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Archive for março \31\-03:00 2011

Fonte: Agência Fides

30.03.2011

ÁSIA/JAPÃO – Os heróis cristãos de Fukushima que sacrificam suas vidas para impedir uma catástrofe nuclear

Sendai (Agência Fides) – Entre os trabalhadores que estão na verdade sacrificando suas vidas na usina nuclear de Fukushima, para dominar a radioatividade crescente e tentar colocar em segurança a usina, existem também alguns cristãos. A notícia, que chegou à Fides por alguns missionários locais, foi confirmada pelo Bispo de Sendai, cujo território se encontra na província de Fukushima: “Na tragédia que estamos vivendo e que cria grande preocupação em todos – disse à Agência Fides Dom Martin Tetsuo Hiraga – sabemos que alguns cristãos estão trabalhando como voluntários nas proximidades da usina. Nessa situação terrível, os cristãos japoneses têm uma grande oportunidade para oferecer um testemunho de nossa fé e os valores do Evangelho. Eles estão fazendo isso na solidariedade, na dedicação aos outros, num espírito de abnegação. Em Fukushima os trabalhadores estão arriscando suas vidas para salvar a população japonesa e evitar uma catástrofe nuclear”. Em Fukushima, existem atualmente 180 voluntários anônimos que, em turnos de 50, entram na usina nuclear para realizar operações de emergência. Nos últimos dias, três homens que trabalhavam perto do reator nº 3 da usina nuclear foram hospitalizadas porque contaminados pela radiação. Segundo fontes locais de Fides, o líder da equipe que administra todas as operações é um cristão, enquanto outros cinco membros de uma comunidade Batista estão trabalhando no processo de refrigeração do reator n º 1. e 2. Os fiéis estão realizando esta tarefa delicada e perigosa, “com plena consciência de dar sua vida pelos outros, na fé e na oração” e pediram orações por todos os fiéis do mundo”, para confiar a sua vida nas mãos de Deus”. Uma vigília de oração especial pelas vítimas, para aqueles que estão trabalhando na solidariedade, para as comunidades cristãs japonesas e para apoiar “os heróis cristãos de Fukushima” foi realizada em Cingapura nos últimos dias pela OFM (Overseas Missionary Fellowship), comunidade cristã evangélica que tem missionários em 12 países asiáticos. (PA) (Agência Fides 30/3/2011)

Publicado em Agência Fides.

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Fonte: Agência Ecclesia – Portugal

Igreja/Cultura: Novas fronteiras para o crer

Falar e ouvir falar de Deus na sociedade de hoje é uma dinâmica em mudança*

Lisboa, 29 Mar (Ecclesia) – O sociólogo Alfredo Teixeira considera que a Igreja Católica enfrenta “tendências de guetização da experiência cristã” que exigem uma “reconstrução criativa”.

Num texto hoje publicado na mais recente edição do semanário Agência ECCLESIA, o professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) fala num “processo de desagregação a que Michel de Certeau chamou o fim do «cristianismo objectivo»”.

“Talvez por isso nos encontramos, também, perante as tendências de guetização da experiência cristã e as perplexidades dos que escolhem a ambiguidade do mundo como lugar do testemunho”, acrescenta.

O jesuíta José Frazão Correia, por seu lado, diz que o “acto de fé e as práticas crentes deixaram de contar com a protecção de um centro reconhecido e incontestado, bem delimitado e seguro”.

“O que estamos a perder não parece essencial à fé em Jesus. Será, antes, uma falsa segurança (cultural, política, ética, etc.) que, em muitos casos e momentos, parece ter obscurecido e enfraquecido o Evangelho”, observa.

Para o sacerdote português, “a fé em Jesus de Nazaré não quer ser sem a diversidade de pessoas, tempos e modos, os seus dramas e êxitos”.

Em entrevista à Agência Ecclesia, o colunista Henrique Raposo fala da sua relação com Deus e do que espera no diálogo com a Igreja Católica, colocado no «Pátio dos Gentios» – designação do novo organismo do Vaticano para a promoção do diálogo com os não crentes.

“A linguagem no espaço público não é assim tão difícil como possa parecer”, assinala.

Abandonando a expressão “ateu” para se definir, Henrique Raposo defende que “o que não se pode fazer à Igreja – aos católicos – é o desprezo, pensar que eles não existem”.

Quando à condição crente, considera que “ter dúvidas deve fazer parte daquele que tem fé. Aqueles que foram educados na fé e nunca questionam nada, não vão chegar a um estado de maturidade, ficam na fé infantil”.

Tiago Freitas, padre da arquidiocese de Braga e um dos responsáveis pelo site www.patiodosgentios.com , fala, por seu lado, do interesse da Igreja na Internet e nas redes sociais: “Quer a nível institucional, quer a nível pessoal, terá de ser uma presença com a marca de um testemunho coerente e genuíno, o que implica, desde logo, uma transparência quanto à sua condição de crente”.

“O «testemunho» é a única linguagem que encontra um receptor disponível. Não existem posições neutras. Pode existir, isso sim, um itinerário pedagógico que, por vezes, o diálogo exige”, escreve.

Ao longo da Quaresma, que decorre de 9 de Março a 21 de Abril, a Agência ECCLESIA vai apresentar semanalmente um dossier sobre espiritualidade cristã, nas suas mais diversas vertentes.

OC

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*RM/SNPC | Obra de Lourdes Castro na Capela do Rato, Lisboa

Publicado em Agência Ecclesia – Portugal.

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Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Portugal

Entrevista

A terra de Jesus é o coração humano

Segunda parte da conversa entre o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça, e o jornalista Paulo Rocha, onde se fala da cruz e da ressurreição, da mesa e das parábolas, da Quaresma e da Igreja.

Alguns excertos da entrevista estão a ser transmitidos durante a Quaresma nos programas da Ecclesia (RTP 2, de segunda a sexta-feira, às 18h00).

Que relações estabeleceu Jesus com o universo político, nomeadamente do Império Romano?

É interessante olhar para as Escrituras e perceber que há uma espécie de aliança tácita entre o sistema religioso e político. Jesus era olhado pelos romanos, certamente, como um ser bizarro. O Império não compreendia Jesus e achava que ele era um problema que os judeus tinham de resolver.

Mas vemos, a posteriori, o esforço que os cristãos fazem, nomeadamente São Paulo e São Lucas, para traduzir o cristianismo numa linguagem que o universo helenista e romano pudessem compreender. O mundo político, tal como o mundo religioso, não compreendeu Jesus.

É a terra de Jesus que não o compreende?

Há um drama na narrativa de Jesus, que o prólogo do evangelho de São João diz de forma muito clara: “Ele veio para os que eram seus e os seus não o acolheram”. Isto tem a ver com a terra de Jesus, com o contexto, com o sistema religioso fechado, com o sistema político, mas também com uma questão mais ampla, que é a da humanidade. Porque a terra de Jesus é o coração humano. Jesus encarna, torna-se um de nós. E penso que é a nível da humanidade que essa compreensão da recusa de Jesus tem de ser feita, porque ainda hoje Jesus, como proposta de vida, de revelação de Deus, continua a não ser aceite, mesmo por aqueles que são seus.

Podemos dizer que Jesus viveu entre inimigos, ou que teria inimigos?

Sem dúvida que o discurso de Jesus não era consensual. Era um discurso que dividia. Que colocava uns a favor dele e outros contra. Porque Jesus fala claro: é uma linguagem do “sim, sim”, “não, não”. Desde o capítulo 5.º, São Lucas conta que alguns faziam tudo para tramar e eliminar Jesus. Nesse sentido ele tinha inimigos.

Entre os inimigos de Jesus estão a fome, a exclusão, a cruz?

Esses são os seus grandes inimigos. Quando nós pensamos em quem hoje se opõe à experiência cristã, mais do que designarmos grupos humanos, interessa perceber que os grandes opositores da mensagem cristã são o sofrimento da vítima e do justo, a fome, o injustificável e o irreparável da violência e da guerra, o manto de egoísmo que se estende sobre as nossas sociedades.

A cruz é símbolo dessa oposição à mensagem de Cristo?

A cruz é um duplo símbolo. É o símbolo da radicalidade do gesto cristão. Jesus está disposto a ir até ao fim. É um amor incondicional. É um amor que vai ao extremo de si na lógica do dom. A cruz é para nós a árvore da vida, tendo um sentido claramente positivo.

Mas a cruz também tem o sentido do homicídio, da máquina torcionária que massacra o justo. E aqui ela é denúncia de todos os processos que conduzem à violência e à injustiça.

Acredita na capacidade da linguagem da cruz nos dias de hoje?

A cruz é uma linguagem paradoxal e também uma interpelação. É verdade que o pior que pode acontecer é quando ela se torna ornamento, quando a trazemos ao peito como trazemos um outro símbolo qualquer a que não damos importância. Hoje os cristãos continuam a fazer a cruz sobre o seu corpo, e muitas vezes fazem-no de forma mecânica. Isso é triste porque é diminuir e dispersar o sentido de levantamento que a cruz tem.

O sentido da cruz é sempre paradoxal. É ambíguo porque tem a ver com a história de sofrimento e rejeição que Jesus protagoniza, e tem a ver com a história do dom que ele exemplifica e testemunha.

O horizonte da ressurreição acaba por dar à cruz o sentido pleno…

Não entendemos a cruz sem entender a ressurreição. A cruz é o limiar, o patamar, aquele momento mais fundo onde Jesus pode descer, como nos diz o hino da carta [de São Paulo] aos Filipenses: ele fez-se homem e fez-se o último dos homens. Isso é visível na cruz de Jesus.

O mistério da cruz não acaba nela – transcende-a e vence-a. Jesus é vencido e é vencedor, é triunfador da cruz precisamente porque há a manhã de Páscoa, porque há essa insurreição que ela representa.

Tertuliano dizia que acreditava na ressurreição como algo absurdo, no sentido de que está para lá da razão. É nessa dimensão do mistério que nos temos de situar?

A ressurreição é o inédito de Deus. Nós dizemos que é um absurdo, que contraria as evidências. Quando São Paulo, no Areópago de Atenas, falou aos sábios do seu tempo, eles mandaram-no vir mais tarde, porque não podiam acreditar naquela verdade. De facto, a ressurreição é uma verdade que estilhaça as certezas humanas e aquilo que temos a partir dos nossos sentidos e racionalidade. Ela é o poder de Deus, contrariando a vitória fatal que a morte parece ter sobre a história humana e sobre as nossas histórias.

Falemos dos espaços e contextos em que Jesus, no seu tempo, se dava a conhecer. O espaço comensal adquire aí uma importância vital?

A mesa e a refeição são extraordinárias. É interessante verificarmos que grande parte das histórias dos evangelhos supõe uma refeição. Os evangelhos são muito contados à mesa porque ela é a estrutura comunitária por excelência em todas as culturas. A mesa é um símbolo transversal. Nela nós experimentamos a intimidade, como a relação flui, a vizinhança.

E não é por acaso que a mensagem cristã se vai alojar nessa plataforma de intimidade que é a mesa. E que o grande símbolo cristão, a eucaristia, que começa com a última ceia, é alguma coisa que se faz à volta da mesa. Porque à mesa nós alimentamo-nos do mesmo alimento, mas sobretudo – e é essa a força da mesa – alimentamo-nos uns dos outros. Somos alimento uns dos outros. E nesse sentido Jesus dá-se como alimento e a intimidade que vivemos com ele é uma intimidade que nos constrói.

E para situações e pessoas que, no caso do mundo judaico, estariam longe de ser possíveis. Por exemplo, a mulher pecadora.

A comensalidade de Jesus é aberta. Isto é muito curioso porque o cristianismo é a única religião onde se pode comer de tudo com todos. A mesa cristã é inclusiva. Não há restrições. Mesmo agora, na Quaresma, temos abstinência em relação à carne, mas é uma situação pontual e com uma razão ascética, para implicar um esforço interior de abnegação. Porque verdadeiramente nós podemos comer de tudo. E isso mostra como Jesus fez da mesa o grande ícone do reino de Deus e da proposta que Jesus faz dele.

Nesse ambiente de comensalidade, a resposta de Jesus parece de outra ordem. Por exemplo, no caso do encontro com a mulher pecadora, ele diz “A tua fé te salvou”.

À mesa Jesus constrói experiências de vida e de fé. É verdade que eles deviam comer pão, cordeiro, ervas amargas; deviam beber vinho e água. Mas o principal alimento era o encontro. É muito interessante olharmos para os evangelhos porque eles narram sobretudo histórias de encontro. E a pecadora, que atravessa a hostilidade dos fariseus para chegar a Jesus, ou os publicanos que comiam com ele e faziam perguntar “quem é este que come com os pecadores?”, mostram bem como Jesus privilegia o encontro e a relação como lugar onde a fé é possível.

Para nós a fé não é uma verdade abstrata, não é um conjunto de fórmulas, não é simplesmente um credo. A fé é uma verdade praticada no interior de um encontro dinâmico de descoberta, em que a nossa humanidade é abraçada por Jesus, é colocada aos ombros, e nós percebemos que é salva e renovada por ele.

Nessas situações Jesus foi objeto de escândalo ao romper com o que hoje chamaríamos de pequenos gestos protocolares…

Ainda hoje, nas nossas sociedades, em que parece que tudo é muito mais fluido e livre, o protocolo de mesa continua a ser muito rígido. É muitas vezes o único lugar de ritualidade que mantemos. Por exemplo, à nossa mesa não se senta qualquer pessoa. E quando estamos em família há uma distribuição dos lugares. Há aquele que se serve primeiro e aquele que fica para o fim.

É belo ver que Jesus rompe com a ritualidade estabelecida e inscreve uma nova, em que os últimos serão os primeiros, em que há espaço para todos, em que aquele que quer ser o primeiro é quem vai lavar os pés e fazer os ritos de hospitalidade. Jesus funda um novo protocolo de mesa, que não é apenas para observar à refeição, instituindo uma nova qualidade de relação entre os homens.

E isso também na dimensão religiosa: no templo [de Jerusalém] há uma ocasião em que Jesus diz que ele próprio é o templo.

É impressionante olhar para Jesus porque ele é um inovador. Ele escreve o gesto novo de Deus na história. E nós vemos nas diversas situações – à mesa, em casa, mas também na sinagoga e no templo – como Jesus rompe com as ideias feitas, com o mundo de aparência, com um sistema fechado que excluía o irmão e estreitava a imagem de Deus.
O grande problema dos sistemas é que empobrecem e diminuem Deus. E Jesus devolve uma imagem de Deus que é ampla, que faz justiça ao seu amor e misericórdia. Um exemplo para lá do templo é o próprio discurso religioso, que tem uma grande tendência a tornar-se estreito, monocórdico e empalidecido.

Jesus fala uma linguagem religiosa aberta. Não fala à maneira moralista. Jesus conta histórias, conta parábolas. E nesse sentido fala de Deus de uma forma poética, de uma forma que dá a ver Deus para lá dos nossos preconceitos, limitações e dos obstáculos que colocamos. É assim um Jesus inaugurador de pontes, um Jesus grande intérprete da largueza de Deus, um Jesus que nos diz, como disse a Pedro, “faz-te ao largo”.

Jesus provocou nos fariseus interrogações como esta: “Quem é este que profere blasfémias?”. É uma reação que pode provocar também hoje?

Jesus é heterodoxo. Nós, cristãos, não temos a verdade – somos medidos por ela. Não possuímos Jesus – é o espírito do ressuscitado que nos possui. E é ele que avalia, que é o critério último das nossas vidas. Jesus não é uma pessoa que nós manipulamos, mas alguém para quem convergimos. Nesse sentido, ele continua a dar-nos a volta, continua a pedir-nos conversão. Precisamos ouvi-lo, colocarmo-nos aos pés dele, como Maria ficou aos pés de Jesus a escutá-lo. Precisamos de aprender quem é Jesus.

É muito interessante o inciso que Dostoievsky tem nos “Irmãos Karamazov”, a lenda do grande inquisidor, que para nós, cristãos, é um murro no estômago. Aparece de novo Jesus e o responsável da Inquisição manda prendê-lo. E à noite vai falar com ele à prisão, dizendo-lhe: “Tu já não tens lugar, agora somos nós. A tua palavra é incómoda. Nós não a podemos ouvir. Agora ficamos nós no teu lugar”. Ora, a Igreja não ficou no lugar de Jesus. A Igreja é uma comunidade que continua a ter Jesus por mestre, no centro. Precisamos de viver numa conversão permanente para escutarmos e vivermos em fidelidade a palavra de Jesus. Porque ele continua a surpreender-nos. O que ele pede à Igreja de cada tempo é que ela precisa de caminhar e esforçar-se, precisa de abrir-se e renovar-se para poder continuar obediente a Jesus.

A Igreja terá passado pela tentação de substituir Jesus?

Eu digo que sim por nós próprios, por mim próprio. Penso que cada um de nós vive essa tentação de olhar para a experiência cristã como uma sabedoria na qual somos iniciados, mas que depois é manipulável, adaptável às nossas necessidades e desejos.

Aquilo que o cristianismo nos propõe é diferente. É uma experiência de relação permanente, de descoberta, de audição. A Igreja está à escuta da palavra de Jesus, que não é alguém que eu conheço – João Batista tem aquela frase maravilhosa: “no meio de vós está alguém que não conheceis”. Jesus continua a ser alguém que eu preciso de descobrir. E em cada Quaresma, em cada Tempo Pascal, tempos fortes de ‘recentramento’, a Igreja é chamada a esta primavera, que é no fundo a disponibilidade para reencontrar Jesus em toda a intensidade. (continua)

© Ecclesia | 26.03.11

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Fonte: Rádio Vaticano

PAPA: “TRABALHO NOS APROXIMA DE DEUS”

Cidade do Vaticano, 26 mar (RV) – O papa recebeu esta manhã um grupo de peregrinos da Diocese de Terni-Narni-Amelia, que comemoram 30 anos da visita do Papa João Paulo II às siderúrgicos da cidade.

Bento XVI saudou o grupo, liderado pelo Arcebispo Dom Vincenzo Paglia, recordando o amor especial que João Paulo II nutria pelo mundo do trabalho; seu encorajamento, solidariedade, amizade e carinho pelos operários. O Pontífice recordou que no dia de sua eleição, ele mesmo se definiu um “humilde trabalhador na vinha do Senhor”.

No discurso, o Papa falou sobre a crise de hoje, que está colocando a cidade da usina e suas famílias numa situação difícil. Ele disse sentir a preocupação que os operários trazem em seu coração, e demonstrou estar a par da responsabilidade e da participação da Igreja diocesana, comunicando a esperança do Evangelho e a força para edificar uma sociedade mais justa e digna do homem.

Neste sentido, ressaltou a importância da Eucaristia que salva o mundo, fazendo-o viver a alegria da fé e a paixão por melhorá-lo. A Eucaristia do Domingo é o fulcro da ação pastoral da Diocese, “viver de modo eucarístico significa viver como uma família, um único Corpo, uma sociedade de amor”.

“Neste horizonte – disse o Papa – insere-se o tema do trabalho e de seus problemas, como o que mais preocupa hoje: o desemprego. O trabalho é um dos elementos básicos da pessoa e da sociedade. Condições precárias de trabalho dificultam as condições da própria sociedade, as condições de uma vida ordenada segundo as exigências do bem comum”.

Outro problema tocado por Bento XVI foi a segurança no trabalho, uma realidade à qual é preciso estar atentos, para que a trágica série de incidentes seja interrompida. Em seguida, foi abordado também o problema da precariedade profissional entre os jovens.

O papa se disse muito próximo das preocupações e ansiedades dos operários, auspiciando que na lógica da gratuidade e da solidariedade, os momentos difíceis possam ser superados e seja garantido um emprego seguro, digno e estável para todos.

Enfim, recordou que o trabalho ajuda a sentirmo-nos mais perto de Deus e dos outros, e lembrou que Jesus foi um operário, tendo passado grande parte de sua vida terrena em Nazaré, na marcenaria de José.

Em sua visita à Terni, João Paulo II falou do “Evangelho do trabalho”, afirmando que o Filho de Deus, tornando-se homem, trabalhou com as próprias mãos. A sua foi uma verdadeira fatiga física, ocupou a maior parte de sua vida nesta terra, e assim, entrou na obra de redenção do homem e do mundo.

“O trabalho deve ser entendido na perspectiva cristã, ao invés de ser visto apenas como um meio de ganho, ou de exploração, como em muitas partes do mundo, onde é ofendida a própria dignidade da pessoa. Em relação ao trabalho aos domingos, o Papa acenou para o risco de que o ritmo do consumo possa subtrair-nos o sentido da festividade e do Domingo como dia do Senhor e da comunidade.
(CM)

Publicado em Rádio do Vaticano.

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Fonte: Canto da Paz – Clarissas e Franciscanos

(fonte da imagem: http://www.stellaroid.co.cc)

Quaresma: Creio em Deus, Pai Criador

Campanha da Fraternidade 2011: Creio em Deus, Pai Criador

A Campanha da Fraternidade de 2011 (CF-2011) propõe uma questão de evidente atualidade: fraternidade e a vida no nosso Planeta. Nem é preciso argumentar muito para justificar a escolha desse tema pela CNBB: Já faz tempo que estudiosos estão alertando para o fenômeno do aquecimento global e suas consequências para o clima e para o equilíbrio ecológico.

As Conferências mundiais sobre o clima, que congregam as maiores autoridades científicas da área, deixam sempre mais evidente que o sistema produtivo da economia moderna e contemporânea desencadeia intervenções inadequadas do homem na natureza e se constitui numa ameaça real para o equilíbrio ecológico e até mesmo para o futuro da vida na terra. Em contraste com tais constatações, nas mesmas movimentadas Conferências sobre o clima, as principais autoridades políticas e econômicas do Planeta não conseguem chegar a um acordo sobre as medidas a serem adotadas para sanar o problema e prevenir os riscos. È difícil redimensionar o desenvolvimento econômico, quando a receita é renunciar a certo padrão de consumo dos recursos naturais, que equivale à depredação e depauperamento da natureza. Exigimos da natureza mais do que ela pode oferecer, sem comprometer a sua sustentabilidade.

A CF-2011 convida a encarar seriamente a responsabilidade humana em relação ao futuro da vida no planeta Terra, o “ninho da vida” no universo, a casa comum da grande e diversificada família humana. O Texto Base, que apresenta a proposta da CF, traz argumentos e reflexões sobre o fenômeno do aquecimento global e os motivos que deveriam levar todos a pensar sobre o que é possível fazer e o que não se deveria fazer, para evitar a deterioração do ambiente da vida na terra. Argumentos bíblicos e teológicos deveriam motivar os cristãos e todos os crentes em Deus a uma verdadeira conversão nos modos de viver e de se relacionar com a natureza, quando ficam comprometidas a qualidade da vida e a fraternidade na família humana. Todos são convidados a se envolverem na CF-2011.

Destaco dois motivos de fundo religioso, que deveriam ser levados em conta por todas as pessoas de fé no tocante à questão ecológica. Primeiramente, tratar bem a natureza e cuidar do pedaço do Planeta que ocupamos está implicado na nossa fé no Deus Criador. Professamos a fé no Deus, Criador do céu e da terra, não importa como, ou quando isso aconteceu. A ciência pode continuar a pesquisar sobre a origem do universo e da vida na terra e isso não contradiz a nossa fé no Deus Criador. O certo é que não fomos nós que demos origem a toda essa beleza e grandiosidade. Dizer que tudo isso surgiu por si mesmo é um grande absurdo.

Mas também aprendemos da nossa fé que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, confiando-lhe o cuidado do “jardim da vida”. Embora pequeninos entre as criaturas do grande universo, somos importantes e Deus nos trata com predileção especial. O poeta do Salmo tem consciência disso, quando exclama, admirando o céu numa noite estrelada: “Que é o homem, Senhor, para que dele te ocupes?! No entanto, Tu o fizeste pouco menor que um deus… Tu o colocaste à frente da obra de tuas mãos!” (cf Salmo8). Sim, Deus colocou o mundo à disposição do homem; não para que acabe com ele, e sim, para que dele viva e usufrua, mas também para que zele por ele, qual bom administrador. Cuidar bem da natureza é sinal de fé e de gratidão para com o Deus Criador. Avançar sobre a natureza com a vontade de possuir e dominar, é cair novamente na tentação de “ser deuses”, como Adão e Eva no paraíso (cf Gn 3). Quando o homem resolve assumir o lugar de Deus, desprezando seu desígnio, a desordem e o caos entram no mundo, com seus frutos de injustiça, violência e morte.

O outro motivo, relacionado com o primeiro, é de fundo ético e moral: Cuidar bem da Terra, nossa casa comum, é questão de responsabilidade e solidariedade. Os bens da criação foram colocados por Deus à disposição de todas as suas criaturas; descuidar da natureza, ou estragá-la, é falta de respeito e de justiça para com o próximo e para com as futuras gerações. Não somos os únicos a ocupar esta casa, nem seremos os últimos; e é moralmente correto pensar nos outros, quando nos relacionamos com a natureza. Não ficará bem deixar atrás de nós um paraíso depredado, o mundo cheio de lixo, as terras desertificadas, as águas contaminadas, o ar irrespirável, o equilíbrio ecológico comprometido… A CF-2011 é um convite a refletir, para formar uma consciência comum sobre nossa responsabilidade e para tomar decisões eficazes sobre os cuidados que a Terra merece. É nossa casa comum. E ainda será a casa dos que viverão depois de nós.

(fonte: http://www.cnbb.org.br  –  autor: Cardeal Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo)

Publicado em Canto da Paz.

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Fonte/imagem: Pope Benedict XVI Blog

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Fonte: Rádio Vaticano

Na audiência geral Bento XVI aponta exemplo de oração e serviço à paz de São Lourenço de Brindes, salientando que o mundo precisa de homens e mulheres pacíficos e pacificadores

(23/3/2011) Depois da fase invernal o encontro semanal do Papa com os fiéis e peregrinos que se deslocam a Roma voltou nesta quarta feira a efectuar-se na Praça de S. Pedro, onde segundo a prefeitura da Casa pontifícia se encontravam cerca de 10 mil pessoas
Bento XVI dedicou a audiência geral desta quarta feira à figura do santo italiano Lourenço de Brindes, que morreu em Lisboa no ano de 1619, tendo sublinhado que a oração é o primeiro serviço que os padres devem oferecer à comunidade que servem.
“Os momentos de oração devem ter na nossa vida uma verdadeira prioridade”, afirmou o Papa, acrescentando que cada presbítero só “pode evitar o perigo do activismo” e do esquecimento das “motivações profundas” da sua identidade se cuidar da sua “vida interior”.
Depois de lembrar “o acolhimento festivo” que teve na cidade italiana de Brindes, em 2008, Bento XVI lembrou o papel desempenhado pelo frade da congregação dos Franciscanos Capuchinhos na oposição às ideias veiculadas pelas correntes teológicas protestantes.
“Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja [sacerdotes que viveram até ao século VIII], era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero”, recordou.
A actividade de Lourenço, nascido no ano de 1559, permite compreender que o “confronto” com a Bíblia, lida na Tradição da Igreja, constitui um elemento irrenunciável e de importância fundamental” para o diálogo ecuménico e para a união a Deus, apontou o Papa.
“São Lourenço de Brindes ensina-nos a amar a Sagrada Escritura, a crescer na familiaridade com ela, a cultivar diariamente a relação de amizade com o Senhor na oração, porque toda a nossa acção, toda a nossa actividade tem n’ Ele o seu início e cumprimento”, afirmou.
O Papa evocou igualmente o conhecimento que o religioso adquiriu de línguas antigas como o hebraico, grego, siríaco e latim e destacou as suas qualidades oratórias: “Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada”.
A fluência em francês, italiano e alemão permitiu-lhe transmitir a mensagem cristã a “diversas categorias de pessoas” e contribuiu para promover a “paz e reconciliação entre as nações e povos da Europa”, testemunho que constitui “um excelente exemplo” para a actualidade, “tão cheia de violência, relativismo ético e indiferença religiosa”.
Hoje o mundo precisa muito de paz, precisa de homens e de mulheres pacíficos e pacificadores; afirmou Bento XVI salientando que todos aqueles que acreditam em Deus devem ser sempre fonte e agentes de paz.
Foi ao serviço da paz que o religioso morreu em Lisboa, então sob domínio castelhano, onde se tinha deslocado para interceder junto do rei Filipe III (Filipe II de Portugal) pelos súbditos napolitanos, oprimidos pelas autoridades locais.
“A nova evangelização precisa de apóstolos bem preparados, zelosos e corajosos como São Lourenço”, frisou Bento XVI, lembrando que o santo recebeu em 1959 o título de ‘Doutor Apostólico’.
Referindo-se à Quaresma, o Papa realçou que este tempo de preparação para a Páscoa iniciado a 9 de Março apela à “luta contra o egoísmo”, assim como “à mortificação e penitência”.
Estas as palavras de Bento XVI falando em português

Queridos irmãos e irmãs,
São Lourenço de Brindes, padre capuchinho, nascido em 1559, era dotado de eminentes qualidades intelectuais e grande facilidade de aprender línguas, o que havia de lhe permitir desenvolver um fecundo apostolado com várias categorias de pessoas. Profundo conhecedor e amante da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, era capaz de ilustrar de modo exemplar a doutrina católica mesmo aos cristãos que tinham aderido à Reforma Protestante, mostrando os fundamentos bíblicos e patrísticos das verdades postas em questão por Martinho Lutero. Foi também um grande pregador, que se dirigiu aos fiéis mais simples e sem cultura, chamando todos a uma vida mais coerente com a fé professada. Outro elemento característico do nosso santo foi a sua acção em prol da paz, tendo sido encarregado de importantes missões diplomáticas, para dirimir controvérsias e favorecer a concórdia entre as nações. Mas, acima de tudo, era um homem de oração, bem ciente de que esta é o primeiro serviço que o sacerdote deve oferecer à Comunidade. Autor de numerosas obras, evidenciou, nos seus escritos, a acção do Espírito Santo na existência do fiel. O Papa Beato João XXIII deu-lhe o título de «Doutor Apostólico».
* * *
Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos saúdo e dou as boas-vindas a esta Audiência! São Lourenço de Brindes nos ensina como a familiaridade com a Bíblia e a oração são essenciais para que todas as nossas acções tenham o seu início e cumprimento em Deus. Possa este ser o fundamento do vosso testemunho cristão no mundo de hoje. Que Deus vos abençoe!

Publicado em Rádio Vaticano.

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Fonte: Agência Fides

21.03.2011

VATICANO – O Papa no Angelus: “que um horizonte de paz e de concórdia surja rapidamente na Líbia em toda a região do norte africano”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – O Santo Padre Bento XVI, depois da oração do Angelus, domingo, 20 de março, lançou um apelo para que sejam garantidas a incolumidade e a segurança dos cidadãos líbios e o acesso às ajudas humanitárias. “Nos últimos dias, as preocupantes notícias que chegaram da Líbia suscitaram viva trepidação e temores em mim – disse o Pontífice. Já havia rezado particularmente ao Senhor durante a semana dos Exercícios Espirituais. Agora, acompanho os últimos eventos com grande apreensão, rezo por aqueles que estão envolvidos na dramática situação daquele país e dirijo um apelo às pessoas que têm responsabilidades políticas e militares para que tenham em seus corações antes de tudo a incolumidade e a segurança dos cidadãos e garantam o acesso aos socorros humanitários. À população, desejo assegurar a minha comovida solidariedade, enquanto peço a Deus que um horizonte de paz e de concórdia surja rapidamente na Líbia e em toda a região do norte africano”. “No discurso proferido antes do Angelus, o Santo Padre se centrou no Evangelho do segundo domingo da Quaresma, dedicado ao mistério da Transfiguração de Cristo: “Segundo os sentidos, a luz do sol é a mais intensa conhecida na natureza, mas segundo o espírito, os discípulos viram, por um breve tempo, um esplendor ainda maior, a glória divina da salvação”. A Transfiguração não é uma mudança de Jesus, que ilumina toda a história da salvação, mas é a revelação de sua divindade” – explicou ainda o Pontífice, destacando que “Pedro, Tiago e João, contemplando a divindade do Senhor, foram preparados para enfrentar o escândalo da cruz”. Enfim, o Papa convidou a dar espaço à oração, à escuta da Palavra de Deus, e especialmente neste tempo de Quaresma, à penitência”. (SL) (Agência Fides 21/03/2011)

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Fonte: OCDS -Província São José

Quaresma…Pensando em vida. Algumas considerações…

“Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar”.

“Tu amas, Senhor, todas as coisas que existem e nada desprezas do que criaste; se odiasses alguma coisa, não a terias criado… Tu conservas todas as coisas, porque todas são tuas, Senhor, amante da vida” (Sab 11,24-26).

“Ó morte, onde está a tua vitória?”.

Em tempo de quaresma, que começa com o sugestivo (para alguns) e mágico (para outros) rito das cinzas, pensemos na vida, pois o fim do caminho da quaresma (símbolo da caminhada de nossa vida humana) é a celebração da vitória da Vida sobre a morte em Cristo Jesus.

“Tu és pó!”. O homem, então, é pó? Que tipo de homem seria esse?

Com certeza, é o homem que se afastou de Deus, rejeitou o diálogo, foi expulso de sua casa, repeliu o dinamismo do amor, para enveredar numa trajetória de dissolução e de morte. Ou o homem que se opõe a Deus, vira as costas ao seu próprio ser, rejeita sua identidade de filho e condena a si mesmo ao nada. É o homem que se afasta da vontade do Criador.

Felizmente, nesse itinerário de afastamento, existe a possibilidade de uma volta. É possível mudar de direção e voltar à origem. É possível não caminhar para a morte, mas voltar à Fonte. E a FONTE, “ que mana e corre, mesmo de noite”, é Deus, AMANTE DA VIDA.

Eis a conversão! “Lembra-te que és pó, e como pó voltarás….a Deus”. Basta querer. Desde já. É preciso somente tornar-se terra e entregar-se novamente ao Construtor, ao Criador. E aceitar que Ele nos faça de novo. O Artista Divino é capaz de refazer-nos conforme seu projeto original e quer que sejamos sua obra-prima.

Se por acaso erramos, perdemos o caminho da vida ou o sentido do Reino e envolvemos outros em nossa culpa, aceitando nossa realidade, isto é, que somos pó, Ele inclinar-se-á sobre nós para soprar seu sopro de vida.

Assim nosso “nada” será transformado no “tudo” pela plenitude divina. E se ainda nos rebelamos, não aceitando seu projeto e quebrando nossa identidade divina, mesmo em pedaços, gritando de dor e com saudade da casa paterna, Ele saberá reconhecer-nos e, com mão delicada, recolherá os pedaços e nos recriará. Pois, nenhum artista – tanto menos o Artista Divino – dá por perdida qualquer uma de suas obras.

Todo ser humano é fruto do amor transbordante de Deus. Se prestarmos atenção, este amor de Deus se manifesta em tudo. Uma menina que procurava ansiosamente por Deus, depois de fazer a descoberta de sua presença na vida, em qualquer tipo de vida, escreveu atrás de uma fotografia de um prado florido: “Esta é uma fotografia tirada antes de descobrir que Deus nos sorri, nos ama e fala do seu amor  nas flores, nas árvores, nas estrelas, em cada gota de vida”.Nunca poderemos entender verdadeiramente quanto Deus seja Deus-para-nós.

O segredo da felicidade é uma vida com Deus. Longe Dele, ser feliz é praticamente inconcebível. “Nossa vida nasce, vive, amadurece e chega ao fim em relação existencial e moral com Deus. Aqui está toda a esperança da vida, aqui a filosofia da verdade, aqui a teologia do nosso destino… O homem não pode ser entendido sem esta referência essencial com Deus, que incumbe sobre nós, que nos conhece, observa-nos, penetra-nos, conserva-nos continuamente. Ele é o Pai de nossa vida”(Paulo VI).

Deus Pai nos ama, sustenta-nos, acaricia-nos, torna-nos felizes, seja que estejamos num leito de dor, seja que estejamos num prado de flores.

Pensando em cinzas, em quaresma, é bom pensar na vida: a vida que surge e ressurge do pó, das cinzas, da conversão, do sopro do Espírito. E nada: nem cinzas, nem lama, nem poeira, nem pecado algum será empecilho para reconhecermos em nós e nos outros o resplendor do rosto de um filho de Deus.

Pensemos não nas cinzas do túmulo, da morte, mas num punhado de terra na mão do Artífice Divino, no momento solene da Criação; um punhado de terra pronto a receber o “sopro” e tornar-se, assim, “vivente”.

Pensemos no Senhor que “trata com indulgência todas as coisas, porque todas são suas, do Senhor, amante da vida” (Sab 11, 26). Conversão, afinal, é abraçar a vida!

Frei Pierino Orlandini

Postado por Rose.

Publicado em OCDS Província São José.

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Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) – Portugal

18.03.11

Bíblia e espiritualidade

O primado da vida interior em São José

No Dia do Pai, que se assinala a 19 de março, a Igreja Católica evoca a figura de São José. Em 1989, o Papa João Paulo II escreve a exortação “O guarda do Redentor”, sobre o esposo de Maria e pai legal de Jesus, da qual apresentamos um excerto.

«Também quanto ao trabalho de carpinteiro na casa de Nazaré se estende o mesmo clima de silêncio, que acompanha tudo aquilo que se refere à figura de José. Trata-se, contudo, de um silêncio que desvenda de maneira especial o perfil interior desta figura. Os Evangelhos falam exclusivamente daquilo que José “fez”; no entanto, permitem-nos auscultar nas suas «ações», envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação. José estava quotidianamente em contacto com o mistério “escondido desde todos os séculos”, que “estabeleceu a sua morada” sob o teto da sua casa. Isto explica, por exemplo, a razão por que Santa Teresa de Jesus, a grande reformadora do Carmelo contemplativo, se tornou promotora da renovação do culto de São José na cristandade ocidental.

O sacrifício total, que José fez da sua existência inteira, às exigências da vinda do Messias à sua própria casa, encontra a motivação adequada na “sua insondável vida interior, da qual lhe provêm ordens e consolações singularíssimas; dela lhe decorrem também a lógica e a força, própria das almas simples e límpidas, das grandes decisões, como foi a de colocar imediatamente à disposição dos desígnios divinos a própria liberdade, a sua legítima vocação humana e a felicidade conjugal, aceitando a condição, a responsabilidade e o peso da família e renunciando, por um incomparável amor virgíneo, ao natural amor conjugal que constitui e alimenta a mesma família”.

Esta submissão a Deus, que é prontidão de vontade para se dedicar às coisas que dizem respeito ao seu serviço, não é mais do que o exercício da devoção, que constitui uma das expressões da virtude da religião. (…)

Mais ainda, a aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela proteção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade.»

João Paulo II
In O guarda do Redentor
18.03.11

Publicado em SNPC – Portugal.

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Fonte: Agência Fides

17.03.2011

ÁSIA/JAPÃO – A Caritas: “Pronta para trabalhar junto com o Governo em favor da emergência e da reconstrução”

Roma (Agência Fides ) – A Caritas do Japão, com o apoio da rede da Caritas Internacional, está pronta para trabalhar junto com o Governo japonês em favor da emergência e a reabilitação das populações atingidas pelo terremoto e pelo tsunami: foi o que disse à Agência Fides Pe. Bonnie Mendes, Diretor do Departamento Ásia da Caritas Internacional, que em Bangcoc está desempenhando uma função de coordenação entre o Governo, a rede internacional e os escritórios centrais. “A obra da Caritas no Japão – explica à Fides – agora é a de se preparar para responder às necessidades que o Governo irá solicitar no campo das ajudas humanitárias. Por isto, instituímos um Centro de Emergência em Sendai. As operações de resgate são realizadas por pessoas da proteção civil nipônica, altamente qualificadas, no campo dos recursos e de tecnologias. Neste caso, onde o desastre atingiu uma sociedade muito bem organizada, não é necessária a presença de voluntários armados somente de boa vontade, mas servem ajudas miradas. A Caritas é uma das organizações que, se chamada para ajudar, estará pronta para entrar em campo para ajudar nas emergências”. Pe. Mendes ressalta ambém que “o problema da possibilidade de contaminação nuclear, impõe máxima prudência e pessoas especializadas também na equipe de resgate”. “O nosso trabalho – ressalta o Diretor da Caritas Ásia – será mais útil, amplo e intenso na segunda fase, relativa à reabilitação pós-emergência. Então teremos que fazer o máximo esforço”. Pe. Mendes disse que “está muito contente com as respostas que chegam dos países asiáticos: as Caritas de Cingapura, Macau, Taiwan, Mianmar e Vietnã, país muito pobre e com dificuldade internas, arrecadaram fundos. Muito ativa está sendo também a Caritas Coreia que, com outros grupos cristãos, está se ativando para ajudar com recursos humanos e tecnológicos a Caritas no Japão. Também na Índia e no Paquistão as comunidades católicas iniciaram coletas e estão acompanhando o povo japonês com a oração. É uma grande manifestação de solidariedade que nos conforta muito”. Sobre o comportamento que hoje vivem os católicos e todo o povo japonês, Pe. Mendes cita as palavras do Salmo 50: “Um coração contrito e humilde tu não o despreza”. “Estou certo de que Deus ouvirá o grito e as orações deste povo que sofre neste momento”. (PA) (Agência Fides 17/3/2011)

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Fonte: Rádio Vaticano

11/03/2011

Bento XVI deseja uma Quaresma marcada pela atenção aos pobres

(11/3/2011) Bento XVI recebeu em audiência nesta sexta feira 45 membros da associação caritativa Pro Petri Sede.
Temos uma responsabilidade em relação aos pobres do nosso tempo disse o Papa ,dirigindo-se aos membros desta associação agradecendo-lhes pela sua ajuda ás populações tão duramente provadas nos últimos tempos e em particular as populações de Haiti, atingidas pelo terramoto nos meses passados.
Bento XVI recordou que a esmola é um dos empenhos centrais da Quaresma e sublinhou como, contribuindo a lutar contra a pobreza, esmola e partilha aproximam-nos dos outros.
“ Verdadeiramente nós precisamos de nos deixar iluminar pela luz de Cristo, para que, do nosso lado, sentindo a urgência da nossa responsabilidade em relação aos pobres do nosso tempo, possamos dirigir sobre eles o nosso olhar que restitui confiança.
Bento XVI afirmou que o “serviço da caridade” pertence à “própria natureza da Igreja” e que esta deve oferecer tanto a “indispensável assistência material” como a “atenção do coração e do amor de que as pessoas em dificuldade tanto precisam”.

Publicado em Rádio do Vaticano.

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Marco Basaiti

 

Fonte: Secretariado Nacional da Cultura (SNPC) – Portugal

Espiritualidade

Rezar até à impossibilidade de rezar

A cada instante da sua vida, Jesus reza. Tome-se, por exemplo, o testemunho que nos dá o Evangelho de São Lucas. É «no momento em que Jesus se encontra em oração» que o Espírito se manifesta no batismo (3,21): «Tu és o meu Filho muito amado; em ti coloquei toda a minha alegria»; antes de escolher os Doze, Ele «passa toda a noite a rezar a Deus» (6,12); a questão que provoca a «confissão de Pedro» é colocada aos discípulos «num dia que Ele rezava» (9,18); e se um deles lhe pede para que os ensine a orar, é porque viu o próprio Senhor «rezando» (11,1). Cristo ora ainda para que a fé de Pedro não desfaleça (22,32) e, pregado à Cruz, Ele reza ao Pai pelos homens (23,34): «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem», e por si mesmo (23,46): «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.»

Para Jesus, a oração não fazia apenas parte da vida: ela era a vida. A sua existência era cumprida na presença de Deus, seu Pai, a cada instante. Jesus não esconde nada ao Pai. As suas alegrias e dores, as suas esperanças e as suas noites foram sempre partilhadas com o Pai.

A oração cristã não é uma viagem ao fundo de si mesmo. Não é um movimento introspetivo. Não é uma diagnose dos nossos pensamentos e moções externas ou íntimas. A oração cristã é ser e estar diante de Deus, colocar-se por inteiro e continuamente diante da sua presença, com uma atenção vigilante Àquele que nos convida a um diálogo sem cesuras. Não é oferecer a Deus alguns pensamentos, mas entregar-lhe todos os pensamentos, tudo o que somos e experimentamos.

A oração é uma conversão de atitude, porque a verdadeira oração cristã descentra-nos de nós mesmos – das nossas preocupações e afanos, dos nossos desejos egóticos e pouco purificados – e orienta-nos para Deus, de modo que tudo o que passamos a desejar é a vontade de Deus, o dom do seu olhar que, como dizia Santo Agostinho, é «mais íntimo a nós que nós próprios». Isso que a “Oração de Abandono”, do Beato Charles de Foucauld, traduz tão bem:

Meu Pai,
Eu me abandono a ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu te agradeço.

Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criaste,
Nada mais quero, meu Deus.

Nas tuas mãos entrego a minha vida.
Eu te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque te amo.

E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és… meu Pai!

Quanto tempo devemos rezar? É essencial que existam tempos fortes neste caminho quotidiano de entrega e, com todo o realismo, temos mesmo de reservar em cada dia um quinhão para Deus e Deus só. Mas não nos iludamos: a oração não pode ser um compartimento do meu dia, um pequeno nicho que eu encho de pensamentos e fórmulas piedosas. A oração cristã é aquela que se desenvolve seguindo os passos de Jesus e, aí, rezar é viver, com todas as nossas forças e com toda a nossa realidade, na presença de Deus. Precisamos passar de um entendimento egocêntrico da oração, para um entendimento teocêntrico, fundado afetiva e efetivamente em Deus. Pondo os nossos olhos em Cristo, os nossos olhos e o nosso coração aprendem, na graça do Espírito Santo, o caminho para o Pai. Todo o Ser de Jesus é uma intimidade e uma revelação permanente do Pai. «Ninguém viu jamais o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai» (Jo 6,46).

Quanto tempo devemos rezar? No nosso interior devemos sentir que rezamos continuamente. Não há, talvez, outra maneira mais simples ou mais vibrante de compreender a natureza da oração de Jesus. Que lição maravilhosa e necessária nos concede o clássico da espiritualidade cristã, “Relatos de um peregrino russo ao seu pai espiritual”. Começa assim: «Por graça de Deus sou homem e sou cristão; pelas minhas ações sou um grande pecador. Meus bens são: as costas, uma sacola com pão duro, a santa Bíblia no bolso e só… Por estado, sou peregrino da mais baixa condição, andando sempre errante de um lugar a outro. No vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes, fui à igreja para ali fazer as minhas orações durante a liturgia. Estava a ser lida a primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses e, entre outras palavras, ouvi estas: “Orai incessantemente” (1Ts 5,17). Foi esse texto, mais que qualquer outro, que se inculcou em minha mente, e comecei a pensar como seria possível rezar incessantemente, já que um homem tem de se preocupar também com outras coisas a fim de ganhar a vida.»

A verdade é que a nossa conversão à oração incessante está longe de ser fácil. Experimentamos uma resistência inexplicável à ideia de vivermos vulneráveis, pobres e sem defesas diante de Deus. Não foram apenas Adão e Eva que, ao ouvirem os passos de Deus no jardim, se esconderam (Gn 3,8). Certamente, dispomo-nos a amar a Deus e a adorá-lo, mas queremos guardar para nós uma parte da nossa vida espiritual. Por isso caímos frequentemente na tentação de escolher muito bem os pensamentos que vamos ter presentes nos nossos colóquios com Deus. Seja por medo ou por insegurança, facilmente damos um caráter demasiado introspetivo à oração e, muitas vezes, escondemos de Deus (mas será que podemos esconder?) aquilo, em nós, que está mais necessitado da sua ação transformante e pacificadora.

O peregrino russo faz um longo caminho, e longo também será o nosso. Mas, ajudado pela comunidade orante, ele chega realmente àquele ponto em quê a oração se torna a presença ativa do Espírito de Deus, que conduz pela mão a nossa vida.

Lembremos algumas palavras marcantes que constituíram pedras de apoio no caminho do peregrino russo, que no fundo é o itinerário de todo o cristão.

1. «O Apóstolo disse: “Orai sem cessar”(l Ts 5,17), isto é, ele diz-nos que nos lembremos de Deus em qualquer altura e em todas as coisas. Em tudo o que faças, deves ter em mente o Criador de todas as coisas. Se vês a luz, lembra-te de quem ta deu. Se vês o Céu, a terra, o mar e tudo o que neles se encontra, admira e enaltece o seu Criador. Ao vestires-te, lembra-te de quem te deu essa dádiva e agradece-lhe, a Ele, que provê a tua vida. Enfim, qualquer que seja o movimento, será uma razão para lembrar e enaltecer o Senhor. A tua alma estará sempre alegre, se rezares sem cessar.»

2. «A oração interior permanente é o esforço constante do espírito do homem para com Deus. Para se ter sucesso nesse piedoso exercício, deve pedir-se a Deus que Ele nos ensine a orar sem cessar. Ao orares mais e aplicadamente, a oração por si só mostrar-se-á permanente. Para isso, é necessário bastante tempo.»

3. «Dá graças a Deus, querido irmão, por Ele ter despertado em ti o insuperável gosto do conhecimento pela oração interior permanente. Aceita o reconhecimento de Deus e acalma-te, certo de que até ao momento presente se operou em ti uma experiência de acordo com a tua vontade aos olhos de Deus, e que te foi dado compreender que não se alcança a luz celestial – a oração interior sem cessar – pelo conhecimento do mundo onde se vive, nem pelo desejo do conhecimento externo, mas, ao contrário, pela pobreza do espírito e pela experiência ativa, na simplicidade do coração.»

4. «Senta-te em silêncio e isolado, baixa a cabeça, fecha os olhos, respira silenciosamente, imagina-te a olhar para dentro do teu coração e faz com que o teu raciocínio, isto é, o teu pensamento passe da cabeça para o coração. Ao respirares diz: «Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim!»,mexendo os lábios silenciosamente ou apenas em pensamento. Esforça-te por afugentares os pensamentos, não te impacientes e repete cada vez mais este exercício.»

5. «A oração interior e permanente de Jesus é a invocação ininterrupta do nome divino de Jesus Cristo, com os lábios, com a cabeça e com o coração, imaginando-o sempre na nossa presença, e pedindo-lhe a graça para todos os nossos atos, em qualquer lugar, em qualquer momento, até durante o sono. Expressamo-la com as seguintes palavras: “Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim.” Finalmente, passado algum tempo, comecei a sentir que a oração, por si própria, passava para o coração, isto é, o coração no seu próprio ritmo, lá no seu interior, começou como que a dizer as palavras da oração, acompanhando a cadência: l – Senhor… 2 – Jesus… 3 – Cristo… e assim por diante. Deixei de dizer a oração com os lábios e comecei a escutar com fervor o que dizia o coração.»

Jesus é o verdadeiro Mestre da oração cristã, quer porque a sua oração é o modelo de toda a oração, quer porque Ele nos ensina a rezar. A parábola que Jesus conta em Lucas 18,9-14 é um importante ensinamento sobre a oração.

«Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro, publicano ou cobrador de impostos. O fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: “Ó Deus, dou-te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros; nem como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.” O publicano, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: “Ó Deus, tem pie­dade de mim, que sou o pecador.” Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.»

Podemos rezar como o fariseu. O vocativo inicial, «Ó Deus», confere às suas palavras uma cadência solene e retórica. A sua é uma oração autorreferenciada: ouve-se o «eu», «eu», «eu» por toda a parte. O motivo de louvor que encontra é a diferenciação face aos outros, que são isto e aquilo: ladrões, adúlteros, injustos, que são sobretudo como aquele publicano que está atrás dele no templo. Ele é um bom praticante, que se contempla a si mesmo, deslumbrado com as suas obras que, na oração dele, não têm um caráter penitenciai ou de súplica.

Enquanto o fariseu faz um uso do espaço sem grandes preocupações nem pruridos (ele está simplesmente de pé e fala, fala muito), o publicano distingue o próximo e o distante, o alto e o baixo, o corpo e a palavra: ele sente–se «longe», não ousa erguer o olhar e bate no peito enquanto profere algumas escassas palavras. Tem consciência daquilo que o afasta. Desloca-se não no eixo horizontal, mas no vertical. Ele não finge uma proximidade que não existe. Mas mostra-se assim, tal qual, a Deus. Quando, na oração, ele se identificar como «o pecador», isso não será um mero artifício do discurso, mas corresponderá a uma verdade existencial que a intensidade simbólica da sua atitude corporal vibrantemente corrobora.

Diversos autores consideram que o gesto do publicano bater no peito deve ser interpretado como um sinal da sua contrição. O significado mais frequente deste gesto, no mundo daquela época, é o de uma emoção intensa, provocada por um desgosto ou por uma situação desesperada, associando-se também à ideia de lamento. A sua angústia, porém, não é total: do fundo áspero da sua noite ele clama a Deus. E reza: «Ó Deus, tem misericórdia de mim, o pecador.» Esta passagem é a única do Evangelho em que a «pecador» se junta o artigo (o pecador). Isto não quer dizer que o publicano seja o maior pecador à face da terra, mas é assim que ele se sente e se coloca diante de Deus.

O ponto espiritual de viragem na parábola é esta atitude de verdade do publicano, em significativo contraste com a do fariseu. Ele faz convergir para Deus toda a sua vida, o seu bloqueio, as suas lágrimas, o seu desespero. Ele coloca-se completamente na dependência de Deus. Que Deus faça. Que Deus tenha misericórdia. Rezar, outra coisa não é que expor-se a Deus, sem máscaras, nem véus, nem falsas virtudes, nem diferenciações. É expor tudo. Expor até a nossa impossibilidade de rezar.

José Tolentino Mendonça
In O tesouro escondido, ed. Paulinas
08.03.11

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Fonte: Agência Fides

14.03.2011

VATICANO – O Papa reza pelas vítimas do terremoto no Japão e “por todos os que sofrem por causa destes terríveis eventos”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – “As imagens do trágico terremoto e do consequente tsunami no Japão deixaram todos nós fortemente impressionados” – disse o Santo Padre Bento XVI domingo, 13 de março, após rezar a oração do Angelus. “Desejo renovar minha proximidade espiritual à querida população daquele país, que com dignidade e coragem, está enfrentando as consequências desta calamidade – prosseguiu o Pontífice. Rezo pelas vítimas, por seus familiares e por todos os que sofrem por causa destes terríveis eventos. Encorajo as pessoas que com admirável disponibilidade estão se esforçando para levar ajuda. Permaneçamos unidos na oração. O Senhor está conosco!”. Em 12 de março, dia seguinte ao terremoto e ao tsunami, o Santo Padre, por meio do Cardeal Secretário de Estado, enviou um telegrama de pesar a Dom Leo Jun Ikenaga, S.I., Presidente da Conferência Episcopal Japonesa, expressando sua profunda dor e oferecendo orações. (SL) (Agência Fides 14/03/2011) 

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Fonte: Agência Fides

12.03.2011

ÁSIA/JAPÃO – Caritas lança uma Campanha de solidariedade em todo o país

Nagoya (Agência Fides) – Uma campanha de solidariedade em favor das vítimas do terremoto e do tsunami que atingiram o Norte do Japão será lançada amanhã, 13 de março, pela Caritas japonesa em todas as igrejas do país. A iniciativa vai envolver também escolas, associações e instituições católicas, na intenção de coletar verbas para ajudar os desabrigados: é o que anuncia à Agência Fides pe. Daisuke Narui, Diretor Executivo da Caritas japonesa. O diretor frisa que “o nosso dever é demonstrar amor e solidariedade, principalmente pelas pessoas mais vulneráveis, como os idosos, migrantes e sem-teto. Trabalharemos juntos com ONGs de outras extrações. Neste momento, somos chamados a dar testemunho de unidade e a estarmos próximos de todo ser humano que sofre. Sabemos já que a resposta dos fiéis ao nosso apelo será muito generosa”.
Ilustrando a situação, Pe. Narui explica à Fides: “É um desastre terrível, um dos mais fortes da história do país. A área mais atingida é o Norte; já há mais de mil mortos, centenas de feridos e desabrigados internos”. A Caritas se ativou imediatamente depois da tragédia: “Logo depois do terremoto e do tsunami, organizamos um encontro de emergência em tele-conferência. Hoje, a prioridade é recolher informações das áreas mais atingidas, mas é difícil, porque as linhas telefônicas e elétricas ainda estão interrompidas. A Diocese mais atingida é Sendai, mas ainda não recebemos notícias do Diretor da Caritas diocesana e isto nos preocupa muito. Por isso, estamos estudando a possibilidade de uma missão in loco”, explica pe. Narui.
A respeito das consequências do drama, ele explica: “Creio que no Japão de hoje, marcado pela crise econômica, atingido pelo fenômeno social da depressão e dos suicídios, este evento doloroso possa representar uma oportunidade de difundir os valores do Evangelho, ou seja, a fraternidade de todos os homens, a construção do bem comum, reconhecer que toda pessoa tem a dignidade de filho de Deus e é importante aos olhos de Deus. Se com a nossa obra e o nosso testemunho, conseguirmos comunicar isto, deste mal poderá nascer um bem”. (PA) (Agência Fides 12/3/2011)

Publicado em Agência Fides.

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Fonte: Agência Fides

12.03.2011

ÁSIA/JAPÃO – Emergência “crianças” depois do terrível terremoto

Tóquio (Agência Fides) – As crianças do Japão e de toda a área do Pacífico nunca viram um momento tão difícil como o atual, após o terremoto que segundo um balanço provisório, já deixou mil vítimas. A resposta das organizações humanitárias e da Igreja em todo o mundo foi imediata. Segundo informa um comunicado da Conferência Episcopal Australiana enviado à Agência Fides, o Arcebispo Philip Wilson, Presidente da Conferência dos Bispos australianos e dos Bispos da Inglaterra e Gales, assegurou suas orações pelas vítimas do mais grave terremoto registrado no Japão há 40 anos. O Arcebispo exortou também a Caritas Austrália a intervir rapidamente. Também o Presidente da Organização humanitária Save the Children, Charles F. MacCormack, lançou um apelo pelas crianças atingidas pelo terremoto e pela onda de tsunami. A organização, ao lado de outras agências, está priorizando as exigências específicas da crianças e fornecendo apoio de emergência. As crianças são sempre as vítimas mais vulneráveis em situações de emergência e é preciso uma intervenção específica para apoiá-las física e emotivamente, e ajudá-las a enfrentar imediatamente o choque. (AP) (12/3/2011 Agência Fides)

Publicado em Agência Fides.

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Fonte: Rádio Vaticano

Na audiência geral Bento XVI falou da Quaresma convidando à penitência e a intensificar o empenho pela conversão

(9/3/2011) Nesta quarta feira o Papa assinalou o início da Quaresma ao referir-se ao “austero símbolo das Cinzas”, imposto aos fiéis que participam nas missas celebradas neste dia.

“A cinza abençoada imposta sobre a nossa cabeça é um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas, que convida à penitência e a intensificar o empenho pela conversão”, realçou Bento XVI.
A Quaresma – “um itinerário espiritual” até à Páscoa – consiste em “acompanhar Jesus que sobe a Jerusalém, lugar do cumprimento do seu mistério de paixão, morte e ressurreição”, afirmou.
Para chegar “à vitória da vida, do amor, do bem, também nós devemos tomar a cruz de cada dia”, disse Bento XVI, mencionando as narrativas bíblicas em que Jesus carrega a cruz onde viria ser crucificado.
A intervenção do Papa na audiência geral, que decorre habitualmente às quartas-feiras, incluiu um apelo à presença dos fiéis nas celebrações da Quaresma, que não se referem apenas a “uma recordação de factos passados”.
Bento XVI salientou a presença frequente da palavra “hoje” na liturgia, que deve ser entendida no seu “sentido originário e concreto, não metafórico”.
“Hoje Deus revela a sua lei, e a nós é dado escolher entre o bem e o mal, entre a vida e a morte”; hoje o Reino de Deus está próximo (…); hoje Cristo morreu no Calvário e ressuscitou dos mortos (…); hoje é-nos dado o Espírito Santo; hoje é o tempo favorável”, indicou.
Na sua catequese o Papa deteve-se nas vertentes que acompanham aquele tempo litúrgico – jejum, esmola, oração –, assinalando que o primeiro “significa a abstinência de alimento, mas compreende outras formas de privação para uma vida mais sóbria”.
Esta renúncia, frisou, “não é ainda a realidade plena do jejum”, constituindo antes “o sinal externo de uma realidade interior”, do “empenho” em evitar o “mal” e “viver do Evangelho”, pelo que “não jejua verdadeiramente quem não se alimenta da Palavra de Deus”.
Referindo-se à esmola, Bento XVI citou São Leão Magno, papa do século V, assinalando que ela, “sob o nome único de ‘misericórdia’, abraça muitas obras boas”, que estão ao alcance não só dos “ricos” mas também das pessoas “de condição modesta e pobre”.
A Quaresma, período de 40 dias, excepto os domingos, que se prolonga até à Páscoa, “convida a uma oração mais fiel e intensa e a uma prolongada meditação”, mesmo que seja “difícil fazer silêncio”.
Estas as palavras proferidas por Bento XVI em língua portuguesa Queridos irmãos e irmãs,
Hoje está prevista, na celebração da Eucaristia, o rito da imposição das cinzas. Trata-se de um sinal que nos recorda a nossa condição de criaturas e nos convida à penitência e à conversão, para nos configurarmos cada vez mais com Cristo. A Igreja sabe que, à nossa fragilidade humana, custa fazer silêncio e parar diante de Deus, tomando consciência da nossa condição de criaturas que dependem d’Ele e necessitam do seu perdão. Por isso, na Quaresma, a Igreja convida a uma oração mais fiel e intensa e à meditação mais demorada da palavra de Deus. As leituras, que ouviremos na Missa dos próximos domingos e às quais vos convido a prestar especial atenção, propõem-nos o itinerário baptismal que, na tradição antiga, percorriam os catecúmenos – aqueles que se preparavam para o baptismo. Meditando-as, queremos reavivar em nós o dom, as exigências e os compromissos deste sacramento, que está na base da nossa vida cristã, a vida de ressuscitados com Cristo. * * * Saúdo cordialmente os fiéis das paróquias de Calhariz do Benfica e Brandoa no Patriarcado de Lisboa, os professores e alunos das comunidades escolares das dioceses de Coimbra e do Porto e ainda o grupo de peregrinos, médicos e professores, de Guimarães. A vós e a todos os presentes de língua portuguesa desejo um caminho quaresmal abençoado, que vos permita encontrar, acolher e seguir mais de perto Jesus; e assim poderdes dizer, com São Paulo, «já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim». Obrigado pela vossa presença. Ide com Deus.
As celebrações do início da Quaresma por parte de Bento XVI prosseguem esta tarde com inicio ás 16h30 (hora de Roma) com uma procissão penitencial pelas ruas do bairro romano do Aventino que termina na basílica de Santa Sabina, onde se celebra a missa.

Publicado em Rádio Vaticano.

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