A Oitava de Natal, uma celebração prolongada do mistério da encarnação

A Igreja convida-nos a prolongar a alegria do Natal, evitando reduzi-la a um único dia. Este é um tempo para deixar que o amor de Deus ilumine as nossas vidas e transforme o nosso cotidiano

Hoje, 25 de dezembro, iniciamos a Oitava de Natal, um período especial na liturgia da Igreja Católica em que celebramos intensamente o mistério do nascimento de Jesus Cristo. Este tempo litúrgico estende a solenidade do Natal ao longo de oito dias, culminando no dia 1 de janeiro com a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

A Oitava de Natal é um convite para aprofundarmos a alegria, a esperança e a paz que o nascimento de Cristo traz ao mundo, permitindo que cada dia seja vivido como um prolongamento do próprio Natal.

O que é a Oitava de Natal?

A palavra “oitava” tem origem no latim octava dies, que significa “o oitavo dia”. Na tradição católica, este termo refere-se ao período em que uma grande solenidade é celebrada de maneira mais intensa durante oito dias consecutivos. O conceito remonta ao Antigo Testamento, onde certas festas, como a Páscoa e a Festa dos Tabernáculos, eram celebradas por oito dias.

Na Igreja, as oitavas foram incorporadas à liturgia para prolongar a alegria de festas solenes. Hoje, apenas duas oitavas permanecem no calendário litúrgico: a Oitava do Natal e a Oitava da Páscoa.

Como viver a Oitava de Natal?

Cada dia da Oitava de Natal é considerado uma extensão do próprio dia 25 de dezembro, com leituras, orações e cânticos litúrgicos que mantêm o foco no mistério da Encarnação. É um período de graça em que somos convidados a meditar mais profundamente sobre o amor de Deus manifestado no nascimento de Jesus.

1. Participação na santa missa
Durante a Oitava, as celebrações eucarísticas mantêm o tom festivo do Natal. Além disso, algumas datas têm uma importância particular:

  • 26 de dezembro: Festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja.
  • 27 de dezembro: Festa de São João Evangelista, o discípulo amado.
  • 28 de dezembro: Festa dos Santos Inocentes, que lembra as crianças martirizadas por Herodes.
  • 1 de janeiro: Solenidade de Maria, Mãe de Deus, dia de prece pela paz mundial.

2. Reflexão e ação de graças
A Oitava de Natal é um tempo propício para agradecer a Deus pelo dom da salvação. Meditar sobre as leituras bíblicas diárias pode ajudar-nos a compreender melhor a profundidade do mistério do Natal.

3. Viver a Caridade
O nascimento de Cristo inspira-nos a viver o amor ao próximo de forma concreta. Ajudar os necessitados, visitar os doentes ou partilhar a alegria do Natal com quem está sozinho são formas práticas de viver este período.

Símbolos e tradições durante a oitava

Os símbolos natalinos mantêm-se vivos durante toda a Oitava. O presépio, a árvore de Natal e as velas recordam a luz de Cristo no mundo. As celebrações também costumam incluir cânticos natalinos, orações especiais e momentos de convivência familiar.

A Igreja convida-nos a prolongar a alegria do Natal, evitando reduzi-la a um único dia. Este é um tempo para deixar que o amor de Deus ilumine as nossas vidas e transforme o nosso cotidiano.

Conclusão

A Oitava de Natal é uma oportunidade única para aprofundar a vivência do mistério do nascimento de Cristo. Não se trata apenas de um prolongamento litúrgico, mas de um convite a levar a luz e a alegria do Natal para cada aspecto da nossa vida. Que este tempo especial nos fortaleça na fé, encha-nos de esperança e inspire-nos a amar como Cristo nos amou. Vivamos a Oitava de Natal com o coração aberto, acolhendo Jesus não apenas na manjedoura, mas em cada dia das nossas vidas.

Publicado em  Via Crucis.

Feliz Natal! Hoje é dia de celebrar o Nascimento de Nosso Senhor Jesus

Quando Maria Santíssima entrou na gruta, pôs-se logo em oração..

De súbito vê logo uma refulgente luz, sente no coração um gozo celestial, abaixa os olhos e, ó Deus!.

Que vê? Vê já diante de si o Menino Jesus, tão belo e tão amável, que enleva os corações. Mas treme e chora, segundo a revelação feita a Santa Brígida, estende as mãozinhas para dar a entender que deseja que Maria o tome nos braços..

Maria, no auge de santa alegria, chama José: – Vem, ó José, disse ela, vem e vê, pois já nasceu o Filho de Deus.

Aproxima-se José, e vendo Jesus nascido, adora-o por entre uma torrente de doces lágrimas..

Em seguida, a santa Virgem, movida de compaixão maternal, levanta com respeito o amado Filho, e conforme a já citada revelação, faz por aquecê-lo com o calor seu rosto e do seu peito.

Tendo-o no colo, adora o divino Menino como seu Deus, beija-lhe os pés como a seu Rei, e beija-lhe o rosto como a seu Filho e procura depressa cobri-lo e envolvê-lo nas mantilhas..

Mas ai, como são ásperos e grosseiros os paninhos! Além disso, são frios e úmidos, e naquela gruta não há lume para aquentá-los..

Consideremos aqui os sentimentos que surgiram no coração de Maria, quando viu o Verbo divino reduzido por amor dos homens a tão extrema pobreza..

Contemplemos a devoção e a ternura que ela experimentou quando apertava o Filho de Deus, já feito seu filho, contra o coração..

Unamos nossos afetos ao de tão boa Mãe e roguemos a Deus Padre “que o novo nascimento do seu Unigênito feito homem, nos livre do antigo cativeiro, em que nos tem o jugo do pecado”.

Jesus nasceu!.

Jesus nasceu! Vinde, ó reis, príncipes e todos os homens da terra, vinde adorar o vosso Rei.

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Mas quem é que se apresenta? …Ah, o Filho de Deus veio ao mundo, e o mundo não o quis conhecer.

Porém, se não vêm os homens, vêm ao menos os Anjos adorar o seu Senhor, e cantam jubilosos: Gloria in altissimis Deo, et in terra pax hominibus boné voluntatis – “Glória a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade”..

Glória à divina Misericórdia, que, em vez de castigar os homens rebeldes, fez o próprio Deus tomar o castigo sobre si, e assim os salvou.

Glória à divina Sabedoria, que achou meio de satisfazer à Justiça, e ao mesmo tempo, de livrar os homens da morte merecida.

Glória ao divino Poder, que de um modo tão admirável venceu as forças do inferno.

Glória finalmente ao divino Amor, que induziu um Deus a fazer-se homem e a levar uma vida tão pobre, humilde e penosa..

– Meu irmão, unamos as nossas adorações às dos Anjos e digamos com a nossa Santa Madre Igreja:.

“Gloria in excelsis Deo! Glória a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade.

Nós Vos louvamos, Vos bendizemos, Vos adoramos, Vos glorificamos. Graças Vos damos por vossa grande glória, Senhor Deus, Rei do Céu, Deus Pai todo-poderoso.

Ó Senhor, Filho unigênito de Deus, Jesus Cristo, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho do Pai: Vós, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

Vós, que tirais os pecados do mundo, aceitai as nossas súplicas. Vós, que estais sentado à Mão direita do Pai, tende piedade de nós.

Porque só Vós, ó Jesus Cristo, sois Santo, só Vós o Senhor, só Vós o Altíssimo, com o Santo Espírito, na glória de Deus Padre. Assim seja”..

Fonte: Retirado do livro “Meditações para todos os dias e festas do ano” de Santo Afonso de Ligório. Natal

Publicado em Associação Apostolado do  Sagrado Coração de Jesus – AASCJ.

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