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Archive for fevereiro \27\-03:00 2015

Jesus é tentado em três momentos no deserto… – Quaresma (Caritatis – Portal Católico)

Quaresma_Tentação-no-deserto

Mt 4,1-11: “E os anjos se aproximaram para servir Jesus”.

Artigo e imagem publicados em Caritatis – Portal Católico

Jesus posto à prova (Mateus 4, 1-11)

1Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.  2Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome. 3O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. 4Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3). 5O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: 6Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s). 7Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16). 8O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: 9Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. 10Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).   11Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.

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Comentando:

A pedagogia de Jesus quer nos mostrar que antes de qualquer iniciativa, devemos nos recolher, e no silêncio, orar, experimentar Deus em nossa vida, conversar e escutar o que Ele nos fala. Assim, será este tempo da Quaresma, propício a este recolhimento. O caminho é longo e precisamos, neste momento, fazer um balanço de nossa vida. É tempo de conversão.

Jesus se deixa conduzir pelo Espírito do Pai, mesmo sabendo que será tentado pelo demônio em três momentos. Ele vai, exorta confiança, se defronta com dificuldades, mas confia para onde está sendo levado. Jesus quer nos ensinar como devemos lutar e vencer as nossas tentações: com confiança em Deus, com a oração, com a graça divina e com a fortaleza. Rezamos, diariamente, na oração do Pai Nosso, pedindo a Deus que nos ajude com a Sua graça. “Não nos deixeis cair em tentação”.

Jesus manifesta a sua natureza humana, fazendo jejum, tendo fome, para mostrar que somos capazes de uma parada em nossa vida para a reflexão, contemplação. Jesus quer mostrar que antes de começar a sua obra messiânica, será necessário uma preparação, com oração e jejum no deserto. Da mesma forma, Moisés, o fez antes de promulgar, em nome de Deus, a Antiga lei do Sinai (cf. Ex 34,28), e também Elias, que caminhou quarenta dias no deserto para levar avante a sua missão: fazer renovar o cumprimento da Lei (1Rs 19,5-8).

A Igreja estabelece anualmente o tempo de jejum quaresmal (neste domingo contemplamos o retiro de Jesus no deserto), tempo este, que devemos nos preparar, com a oração e penitência, que será fundamental a nossa vida. Inclusive uma boa reflexão, no silêncio, sempre deverá acontecer antes de empreendermos alguma atividade ou tomarmos alguma decisão importante.

Recordo que no ano de 2010, tive a graça de participar da Quaresma, de forma diferenciada, pois estava sendo acompanhado pelo Pe. Paulo Pedreira, sj, nos Exercícios Espirituais. Então, foi uma Quaresma e Semana Santa intensas, onde pude perceber o amor que Jesus tem por cada um de nós. A nossa vida dá um salto de qualidade. Sentimos o ardor do coração de Cristo sofredor e crucificado e pedimos a graça de estar com Ele. Foi a melhor Quaresma, por isto estou aqui, continuando, convidando outros a esta experiência dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio.

Ser cristão hoje é ser um “super herói”, onde necessitamos nos livrar das armadilhas do inimigo a cada instante, principalmente pessoas como nós, que vivem em uma grande cidade, como o Rio de Janeiro. Este Primeiro Domingo da Quaresma se faz necessário, para contemplarmos Jesus, em sua fome, por ter ficado um tempo, sem alimento e observarmos o diálogo entre Jesus e o acusador.

Num primeiro momento, a fome de Jesus é intensa, o diabo aproveita para tentá-Lo, mas o Senhor o rejeita com uma frase do Dt 8,3. Jesus, não se assusta, apenas responde com Palavras da Sagrada Escritura, para mostrar, que como Ele podemos ser fortes, se tivermos a vivência da Palavra de Deus, que nos conforta e poderá ser nosso verdadeiro alimento, o Pão da Palavra da mesma forma como Yahweh alimentou os filhos de Israel com o maná no deserto e hoje, somos alimentados com o maná como imagem da Eucaristia. Com efeito, “o homem não vive só de pão, mas também de toda a palavra que sai da boca de Deus”.

Num segundo momento, Jesus é levado ao pináculo do Templo, e o acusador pede que Ele se jogue, pois os anjos o protegerão. Nesta passagem, Jesus quer mostrar aos cristãos que se deve estar alerta, quanto as falsas interpretações da Sagrada Escritura, como a citação proposta pelo diabo. Jesus chama a atenção para o erro da heresia, que consiste em fixar o olhar em um determinado trecho da Escritura, com exclusão de outros, com interpretação ao bel prazer, o que nos faz perder de vista a unidade da Escritura e a totalidade da fé.

Num terceiro momento, Jesus é levado para um monte muito alto e o demônio oferece a Jesus, todos os reinos, se o adorar. Jesus, responde de forma enérgica “para trás satanás”. Tiramos deste momento o ensinamento de Jesus, que devemos estar firme na missão salvífica em nossos ambientes e não podemos se deixar seduzir por ofertas, que muitas vezes, nos encantam. Vemos o grave problema da corrupção em nosso país, onde cada vez mais se agrava. As pessoas dormindo pelas ruas, pedindo esmolas nos sinais, se prostituindo. Tudo é lamentável, tudo é fruto da corrupção. Mas, aprendemos de Jesus: a sua atitude, a sua oposição as coisas do mundo.

O demônio deixa Jesus, é a vitória, consequência da constância na luta. Os anjos vêm e servem a Jesus. Este trecho do Evangelho mostra a alegria interior que teremos, quando, pela nossa confiança em Deus, nos opormos às tentações às coisas do mundo. Contra as tentações, Deus nos dá poderosos defensores, que quando precisarmos devemos invocar: os anjos da guarda.

Publicado em Caritatis – Portal Católico.

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Quaresma: “Tempo do combate – na Quaresma se deve combater – um tempo de combate espiritual contra o espírito do mal.” – Papa Francisco – Ângelus – 1º Domingo da Quaresma ( Rádio Vaticano)

Fonte: Rádio Vaticano.

No Angelus Papa convida a entrar sem medo no deserto, local de combate espiritual

“O significado deste primeiro Domingo da Quaresma, disse o Papa, é nos colocarmos decididamente no caminho de Jesus, o caminho que conduz à vida”. – AFP

22/02/2015 12:40

Cidade do Vaticano (RV) – Neste I Domingo da Quaresma o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontíficio para rezar, com os milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro, a oração mariana do Angelus.(…)

Eis o Angelus na íntegra:

Queridos irmãs e irmãs
Quarta-feira passada, com o rito das Cinzas, teve início a Quaresma e hoje é o primeiro Domingo deste tempo litúrgico que faz referência aos quarenta dias que Jesus passou no deserto, após o Batismo no Rio Jordão. São Marcos escreve no Evangelho de hoje: “O Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre animais selvagens, e os anjos o serviam”.Com estas breves palavras o evangelista descreve a prova enfrentada voluntariamente por Jesus, antes de iniciar sua missão messiânica. É uma prova da qual o Senhor sai vitorioso e que o prepara a anunciar o Evangelho do Reino de Deus. Ele, naqueles quarenta dias de solidão, enfrentou Satanás “corpo a corpo”, desmascarou as suas tentações e o venceu. E nele todos vencemos, mas nós devemos proteger esta vitória no nosso dia-a-dia.A Igreja nos faz recordar tal mistério no início da Quaresma, porque isto nos dá a perspectiva e o sentido deste tempo, que é o tempo do combate – na Quaresma se deve combater – um tempo de combate espiritual contra o espírito do mal. E enquanto atravessamos o deserto quaresmal, nós temos o olhar dirigido à Páscoa, que é a vitória definitiva de Jesus contra o Maligno, contra o pecado e contra a morte. Eis então o significado deste primeiro Domingo da Quaresma: colocar-nos decididamente no caminho de Jesus, o caminho que conduz à vida. Olhar Jesus, o que fez Jesus e seguir com Ele.Este caminho de Jesus passa pelo deserto. O deserto é o lugar onde se pode escutar a voz de Deus e a voz do tentador. No barulho, na confusão, isto não pode ser feito; ouve-se somente vozes superficiais. Pelo contrário, no deserto, podemos descer em profundidade onde se joga verdadeiramente o nossos destino, a vida ou a morte. E, como ouvimos a voz de Deus? A ouvimos na sua Palavra. Por isto é importante conhecer as Escrituras, pois, de outra maneira, não sabemos responder às insídias do maligno. E aqui gostaria de retornar ao meu conselho para ler a cada dia o Evangelho: cada dia ler o Evangelho, meditá-lo, um pouquinho, dez minutos, e levá-los empre conosco, no bolso, na bolsa..Mas ter sempre o Evangelho à mão; O deserto quaresmal nos ajuda a dizer não à mundanidade, aos ídolos, nos ajuda a fazer escolhas corajosas conforme o Evangelho e a reforçar a solidariedade com os irmãos.Então entremos no deserto sem medo, porque não estamos sozinhos: estamos com Jesus, com o Pai e com o Espírito Santo. Assim como foi para Jesus, é justamente o Espírito Santo que nos guia no caminho quaresmal, o mesmo Espírito descido sobre Jesus e que nos é dado no batismo. A Quaresma, por isto, é um tempo propício que deve nos levar a tomar sempre mais consciência do quanto o Espírito Santo, recebido no Batismo, operou e pode operar em nós. E ao final do itinerário quaresmal, na Vigília Pascal, poderemos renovar com maior consciência a aliança batismal e os compromissos que dela derivam.

Que a Virgem Santa, modelo de docilidade ao Espírito, nos ajude a deixar-nos conduzir por Ele, que quer fazer de cada um de nós “uma nova criatura”.

Publicado por Rádio do Vaticano.

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Quaresma, tempo de voltar para Deus

quaresma23O momento favorável é agora! Será que amanhã estaremos aqui? Sabemos que a morte encerra o nosso tempo de se arrepender dos pecados e encontrar Deus, para viver com ele. Não deixemos para depois.

A quaresma é um tempo em que Jesus nos convida a ir para o “deserto” com Ele, não o deserto de areia, mas o deserto do nosso coração, onde Deus habita desde o nosso batismo, mas que tantas vezes esquecemos. Esses quarenta dias tem um significado grande na Bíblia; significa “um tempo de prova” antes de uma grande “vitória”.

Assim, vemos Noé que passa 40 dias na barca com toda a criação para depois sair dali para uma vida nova, salvando a humanidade (Gn 8,6). Moisés permaneceu quarenta dias no monte Sinai (Ex 24,18) antes de dar ao povo as Tábuas da Lei e a Aliança com Deus. O povo de Deus caminhou quarenta anos no deserto antes de chegar com Josué `a Terra Prometida (Js 5,6); por quarenta anos Golias desafiou Israel até que Davi o vencesse (1Sm 17,16); Elias, fugindo da morte, caminhou durante quarenta dias ate´ chegar ao Horeb, na montanha onde Deus se mostrou a ele numa brisa suave (1Rs 19,8-12); quarenta dias foi o prazo que Jonas marcou para Nínive ser destruída, mas se converteu (Jn 3,4); etc. Jesus passa quarenta dias no deserto antes de vencer Satanás e começar a Sua missão de evangelização.

Depois de quarenta dias de luta vem uma grande vitória. Assim deve ser hoje a nossa Quaresma, quarenta dias de luta para conquistar a grande vitória de “voltar para Deus”. Não há felicidade maior do que estar com Deus, amar a Deus e servir a Deus. Santo Agostinho disse que: “Um homem sem Deus, é um peregrino sem meta, um questionado sem resposta, um lutador sem vitória, um moribundo sem nova vida”. “Quem ama a Deus nunca envelhece. Leva em si Aquele que é mais jovem que todos os outros”. “Eu não seria nada, meu Deus, absolutamente nada, se não estivesses em mim”. “O maior castigo do homem é não amar a Deus.”

Deus é tudo para nós: quando temos fome, é pão; quando temos sede, é água; quando estamos no escuro, é luz. Deus não nos abandona a não ser que nós O abandonemos primeiro. Quem não tem Deus na sua vida não se contenta com nada, está sempre insatisfeito. Deus colocou uma sede infinita de felicidade em nosso coração que só pode ser saciada por Ele mesmo, e por nada mais.

São Tomás de Aquino disse que “quanto mais o homem se afasta de Deus, mas se aproxima do nada”. Tanto mais é infeliz e sofredor, ainda que tenha todas as riquezas, prazeres e glórias terrenas. Santo Agostinho nos faz um alerta: “Declaraste guerra a Deus? Tem cuidado. Quantas mais e maiores pedras lances ao céu, mais e maiores serão as feridas que te causarão ao cair”.

Mas, o que nos afasta de Deus? Só uma coisa, o pecado. Por isso Jesus nos convida à conversão: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

“Aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro”, diz o Catecismo (n. 1489). “Quem peca fere a honra de Deus e seu amor, sua própria dignidade de homem chamado a ser filho de Deus e a saúde espiritual da Igreja, da qual cada cristão é uma pedra viva (n. 1488).

É por isso que Jesus veio ao mundo e morreu numa cruz, ensanguentado, flagelado, coroado de espinhos e zombado. Só podemos entender o horror que é o pecado olhando o quanto custou para Jesus, o Filho único de Deus, arrancá-lo de nossas almas. Ele não veio ao mundo para outra coisa, a não ser para ser o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). São Pedro disse que “não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado….” (1 Pe 1,18).

A Quaresma é o tempo de voltar para Deus, é o tempo da graça do arrependimento. São Paulo pediu insistentemente: “Em nome de Jesus Cristo, nós vos suplicamos: deixar-vos reconciliar com Deus… Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes a graça de Deus em vão, pois Ele diz: “No momento favorável eu te ouvi, e no dia da salvação eu te socorri. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6,1-2).

O momento favorável é agora, a Quaresma, o tempo de procurar um padre e fazer uma Confissão bem feita, deixando que o Sangue de Cristo lave as nossas almas. O profeta disse: “Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto” (Isaías 55, 6). Até quando poderemos ter essa oportunidade de encontrar Deus. Será que amanhã estaremos aqui? Sabemos que a morte encerra o nosso tempo de se arrepender dos pecados e encontrar Deus, para viver com ele. Não deixe para depois. Quem deixa as coisas para depois é porque não quer fazer nunca. Deus não pode ser deixado para depois.

Prof. Felipe Aquino

Publicado em Editora Cléofas.

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