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Archive for março \31\-03:00 2011

Fonte: Agência Fides

30.03.2011

ÁSIA/JAPÃO – Os heróis cristãos de Fukushima que sacrificam suas vidas para impedir uma catástrofe nuclear

Sendai (Agência Fides) – Entre os trabalhadores que estão na verdade sacrificando suas vidas na usina nuclear de Fukushima, para dominar a radioatividade crescente e tentar colocar em segurança a usina, existem também alguns cristãos. A notícia, que chegou à Fides por alguns missionários locais, foi confirmada pelo Bispo de Sendai, cujo território se encontra na província de Fukushima: “Na tragédia que estamos vivendo e que cria grande preocupação em todos – disse à Agência Fides Dom Martin Tetsuo Hiraga – sabemos que alguns cristãos estão trabalhando como voluntários nas proximidades da usina. Nessa situação terrível, os cristãos japoneses têm uma grande oportunidade para oferecer um testemunho de nossa fé e os valores do Evangelho. Eles estão fazendo isso na solidariedade, na dedicação aos outros, num espírito de abnegação. Em Fukushima os trabalhadores estão arriscando suas vidas para salvar a população japonesa e evitar uma catástrofe nuclear”. Em Fukushima, existem atualmente 180 voluntários anônimos que, em turnos de 50, entram na usina nuclear para realizar operações de emergência. Nos últimos dias, três homens que trabalhavam perto do reator nº 3 da usina nuclear foram hospitalizadas porque contaminados pela radiação. Segundo fontes locais de Fides, o líder da equipe que administra todas as operações é um cristão, enquanto outros cinco membros de uma comunidade Batista estão trabalhando no processo de refrigeração do reator n º 1. e 2. Os fiéis estão realizando esta tarefa delicada e perigosa, “com plena consciência de dar sua vida pelos outros, na fé e na oração” e pediram orações por todos os fiéis do mundo”, para confiar a sua vida nas mãos de Deus”. Uma vigília de oração especial pelas vítimas, para aqueles que estão trabalhando na solidariedade, para as comunidades cristãs japonesas e para apoiar “os heróis cristãos de Fukushima” foi realizada em Cingapura nos últimos dias pela OFM (Overseas Missionary Fellowship), comunidade cristã evangélica que tem missionários em 12 países asiáticos. (PA) (Agência Fides 30/3/2011)

Publicado em Agência Fides.

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Fonte: Agência Ecclesia – Portugal

Igreja/Cultura: Novas fronteiras para o crer

Falar e ouvir falar de Deus na sociedade de hoje é uma dinâmica em mudança*

Lisboa, 29 Mar (Ecclesia) – O sociólogo Alfredo Teixeira considera que a Igreja Católica enfrenta “tendências de guetização da experiência cristã” que exigem uma “reconstrução criativa”.

Num texto hoje publicado na mais recente edição do semanário Agência ECCLESIA, o professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) fala num “processo de desagregação a que Michel de Certeau chamou o fim do «cristianismo objectivo»”.

“Talvez por isso nos encontramos, também, perante as tendências de guetização da experiência cristã e as perplexidades dos que escolhem a ambiguidade do mundo como lugar do testemunho”, acrescenta.

O jesuíta José Frazão Correia, por seu lado, diz que o “acto de fé e as práticas crentes deixaram de contar com a protecção de um centro reconhecido e incontestado, bem delimitado e seguro”.

“O que estamos a perder não parece essencial à fé em Jesus. Será, antes, uma falsa segurança (cultural, política, ética, etc.) que, em muitos casos e momentos, parece ter obscurecido e enfraquecido o Evangelho”, observa.

Para o sacerdote português, “a fé em Jesus de Nazaré não quer ser sem a diversidade de pessoas, tempos e modos, os seus dramas e êxitos”.

Em entrevista à Agência Ecclesia, o colunista Henrique Raposo fala da sua relação com Deus e do que espera no diálogo com a Igreja Católica, colocado no «Pátio dos Gentios» – designação do novo organismo do Vaticano para a promoção do diálogo com os não crentes.

“A linguagem no espaço público não é assim tão difícil como possa parecer”, assinala.

Abandonando a expressão “ateu” para se definir, Henrique Raposo defende que “o que não se pode fazer à Igreja – aos católicos – é o desprezo, pensar que eles não existem”.

Quando à condição crente, considera que “ter dúvidas deve fazer parte daquele que tem fé. Aqueles que foram educados na fé e nunca questionam nada, não vão chegar a um estado de maturidade, ficam na fé infantil”.

Tiago Freitas, padre da arquidiocese de Braga e um dos responsáveis pelo site www.patiodosgentios.com , fala, por seu lado, do interesse da Igreja na Internet e nas redes sociais: “Quer a nível institucional, quer a nível pessoal, terá de ser uma presença com a marca de um testemunho coerente e genuíno, o que implica, desde logo, uma transparência quanto à sua condição de crente”.

“O «testemunho» é a única linguagem que encontra um receptor disponível. Não existem posições neutras. Pode existir, isso sim, um itinerário pedagógico que, por vezes, o diálogo exige”, escreve.

Ao longo da Quaresma, que decorre de 9 de Março a 21 de Abril, a Agência ECCLESIA vai apresentar semanalmente um dossier sobre espiritualidade cristã, nas suas mais diversas vertentes.

OC

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*RM/SNPC | Obra de Lourdes Castro na Capela do Rato, Lisboa

Publicado em Agência Ecclesia – Portugal.

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Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Portugal

Entrevista

A terra de Jesus é o coração humano

Segunda parte da conversa entre o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça, e o jornalista Paulo Rocha, onde se fala da cruz e da ressurreição, da mesa e das parábolas, da Quaresma e da Igreja.

Alguns excertos da entrevista estão a ser transmitidos durante a Quaresma nos programas da Ecclesia (RTP 2, de segunda a sexta-feira, às 18h00).

Que relações estabeleceu Jesus com o universo político, nomeadamente do Império Romano?

É interessante olhar para as Escrituras e perceber que há uma espécie de aliança tácita entre o sistema religioso e político. Jesus era olhado pelos romanos, certamente, como um ser bizarro. O Império não compreendia Jesus e achava que ele era um problema que os judeus tinham de resolver.

Mas vemos, a posteriori, o esforço que os cristãos fazem, nomeadamente São Paulo e São Lucas, para traduzir o cristianismo numa linguagem que o universo helenista e romano pudessem compreender. O mundo político, tal como o mundo religioso, não compreendeu Jesus.

É a terra de Jesus que não o compreende?

Há um drama na narrativa de Jesus, que o prólogo do evangelho de São João diz de forma muito clara: “Ele veio para os que eram seus e os seus não o acolheram”. Isto tem a ver com a terra de Jesus, com o contexto, com o sistema religioso fechado, com o sistema político, mas também com uma questão mais ampla, que é a da humanidade. Porque a terra de Jesus é o coração humano. Jesus encarna, torna-se um de nós. E penso que é a nível da humanidade que essa compreensão da recusa de Jesus tem de ser feita, porque ainda hoje Jesus, como proposta de vida, de revelação de Deus, continua a não ser aceite, mesmo por aqueles que são seus.

Podemos dizer que Jesus viveu entre inimigos, ou que teria inimigos?

Sem dúvida que o discurso de Jesus não era consensual. Era um discurso que dividia. Que colocava uns a favor dele e outros contra. Porque Jesus fala claro: é uma linguagem do “sim, sim”, “não, não”. Desde o capítulo 5.º, São Lucas conta que alguns faziam tudo para tramar e eliminar Jesus. Nesse sentido ele tinha inimigos.

Entre os inimigos de Jesus estão a fome, a exclusão, a cruz?

Esses são os seus grandes inimigos. Quando nós pensamos em quem hoje se opõe à experiência cristã, mais do que designarmos grupos humanos, interessa perceber que os grandes opositores da mensagem cristã são o sofrimento da vítima e do justo, a fome, o injustificável e o irreparável da violência e da guerra, o manto de egoísmo que se estende sobre as nossas sociedades.

A cruz é símbolo dessa oposição à mensagem de Cristo?

A cruz é um duplo símbolo. É o símbolo da radicalidade do gesto cristão. Jesus está disposto a ir até ao fim. É um amor incondicional. É um amor que vai ao extremo de si na lógica do dom. A cruz é para nós a árvore da vida, tendo um sentido claramente positivo.

Mas a cruz também tem o sentido do homicídio, da máquina torcionária que massacra o justo. E aqui ela é denúncia de todos os processos que conduzem à violência e à injustiça.

Acredita na capacidade da linguagem da cruz nos dias de hoje?

A cruz é uma linguagem paradoxal e também uma interpelação. É verdade que o pior que pode acontecer é quando ela se torna ornamento, quando a trazemos ao peito como trazemos um outro símbolo qualquer a que não damos importância. Hoje os cristãos continuam a fazer a cruz sobre o seu corpo, e muitas vezes fazem-no de forma mecânica. Isso é triste porque é diminuir e dispersar o sentido de levantamento que a cruz tem.

O sentido da cruz é sempre paradoxal. É ambíguo porque tem a ver com a história de sofrimento e rejeição que Jesus protagoniza, e tem a ver com a história do dom que ele exemplifica e testemunha.

O horizonte da ressurreição acaba por dar à cruz o sentido pleno…

Não entendemos a cruz sem entender a ressurreição. A cruz é o limiar, o patamar, aquele momento mais fundo onde Jesus pode descer, como nos diz o hino da carta [de São Paulo] aos Filipenses: ele fez-se homem e fez-se o último dos homens. Isso é visível na cruz de Jesus.

O mistério da cruz não acaba nela – transcende-a e vence-a. Jesus é vencido e é vencedor, é triunfador da cruz precisamente porque há a manhã de Páscoa, porque há essa insurreição que ela representa.

Tertuliano dizia que acreditava na ressurreição como algo absurdo, no sentido de que está para lá da razão. É nessa dimensão do mistério que nos temos de situar?

A ressurreição é o inédito de Deus. Nós dizemos que é um absurdo, que contraria as evidências. Quando São Paulo, no Areópago de Atenas, falou aos sábios do seu tempo, eles mandaram-no vir mais tarde, porque não podiam acreditar naquela verdade. De facto, a ressurreição é uma verdade que estilhaça as certezas humanas e aquilo que temos a partir dos nossos sentidos e racionalidade. Ela é o poder de Deus, contrariando a vitória fatal que a morte parece ter sobre a história humana e sobre as nossas histórias.

Falemos dos espaços e contextos em que Jesus, no seu tempo, se dava a conhecer. O espaço comensal adquire aí uma importância vital?

A mesa e a refeição são extraordinárias. É interessante verificarmos que grande parte das histórias dos evangelhos supõe uma refeição. Os evangelhos são muito contados à mesa porque ela é a estrutura comunitária por excelência em todas as culturas. A mesa é um símbolo transversal. Nela nós experimentamos a intimidade, como a relação flui, a vizinhança.

E não é por acaso que a mensagem cristã se vai alojar nessa plataforma de intimidade que é a mesa. E que o grande símbolo cristão, a eucaristia, que começa com a última ceia, é alguma coisa que se faz à volta da mesa. Porque à mesa nós alimentamo-nos do mesmo alimento, mas sobretudo – e é essa a força da mesa – alimentamo-nos uns dos outros. Somos alimento uns dos outros. E nesse sentido Jesus dá-se como alimento e a intimidade que vivemos com ele é uma intimidade que nos constrói.

E para situações e pessoas que, no caso do mundo judaico, estariam longe de ser possíveis. Por exemplo, a mulher pecadora.

A comensalidade de Jesus é aberta. Isto é muito curioso porque o cristianismo é a única religião onde se pode comer de tudo com todos. A mesa cristã é inclusiva. Não há restrições. Mesmo agora, na Quaresma, temos abstinência em relação à carne, mas é uma situação pontual e com uma razão ascética, para implicar um esforço interior de abnegação. Porque verdadeiramente nós podemos comer de tudo. E isso mostra como Jesus fez da mesa o grande ícone do reino de Deus e da proposta que Jesus faz dele.

Nesse ambiente de comensalidade, a resposta de Jesus parece de outra ordem. Por exemplo, no caso do encontro com a mulher pecadora, ele diz “A tua fé te salvou”.

À mesa Jesus constrói experiências de vida e de fé. É verdade que eles deviam comer pão, cordeiro, ervas amargas; deviam beber vinho e água. Mas o principal alimento era o encontro. É muito interessante olharmos para os evangelhos porque eles narram sobretudo histórias de encontro. E a pecadora, que atravessa a hostilidade dos fariseus para chegar a Jesus, ou os publicanos que comiam com ele e faziam perguntar “quem é este que come com os pecadores?”, mostram bem como Jesus privilegia o encontro e a relação como lugar onde a fé é possível.

Para nós a fé não é uma verdade abstrata, não é um conjunto de fórmulas, não é simplesmente um credo. A fé é uma verdade praticada no interior de um encontro dinâmico de descoberta, em que a nossa humanidade é abraçada por Jesus, é colocada aos ombros, e nós percebemos que é salva e renovada por ele.

Nessas situações Jesus foi objeto de escândalo ao romper com o que hoje chamaríamos de pequenos gestos protocolares…

Ainda hoje, nas nossas sociedades, em que parece que tudo é muito mais fluido e livre, o protocolo de mesa continua a ser muito rígido. É muitas vezes o único lugar de ritualidade que mantemos. Por exemplo, à nossa mesa não se senta qualquer pessoa. E quando estamos em família há uma distribuição dos lugares. Há aquele que se serve primeiro e aquele que fica para o fim.

É belo ver que Jesus rompe com a ritualidade estabelecida e inscreve uma nova, em que os últimos serão os primeiros, em que há espaço para todos, em que aquele que quer ser o primeiro é quem vai lavar os pés e fazer os ritos de hospitalidade. Jesus funda um novo protocolo de mesa, que não é apenas para observar à refeição, instituindo uma nova qualidade de relação entre os homens.

E isso também na dimensão religiosa: no templo [de Jerusalém] há uma ocasião em que Jesus diz que ele próprio é o templo.

É impressionante olhar para Jesus porque ele é um inovador. Ele escreve o gesto novo de Deus na história. E nós vemos nas diversas situações – à mesa, em casa, mas também na sinagoga e no templo – como Jesus rompe com as ideias feitas, com o mundo de aparência, com um sistema fechado que excluía o irmão e estreitava a imagem de Deus.
O grande problema dos sistemas é que empobrecem e diminuem Deus. E Jesus devolve uma imagem de Deus que é ampla, que faz justiça ao seu amor e misericórdia. Um exemplo para lá do templo é o próprio discurso religioso, que tem uma grande tendência a tornar-se estreito, monocórdico e empalidecido.

Jesus fala uma linguagem religiosa aberta. Não fala à maneira moralista. Jesus conta histórias, conta parábolas. E nesse sentido fala de Deus de uma forma poética, de uma forma que dá a ver Deus para lá dos nossos preconceitos, limitações e dos obstáculos que colocamos. É assim um Jesus inaugurador de pontes, um Jesus grande intérprete da largueza de Deus, um Jesus que nos diz, como disse a Pedro, “faz-te ao largo”.

Jesus provocou nos fariseus interrogações como esta: “Quem é este que profere blasfémias?”. É uma reação que pode provocar também hoje?

Jesus é heterodoxo. Nós, cristãos, não temos a verdade – somos medidos por ela. Não possuímos Jesus – é o espírito do ressuscitado que nos possui. E é ele que avalia, que é o critério último das nossas vidas. Jesus não é uma pessoa que nós manipulamos, mas alguém para quem convergimos. Nesse sentido, ele continua a dar-nos a volta, continua a pedir-nos conversão. Precisamos ouvi-lo, colocarmo-nos aos pés dele, como Maria ficou aos pés de Jesus a escutá-lo. Precisamos de aprender quem é Jesus.

É muito interessante o inciso que Dostoievsky tem nos “Irmãos Karamazov”, a lenda do grande inquisidor, que para nós, cristãos, é um murro no estômago. Aparece de novo Jesus e o responsável da Inquisição manda prendê-lo. E à noite vai falar com ele à prisão, dizendo-lhe: “Tu já não tens lugar, agora somos nós. A tua palavra é incómoda. Nós não a podemos ouvir. Agora ficamos nós no teu lugar”. Ora, a Igreja não ficou no lugar de Jesus. A Igreja é uma comunidade que continua a ter Jesus por mestre, no centro. Precisamos de viver numa conversão permanente para escutarmos e vivermos em fidelidade a palavra de Jesus. Porque ele continua a surpreender-nos. O que ele pede à Igreja de cada tempo é que ela precisa de caminhar e esforçar-se, precisa de abrir-se e renovar-se para poder continuar obediente a Jesus.

A Igreja terá passado pela tentação de substituir Jesus?

Eu digo que sim por nós próprios, por mim próprio. Penso que cada um de nós vive essa tentação de olhar para a experiência cristã como uma sabedoria na qual somos iniciados, mas que depois é manipulável, adaptável às nossas necessidades e desejos.

Aquilo que o cristianismo nos propõe é diferente. É uma experiência de relação permanente, de descoberta, de audição. A Igreja está à escuta da palavra de Jesus, que não é alguém que eu conheço – João Batista tem aquela frase maravilhosa: “no meio de vós está alguém que não conheceis”. Jesus continua a ser alguém que eu preciso de descobrir. E em cada Quaresma, em cada Tempo Pascal, tempos fortes de ‘recentramento’, a Igreja é chamada a esta primavera, que é no fundo a disponibilidade para reencontrar Jesus em toda a intensidade. (continua)

© Ecclesia | 26.03.11

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Fonte: Rádio Vaticano

PAPA: “TRABALHO NOS APROXIMA DE DEUS”

Cidade do Vaticano, 26 mar (RV) – O papa recebeu esta manhã um grupo de peregrinos da Diocese de Terni-Narni-Amelia, que comemoram 30 anos da visita do Papa João Paulo II às siderúrgicos da cidade.

Bento XVI saudou o grupo, liderado pelo Arcebispo Dom Vincenzo Paglia, recordando o amor especial que João Paulo II nutria pelo mundo do trabalho; seu encorajamento, solidariedade, amizade e carinho pelos operários. O Pontífice recordou que no dia de sua eleição, ele mesmo se definiu um “humilde trabalhador na vinha do Senhor”.

No discurso, o Papa falou sobre a crise de hoje, que está colocando a cidade da usina e suas famílias numa situação difícil. Ele disse sentir a preocupação que os operários trazem em seu coração, e demonstrou estar a par da responsabilidade e da participação da Igreja diocesana, comunicando a esperança do Evangelho e a força para edificar uma sociedade mais justa e digna do homem.

Neste sentido, ressaltou a importância da Eucaristia que salva o mundo, fazendo-o viver a alegria da fé e a paixão por melhorá-lo. A Eucaristia do Domingo é o fulcro da ação pastoral da Diocese, “viver de modo eucarístico significa viver como uma família, um único Corpo, uma sociedade de amor”.

“Neste horizonte – disse o Papa – insere-se o tema do trabalho e de seus problemas, como o que mais preocupa hoje: o desemprego. O trabalho é um dos elementos básicos da pessoa e da sociedade. Condições precárias de trabalho dificultam as condições da própria sociedade, as condições de uma vida ordenada segundo as exigências do bem comum”.

Outro problema tocado por Bento XVI foi a segurança no trabalho, uma realidade à qual é preciso estar atentos, para que a trágica série de incidentes seja interrompida. Em seguida, foi abordado também o problema da precariedade profissional entre os jovens.

O papa se disse muito próximo das preocupações e ansiedades dos operários, auspiciando que na lógica da gratuidade e da solidariedade, os momentos difíceis possam ser superados e seja garantido um emprego seguro, digno e estável para todos.

Enfim, recordou que o trabalho ajuda a sentirmo-nos mais perto de Deus e dos outros, e lembrou que Jesus foi um operário, tendo passado grande parte de sua vida terrena em Nazaré, na marcenaria de José.

Em sua visita à Terni, João Paulo II falou do “Evangelho do trabalho”, afirmando que o Filho de Deus, tornando-se homem, trabalhou com as próprias mãos. A sua foi uma verdadeira fatiga física, ocupou a maior parte de sua vida nesta terra, e assim, entrou na obra de redenção do homem e do mundo.

“O trabalho deve ser entendido na perspectiva cristã, ao invés de ser visto apenas como um meio de ganho, ou de exploração, como em muitas partes do mundo, onde é ofendida a própria dignidade da pessoa. Em relação ao trabalho aos domingos, o Papa acenou para o risco de que o ritmo do consumo possa subtrair-nos o sentido da festividade e do Domingo como dia do Senhor e da comunidade.
(CM)

Publicado em Rádio do Vaticano.

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Fonte: Canto da Paz – Clarissas e Franciscanos

(fonte da imagem: http://www.stellaroid.co.cc)

Quaresma: Creio em Deus, Pai Criador

Campanha da Fraternidade 2011: Creio em Deus, Pai Criador

A Campanha da Fraternidade de 2011 (CF-2011) propõe uma questão de evidente atualidade: fraternidade e a vida no nosso Planeta. Nem é preciso argumentar muito para justificar a escolha desse tema pela CNBB: Já faz tempo que estudiosos estão alertando para o fenômeno do aquecimento global e suas consequências para o clima e para o equilíbrio ecológico.

As Conferências mundiais sobre o clima, que congregam as maiores autoridades científicas da área, deixam sempre mais evidente que o sistema produtivo da economia moderna e contemporânea desencadeia intervenções inadequadas do homem na natureza e se constitui numa ameaça real para o equilíbrio ecológico e até mesmo para o futuro da vida na terra. Em contraste com tais constatações, nas mesmas movimentadas Conferências sobre o clima, as principais autoridades políticas e econômicas do Planeta não conseguem chegar a um acordo sobre as medidas a serem adotadas para sanar o problema e prevenir os riscos. È difícil redimensionar o desenvolvimento econômico, quando a receita é renunciar a certo padrão de consumo dos recursos naturais, que equivale à depredação e depauperamento da natureza. Exigimos da natureza mais do que ela pode oferecer, sem comprometer a sua sustentabilidade.

A CF-2011 convida a encarar seriamente a responsabilidade humana em relação ao futuro da vida no planeta Terra, o “ninho da vida” no universo, a casa comum da grande e diversificada família humana. O Texto Base, que apresenta a proposta da CF, traz argumentos e reflexões sobre o fenômeno do aquecimento global e os motivos que deveriam levar todos a pensar sobre o que é possível fazer e o que não se deveria fazer, para evitar a deterioração do ambiente da vida na terra. Argumentos bíblicos e teológicos deveriam motivar os cristãos e todos os crentes em Deus a uma verdadeira conversão nos modos de viver e de se relacionar com a natureza, quando ficam comprometidas a qualidade da vida e a fraternidade na família humana. Todos são convidados a se envolverem na CF-2011.

Destaco dois motivos de fundo religioso, que deveriam ser levados em conta por todas as pessoas de fé no tocante à questão ecológica. Primeiramente, tratar bem a natureza e cuidar do pedaço do Planeta que ocupamos está implicado na nossa fé no Deus Criador. Professamos a fé no Deus, Criador do céu e da terra, não importa como, ou quando isso aconteceu. A ciência pode continuar a pesquisar sobre a origem do universo e da vida na terra e isso não contradiz a nossa fé no Deus Criador. O certo é que não fomos nós que demos origem a toda essa beleza e grandiosidade. Dizer que tudo isso surgiu por si mesmo é um grande absurdo.

Mas também aprendemos da nossa fé que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, confiando-lhe o cuidado do “jardim da vida”. Embora pequeninos entre as criaturas do grande universo, somos importantes e Deus nos trata com predileção especial. O poeta do Salmo tem consciência disso, quando exclama, admirando o céu numa noite estrelada: “Que é o homem, Senhor, para que dele te ocupes?! No entanto, Tu o fizeste pouco menor que um deus… Tu o colocaste à frente da obra de tuas mãos!” (cf Salmo8). Sim, Deus colocou o mundo à disposição do homem; não para que acabe com ele, e sim, para que dele viva e usufrua, mas também para que zele por ele, qual bom administrador. Cuidar bem da natureza é sinal de fé e de gratidão para com o Deus Criador. Avançar sobre a natureza com a vontade de possuir e dominar, é cair novamente na tentação de “ser deuses”, como Adão e Eva no paraíso (cf Gn 3). Quando o homem resolve assumir o lugar de Deus, desprezando seu desígnio, a desordem e o caos entram no mundo, com seus frutos de injustiça, violência e morte.

O outro motivo, relacionado com o primeiro, é de fundo ético e moral: Cuidar bem da Terra, nossa casa comum, é questão de responsabilidade e solidariedade. Os bens da criação foram colocados por Deus à disposição de todas as suas criaturas; descuidar da natureza, ou estragá-la, é falta de respeito e de justiça para com o próximo e para com as futuras gerações. Não somos os únicos a ocupar esta casa, nem seremos os últimos; e é moralmente correto pensar nos outros, quando nos relacionamos com a natureza. Não ficará bem deixar atrás de nós um paraíso depredado, o mundo cheio de lixo, as terras desertificadas, as águas contaminadas, o ar irrespirável, o equilíbrio ecológico comprometido… A CF-2011 é um convite a refletir, para formar uma consciência comum sobre nossa responsabilidade e para tomar decisões eficazes sobre os cuidados que a Terra merece. É nossa casa comum. E ainda será a casa dos que viverão depois de nós.

(fonte: http://www.cnbb.org.br  –  autor: Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo)

Publicado em Canto da Paz.

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Fonte/imagem: Pope Benedict XVI Blog

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Fonte: Rádio Vaticano

Na audiência geral Bento XVI aponta exemplo de oração e serviço à paz de São Lourenço de Brindes, salientando que o mundo precisa de homens e mulheres pacíficos e pacificadores

(23/3/2011) Depois da fase invernal o encontro semanal do Papa com os fiéis e peregrinos que se deslocam a Roma voltou nesta quarta feira a efectuar-se na Praça de S. Pedro, onde segundo a prefeitura da Casa pontifícia se encontravam cerca de 10 mil pessoas
Bento XVI dedicou a audiência geral desta quarta feira à figura do santo italiano Lourenço de Brindes, que morreu em Lisboa no ano de 1619, tendo sublinhado que a oração é o primeiro serviço que os padres devem oferecer à comunidade que servem.
“Os momentos de oração devem ter na nossa vida uma verdadeira prioridade”, afirmou o Papa, acrescentando que cada presbítero só “pode evitar o perigo do activismo” e do esquecimento das “motivações profundas” da sua identidade se cuidar da sua “vida interior”.
Depois de lembrar “o acolhimento festivo” que teve na cidade italiana de Brindes, em 2008, Bento XVI lembrou o papel desempenhado pelo frade da congregação dos Franciscanos Capuchinhos na oposição às ideias veiculadas pelas correntes teológicas protestantes.
“Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja [sacerdotes que viveram até ao século VIII], era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero”, recordou.
A actividade de Lourenço, nascido no ano de 1559, permite compreender que o “confronto” com a Bíblia, lida na Tradição da Igreja, constitui um elemento irrenunciável e de importância fundamental” para o diálogo ecuménico e para a união a Deus, apontou o Papa.
“São Lourenço de Brindes ensina-nos a amar a Sagrada Escritura, a crescer na familiaridade com ela, a cultivar diariamente a relação de amizade com o Senhor na oração, porque toda a nossa acção, toda a nossa actividade tem n’ Ele o seu início e cumprimento”, afirmou.
O Papa evocou igualmente o conhecimento que o religioso adquiriu de línguas antigas como o hebraico, grego, siríaco e latim e destacou as suas qualidades oratórias: “Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada”.
A fluência em francês, italiano e alemão permitiu-lhe transmitir a mensagem cristã a “diversas categorias de pessoas” e contribuiu para promover a “paz e reconciliação entre as nações e povos da Europa”, testemunho que constitui “um excelente exemplo” para a actualidade, “tão cheia de violência, relativismo ético e indiferença religiosa”.
Hoje o mundo precisa muito de paz, precisa de homens e de mulheres pacíficos e pacificadores; afirmou Bento XVI salientando que todos aqueles que acreditam em Deus devem ser sempre fonte e agentes de paz.
Foi ao serviço da paz que o religioso morreu em Lisboa, então sob domínio castelhano, onde se tinha deslocado para interceder junto do rei Filipe III (Filipe II de Portugal) pelos súbditos napolitanos, oprimidos pelas autoridades locais.
“A nova evangelização precisa de apóstolos bem preparados, zelosos e corajosos como São Lourenço”, frisou Bento XVI, lembrando que o santo recebeu em 1959 o título de ‘Doutor Apostólico’.
Referindo-se à Quaresma, o Papa realçou que este tempo de preparação para a Páscoa iniciado a 9 de Março apela à “luta contra o egoísmo”, assim como “à mortificação e penitência”.
Estas as palavras de Bento XVI falando em português

Queridos irmãos e irmãs,
São Lourenço de Brindes, padre capuchinho, nascido em 1559, era dotado de eminentes qualidades intelectuais e grande facilidade de aprender línguas, o que havia de lhe permitir desenvolver um fecundo apostolado com várias categorias de pessoas. Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero. Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada. Outro elemento característico do nosso santo foi a sua acção em prol da paz, tendo sido encarregado de importantes missões diplomáticas, para dirimir controvérsias e favorecer a concórdia entre as nações. Mas, acima de tudo, era um homem de oração, bem ciente de que esta é o primeiro serviço que o sacerdote deve oferecer à Comunidade. Autor de numerosas obras, evidenciou, nos seus escritos, a acção do Espírito Santo na existência do fiel. O Papa Beato João XXIII deu-lhe o título de «Doutor Apostólico».
* * *
Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos saúdo e dou as boas-vindas a esta Audiência! São Lourenço de Brindes nos ensina como a familiaridade com a Bíblia e a oração são essenciais para que todas as nossas acções tenham o seu início e cumprimento em Deus. Possa este ser o fundamento do vosso testemunho cristão no mundo de hoje. Que Deus vos abençoe!

Publicado em Rádio Vaticano.

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Fonte: Agência Fides

21.03.2011

VATICANO – O Papa no Angelus: “que um horizonte de paz e de concórdia surja rapidamente na Líbia em toda a região do norte africano”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – O Santo Padre Bento XVI, depois da oração do Angelus, domingo, 20 de março, lançou um apelo para que sejam garantidas a incolumidade e a segurança dos cidadãos líbios e o acesso às ajudas humanitárias. “Nos últimos dias, as preocupantes notícias que chegaram da Líbia suscitaram viva trepidação e temores em mim – disse o Pontífice. Já havia rezado particularmente ao Senhor durante a semana dos Exercícios Espirituais. Agora, acompanho os últimos eventos com grande apreensão, rezo por aqueles que estão envolvidos na dramática situação daquele país e dirijo um apelo às pessoas que têm responsabilidades políticas e militares para que tenham em seus corações antes de tudo a incolumidade e a segurança dos cidadãos e garantam o acesso aos socorros humanitários. À população, desejo assegurar a minha comovida solidariedade, enquanto peço a Deus que um horizonte de paz e de concórdia surja rapidamente na Líbia e em toda a região do norte africano”. “No discurso proferido antes do Angelus, o Santo Padre se centrou no Evangelho do segundo domingo da Quaresma, dedicado ao mistério da Transfiguração de Cristo: “Segundo os sentidos, a luz do sol é a mais intensa conhecida na natureza, mas segundo o espírito, os discípulos viram, por um breve tempo, um esplendor ainda maior, a glória divina da salvação”. A Transfiguração não é uma mudança de Jesus, que ilumina toda a história da salvação, mas é a revelação de sua divindade” – explicou ainda o Pontífice, destacando que “Pedro, Tiago e João, contemplando a divindade do Senhor, foram preparados para enfrentar o escândalo da cruz”. Enfim, o Papa convidou a dar espaço à oração, à escuta da Palavra de Deus, e especialmente neste tempo de Quaresma, à penitência”. (SL) (Agência Fides 21/03/2011)

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