração, vida de minha alma e descanso alegre de meu espírito! Oh belo e claro dia da eternidade, serena luz de minhas entranhas, paraíso florido de meu coração! Oh amável princípio meu e suma suficiência minha!


[Preparai, meu Deus, preparai, Senhor, uma agradável morada para vós em mim, para que, segundo a promessa de vossa santíssima palavra, venhais a mim e repouseis em mim. Mortificai em mim tudo o que desagrada a vossos olhos e fazei-me homem segundo o vosso coração. Feri, Senhor, o mais íntimo de minha alma com as setas de vosso amor e embriagai-a com o vinho de vossa perfeita caridade.


[Oh, quando será isto? Quando vos agradarei em todas as coisas? Quando estará morto em mim tudo o que há de contrário a vós? Quando serei totalmente vosso? Quando deixarei de ser meu? Quando nada além de vós viverá em mim? Quando vos amarei ardentíssimamente? Quando a chama de vosso amor me abrasará todo? Quando estarei todo derretido e traspassado com a vossa eficacíssima suavidade? Quando abrireis a este pobre mendigo e lhe descobrireis a formosura de vosso reino que está dentro de mim e que sois vós com todas as vossas riquezas? Quando me arrebatareis, me submergireis, me transportareis e escondereis em vós, onde eu nunca mais seja encontrado? Quando, removidos todos os impedimentos e estorvos, me tornareis um só espírito convosco, para que nunca me possa afastar de vós?


[Oh amado, amado, amado de minha alma! Oh doçura, doçura de meu coração! Ouvi-me, Senhor, não por meus merecimentos, mas por vossa infinita bondade! Ensinai-me, iluminai-me, encaminhai-me e ajudai-me em todas as coisas, para que nenhuma coisa se faça, se diga, a não ser o que for agradável a vossos olhos. Oh Deus meu, amado meu, entranhas minhas, bem de minha alma! Oh doce amor meu! Oh grande deleite meu! Oh fortaleza minha! Oh vida minha, valei-me; luz minha, guiai-me!


[Oh Deus de minhas entranhas! Por que não vos dais ao pobre? Enchei os céus e a terra e deixais vazio o meu coração? Se vestis os lírios do campo, cuidais com amor das avezinhas e mantendes os vermes, por que vos esqueceis de mim que de todos me esqueço por vós? “Tarde vos conheci, bondade infinita! Tarde vos amei, beleza tão antiga e tão nova! Triste foi o tempo em que não vos amei, pobre de mim, pois não vos conhecia! Cego que sou, eu não vos via! Estáveis dentro de mim, e eu andava a buscar-vos fora! Embora eu vos tenha encontrado tarde, não permitais, Senhor, por vossa divina clemência, que jamais vos deixe”.


[Visto que uma das coisas que mais vos agradam e que mais toca o vosso coração é ter olhos para contemplar-vos, dai-me, Senhor esses olhos com que vos contemple: a saber, olhos simples da pomba, olhos castos e cheio de pudor, olhos humildes e amorosos, olhos devotos e chorosos, olhos atentos e discretos para entender vossa vontade e cumpri-la, para que, contemplando-vos com estes olhos, seja por vós olhado com aqueles com que olhastes São Pedro, quando o fizestes chorar seu pecado; com aqueles olhos com que olhastes o filho pródigo, quando saístes ao seu encontro para recebê-lo e o beijastes com o beijo de paz; com aqueles olhos com que olhastes o publicano, quando ele não ousava sequer elevar os olhos ao céu; com aqueles olhos com que olhastes a Madalena, quando ela lavava vossos pés com as lágrimas dos seus; finalmente, com aqueles olhos com que olhastes a Esposa do Cântico dos Cânticos, quando lhe dissestes. “És minha amiga formosa, formosa és; teus olhos são de pomba”, para que, agradando-vos dos olhos e da beleza de minha alma, lhe dês aqueles adornos de virtudes e graças, com as quais ela sempre vos possa parecer formosa.


[Ó altíssima, clementíssima, benigníssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, um só Deus verdadeiro, ensinai-me, conduzi-me e ajudai-me, Senhor, em tudo! Ó Pai todo-poderoso, pela grandeza de vosso infinito poder, estabelecei e confirmai minha memória em vós e enchei-a de santos e devotos pensamentos! Ó Filho santíssimo, pela eterna sabedoria vossa, esclarecei meu entendimento e adornai-o com o conhecimento da suprema verdade e de minha extremada vileza! Ó Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, por vossa incompreensível bondade, transpassai em mim toda a vossa vontade e abrasai-a com um fogo de amor tão grande que nenhuma água o possa apagar! Ó Trindade sagrada, único Deus meu e todo meu bem! Ah se eu vos pudesse louvar e amar como vos louvam e amam todos os anjos! Ah se eu tivesse o amor de todas as criaturas, com quão boa vontade vo-lo daria e transferiria a vós, embora nem este bastasse para amar-vos como vós mereceis! Somente vós podeis dignamente amar e dignamente louvar, porque somente vós compreendeis vossa incompreensível bondade e assim somente vós a podeis amar quanto ela merece, de maneira que só nesse diviníssimo peito se encontra guarda amor adequado a vós.


[Ó Maria, Maria, Virgem Maria santíssima, mãe de Deus, Rainha do céu, Senhora do mundo, sacrário do Espírito Santo, lírio de pureza, rosa de paciência, paraíso de deleites, espelho de castidade, modelo de inocência! Rogai por este pobre desterrado e peregrino e reparti com ele das sobras de vossa abundantíssima caridade. Ó vós, bem-aventurados santos e santas, e vós, bem-aventurados espíritos que ardeis no amor de vosso criador, especialmente vós, serafins, que abrasais os céus e a terra com vosso amor! Não desampareis este pobre e miserável coração, mas purificai-o, como os lábios de Isaías, de todos os seus pecados e abrasai-o com a chama desse vosso ardentíssimo amor, para que somente a este Senhor ame, somente a ele busque, somente nele repouse e more pelos séculos dos séculos. Amém

Autor: Lúcia Barden Nunes - Blog "Castelo Interior - Moradas"

Assinatura no blog: Lúcia Barden Nunes. Católica (Igreja Católica Apostólica Romana). Jornalista (Reg.Prof. MTb/RS 7.142- Lúcia Aparecida Nunes). Estado Civil: Casada (com Arturo Fatturi). Local de nascimento: Rio Grande do Sul. Data: 1960. País: Brasil.

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