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Archive for outubro \20\-03:00 2011

“De facto, sentia-se inspirada a dar origem a uma Congregação que, embora embebida do espírito carmelita de oração e reparação, se dedicasse também à assistência de crianças órfãs, pobres e abandonadas.(…)Deixou a Alemanha enfrentando inúmeras dificuldades e, depois de muito peregrinar, chegou à Itália.” – Artigo do Vaticano comenta beatificação de Madre Teresa de São José (Congregação das Carmelitas do Divino Coração de Jesus)

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Fonte: Carmelo Divino Coração de Jesus – Missão

Fundadora das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus

                                Beatificada a 13 de maio de 2006

                                          Ana Maria Tauscher, que se tornaria Madre Maria Teresa de São José, nasceu em Sandow, uma pequena cidade cerca de 100 km sudeste de Berlim (atualmente Polônia). O pai de Ana Maria,  Herman Traugott Tauscher, um pastor protestante de alto cargo, exercia a profissão que era a mesma de seus antepassados desde a época de Martinho Lutero.

                                          No entanto, desde a idade de 15 anos, Ana Maria aspirava a uma verdade ainda mais profunda que aquela que lhe tinha sido transmitida através da sua educação luterana. Aos 22 anos, ela começou a ler quotidianamente a Sagrada Escritura e a Imitação de Cristo. Um dia, frente a alguns colegas de seu pai, ela defendeu mesmo a doutrina da infalibilidade pontifícia. Ela também acreditava na virgindade de Maria, sem nunca ter estado em contato com católicos, nem ter lido obras católicas.

                                          Aos 22 anos, Ana Maria teve a intuição de que Deus a chamaria para seu serviço quando tivesse 30 anos. Porém, não sabia nem onde, nem como isso ia acontecer. Ela tudo entregava nas mãos da Divina Providência.

                                          Em fevereiro de 1886, estando ela em Berlim na casa de amigos, Ana Maria leu num jornal de Colônia um anúncio propondo um trabalho de enfermeira chefe num  hospital psiquiátrico. Seria este o sacrifício, o tal serviço que ela esteve esperando durante oito anos? No dia 6 de Março de 1886, Ana Maria deixou Berlim para começar a trabalhar na clínica de Lindenburg.

                                          Ela não tinha nenhuma experiência de enfermeira, mas sua entrega e seu amor quase maternal logo transformaram o asilo num autêntico Lar. À exceção do diretor, todas as pessoas da clínica de Lindenburg eram católicas. Um dos sacerdotes que vinha visitar os doentes ofereceu-lhe um catecismo da Igreja Católica. Nele, ela encontrou o que até então ela chamava de “sua religião pessoal”. E assim começou rapidamente a preparar, em segredo, a sua conversão.

                                          O diretor acabou por descobrir as intenções de Ana Maria. Mandou-a de volta para casa, mas voltou a chamá-la algumas semanas mais tarde. Aí, quando Ana Maria se preparava para subir no trem com destino a Colônia, seu pai a exortou de não se converter ao catolicismo. Ela lhe prometeu unicamente “Que tal não aconteceria hoje ou amanhã”.  Quando Ana Maria fez a sua profissão de fé na Igreja Católica, em 30 de Outubro de 1888, deixou para trás todo o seu passado.

                                          Desaprovada pelo seu pai, despedida de Lindenburg, Ana Maria colocou toda a sua confiança em Deus. Apesar de se ter proposto para vários empregos, ela não conseguia um outro trabalho, porque seu diretor tinha feito uma carta de recomendação pouco favorável. A partir de então, ela se viu sem trabalho e sem casa. Graças à ajuda de amigos católicos, Ana Maria foi recebida num convento, onde também se cuidava de pessoas de idade.

                                          Todas as tardes e todas as noites, Ana Maria vinha junto ao Senhor, frente ao altar do Santíssimo Sacramento, fortalecendo assim os laços que a uniam ao seu Divino Esposo. Continuava, no entanto, a sua séria procura de trabalho.

“Senhor, segundo a Vossa vontade, mandai-me a trabalhar para a salvação das almas aonde quiserdes. Escutai o ardente desejo da minha alma de poder demonstrar o meu amor e aminha gratidão. (…) meu Deus, se for possível, não me mandeis para Berlim, seja porém feita a Vossa vontade e não a minha.” (A.p.71)

                                          Era deste modo que Ana Maria rezava todos os dias. Desejava entrar numa ordem religiosa, mas tinha constantemente aquilo a que chamava “tentações do orgulho” de fundar a sua própria Congregação. Ela não podia partilhar com ninguém esta sua idéia. Esperava que entrando numa comunidade, esta provação desaparecesse. Os seus confessores sabiam que Deus a chamava para o seu serviço, mas aconselharam-na de não entrar numa ordem já existente. Passados 10 meses, ela recebeu então uma carta da Condessa de Savigny, uma católica fervorosa que vivia em Berlim, e que lhe propunha trabalho de dama de companhia. Apesar da sua tristeza à idéia de deixar Colônia, Ana Maria aceitou.

                                          Acompanhando a Condessa de Savigny nas suas viagens, Ana Maria começou a ler A Vida de Santa Teresa de Jesus, uma santa que tinha reformado o Carmelo no século XVI. A humildade de Teresa, o seu amor por Deus, o seu desejo ardente de salvar almas e o seu heroísmo correspondiam perfeitamente a Ana Maria. Desde então ela queria uma só coisa: entrar no Carmelo. Mas, uma vez mais o seu confessor a dissuadiu, e ela continuou a resistir à “sua tentação”. Quando o seu confessor partiu para as missões, Ana Maria procurou o conselho de um outro padre. As palavras dele foram libertadoras: “Pare de resistir à graça!”(A.p.98).

                                          Ana Maria começou desde logo a trabalhar naquilo para que se sentia chamada. Em Berlim, ela tinha presenciado o grande desespero das crianças sem casa. colocou-se em contato com o Delegado Episcopal de Berlim, e, obteve autorização para abrir um Lar para crianças. Com 500 marcos, que a Condessa lhe tinha dado em sinal de agradecimento, Ana Maria abriu o primeiro Lar São José, a 2 de Agosto de 1891. Começou por instalar três crianças, uma educadora e uma empregada doméstica, em alguns quartos de um prédio antigo, situado em “Pappelallee.” As crianças a chamavam “Mãe” e muito rapidamente passou a ser conhecida como “Mãe da Pappelallee”. Mas ainda faltava algo: a presença eucarística. Ana Maria não se cansava de rezar: “Senhor, se virdes, eu venho também.” (A.p.111),  e estava firmemente decidida a só se instalar no Lar São José, quando o Santíssimo Sacramento aí estivesse presente.

                                                                             A Eucaristia se tinha tornado o centro da vida e do trabalho de Madre Maria Teresa de São José. Na capela de Colônia, passou horas e horas rezando silenciosamente a Jesus, “o Amado da sua alma”. Frente ao Sacrário, na sua união pessoal com Cristo, Madre Teresa de São José encontrava alegria, paz, e o mais profundo amor que um coração humano pode experimentar.

“Deus inflamou o meu coração com tanta veemência de amor, que todo o sofrimento que a graça de Deus mais tarde me mandou ou permitiu que caísse sobre mim, não me parecia mais que uma gota de água que cai em cima de um ferro incandescente”. (A.p.65)

Com Jesus e por seu amor, ela estava pronta para tudo suportar, mas a sua ausência era para ela uma verdadeira tortura.

“Coração de Jesus, ninguém pode compreender como anseio por Vós. Ninguém é capaz de contar as lágrimas de desejo que chorei por Vós. Senhor, se virdes, eu venho também!” (A.p.)

                                           Era esta a sua oração constante. Era a fonte que alimentava todas as sua atividades apostólicas.

                                          O Amor nunca é estéril. A sua força criativa expande-se. Madre Maria Teresa desejava reunir outras pessoas à volta da Fonte de Amor que ela tinha encontrado. Só assim, bebendo constantemente desta fonte, é que ela própria e as outras jovens que se tinham juntado a ela, poderiam  se tornar instrumentos de Deus.

                                          A 8 de Dezembro de 1891, Cristo veio morar na “Pappelallee”. Para Ana Maria foi “o dia mais feliz da sua vida”.

“As nossa almas ganham vida nova na grande fonte de amor que é o SS. Sacramento e todos os dias se reacendem no fogo do Divino Amor que nunca descansa, mas que espalha ao redor de si as suas centelhas que são as obras de caridade em que Ele se consume.” (A.p.402)

                                          Em 1897, mais de quarenta jovens se tinham já associado à obra de Madre Teresa servindo nos Lares São José. Para além dos dois Lares de crianças em Berlim, havia ainda mais dois em Boêmia e um outro em Oldenburg. Em Berlim, ela abriu também um centro para os padres que trabalhavam ou estudavam nesta cidade. No entanto, Madre Maria Teresa não fundava os Lares São José para serem somente instituições sociais. Em 1891, contemplando a beleza de um pôr-do-sol, ela compreendeu a razão de ser das suas fundações: “A consagração das Servas do Divino Coração de Jesus a: I – expiação dos pecados, II – Santificação pessoal, III – Salvação das almas” (A.p.99). Ela tinha conhecido o Carmelo através de santa Teresa de Jesus, e tinha encontrado no zelo e nas orações dos santos do Carmelo, que tinham oferecido suas vidas como vítimas de Amor pela salvação das almas e glória da Igreja, uma fonte de inspiração para a sua própria vocação. A sua Congregação deveria seguir a espiritualidade carmelita. Santa Teresa tinha aberto o caminho.

                                          A partir de Novembro de 1896, Madre Maria Teresa e a sua comunidade cuidam das crianças e fazem missão nos domicílios, observando ao mesmo tempo a regra Primitiva da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo.

                                          Tal como a sua mãe espiritual, Santa Teresa de Jesus , a maior  alegria da Madre Maria Teresa era a de ser filha da Igreja . A sua humildade era  imensa ao se aperceber que Deus a tinha chamado a si, “uma filha do deserto”, para fundar uma comunidade religiosa, e para guiar outras mulheres já nascidas no seio da Igreja. Como uma verdadeira filha da Igreja, sempre se mostrou fiel e obedeceu aos bispos e aos ensinamentos da Igreja. A “voz do Bispo” representava para ela o “voz de Deus”, mesmo quando se tratava de encerrar um convento ou um Lar.

                                          Madre Maria Teresa viu a Igreja ser perseguida e devendo fazer face a inúmeros entraves. Em profunda união com o Sagrado Coração de Jesus, os sofrimentos e a glória do Corpo Místico de Cristo – a Igreja – tornam-se seus próprios sofrimentos e sua glória.

                                          Em 1897, Madre Maria Teresa esperava obter do Cardeal Kopp, Bispo de Breslau (de que Berlim dependia nessa altura), o reconhecimento da sua fundação como Congregação religiosa. Apesar de financiar o trabalho das Irmãs, o prelado continuou inflexível e recusou a aprovação canônica da Congregação. Seguindo os conselhos de um padre, Madre Maria Teresa decidiu ir procurar ajuda a Roma. Lá, encontrou o Padre  Geral da Ordem do Carmelo, e expôs-lhe o seu desejo de reunir numa mesma espiritualidade os dois aspectos do espírito do Carmelo – oração contemplativa e zelo apostólico  – para responder às necessidades da época. Esta iniciativa entusiasmou de tal maneira o Superior Geral que ele abençoou o seu escapulário e a ajudou a obter uma carta de recomendação do Cardeal Parocchi, protetor da Ordem do Carmelo.

                                          Contudo, devido a situação tensa que se vivia na Igreja da Alemanha, o Cardeal Kopp continuou a recusar considerar como religiosas as irmãs que trabalhavam nos Lares São José. Madre Maria Teresa começou a procura de um bispo que aceitasse receber as suas noviças e criar uma Casa Mãe em sua diocese. Durante seis anos, viajou desde a Baviera até à Holanda, passando pela Inglaterra e pela Itália. Por duas vezes obteve autorização de fundar uma Casa Mãe, mas circunstâncias adversas a obrigaram a deixar essas dioceses, fechando os noviciados antes mesmo que as irmãs pudessem pronunciar os seu votos.

                                          Finalmente, em 1904, em Rocca di Papa, Itália, surge a Casa Mãe. Aí se manteve durante  18 anos, tendo sido transferida para Sittard depois da primeira Guerra Mundial.

                                          Em Berlim, um grande número de padres e outros católicos criticaram severamente Madre Maria Teresa no seu desejo de criar uma nova Congregação religiosa. As jovens, que tinham intenção de entrar para a comunidade, ou ajudá-la eram constantemente dissuadidas. A calúnia e a difamação dos opositores pareciam vir de todo o lado, onde quer que Madre Maria Teresa se instalasse. Mas nunca ela retorquiu dizendo mal deles. Durante todos esses anos, teve que enfrentar a solidão, o afastamento da sua família, a doença e a pobreza.

                                          O sofrimento tinha-se tornado para Madre Maria Teresa uma fonte de alegria profunda, pois era um meio que ela utilizava para unir sua alma a Deus, e para, com o Salvador, participar na redenção do mundo.

                                          Ao fundar as Carmelitas do Divino Coração de Jesus, Madre Maria Teresa entregou-se inteiramente a Deus como vítima do seu amor. Passou a sua vida servindo os pobres e rezando, trabalhando e sofrendo pela salvação das almas e pela liberdade da Igreja . Em 1930, o trabalho e o sacrifício de Madre Maria Teresa foram coroados pela aprovação de sua Congregação pelo Papa Pio XI.

                                          Madre Maria Teresa percorreu a Europa e os Estados Unidos para fundar os Lares para as crianças, e mais tarde os Lares para os idosos. Os últimos anos de sua vida, passou-os em Sittard (Países Baixos), dirigindo a Congregação a partir da Casa Mãe, aí estabelecida desde 1922.

                                          Apesar de muito enfraquecida fisicamente e quase cega, passava largas horas em oração, de joelhos, frente ao Santíssimo Sacramente, e continuou sempre meiga e atenciosa para com as suas Irmãs.

                                          Antes de morrer, a 29 de Setembro de 1938, deixou às suas Irmãs, como sendo sua última vontade e testamento, uma linda declaração:

“Tudo o que Deus faz é bem feito. Seja sempre louvado e exaltado o Senhor” (A.P.445).

                                          Na noite em que morreu, madre Maria Teresa pediu que lhe trouxessem a relíquia, o crucifixo que a tinha acompanhado durante todas as suas viagens. Desde esse momento e até seu último suspiro não mais a largou. Então, de repente, ritmando as sílabas com o dedo, foi dizendo o que seria suas últimas palavras à Comunidade: “ Tudo – o – que – Deus – faz – é – bem – feito -. Seja – sempre – louvado  – e – exaltado – o – Senhor!” (A.p.445).

                                          Foi como um último raio de sol de um fim de tarde, esta sua exortação final antes de deixar a terra. Durante toda a noite, só teve uma oração: “Tenho de voltar à casa do pai! Deixem-me ir para a casa!” (A.p.445).

ORAÇÃO
Deus, nosso pai, a Bem-aventurada Maria Teresa de São José, dedicou sua vida pela expansão do Vosso Reino.
Nós Vos agradecemos, porque sempre de novo existem pessoas, que querem seguir Vosso Filho de maneira incondicional tanto quanto possível, ainda que com isso suas vidas se tornem uma Via Sacra. Madre Maria Teresa foi instrumento em Vossa mão. Ela queria dar proteção às crianças que não tinham Lar, aos solitários queria dar calor e amor, a todos os sofredores consolo e ajuda.
Antes de sua morte ela expressou o desejo: “Do alto dos céus poder ainda enxugar lágrimas, curar as feridas das almas”. Por sua intercessão nós Vos pedimos, Pai todo-poderoso e amoroso, que nos ajudeis em nossa necessidade….. Aceitai nossa oração e dai-nos a grande graça, de nos deixarmos guiar por Vós, durante toda a nossa vida. Isso Vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

As graças recebidas por intercessão da Beata Madre Maria Teresa de São José devem ser comunicadas na casa provincial do Brasil:

 Casa Nossa Senhora do Carmo – Rua Gaspar Gomes da Costa, nº 683

B. Cidade Nova Jacareí, Jacareí – SP – CEP: 12 300 – 970 – Cx postal 11

Tel: (12) 3956 -1080  –  E-mails: carmelojacarei@uol.com.br –  vocarmo@ig.com.br

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Fonte: Vaticano

MADRE TERESA DE SÃO JOSÉ (1855-1938)

 Fundadora da Congregação das Carmelitas do Divino Coração de Jesus

Madre Maria Teresa de São José nasceu em Sandow, na Marca de Brandemburgo (actualmente Polónia), no dia 19 de Junho de 1855. Filha de um pastor luterano, viveu numa família muito empenhada nas diversas actividades pastorais e caritativas. Em 1865, a família transferiu-se para Berlim. Ali, Ana Maria começou a sentir-se mal, tendo que deixar a escola, que retomou mais tarde com muita fadiga. Pela pouca saúde e em vista de continuar os estudos, em 1870 os pais decidiram mandá-la para uma escola rural. Lá, entre pessoas muito devotas, nasceu em Ana Maria o desejo de se tornar “religiosa”. Vivendo em contacto com a natureza, restabeleceu-se rapidamente e o seu temperamento tímido tornou-se mais aberto. Em 1874, devido ao falecimento da mãe, Ana Maria assumiu a responsabilidade da família. Após cinco anos, quando o pai casou novamente, ela pôde actuar o desejo há muito tempo cultivado: constituir uma associação de moças que se dedicassem aos trabalhos manuais, que vendidos, ajudariam as Missões.

Com a finalidade de oferecer a Deus um grande sacrifício, aceitou o cargo de Directora do manicómio da cidade de Colónia. Estando em contacto com os dementes de todo género, experimentou provações inenarráveis e ali esperava-a a revelação plena da doutrina católica, a qual desde sempre tinha desejado.

Contra a vontade do pai, em 30 de Outubro de 1888 foi recebida oficialmente na verdadeira Igreja na igreja dos Santos Apóstolos em Colónia. O desejo de se consagrar completamente a Deus aumentava insistentemente e, após ter lido a autobiografia de Santa Teresa D’Ávila, orientou-se para a vida do Carmelo, mas o seu confessor disse-lhe que a sua estrada não era a de entrar num convento já existente. De facto, sentia-se inspirada a dar origem a uma Congregação que, embora embebida do espírito carmelita de oração e reparação, se dedicasse também à assistência de crianças órfãs, pobres e abandonadas.

Deixou a Alemanha enfrentando inúmeras dificuldades e, depois de muito peregrinar, chegou à Itália. No ano de 1904, em Rocca di Papa, nos arredores de Roma, o Cardeal Satolli, Titular de Frascati, deu-lhe a permissão de comprar uma velha casa que se tornaria, após muitas vicissitudes, a primeira Casa-Mãe do Carmelo do Divino Coração de Jesus. Madre Teresa e as suas primeiras companheiras emitiram os primeiros votos religiosos válidos segundo o direito canónico em 3 de Janeiro de 1906. Desde então, as “Casas de São José” multiplicaram-se e difundiram-se na Alemanha e na América do Norte. Em 1920 abriu uma Casa-Mãe em Sittard, na Holanda.

Faleceu santamente no dia 20 de Setembro de 1938. A fama de santidade de Madre Maria Teresa divulgou-se a tal ponto que em 2 de Fevereiro de 1953, em Sittard, foi aberto o processo informativo. Depois da redacção da Positio super virtutibus em 1992, o processo foi interrompido devido à falta de um milagre. Tinham muitos pedidos atendidos e também curas milagrosas, mas os doutores não atestaram a natureza sobrenatural das curas. Somente em 2002, depois da Páscoa, quando levaram as actas diocesanas do milagre à Congregação para as Causas dos Santos, colocaram a Madre Tauscher imediatamente em primeiro lugar para ir ao Congresso.

A 20 de Dezembro de 2002 foi promulgado o Decretum super virtutibus em presença de JoãoPaulo II em Roma.

O processo diocesano sobre a confirmada cura milagrosa de uma senhora, em 16 de Dezembro de 1996, por intercessão da Serva de Deus Maria Teresa de São José, realizou-se na Diocese de Roermond e as actas foram entregues ao Card. José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, a 6 de Abril de 2002 pelo Postulador da causa, Bonifácio Honings, O.C.D.

No dia 19 de Dezembro de 2005, o Santo Padre Bento XVI autorizou o Card. Saraiva Martins a promulgar o decreto sobre o milagre.

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Fonte: “LUGAR DE PARTILHA – Lendo juntos Santa Teresa

O livro das Fundações

 O Papa Bento XV desafiou a que a história mostrasse factos que pudessem competir com as realizações de Santa Teresa de Jesus. Num tempo ingrato e agreste para a mulher autónoma, a Santa fundou 17 carmelos em vinte anos, de 1562 a 1582. E ainda colaborou na fundação de dois conventos do Carmo!
Você imagina-se a dedicar 20 anos da sua vida a fundar conventos? Sabe o que custava fazer uma fundação? Sabe o que era preciso? Era preciso ter boas vocações, isto é mulheres que neles quisessem entrar consagrando-se ao Senhor! Era preciso arranjar dinheiro, que muito havia onde o gastar: em erguer fundações; contratar pedreiros que acomodassem as casas; contratar carroceiros para ir duma cidade para outra; conseguir bons confessores para as religiosas; conseguir autorizações; responder, calar ou fugir de perseguições…
Qual é o espírito necessário para se fazer uma empresa destas? Bastará a vaidade? Chegaria o reconhecimento público? — Não. Claro que não! A Santa Madre Teresa sabia que Deus a cumulava com tantas graças, que não era justo guardar só para si esse tesouro. Tinha de ser partilhado. Era por isso que não ficava sem fazer nada: era uma mulher inquieta e andarilha!
Ouçámo-la justificar-se: «O tempo fazia crescer em mim o desejo de contribuir para o bem de alguma alma; eu muitas vezes sentia-me como quem tem um grande tesouro guardado e deseja dá-lo para que todos gozassem, e ao mesmo tempo tem as mãos atadas para não poder distribuí-lo. Eu tinha a impressão de estar com as mãos atadas dessa maneira, porque eram tantas as graças recebidas naqueles anos que me pareciam mal empregues apenas em mim. Eu servia ao Senhor com minhas pobres orações e procurava que as irmãs fizessem o mesmo e valorizassem muito o bem das almas e o progresso de Sua Igreja. Quem com elas se relacionava saía edificado. E nisso se embebiam os meus grandes desejos.” [Livro das Fundações. 1, 6]
É impossível narrar todas as fundações teresianas. Baste recordar que elas foram feitas com muitas dificuldades, mas também com muita oração e determinação não somente por parte da Madre Fundadora, mas por todas aquelas monjas que participaram daqueles feitos e muitos outros amigos que também os tinha. Santa Teresa fundou mosteiros por toda a Espanha: em Ávila (1562), Medina del Campo (1567), Malagón, Valladolid (1568), Toledo, Pastrana (1569), Salamanca (1570), Alba de Tormes (1571), Segóvia (1574), Beas, Sevilla (1575), Caravaca (1576), Villanueva de la Jara, Palencia (1580), Soria (1581), Granada e Burgos (1582). Algo que sempre marcava as fundações de Santa Teresa de Jesus era a presença do Santíssimo Sacramento, em primeiro lugar. A casa só estaria realmente edificada quando o Santíssimo estivesse no sacrário.
Dos quatro grandes livros que a Santa escreveu, o Livro das Fundações é o que talvez menos se leia. É porém um livro onde a Santa Madre escolheu tratar do que acontecia com ela e com suas irmãs nas suas fundações. Escreve-o em tom de aventura e de narrativa bem contada. Nesse caso, o mais interessante é descobrir no livro as peripécias pelas quais passou, as dificuldades e até as anedotas, sempre recheadas do seu bom humor.
OREMOS

Santa Teresa de Jesus, nossa Mãe Fundadora!
Fazei que, guiados pelo Espírito Santo,
caminhemos sempre por caminhos de verdade
em direcção ao Pai,
e que construamos as nossas casas sobre a rocha,
segundo o ensinamento de Jesus Cristo.
Amen…

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Arquivo: Chama do Carmo – Portugal (http://chamadocarmo.blogspot.com/)

Publicado por Rose em Lugar de Partilha.

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Link relacionado:  Chama do Carmo – Edições Carmelo.

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Fonte: Flos Carmeli

O Mês do Santo Rosário

“O rosário é para todos uma fonte de benefícios inapreciáveis. Eleva-nos insensivelmente ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo, purifica as nossas almas do pecado, abrasa-nos do amor a Nosso Senhor e enriquece-nos de graças e de méritos” (S. Luiz Maria G. De Montfort).

A Santa Igreja sempre nos ensinou que o Terço é uma oração completa, pois abrange a oração vocal, a meditação e a contemplação dos mistérios de Deus. Nossa Senhora, nossa Mãe, em todas as ocasiões em que se dignou aparecer aos seus mais humildes filhos (La Salette, Lourdes, Fátima) sempre insistiu para que rezássemos todos os dias o santo Terço. Se é verdade que algumas pessoas encontram certa dificuldade em rezá-lo, também é certo que aquelas que conseguiram vencer estas dificuldades testemunham da riqueza de graças que descobriram ao passar a rezá-lo com freqüência. Nada mais saudável para as famílias do que reunir os filhos em torno da imagem de Nossa Senhora para dirigir a Ela nossas súplicas, no meio de tantas necessidades e perigos.

“No rosário tenho encontrado os atrativos mais suaves, mais eficazes e mais poderosos para me unir com Deus!” (Santa Teresa de Jesus)

O Santo Rosário foi dado à Igreja por São Domingos que o recebeu da Bem Aventurada Virgem Maria como um meio poderoso de converter os albigenses e outros pecadores. Uma noite, enquanto estava em oração profunda, Nossa Senhora lhe apareceu, com o Rosário na mão, e lhe disse: “Tenha bom ânimo, Domingos. O remédio para os males que lamentas será a meditação na vida, morte e glória do meu Filho, unindo tudo isto com a recitação da Ave Maria, através da qual o milagre da redenção foi anunciado ao mundo. Esta devoção, que tu ensinarás pela pregação, é muito considerada por meu Filho e por Mim. Com ela os fiéis obterão vantagens, e sempre me encontrarão pronta a ajudá-los nos seus desejos. Este é o dom precioso que deixo para ti e para os teus filhos espirituais”.

Desde quando São Domingos estabeleceu a devoção ao Santo Rosário e o Bem-aventurado Alano de la Roche o restabeleceu em 1460, ele foi chamado de O Saltério de Jesus e Maria, devido ao fato de possuir o mesmo número de saudações angélicas (Ave-Marias) como os 150 salmos de Davi.

A palavra Rosário quer dizer “coroa de rosas”, ou seja, toda vez que se reza o Santo Rosário de maneira devota, coloca-se uma coroa de 153 rosas vermelhas e dezesseis rosas brancas nas cabeças de Jesus e Maria. A rosa é a rainha das flores e o Rosário, depois da Santa Missa, é a melhor das devoções, pois é uma obra direta da Santíssima Trindade e não foi feito através de um instrumento humano.

(…)

“O Rosário é, pelas almas, como o Pão Espiritual de cada dia” (Irmã Lucia).

“Rezai o terço todos os dias” (Nossa Senhora de Fátima).

Fonte http://catolicosalerta.wordpress.com/2011/02/27/o-terco-e-o-rosario/
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Publicado em Flos Carmeli, em 04 de outubro de 2011.

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