Feeds:
Posts
Comentários

Archive for fevereiro \25\-03:00 2010

Fonte: Agência Fides – Vaticano

22.02.2010

ÁSIA/IRAQUE – Mensagem dos Bispos cristãos de Mosul ao governo: “O sangue dos cristãos será derramado impunemente?”

Mosul (Agência Fides) – “As autoridades devem assumir plena responsabilidade a fim de salvaguardar a presença cristã em Mosul. Precisamos de uma intervenção internacional a fim de impulsionar o governo central e local a agir imediatamente”: é o que declara à Agência Fides Dom Georges Casmoussa, Arcebispo sírio-católico de Mosul, enquanto na cidade não param os seqüestros e homicídios contra os cristãos. No último sábado, a quinta vítima em uma semana, Adnan al Dahan, um cristão ortodoxo de 57 anos, seqüestrado há uma semana, foi encontrado morto.

Por isto, os bispos cristãos de Mosul escreveram e entregaram ao governo local um apelo com palavras muito claras. Dom Casmoussa lustro à Agência Fides os conteúdos da mensagem, assinada por Dom Gregorios Saliba, Arcebispo sírio-ortodoxo, por Dom Georges Casmoussa, e por Dom Emile Nona, Arcebispo caldeu-católico.
A mensagem denuncia a violência contra “os nossos filhos cristãos na cidade de Mosul”, com o assassinato de pessoas pacíficas e inocentes, mostrando “um plano premeditado a fim de pressionar as Igrejas cristãs a fazerem uma agenda”. “Todos os esforços dos líderes religiosos da cidade, cristãos e muçulmanos, não serviram para cessar as violências contra os fiéis em Cristo” – ressalta o texto: “Estes atos repetitivos nos fazem pensar que não somos bem aceitos nesta cidade, que é a nossa Pátria”.
Os bispos recordam que “os cristãos participaram diretamente e com grande eficiência na edificação da civilização em Mosul”, na cidade e em toda a região, oferecendo uma fecunda contribuição na arte, na cultura, no pensamento, na criatividade, no âmbito econômico e social. São reconhecidos por todos como “elementos pacíficos e construtivos na sociedade”. E se perguntam: “Desta maneira somos recompensados? Com a violência em nossa cidade, com a exclusão da vida pública, com a expulsão de nossa terra?”.
O texto prossegue: “O sangue de nossos filhos, que são filhos do Iraque, o sangue de nossos bispos e sacerdotes continuará sendo derramado impunemente, sem a prisão dos assassinos? O Estado permanecerá indiferente?”

“Por isto – escrevem os bispos – pedimos ao governo de Mosul e ao governo central de Bagdá para que assumam plena responsabilidade, que trabalhem pela segurança dos cidadãos, especialmente dos fiéis de minorias cristãs, que são vulneráveis e os mais pacíficos entre os pacíficos”. A mensagem conclui: “exigimos que os homens de governo dêem prioridade ao respeito pela lei e pelo Estado, tutelando a segurança e a confiança dos cidadãos”. “Pedimos aos governantes para que não gastem inutilmente suas forças em lutas pelo poder e hegemonia”, mas que “sejam condenadas as ações criminosas e sejam conduzidos perante a justiça os executores e os mandantes das violências”. (PA) (Agência Fides 22/02/2010)

ÁSIA/IRAQUE – Sacerdote caldeu pede que Mosul não se torne um cemitério de cristãos

19.02.2010

Mosul (Agência Fides) – “Medo e choque são os sentimentos dominantes entre os cristãos de Mosul” – disse à Fides um sacerdote caldeu da Igreja local que pede o anonimato por motivos de segurança.

A ferocidade e a frieza das “verdadeiras e próprias execuções frias” que eliminaram quatro cristãos nos últimos quatro dias parecem ter deixado o sinal na comunidade de fiéis. “é uma limpeza étnica que vai adiante a cada dia, no silêncio e na indiferença geral. Estamos no desconforto mais profundo também porque as autoridades e a polícia não fazem nada para acabar com este massacre” – ressalta. A gente sente um sentimento de desespero que obriga as famílias a deixar o Iraque, a emigrar com a esperança de salvar seus próprios filhos: “Mosul se tornou um cemitério de para os cristãos, é terrível”, diz amargurado o sacerdote. Os assassinos vieram em pleno dia: 14 de fevereiro foi assassinado Rayan Salem Elias, 43 anos, comerciante caldeu.

No dia seguinte Mounir Fatoukhi, tembém ele comerciante de 40 anos, foi imobilizado por desconhecidos e foi morto dentro de seu carro. No dia 16 de fevereiro dos primos cristãos assírios, Ziya Toma de 21 anos e Ramsen Shmael de 22 anos, ambos estudantes, foram mortos metralhados no centro da cidade.O primeiro morreu imediatamente, o segundo ficou ferido gravemente, com poucas esperanças de vida. Em 17 de fevereiro Wissam George, cristão de 20 anos, foi morto no bairro Sul da cidade. “É uma banho de sangue sem limites, e os assassinos estão totalmente livres. Somos vítimas indefesas: podemos ler o terror nos olhos das famílias cristãs que se perguntam: quem será o próximo?”, ressalta à fonte de Fides.

Segundo alguns analistas, a violência está de alguma forma ligada às próximas eleições políticas e ao ressurgir do extremismo, mas parece evidente que “alguns pretendem dizimar os cristãos em Mosul”, por obscuros motivos políticos.

Dom Sleiman, Arcebispo de Bagdá dos Latinos, lançou o alarme, pedindo para “romper o silêncio em relação aos cristãos iraquianos”, constatando “um novo êxodo dos fiéis do país, obrigados a fugir do radicalismo imperante”. Desde 2008, os homicídios mirados são pelo menos 40. Em Mosul, os católicos Caldeus, segundo dados oficiais, mais de 18 mil, e os sírio-católicos cerca de 30 mil. Nos últimos dois anos, porém, pelo menos 12 mil fieis deixaram a cidade, e a presença cristã está se reduzindo. (PA) (Agência Fides 19/2/2010)

____________________________________________________________________________________________________________________________

Confira também:

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071009_iraque_blackwater_mv.shtml

Mulheres pertenciam à minoria cristã da capital iraquiana

Seguranças privados são acusados de matar mulheres em BagdáMulheres pertenciam à minoria cristã da capital iraquiana
A Polícia do Iraque acusou nesta terça-feira agentes ligados a uma empresa de segurança privada de terem matado, enquanto escoltavam um comboio, duas mulheres cristãs em Bagdá. (2007/10-BBC/Brasil)

_________________________________________________________________________________________________________________________

O livro  “BlackWater – A Ascensão do Exército mercenário mais poderoso do mundo”, foi escrito em 2008 pelo jornalista norte-americano  Jeremy Scahill, que atuou em coberturas internacionais no Iraque, na ex-Ioguslávia e na Nigéria. E obteve por sua atuação, o renomado prêmio jornalístico George Polk de 2007.

“BlackWater” descreve a ação da empresa privada de segurança que leva este nome, que não demonstra qualquer compromisso com a noção de “crimes de guerra”. Existe desde a era G.W. Bush, e disputa entre as centenas que agem com forças mercenárias, a captação de milhões de dólares em contratos de segurança para-militar desde a invasão do Itaque. É líder absolutas na “concorrência”. Suas ações armadas, ainda em 2010, se caracterizam pelo absoluto desrespeito aos direitos humanos.

Esta companhia, é dirigida por Eric Prince, católico ultra-conservador, que faz parte de uma rede composta por dirigentes denominados como “católicos- evangélicos”, acompanhados por “cristãos evangélicos”. Afirmam suas atividades  como “guerra global ao terror”, tal como afirma o editor do livro “Black Water”.

Os fundadores e políticos ligados a esta corrente fazem parte da estratégia de privatização da guerra, ou seja, privatização do aparato militar norte-americano. Esta companhia é formada por combatentes mercenários de todas as nacionalidades (o mesmo se dá com outras empresas), que segundo o editor do livro, se constitui em um verdadeiro sucesso empresarial. Tanto os dirigentes quanto seus “agentes da morte” visam acima de tudo, muito dinheiro. O alto escalão possui fortunas bilionárias e os mercenários, se não morrem em campo, ganham milhares de dólares por dia.

O jornalista Jeremy Scahill faz um alerta sobre o rumo assustador que os combates tomaram no Oriente Médio. Como seus mentores são sectários, justificam a eliminação sumária de civis muçulmanos, principalmente homens, mas não poupam nem mesmo crianças e mulheres, sem qualquer motivo. Acatam ordens, e para tanto fazem um rastro de morte… Os dirigentes das companhias de segurança privada no Oriente Médio se consideram “cruzados”, e são conhecidos muito recentemente como como “teocon”. Seus “soldados” são atípicos. Se caracterizam pela super-especialização em tecnologias de guerrra e táticas de gueriilha, agindo em pequenos gupos, sem uniforme. Entre eles vale o lema “no mercy, no fear, no remorse”, ou seja, “sem misericórdia, sem medo, sem remorso”… Novos tempos ou fim dos tempos? (LBN)

__________________________________________________________________________________________________________________________

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071002_blackwaterrelatoriobg.shtml

Relatório critica empresa de segurança por violência no Iraque

Bruno Garcez
De Washington, 02 de outubro, 2007 – 16h02 GMT (13h02 Brasília)n – BBC.co.uk/Brasil

________________________________________________________________________________________________________________________

Read Full Post »

Mensagem para a Quaresma de 2010: “A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo” – Papa Bento XVI (OCDS – Província N.Sra. do Carmo – Sul – Brasil)

Fonte: Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares (OCDS) – Comunidade Santa Teresa – Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil

MENSAGEM PARA A QUARESMA

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE,  O PAPA BENTO XVI, PARA A QUARESMA DE 2010

A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo”
(cf. Rom 3, 21–22 )

Queridos irmãos e irmãs,

“Todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida á luz dos ensinamentos evangélicos . Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cf. Rom 3,21 – 22 ).

Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romana do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado à sua imagem e semelhança. (…)

De onde vem a injustiça?

O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de então acerca do que é puro e impuro: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14-15.20-21). Para além da questão imediata relativo ao alimento, podemos entrever nas reações dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior.

Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua atuação: Esta maneira de pensar – admoesta Jesus – é ingênua e míope. A injustiça, fruto do mal , não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista:”Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl. 51,7). Sim, o homem torna-se frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro.

Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto–suficiência , daquele estado profundo de fechamento, que á a própria origem da injustiça. Por outras palavras, é necessário um “êxodo” mais profundo do que aquele que Deus efetuou com Moisés, uma libertação do coração, que a palavra da Lei, sozinha, é impotente a realizar. (…)

Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O fato de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cf. Gal 3,13-14). (…)

Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.

Compreende-se então como a fé não é um fato natural, cômodo, obvio: é  necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitencia e da Eucaristia. Graças á ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é aquela do amor (cf. Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.

Precisamente fortalecido por esta experiência, o cristão é levado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.

Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma culmina no Tríduo Pascal, no qual também este ano celebraremos a justiça divina, que é plenitude de caridade, de dom, de salvação. Que este tempo penitencial seja para cada cristão tempo de autentica conversão e de conhecimento intenso do mistério de Cristo, que veio para realizar a justiça. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração, a Bênção Apostólica.”

BENEDICTUS PP. XVI

****

Leia a mensagem completa no site da Comunidade Santa Teresa.

Postado por Comunidade Santa Teresa – OCDS – Província Nossa Senhora do Carmo – Sul – Brasil.

Read Full Post »

Fonte: ZENIT – “O mundo visto de Roma” http://www.zenit.org/article-24081?l=portuguese 12-02-2010

Cáritas chama a cancelar dívida externa do Haiti

Apelo aos organismos financeiros internacionais

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Cáritas Internationalis manifestou sua “decepção” com a falta de vontade política do Fundo Monetário Internacional (FMI) para decidir o cancelamento total da dívida pendente do Haiti, durante a reunião do Fundo celebrada na semana passada. Por outro lado, a instituição caritativa expressou sua satisfação com a recente decisão do FMI de conceder ao Haiti uma ajuda de 102 milhões de dólares, com condições muito favoráveis, para enfrentar as necessidades do país após o terremoto. Se bem que o diretor gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, ofereceu seu apoio às iniciativas orientadas a pedir o cancelamento das dívidas do Haiti e assinalou que o Fundo “está trabalhando com todos os doadores com a finalidade de tentar cancelar todas as dívidas do país, incluindo este novo empréstimo”, Cáritas recorda que “esse cancelamento da dívida poderia ser concedido dentro de cinco anos, quando o Haiti terá de começar a pagar as quotas da dívida”. “Dentro de cinco anos, o mundo estará enfrentando novas emergências e a atenção pública já não estará centrada no Haiti”.

Cáritas chama a atenção para as “surpreendentes imagens que nos chegam de Porto Príncipe, que demonstram que terão de passar muitos anos antes do Haiti se encontrar em situação de cobrir um empréstimo internacional”. Para a Cáritas Internacionalis, “agora é o momento de cancelar a dívida”. Por isso, exorta o FMI a garantir a eliminação da dívida já, quando o Haiti luta por sua reconstrução. Esse pedido também se estende ao Banco Mundial, com o qual o Haiti tem contraída uma dívida de 39 milhões de dólares; e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, ao qual o país caribenho deve 447 milhões de dólares. Apesar de que ambas entidades adiantaram seu apoio ao cancelamento da dívida, ainda não se estipulou oficialmente um acordo neste sentido. (ZENIT)

…………………………………………………………………………………………………

Fonte: ZENIT http://www.zenit.org/article-24069?l=portuguese

Organizações católicas pedem que crianças haitianas sejam protegidas

Para prevenir o tráfico de vítimas do terremoto

WASHINGTON, D.C., quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Diversas organizações católicas se uniram para elaborar um documento no qual pedem por programas de proteção a crianças em todo o território do Haiti, para evitar que menores desacompanhados sejam vítimas do tráfico de seres humanos.

A carta, publicada na sexta-feira passada pela Conferência Episcopal dos EUA, propõe várias medidas para ajudar os órfãos haitianos. O texto foi enviado à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, à secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, e à secretária de Serviços de Saúde e Humanos, Kathleen Sebelius.

“A compaixão do povo dos Estados Unidos tem sido evidente na sua resposta às crianças haitianas que ficaram desamparadas após o terremoto, que incluiu várias ofertas de adoção”, indica a carta.

“Como prestadores de serviços sociais com experiência no cuidado de menores não acompanhados, acreditamos que certos processos devem ser estabelecidos antes dessas crianças serem trazidas para os EUA e envolvidas nos procedimentos legais de adoção”, dizem.

Também destacam a “necessidade de assistência especial e proteção” destas crianças.

Alta prioridade

“Estas medidas visando a garantia da segurança e o auxílio material das crianças, que de outro modo poderiam ser objeto de sequestros e do tráfico de seres humanos, deveriam constituir a mais alta prioridade”, indica a carta.

Os lideres católicos destacam que as ações devem necessariamente envolver especialistas em bem-estar infantil, “capazes de tomar decisões tendo em visita o melhor para cada criança”, e enfatizam a necessidade de localizar a família na tentativa de encontrar familiares vivos, privilegiando uma reunificação sempre que possível.

“Reunificação familiar é um objetivo importante que deve ser priorizado, e caso não seja possível, a melhor solução seria encontrar um tutor no próprio Haiti”, afirmam.

A carta pede que as crianças desacompanhadas sejam levadas para abrigos específicos, onde ficariam aos cuidados de profissionais especializados, e onde fosse facilitado um possível reencontro com a família ou um processo de adoção por famílias cuidadosamente selecionadas.

Para as crianças que têm pais ou familiares vivendo nos EUA, os representantes pediram por uma “aceleração nos trâmites de imigração, para ajudá-las a ingressar no país”.

“Com base em nossa experiência trabalhando com crianças em contextos de desastres ou de deslocamentos forçados, entendemos que não é benéfico nem para a criança do Haiti, nem para o país como um todo, que os menores desacompanhados sejam retirados de seu país de origem sem uma cuidadosa avaliação”.

Os líderes católicos expressaram ainda seu desejo de continuar trabalhando com as autoridades norte-americanas para “garantir que estas crianças vulneráveis, assim como as demais vítimas do terremoto, recebam o cuidado e o apoio que necessitam para retomar suas vidas”. (ZENIT)

Read Full Post »

“Tudo o que podemos dizer sobre as tragédias como a do Haiti, ou do tsunami de há alguns anos, ou a morte de uma criança na auto-estrada, é que Cristo está presente connosco, para compartilhar totalmente a nossa tristeza e dor.” – Teólogo ortodoxo John Breck (SNPC – Artigo – 02/2010)

Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC-Portugal)

Haiti

Haiti

Porquê, meu Deus?

(…) Há quem pense saber porque é que a tragédia atingiu o Haiti. Um dos tele-evangelistas mais populares da América declarou publicamente que foi porque os haitianos ainda praticam vudu ou outras formas de religiosidade pagã. A seu ver, o terramoto é uma punição de Deus, levada a cabo contra infiéis. Presumivelmente, inclui-se neste raciocínio a fúria divina lançada contra multidões de crianças soterradas debaixo dos escombros, e um número assustador de pequenos órfãos.

Muitos haitianos chegaram à mesma conclusão. Um artigo no New York Times (14-1-2010), intitulado “Haiti’s Angry God”, cita uma mulher que diz que Deus está zangado com todos os pecadores, mas em particular com os Haitianos. Para ela o sismo é um castigo divino. Contudo, também afirmou que o evento fortaleceu a sua fé. Respostas semelhantes foram dadas por muitos que, ao longo de noites de total escuridão, com o cheiro a morte no ar, se confortaram cantando hinos de louvor a Deus.

Foto Getty Images

Porquê, meu Deus? Estamos de facto diante de retribuição divina pelos pecados destes desgraçados? Então porque não eu? Porque não nós?

Para muitos de nós, este tipo de desastre traz de volta o problema da “teodiceia”: se Deus é simultaneamente Todo-Poderoso e inteiramente bom, como pode permitir a existência do mal? Por outras palavras, como podemos explicar o fenómeno, sempre presente, do sofrimento dos inocentes? (…)

Foto Reuters

Foto Getty Images

FotoAP

Deus julga-nos certamente, à luz do nosso pecado e das nossas boas obras e actos de amor. Esse juízo, porém, não se traduz em Deus infligir sofrimento físico ou emocional sobre nações ou povos inteiros. Nem no Haiti, nem na Indonésia, nem em parte alguma do mundo. Até ao dia do Juízo Final, o “castigo” divino limita-se a Deus deixar-nos colher as tempestades dos ventos que semeamos. Podemos descobrir, inquestionavelmente, uma pedagogia divina em vários momentos de sofrimento. Não podemos, contudo, acreditar que Deus, cuja essência é o amor, que se entregou ao sofrimento e à morte para nos resgatar das consequências do pecado e da morte, é um Deus vingativo, cuja “justiça” ultrapassa a misericórdia e a compaixão.

A maioria das pessoas, incluindo muitos cristãos ortodoxos, têm uma visão de Deus formada por uma teologia ocidental que parte de abstracções filosóficas. A sua noção de Deus começa com a imagem de alguém que é omnisciente e omnipotente, um Deus de Justiça que exige de nós justiça sob pena de castigos se não nos conformarmos à sua vontade, à sua lei.

De uma perspectiva Ortodoxa, contudo, devemos partir não de uma imagem de “Deus nas alturas”, mas com a imagem mais poderosa e pungente da Cruz. Esta imagem não explica em termos racionais o mistério do sofrimento dos inocentes; nada nesta vida o faz, nem pode (daí que seja “sofrimento” e não só dor). (…)

Foto Reuters

Tudo o que podemos dizer sobre as tragédias como a do Haiti, ou do tsunami de há alguns anos, ou a morte de uma criança na auto-estrada, é que Cristo está presente connosco, para compartilhar totalmente a nossa tristeza e dor. Tal como se vê de forma tão dramática e bela no ícone da Páscoa, Cristo desce repetidamente às profundezas do nosso inferno, para tomar as nossas mãos e levar-nos da escuridão para a sua luz radiosa. Para todos os que estão presos debaixo dos escombros, Cristo está lá, a partilhar a sua agonia até ao fim terrível. Está com todos os que choram a morte dos seus queridos, carrega as suas tristezas e as suas angústias. Como se declara nas Grandes Completas, Ele é “Deus connosco!”. Não, em primeiro lugar, como o Deus da justiça e do juízo, mas como o Deus de amor infinito que permanece, segundo Pascal, “em agonia até ao final dos tempos.”

Se partirmos da Cruz, e não de uma noção abstracta de omnipotência divina, então podemos ver que tanto Deus como nós mesmos, estamos envolvidos numa enorme luta cósmica. A Cruz e a Ressurreição puseram fim à soberania de Satanás sobre o mundo e sobre os nossos destinos individuais. Mas a luta continua, tal como o pecado continua, como os desastres naturais continuam, e continuarão até que Cristo regresse na sua glória. Mais uma vez devemo-nos recordar: há um profundo significado no facto de que, perante o sepulcro vazio, o anjo refere-se a Cristo não como “o Ressuscitado”, mas como “o Crucificado” (Mateus e Marcos). Cristo ressuscitado e glorificado continua a ser “o Crucificado” na vida e na experiência de cada um que o procura, em primeiro lugar, talvez, na vida dos que clamam por Ele debaixo dos escombros.

FotoAP

Se Deus é o mestre vingativo que castiga os pecadores com estas tragédias, então, francamente, não estou interessado. Se, por outro lado, ele é o Servo Sofredor, que caminha connosco e por nós, carregando os nossos pecados e a consequente mortalidade, bem como a nossa dor e angústia, então é de facto aquilo que as Escrituras dizem ser: o Deus de Amor que se esvazia, que se dá, totalmente e sem reservas, para a vida do seu mundo.

P. John Breck
Teólogo ortodoxo
Trad.: Filipe d’Avillez
Publicado por SNPC (02/2010).

…………………………………………..

Confira também comovedoras imagens de demonstração de fé dos haitianos, em meio à destruição e diante da realidade de crianças e adultos sob os escombros, intitulada “A Igreja no Haiti”:

http://www.snpcultura.org/vol_sismo_haiti.html

Read Full Post »